domingo, fevereiro 19, 2006

Contagem decrescente



O meu destaque vai para a retrospectiva do expressionismo alemão de Fritz Lang e Murnau. Espero conseguir sobreviver à legendagem em castelhano...

evva

P.S.: Amigos da mouraria, já sabem que podem pernoitar cá em casa.

sábado, fevereiro 18, 2006

As Portas do Paraíso II

Chema Madoz

[evva]

As Portas do Paraíso

Chema Madoz (s/t, 1992)

[evva]

Bahaus


Uma das minhas bandas favoritas de sempre actuou hoje no Porto. Confesso que não pensei sequer em reservar bilhete.

Deixei-me de lirismos há uns anos, depois de uma série de desilusões com bandas que actuam em Portugal já passado o prazo de validade. The Waterboys sem violino não são os Waterboys, entendem? Podiam ao menos ter arranjado alguém que substituísse o violinista naquele concerto do Hard Club... Foi a gota de água.

O tempo não volta atrás. Prefiro pôr a rodar os velhinhos discos de vinil e voltar a saltar bem alto com o Kick In The Eye, ou dançar o Bela Lugosi's Dead com aquele ondear com que o Peter Murphy nos interrogava no teledisco. Ou ainda gritar o The Passion Of Lovers até enrouquecer. Há letras que nunca se esquecem:

She had nut painted arms
That were hers to keep
And in her fear
She sought cracked pleasures
The passion of lovers is for death said she
Licked her lips
And turned to feather

And as I watched from underneath
I came aware of all that she keep
The little foxes so safe and sound
They were not dead
They'd gone to ground

The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death

She breaks her hear
Just a little too much
And her jokes attract the lucky bad type
As she dips and wails
And slips her banshee smile
She gets the better of the bigger to the letter

The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she
The passion of lovers is for death
The passion of lovers is for death said she

evva

P.S.: Não trocava o meu mergulho a pique desta noite na filologia medieval pelo concerto dos Bahaus no Coliseu. Estarei a ficar velha? Alguém consegue imaginar o gozo enorme que é justificar a ausência de ressonância nasal no adjectivo 'boo' e argumentar com uma série de ocorrências em textos coevos? Indescritível!



Adenda: Ainda não descobri como se coloca música no blog, mas se quiserem vibrar com Peter Murphy e sus muchachos visitem o Queridos Anos 80, um blog que acompanho assiduamente (o que também é válido para os 0,0000000001% de infiéis que nunca ouviram falar dos Bauhaus... Cinquenta chibatadas ao som do She's In Parties!)

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

O elogio da Filologia


«um sentimento íntimo da vida da linguagem, um tacto fino e delicado no discriminar e apreciar os fenómenos, mesmo os que ao primeiro exame parecem mais subtis, estranhos e contraditórios»

Elogio académico do Professor José Joaquim Nunes, Gustavo Cordeiro Ramos, antigo ministro da Educação Nacional, 27 de Fevereiro de 1937


evva

A irrelevância de muitos Mestrados dava uma óptima Tese de Doutoramento

A ler: Mestrado em Irrelevância, por Rui Ângelo de Araújo, n' Os Canhões de Navarone.

Um dia, quando se redigir a história do ensino superior português na alvorada do século XXI, ficará registado como, por motivos de sobrevivência e escassez de alunos de licenciatura, pulularam neste país pós-graduações e mestrados absolutamente medíocres.

Pior: as gerações vindouras conseguirão compreender como se poderá recusar uma Dissertação de Mestrado sobre Filosofia ou Narrativa Medievais para creditação na carreira docente do Ensino Não-Superior, com base no argumento único e inquestionável de que o Mestrado se intitulava 'História e Cultura Medievais' e nada disso contribui para a valorização científica e pedagógica de professores de português e filosofia do ensino secundário, e se continue a aceitar, para os mesmos grupos disciplinares, a creditação de Dissertações em Administração, Estatística, Ciências da Educação (se alguém me conseguir explicar o que significa, agradeço; eu que estou há mais de um década no ramo ainda não consegui perceber...), "A angústia (ou falta dela) do cábula antes do teste de avaliação", ou "Mil e uma maneiras de passar de ano os alunos preguiçosos para melhorar as estatísticas de 'sucesso educativo' "...?


Ou ainda: como compreender que se aprovem (por vezes com Muito Bom, quando essa classificação existe) certas Dissertações de Mestrado ou Teses de Doutoramento fraquíssimas só porque o candidato em causa é docente da casa (apesar do arguente não o ser, eu sei) e, coitado, tem de defender depressa a tese ou então, coitadinho, vai para a rua...? Já agora, alguém me explica o que é o Português Arcaico Médio?


As Instituições portuguesas de Ensino Superior, sobretudo as Faculdades de Letras, têm de repensar com urgência a sua função e estratégia e questionar se serão ou querem ser meros redutos de formação de professores para o desemprego ou preferem tornar-se centros de excelência, de investigação, defesa e publicação de um saber que é a pedra angular da formação de qualquer indivíduo.


Nada melhor do que os medievais para nos recordarem, lá dos confins da sua Tenebrosa Idade, o que um intelectual que se preze devia valorizar, sempre:


«Somos anões aos ombros de gigantes: vemos mais longe».


evva

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Philologia


«para mim, filologia tem verdadeiramente coincidido com busca da verdade num sentido total, absoluto, na vida mais ainda que nos textos literários»

Luciana Steggagno Pichio
A Lição do Texto. Filologia e Literatura. I A Idade Média, Edições 70, Lisboa, 1979

evva

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Esplendor

Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado.

Ruy Belo

[evva)

É triste, muito triste, o politicamente correcto deste país

"Gaspar Castelo-Branco – foi decidido esquecê-lo

Com este título, o hoje moribundo jornal “O Semanário”, nomeava Gaspar Castelo-Branco como a figura nacional do ano de 1986.

Era Director-Geral dos Serviços Prisionais quando, a 15 de Fevereiro de 1986, véspera da segunda volta das eleições presidenciais, foi assassinado pelas FP-25 Abril com dois tiros na nuca. Foi o mais alto cargo dirigente do Estado a ser vítima de um brutal e cobarde ataque no pleno exercício das suas funções.

Nessa altura, os terroristas das FP-25A, por excesso de tolerância e decisão política, estavam em regime de cela aberta e misturados com presos de delito comum. Após a fuga de um grupo dos mais perigosos terroristas da Penitenciária de Lisboa, em Setembro de 1985, impôs medidas e condições duras de isolamento e separação entre reclusos. Estas eram contestadas pelos terroristas com uma pretensa “greve da fome”. Não cedeu. “Em países ocidentais os governos não cedem às greves da fome e pouca importância lhes dão” dizia. Mas por cá, era constantemente pressionado pela Comissão Parlamentar de Direitos Liberdades e Garantias, em particular por alguns deputados socialistas, bem como alguns movimentos cívicos de duvidosa parcialidade, mas que obtinham ainda assim algum eco na imprensa.

Perante as críticas da comunicação social e dos ditos movimentos, o Ministro da tutela, Mário Raposo, declinava responsabilidades encaminhando-as para o seu director-geral, como se a orientação deste não fosse tomada de acordo com o próprio Ministro. O culpado seria o Director-Geral. Perante a demissão dos seus superiores hierárquicos e o silêncio imposto pelo governo, Gaspar Castelo-Branco assumiu as responsabilidades, que verdadeiramente não lhe cabiam, em circunstâncias particularmente difíceis. Só isso fazia sentido: por personalidade era um homem corajoso e frontal com um enorme sentido do dever e do bem público. Tornou-se o bode expiatório e pagou-o com a vida.

