Contagem decrescente
O meu destaque vai para a retrospectiva do expressionismo alemão de Fritz Lang e Murnau. Espero conseguir sobreviver à legendagem em castelhano...
evva
P.S.: Amigos da mouraria, já sabem que podem pernoitar cá em casa.
«Imagination is memory» James Joyce
O meu destaque vai para a retrospectiva do expressionismo alemão de Fritz Lang e Murnau. Espero conseguir sobreviver à legendagem em castelhano...
evva
P.S.: Amigos da mouraria, já sabem que podem pernoitar cá em casa.

Adenda: Ainda não descobri como se coloca música no blog, mas se quiserem vibrar com Peter Murphy e sus muchachos visitem o Queridos Anos 80, um blog que acompanho assiduamente (o que também é válido para os 0,0000000001% de infiéis que nunca ouviram falar dos Bauhaus... Cinquenta chibatadas ao som do She's In Parties!)
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado.
Ruy Belo
[evva)


Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor
agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente
lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor
valter hugo mãe
O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas (2003)
Porto, Cadernos do Campo Alegre
[evva]
Como recebeu ela Adão?
Despojou-o,
e o desflorou, ajudando?
Adão, brutal ou terno?
Acometeu, cervo
ou foi penetrante andorinha?
Arrancou de si
sementes, o coração
latindo, cão grato?
Felizes, torturantes,
aprendizes, falsos,
sortílegos, infames?
Inteiraram-se um no outro?
Desejaram a morte
de quantos séculos?
António Osório
[evva]
Já posso dizer? Já posso dizer? Só lamento não conseguir utilizar caracteres especiais para respeitar a ortografia, mas a pronúncia é esta:
Veels geluk met jou verjaarsdag! (Afrikaans)
Urime ditelindjen! (Albanês)
Taredartzet shnorhavor! ou Tsenund shnorhavor! (Arménio)
Eida D'moladukh Hawee Brikha! (Assírio)
Ois guade winsch i dia zum Gbuadsdog! (em Viena de Áustria)
Suma Urupnaya Cchuru Uromankja! (na Bolívia)
Ad gunun mubarek! (no Azerbeijão)
Shuvo Jonmodin! (no Bangladesh)
Maogmang Pagkamundag! (nas Filipinas)
Deiz-ha-bloaz laouen deoc'h! (Bretão)
Chestit Rojden Den! (Búlgaro)
Som owie nek mein aryouk yrinyu! (no Cambodja)
Per molts anys! Bon aniversari! Moltes Felicitats! (Catalão, o meu preferido)
Sun Yat Fai Lok! (Cantonês)
qu ni sheng er kuai le (Mandarim)
San ruit kua lok! (em Shangai)
Sretan Rodendan! (Croata)
Vsechno nejlepsi k Tvym narozeninam!! (Checo)
Tillykke med fodselsdagen! (Dinamarquês)
Ne gelukkege verjoardach! (em Antuérpia)
Fan herte lokwinske! (na Frísia)
Happy Birthday! (esta não preciso dizer!)
Felichan Naskightagon! (Esperanto)
Palju onne sunnipaevaks! (na Estónia)
Zorionak zure urtebetetze egunean! (Euskera, um dia ainda irei descobrir donde veio esta língua...)
Tillukku vid fodingardegnum! :) (Ilhas Faroë)
Joyeux Anniversaire! (Se não sabes esta...)
Lá breithe mhaith agat! Co` latha breith sona dhut! Breithla Shona Dhuit!
(Gaélico irlandês)
Co` latha breith sona dhuibh! (Gaélico escocês)
Ledicia no teu cumpreanos! (Galego... mas isso existe?)
Gilotcav dabadebis dges! (na Geórgia)
Ois Guade zu Deim Geburdstog! (na Baviera)
Allet Jute ooch zum Jeburtstach! Ick wuensch da allet Jute zum Jeburtstach! (em Berlim)
Es Muentschi zum Geburri! (em Berna)
Ewllews Gewtew zewm Gewbewrtstewg. Mew! (Alemão 'Camelottisch'; pronto, foi daqui que veio o rei Artur)
Haerzliche Glueckwuensche zum Geburtstag! (no Lichtenstein)
Alles Gute zum Geburtstag! (Alemão)
Eytyxismena Genethlia! Chronia Pola! (Grego)
Janma Divas Mubarak! (Gujarati, Índia)
Saal Mubarak! (Gujarati, no Paquistão, já se sabe que não é bem a mesma coisa...)
