Segunda-feira, Março 31, 2008

Haka barrosã



Nós professores temos de pensar numa coisa destas para as chamadas "rondas negociais"...

Sónia

Sábado, Março 29, 2008

o BLOG

evva

Febre de Sábado à Noite



OLÉ!




evva

Portugal retrato social

"How did then Thatcher secure her power? The true answer may be a good deal more mundane than any talk of "hegemonic discourses". [...] She set out from the beginning to break the power of organized labour by deliberately fostering massive unemployment, thus temporarily demoralizing a traditionally militant working-class movement. She succeeded in wining the support of an electorally crucial skilled stratum of the working class. She traded upon the weak, disorganized nature of the political opposition, exploited the cynicism, apathy and masochism of some of the British people, and bestowed material benefits on those whose support she required. [...] If people do not actively combat a political regime which oppresses them, it may not be because they have meekly imbibed its governing values. It may be because they are too exhausted after a hard day's work to have much energy left to engage in political activity, or because they are too fatalistic or apathetic to see the point of such activity. They might be frightened of the consequences of opposing the regime; or they may spend too much time worrying about their jobs and mortgages and income tax returns to give it much thought. Ruling classes have at their disposal a great many such techniques of "negative" social control [...]."


Terry Eagleton, Ideology: an introduction.


Errata: "Thatcher" leia-se "Sócrates";
"British" leia-se "Portuguese";

Funciona, não?

Joana

Pois… qual era mesmo a pergunta?…



andré

Poema Antigo









O homem que percorro
com as mãos

e a lua que concebo

a altitude
do tédio




o oceano
penso paralelo — ventre
à praia intacta
das janelas brancas
com silêncio




ciclamens-astros
entre
as vozes que calaram
para sempre
o verbo — bússola
com raiz — grito de relevo




O homem que percorro
com as mãos

a estátua que consinto

a lua que concebo.



Maria Teresa Horta




[evva]

Sexta-feira, Março 28, 2008

Chuva

O meu compositor de eleição nestes dias: Erik Satie.





Aqui interpretado por Jean-Ives Thibaudet.

Sónia

Words without borders!


This month’s issue on contemporary Lebanese writing portrays a country shot through with menace and strafed with violence. But this Lebanon—grounded in an ancient culture both lyrical and fabulistic—features gardens alongside its guns, and even as characters flee monsters real and imagined and struggle with quotidian terror, they embrace moments of reflection and beauty. Etel Adnan, Mai Ghoussoub, Joumana Haddad, Mazen Kerbaj, Vénus Khoury-Ghata, Amin Maalouf, Alexandre Najjar, Selim Nassib, and Salah Stétié post bulletins from both political and personal frontlines. We trust you’ll find their dispatches as compelling as we do.


I-myself- highly recommend Mazen Kerbaj´s caricature (see above). As a matter of fact, it summarizes much of what you might call in Portuguese the alma libanesa-if there is such a thing anyway!
Enjoy,

Michel

Here comes the rain again



Quando começa a chover vem-me sempre, lá dos confins dos anos oitenta, esta frase, esta música. Aqui fica, numa suprema interpretação. Porque o youtube não serve apenas para divulgar a escória.*

Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion
I want to walk in the open windI
want to talk like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you

So baby talk to me
Like lovers do
Walk with me
Like lovers do
Talk to me
Like lovers do

Here comes the rain again
Raining in my head like a tragedy
Tearing me apart like a new emotion
Oooooh
I want to breathe in the open wind
I want to kiss like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you

So baby talk to me
Like lovers do
Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion
(here it comes again, here it comes again)

I want to walk in the open wind
I want to talk like lovers do
I want dive into your ocean
Is it raining with you

Um original dos Eurhythmics.

evva

* Desculpem lá variar um pouco da guitarra, mas este tempo...

Agora* sim,


posso dizer que já vi tudo. Esqueçam a metáfora do porco a andar de bicicleta.


evva


* Bom, daqui a cinco meses, para ser mais precisa.

E do Brasil...

Laurindo Almeida e o Modern Jazz Quartet interpretando "Samba de uma nota só" de  Tom Jobim e Newton Mendonça.




Mais informação aqui.

Sónia

Ry Cooder



Há imagens e sons que não conseguimos separar. Um desses casos é para mim a paisagem do Texas e a guitarra de Ry Cooder.
Cá deixo este post, para a Elsa - que tentou muitas vezes, mas não teve coragem...

Sónia

A guitarra espanhola


Paco de Lucía, Entre dos Aguas (1976)

Sónia

Mudemos o Slogan

Fátima Bonifácio* a Ministra da Educação, já!

evva

*Excelente lucidez de análise e pragmatismo, como é seu hábito, nas propostas de prevenção e sanção da indisciplina nas escolas, ontem, no debate da Sic Notícias.

Quinta-feira, Março 27, 2008

A guitarra portuguesa



andré

Angelo Debarre



Ele já esteve neste blog antes e vale sempre a pena traze-lo de volta.

andré

Guitar and other machines




Red shoes
Blue car
Never run
Too far

Winds push
Us along
We're so weak
And they're so strong

All I ever need
The mercy of your lies
All I ever need
The mercy of your lies
And the clouds that break
And the clouds that break

Red shoes
Blue car
Never run
Too far

Winds push
Us along
We're so weak
And they're so strong

All I ever need
The mercy of your lies
All I ever need
The mercy of your lies
And the clouds that break


(Durruti Column, Guitar and other machines, 1987, London Records)


Sónia

Woody Guthrie


Sónia

Si estirem tots, ella caurà

Lluis Llach é o nome mais conhecido da "Nova Canço" catalã, movimento musical nascido durante a ditadura franquista. Tal como em outros movimentos similares, a canção política teve um lugar de destaque. No caso concreto de Lluis Llach (que até tem uma música intitulada "Abril 74") a "canço" mais emblemática chama-se L' Estaca e, após a queda do regime de Franco, ao qual era inicialmente dirigida, tornou-se tema obrigatório nos encontros dos independentistas catalães, entre outros.



L' Estaca

L'avi Siset em parlava
de bon matí al portal
mentre el sol esperàvem
i els carros vèiem passar.

Siset, que no veus l'estaca
on estem tots lligats?
Si no podem desfer-nos-en
mai no podrem caminar!

Si estirem tots, ella caurà
i molt de temps no pot durar,
segur que tomba, tomba, tomba
ben corcada deu ser ja.

Si jo l'estiro fort per aquí
i tu l'estires fort per allà,
segur que tomba, tomba, tomba,
i ens podrem alliberar.

Però, Siset, fa molt temps ja,
les mans se'm van escorxant,
i quan la força se me'n va
ella és més ampla i més gran.

Ben cert sé que està podrida
però és que, Siset, pesa tant,
que a cops la força m'oblida.
Torna'm a dir el teu cant:

Si estirem tots, ella caurà...

Si jo l'estiro fort per aquí...

L'avi Siset ja no diu res,
mal vent que se l'emportà,
ell qui sap cap a quin indret
i jo a sota el portal.

I mentre passen els nous vailets
estiro el coll per cantar
el darrer cant d'en Siset,
el darrer que em va ensenyar.

Si estirem tots, ella caurà...

Si jo l'estiro fort per aquí...


Joana








Quarta-feira, Março 26, 2008

Desafio à guitarra 1: Leo Kotke



Sónia

Mais logo, no Coliseu





Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Storm.. in the morning light

I feel

No more can I say

Frozen to myself


I got nobody on my side

And surely that ain't right

And surely that ain't right


Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Portishead


No que toca a guitarras, prefiro a distorção.


evva

A propósito de guitarras

Comecei a ouvir os Dire Straits com o Brothers in Arms e o Money for Nothing, e ficava fascinado com a forma estupidamente simples com que o Mark Knopfler tocava tão bem guitarra. Quando os fui ver a Alvalade já na década de 90 as coisas aproximavam-se do fim e a banda acabaria uns anos mais tarde.

Hoje sei que quando os ouvi pela primeira vez já o fim tinha começado pois após o álbum ao vivo Alchemy em 1984 nunca mais os Dire Straits conseguiram criar. Passaram apenas a reproduzir.
É a sina de muitos. Mas dá pra viver bem.

Há uns tempos atrás voltou-me a vontade de os ouvir. Peguei nos cds que ainda valem a pena e regressei a 1978, na altura em que a guitarra era pura e limpa e a música era simples e honesta.
Começava assim:



andré

Terça-feira, Março 25, 2008

Desafio

Há algum tempo atrás a RTP 2 emitia uma série da Britcom (não me lembro do título; se alguém se lembrar agradece-se a ajuda) que contava entre as personagens principais com um casal de pais prestes a renegar a mística da maternidade / paternidade e o seu grupo de amigos entre os quais se contavam os elementos de uma banda que trabalhava com o estúdio de gravação em que também trabalhava o desesperado papá (creio ter descrito o cenário com alguma fidelidade). Esses músicos tinham por passatempo habitual desafiarem-se a enumerar canções que apresentassem no título uma determinada palavra, como "light" em "Beginning to see the light" dos Velvet Underground, ou "a Guiding light" de Smog, ou "Pink light" de Laura Veirs, ou ...
O desafio que eu lanço é mais fácil: qualquer "post" sobre um mesmo tópico, embora gostasse de continuar "sob a batuta" da música. Proponho durante uma semana, se alinharem, posts sobre um de dois instrumentos: piano ou guitarra. O primeiro a aderir escolhe qual.