O Governo acobardou-se e quinze dias após o seu brutal assassinato, os presos retomaram a cela aberta durante o dia, apenas fechada durante a noite. Conforme escreveu na altura José Miguel Júdice, parecia que afinal o assassinato teve uma justificação e uma razão de ser.
A partir desse dia, o País apercebeu-se que o terrorismo era uma ameaça real. Nos dias seguintes, Cavaco Silva, então primeiro-ministro, mudou-se com a família para a residência oficial em São Bento. Todos os ministros, sem excepção, passaram a andar com guarda-costas e escoltados por vários seguranças pessoais. Os juízes e procuradores do processo FP-25A passaram a ser guardados dia e noite, pernoitando, às vezes, em locais alternados e sempre secretos.

Apesar disso o Presidente da República em exercício Ramalho Eanes ou o recém-eleito Mário Soares não estiveram presentes no enterro tal como faltou o primeiro-ministro Cavaco Silva. Não houve um gesto visível de apoio público à vítima pelos seus superiores hierárquicos e membros dos órgãos de soberania. Curiosamente, nesse mesmo mês, na vizinha Espanha, um agente da Guardia Civil era assassinado pela ETA. O seu funeral teve honras de estado e contou com a presença de Felipe Gonzalez e Juan Carlos.

“Se me derem um tiro, como reagirão os defensores dos direitos humanos, os mesmos que pretendem condições mais brandas para os terroristas?” - afirmava numa entrevista a um jornal 15 dias antes de morrer. A verdade, é que a sua profecia se realizou e não houve um único acto de repúdio público aos ditos movimentos.

Em Outubro do mesmo ano começava o julgamento da organização. O maior fracasso do Estado de Direito do Portugal democrático. Não conseguiu condenar quem contra ele atentou.

Mário Soares, com uma visão muito própria sobre a justiça, preferiu primeiro indultar e depois amnistiar as FP-25A com total passividade do governo PSD. Preferiu cumprimentar Otelo Saraiva de Carvalho após a sua saída da prisão e recusou uma legítima condecoração, proposta pelo governo, para o mais alto funcionário do Estado a cair no cumprimento do seu dever no Portugal democrático. Para ele, as vitimas e as suas famílias eram um pormenor desagradável num processo que queria resolver politicamente.

O tempo pode atenuar a dor de um filho, mas não apaga a vergonha que o País sente por não ter sido feita justiça: os assassinos não cumpriram a pena, apesar de julgados e condenados em tribunal, e as vítimas foram esquecidas.

[Manuel Castelo-Branco]"


evva

Doctor Subtilis


JOHN DUNS SCOTUS (1265-1308), um dos mais 'difíceis' filósofos da Escolástica, cuja complexidade muitos apelidaram de apurada subtileza. Escutêmo-lo:
«Todo o filósofo estava certo de que o que postulava como primeiro princípio era um ser; por exemplo, um estava certo e que o fogo era um ser e outro de que a água era um ser. Mas não estava certo de que era um ser criado ou incriado, primeiro ou não-primeiro. De facto, não estava certo de que era primeiro, pois então estaria certo de algo falso e o falso não é susceptível de saber rigoroso. Nem estava certo de que fosse um ser não-primeiro, porque então não teria postulado o oposto.
Este primeiro argumento é confirmado da seguinte maneira: Alguém, vendo os filósofos discordarem entre si, pode estar certo de que o que quer que seja que qualquer um deles postulou como primeiro princípio é um ser. No entanto, por causa da contrariedade das opiniões dos filósofos, poderia duvidar se o primeiro princípio é este ou aquele ser. Se se fizesse, para tal pessoa em dúvida, a demonstração conclusiva ou refutativa de algum destes conceitos inferiores, por exemplo, de que o fogo não é o ser primeiro, mas um determinado ser posterior ao ser primeiro, não se destruiria o primeiro conceito certo que esta pessoa teve [de que é um ser], mas tal conceito ainda se encontraria no conceito particular que fosse provado do fogo. Assim prova-se a proposição suposta na última consequência deste argumento, isto é, que o conceito que de si não é nenhum dos dois conceitos duvidosos encontra-se em ambos.» Opus Oxoniense, I, d. 3, parte 1, q. 1 (tradução de C. A. Nascimento e R. Vier).

[Subtilezas destas conseguem dar um 'nó escolástico' no raciocínio mais exercitado...]

evva

Calendário

O fabuloso Calendário 2006 da Federação Portuguesa de Hóquei



Direcção artística, fotografia e design de Armando Vilas Boas.


evva

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor


agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente


lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor


valter hugo mãe

O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas (2003)
Porto, Cadernos do Campo Alegre

[evva]

mistério de ambos em cada criatura

Como recebeu ela Adão?
Despojou-o,
e o desflorou, ajudando?

Adão, brutal ou terno?
Acometeu, cervo
ou foi penetrante andorinha?

Arrancou de si
sementes, o coração
latindo, cão grato?

Felizes, torturantes,
aprendizes, falsos,
sortílegos, infames?

Inteiraram-se um no outro?
Desejaram a morte
de quantos séculos?

António Osório

[evva]

Frases inaugurais, em Português

No Geração-Rasca, aberturas memoráveis da ficção em língua portuguesa. Eis algumas das minhas favoritas, numa lista alternativa:

«Aqui o mar acaba e a terra principia»
do meu romance preferido de Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)

«Começou por me dizer que o seu caso era simples - e que se chamava Macário...»
Singularidades de Uma Rapariga Loura, Eça de Queirós

«Muitas vezes, pela tarde, quando o Sol, transpondo a baía de Carteia descia afogueado para a banda de Melária, dourando com os últimos esplendores os cimos da montanha piramidal do Calpe, via-se ao longo da praia vestido com a flutuante estringe o presbítero Eurico, encaminhando-se para os alcantis aprumados à beira-mar.»
Eurico o Presbítero (1844), de Alexandre Herculano, páginas que agitaram a minha imaginação adolescente e fixaram para sempre uma paixão desmedida e incurável pela Idade Média

«Vespera de Pinticoste foi grande gente asũada em Camaalot, asi que podera homem i veer mui gram gente, muitos cavaleiros e muitas donas mui bem guisadas»
Demanda do Santo Graal (anónimo, séc. XIII)

«Fecharam os telhais.»
Esteiros (1941), de Soeiro Pereira Gomes, o neo-realismo poético

Mas a abertura que elejo como a melhor de sempre de um romance em língua portuguesa é de Fernando Assis Pacheco, em Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993). Não resisto a transcrevê-la na íntegra, só ela dava um romance inteiro:
«Quando o Padeiro Velho de Casdemundo teve a certeza de que Manolo Cabra lhe desfeiteara a irmã, em dois segundos decidiu tudo. Nessa mesma noite matou-o de emboscada, arrastou o cadáver para o palheiro e foi acender o forno com umas vides que comprara para as empanadas da festa de San Bartolomé.
O irmão do meio encarregou-se de cortar a cabeça ao morto. O Padeiro Velho amanhou-o e depois chamuscou-o bem chamuscado. Às duas da manhã untou o Cabra de alto a baixo com o tempero, enfiando-lhe um espeto pelas nalgas. Às cinco estava assado.
"Caramba", disse o irmão do meio, que admirava todas as invenções do mais velho, "é à segoviana!".
"Mas não lhe pões o dente", cortou o outro.
Entretanto o mais novo, regressado já do Pereiro, aonde fora avisar o Padre Mestre, manifestou desejos de capar Manolo Cabra. O do meio olhou muito sério para o Padeiro Velho. Este cuspiu enojado e decretou:
"É tudo para os cães. E agora tragam-me lá a roupa do fiel defunto, que já não tem préstimo senão no inferno".
Se perguntassem ao Padeiro Velho o que mais queria naquelo momento, teria respondido:
"Assar-lhe até a memória"»

evva

P.S.: Quis incluir também as primeiras linhas do Finisterra (1978), de Carlos de Oliveira, mas não o encontrei. Se alguém não se importar de mo devolver, agradeço desde já.