Vy-Apave Nde Arambotyre! (Guarani, mas sem aqueles desenhos assustadores da GM)
Hau`oli la hanau! (no Hawai)
Yom Huledet Same'ach! (Hebreu)
Janam Din ki badhai! or Janam Din ki shubkamnaayein! (Hindu)
Boldog szuletesnapot! or Isten eltessen! (Húngaro)
Til hamingju med afmaelisdaginn! (na Islândia)
Selamat Ulang Tahun! (Indonésio)
Buon Compleanno! (Italiano)
Bun Cumpleani! (Piemontês)
Otanjou-bi Omedetou Gozaimasu! (Japonês)
Slamet Ulang Taunmoe! (Ilha de Java)
Voharvod Mubarak Chuy! (em Cachemira)
Tughan kuninmen! (no Cazaquistão)
Saeng il chuk ha ham ni da! (Coreano)
Rojbun a te piroz be! (Curdo)
Tulgan kunum menen! (na Quirguízia)
Fortuna dies natalis! (Latim!)
Daudz laimes dzimsanas diena! (Letão)
Sveikinu su gimtadieniu! Geriausi linkejimaigimtadienio progal! (Lituano)
Vill Gleck fir daei Geburtsdaag! (au Luxembourg)
Sreken roden den! (na Macedónia)
Selamat Hari Jadi! (Malásio, o Sandokan diria assim...)
Nifrahlek ghal gheluq sninek! (Maltês, do Gato e do Corto)
Kia huritau ki a koe! (Maori)
mo swet u en bonlaniverser! (na Mauritânia)
Leleng ambai pa mbeng ku taipet i! (na Papoa, Nova Guiné)
Torson odriin mend hurgee! (Mongol)
bil hoozho bi'dizhchi-neeji' 'aneilkaah! (Navajo)
Janma dhin ko Subha kamana! (no Nepal)
Gratulerer med dagen! (Norueguês)
Masha Pabien I hopi aña mas! (nas Antilhas Holandesas, muito curioso...)
Padayish rawaz day unbaraksha! (Afegão)
Tavalodet Mobarak! (Persa)
Wszystkiego Najlepszego! Wszystkiego najlepszego zokazji urodzin! wszystkiego najlepszego z okazji urodzin! (Polaco)
Janam din diyan wadhayian! (no Punjab)
La Multi Ani! (Romeno)
S dniom razhdjenia! Pazdravliayu s dniom razhdjenia! (Russo)
Ravihi janmadinam aacharati! (Sânscrito, que fique registado em acta que um dia vou aprender esta língua)
Achent'annos! Achent'annos! (na Sardenha)
Vill Glück zum Geburri! (na Suíça germânica)
Srecan Rodjendan! (na Sérvia)
Vsetko najlepsie k narodeninam! (Eslovaco)
Vse najboljse za rojstni dan! (Esloveno)
Feliz Cumpleaños! (por supuesto!)
Suba Upan dinayak vewa! (no ex-Sri Lanka)
Wilujeng Tepang Taun! (no Sudão)
Mi fresteri ju! (no Suriname)
Hongera! or Heri ya Siku kuu! (Swahili)
Grattis på födelsedagen (em Sueco, para ires treinando, se precisares)
San leaz quiet lo! (Taiwan)
Piranda naal vaazhthukkal! (Tamil)
Suk San Wan Keut! (Thai)
Droonkher Tashi Delek! (o Dalai Lama diria assim, é tibetano)
Dogum gunun kutlu olsun! (Turco)
Mnohiya lita! or Z dnem narodjennia! (Ucraniano)
Chuc Mung Sinh Nhat! (Vietnamita)
Penblwydd Hapus i Chi! (Galês)
A Freilekhn Gebortstog! (Yiddish)
Eku Ojobi! (Nigéria)
Ilanga elimndandi kuwe! (Zulu)
Feliz Aniversário! Um grande beijinho de Parabéns.
evva
Uma remodelação recente, restituiu o ornamento original do 'jardim formal'
Beberiam os pombos esta água no tempo de Jacques Gréber, o arquitecto paisagista responsável pelo projecto dos jardins?

Roseiras suspensas no Inverno

Demora muito, a Primavera?
evva
P.S.: Todas as fotos são emprestadadas. Aos autores, Merci.
Johnny Guitar - How many man have you forgotten?
Vienna - As many woman as you've remembered.
