sábado, fevereiro 18, 2006
Bahaus

Uma das minhas bandas favoritas de sempre actuou hoje no Porto. Confesso que não pensei sequer em reservar bilhete.
Deixei-me de lirismos há uns anos, depois de uma série de desilusões com bandas que actuam em Portugal já passado o prazo de validade. The Waterboys sem violino não são os Waterboys, entendem? Podiam ao menos ter arranjado alguém que substituísse o violinista naquele concerto do Hard Club... Foi a gota de água.
O tempo não volta atrás. Prefiro pôr a rodar os velhinhos discos de vinil e voltar a saltar bem alto com o Kick In The Eye, ou dançar o Bela Lugosi's Dead com aquele ondear com que o Peter Murphy nos interrogava no teledisco. Ou ainda gritar o The Passion Of Lovers até enrouquecer. Há letras que nunca se esquecem:
She had nut painted arms
That were hers to keep
And in her fear
She sought cracked pleasures
The passion of lovers is for death said she
Licked her lips
And turned to feather
And as I watched from underneath
I came aware of all that she keep
The little foxes so safe and sound
They were not dead
They'd gone to ground
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
She breaks her hear
Just a little too much
And her jokes attract the lucky bad type
As she dips and wails
And slips her banshee smile
She gets the better of the bigger to the letter
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she
evva
P.S.: Não trocava o meu mergulho a pique desta noite na filologia medieval pelo concerto dos Bahaus no Coliseu. Estarei a ficar velha? Alguém consegue imaginar o gozo enorme que é justificar a ausência de ressonância nasal no adjectivo 'boo' e argumentar com uma série de ocorrências em textos coevos? Indescritível!
Adenda: Ainda não descobri como se coloca música no blog, mas se quiserem vibrar com Peter Murphy e sus muchachos visitem o Queridos Anos 80, um blog que acompanho assiduamente (o que também é válido para os 0,0000000001% de infiéis que nunca ouviram falar dos Bauhaus... Cinquenta chibatadas ao som do She's In Parties!)
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
O elogio da Filologia
Elogio académico do Professor José Joaquim Nunes, Gustavo Cordeiro Ramos, antigo ministro da Educação Nacional, 27 de Fevereiro de 1937
evva
A irrelevância de muitos Mestrados dava uma óptima Tese de Doutoramento
Um dia, quando se redigir a história do ensino superior português na alvorada do século XXI, ficará registado como, por motivos de sobrevivência e escassez de alunos de licenciatura, pulularam neste país pós-graduações e mestrados absolutamente medíocres.
Pior: as gerações vindouras conseguirão compreender como se poderá recusar uma Dissertação de Mestrado sobre Filosofia ou Narrativa Medievais para creditação na carreira docente do Ensino Não-Superior, com base no argumento único e inquestionável de que o Mestrado se intitulava 'História e Cultura Medievais' e nada disso contribui para a valorização científica e pedagógica de professores de português e filosofia do ensino secundário, e se continue a aceitar, para os mesmos grupos disciplinares, a creditação de Dissertações em Administração, Estatística, Ciências da Educação (se alguém me conseguir explicar o que significa, agradeço; eu que estou há mais de um década no ramo ainda não consegui perceber...), "A angústia (ou falta dela) do cábula antes do teste de avaliação", ou "Mil e uma maneiras de passar de ano os alunos preguiçosos para melhorar as estatísticas de 'sucesso educativo' "...?
Ou ainda: como compreender que se aprovem (por vezes com Muito Bom, quando essa classificação existe) certas Dissertações de Mestrado ou Teses de Doutoramento fraquíssimas só porque o candidato em causa é docente da casa (apesar do arguente não o ser, eu sei) e, coitado, tem de defender depressa a tese ou então, coitadinho, vai para a rua...? Já agora, alguém me explica o que é o Português Arcaico Médio?
As Instituições portuguesas de Ensino Superior, sobretudo as Faculdades de Letras, têm de repensar com urgência a sua função e estratégia e questionar se serão ou querem ser meros redutos de formação de professores para o desemprego ou preferem tornar-se centros de excelência, de investigação, defesa e publicação de um saber que é a pedra angular da formação de qualquer indivíduo.