São Valentim

Cativos do consumismo, não se esqueçam dos presentes. Eis algumas sugestões, bem a propósito:

Chema Madoz (sem título, 2001)


Chema Madoz (s/t, s/d)

evva

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Frases inaugurais

A American Book Review elenca as cem melhores aberturas de romance do Cânone Ocidental. Se bem que qualquer lista deste tipo é pródiga em omissões, sobrevalorizações várias e inclusões discutíveis, constatei com agrado que a minha favorita de sempre ocupa o quarto lugar:

«Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.» Cem Anos de Solidão (1967), Gabriel Garcia Márquez.

Se bem que o 33º lugar de Gertrud Stein a tenha colocado no 1º da minha lista de compras:

«Once an angry man dragged his father along the ground through his own orchard. "Stop!" cried the groaning old man at last, "Stop! I did not drag my father beyond this tree."» The Making of Americans (1925).

evva

domingo, fevereiro 12, 2006

Já é oficial


No próximo Verão, mais um sobrinho/a. Iupi!

evva

P.S.: Ou muito me engano, ou este/a já nasce a falar latim. São os ares da serra.

Para o André

Já posso dizer? Já posso dizer? Só lamento não conseguir utilizar caracteres especiais para respeitar a ortografia, mas a pronúncia é esta:

Veels geluk met jou verjaarsdag! (Afrikaans)

Urime ditelindjen! (Albanês)

Taredartzet shnorhavor! ou Tsenund shnorhavor! (Arménio)

Eida D'moladukh Hawee Brikha! (Assírio)

Ois guade winsch i dia zum Gbuadsdog! (em Viena de Áustria)


Suma Urupnaya Cchuru Uromankja! (na Bolívia)

Ad gunun mubarek! (no Azerbeijão)

Shuvo Jonmodin! (no Bangladesh)

Maogmang Pagkamundag! (nas Filipinas)

Deiz-ha-bloaz laouen deoc'h! (Bretão)

Chestit Rojden Den! (Búlgaro)

Som owie nek mein aryouk yrinyu! (no Cambodja)

Per molts anys! Bon aniversari! Moltes Felicitats! (Catalão, o meu preferido)

Sun Yat Fai Lok! (Cantonês)

qu ni sheng er kuai le (Mandarim)

San ruit kua lok! (em Shangai)

Sretan Rodendan! (Croata)

Vsechno nejlepsi k Tvym narozeninam!! (Checo)

Tillykke med fodselsdagen! (Dinamarquês)

Ne gelukkege verjoardach! (em Antuérpia)

Fan herte lokwinske! (na Frísia)

Happy Birthday! (esta não preciso dizer!)

Felichan Naskightagon! (Esperanto)

Palju onne sunnipaevaks! (na Estónia)

Zorionak zure urtebetetze egunean! (Euskera, um dia ainda irei descobrir donde veio esta língua...)

Tillukku vid fodingardegnum! :) (Ilhas Faroë)

Joyeux Anniversaire! (Se não sabes esta...)

Lá breithe mhaith agat! Co` latha breith sona dhut! Breithla Shona Dhuit!
(Gaélico irlandês)

Co` latha breith sona dhuibh! (Gaélico escocês)

Ledicia no teu cumpreanos! (Galego... mas isso existe?)

Gilotcav dabadebis dges! (na Geórgia)

Ois Guade zu Deim Geburdstog! (na Baviera)

Allet Jute ooch zum Jeburtstach! Ick wuensch da allet Jute zum Jeburtstach! (em Berlim)

Es Muentschi zum Geburri! (em Berna)

Ewllews Gewtew zewm Gewbewrtstewg. Mew! (Alemão 'Camelottisch'; pronto, foi daqui que veio o rei Artur)

Haerzliche Glueckwuensche zum Geburtstag! (no Lichtenstein)

Alles Gute zum Geburtstag! (Alemão)

Eytyxismena Genethlia! Chronia Pola! (Grego)

Janma Divas Mubarak! (Gujarati, Índia)

Saal Mubarak! (Gujarati, no Paquistão, já se sabe que não é bem a mesma coisa...)

Vy-Apave Nde Arambotyre! (Guarani, mas sem aqueles desenhos assustadores da GM)


Hau`oli la hanau! (no Hawai)

Yom Huledet Same'ach! (Hebreu)

Janam Din ki badhai! or Janam Din ki shubkamnaayein! (Hindu)

Boldog szuletesnapot! or Isten eltessen! (Húngaro)

Til hamingju med afmaelisdaginn! (na Islândia)

Selamat Ulang Tahun! (Indonésio)

Buon Compleanno! (Italiano)

Bun Cumpleani! (Piemontês)

Otanjou-bi Omedetou Gozaimasu! (Japonês)

Slamet Ulang Taunmoe! (Ilha de Java)

Voharvod Mubarak Chuy! (em Cachemira)

Tughan kuninmen! (no Cazaquistão)

Saeng il chuk ha ham ni da! (Coreano)

Rojbun a te piroz be! (Curdo)


Tulgan kunum menen! (na Quirguízia)

Fortuna dies natalis! (Latim!)

Daudz laimes dzimsanas diena! (Letão)

Sveikinu su gimtadieniu! Geriausi linkejimaigimtadienio progal! (Lituano)

Vill Gleck fir daei Geburtsdaag! (au Luxembourg)

Sreken roden den! (na Macedónia)

Selamat Hari Jadi! (Malásio, o Sandokan diria assim...)

Nifrahlek ghal gheluq sninek! (Maltês, do Gato e do Corto)

Kia huritau ki a koe! (Maori)

mo swet u en bonlaniverser! (na Mauritânia)

Leleng ambai pa mbeng ku taipet i! (na Papoa, Nova Guiné)

Torson odriin mend hurgee! (Mongol)

bil hoozho bi'dizhchi-neeji' 'aneilkaah! (Navajo)

Janma dhin ko Subha kamana! (no Nepal)

Gratulerer med dagen! (Norueguês)

Masha Pabien I hopi aña mas! (nas Antilhas Holandesas, muito curioso...)

