
segunda-feira, maio 22, 2006

Por que é que eu gosto de Frederico Lourenço
domingo, maio 21, 2006
No 557º aniversário da Batalha de Alfarrobeira
Pranto pelo infante D. Pedro das sete partidas
(poema escrito na noite de 17-12-1961, e interrompido pela notícia da entrada dos soldados indianos em Goa)
Nunca choraremos bastante nem com pranto
Assaz amargo e forte
Aquele que fundou glória e grandeza
E recebeu em paga insulto e morte
Pranto pelo dia de hoje
Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruido
Por troças, por insídias, por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)
evva
sábado, maio 20, 2006
A FRASE DA SEMANA
"É sempre o evangelista que cria o Cristo."
António Tabucchi em entrevista com Carlos Vaz Marques no dia 11/05/06 no programa Pessoal e Transmissível, disponível em Podcast.
andré
UM DOS MAIS BELOS ELOGIOS DO CINEMA

I might be the only person in the world that knows how wonderful you are, (…) how you always say what you mean and how whatever you say is always about being honest and straight. Everytime I look at the people that you serve at the table I wonder how they are unaware that they are facing the most beautiful woman alive.
And the fact that I can feel and tell you all this makes me feel good… about me.
ou então
"You make me want to be a better man"
andré

Não percam tempo a ver o filme. Um enorme bocejo de banalidades cinematográficas. Erros de casting. Salva-se Paul Bettany no papel Silas. E aquela música pavorosa aparentemente inspirada em Vangelis? Aterrador. Leiam o livro. Não, não leiam essa porcaria. Querem mesmo encontrar o Graal? Demandai por aqui:
Aquel dia que vos eu digo, direitamente quando queriam poer as mesas, esto era ora de noa, aveeo que ua donzela chegou i, mui fremosa e mui bem vestida. E entrou no paaço a pee como mandadeira. Ela começou a catar de ua parte e da outra, pelo paaço; e perguntavam-na que demandava.
– Eu demando – disse ela – por Dom Lancelot do Lago. É aqui ?
– Si, donzela – disse uu cavaleiro. Veede-lo: sta aaquela freesta, falando com Dom Galvam.
Ela foi logo pera el e salvô-o. Ele, tanto que a vio, recebeo-a mui bem e abraçou-a, ca aquela era ua das donzelas que moravam na Insoa da Lediça, que a filha Amida d'el-rei Peles amava mais que donzela da sua companha.
– Ai, donzela! – disse Lancelot –que ventura vos adusse aqui? Que bem sei que sem razom nom veestes vós.
– Senhor, verdade é; mais rogo-vos, se vos aprouguer, que vaades comigo aaquela foresta de Camaalot; e sabede que manhãa, ora de comer, seeredes aqui.
– Certas, donzela – disse el – muito me praz; ca teudo soom de vos fazer serviço em todalas cousas que eu poder.
Entam pedio suas armas. E quando el-rei vio que se fazia armar a tam gram coita, foi a el com a raia e disse-lhe:
– Como?! Leixar-nos queredes a atal festa, u cavaleiros de todo o mundo veem aa corte, e mui mais ainda por vos veerem ca por al – deles por vos veerem e deles por averem vossa companha?
– Senhor, – disse el – nom vou senam a esta foresta com esta donzela que me rogou; mais cras, ora de terça, seerei aqui.
Entom se saio Lancelot do Lago e sobio em seu cavalo, e a donzela em seu palafrem; e forom com a donzela dous cavaleiros e duas donzelas. E quando ela tornou a eles, disse-lhes:
– Sabede que adubei o por que viim: Dom Lancelot do Lago ira comnosco.
Entam se filharom andar e entrarom na foresta; e nom andarom muito per ela que chegarom a casa do ermitam que soía a falar com Galaz. E quando el vio Lancelot ir e a donzela, logo soube que ia pera fazer Galaaz cavaleiro, e leixou sua irmida por ir ao mosteiro das donas, ca nom queria que se fosse Galaaz ante que o el visse, ca bem sabia que, pois se el partia dali, que nom tornaria i, ca lhe convenria e, tanto que fosse cavaleiro, entrar aas venturas do reino de Logres. E por esto lhe semelhava que o avia perdudo e que o nom veeria a meude, e temia, ca avia em ele mui grande sabor, porque era santa cousa e santa creatura.
