segunda-feira, maio 08, 2006

Por cá não se faz outra coisa...


... além de vasculhar manuscritos e passar horas a discutir o que é exactamente um 'salto do mesmo ao mesmo' e saber se foi o copista que saltou se a frase e onde se meteu Nascião e a sua espada timorense se estará com o livro do terramoto que levou a menina dos caracóis e o Ms. 116 será mais tardio que o 112 mas esse sarrabisco não é um 'r' mas um 'y' meio apagado e afinal Artur também filha a espada no Livro de Galaaz maldito aquele não este que nem para isso serve e a Foz num púrpura deslumbrante mas nada nada disto importa e continuamos ansiando a Hora

evva

Aos economistas e aos economicistas




The greatest problem with economics is its “wilful denial of the presence of power and political interests”. By positing an idealised world of perfect competition economic theory assumes away the factors that drove societies.

John Kenneth Galbraith

(retirado e adaptado da última edição da revista Economist, a propósito da morte deste economista americano)

andré

Há quanto tempo...


... não tenho um dia assim?

evva

BENFICA NO MERCADO

Aceitam-se apostas. Há quem profetize Jesualdo Ferreira ou suspire por Vítor Pontes, mas eu gostava muito de ver por lá este senhor. Era um favor que faziam ao país.

evva

Lição de grego II

MAR DA MANHÃ

Que eu me detenha aqui. E que também eu contemple um pouco a natureza.

De um mar da manhã e um céu sem nuvens
cores azuis brilhantes e margem amarela, tudo
belo grande iluminado.

Que eu me detenha aqui. E me iluda a ver isto
(sim, por instantes o vi, quando aqui parei)
e não aqui também meus devaneios,
recordações, imagens de volúpia.

Kavafis (1915), sempre ele.

É um dos mais belos poemas de Kavafis. Lembrei-me hoje dele ao folhear as fotos de mais um excelente site dedicado ao Porto. A tradução é muito livre, mas quando há tempos foi publicado no Abrupto despoletou uma das mais interessantes polémicas que até hoje foi dado observar na blogosfera. Aqui fica o original, para os puristas e os que amam a língua.
ΘΑΛΑΣΣΑ ΤΟΥ ΠΡΩΙΟΥ
Εδώ ας σταθώ. Κι ας δω κ’ εγώ την φύσι λίγο.
Θάλασσας του πρωιού κι ανέφελου ουρανού
λαμπρά μαβιά, και κίτρινη όχθη· όλα
ωραία και μεγάλα φωτισμένα.
Εδώ ας σταθώ. Κι ας γελασθώ πως βλέπω αυτά
(τα είδ’ αλήθεια μια στιγμή σαν πρωτοστάθηκα)·
κι όχι κ’ εδώ τες φαντασίες μου,
τες αναμνήσεις μου, τα ινδάλματα της ηδονής.
evva
P.S.: Um dia destes quero ouvi-lo na língua de origem, sim?

domingo, maio 07, 2006

THAT IS THE QUESTION

Dois e dois são quatro.
Nasci cresci
para me converter em retrato?
em fonema? em morfema?

Aceito
ou detono o poema?
Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 521.
evva

sábado, maio 06, 2006

GACELA DEL AMOR IMPREVISTO



Nadie comprendía el perfume
de la oscura magnolia de tu vientre.
Nadie sabía que martirizabas
un colibrí de amor entre los dientes.

Mil caballitos persas se dormían
en la plaza con luna de tu frente,
mientras que yo enlazaba cuatro noches
tu cintura, enemiga de la nieve.

Entre yeso y jazmines, tu mirada
era un pálido ramo de simientes.
Yo busqué, para darte, por mi pecho
las letras de marfil que dicen siempre.

Siempre, siempre: jardín de mi agonía,
tu cuerpo fugitivo para siempre,
la sangre de tus venas en mi boca,
tu boca ya sin luz para mi muerte.

Federico García Lorca, Antologia Poética, Relógio D'Água, 1993, p. 352
(Tenho uma edição mais antiga, e mais amada. Onde andará?)

[evva]

Poema para Franz Weissmann



Ao contrário
do escultor de antes
que
para dissipar a noite
(mítica)
que habita a matéria
imprimia à superfície
da massa
velocidades de luz,
Weissmann
escultor de hoje
abre
a matéria
e mostra que dentro dela
não há noite mas
espaço

puro espaço

modalidade transparente
de existência



Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 511.


[evva]

sexta-feira, maio 05, 2006

Lição de grego I

DOS HEBREUS (50 D.C.)

Pintor e poeta, corredor e discóbolo,
belo como Endymíon, Iántis Antoníu.
De família amiga da Sinagoga.

"Meus dias mais preciosos são aqueles
em que deixo a busca sensual,
em que abandono o belo e rígido helenismo,
com seu apego soberano
a membros brancos perfeitamente feitos e corruptíveis.
E torno-me aquele que desejaria
sempre permanecer; o filho dos Hebreus, dos sagrados Hebreus."

Mui calorosa sua declaração. "Permanecer
sempre dos Hebreus, dos sagrados Hebreus –"

Porém de modo algum permanecia tal.
O Hedonismo e a Arte de Alexandria
tinham-no por filho dedicado.