Nada melhor do que os medievais para nos recordarem, lá dos confins da sua Tenebrosa Idade, o que um intelectual que se preze devia valorizar, sempre:
«Somos anões aos ombros de gigantes: vemos mais longe».
evva
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Philologia
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Esplendor
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado.
Ruy Belo
[evva)
É triste, muito triste, o politicamente correcto deste país
Com este título, o hoje moribundo jornal “O Semanário”, nomeava Gaspar Castelo-Branco como a figura nacional do ano de 1986.
evva
Doctor Subtilis

JOHN DUNS SCOTUS (1265-1308), um dos mais 'difíceis' filósofos da Escolástica, cuja complexidade muitos apelidaram de apurada subtileza. Escutêmo-lo:
evva
Calendário

Direcção artística, fotografia e design de Armando Vilas Boas.
evva
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor
agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente
lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor
valter hugo mãe
O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas (2003)
Porto, Cadernos do Campo Alegre
[evva]
mistério de ambos em cada criatura
Como recebeu ela Adão?
Despojou-o,
e o desflorou, ajudando?
Adão, brutal ou terno?
Acometeu, cervo
ou foi penetrante andorinha?
Arrancou de si
sementes, o coração
latindo, cão grato?
Felizes, torturantes,
aprendizes, falsos,
sortílegos, infames?
Inteiraram-se um no outro?
Desejaram a morte
de quantos séculos?
António Osório
[evva]
Frases inaugurais, em Português
«Aqui o mar acaba e a terra principia»
do meu romance preferido de Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)
«Muitas vezes, pela tarde, quando o Sol, transpondo a baía de Carteia descia afogueado para a banda de Melária, dourando com os últimos esplendores os cimos da montanha piramidal do Calpe, via-se ao longo da praia vestido com a flutuante estringe o presbítero Eurico, encaminhando-se para os alcantis aprumados à beira-mar.»
Eurico o Presbítero (1844), de Alexandre Herculano, páginas que agitaram a minha imaginação adolescente e fixaram para sempre uma paixão desmedida e incurável pela Idade Média
«Fecharam os telhais.»
Mas a abertura que elejo como a melhor de sempre de um romance em língua portuguesa é de Fernando Assis Pacheco, em Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993). Não resisto a transcrevê-la na íntegra, só ela dava um romance inteiro:
«Quando o Padeiro Velho de Casdemundo teve a certeza de que Manolo Cabra lhe desfeiteara a irmã, em dois segundos decidiu tudo. Nessa mesma noite matou-o de emboscada, arrastou o cadáver para o palheiro e foi acender o forno com umas vides que comprara para as empanadas da festa de San Bartolomé.
O irmão do meio encarregou-se de cortar a cabeça ao morto. O Padeiro Velho amanhou-o e depois chamuscou-o bem chamuscado. Às duas da manhã untou o Cabra de alto a baixo com o tempero, enfiando-lhe um espeto pelas nalgas. Às cinco estava assado.
"Caramba", disse o irmão do meio, que admirava todas as invenções do mais velho, "é à segoviana!".
"Mas não lhe pões o dente", cortou o outro.
Entretanto o mais novo, regressado já do Pereiro, aonde fora avisar o Padre Mestre, manifestou desejos de capar Manolo Cabra. O do meio olhou muito sério para o Padeiro Velho. Este cuspiu enojado e decretou:
"É tudo para os cães. E agora tragam-me lá a roupa do fiel defunto, que já não tem préstimo senão no inferno".
Se perguntassem ao Padeiro Velho o que mais queria naquelo momento, teria respondido:
"Assar-lhe até a memória"»
evva
P.S.: Quis incluir também as primeiras linhas do Finisterra (1978), de Carlos de Oliveira, mas não o encontrei. Se alguém não se importar de mo devolver, agradeço desde já.
São Valentim
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Frases inaugurais
«Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.» Cem Anos de Solidão (1967), Gabriel Garcia Márquez.