Sónia

Do Oriente

A defesa de um ensino em que se respeita a autoridade de quem a adquiriu por mérito próprio com muitos anos de estudo: o Professor. Também por isso, sou conservadora. No Combustões, um blogue monárquico que sigo assiduamente:

Sou pelo ensino "autoritário", contra as metodologias de infantilização dos adolescentes e de responsabilização de crianças, avesso ao convivialismo e partilha de soberania entre quem ensina e deve mandar e quem aprende e deve obedecer; sou absolutamente adepto da Escola entendida como fonte de apredizagem e não como armazém de díscolos, pela Escola como tarimba de cidadania, respeito e autoridade; sou pela Escola uniformizada mas não uniformizadora, sem distinções de posse e origem social na separação entre aqueles que a inteligência prepara para dirigir e aqueles aos quais caberão tarefas menos responsáveis; sou pela Escola que não incuta medo, mas não prepare nem parasitas nem ralé; sou pela Escola que saiba, com justiça, afastar do caminho da Universidade quem a ela não pode aspirar. Depois de ver as imagens (...), deixo, definitivamente entregue ao seu triste destino o país selvagem, raleficado, insubmisso, inacessível ao bom senso em que se transformou o Portugal portugalinho, de Veiga Simão e Roberto Carneiro a Maria de Lurdes qualquer-coisa. Aqui, onde estou, os alunos da universidade levantam-se quando o professor sai ou entra, depositam os telemóveis desligados num cesto existente à porta das salas de aula, pedem desculpas quando chegam 2 minutos atrasados, levantam o dedo para pedir para ir à casa de banho, não comem, não dormem, não namoram nem lançam bilhetes uns aos outros. Estes alunos estudam 8 horas e dedicam mais quatro ou cinco horas aos trabalhos escolares caseiros. Aqui vive uma juventude livre, sorridente e aplicada que todos os dias agradece aos professores o esforço e as canseiras de uma carreira mal remunerada mas quase venerada.

Miguel Castelo-Branco»


evva

E no Ensino Superior, que tal?

Ruído no anfiteatro
por Rui Bebiano (Sexta-feira, 21/03/2008)

«Todo o país viu as imagens e fala no caso da agressão da aluna da Carolina Michaëlis à sua professora de Francês. A atitude é de unânime condenação, embora eu desconfie que alguns estudantes da faixa etária da agressora possam considerá-la uma heroína e, em certos casos, tenha já «molhado o pão» no apetitoso lombo de outro infeliz docente (ou, pelo menos, tenha sentido uma quase-irreprimível vontade de o fazer). Têm sido distribuídas as culpas por toda a gente, colocando-se por vezes a agressora – que não deixa de o ser pelo facto de não ter batido na cara da professora – numa posição protegida de «vítima do sistema» que lamentavelmente perdeu a compostura. Sem querer insistir no que tem sido dito (um largo leque de posições pode ser encontrado na caixa de comentários de um post de Daniel Oliveira), chamo a atenção para algumas coisas que me perturbaram particularmente e que estão para além da agressão em si. São elas a cumplicidade ou a inacção do conjunto da turma, a falta de uma reacção decidida da professora, a não-apresentação imediata de queixa, a incapacidade da direcção da Escola para tomar medidas claras e prontas (e depois para esclarecer devidamente a opinião pública), a revelação de uma sucessão de casos análogos ou piores entretanto silenciados, o facto da esmagadora maioria das vítimas destes casos serem mulheres, o silêncio conivente dos pais dos jovens agressores (que terão a dizer disto as sempre tão buliçosas «comissões de pais»?). E ainda a real responsabilidade dos governos que têm vindo a retirar prestígio e autoridade aos professores.

O caso leva-me a reflectir sobre a minha própria experiência, e a falar aqui de um assunto que permanece tabu, ainda que falado entre dentes, com sinais de vergonha, por professores, agora do ensino superior, que não sabem o que fazer e começam também a temer o pior. Dou aulas numa universidade desde 1981, e, naturalmente, ao longo de todos estes anos tenho-me confrontado, na relação mantida com dezenas de milhar de alunos, com comportamentos muito diferenciados no espaço das aulas. Apesar dessa diversidade, e tendo conservado sempre uma relação nada autoritária com a generalidade deles, jamais tive o menor problema disciplinar. Tanto quanto sei, a mesma coisa se passava com quase todos os meus colegas (as raríssimas excepções ficaram quase sempre a dever-se a atitudes de incompetência ou de arbitrariedade). Quando começaram a suceder-se os problemas disciplinares nas escolas secundárias, estes não se reflectiram logo nas universidades, presumindo-se sempre que os estudantes entretanto «cresceriam» e manteriam já comportamentos responsáveis quando chegassem aos nossos anfiteatros.

Mas tudo mudou há cerca de dois ou três anos atrás. A verdade é que, após as sucessivas vagas de alunos com deficiente formação científica imposta por programas e métodos no mínimo discutíveis, começaram a chegar às escolas superiores estudantes com uma quase nula formação cívica e frágil capacidade de autoresponsabilização. E, pela primeira vez, eu e muitos colegas - com toda a experiência de anos de trabalho, com todo o prestígio que a maioria acreditava ter conquistado para a vida - começámos a ter problemas: alunos que conversam sistematicamente durante as aulas, que chegam atrasados todos os dias, que entram e saem sem uma palavra, que não desligam o telemóvel, que se dirigem ao professor de forma impertinente, que exigem facilidades confundidas com direitos sem cumprirem deveres, que em muitos casos nem sequer distinguem claramente as competências de quem ensina e as suas próprias obrigações. Falta o último passo que, ao que se vê, no ensino secundário há já muito tempo foi dado: transformar as aulas num campo de batalha. Este passo não é inevitável: quero acreditar que, a ser bem aplicado, o previsto sistema de tutorias possa ajudar a melhorar os processos de responsabilização e a articulação entre a vida e a escola, como quero acreditar que a ampliação dos cursos de 2º e 3º ciclo traga para a vida nas escolas superiores pessoas mais amadurecidas e tolerantes. Como acredito nos alunos interessados, empenhados e até afectuosos. Mas temo que, entretanto, algo de mau possa acontecer.

Claro que a maioria dos estudantes universitários - sei-o por tentar andar de olhos abertos e graças a uma sucessão de óptimas experiências pessoais - não se enquadra neste cenário de catástrofe anunciada. A maioria dos alunos do secundário, acredito, também não se adequará a ele. Só que aos outros, aos elementos de uma minoria a quem é permitido protagonismo, o sistema educativo em vigor e as políticas que estão a ser aplicadas, minando a centralidade do professor na escola como na sociedade, conferem um grau de manobra cada vez mais perigoso. Que o meio social envolvente observa demasiadas vezes com um encolher de ombros.

P.S. - Pouco deve interessar, em casos como aquele que desencadeou o actual debate, o desculpabilizador discurso pedopsi sobre o telemóvel enquanto prótese. A admissibilidade do seu uso imoderado começa quase sempre em casa e apenas é possível porque, daí até à escola, tem sido mantida toda uma rede de permissibilidade que não deixa muitos jovens perceberem (ou não os obriga a perceberem) que existe uma dimensão de sociabilidade moderadora da utilização lúdica ou produtiva da máquina, de qualquer máquina. Que há vida para além dela.
»




evva (sublinhados meus)

Para quando avaliar os Encarregados de Educação? III



Daqui.

evva

Um hino à '(des)educação*'

* por iniciativa ministerial




A situação é grave, muito grave. A forma como o novo Estatuto do Aluno tem vindo a ser propagandeado - eficaz arma de combate à indisciplina -, só nos pode deixar inquietos, se conseguirmos evitar não rir.

Já há algum tempo, meses até, exactamente a partir do momento em que se começou a falar deste novo Estatuto, que os alunos perguntam 'Então agora podemos faltar à vontade que não reprovamos?', ao que se responde continuamente 'Claro que não, o novo Estatuto ainda não entrou em vigor'.

Os alunos do Ensino Secundário anseiam diariamente por este Estatuto. Só quem está totalmente alheado da selva em que se tornaram as nossas escolas pode proclamar que esta nova forma de cabulice institucional melhorará o comportamento dos alunos nas aulas.

Exige brevidade na comunicação de faltas e ocorrências aos Encarregados de Educação? A grande maioria dos professores já adoptou esta atitude, a única maneira de precaver ou fazer face a situações de indisciplina.