Padayish rawaz day unbaraksha! (Afegão)

Tavalodet Mobarak! (Persa)

Wszystkiego Najlepszego! Wszystkiego najlepszego zokazji urodzin! wszystkiego najlepszego z okazji urodzin! (Polaco)

Janam din diyan wadhayian! (no Punjab)

La Multi Ani! (Romeno)

S dniom razhdjenia! Pazdravliayu s dniom razhdjenia! (Russo)

Ravihi janmadinam aacharati! (Sânscrito, que fique registado em acta que um dia vou aprender esta língua)

Achent'annos! Achent'annos! (na Sardenha)

Vill Glück zum Geburri! (na Suíça germânica)

Srecan Rodjendan! (na Sérvia)

Vsetko najlepsie k narodeninam! (Eslovaco)

Vse najboljse za rojstni dan! (Esloveno)

Feliz Cumpleaños! (por supuesto!)

Suba Upan dinayak vewa! (no ex-Sri Lanka)

Wilujeng Tepang Taun! (no Sudão)

Mi fresteri ju! (no Suriname)

Hongera! or Heri ya Siku kuu! (Swahili)

Grattis på födelsedagen (em Sueco, para ires treinando, se precisares)

San leaz quiet lo! (Taiwan)

Piranda naal vaazhthukkal! (Tamil)

Suk San Wan Keut! (Thai)

Droonkher Tashi Delek! (o Dalai Lama diria assim, é tibetano)

Dogum gunun kutlu olsun! (Turco)

Mnohiya lita! or Z dnem narodjennia! (Ucraniano)

Chuc Mung Sinh Nhat! (Vietnamita)

Penblwydd Hapus i Chi! (Galês)

A Freilekhn Gebortstog! (Yiddish)

Eku Ojobi! (Nigéria)

Ilanga elimndandi kuwe! (Zulu)


Feliz Aniversário! Um grande beijinho de Parabéns.

evva

Instantâneos de uma manhã de Domingo em Serralves

Com um sol quase primaveril, apetece saltar da cama bem cedo e ir inspirar liquidâmbares, castanheiros-da-índia (afinal, parece que são originários da Bulgária, os fingidos), pinheiros mansos, roseiras... O meu preferido continua a ser aquele carvalho que uma enorme muleta ajuda a sustentar, logo após o Lago Romântico e antes de se iniciar o prado da Quinta do Mata-Sete (foto não-disponível; a autora destas linhas ainda não chegou à era da fotografia digital).


O prado da Qinta do Mata-Sete. Hoje pastava por lá uma égua sossegada


Uma remodelação recente, restituiu o ornamento original do 'jardim formal'

Beberiam os pombos esta água no tempo de Jacques Gréber, o arquitecto paisagista responsável pelo projecto dos jardins?

Roseiras suspensas no Inverno

Demora muito, a Primavera?

evva

P.S.: Todas as fotos são emprestadadas. Aos autores, Merci.

sábado, fevereiro 11, 2006

Os melhores diálogos do cinema

Johnny Guitar - How many man have you forgotten?
Vienna - As many woman as you've remembered.
Johnny Guitar - Don't go away.
Vienna - I haven't moved.
Johnny Guitar - Tell me something nice.
Vienna - Sure. What do you want to hear?
Johnny Guitar - Lie to me. Tell me all these years you've waited. Tell me.
Vienna - All these years I've waited.
Johnny Guitar - Tell me you've died if I hadn't come back.
Vienna - I would have died if you hadn't come back.
Johnny Guitar - Tell me you still love me like I love you.
Vienna - I still love you like you love me.
Johnny Guitar - Thanks. Thanks a lot.

Jonny Guitar, Nicholas Ray (1954), um dos filmes da minha vida.


evva

Estou indecisa

Não sei se faça bolo de chocolate ou mousse de manga...

Chema Madoz (sem título)

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

FOTOGRAFIA CONCEPTUAL

Chema Madoz (Madrid, 1958) e o instante poético da fotografia




evva

De luto

Apesar de não visitar a ‘Joana’ há algum tempo, foi com tristeza que li a notícia da sua morte. O Semiramis há muito que fazia parte da minha lista de favoritos e tenho alguns textos da Joana impressos ou gravados numa pasta. Como alguém acertadamente disse num dos inúmeros posts e comentários que se têm escrito, muitos dos textos da ‘Joana’, para serem convenientemente lidos, tinham que ser impressos. Escrita muito cuidada, complexa por vezes, mas sempre de leitura indispensável. Aqui fica o link, para os que quiserem visitá-la e lê-la. Espero que rapidamente se concretize o livro que reúna os seus posts. Até sempre.

evva

Brokeback




Não é um grande filme. Realização limpa e acabada, um tanto ou quanto envergonhada, nada de novo. Havia necessidade de tanto pudor? Não me surpreendeu. Depois de Sensibilidade e Bom Senso (1995) e Tempestade de Gelo (1997), Ang Lee deixou de me interessar. Heather Ledger arrasta penosamente o seu underacting, sem conseguir explorar o conflito de quem hesita em assumir-se (sim, chora convulsivamente, sim, casa-se, sim, divorcia-se, sim, bebe demasiado, sim, é agressivo, sim, tem um flirt ocasional com uma mulher, so what?). A vulnerabilidade de Jake Gyllenhaal é bem mais convincente, no olhar donde vai desaparecendo a frescura da juventude. Mas tudo é tão ténue que, às tantas, desejamos que o filme acabe, pois já adivinhamos onde tudo aquilo nos leva. Não devia ser assim. Um bom filme nunca queremos que termine, pode agredir-nos com murros no estômago, tirar-nos o tapete e abandonar-nos diante de precipício e múltiplas emoções que, no final, desejamos sofregamente passar pelo mesmo calvário. Talvez nas mãos de um outro realizador tudo fosse diferente. Quando estreia o próximo Clint Eastwood?

evva

P.S.: Se não se tratasse de um love affair homossexual atrairia tantas atenções?

Adenda: Que o que acima ficou dito não dissuada ninguém de ver o filme. Trata-se de um filme mainstream e que não vale mais do três estrelas, mas é só uma opinião pessoal.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O FIM DA CARICATURA

Os dados estão lançados e só o tempo dirá o resultado desta Crise Caricatural. Nos últimos dias foram publicadas várias notícias onde é visível o enorme grau de instrumentalização em torno desta situação. O problema passou a ser completamente diplomático.

Os governos da Argélia e da Síria suspenderam a proibição às manifestações para que o povo pudesse reagir contra os cartoons. Na Dinamarca, há um Imã a promover manifestações em países árabes contra os desenhos. Em França, o jornal satírico Charlie Hebdo vai publicar novamente os cartoons e vai acrescentar uns novos. Para nos reconfortar, o seu director diz que depois vai publicar uns sobre o holocausto.
O que é que isto interessa?

Não interessa nada.
Há, houve e haverá imensos livros, jornais, sites, etc. que ofendem profundamente as mais diversas posições, religiosas ou não. Na maioria dos países ocidentais, essa liberdade de expressão é respeitada. Na maioria dos países árabes, tal como em muitos países asiáticos, não.

Eu insurjo-me perante os cartoons não porque sou contra a liberdade de os publicar mas porque ao fazê-lo desta forma se está a defender a liberdade de expressão através da opressão e da defesa de uma suposta superioridade cultural. O facto de os governos europeus não se conseguirem opor a isto é para mim um sinal de perigo.

Tempos houve em que os Muçulmanos eram “superiores” a nós. E nós aprendemos com eles. A história é assim, umas vezes dominamos nós, noutras somos dominados. Contudo, o poder no mundo actual está cada vez mais repartido. Temos de nos habituar a isso. Pessoalmente, acho isso bom.