Se bem que o 33º lugar de Gertrud Stein a tenha colocado no 1º da minha lista de compras:
«Once an angry man dragged his father along the ground through his own orchard. "Stop!" cried the groaning old man at last, "Stop! I did not drag my father beyond this tree."» The Making of Americans (1925).
evva
domingo, fevereiro 12, 2006
Já é oficial
Para o André
Já posso dizer? Já posso dizer? Só lamento não conseguir utilizar caracteres especiais para respeitar a ortografia, mas a pronúncia é esta:
Veels geluk met jou verjaarsdag! (Afrikaans)
Urime ditelindjen! (Albanês)
Taredartzet shnorhavor! ou Tsenund shnorhavor! (Arménio)
Eida D'moladukh Hawee Brikha! (Assírio)
Ois guade winsch i dia zum Gbuadsdog! (em Viena de Áustria)
Suma Urupnaya Cchuru Uromankja! (na Bolívia)
Ad gunun mubarek! (no Azerbeijão)
Shuvo Jonmodin! (no Bangladesh)
Maogmang Pagkamundag! (nas Filipinas)
Deiz-ha-bloaz laouen deoc'h! (Bretão)
Chestit Rojden Den! (Búlgaro)
Som owie nek mein aryouk yrinyu! (no Cambodja)
Per molts anys! Bon aniversari! Moltes Felicitats! (Catalão, o meu preferido)
Sun Yat Fai Lok! (Cantonês)
qu ni sheng er kuai le (Mandarim)
San ruit kua lok! (em Shangai)
Sretan Rodendan! (Croata)
Vsechno nejlepsi k Tvym narozeninam!! (Checo)
Tillykke med fodselsdagen! (Dinamarquês)
Ne gelukkege verjoardach! (em Antuérpia)
Fan herte lokwinske! (na Frísia)
Happy Birthday! (esta não preciso dizer!)
Felichan Naskightagon! (Esperanto)
Palju onne sunnipaevaks! (na Estónia)
Zorionak zure urtebetetze egunean! (Euskera, um dia ainda irei descobrir donde veio esta língua...)
Tillukku vid fodingardegnum! :) (Ilhas Faroë)
Joyeux Anniversaire! (Se não sabes esta...)
Lá breithe mhaith agat! Co` latha breith sona dhut! Breithla Shona Dhuit!
(Gaélico irlandês)
Co` latha breith sona dhuibh! (Gaélico escocês)
Ledicia no teu cumpreanos! (Galego... mas isso existe?)
Gilotcav dabadebis dges! (na Geórgia)
Ois Guade zu Deim Geburdstog! (na Baviera)
Allet Jute ooch zum Jeburtstach! Ick wuensch da allet Jute zum Jeburtstach! (em Berlim)
Es Muentschi zum Geburri! (em Berna)
Ewllews Gewtew zewm Gewbewrtstewg. Mew! (Alemão 'Camelottisch'; pronto, foi daqui que veio o rei Artur)
Haerzliche Glueckwuensche zum Geburtstag! (no Lichtenstein)
Alles Gute zum Geburtstag! (Alemão)
Eytyxismena Genethlia! Chronia Pola! (Grego)
Janma Divas Mubarak! (Gujarati, Índia)
Saal Mubarak! (Gujarati, no Paquistão, já se sabe que não é bem a mesma coisa...)
Vy-Apave Nde Arambotyre! (Guarani, mas sem aqueles desenhos assustadores da GM)
Hau`oli la hanau! (no Hawai)
Yom Huledet Same'ach! (Hebreu)
Janam Din ki badhai! or Janam Din ki shubkamnaayein! (Hindu)
Boldog szuletesnapot! or Isten eltessen! (Húngaro)
Til hamingju med afmaelisdaginn! (na Islândia)
Selamat Ulang Tahun! (Indonésio)
Buon Compleanno! (Italiano)
Bun Cumpleani! (Piemontês)
Otanjou-bi Omedetou Gozaimasu! (Japonês)
Slamet Ulang Taunmoe! (Ilha de Java)
Voharvod Mubarak Chuy! (em Cachemira)
Tughan kuninmen! (no Cazaquistão)
Saeng il chuk ha ham ni da! (Coreano)
Rojbun a te piroz be! (Curdo)
Tulgan kunum menen! (na Quirguízia)
Fortuna dies natalis! (Latim!)