Permite processos sumaríssimos para sancionar essas situações? Toda a gente sabe que a maior parte dos alunos indisciplinados (são muitos e cada vez mais), ao fim de cinco dias de suspensão, a pena máxima que a lei prevê, voltam para a escola para fazer igual ou pior.

Mas o mais grave que a divulgação das recentes imagens provocará, quando na próxima segunda-feira recomeçarem as aulas, é a repetição destes comportamentos 'por imitação', se não forem tomadas medidas urgentemente exemplares. Foi esta uma das razões que nos levou à decisão de não divulgarmos aqui as imagens do Carolina Michaelis (uma escola com pergaminhos mas que quase nunca protegeu os professores em situações de indisciplina e agora vê o seu nome ser arrastado na lama do sistema educativo português), para além da preservação da identidade da colega (poderia ser qualquer um de nós). Poderá acontecer a qualquer um.



evva



P. S.: Quando na década passada o Contra-Informação começou a brincar com Pinto da Costa terminando todas as intervenções do boneco com o já clássico 'penso eu de que', os meus alunos perguntaram-me por que razão toda a gente se ria com aquelas palavras. Não entendiam o erro repetido à exaustão. Foi uma boa oportunidade de lhes explicar a sintaxe do verbo. Só não sei (já passou tanto tempo) se sumariei esses profícuos cinco minutos de aula.

Se fosse hoje, e numa aula assistida para efeitos de avaliação, provavelmente teria a nota mínima no 'cumprimento da planificação'. Mas talvez me dessem um Bom no item 'aproveitamento pedagógico de situações imprevistas'. Só para responder à pergunta 'por que demoram tanto as reuniões de Departamento cuja ordem de trabalhos consiste em debater a avaliação do desempenho docente'. Réplica: a maior parte dos critérios de avaliação são contrasditórios.

Foi por estas e por outras...

que me des-sindicalizei (façam o favor de registar o neologismo que não é decerto da minha autoria, tal a quantidade de vezes que já o ouvi):


"Lidar com indisciplina não é uma prioridade."
Mário Nogueira, secretário geral da Fenprof, "Diário de Nóticias", 25-03-2008

(via 'A frase do dia', Público)


evva

"Dá-me o telemóvel, já!". Por Mário Crespo

No Jornal de Notícias de ontem, 24 de Março de 2008:

Por isto a Turma do 9.ºC tem de acabar! Por uma questão de exemplo, os alunos têm de ser dispersos por outras turmas e o 9.º C deve ficar com a sala fechada o resto do ano, numa admoestação clara de que este género de comportamento chegou ao fim. Maria de Lurdes Rodrigues não pode ficar à espera de receber outra vez o apoio do primeiro-ministro. Depois disto, é seu dever sair do cargo. E não é, como diz constantemente, a mais fácil das soluções. É a medida necessária para que haja soluções. A saída da ministra é, viu-se agora, uma questão de segurança nacional. É a mensagem necessária para a comunidade escolar, alunos e professores, entenderem que o relaxe, a desordem e o experimentalismo desenfreado chegaram ao fim. Que não há protecção política que os salve já da incompetência do Ministério, da DREN e de tudo o mais que nestes três anos nos trouxe à vergonhosa situação que o vídeo do YouTube mostrou ao país e ao Mundo. Uma questão mais os sindicatos viram as imagens de um crime a ser cometido em público contra uma professora. Façam o que devem. Façam as devidas queixas-crime contra a aluna agressora e contra quem filmou e usou abusiva e ilegalmente da imagem da professora a ser martirizada. O crime foi visto por todos. O Ministério Público tem competência para mover o adequado processo contra esses alunos. Cumpram o vosso dever sem tibiezas palavrosas. Já não se pode perder mais tempo com disparates. »


evva

Regresso ao passado



Sade, Smooth Operator, do álbum Diamond life

andré

Segunda-feira, Março 24, 2008

Encontramo-nos em Nenhures?

NENHURES é uma Produção do TEATRO BRUTO (de 27 Março a 6 Abril, no Teatro Carlos Alberto; ter-sáb 21:30 dom 16:00; M/12 anos).




Pouco conformável a textos dramáticos preexistentes, e aprofundando um trabalho que tem passado sobretudo por autores de língua portuguesa (destaque para as recentes colaborações com o angolano Ondjaki), o Teatro Bruto convidou Daniel Jonas (n. 1973) – poeta e autor de uma surpreendente tradução do Paraíso Perdido de Milton – a informar as inquietações artísticas que atravessam o trabalho da companhia. Cultor de um imaginário luxuriante, Daniel Jonas estreia-se na escrita dramática tecendo uma desregrada comédia de enganos, autêntica máquina de emaranhar paisagens ou caixa de ressonância de múltiplas inspirações. Encenado por Ana Luena, Nenhures explora a deriva de Tristão, o amante destroçado que empreende uma viagem de Inverno por um mundo exterior que não é senão a equívoca projecção do seu mundo psíquico. Mas essa pátria simultaneamente melancólica e demencial chamada Nenhures é também o espaço de uma euforia psicodramática, em que as personagens se desdobram em alter-egos vários, e o tempo de uma excêntrica reflexão sobre a acção teatral.

29 Mar · À conversa com os criativos: sáb 16:00 · Entrada gratuita. A encenadora Ana Luena e o autor Daniel Jonas conversam com o público sobre a construção do espectáculo Nenhures.
Mais informações em http://www.tnsj.pt/, através da linha verde 800-10-8675 ou junto do departamento de Relações Públicas (22 340 19 51), através da linha verde 800-10-8675 ou junto do departamento de Relações Públicas (22 340 19 51)

[evva]

Domingo, Março 23, 2008

Um bom Domingo de Ressurreição


Ressurreição de Cristo
Gregório Lopes (1539-1541,)
Museu Nacional de Arte Antiga
Proveniência: Mosteiro de Santos-o-Novo (Lisboa)
©IPM


Scimus Christum surrexisse a mortuis vere;
tu nobis, victor Rex, miserere.
Amen. Alleluia.


evva

E PARA QUANDO A AVALIAÇÃO DOS PAPÁS?

Uma pergunta já formulada aqui no blog, mas que os professores do Ensino Básico e Secundário repetem todos os dias:


Por Ferreira Fernandes, no DN de 21/03/2008:

«O Carolina Michaëlis, que já teve o belo nome de liceu, não serve os miúdos do bairro do Aleixo, no Porto. Não, aquele vídeo (...) não mostra gente com desculpas fáceis, vindas do piorio. Pela localização daquela escola, quem para lá vai vive às voltas da Boavista e os pais têm jantes de liga leve sem precisar de as gamar. Os pais da miúda histérica que agride a professora de francês estarão nessa média. Os pais do miúdo besta que filma a cena, também. Tudo isso nos remete para a questão tão badalada das avaliações. Claro que não me permito avaliar a citada professora. A essa senhora só posso agradecer a coragem. E pedir-lhe perdão por a mandar para os cornos desses pequenos cobardolas sem lhe dar as condições de preencher a sua nobre profissão. Já avaliar os referidos pais, posso: pelo visto, e apesar das jantes de liga leve, valem pouco. O vídeo mostrou-o. É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos

evva

Sábado, Março 22, 2008

Entretanto, nos EUA, mesmo aqui ao lado...



Uma boa resposta, via Fiel Inimigo, a uma questão colocada a John McCain.


[evva]

Boa Páscoa







(Para mais informação, aceder a http://www.valdelomar.com/inicio.php)

Sónia

Sexta-feira, Março 21, 2008

A propósito de mais um jornalista morto na Rússia…

A história tem destas coisas, repete-se com outros rostos e outros personagens.
Depois de alguns anos de raiva contida, a Rússia está de volta ao seu lugar de destaque que só dificilmente voltará perder. É assim a corrupção do poder. Torna refém todos aqueles
que o possuem. E a Rússia, tal como os EUA, a Inglaterra, a França, ou a emergente Europa, já não conseguem viver sem ele.

Mas o poder é irónico e cínico. O renascer da Rússia faz-se com as mesmas armas que os seus adversários usaram contra ela. E tal como eles, ela usa-as à sua maneira.
Talvez agora o cidadão Europeu consiga ver a imagem que há muito aparece do lado de fora da janela de sua casa. Aquela que vê o cidadão dos países africanos, sul americanos, ou asiáticos. Aquela que mostra que o capitalismo foi, e ainda é, um projecto Europeu e Norte Americano que serviu para solidificar interesses de ambos.
Mas agora que outros se servem dele, a imagem começa, de repente, a não parecer tão bela.

Pois é, afinal o desenvolvimento da democracia não depende apenas do desenvolvimento do capital. Que chatice.
Não chegaram décadas de Estado social para se entender isto, e agora, que o Estado social é posto em causa pela cultura empresarial, tudo o que somos capazes de pensar é em ser ainda mais competitivos. E claro, lamentar a nossa sorte: como é que os outros não percebem que é melhor para todos jogar o jogo com as nossas regras?
Se a história for muito longa para que se entenda a lição, então uma simples referência ao desporto deve chegar para fazer compreender que qualquer equipa gosta mais de ganhar do que perder, mesmo quando joga a brincar, o que não é o caso presente.