Mimosas


Sim, eu sei que é uma espécie invasora infestante, que põe em causa a diversidade dos ecossistemas (já se fabricam herbicidas para controlá-la e foi ordenada a sua eliminação no Alto Douro Vinhateiro, por decreto governamental...), que se propaga habitualmente nas necrópoles abandonadas com sete palmos de cinzas que são as nossas florestas, mas esta visão dourada ilumina as minhas manhãs e grita-me que a Primavera se aproxima.

evva

P.S.: Há um ano, foi com elas que enfeitei o bolo de aniversário da mãe do Francisco, naquele dia nefasto da maioria absoluta socialista. Espero que o aniversário deste ano seja bem mais festivo. :)

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

A CARICATURA SOMOS NÓS – parte II

Escrever num blog é muito gratificante. As respostas que recebemos transmitem uma maior sensação de responsabilidade sobre o que escrevemos. E é precisamente este o cerne do problema dos cartoons.

Na página 5 do Público de sexta-feira, 3 de Fevereiro, há uma pequena entrevista de 3 perguntas a Torgen Seidenfaden, director do “jornal dinamarquês de referência” Politiken, que esclarece muitas das dúvidas que eu tinha. A história conta-se assim:

Primeiro. No verão de 2005, um polemista dinamarquês, Kaare Bluitgen, “conhecido pela sua islamofobia”, queixa-se que “um ou dois desenhadores se tinham recusado a fazer as ilustrações” do seu livro, destinado à juventude, e que descreve Maomé como um criminoso e um pedófilo. Sem confirmar a veracidade dos factos, um outro jornal, Jyllands-Posten, noticia que as recusas se deviam a supostas auto-censuras derivadas do medo que os desenhadores tinham de ofender os muçulmanos. Estes, de acordo com o editorial do jornal, terão de aprender que a liberdade de expressão implica “desafiar, blasfemar e humilhar” o Islão.

Segundo. Em Outubro, o primeiro ministro Anders Fogh Rasmussen recusa encontrar-se com 11 embaixadores árabes que queriam protestar e pedir sanções contra o Jyllands-Posten. Torgen Seidenfaden defende que foi o facto de a maioria parlamentar do governo depender do Partido do Povo Dinamarquês, de extrema direita, que ditou a recusa.

Eu deixo aos leitores a liberdade de entenderem o que quiserem. Parece redundante dizer isto, mas por detrás desta afirmação reside a necessidade de sermos responsáveis por aquilo que dizemos e a aceitação de que há quem pense que essa liberdade não deveria existir.

andré

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Coisas com sentido



Este sorriso...
o ver-te crescer a cada segundo, num espanto indizível de regozijo por cada coisa nova que fazes,saber que estás feliz quando começas a adormecer e transmites toda a inocência do mundo, preocupar-me com cada suspiro mais fundo, doer-me o coração por cada lágrima tua, mesmo que "seja por nada"...
este sorriso e tantos, tantos que tu me dás
fazem tudo parecer tão simples e belo
como tu, meu filho Rafael
Isabel Sofia

A LER COM ATENÇÃO

Liberdade Instrumental, por Eduardo Pitta.

evva

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Soneto














ESPLENDOR NA RELVA

Eu sei que Deanie Loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste

A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste

na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais

lhe será dado a ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais

Ruy Belo

O Bosque Sagrado
(colectânea de poemas sobre cinema)


evva

sábado, fevereiro 04, 2006

Boas surpresas de uma noite de insónia



















If I Should Fall From Grace With God: Dogville

Ou como o poder transforma e a generosidade é relativa. Dogville não obteve a graça, apesar dela ter ido bater à sua porta. Arrebatador.

evva

A Caricatura somos nós

Aceitar que sejam questionadas certas coisas não nos deve impedir de aceitar que haja quem não permita que tal aconteça.
Mas para isso temos de alterar a nossa ideia peregrina de que somos mais evoluídos para aceitarmos que somos apenas diferentes.
A polémica dos cartoons só existe porque quem se insurgiu nos mete medo. Se tal não acontecesse nem sequer pensávamos que, com a nossa liberdade de expressão, podíamos estar a oprimir alguém.
A publicação dos cartoons em jornais de referência é legítima e estou disposto a defender o direito de uma pessoa a fazê-lo. Mas é simultaneamente uma verdadeira estupidez pois é uma tentativa de demonstrar a superioridade de uma cultura. O mesmo que o Sr. Bush quer fazer com o Iraque e com o Médio Oriente em geral. Esta pode não ser a perspectiva de quem fez ou publicou os cartoons mas é uma perspectiva que cada vez mais tem de ser tida em conta.
O mundo em que vivemos aumentou no tamanho e na diversidade. Creio que precisamos de parar para pensar um pouco.

andré

PS: pode ser que agora se comece a entender um pouco melhor o 11 de Setembro.

PS2: alguém me pode explicar porque é que só agora estalou a polémica de uns cartoons publicados em Setembro?

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Os cartoons da polémica II















Women censorship. Todos as imagens aqui.

evva

Casamento II

Tudo o que gostaria de dizer sobre o assunto, foi escrito aqui pelo Eduardo Pitta. Quanto ao direito de adopção por casais homossexuais, que, ao contrário do casamento, tem sido apenas referido ao de leve, e correndo o risco de me repetir, nada tenho a acrescentar ao que escrevi no Alias: «Perdoem-me todos os que comigo discordam, mas considero a oposição à possibilidade de homossexuais adoptarem crianças um mero preconceito. Sou totalmente a favor. Casais homossexuais há que seriam melhores educadores que muitos casais 'tradicionais'. Por acaso as instituições responsáveis pela adopção questionam a orientação sexual dos futuros pais? E não há por aí tanto homossexual reprimido a ficcionar uma família tradicional e a projectar nos filhos as suas frustações? O que importa para uma criança é crescer rodeada de afecto sincero e respeito mútuo, numa família equilibrada. Quantos casais tradicionais aparentemente felizes e estáveis são, se aprofundarmos, disfuncionais? Acabe-se de vez com o preconceito de que um homossexual projecta a todo o momento a sua orientação sexual sobre os demais e haja coragem para um esforço legislativo que nos obrigue a todos a tirar a máscara do cinismo, do falso moralismo e do politicamente correcto».

Tenho dito.

evva

P.S.: Com pena minha, todo este alarido, e muito por culpa de quem nos governa, não me parece que vá mudar seja o que for.

P.S.2: E volto a repetir o termo 'preconceito' com toda a convicção.