Quando eles cheguarom aa abadia, levarom Lancelot pera ua camara, e desarmarom-no. E veo a ele a abadessa com quatro donas, e adusse consigo Galaaz: tam fremosa cousa era, que maravilha era; e andava tam bem vestido, que nom podia milhor. E a abadessa chorava muito com prazer. Tanto que vio Lancelot, disse-lhe:
– Senhor, por Deos, fazede vós nosso novel cavaleiro, ca nom queriamos que seja cavaleiro por mão doutro; ca milhor cavaleiro ca vós nom no pode fazer cavaleiro; ca bem creemos que ainda seja tam bõo que vos acharedes ende bem, e que será vossa honra de o fazerdes; e se vos el ende nom rogasse, vo-lo deviades de fazer, ca bem sabedes que é vosso filho.
– Galaaz – disse Lancelot – queredes vós seer cavaleiro?
El respondeo baldosamente:
– Senhor, se prouvesse a vós, bem no queria seer, ca nom ha cousa no mundo que tanto deseje como honra de cavalaria, e seer da vossa mão, ca doutra nom no queria seer, que tanto vos ouço louvar e preçar de cavalaria, que nenhuu, a meu cuidar, nom podia seer covardo nem mao que vós fezessedes cavaleiro. E esto é ua das cousas do mundo que me dá maior esperança de seer homem bõo e bõo cavaleiro.
– Filho de Galaaz – disse Lançalot – stranhamente vos fez Deos fremosa creatura. Par Deos, se vós nom cuidades seer bõo homem ou bõo cavaleiro, assi Deos me conselhe, sobejo seria gram dapno e gram malaventura de nom seerdes bõo cavaleiro, ca sobejo sedes fremoso.
E ele disse:
– Se me Deos fez assi fremoso, dar-mi-á bondade, se lhe prouver; ca, em outra guisa, valeria pouco. E ele querrá que serei bõo e cousa que semelhe minha linhagem e aaqueles onde eu venho; e metuda ei minha sperança em Nosso Senhor. E por esto vos rogo que me façades cavaleiro.
E Lançalot respondeo:
– Filho, pois vos praz, eu vos farei cavaleiro. E Nosso Senhor, assi como a el aprouver e o poderá fazer, vos faça tam bõo cavaleiro como sodes fremoso.
E o irmitam respondeo a esto:
– Dom Lancelot, nom ajades dulda de Galaaz, ca eu vos digo que de bondade de cavalaria os milhores cavaleiros do mundo passará.
E Lançalot respondeo:
– Deos o faça assi como eu queria.
Entam começarom todos a chorar com prazer quantos no lugar stavam.
A Demanda do Santo Graal, fl. I.
evva
P.S.: Aos especialistas: o texto acima transcrito não foi revisto. Tenho de acordar daqui a poucas horas para um casamento que só terminará muito para além da meia-noite de Domingo. Vou dormir, então. Depois revejo.
D. Pedro (1392 - Alfarrobeira, 20 de Maio de 1449)
Claro em pensar, e claro no sentir, é claro no querer; indiferente ao que há em conseguir que seja só obter; dúplice dono, sem me dividir, de dever e de ser- não me podia a Sorte dar guarida por não ser eu dos seus. Assim vivi, assim morri, a vida, calmo sob mudos céus, fiel à palavra dada e à ideia tida. Tudo o mais é com Deus! |
O DESÍGNIO NACIONAL DO MOMENTO

É curioso ouvir no Expresso da Meia Noite da SIC Notícias (agora disponível em Podcast), e em muitos outros lugares, subvalorizar o peso do Futebol no recente fenómeno da adesão aos símbolos nacionais do hino e da bandeira. Como se o Desporto, neste caso o Futebol, fosse pouco relevante na explicação do fenómeno.
Desafio qualquer pessoa a tentar encontrar um acontecimento social capaz de mobilizar pessoas com tal profundidade como o Desporto. É certo que o Futebol consegue ser, mais do que qualquer outra modalidade, uma actividade de massas, mas a identificação com uma causa ou com os valores de uma instituição (o clube é a mais popular neste sector) é algo que encontramos, diria eu, em quase todas as modalidades desportivas.
O Desporto é hoje a forma mais intensa de ligação à nossa antiguidade, à caça, ao combate, à guerra, à violência. O Desporto é, em muitos aspectos, a sublimação da nossa animalidade.
E para além do mais, é hoje provavelmente o mais poderoso álibi para realização de actividade física. Depois de sairmos dos campos e do mar, depois de nos termos tornado eminentemente sedentários, o Desporto é, em muitos sentidos, a melhor forma de lidarmos com o nosso corpo, com o nosso físico, com uma parte importante da nossa essência.