Como bom português, eu continuo a alimentar a esperança (ou ilusão se achar mais adequado) de que Vladimir Puttin pertence à equipa dos pragmáticos e sensatos e, como tal, sabe que para se ganhar um jogo, tem de haver adversários.
Agora resta saber quais as novas regras que a sua equipa quer impor. Ora, pelas amostras que temos visto…


andré

Stabat Mater



Uma sugestão de uma edição recente do selo discográfico "naive".

Stabat mater dolorosa
iuxta Crucem lacrimosa
dum pendabat Filius .

Sónia

Terror desde Mondragón

El terror es desaparecer, o no ser nosotros mismos. Ser comidos, o sorbidos.
(Leopoldo María Panero)

A frase em epígrafe figura na contracapa da edição da Tusquets (Barcelona, 1976) de El lugar del hijo como citação do “Prólogo desordenado y monárquico” que deveria anteceder os relatos reunidos nesta obra. Pretendo sublinhar aqui o carácter especial de que a mesma se reveste e a pouca visibilidade de que usufruiu, na medida em que constitui um dos dois únicos livros de relatos de um autor cuja produção é maioritariamente poética.

Como se pode ler de uma nota dos editores, o autor, Leopoldo Panero, decidiu suprimir o referido prólogo estando o livro já composto. Os vestígios que dele sobraram oferecem pistas de uma concepção de terror que (rejeitada ou não pelo autor) efectivamente transparece no texto e que se orienta para a exploração deste conceito enquanto sinónimo de experiência limite, entendendo-se aqui por experiência limite a vivência de uma situação em que o que é se encontra próximo de deixar de ser. Nessa fronteira, o indivíduo toma contacto com uma realidade interdita cujo conhecimento opera sobre ele transformações que conduzem à sua anulação enquanto sujeito, pois transportam-no para uma dimensão não aceite como humana. 

Procurando traduzir os aspectos centrais que definem o Gótico enquanto prática literária, David Punter (1980: 404-405) chegou à síntese dos seguintes elementos: i) exploração do que o autor designa de paranoiac structure e que corresponde ao desenvolvimento de uma situação em que o terror e o que nele há de sobrenatural é posto em causa questionando simultaneamente as certezas do que se conhece como mundo natural; ii) a representação do medo que a barbárie inspira à civilização; iii) a abordagem do tabu. Perante estes elementos dá-se o que Punter (1980: 407) reconhece no romance gótico como a desmontagem da visão realista de causa-efeito, apresentada como mera simplificação e distorção de uma realidade inexplicável nesses termos. É a partilha destes aspectos, que faz integrar estes contos dentro da categoria de relatos de terror e a cuja especificidade dentro da escrita particular de Leopoldo Panero se tentará aqui fazer uma aproximação. 

A estratégia narrativa da paranoiac structure é visível nesta colectânea de contos na medida em que construção da intriga reside na maior parte dos casos num processo em que a progressiva intrusão do sobrenatural vai sendo racionalizada, mas, posteriormente, essa racionalização perde sentido quando é a própria natureza humana que escapa a qualquer justificação invertendo a estrutura de suspense e a percepção das personagens pelo leitor. O terror que estas sentem até determinado momento do texto é uma forma de resistência sustentada culturalmente e a anulação desse terror transpõe-nas para outra dimensão fora do culturalmente aceitável que, simultaneamente, é permeável ao questionamento (pela sua natureza de construção cultural) dos parâmetros do que se aceita e rejeita enquanto natural.

Se nestes contos o terror se impõe como manifestação de pertença civilizacional, neles se expõem também na sua ineficácia as estratégias que a mesma civilização desenvolve para se defender desse terror e da realidade que o motiva (bárbara ou sobrenatural), sendo que as estratégias mais recorrentes  consistem na racionalização do medo pela psicologia ou pela religião.

Relativamente ao reconhecimento do tabu e da sua abordagem o mais importante a focar parece ser a inexistência de julgamento moral a esse respeito, o que confere aos relatos um tom de amoralidade, particularmente evidente nas repetidas aproximações explícitas entre o bem e o mal, independentemente das diferenças de contextos em que ocorrem.


Referências
PUNTER, David (1980), The literature of terror: a history of gothic fictions from 1765 to the present day, Londres, Longman.
PANERO, Leopoldo M.ª (1976), El lugar del hijo, Barcelona, Tusquets.

Sónia

Quinta-feira, Março 20, 2008

Avaliação II


( O grito, de Edvard Munch. Daqui )

Ou assim...

Sónia



Daqui.



Alguém duvida de que na maioria das escolas será assim?


evva

De viaxe


"Galicia contada a un extraterrestre" é um percurso pela Galiza, pela mão do escritor Manuel Rivas. O texto integral está publicado aqui e aqui fica com votos de boa viagem aos "peregrinos" de outras andanças: o Congresso Marsupiis peregrinorum. Circulación de textos e imaxes arredor do Camiño de Santiago na Idade Media , que se realiza entre 25 e 29 de Março, em Santiago de Compostela.

Sónia

Cinco anos depois

"Bush considera que a divisão de invadir o Iraque 'foi justa'. "

( aqui

Depois de Abu Ghraib
Depois de Guantánamo
Depois das armas que não existiam
Depois de todos os mortos em fogo "amigo" e inimigo
Depois de todos os "danos colaterais"
Depois de todas as palavras inventadas para falar de uma guerra que ainda não se tinha inventado
Inventou-se também um novo conceito de justiça?

Sónia


Good Day Sunshine



Acabaram as reuniões de avaliação!!!!!!!!!!

Sónia

Terça-feira, Março 18, 2008

MY ENDORSEMENT:




Porque ainda acredito, ingenuamente suponho, na dignidade em política.

Daqui.



evva

Segunda-feira, Março 17, 2008

Cinco anos depois

Foi há cinco anos, feitos ontem, a "cimeira dos Açores" em que, à margem da ONU e do Direito Internacional, Bush, Blair e Aznar (com Durão Barroso no triste papel de mestre de cerimónias) declararam guerra ao Iraque. Uma guerra longamente preparada a partir de mentiras e provas forjadas. Segundo estudos independentes, só entre 2001 e 2003, Bush, Powell, Rumsfeld, Cheney, Condoleezza Rice e mais membros da Administração americana proferiram um total de 935 declarações falsas (incluindo fotos forjadas e informações fabricadas) sobre a existência de armas biológicas no Iraque. Cinco anos e três biliões de dólares depois (a estimativa é de Joseph Stiglitz, Nobel da Economia em 2001), o Iraque continua mergulhado numa sangrenta carnificina civil, a democracia está mais longe que nunca e a corrupção e o terrorismo campeiam. A invasão, que fez soltar "lágrimas furtivas" de emoção a alguns, traduziu-se na maior catástrofe de sempre da política externa americana. Mas o saldo de vidas iraquianas é ainda mais devastador: centenas de milhares de mortos e um número inimaginável de exilados.
Neste quadro de terror e mentira impunes, não deixa de ser chocante que, nos Estados Unidos, um governador seja forçado a demitir-se por ter mentido sobre a sua vida sexual.

Manuel António Pina

na sua coluna 'Por outras palavras', no JN de hoje


andré

Vai no Batalha

Concerto dos Wraygun, a 29 de Março, no cinema Batalha, no Porto. Para abrir o apetite, um sortido de alguns vídeos da banda: "route 66", keep on praying", e "go-go dancer".




Sónia

Domingo, Março 16, 2008

"Portunhol" sem mestre




Sónia

A propósito de falar bem inglês…



Mais aqui.

andré

Desaprende Inglês com...



( ver versão expandida aqui )

Sónia

Aprende Inglês com...

...Leonor Watling, a actriz que protagoniza, entre outros filmes, "Hable con ella" de Almodóvar.
Aqui, como vocalista de Marlango interpretando "It´s all right" e "Shake the moon" . O primeiro videoclip é da autoria da realizadora Isabel Coixet.  





Sónia

Férias?

Substitua-se 'férias de Natal' por 'férias da Páscoa'.


evva e Sónia

Sábado, Março 15, 2008

A Dama das Camélias

Não, não é um romance, mas uma cidade granítica, que esconde em recantos idílicos verdadeiras preciosidades:














































Fotos de AVV.

evva

Dedicatória

Emma Pollock dá um concerto amanhã, 16 de Março, em Madrid,  na sala "La casa encendida" (organização:  "La caja de música").