Os cartoons da polémica
















O meu preferido.

evva

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Casamento

Há muita gente que sonha em casar, na partilha de um projecto de vida, na criação de uma família, de um lar, com ou sem filhos. Há muita gente que gostaria de juntar os trapos e viver em união. Pela igreja, pelo civil, com os amigos todos ou numa ilha quase deserta. Casar parece-me ser antes de mais um enorme desejo de partilha, com afecto ou sem ele.
Ainda hoje podemos assistir à prática secular dos casamentos por conveniência, e não falo apenas nas classes mais ricas. Há quem case para conseguir um visto de residência ou porque o outro é a melhor pessoa para garantir a subsistência dos filhos ou do nível de vida, ou porque simplesmente não quer ficar sozinho. Deve haver muitas razões para duas pessoas se casarem. Mas convenhamos, aquilo que quase todos desejamos e queremos é que a partilha do amor entre duas pessoas seja a principal conveniência de um casamento.
Desde há uns anitos (muito grandes) que o valor dominante na Europa e no mundo ocidental censura o casamento entre mais do que duas pessoa, pois isso seria institucionalizar a poligamia o que, de acordo com os nossos valores, é um comportamento incorrecto. Não creio que seja arriscado dizer que este valor provém em grande medida da moral judaico-cristã que domina muitos dos nossos comportamentos como também o entendimento que temos dos mesmos.
A moral judaico-cristã reprovou durante muito tempo o divórcio, contudo, com o passar dos tempos, essa moral deu lugar a uma outra, a do respeito pela vontade de cada um e pelo reconhecimento de que o amor, em alguns casos não dura para sempre (acho que muitos de nós ainda temos dificuldade em aceitar este facto), e de que, assim sendo, os laços não podem ser permanentes.
O casamento é um daqueles casos em que a moral e a escolha individual convivem muito bem, isto porque as decisões do casal não embatem com as escolhas da restante sociedade nem põem em causa valores essenciais como a vida ou a morte, a saúde ou a segurança. A responsabilidade é apenas dos dois.
O facto de nós entendermos isto e não nos pormos a pensar em ser polígamos ou seguir qualquer outra moral cultural é para mim uma prova de que a nossa sociedade entendeu as razões e os limites que estão por detrás da visão ocidental do casamento. Só faço esta nota para restringir o meu problema de análise e não por qualquer censura a outra moral cultural.
Perante isto, só entendo a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo devido às consequências sobre eventuais futuros filhos ou perante a evidência de que tal comportamento é manifestamente contrário à moral dominante.
Creio que a discussão sobre a adopção de filhos por casais do mesmo sexo está viciada à partida pois uma mulher lésbica pode ter filhos. Estamos aqui perante uma descriminação de sexo favorável à mulher, pois, que se saiba, até a data os homens não podem ter filhos, logo tem de adoptar. Ou seja, não podemos impedir que um casal de lésbicas tenha um filho/a mas não deixamos que um casal de homossexuais possa ter.
Mas deixemos a adopção de parte. E se os casais do mesmo sexo não quiserem ter filhos. Vamos descriminá-los face aos casais heterossexuais que não os têm? Porquê?
Qual é essa moral dominante, que eu não vejo em lado nenhum, que censura este tipo de casamentos?
É contra natura? E a agricultura, e a poluição, e a urbanização, e a ciência? São naturais de quem? Do ser humano? Pois com certeza. Como o é o casamento, pois até hoje, que se saiba, ninguém viu mais nenhum animal ou planta a casar.
Vai pôr em causa a sobrevivência da família? Lamento mas os factos têm vindo a demonstrar que o contrário, isto é, que a família consegue sobreviver às mutações sociais e, mesmo com divórcios, separações, e filhos de outros casamentos, o amor e o desejo de partilha são mais fortes e ultrapassam todas as barreiras.
Vai pôr em causa a sobrevivência da espécie? Como, se a população não para de aumentar? E a poluição também não está a pôr? E o armamento também não põe?
Por muito que eu pense, não vejo razão nenhuma para uma lei impedir o direito de escolha ao casamento a casais do mesmo sexo.
Ainda hoje penso que se um/a futuro/a filho/a meu/minha quisesse casar com alguém do mesmo sexo isso ir-me-ia perturbar um pouco, sobretudo porque isso punha em risco a possibilidade de eu vir a ter netos/as (egoísta…). Pois é, mas eu continuava a não ter nada a ver com isso. A decisão era deles/as.

andré

O sarilho em que estamos metidos

Este texto poderia chamar-se “a ironia do destino” mas, se assim o fosse, iria assumir que era a politica externa americana a única e principal responsável pelo estado das coisas, o que não me parece uma conclusão muito séria. A actual situação internacional que vivemos é um pouco mais complexa.

Anteontem sonhei que eu e a minha mãe estávamos a ver mísseis e caças a passar por cima da minha casa a caminho da guerra. A cena era calma embora a situação aparentemente não o fosse. Nesse mesmo dia tinha lido um texto de Niall Ferguson, um historiador de Harvard, sobre uma guerra mundial eminente.
O clima de incerteza que paira sobre as nossas cabeças exige, acho eu, um pouco de calma, e não propriamente uma visão incendiária sobre uma realidade difícil e com consequências muito imprevisíveis.
Convenhamos, hoje temos consciência de que não só um toque num botão pode iniciar a destruição do mundo como também estamos (eu, pelo menos, estou) convencido de que essa destruição não se iria resumir apenas às potencias dominantes pois, infelizmente (ou se calhar felizmente) há demasiada gente envolvida nesta salgalhada.

Vejamos então. Os americanos estão mesmo entalados com esta dupla frente de problemas, a eleição do Hamas para governar a Palestina e a insistência do Irão (agora mesmo confirmada no Jornal das 9 da Sic Notícias) em enriquecer Urânio.
Ambas as situações não só vão contra os interesses americanos como põem em causa uma das base de suporte da sua diplomacia, a luta pela democracia, talvez o argumento com maior amplitude de consenso e que simultaneamente melhor servia a protecção das suas acções.
A desordem deve-se quer ao unilateralismo americano quer à fraqueza da posição europeia no panorama internacional mas também se deve ao facto de a ordem mundial não ser já dominada por estes dois parceiros. Vejamos cada uma das situações.

A invasão do Irão não é uma opção quer pela má figura que os americanos fizeram no Iraque como pelo possível aumento da instabilidade na zona. Contudo a pressão sobre o Irão está a ser feita em conjunto pela UE, pelos EUA, pela Rússia e China, o que não aconteceu no Iraque e que parece provar que a ameaça é para ser levada a sério mas também que nem a Rússia nem a China estão interessados numa intervenção no Irão. Na realidade ninguém está interessado em abrir guerra com o Irão: a China porque precisa do petróleo iraniano, e o resto do mundo pela mesma razão. Com o aumento da procura do ouro negro é melhor pensar duas vezes antes de entrar em guerra com um dos seus produtores.
Por outro lado, a Rússia está mais organizada, quer no controlo do seu armamento mas sobretudo no controlo da sua economia e das instituições que a dominam e que o Kremlin tem vindo, pouco a pouco, a controlar.
Sobre a China não há muito mais a dizer. O seu crescimento económico está, por um lado, a tornar o mundo dependente das suas importações de matéria prima e, por outro, a inundá-lo com a sua produção de preços baratos. O peso da sua diplomacia estendeu-se a todo um conjunto de países onde compra sem fazer perguntas nem exigências democráticas.
Para ajudar à festa, a América Latina está a atravessar uma série de mudanças naquele que parece ser um caminho na direcção do aumento da sua independência politica face ao “amigo” americano. Como se não bastasse tudo isto, países como a Índia e o Brasil, com posicionamentos políticos distintos do ocidente começam gradualmente a aumentar o seu peso politico mundial.
Ora, creio que nada do que aqui se disse era verdadeiramente improvável, embora confesso que ainda me surpreende (e ainda bem) a crescente independência politica dos países da América latina. Ou seja, o mundo está finalmente a crescer ao nível politico, como que na direcção de uns Estados Unidos da Terra, onde todos se têm de entender e respeitar, o que só pode ser bom.