Kavafis, 1919

Também eu tento permanecer fiel, acreditem. Mas a Arte e o Hedonismo vencem sempre.

Em grego original é ainda mais bonito:

ΤΩΝ ΕΒΡΑΙΩΝ (50 μ.X.)

Ζωγράφος και ποιητής, δρομεύς και δισκοβόλος,
σαν Ενδυμίων έμορφος, ο Ιάνθης Aντωνίου.
Aπό οικογένειαν φίλην της Συναγωγής.

«Η τιμιότερές μου μέρες είν’ εκείνες
που την αισθητική αναζήτησιν αφίνω,
που εγκαταλείπω τον ωραίο και σκληρόν ελληνισμό,
με την κυρίαρχη προσήλωσι
σε τέλεια καμωμένα
και φθαρτά άσπρα μέλη. Και γένομαι αυτός που θα ήθελα
πάντα να μένω· των Εβραίων, των ιερών Εβραίων, ο υιός.»

Ένθερμη λίαν η δήλωσίς του. «Πάντα
να μένω των Εβραίων, των ιερών Εβραίων —»

Όμως δεν έμενε τοιούτος διόλου.
Ο Ηδονισμός κ’ η Τέχνη της Aλεξανδρείας
αφοσιωμένο τους παιδί τον είχαν.

ΚΑΒΑΦΗΣ, 1919

Tradução: R. M. Sulis, M. P. V. Jolkesky, A. T. Nicolacópulos

[evva]

Rússia

"Rússia, com a razão não te podem compreender,
Nem com medida comum te medir.
És um mundo à parte.
Só fé em ti podemos ter".

Esta quadra foi escrita pelo poeta russo do séc. XIX Fiodor Tiutchev. Hoje, não temos a verdade na mão, mas tentamos aproximar-nos dela.

(retirado do Blog da Rússia do jornalista José Milhazes)


andré

quarta-feira, maio 03, 2006

Addicted

Manhã de domingo a preguiçar entre lençóis:
ELA: Queriiidooo! Nunca mais chegam as férias... Queria tanto a ilha Formosa, o mar, a praia...
ELE: Querida... (Suspiros ensonados) Eu só quero o meu computador...

evva

terça-feira, maio 02, 2006

What animal were you in a past life?




You Were a Porcupine



You have created your own path in life, and you encourage others to do the same.

Even as life progresses, you always maintain a sense of wonder and innocence.




Eu sabia! Não se aproximem demasiado...

evva

O novo Profeta

Depois do gás natural e do petróleo,
Evo Morales anuncia mais nacionalizações

Conheço muito boa gente que adorava emigrar para o paraíso na terra que este senhor está a construir.
evva

E por falar em grandes amigos...


Parabéns, Isabel!


É uma honra partilhar contigo grandes e pequenas demandas.

evva

Bem-vindo, Edgar!


Já nasceu o cavaleiro desejado. Parabéns aos papás babados, dos melhores amigos do mundo. A Martinha ainda não tem pressa, mas já podemos começar a tratar dos esponsais.

evva

Por que é que Tom Waits não canta nos meus sonhos?

You can never hold back Spring
you can be sure that i will never
stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Every time
you can never hold back springs
even thought you've lost your way
the world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open your heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring can bring
You can never hold back spring

Tom Waits
[evva]

segunda-feira, maio 01, 2006

VIVA O BOB!


«Eu sou o Bob
Construtor!

Eu sou o Bob
TRABALHADOR

evva

ABAIXO O NODDY!


«Não há pachorra para o Noddy
Já ninguém o consegue aturar...»
(trautear ao som da música da série)

Já não há paciência para a histeria em torno deste boneco tresloucado, perito em entrar a assapar nos cruzamentos da Cidade dos Brinquedos e em destruir os jardins e as cercas das casas dos amigos sempre que pega no carro.

evva


P.S.: Pena é ser Enid Blyton a autora deste disparate, logo ela que foi uma das heroínas da minha infância.

Um dia para não feriar

TOCA A TRABALHAR, QUE É PARA ISSO QUE AQUI ESTAMOS!

evva

Agora levantas-te tu, agora levanto-me eu

(Foto via arquivos d' A Cidade Surpreendente)


Se há pormenor que absolutamente me irrita na Casa da Música são as 'cómodas' cadeiras da Sala Guilhermina Suggia. Há um ano que assisto a concertos naquele espaço e só hoje consegui acertar com a posição das malfadadas cadeiras, que seguramente custaram uma fortuna. Ora acontece que é humanamente impossível um espectador conseguir manter-se imóvel durante as quase duas horas que normalmente dura um concerto. Assistimos então ao hilariante espectáculo dos que se levantam ligeiramente (quando pretendem mudar a posição das pernas, ou apenas mover-se uns milímetros), seguram a cadeirinha com as mãos para que não fuja e voltam a sentar-se sustendo a respiração, rezando para que o confortável assento deslize para a posição correcta. O que nem sempre acontece e minutinhos depois a complexa manobra repete-se. Sinceramente, não consigo perceber como é que os Assistentes conseguem disfarçar o riso e ainda ninguém se lembrou de reparar o ridículo.

evva
P. S.: Onde será que armazenaram as cadeiras dos cinemas Lumière?