Acid  Test

This house does not feel like a home, Is it occupied?
This life is not one that I own, Do I dramatise?
These days I think I'll stay at home, By the fireside
Just leave the outdoors to get on, While I theorise

There is nothing here to celebrate
I should be kickin' out my heels parade, Ah
If it fits then I'll wear it
If you can hear me I'll declare it, Share it

I've called your name out, Sunny and blue
I've picture sitting, Just me and you
No one else is, Ever around
This is the acid test that I've, Found

At least three times in a single week, I am run aground
There is no warning I can seek, I am always found
There is no rhyme or reason to this, A fault appears
With the gaping hollow under my feet, I disappear

There is nothing here to stop me
I just fall until it's got me, Ah
If it fits then I'll wear it
If you can hear me I'll declare it, Share it

I've called your name out, Sunny and blue
I picture sitting, Just me and you
No one else is, Ever around
This is the acid test that I've, Found

I think I need to shake up, wake up fast
Forgive a little low, I won't let it last
With every little day that passes
Something is fixin' if something is broken
This conversation is no longer talkin'

I've called your name out, Sunny and blue
I picture sitting, Just me and you
No one else is, Ever around
This is the acid test that I've, Found


[Acid Test lyrics on http://www.metrolyrics.com]

Sónia

Sexta-feira, Março 14, 2008

Panero (todo o nada)


Fragmento de "El Desencanto" de Jaime Chávarri (1976)
Sónia

Ray Loriga


Sónia

Christina Rosenvinge

A "ochentera" de "Voy en un coche"  cresceu e, com ela, a sua música.


(ao vivo, Maio de 2007)

Sónia

Requerimento


«Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. [...] E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal.»

(Vitalino Canas, porta-voz do Partido Socialista, 12.Março.2008)


 Senhora Ministra da Avaliação,

 Venho, por este meio, solicitar a V. Ex.cia autorização para aplicar, na minha auto-avaliação, o mesmo critério utilizado pelo partido político que sustenta o Governo na avaliação que fez do seu próprio desempenho.


 in http://ocartel.blogspot.com




Se alguns demonstram ausência de critérios, mostremos nós como se faz, para avaliar uns e outros (professores e Governo). A FENPROF, no seguimento das propostas por si já apresentadas vai levar a cabo um processo de debate entre professores  para construção de um modelo de avaliação alternativo. Façamos nós, cidadãos, por encontrar uma alternativa ao Governo.


Sónia

Quinta-feira, Março 13, 2008

Douro


Inúmeras vezes viajei de comboio Douro acima até ao Pocinho,
desejando sempre que ele me levasse até Barca d'Alva
ou que me trouxesse de novo ao Porto
para nunca me cansar de tanto assombro.


Para que se repetisse, de novo



a paragem imprescindível na Régua,
o tempo necessário para comprar caramelos maiores que a boca





o rio sempre tão perto que apetece mergulhar



os trabalhadores das vinhas que nos saúdam dos barcos,
chapéus nas mãos desenhando arcos sobre as cabeças



a sensação de que tudo pára quando as carruagens curvam o penhasco e,
do outro lado,




água e serra



serra e água




e um jogo de xadrez que desejámos infindável


Por tudo isto, assinei a petição.


evva

A bandeira mais premiada



Outras bandeiras haveria seguramente na sala, mas cada um usa a que menos o envergonha.

Sónia

Panero, sempre Panero

MUTIS

Era más romántico quizá cuando
arañaba la piedra
y decía por ejemplo, cantando
desde la sombra a las sombras,
asombrado de mi proprio silencio,
por ejemplo: "hay
que arar el invierno
y hay surcos, y hombres en la nieve"

Hoy las arañas me hacen cálidas señas desde
las esquinas de mi cuarto, y la luz titubea,
y empiezo a dudar que sea cierta
la inmensa
tragedia
de la literatura.

El que no ve (1980)

[evva]

O jornalismo israelita

Aqui.


Joana

Terça-feira, Março 11, 2008

In memoriam




Rogério Ribeiro
(1930-2008)

Sónia

O Bolhão é nosso



Assinem a petição em:

http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?ptratt&1

Com o meu agradecimento ao Vasco pelo vídeo.

Sónia

Cadeiras


" Em tempos idos, chamavam-se "cadeiras" - agora chamam-se disciplinas. Vejam como até uma cadeira pode ser um recurso didático inovador. Alguns usam o quadro interactivo como se fosse uma tela de projecção; Outros usam o "excel" para escrever texto; Outros usam embalagens de iogurte como se fossem godés, e azulejos e vidros como se fossem paletas. Outros usam os professores como se fossem arquitectos, designers, transportadores de material didático para a sala de aula... Outros usam arrecadações como se fossem salas de aula. Outros decoram as rotundas com pneus a fingir que são velas... Então, por que razão não haveria este professor de usar uma cadeira para esquadrinhar o desenho? Lá inovador é - TIC é que não se vê em nenhum lado da sala de aula. Oferecem computadores aos alunos (e as salas continuam a vê-los passar). Exigem que as aulas recorram às TIC e esquecem-se de um simples esquadro (para o quadro)! Mas nós é que vamos ser avaliados pelos recursos inovadores que usamos (incluindo as TIC)... Será este um excelente professor ou será que apenas está a transmitir aos seus alunos uma imagem de pouca exigência e de excessiva tolerância para com as condições de trabalho? Continuemos assim e estaremos a ensinar às moscas como se fossem alunos. Não acham que antes de se falar em "metas" e "objectivos", ainda há muita "meta" e muito "objectivo" por alcançar?
Se aquela cadeira estivesse na minha mão... E se alguém, que só eu sei, passasse à frente... Dava-lhe o lugar."  

(Paulo Duarte)
Sónia

The mysteries of love



Sometimes
A wind blows
And you and I
Float
In love
And kiss forever
In a darkness
And the mysteries of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are Love


… a propósito de Blue Velvet, onde este tema é interpretado por Julie Cruise. Eu prefiro esta versão do Antony and the Johnsons, retirada do EP I fell in love with a dead boy.
Música: Angelo Badalamenti. Letra: David Lynch.


andré

Segunda-feira, Março 10, 2008

MEEEEEEEE



Mais vale ser um cão raivoso 
do que um carneiro 
a dizer que sim ao pastor 
o dia inteiro 
e a dar-lhe de lã e da carne e da vida 
e do traseiro 
mais vale ser diferente do carneiro 
um cão raivoso que sabe onde ferra 
olhos atentos e patas na terra. 

Viva o cão raivoso 
tem o pelo eriçado 
seu dente é guloso 
e o seu faro ajustado 
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado. 

Mais vale ser um cão raivoso 
que um caranguejo 
que avança e recua e depois 
solta um bocejo 
e que quando fala só se houve a garganta 
no gargarejo 
mais vale não ser como o caranguejo 
um cão raivoso que sabe onde ferra 
olhos atentos e patas na terra. 

Viva o cão raivoso 
tem o pelo eriçado 
seu dente é guloso 
e o seu faro ajustado 
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado. 

Mais vale ser um cão raivoso 
que uma sardinha 
metida, entalada na lata 
educadinha 
pronta a ser comida, engolida, digerida 
e cagadinha 
Mais vale ser diferente da sardinha 
um cão raivoso que sabe onde ferra 
ferra fascistas e chama-lhe um figo 
olhos atentos e patas na terra. 

Viva o cão raivoso 
tem o pelo eriçado 
seu dente é guloso 
e o seu faro ajustado 
Cão raivoso, cão raivoso, cuidado. 

Mais vale ser um cão raivoso 
dentes à mostra 
estar sempre pronto a morder 
e a dar resposta 
a toda e qualquer podridão escondida 
dentro da crosta 
dentro da crosta das belas ideias 
gato escondido de rabo de fora 
dentro da crosta das belas ideias 
gato escondido de rabo de fora.

"Cão Raivoso" de Sérgio Godinho, do album "À queima-roupa ", 1974 - interpretado por Tim ao vivo no Music Box (Preto no Branco) a 5 de Julho,2007

Sónia

ABC

O Ministério da Educação(ME) vem ensinar as "primeiras letras" aos professores... 
Na antevéspera da "Marcha pela Indignação" do passado dia 8 de Março, foi publicado pelo ME um documento intitulado "Avaliação do desempenho de professores - perguntas e respostas". Assim pretendem explicar um processo configurado legalmente num documento que, segundo o ME, os professores não entenderam. 
Não sei o que pesa mais naquilo que sinto perante isto: se a revolta por questionarem publica e impudicamente a nossa capacidade de compreensão, se a tentativa primária e insistente de desacreditação prévia de uma justíssima iniciativa de contestação, se a preocupação com o regresso aos tempos da propaganda oficial.
O documento pode ser lido aqui:


Eu continuo a "não entender"...

Sónia

Adão e Eva



Como recebeu ela Adão?
Despojou-o,
e o desflorou, ajudando?


Adão, brutal ou terno?
Acometeu, cervo
ou foi penetrante andorinha?


Arrancou de si
sementes, o coração
latindo, cão grato?


Felizes, torturantes,
aprendizes, falsos,
sortílegos, infames?