Johnny Guitar - Don't go away.
Vienna - I haven't moved.
Johnny Guitar - Tell me something nice.
Vienna - Sure. What do you want to hear?
Johnny Guitar - Lie to me. Tell me all these years you've waited. Tell me.
Vienna - All these years I've waited.
Johnny Guitar - Tell me you've died if I hadn't come back.
Vienna - I would have died if you hadn't come back.
Johnny Guitar - Tell me you still love me like I love you.
Vienna - I still love you like you love me.
Johnny Guitar - Thanks. Thanks a lot.
Jonny Guitar, Nicholas Ray (1954), um dos filmes da minha vida.
evva


Este sorriso...
o ver-te crescer a cada segundo, num espanto indizível de regozijo por cada coisa nova que fazes,saber que estás feliz quando começas a adormecer e transmites toda a inocência do mundo, preocupar-me com cada suspiro mais fundo, doer-me o coração por cada lágrima tua, mesmo que "seja por nada"...
este sorriso e tantos, tantos que tu me dás
fazem tudo parecer tão simples e belo
como tu, meu filho Rafael
Isabel Sofia

ESPLENDOR NA RELVA
Eu sei que Deanie Loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste
A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste
na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais
lhe será dado a ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais
Ruy Belo
O Bosque Sagrado
(colectânea de poemas sobre cinema)
evva
Aceitar que sejam questionadas certas coisas não nos deve impedir de aceitar que haja quem não permita que tal aconteça.
Mas para isso temos de alterar a nossa ideia peregrina de que somos mais evoluídos para aceitarmos que somos apenas diferentes.
A polémica dos cartoons só existe porque quem se insurgiu nos mete medo. Se tal não acontecesse nem sequer pensávamos que, com a nossa liberdade de expressão, podíamos estar a oprimir alguém.
A publicação dos cartoons em jornais de referência é legítima e estou disposto a defender o direito de uma pessoa a fazê-lo. Mas é simultaneamente uma verdadeira estupidez pois é uma tentativa de demonstrar a superioridade de uma cultura. O mesmo que o Sr. Bush quer fazer com o Iraque e com o Médio Oriente em geral. Esta pode não ser a perspectiva de quem fez ou publicou os cartoons mas é uma perspectiva que cada vez mais tem de ser tida em conta.
O mundo em que vivemos aumentou no tamanho e na diversidade. Creio que precisamos de parar para pensar um pouco.
andré
PS: pode ser que agora se comece a entender um pouco melhor o 11 de Setembro.
PS2: alguém me pode explicar porque é que só agora estalou a polémica de uns cartoons publicados em Setembro?
Há muita gente que sonha em casar, na partilha de um projecto de vida, na criação de uma família, de um lar, com ou sem filhos. Há muita gente que gostaria de juntar os trapos e viver em união. Pela igreja, pelo civil, com os amigos todos ou numa ilha quase deserta. Casar parece-me ser antes de mais um enorme desejo de partilha, com afecto ou sem ele.
Ainda hoje podemos assistir à prática secular dos casamentos por conveniência, e não falo apenas nas classes mais ricas. Há quem case para conseguir um visto de residência ou porque o outro é a melhor pessoa para garantir a subsistência dos filhos ou do nível de vida, ou porque simplesmente não quer ficar sozinho. Deve haver muitas razões para duas pessoas se casarem. Mas convenhamos, aquilo que quase todos desejamos e queremos é que a partilha do amor entre duas pessoas seja a principal conveniência de um casamento.
Desde há uns anitos (muito grandes) que o valor dominante na Europa e no mundo ocidental censura o casamento entre mais do que duas pessoa, pois isso seria institucionalizar a poligamia o que, de acordo com os nossos valores, é um comportamento incorrecto. Não creio que seja arriscado dizer que este valor provém em grande medida da moral judaico-cristã que domina muitos dos nossos comportamentos como também o entendimento que temos dos mesmos.
A moral judaico-cristã reprovou durante muito tempo o divórcio, contudo, com o passar dos tempos, essa moral deu lugar a uma outra, a do respeito pela vontade de cada um e pelo reconhecimento de que o amor, em alguns casos não dura para sempre (acho que muitos de nós ainda temos dificuldade em aceitar este facto), e de que, assim sendo, os laços não podem ser permanentes.
