Dia da Mulher
Não é distribuindo gratuitamente cultura pelo povo que se formam gerações instruídas, com gosto pela arte e sensibilidade para os eventos culturais, já se sabe. É investindo na sua formação, fornecendos-lhe, com rigor, as ferramentas e os conteúdos indispensáveis para que saibam apreciar e criar. Nunca de forma lúdica, ou gratuita, mas insistindo sempre para que prestem provas exigentes, invistam em si próprios e no seu trabalho e apenas por esse esforço sejam recompensados. Só quem está fora do sistema educativo desconhece as enormes pressões a que são sujeitos os professores para transitar de ano os alunos que nada fazem para incrementar artificialmente as taxas de sucesso, e não falo apenas do ensino básico obrigatório.
E eis que somos chegados ao dia 8 de Março. Sem surpresas, a tal edilidade alentejana mandou distribuir pelas mulheres do concelho milhares e milhares de flores (bem tratadas com químicos de florista, não daquelas que pintam intensamente a planície alentejana por esta altura, as minhas preferidas), acompanhadas de um convite para mega-jantar no pavilhão gimnodesportivo. Claro que, na escola, logo se combinaram romagens ao banquete. Vinte minutos antes da hora marcada, saio de casa e dirijo-me ao recinto. A 200 metros de distância já se ouvia o cacarejar. Indescritível. Centenas de mulheres acumulavam-se ruidosamente nas ruas limítrofes do pavilhão, novas, velhas, casadas, viúvas, solteiras ou nem por isso, saltitavam, abraçavam-se, gritavam como nunca nos braços de maridos e amantes. Mal nos avistámos, as minhas amigas e eu entreolhámo-nos com a expressão 'Help! Tirem-nos daqui!' a empalidecer-nos o rosto e decidimos juntarmo-nos aos homens que jantavam em desagravo no ponto de encontro do costume. Foi um dos melhores jantares de 8 de Março que já tive, celebrado com homens, amigos e amigas do peito.
Mulheres! Deixem-se de lamúrias feministas e carpideiras esquizofrénicas. A melhor maneira de celebrar este dia, e todos os que nos sobejam, é junto deles, rindo com eles, gritando com eles e por eles. Tudo o resto, a tal igualdade e liberdade, virá por acréscimo, pelo nosso empenhamento único e incansável no amor, na verdade e na vida. Bem hajam.
evva










