Inteiraram-se um no outro?
Desejaram a morte
de quantos séculos?


António Osório


[evva]

A Solucao:

A Rua

Até há uns dias atrás "a Rua" era coisa que pertencia ao passado. Ou como diz, o Pacheco Pereira, a um número restrito de habituées, de nostálgicos. Ou entao aos outros, um bocado primitivos, que, nao entendendo bem o parlamentarismo, ou nao tendo acesso ao dito, vinham para A Rua gritar por tudo e por nada, geralmente em nome de Allah. Pois parece que, e ainda segundo o Pacheco Pereira, a Rua voltou à rua. E o que tenho para dizer nao é tanto sobre a estrondosa manifestacao dos professores, sobre a qual os colegas bloguistas estarao infinitamente mais informados do que eu, mas da rua berlinense e do que nela vai. Também aqui a Rua pertencia à gente do costume: antifá, anti-alemanha, neo-nazis, comunidade gay, minorias, etc. Pois na última semana, a Rua voltou a receber os trabalhadores. Na semana passada, o sindicato dos transportes colectivos de Berlin decretou greve por tempo indeterminado (já dura há 6 dias) , isto é, até que sejam satisfeitas as condicoes reclamadas pelo sindicato. Em solidariedade com os trabalhadores do BVG, os trabalhadores dos comboios que circulam por Berlin (e que pertencem a Cp cá do sítio) resolveram decretar pré-aviso de greve a comecar hoje e também por tempo indeterminado. Perante o cenário de caos (coisa a que esta gente tem um horror patológico) que se avizinhava, a companhia dos comboios resolveu aceder às reivindicacoes dos trabalhadores do S-bahn e por isso os comboios ainda funcionam. Mas o metro continua assim:











Há tres dias atrás...

Há tres dias, andava metade de Portugal a fazer praia. Já nós por cá....






Domingo, Março 09, 2008

A Avaliação, por VPV

(clique na imagem para aumentar)

Público, 8 de Março de 2008.

[evva]

Porquê a rua? De como o PCP se tornou nos últimos tempos o principal partido da oposição

Mais um texto fundamental de Pacheco Pereira, no Público de ontem:

«O REGRESSO DA RUA

Há um ano, se alguém dissesse que a "rua" iria ser importante na política portuguesa, seria ridicularizado. Ou era comunista ou era um antiquado nostálgico do PREC ou, ainda pior, do Maio de 1968. Estava na moda a mania um pouco yuppie e reaccionária de pensar que isso das manifestações não interessava para nada, eram coisas de sindicatos e do PCP, que eram inócuas e que nenhum "decisor" sério, dos que enxameiam as páginas dos jornais de economia, as tinha em conta para alguma coisa. Deixá-los lá estar no seu nicho de arcaísmo, que é nos gabinetes que as coisas se resolvem.

Tudo isto é um pouco irónico porque hoje o país está suspenso de uma manifestação em que toda a gente está na rua, do PS de Alegre ao PSD. Até a parte PP do CDS-PP está na rua, a que mais nefelibata é sobre as manifestações, essas "coisas de comunistas", e vai lá sob a forma de uma minúscula associação de professores ligada ao partido. Para colocar a cereja no cima do bolo da "rua", até o Governo está a preparar uma contramanifestação daqui a uma semana, tentando arranjar uma sala suficientemente pequena para ter uma enchente e tecto e paredes grossas para não se ouvirem os assobios.

Se se estivesse atento aos sinais, percebia-se que a "rua" estava a encher-se de forma anormal, consistente, muito para além da força do PCP e da CGTP, há muito tempo. Ao mesmo tempo, também a força da central sindical pró-comunista e do último partido comunista a sério da Europa Ocidental estavam a aumentar porque não há uma coisa sem a outra. Era pelo menos óbvio que existia mobilização e essa mobilização estava a trazer para a "rua" primeiro gente da área que se tinha desmobilizado já há bastante tempo e, depois, gente nova, não em idade, mas na ida a manifestações.

Sempre maltratados pela comunicação social, que acha muito mais graça aos efeitos pirotécnicos do BE, sindicatos, grevistas e PCP continuavam a funcionar mais como um pólo de mobilização do que de atracção, mas, mesmo assim, com resultados num país que tem o "retrato social" de Portugal. Desde a táctica de desgaste de Sócrates, que ia dos assobios de meia dúzia de activistas à entrada deste para as suas sessões de propaganda e casting, estragando-lhe os cenários e o marketing, até à sucessão de greves para culminar em greves gerais, estava em curso um treino do clima de agitação. Com o agravar da crise social, com muita gente a empobrecer, a começar pela classe média, com conflitos corporativos suscitados pela linguagem das reformas apresentadas a cada grupo profissional como sendo "contra os privilégios injustos" do grupo profissional do lado, reformas com mérito feitas muitas vezes de forma incompetente e atabalhoada, com casos de abuso do poder, como o da DREN, com um ambiente de precariedade na função pública, as pessoas começaram a perder o medo, ou a ultrapassá-lo, e a perguntar a si próprias: "Por que razão é que não vou à manifestação, por que razão não faço greve, tão atingida, humilhada, desesperada que estou?" E faz greve e vai à manifestação.


Analisemos três momentos deste crescendo. Primeiro, a CGTP fez uma manifestação com cerca de 100.000 pessoas e continuou a indiferença. No tratamento noticioso valeu menos do que um anúncio da máquina de propaganda de Sócrates, menos do que um incidente parlamentar ou um caso de doença rara com que se metem as lágrimas nos telejornais. Nos blogues era o mesmo ambiente em pior, porque os blogues estão cheios de gente cuja classe social se acha acima destas coisas e conhecem pouco mais do que o Portugal das livrarias e das páginas de opinião. Mas as pessoas estavam lá, na "rua", elas pelo menos sabiam que eram muitas.

Segundo, atrás do núcleo duro do PCP e da CGTP, começaram a aparecer outras forças políticas, regionais e locais, a minar o PS por dentro, como aconteceu na contestação à política de saúde do Governo. As manifestações já tinham à sua frente autarcas do PSD e do PS e, facto decisivo, obtiveram uma enorme vitória: derrubaram na rua o ministro da Saúde. A contestação na educação não teria sido o que foi e é sem as pessoas terem a consciência intuitiva que podem de facto empurrar o primeiro-ministro para derrubar a ministra ou obrigá-la a ceder. Será difícil, mais pela ministra do que por Sócrates, mas este já mostrou que pode ser empurrado para um canto e no canto pede tréguas.

Terceiro, há a manifestação do PCP, também maltratada pela comunicação social, a primeira que o partido faz em seu próprio nome, debaixo das bandeiras vermelhas da foice e do martelo, com os manifestantes a mostrarem o cartão do partido em frente das janelas do Tribunal Constitucional. Foi como se fazia antigamente, antes da batalha, quando o comandante concentra as tropas de mais confiança, a elite, as falanges mais treinadas, a cavalaria pesada, queimados pelo sol de mil refregas, retirando-as ordenadamente do conjunto das tropas coligadas e juntando-as ao seu lado, para lhes falar ao espírito de corpo, gritarem uns gritos de guerra próprios e depois voltarem às fileiras comuns.

Era uma manifestação puramente política, algo que nenhum partido em Portugal seria capaz de fazer, com cinquenta mil pessoas a marcharem pelo PCP e pelo comunismo, uma coisa tão rara nos dias de hoje em todo o mundo que deveria suscitar toda a atenção e todas as análises, mas passou quase despercebida. Este facto não encaixa no quadro mental e comunicacional dominante dos dias de hoje, por isso é como se não existisse. E, no entanto, sem o ver, também não se vê o Portugal realmente existente e não aquele que nós pensamos em abstracto para o século XXI.

Para finalizar, o PS e o Governo resolveram mostrar quão grande era a contestação na "rua" mostrando quão pequena é a sua capacidade de mobilização: anunciaram uma contramanifestação pequenina, que todos os dias muda de sítio para encolher as paredes e parecer que é grande na televisão. Era para ser numa praça do Porto, é certo que uma praça muito pequena e bem fechada de limites, para passar depois para uma sala do tamanho de menos de metade da praça. Eu a pensar que um partido que está à frente nas sondagens e cujo primeiro-ministro ganha com facilidade o confronto eleitoral com a oposição não teria dificuldade em encher a Avenida dos Aliados de gente desde a câmara à Estação de S. Bento. Pelos vistos, teme não o conseguir e a sua fraqueza já concedeu a vitória aos adversários.

Seja como for, também o PS está na "rua", verdade seja dita que dos dois lados. O PS governamental vai para a rua, embora mais fraco do que o PS que vai estar na manifestação dos professores, ou que esteve nas manifestações contra Correia de Campos. Ora isto muda o caso de figura e representa a vitória da "rua" um ano depois do seu vilipêndio. Não é que o PS não tenha todo o direito de lá estar, mas é o facto, esse sim preocupante, de todos sentirem necessidade de lá estar. Isso é que parece o PREC, medidas as distâncias.