O casamento é um daqueles casos em que a moral e a escolha individual convivem muito bem, isto porque as decisões do casal não embatem com as escolhas da restante sociedade nem põem em causa valores essenciais como a vida ou a morte, a saúde ou a segurança. A responsabilidade é apenas dos dois.
O facto de nós entendermos isto e não nos pormos a pensar em ser polígamos ou seguir qualquer outra moral cultural é para mim uma prova de que a nossa sociedade entendeu as razões e os limites que estão por detrás da visão ocidental do casamento. Só faço esta nota para restringir o meu problema de análise e não por qualquer censura a outra moral cultural.
Perante isto, só entendo a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo devido às consequências sobre eventuais futuros filhos ou perante a evidência de que tal comportamento é manifestamente contrário à moral dominante.
Creio que a discussão sobre a adopção de filhos por casais do mesmo sexo está viciada à partida pois uma mulher lésbica pode ter filhos. Estamos aqui perante uma descriminação de sexo favorável à mulher, pois, que se saiba, até a data os homens não podem ter filhos, logo tem de adoptar. Ou seja, não podemos impedir que um casal de lésbicas tenha um filho/a mas não deixamos que um casal de homossexuais possa ter.
Mas deixemos a adopção de parte. E se os casais do mesmo sexo não quiserem ter filhos. Vamos descriminá-los face aos casais heterossexuais que não os têm? Porquê?
Qual é essa moral dominante, que eu não vejo em lado nenhum, que censura este tipo de casamentos?
É contra natura? E a agricultura, e a poluição, e a urbanização, e a ciência? São naturais de quem? Do ser humano? Pois com certeza. Como o é o casamento, pois até hoje, que se saiba, ninguém viu mais nenhum animal ou planta a casar.
Vai pôr em causa a sobrevivência da família? Lamento mas os factos têm vindo a demonstrar que o contrário, isto é, que a família consegue sobreviver às mutações sociais e, mesmo com divórcios, separações, e filhos de outros casamentos, o amor e o desejo de partilha são mais fortes e ultrapassam todas as barreiras.
Vai pôr em causa a sobrevivência da espécie? Como, se a população não para de aumentar? E a poluição também não está a pôr? E o armamento também não põe?
Por muito que eu pense, não vejo razão nenhuma para uma lei impedir o direito de escolha ao casamento a casais do mesmo sexo.
Ainda hoje penso que se um/a futuro/a filho/a meu/minha quisesse casar com alguém do mesmo sexo isso ir-me-ia perturbar um pouco, sobretudo porque isso punha em risco a possibilidade de eu vir a ter netos/as (egoísta…). Pois é, mas eu continuava a não ter nada a ver com isso. A decisão era deles/as.
andré
Este texto poderia chamar-se “a ironia do destino” mas, se assim o fosse, iria assumir que era a politica externa americana a única e principal responsável pelo estado das coisas, o que não me parece uma conclusão muito séria. A actual situação internacional que vivemos é um pouco mais complexa.
Anteontem sonhei que eu e a minha mãe estávamos a ver mísseis e caças a passar por cima da minha casa a caminho da guerra. A cena era calma embora a situação aparentemente não o fosse. Nesse mesmo dia tinha lido um texto de Niall Ferguson, um historiador de Harvard, sobre uma guerra mundial eminente.
O clima de incerteza que paira sobre as nossas cabeças exige, acho eu, um pouco de calma, e não propriamente uma visão incendiária sobre uma realidade difícil e com consequências muito imprevisíveis.
Convenhamos, hoje temos consciência de que não só um toque num botão pode iniciar a destruição do mundo como também estamos (eu, pelo menos, estou) convencido de que essa destruição não se iria resumir apenas às potencias dominantes pois, infelizmente (ou se calhar felizmente) há demasiada gente envolvida nesta salgalhada.
Vejamos então. Os americanos estão mesmo entalados com esta dupla frente de problemas, a eleição do Hamas para governar a Palestina e a insistência do Irão (agora mesmo confirmada no Jornal das 9 da Sic Notícias) em enriquecer Urânio.
Ambas as situações não só vão contra os interesses americanos como põem em causa uma das base de suporte da sua diplomacia, a luta pela democracia, talvez o argumento com maior amplitude de consenso e que simultaneamente melhor servia a protecção das suas acções.
A desordem deve-se quer ao unilateralismo americano quer à fraqueza da posição europeia no panorama internacional mas também se deve ao facto de a ordem mundial não ser já dominada por estes dois parceiros. Vejamos cada uma das situações.