Daudz laimes dzimsanas diena! (Letão)
Sveikinu su gimtadieniu! Geriausi linkejimaigimtadienio progal! (Lituano)
Vill Gleck fir daei Geburtsdaag! (au Luxembourg)
Sreken roden den! (na Macedónia)
Selamat Hari Jadi! (Malásio, o Sandokan diria assim...)
Nifrahlek ghal gheluq sninek! (Maltês, do Gato e do Corto)
Kia huritau ki a koe! (Maori)
mo swet u en bonlaniverser! (na Mauritânia)
Leleng ambai pa mbeng ku taipet i! (na Papoa, Nova Guiné)
Torson odriin mend hurgee! (Mongol)
bil hoozho bi'dizhchi-neeji' 'aneilkaah! (Navajo)
Janma dhin ko Subha kamana! (no Nepal)
Gratulerer med dagen! (Norueguês)
Masha Pabien I hopi aña mas! (nas Antilhas Holandesas, muito curioso...)
Padayish rawaz day unbaraksha! (Afegão)
Tavalodet Mobarak! (Persa)
Wszystkiego Najlepszego! Wszystkiego najlepszego zokazji urodzin! wszystkiego najlepszego z okazji urodzin! (Polaco)
Janam din diyan wadhayian! (no Punjab)
La Multi Ani! (Romeno)
S dniom razhdjenia! Pazdravliayu s dniom razhdjenia! (Russo)
Ravihi janmadinam aacharati! (Sânscrito, que fique registado em acta que um dia vou aprender esta língua)
Achent'annos! Achent'annos! (na Sardenha)
Vill Glück zum Geburri! (na Suíça germânica)
Srecan Rodjendan! (na Sérvia)
Vsetko najlepsie k narodeninam! (Eslovaco)
Vse najboljse za rojstni dan! (Esloveno)
Feliz Cumpleaños! (por supuesto!)
Suba Upan dinayak vewa! (no ex-Sri Lanka)
Wilujeng Tepang Taun! (no Sudão)
Mi fresteri ju! (no Suriname)
Hongera! or Heri ya Siku kuu! (Swahili)
Grattis på födelsedagen (em Sueco, para ires treinando, se precisares)
San leaz quiet lo! (Taiwan)
Piranda naal vaazhthukkal! (Tamil)
Suk San Wan Keut! (Thai)
Droonkher Tashi Delek! (o Dalai Lama diria assim, é tibetano)
Dogum gunun kutlu olsun! (Turco)
Mnohiya lita! or Z dnem narodjennia! (Ucraniano)
Chuc Mung Sinh Nhat! (Vietnamita)
Penblwydd Hapus i Chi! (Galês)
A Freilekhn Gebortstog! (Yiddish)
Eku Ojobi! (Nigéria)
Ilanga elimndandi kuwe! (Zulu)
Feliz Aniversário! Um grande beijinho de Parabéns.
evva
Instantâneos de uma manhã de Domingo em Serralves
O prado da Qinta do Mata-Sete. Hoje pastava por lá uma égua sossegada
Uma remodelação recente, restituiu o ornamento original do 'jardim formal'
Beberiam os pombos esta água no tempo de Jacques Gréber, o arquitecto paisagista responsável pelo projecto dos jardins?

Roseiras suspensas no Inverno

Demora muito, a Primavera?
evva
P.S.: Todas as fotos são emprestadadas. Aos autores, Merci.
sábado, fevereiro 11, 2006
Os melhores diálogos do cinema
Johnny Guitar - How many man have you forgotten?
Vienna - As many woman as you've remembered.
Johnny Guitar - Don't go away.
Vienna - I haven't moved.
Johnny Guitar - Tell me something nice.
Vienna - Sure. What do you want to hear?
Johnny Guitar - Lie to me. Tell me all these years you've waited. Tell me.
Vienna - All these years I've waited.
Johnny Guitar - Tell me you've died if I hadn't come back.
Vienna - I would have died if you hadn't come back.
Johnny Guitar - Tell me you still love me like I love you.
Vienna - I still love you like you love me.
Johnny Guitar - Thanks. Thanks a lot.
Jonny Guitar, Nicholas Ray (1954), um dos filmes da minha vida.
evva