O facto de os EUA estarem na posição que estão hoje é que me preocupa pois demonstra uma insistente incompreensão e desrespeito pela história e seus ensinamentos, como se meia dúzia de mísseis e um punhado de dólares resolvessem todos os assuntos.
Desculpem se pareço suspeito, mas compreendo e aceito melhor o problema europeu, pois nem sempre existiu alinhamento entre os países europeus e, com o alargamento, abriram-se por ventura algumas feridas da segunda guerra, quando parte da Europa aceitou entregar aos russos a outra parte que agora quer acolher no seu seio. E, claro, há a Turquia. E aí a coisa complica-se ainda mais. Enfim… há que aceitar que as coisas não são faceis…

A minha revolta face aos Estados Unidos deve-se a eu ter dificuldade em aceitar o facto de que o pais que mais avançou na aplicação da democracia tenha tanta dificuldade em a pôr em prática fora das suas fronteiras. A incapacidade que as administrações americanas têm em aceitar as diferenças culturais é impressionante, tal como o é o facto de não terem entendido ainda que o poder só leva a um caminho, à destruição. Puxa, eu pensava que a trilogia do Senhor dos Anéis e os novos episódios da Guerra das Estrelas tinham esclarecido todas as dúvidas.

Desde há uns anos que vejo os EUA como um adolescente que se revoltou contra o pai. Pois ele passou a mandar no pai. E na família toda. Mas continua a ser adolescente.
Daí que compreendi (embora me custe muito dize-lo) a posição daqueles que ficaram do lado dos EUA na guerra do Iraque. Como compreendi os outros que estiveram contra, embora as atitudes da França tenham enfraquecido muito esta posição.
Que raio de imagem, um idoso a tentar convencer um adolescente…

Em conclusão, não creio que os americanos saiam deste sem ajuda, e isso vai-lhes custar muito. E aos europeus também porque vão de uma vez por todas ter de assumir um futuro sem a protecção dos EUA. Tal como acontecerá provavelmente com grande parte da sua população idosa, a Europa vai ter de começar a tentar ser autónoma. Difícil. Bem difícil. Autónoma, não independente. Creio que não países independentes hoje.

Uma última nota. Os europeus ocidentais não se vão safar desta atacando os países de leste e, em geral, os países em desenvolvimento e a sua mão de obra barata. Cada um tem direito de se safar e eles estão a fazer o melhor que sabem e podem.
Se calhar não fazia mal investirem um pouco do seu tempo a tentar perceber como é que se pode encontrar uma alternativa para este sistema capitalista e a sua produção inconsumivel que nos está a destruir os recursos naturais, a inundar de dívidas, e a agravar diferenças entre as pessoas.
Mas isso só vai acontecer quando os europeus perderem parte do seu conforto. Aí, juntamente com os americanos, talvez se lembrem o que história lhes ensinou: para estarmos em paz, é melhor ceder parte do que temos a um vizinho que não gostamos, e assim garantir a paz, do que tentar fazer com que ele faça sistematicamente aquilo que nós queremos, e ganhar uma guerra contra ele.

andré

terça-feira, janeiro 31, 2006

A propósito das coteries, literárias e outras

Ana Gomes a jurar a pés juntos que jamais insultaria Sampaio: «E muito menos me passaria pela cabeça insultar um Presidente que respeito, apesar de discordar de algumas das suas mais importantes decisões. Ainda por cima tratando-se de Jorge Sampaio, de quem o meu marido é muito amigo e foi Chefe da Casa Civil e de quem ainda sou amiga»

evva

A ler

Para que servem os professores?
Aqui.

evva

Pesadelo nocturno

O prédio onde moro, ao invés de muitos por aí, tem uma razoável impermeabilidade sonora. Pelo menos nunca ninguém se queixou do volume da música que se ouve aqui em casa, apesar de, sempre que me cruzo com vizinhos, inclinar-me em mil desculpas. Que não, não ouvem nada. Mas não há insonorização que resista ao chorrilho de palavrões com que a vizinha do 2º direito, do outro lado da parede, brinda o seu bébé de meses sempre que ele chora. Na próxima sexta-feira, há reunião de condomínio e tenho andado a ganhar coragem para dizer algo subtil sobre o assunto. Não vou ser capaz. Mas devia. Será crime público?

evva

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Assinatura paleográfica II







evva

Assinatura paleográfica I







evva

Novas da blogosfera

Vasco Pulido Valente. Aqui. Yes!

evva

Dor de cotovelo

Século XII. Fouques, prior da abadia de Deuil (mosteiro perto de Montmorency), consola Abelardo após a castração:
«Dotado de dons em excesso (...) julgavas-te superior a todos os outros, até aos sábios que antes de ti se haviam votado à obra do saber. (...) Tudo o que conseguias ganhar vendendo o teu saber, afundáva-lo num pélago, gastáva-lo a espalhar o amor.
(...) Falarei do carpir de todas as mulheres? Ao saberem a notícia, inundaram de lágrimas o rosto por causa do seu cavaleiro, de ti, que tinham perdido».

evva

domingo, janeiro 29, 2006

TEMPORA TEMPORE TEMPERA

[DICIONÁRIO POLÍTICO

Movimento de Cidadania - Grupo de pessoas que optaram pelo lado errado nas lutas internas de um partido político e que com esse erro de estratégia hipotecaram as possibilidades de por via daquele se verem compensadas com um emprego.

FMS]

N' O Quinto do Impérios

evva

Por que é que não neva aqui?...



E só branqueia por aqui...?

evva

Il n'est trésor que de vivre à son aise


Há 543 anos, em Janeiro de 1463, François Villon abandonava Paris. Tinha-lhe sido comutada em dez anos de exílio uma pena de morte por enforcamento (envolvera-se numa desordem de que saíra ferido um notário pontificial, depois de uma vida errante envolvida em rixas, roubos, bandos de malfeitores, vagabundagem). A partir dessa data, a história perde-lhe o rasto. ficam os versos (e oh que versos):

Ballade de bonne doctrine à ceux de mauvaise vie

"Car ou soies porteur de bulles,
Pipeur ou hasardeur de dés,
Tailleur de faux coins et te brûles
Comme ceux qui sont échaudés,
Traîtres parjurs, de foi vidés;
Soies larron, ravis ou pilles:
Où s'en va l'acquêt, que cuidez?
Tout aux tavernes et aux filles.

"Rime, raille, cymbale, luthes,
Comme fol feintif, éhontés;
Farce, brouille, joue des flûtes;
Fais, ès villes et ès cités,
Farces, jeux et moralités,
Gagne au berlan, au glic, aux quilles
Aussi bien va, or écoutez!
Tout aux tavernes et aux filles.

"De tels ordures te recules,
Laboure, fauche champs et prés,
Sers et panse chevaux et mules,
S'aucunement tu n'es lettrés;
Assez auras, se prends en grés.
Mais, se chanvre broyes ou tilles,
Ne tends ton labour qu'as ouvrés
Tout aux tavernes et aux filles?

"Chausses, pourpoints aiguilletés,
Robes, et toutes vos drapilles,
Ains que vous fassiez pis, portez
Tout aux tavernes et aux filles.

[BALADA DE BOA DOUTRINA AOS DE MÁ VIDA

"Pois portador sejas de bulas,
Vicies ou arrisques dados,
Moedas faças, fogo engulas
Como os que foram escaldados,
Tredos perjuros, desfiançados,
Sejas ladrão, roubes, persigas:
Vai onde o ganho, a que cuidades?
Tudo à taberna e às raparigas.