A invasão do Irão não é uma opção quer pela má figura que os americanos fizeram no Iraque como pelo possível aumento da instabilidade na zona. Contudo a pressão sobre o Irão está a ser feita em conjunto pela UE, pelos EUA, pela Rússia e China, o que não aconteceu no Iraque e que parece provar que a ameaça é para ser levada a sério mas também que nem a Rússia nem a China estão interessados numa intervenção no Irão. Na realidade ninguém está interessado em abrir guerra com o Irão: a China porque precisa do petróleo iraniano, e o resto do mundo pela mesma razão. Com o aumento da procura do ouro negro é melhor pensar duas vezes antes de entrar em guerra com um dos seus produtores.
Por outro lado, a Rússia está mais organizada, quer no controlo do seu armamento mas sobretudo no controlo da sua economia e das instituições que a dominam e que o Kremlin tem vindo, pouco a pouco, a controlar.
Sobre a China não há muito mais a dizer. O seu crescimento económico está, por um lado, a tornar o mundo dependente das suas importações de matéria prima e, por outro, a inundá-lo com a sua produção de preços baratos. O peso da sua diplomacia estendeu-se a todo um conjunto de países onde compra sem fazer perguntas nem exigências democráticas.
Para ajudar à festa, a América Latina está a atravessar uma série de mudanças naquele que parece ser um caminho na direcção do aumento da sua independência politica face ao “amigo” americano. Como se não bastasse tudo isto, países como a Índia e o Brasil, com posicionamentos políticos distintos do ocidente começam gradualmente a aumentar o seu peso politico mundial.
Ora, creio que nada do que aqui se disse era verdadeiramente improvável, embora confesso que ainda me surpreende (e ainda bem) a crescente independência politica dos países da América latina. Ou seja, o mundo está finalmente a crescer ao nível politico, como que na direcção de uns Estados Unidos da Terra, onde todos se têm de entender e respeitar, o que só pode ser bom.
O facto de os EUA estarem na posição que estão hoje é que me preocupa pois demonstra uma insistente incompreensão e desrespeito pela história e seus ensinamentos, como se meia dúzia de mísseis e um punhado de dólares resolvessem todos os assuntos.
Desculpem se pareço suspeito, mas compreendo e aceito melhor o problema europeu, pois nem sempre existiu alinhamento entre os países europeus e, com o alargamento, abriram-se por ventura algumas feridas da segunda guerra, quando parte da Europa aceitou entregar aos russos a outra parte que agora quer acolher no seu seio. E, claro, há a Turquia. E aí a coisa complica-se ainda mais. Enfim… há que aceitar que as coisas não são faceis…
A minha revolta face aos Estados Unidos deve-se a eu ter dificuldade em aceitar o facto de que o pais que mais avançou na aplicação da democracia tenha tanta dificuldade em a pôr em prática fora das suas fronteiras. A incapacidade que as administrações americanas têm em aceitar as diferenças culturais é impressionante, tal como o é o facto de não terem entendido ainda que o poder só leva a um caminho, à destruição. Puxa, eu pensava que a trilogia do Senhor dos Anéis e os novos episódios da Guerra das Estrelas tinham esclarecido todas as dúvidas.
Desde há uns anos que vejo os EUA como um adolescente que se revoltou contra o pai. Pois ele passou a mandar no pai. E na família toda. Mas continua a ser adolescente.
Daí que compreendi (embora me custe muito dize-lo) a posição daqueles que ficaram do lado dos EUA na guerra do Iraque. Como compreendi os outros que estiveram contra, embora as atitudes da França tenham enfraquecido muito esta posição.
Que raio de imagem, um idoso a tentar convencer um adolescente…
Em conclusão, não creio que os americanos saiam deste sem ajuda, e isso vai-lhes custar muito. E aos europeus também porque vão de uma vez por todas ter de assumir um futuro sem a protecção dos EUA. Tal como acontecerá provavelmente com grande parte da sua população idosa, a Europa vai ter de começar a tentar ser autónoma. Difícil. Bem difícil. Autónoma, não independente. Creio que não países independentes hoje.
Uma última nota. Os europeus ocidentais não se vão safar desta atacando os países de leste e, em geral, os países em desenvolvimento e a sua mão de obra barata. Cada um tem direito de se safar e eles estão a fazer o melhor que sabem e podem.