Voltando ao Expresso da Meia Noite, eu estou como o jornalista da revista Sábado, em transe à espera do Campeonato do Mundo. Campeonato do Mundo. Futebol. Alemanha. Selecção Nacional. Cristiano Ronaldo. Ronaldinho Gaúcho. Beckham. Livre directo. Fora de jogo. Golo…
andré
sexta-feira, maio 19, 2006
Metonímia
quinta-feira, maio 18, 2006
SHIJIE (O Mundo). Recomendado.
Só lhe retirava aquele pseudo-diálogo final. De resto, é um murro no estômago de normalização numa sociedade globalizada. E de como sobreviver-lhe (?) desenraízada, procurando manter a inocência.
quarta-feira, maio 17, 2006
Momento ER
Top 20 Things You Don't Want To Hear During Surgery
1. Better save that. We'll need it for the autopsy.
2. "Accept this sacrifice, O Great Lord of Darkness"
3. Hand me that...uh...that uh...thingie.
4. Oh no! I just lost my Rolex.
5. Oops! Hey, has anyone ever survived 500ml of this stuff before?
6. There go the lights again...
7. "Ya know, there's big money in kidneys...and this guy's got two of 'em."
8. Everybody stand back! I lost my contact lens!
9. Could you stop that thing from beating, it's throwing my concentration off.
10. Sterile, schmerile. The floor's clean, right?
11. What do you mean he wasn't in for a sex change?
12. This patient has already had some kids, am I correct?
13. Nurse, did this patient sign the organ donation card?
14. What do you mean "You want a divorce!"
15. Fire! Fire! Everyone get out.
16. Damn! Page 47 of the manual is missing.
17. Oh, look everyone. It's lunch time.
18. The foot bone's connected to the... leg bone...
19. That's cool! Now can you make his leg twitch?!
20. Hey, if you pull on this it makes a funny noise.
evva
OS SILÊNCIOS
Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo
Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo
Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo
Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo
Maria Teresa Horta
Só de Amor, Quetzal Editores, 1999
Q
terça-feira, maio 16, 2006
ENCUENTRO
Tú... por lo que ya sabes.
¡Yo la he querido tanto!
Sigue esa veredita.
En las manos
tengo los agujeros
¿No ves cómo me estoy
desangrando?
No mires nunca atrás,
vete despacio
y reza como yo
a San Cayetano,
que ni tú ni yo estamos
en disposición
de encontrarnos.
Delírios
*Sem ofensa para os brasileiros, mas aquilo é um salve-se quem puder. E que tal proibirem os telemóveis nas prisões? Ou já o são e não há como controlar?
A ANÁLISE DAS ESCOLHAS

"É demais! Arre diabo!
E fartos de dar ao rabo lá vêm eles pró céu!"
(retirado do Coro dos Cornudos de Helder Pacheco)
Lamento muito mas já não há paciência pra tanta asneira. O povo diz que a ignorância é atrevida e é mesmo verdade.
Acabo de ver a análise à convocatória da selecção daquele que a SIC Notícias anuncia como o melhor comentador de futebol da telelevisão portuguesa, Rui Santos.
O homem diz de tudo: que a equipa mexicana é perigosa porque tem "uma mistura de futebol Europeu com Sul Americano" e que o Irão o é também porque "vai transportar a questão física para dentro de campo". Disse também que Costinha não tinha "ritmo de jogo" ao contrário dos seus colegas que chegavam ao final da época cheios com muitos jogos. Que pena não ter memória precisa para relatar o resto.
Eu percebo que os adeptos não entendam o seleccionador e se revoltem contra escolhas que não são as suas mas aos analistas exige-se algum rigor, coisa que não vigora no futebol.
É triste, muito triste, a forma como criticam as escolhas sem nunca terem treinado ou entendido as implicações do treino e da selecção de jogadores. Aliás, podíamos colocar neste lote de peritos o magnífico e sapiente Miguel Sousa Tavares, que para além de ser competente para comentar qualquer assunto, é particularmente apto e isento no caso do futebol.
Desculpem este lamento mas para alguém que estuda, ensina e vive o desporto diariamente, é muito desagradável assistir a tudo isto.
Mas o futebol é mesmo assim. Não é para se analisar com rigor mas sim com paixão. E quando assim é cada um diz o que quer, desde que acenda a chama do coração de alguém.