Estando Governo e oposição na "rua", frente a frente, estamos numa situação em que se vai para a "rua" por falência (ou inexistência) de mecanismos institucionais que impliquem mediações no processo político. Falência do Parlamento, em primeiro lugar, dos partidos, em particular do PSD, na oposição, e do PS como apoiante do Governo, falência de muitos instrumentos de mediação. Por isso é que, estando toda a gente na "rua", nem sempre se sabe como de lá sair.»

evva

Sábado, Março 08, 2008

Para reflectir

«O ZÉNITE E O NADIR


Hoje para os professores será o dia do Zénite. Hoje olhando-se uns aos outros, vendo as filas e filas de gente vindas de Vila Real de Santo António a Monção e Bragança, os professores sentirão aquela sensação de alegria que percorre os participantes duma manifestação bem sucedida. Sentirão força, alegria, trocarão entre si sinais de reconhecimento e identidade, beijos, abraços, palmadas nas costas, polegares no ar, colocarão uns aos outros autocolantes. As pessoas ficam "físicas" nas manifestações, de braço dado. Os mais treinados nestas coisas, que conhecem bem as "manifs", estarão mais calmos do que os novatos. Os novatos vão falar muito, gritar mais alto, sentir a "psicologia das multidões", uma novidade para eles. Será um dia em cheio para os professores, reconfortante e, quando nas suas camionetas regressarem a casa, cansados e com pena de não haver mais, pensarão na lição que deram à ministra e ao governo. Mas, com eles, viajará o Nadir.


Segunda feira voltarão às escolas, às aulas. Se a ministra não for demitida, ou se demitir, começa a ressaca do sucesso, vai parecer pouco o que com tanto esforço foi conseguido. Se os professores estivessem dispostos a entrar em greve, a "rua" poderia ter tido um papel de uma etapa de luta para outra. Mas duvido que os professores tenham a unidade, a força, a disposição, a resistência psicológica e financeira que são necessárias para uma greve que só seria eficaz se fosse prolongada, sem fim à vista, dura e intransigente. Mas todos sabem que uma coisa é ir a uma manifestação neste momento, outra fazer greve. E por isso a sensação de vitória vai-se azedar pouco a pouco, dar origem a mais do mesmo que hoje assalta muitos portugueses: uma sensação de impotência, de que não vale a pena fazer nada, de derrotismo e ou apatia ou agressividade.Escrevo hoje no Público sobre a "rua" e termino dizendo que quando se vai para a "rua" tem que se saber como se sai dela. Em democracia, quando se vai para a "rua", local nobre e legítimo do protesto, tem que se saber que não se pode continuar nela sob pena de então as coisas estarem muito mal para a democracia. Duvido que nesta luta dos professores exista um plano B. O plano A resultou, está à vista hoje. Podia haver um plano B para 2009, no voto, mas duvido que quando lá se chegar exista uma alternativa no domínio político para o materializar. Por isso temo que disto tudo resulte pouco mais do que desespero apático, ou asneira agressiva. Vamos ver.

© José Pacheco Pereira»


[evva]

Sexta-feira, Março 07, 2008

Crosswords

You Are a Crossword Puzzle
You are well read, and you have a good head for remembering facts.
You are a wordsmith. You have a way with words, and you're very literate.
You are a mysterious person who enjoys dropping little clues every now and then.
What'>http://www.blogthings.com/whatkindofpuzzleareyouquiz/">What Kind of Puzzle Are You?


evva

Francisco José Viegas


Ontem visitei uma escola no concelho de Sintra. Era a “semana da leitura” numa escola cuja biblioteca está permanentemente aberta das 08h00 às 22h00 por devoção dos seus professores. Os de várias disciplinas, de Português a Educação Física e Geometria – cada um faz uma escala para garantir um dos objectivos internos da própria escola: mantê-la aberta nesse período. Havia alunos a ajudar no bar e no refeitório, porque não há pessoal suficiente. Alunos, funcionários administrativos e professores promoveram uma maratona de leitura. A ministra da educação pede a estes professores para “trabalharem mais um pouco”, coisa que eles já fazem há bastante tempo; ouvi alunos portugueses, africanos, indianos, do Leste europeu, a falar com orgulho da sua escola. Falando com eles, um a um, percebe-se entusiasmo em várias coisas. Acho natural, são professores. Percebo pela blogosfera uma grande vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos” aos professores, mas vejo poucas pessoas com disponibilidade para ouvi-los nas escolas – não nas ruas, onde as parvoíces são sempre amplificadas, mas nas escolas, nos corredores da escolas, quando fazem turnos de limpeza, quando atendem alunos em dificuldade ou fazem escalas para Português como língua estrangeira para rapazes ucranianos ou indianos que não entendem sequer o alfabeto ocidental, ou quando tratam dos problemas pessoais de alguns deles (ou porque não tomam o pequeno-almoço em casa, ou têm dificuldade em aceitar um namoro desfeito, ou andam na droga). Os professores, estes professores, são um dos últimos elos (percebe-se isso tão bem) entre os miúdos e miúdas desorientados e um mundo que é geralmente ingrato. São avaliados todos os dias pelo ambiente escolar, pelo ruído da rua, pelas horas de atendimento, pelas reuniões que o ME não suspeita. Muitas vezes, as famílias não sabem o ano que os miúdos frequentam; não sabem quantas faltas eles deram; não sabem se os filhos estão de ressaca. Os professores sabem.
Essa vontade de disciplinar os professores, eu percebo-a. Durante trinta anos, uma série de funcionários que abundou “pelos corredores do ME” (gosto da expressão, eu sei), decretou e planeou coisas inenarráveis para as escolas – sem as visitar, sem as conhecer, ignorando que essa geringonça de “planeamento”, “objectivos”, princípios pedagógicos modernos, funcionava muito bem nas suas cabecinhas mas que era necessário testar tudo nas escolas, que não podem ser laboratórios para experiências engenhosas. Muitos professores foram desmotivados ao longo destes anos. Ou porque os processos disciplinares eram longos depois de uma agressão (o ME ignora que esses processos devem ser rápidos e decisivos), ou porque ninguém sabe como a TLEBS é aplicada. Ninguém, que eu tivesse ouvido nas escolas onde vou, discordou da necessidade avaliação. Mas eu agradecia que se avaliasse também o trabalho do ME durante estes últimos anos; que se avaliasse o quanto o ME trabalhou para dificultar a vida nas escolas, com medidas insensatas, inadequadas e incompreensíveis; que se avalie a qualidade dos programas de ensino e a sua linguagem imprópria e incompreensível. Sou e sempre fui dos primeiros a pedir avaliação aos professores, porque é uma exigência democrática e que pode ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Mas é fácil escolher os professores como bodes expiatórios de toda a desgraça “do sistema”, como se tivessem sido eles a deixar apodrecer as escolas ou a introduzir reformas sobre reformas, a maior parte delas abandonadas uns anos depois. Por isso, quando pedirem “justiça”, e “disciplina” e “rigor” (coisas elementares), não se esqueçam de visitar as escolas, de ver como é a vida dos professores, porque creio que se confunde em demasia aquilo que é “o mundo dos professores” com a imagem pública de um sistema desorganizado, oportunista e feito para produzir estatísticas boas para a propaganda.
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[evva]

Quinta-feira, Março 06, 2008

Aqueles dias...


evva

Grrrrr


evva

Quarta-feira, Março 05, 2008

Radio Futura, Pop de Antanho



Dicen que tienes veneno en la piel
y es que estás hecha de plástico fino.
Dicen que tienes un tacto divino
y quien te toca se queda con él.

Y si esta noche quieres ir a bailar
vete poniendo el disfraz de pecadora,
pero tendrás que estar lista en media hora
por que si no yo no te paso a buscar.

Pero primero quieres ir a cenar
y me sugieres que te lleve a un sitio caro
a ver si aceptan la cartilla del paro,
porque sino lo tenemos que robar.

Yo voy haciéndome la cuenta de cabeza
y tu prodigas tu sonrisa con esmero
y te dedicas a insultar al camarero
y me salpicas con espuma de cerveza.

Y aquí te espero en la barra del bar,
mientras que tú vas haciendo discoteca.
Como te pases, te lo advierto, muñeca,
que yo esta vez no te voy a rescatar.

Te crees que eres una bruja consumada
y lo que pasa es que estás intoxicada;
y eso que dices que ya no tomas nada,
pero me dicen por ah¡: "Que sí, que sí, que sí, que sí", y dicen, dicen...

Dicen que tienes veneno en la piel
y es que estás hecha de plástico fino.
Dicen que tienes un tacto divino
y quien te toca se queda con él.

Dices que yo no soy tu hombre ideal
mientras hojeas con soltura una revista
y me pregunto si tendrás alguna pista
o alguna foto de tu "tal para cual".