Se calhar não fazia mal investirem um pouco do seu tempo a tentar perceber como é que se pode encontrar uma alternativa para este sistema capitalista e a sua produção inconsumivel que nos está a destruir os recursos naturais, a inundar de dívidas, e a agravar diferenças entre as pessoas.
Mas isso só vai acontecer quando os europeus perderem parte do seu conforto. Aí, juntamente com os americanos, talvez se lembrem o que história lhes ensinou: para estarmos em paz, é melhor ceder parte do que temos a um vizinho que não gostamos, e assim garantir a paz, do que tentar fazer com que ele faça sistematicamente aquilo que nós queremos, e ganhar uma guerra contra ele.
andré
Ana Gomes a jurar a pés juntos que jamais insultaria Sampaio: «E muito menos me passaria pela cabeça insultar um Presidente que respeito, apesar de discordar de algumas das suas mais importantes decisões. Ainda por cima tratando-se de Jorge Sampaio, de quem o meu marido é muito amigo e foi Chefe da Casa Civil e de quem ainda sou amiga»
evva
O prédio onde moro, ao invés de muitos por aí, tem uma razoável impermeabilidade sonora. Pelo menos nunca ninguém se queixou do volume da música que se ouve aqui em casa, apesar de, sempre que me cruzo com vizinhos, inclinar-me em mil desculpas. Que não, não ouvem nada. Mas não há insonorização que resista ao chorrilho de palavrões com que a vizinha do 2º direito, do outro lado da parede, brinda o seu bébé de meses sempre que ele chora. Na próxima sexta-feira, há reunião de condomínio e tenho andado a ganhar coragem para dizer algo subtil sobre o assunto. Não vou ser capaz. Mas devia. Será crime público?
evva
Século XII. Fouques, prior da abadia de Deuil (mosteiro perto de Montmorency), consola Abelardo após a castração:
«Dotado de dons em excesso (...) julgavas-te superior a todos os outros, até aos sábios que antes de ti se haviam votado à obra do saber. (...) Tudo o que conseguias ganhar vendendo o teu saber, afundáva-lo num pélago, gastáva-lo a espalhar o amor.
(...) Falarei do carpir de todas as mulheres? Ao saberem a notícia, inundaram de lágrimas o rosto por causa do seu cavaleiro, de ti, que tinham perdido».
evva
[DICIONÁRIO POLÍTICO
Movimento de Cidadania - Grupo de pessoas que optaram pelo lado errado nas lutas internas de um partido político e que com esse erro de estratégia hipotecaram as possibilidades de por via daquele se verem compensadas com um emprego.
FMS]
N' O Quinto do Impérios
evva

Com a serra da Lousã ao longe e com a certeza do Mondego já ali ao lado,o convite à dispersão é grande. Nos momentos raros em que o sorriso do meu filho Rafael não me absorve por completo, apetece divagar.
Tive há tempos o dissabor de ver Aníbal Cavaco Silva ser eleito presidente.Mas o dissabor maior foi ver as atitudes estapafúrdias da esquerda que caiu no rídiculo da falsa modéstia e até na falta de educação.
Fiquei triste ao ver Mário Soares a deixar-se decair entre afirmações vazias e criticazinhas sem interesse...
Mas houve algo que me alegrou: a certeza de que a esquerda plural em que acredito, existe! A candidatura de Alegre prova-o. E mostra também que há pessoas integras e com coragem para defender aquilo em que acreditam. Mesmo que ninguém pareça acreditar nelas. Pena é que haja tão poucos "Manueis" no nosso país. Mas que os vá havendo. Já é uma esperança que nos faz esquecer outras alarvidades como a demolição da casa de Garrett. Infelizmente o nosso Portugal continua coerente com aquele que ele tão brilhantemente pintou nas Viagens: pequeno.Só os edificios em bloco continuam a crescer e quase a tapar a beleza das margens do Mondego...
Isabel Sofia
Coimbra

Nos últimos tempos, por questões de saúde (ou falta dela), a rádio tem sido a melhor companhia de horas e horas forçadas entre lençóis. Ontem, em mais uma edição de Mais Europa (todos os sábados às 13h, na Antena 1, cada vez mais indispensável), José Cutileiro realçava a entrada fulgurante de Angela Merkel na diplomacia internacional e a vontade de marcar a diferença dos anos Schroeder. Na próxima semana, Merkel estará em Moscovo e já foi adiantando que o seu propósito não é estabelecer com Putin qualquer relação de amizade. Avizinham-se novos tempos para a Europa?
evva