"Rima, ri, bate, tange, salta,
Finge esgares tontos depejados,
Mistura momos, toca flauta,
Pelas cidades, povoados,
Farsas e jogo, autos sagrados,
E ganha às cartas, já lobrigas
Que logo vai, ouvi meus brados!
Tudo à taberna e às raparigas.

"Dessa imundície atrás tu pulas?
Trabalha, ceifa campos, prados,
Serve cavalos, pensa mulas,
Nunca serás entre letrados.
Assaz vais ter, em teus agrados;
Mas se maceras só estrigas,
Vai, dos teus ganhos bem suados,
Tudo à taberna e às raparigas.

"Bragas, gibões bem pespontados,
Roupa e trapinhos que consigas,
Nunca pior, sejam levados:
Tudo à taberna e às raparigas.

Tradução De Vasvo Graça Moura, Os Testamentos de François Villon e algumas baladas, Campo das Letras, Porto, 1997]

evva

P.S. Nunca 2,5 euros foram tão bem gastos.

sábado, janeiro 28, 2006

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Novas do meu país

Com a serra da Lousã ao longe e com a certeza do Mondego já ali ao lado,o convite à dispersão é grande. Nos momentos raros em que o sorriso do meu filho Rafael não me absorve por completo, apetece divagar.
Tive há tempos o dissabor de ver Aníbal Cavaco Silva ser eleito presidente.Mas o dissabor maior foi ver as atitudes estapafúrdias da esquerda que caiu no rídiculo da falsa modéstia e até na falta de educação.
Fiquei triste ao ver Mário Soares a deixar-se decair entre afirmações vazias e criticazinhas sem interesse...
Mas houve algo que me alegrou: a certeza de que a esquerda plural em que acredito, existe! A candidatura de Alegre prova-o. E mostra também que há pessoas integras e com coragem para defender aquilo em que acreditam. Mesmo que ninguém pareça acreditar nelas. Pena é que haja tão poucos "Manueis" no nosso país. Mas que os vá havendo. Já é uma esperança que nos faz esquecer outras alarvidades como a demolição da casa de Garrett. Infelizmente o nosso Portugal continua coerente com aquele que ele tão brilhantemente pintou nas Viagens: pequeno.Só os edificios em bloco continuam a crescer e quase a tapar a beleza das margens do Mondego...
Isabel Sofia
Coimbra

A ler

João Pedro Georges em grande estilo no Esplanar sobre a querelle das cenas de sexo na literatura portuguesa, a partir da, já célebre, 'sopa de peixe' de José Rodrigues dos Santos.

ou

Podem os homens ter a certeza absoluta de que estão a dar prazer a uma mulher?

evva

«A esposa de um homem é o mais dócil instrumento da sua ruína»


Em "As Damas do Séc. XII" (Teorema, s/d, edição original: Gallimard 1995), Georges Duby questiona a autenticidade das cartas de Heloísa a Abelardo, controvérsia que já vem do início do séc. XIX. Mesmo duvidando da sua veracidade, quem ficará indiferente ao ler o que esta mulher, cujas qualidades intelectuais conseguiam «ó prodígio, 'superar quase todos os homens'» (Pedro, o Venerável, abade de Cluny dixit), escreveu ao seu mutilado vir (esposo) e amicus (amante)?
À carta em que Abelardo proclama “Como o Senhor é justo e misericordioso! A odiosa traição de teu tio me fez crescer na virtude, quando me privou desta parte do meu corpo, que era a sede de minha libertinagem e a fonte única dos meus desejos”, Heloísa protesta: “Mas em mim esses aguilhões da carne se excitam mais pelos ardores de uma juventude ávida de prazeres e pela experiência que tive das mais inebriantes volúpias”.
Já antes tinha esclarecido que não desejara o casamento (realizado contra a sua vontade), preferia manter-se, sublinha Duby, «puta, a fim de preservar a gratuitidade do amor entre eles»: “Não esperava nem casamento nem vantagens materiais, não pensava nem em meu prazer nem nas minhas vontades; buscava apenas, bem o sabes, satisfazer os teus desejos. O nome de esposa parece mais sagrado e mais forte, entretanto o de amiga sempre me pareceu mais doce. Teria apreciado, permiti-me dizê-lo, o de concubina ou de mulher de vida fácil, tanto me parecia que, humilhando-me ainda mais, aumentaria meus títulos a teu reconhecimento e menos prejudicaria a glória de teu gênio.” (Correspondência de Abelardo e Heloísa. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 95.)
Após o casamento e acabando por aceitar tomar o hábito, Heloísa dirige-se a Abelardo, submissa. «A ele cabe agora cumprir o seu dever de marido. Até então, abandonara-a [...] no Paracleto [mosteiro com vocação pedagógica fundado por Abelardo]. É que ele nunca pensou senão no prazer. Já não pode fruir dela, por isso já não quer saber. Ela, pelo contrário, continua prisioneira do amor, do amor verdadeiro, do corpo e do coração. Tem necessidade dele. No passado, foi ele que a iniciou nos jogos da libertinagem. Que a ajude agora a aproximar-se de Deus.»
Na carta seguinte, a revolta:
«Já não se contém, já não se coíbe de acusar Deus. Porque é que Deus os castigou, e depois do casamento que no entanto repusera a ordem? Porquê só Abelardo? Por causa dela? Pois é bem verdade que se diz 'que a esposa de um homem é o mais dócil instrumento da sua ruína'. Eis o que faz com que o casamento seja mau e que ela tivesse razão em recusar. Impõe-se penitência, mas não é por Deus, é em reparação do que Abelardo sofreu. Foi ele que foi castrado, não ela. A mulher não pode sê-lo. Nem desse modo se liberta das mordeduras do desejo.».
evva

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A PERGUNTA QUE SE IMPÕE


Conseguirá este homem dormir descansado?

evva

MAU PERDER

Secretário-geral do PS igual a si próprio. Já ninguém duvidava do seu mau feitio insuportável, mas aquele indivíduo que arrogantemente nos governa acabou de descer ao mais baixo nível da ética política ao iniciar o seu discurso quando Manuel Alegre ainda mal começara o seu e a obrigar as rádios e televisões a cortar a palavra ao segundo candidato mais votado nas presidenciais 2006. Se já tinha mostrado aquilo que é e vale ao fomentar uma campanha difamatória contra a classe docente para esvaziá-la de qualquer poder de contra-argumentação, e se bem que este tipo de atitude ainda possa ser compreensível no âmbito da 'real politic', o que fez nesta noite eleitoral é inclassificável.

evva

domingo, janeiro 15, 2006

OS DIAS DA RÁDIO

Nos últimos tempos, por questões de saúde (ou falta dela), a rádio tem sido a melhor companhia de horas e horas forçadas entre lençóis. Ontem, em mais uma edição de Mais Europa (todos os sábados às 13h, na Antena 1, cada vez mais indispensável), José Cutileiro realçava a entrada fulgurante de Angela Merkel na diplomacia internacional e a vontade de marcar a diferença dos anos Schroeder. Na próxima semana, Merkel estará em Moscovo e já foi adiantando que o seu propósito não é estabelecer com Putin qualquer relação de amizade. Avizinham-se novos tempos para a Europa?

evva

quarta-feira, janeiro 11, 2006