Te crees que eres una bruja consumada
y lo que pasa es que estás intoxicada;
y eso que dices que ya no tomas nada,
pero me dicen por ahi: "Que sí, que sí, que sí, que sí", y dicen, dicen...

Dicen que tienes veneno en la piel
y es que estás hecha de plástico fino.
Dicen que tienes un tacto divino
y quien te toca se queda con él.

[evva]

BCP antecipa-se ao Acordo Ortográfico?

Querido cliente,


Banco Comercial Português SÁ constantemente está trabalhando para aumentar segurança por usuários bancários todo on-lines. Para assegurar a integridade de nosso sistema de pagamento on-line, nós revisamos contas periodicamente. Sua conta foi colocada em cabo possível dectected de erros devido com sua conta. Contas restringidas não poderão receber pagamentos, envie pagamentos ou retire fundos. Todas as contas restringidas têm a informação de conta deles/delas não confirmado, até atualizado em arquivo. Iniciar o processo de confirmação de atualização, lhe exigem agora seguir a ligação abaixo e preencher os campos necessários. Amavelmente clique na ligação abaixo continuar com o processo de verificação e assegurar a segurança de sua conta.


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[Pérola gentilmente enviada pelo BCP para a minha caixa de correio electrónico.

evva]

Terça-feira, Março 04, 2008

Um novo partido

Não, não é o MEP (Movimento Esperança Portugal), mas o, desculpem o termo por demais adequado, MERDA (Movimento dos Esposos Revoltados de Docentes Abusados). A sugestão partiu daqui (via Blogotinha).


evva

Aprende Inglês com Franco

Vejam lá se percebem a última frase...

Sónia

Ainda o Franco...


Sónia

Segunda-feira, Março 03, 2008

Ainda o papel do Estado...


Sónia

Ca ganda cowboiada práqui vai!…




Ora vejamos:

1. Hillary Clinton anda a fazer uma campanha à custa da preparação que supostamente teve quando era primeira dama — ou seja, à custa da glória do marido —, e contra o seu opositor, que agradece a notoriedade que lhe é concedida.

2. Barak Obhama anda a fazer uma campanha à custa de méritos que ninguém lhe reconhece e tenta fazer-nos acreditar que um negro, muito rico, e altamente qualificado, vai mudar um país que em que a pobreza e a falta de educação afecta significativamente os negros. Aqui em Inglaterra, algumas organizações que lutam contra a discriminação racial já vão dizendo que o voto neste candidato é tudo menos útil para os próprios negros.

3. O candidato republicano, John McCain, é visto pelo seu partido como mais democrata que os dois anteriores e, nos bastidores, já há democratas a dizer que eram capazes de votar nele.

Alguém é capaz de ajudar-me a entender isto?
Desde já, obrigado.


andré

Domingo, Março 02, 2008

Futebol de bairro

A pedra tem um contexto: a "pelota vasca", a "intifada", a escultura, o jogo da malha... Não o campo de futebol, como aconteceu hoje entre Sporting /Benfica no Estádio de Alvalade.  Os grandes clubes estão cada vez mais longe do desporto e cada vez mais perto da luta de gangs e das "jogadas" financeiras. Outro futebol é possível!
Deliciem-se com este fragmento de "El penalti más largo del mundo" de Roberto Santiago. 



Sónia

Eleições em Espanha

Acedo à página do servidor do meu correio pessoal e encontro uma notícia que remete para as iminentes eleições legislativas em Espanha. O título da notícia é "As grandes questões em debate entre Zapatero e Rajoy". Selecciono a notícia e encontro isto:


Pergunto: 
1) onde estão as grandes questões?
2) onde estão os outros candidatos?

Sónia


Se eu fosse...

um Blog, gostava de ser assim.

evva

A propósito dos 18 anos do Público

Desmotivado pela enormidade dos formatos do JN e do DN e pelo seu grafismo desordenado, foi com o Público que comecei a levar os jornais um pouco mais a sério. Era bem mais fácil de ler, tinha dossiers, entrevistas e suplementos interessantes.
Tal como tudo na vida, o jornal foi mudando. Mas eu mantive-me fiel na esperança de que, "haja o que houver", o espírito de independência, elegância e correcção se mantivesse.

Agora que passou à maioridade, tenho por vezes dificuldade em reconhecê-lo. O caderno principal continua mais ou menos igual, mas a colagem ao Guardian substituiu a elegância pela funcionalidade. A correcção parece mais relaxada, em detrimento da superficialidade das imagens, que agora parecem ser o mais importante (?!). A indepêndencia tem-se vindo a perder, como o demonstra esta semana o provedor do Público (ver extracto mais abaixo), a propósito de mais um artigo "a pedido" que saiu na Pública, um suplemento que tinha interesse mas que se transformou na versão domingueira da Marie Claire.

Contudo, nem tudo se perdeu. Os últimos provedores têm dado bastante que ler, tal como as colunas de opinião que ainda conseguem atrair pessoas com algo interessante para dizer. O P2 tem alguma piada, mas eu receio que as pessoas não tenham tempo para o ler todos os dias. Acima de tudo, ainda aparecem artigos com substância, que se preocupam em analisar os fenómenos com profundidade e seriedade, deixando ao leitor a tarefa de decidir pela sua cabeça.

Enfim… a maioridade é um momento complicado da nossa vida. É a altura em que nos começamos a definir e isso gera dúvidas e receios. É nesses momentos que temos de pensar naquilo que somos, e sobretudo naquilo que não somos. E há coisas que não ficam nada bem no currículo:



(in Público 2/3/08, p. 47, o Provedor do Leitor, Joaquim Vieira)
A revista Pública dedicou há três semanas a capa e 11 páginas interiores ao norte-americano Tommy Hilfiger. Para os leitores menos familiarizados com a figura, Hilfiger criou uma marca de sucesso comercial no ramo das confecções, ao estabelecer certo conceito de imagem adoptado pela geração jovem. A própria reportagem considera que ele "não é tanto um designer de roupas, mas mais um vendedor de ideias e um homem de negócios". O artigo veio a propósito de um livro que o "homem de negócios" acabara de conceber e lançar internacionalmente (e em Portugal nessa semana). O volume, no formato de coffee table book, consiste numa antologia de emblemas gráficos da civilização ianque, aquilo a que nos EUA se chama Americana e que ao longo do tempo tem sido objecto de diversas abordagens editoriais (com a particularidade de o modesto Hilfiger se colocar a ele próprio entre as imagens dessa simbologia).
Os responsáveis do PÚBLICO são inteiramente soberanos nas suas opções editoriais, e não compete ao provedor pronunciar-se sobre elas (a não ser em caso de flagrante contradição com o Estatuto Editorial). Mas, de qualquer modo, tendo em conta a prática habitual e os meios do PÚBLICO, surpreende tão extensa cobertura do assunto, que implicou uma ida a Nova Iorque para o jornalista falar com o protagonista. Só que o motivo revela-se por uma frase no fim do texto: "O jornalista viajou a convite da Tommy Hilfiger." O jornal apenas publicou o trabalho sobre a personagem porque esta pagou a viagem e a estada ao repórter.
O método observa-se hoje com frequência na imprensa portuguesa: a oferta de deslocações a jornalistas, por empresas e instituições privadas, na ânsia de obterem cobertura noticiosa para as suas actividades. Um dos factores de sucesso na sociedade mediatizada em que vivemos consiste no grau de notoriedade pública alcançado (a extensão das referências nos media ao nome ou ao produto, mais do que o elogio das suas características), e há quem esteja disposto a pagar por isso. Alguns jornais não referem sequer o "pormenor" da oferta, mas o Livro de Estilo do PÚBLICO estabelece que quando "os jornalistas viajam a convite de empresas ou em comitivas oficiais [que o provedor coloca em categoria distinta da relativa às entidades privadas], esse facto deve ser referido de forma clara junto aos textos resultantes dessas viagens". (…)


andré

Sábado, Março 01, 2008

A coisa está preta...


Segundo a comunicação social, só no dia de hoje, centenas de professores manifestaram-se no Porto contra a política educativa deste Governo, outros 500 em Setúbal, 3000 em Viana e 4000 em Braga. Não venha o discurso oficial dizer que eram todos comunistas, porque esses eram  50000 e estavam em  Lisboa de cartão erguido a desfilar numa Marcha pela Liberdade e Democracia.
Para o próximo dia 8, a Plataforma Sindical que organiza a Marcha pela Indignação está a contar com 25 mil professores. Depois de hoje e depois da marcha convocada pelo PCP, acho pouco...
Num dia como este, o Presidente da República apelou à serenidade dos professores. Discordo. Quanto ao conteúdo do apelo, Cavaco Silva devia neste momento dar prioridade à legalidade sobre a serenidade. Quanto à orientação, devia dirigi-lo ao agressor e não ao agredido. 

Sónia

Finalmente



Preguiçar um pouco antes do trabalho árduo (que segue dentro de momentos).


evva