Enfim… é a vida.
andré
segunda-feira, maio 15, 2006
ESCOLHAS PREVISÍVEIS…
As escolhas do seleccionador para a equipa de todos nós foram o que alguns já esperavam embora não as que muitos queriam. Analisemo-las então.
Pouco havia a esperar acerca dos guarda-redes (Ricardo, Quim e Bruno Vale). A coerência face a decisões anteriores manteve-se. Colocar Vítor Baía a suplente seria uma grande indelicadeza.
Eu continuo na minha, por alturas do EURO 2004 era preferível ter Ricardo e o mesmo acontece agora. É verdade que, sobretudo na época passada, Vítor Baía esteve melhor, mas estas coisas não se fazem a curto prazo. Apesar de muito conservador, Scolari sempre preferiu olhar para a frente do que para os pés.
Sobre os centrais há pouco a dizer. Ricardo Costa surpreende menos do que outros. E convenhamos, a dupla será Ricardo Carvalho com Caneira ou Fernando Meira. Eu aposto nos dois primeiros.
No meio campo as coisas continuam como sempre estiveram. Maniche, Tiago, Costinha e Petit. Espero que em jogo esteja pelo menos um dos dois primeiros, caso contrário vamos parecer a Itália com o Catenáccio.
O mesmo se passa com os extremos. Scolari sempre optou por Figo, o capitão, Cristiano Ronaldo, um dos melhores da Europa na sua posição, e por Simão e Boa Morte para suplentes. O Boa Morte não tem feito grandes exibições mas poucas vezes joga.
Gostei do momento de humor do seleccionador ao dizer que Figo estava a correr tanto ou mais do que quando tinha 18 anos. Teve piada sim senhor.
Sobre Deco fica mal dizer alguma coisa. É para lá estar e pronto. Quanto a Hugo Viana, é uma questão de bom senso, pois sem Rui Costa não há muito mais para pensar.
Na frente o problema foi sempre o mesmo, a falta de opções, mesmo se de entre as que foram feitas – Pauleta, Nuno Gomes e Hélder Postiga – algumas estejam gastas.
Embora continue sem compreender inteiramente porquê, nunca tivemos muitos avançados-centro em condições. E continuamos na mesma.
Fossem outras as escolhas e não seriam as de Scolari. Eu cá preferia que a equipa jogasse com três centrais e dois avançados-centro mas o treinador brasileiro não. E convenhamos, é um sistema que demora mais tempo a consolidar e comporta mais riscos. Ora, para alguém que evita riscos a todo custo…
As escolhas de Scolari na selecção sempre foram como a sua contratação, conservadoras. Madaíl escolheu o treinador que menos riscos trazia à sua liderança e mais depressa o desresponsabilizaria de um insucesso.
Contudo sempre prefiro as razões de Scolari às de Madaíl. Questionado sobre o porquê das suas opções pode sempre dizer: “Fui campeão no mundial no Coreia-Japão”.
Ora, todos sabemos como correu esse mundial a Madaíl…
andré
PS: No meio disto tudo a decisão sobre Quaresma parece-me compreensível. Ele faz muito jeito aos sub21 que jogam um Europeu em casa e têm de mostrar trabalho. Nos seniores ele ia acabar muitas vezes no banco pois nem Cristiano Ronaldo nem Figo iam lá parar tão depressa.
A SELECÇÃO DE ALGUNS II
'QUE ME DESCULPE QUEM PUDER...
... mas eu que estive em Inglaterra no Euro 96, na Holanda no Euro 2000, que fiquei prostrado com a vergonha da Coreia 2002, que até me consegui animar durante o Euro 2004, pela primeira vez na minha vida não vou apoiar a selecção durante este Mundial. Não consigo.O intenso desprezo que sinto pelo burlão que está por cá a viver umas férias muito bem pagas, a par da cumplicidade da lamentável FPF que temos, o modo como o sujeito nos gozou a todos na sua prosa inicial, na conferência de imprensa que está a decorrer, ironizando com tudo aquilo que qualquer português, de qualquer clube, esperaria, não me deixam puxar por esta equipa. Que não é a "nossa" mas sim a dele. Com este grupo de "amigalhaços" que prescinde de Quaresma, Moutinho, João Tomás e Paulo Santos, entre tantos outros, a favor de jogadores suplentes ou que não jogam há 6 meses e outros que nunca tiveram qualidade (Boa Morte, Postiga), não pode haver terceira via: ou esse senhor ganha o campeonato ou terá de se ir embora. Espero que acompanhado pela múmia que preside à Federação.'
evva












