domingo, maio 28, 2006

Na Feira do Livro do Porto

DOMINGO, 28 (18h00)
AH, COMO SERÍAMOS TODOS MAIS FELIZES SE LÊSSEMOS OS CLÁSSICOS!
Frederico Lourenço / Carlos Ascenso André / Daniel Jonas / Manuel Gomes da Torre

SEGUNDA-FEIRA, 29 (21h30)
PORTOGAIA. A PONTE É UMA PASSAGEM?
Álvaro Domingues / Germano Silva / Manuel Jorge Marmelo / Mário Dorminski
Moderação: Luís Costa

TERÇA-FEIRA, 30 (21h30)
PORTUGAL ANGOLA. ESTE MAR QUE NOS UNE
Ana Paula Tavares / Francisco José Viegas / José Eduardo Agualusa / Manuel Jorge Marmelo

QUINTA-FEIRA, 1 de Junho (21h30)
FICÇÃO. NOVOS AUTORES NOVOS
Jorge Reis-Sá / Lourença Baldaque / Rui Vieira

SEXTA-FEIRA, 2 (18h30)
DIÁLOGO DE GERAÇÕES
Agustina Bessa-Luís / Inês Pedrosa

SÁBADO, 3 (17h30)
DIÁLOGO DE GERAÇÕES
Nuno Júdice / Fernando Pinto do Amaral

DOMINGO, 4 (17h30)
DIÁLOGO DE GERAÇÕES
José Saramago / Gonçalo M. Tavares
Moderação: Luísa Mellid-Franco

SEGUNDA-FEIRA, 5 (21h30)
QUANTO MAIS SURREAL MAIS VERDADEIRO
A. Pedro Ribeiro / Daniel Maia Pinto / João Gesta / João Habitualmente
Moderação: Adolfo Luxúria Canibal
Leitura de textos pelo actor Isaque Ferreira

QUARTA-FEIRA, 7 (21h30)
IMAGEM. PALAVRA. IMAGEM. Conversa à volta do cinema
Beatriz Pacheco Pereira / Mário Augusto
Moderação: António Reis

QUINTA-FEIRA, 8 (21h30)
DIÁLOGO DE GERAÇÕES
Fernando Dacosta / José Luís Peixoto

SEXTA-FEIRA, 9 (21h30)
CHE COS`É LA POESIA?
António Osório / João Luís Barreto Guimarães / Manuel António Pina / Pedro Mexia
Moderação: Luís Miguel Queirós

SÁBADO, 10 (18h30)
EM DESTAQUE: MÁRIO CLÁUDIO
Carlos Ascenso André / Maria João Reynaud / Miguel Veiga / valter hugo mãe
Leitura de textos pelo actor António Durães

Mas nem morta me apanham naquele pavilhão sufocante (prevêem-se trinta e tal graus à sombra das tílias) num fim de tarde de domingo*. Só de imaginar o mar de gente... Vou mas é abanar o leque para dentro de água. Gelada.

evva

*O Frederico desculpe, sim?

sábado, maio 27, 2006

E hoje vou torcer por


CABO VERDE

evva

THE DIVINE MILES


Se não tivesse partido, faria ontem 80 anos. E eu, sem saber da efeméride, lá o pus a tocar no computador para purificar o ambiente contaminado pelo disco sound de pacotilha que tocava do outro lado e para me animar da perda de trinta e tal páginas de notas de rodapé. Bem-hajas, Miles.

evva

Antes

Antes que sejas tarde
sem que tenhas sido cedo.
Antes que a noite guarde
o que nos era segredo.
Antes que venha o medo
do fogo que em nós arde.

Antes que escureça
e tudo fique incerto.
Antes que sejas deserto
e eu te esqueça.

Torquato da Luz, 2006 (no Ofício Diário)

evva

A minha bandeira é outra

Se há dois anos não aderi à piroseira das bandeirinhas nas janelas e na antena do carro também não vai ser desta que tal acontecerá. Até porque a minha bandeira é azul e branca.

evva

A BOA MÚSICA É...

"…aquilo que você sente muito mais do que sabe"

Hermeto Pascoal em entrevista com Carlos Vaz Marques na TSF.
Pessoal e Transmissível em Podcast.

andré

quarta-feira, maio 24, 2006

Espelho de Duas Faces

Connie Imboden, Untitled (1990)

Ajuda-me a esquecer as tuas faltas
e a ignorar os teus crimes
para melhor te amar.
Dá-me a febre em que te exaltas
e o que nos olhos exprimes
quando não sabes falar.

Espelho de duas faces, plana e curva:
és, e não és.
Imagem dupla, ora límpida, ora turva,
numa te afirmas, noutra te negas, em ambas te crês.

Queria sentir-te em outros sentidos.
Queria ver-te sem olhos e ouvir-te sem ouvidos.
E queria as tuas mãos numa aleluia fraterna.
Essas mãos que ainda ontem, de manhã, aturdidas,
com duas varas secas e folhas ressequidas
arrepiaram de luz as sombras da caverna.

Há muitos anos que sei este poema de cor sem conseguir recordar o seu autor. Jorge de Sena? José Gomes Ferreira? Talvez porque fossem os poetas que mais lia quando inúmeras vezes o li e reli até os versos fazerem parte da minha memória. Esqueci o autor tal como esqueci o motivo por que tantas vezes procurei decifrá-lo. Hoje, finalmente, fez-se luz. Quem diria? É de António Gedeão.

[evva]

Quiz Copas do Mundo

Eis um teste do Folha de S. Paulo (via A Origem das Espécies) para conferir os conhecimentos a nível de campeonatos do mundo de futebol. O meu score foi 10-12-17, fraquinho, fraquinho. Curiosamente, acertei nas mais difíceis. Boa sorte!
evva

Joseph Brodsky (24 de Maio de 1940 - 28 de Janeiro de 1996)*


May 24, 1980

I have braved, for want of wild beasts, steel cages,
carved my term and nickname on bunks and rafters,
lived by the sea, flashed aces in an oasis,
dined with the-devil-knows-whom, in tails, on truffles.
From the height of a glacier I beheld half a world, the earthly
width. Twice have drowned, thrice let knives rake my nitty-gritty.
Quit the country the bore and nursed me.
Those who forgot me would make a city.
I have waded the steppes that saw yelling Huns in saddles,
worn the clothes nowadays back in fashion in every quarter,
planted rye, tarred the roofs of pigsties and stables,
guzzled everything save dry water.
I've admitted the sentries' third eye into my wet and fou
ldreams. Munched the bread of exile; it's stale and warty.
Granted my lungs all sounds except the howl;
switched to a whisper. Now I am forty.
What should I say about my life? That it's long and abhors transparence.
Broken eggs make me grieve; the omelette, though, makes me vomit.
Yet until brown clay has been rammed down my larynx,
only gratitude will be gushing from it.

(tradução para inglês do próprio Brodsky)

evva

*Dedicado a quem pela primeira vez me falou em Serralves da obra deste poeta russo, a partir de um livrinho que trazia. Obrigada Lurdes.

Por que é que eu, que já passei a idade de Cristo, continuo a ter um pavor enorme de uma simples doação de sangue para análise?

evva

terça-feira, maio 23, 2006

A querela do peixe podre

A melhor ilustração do debate de ontem (via Smal Brother)

evva

segunda-feira, maio 22, 2006

ESTE HOMEM É UM COBARDE!


Porque traz à discussão um facto, a corrupção no jornalismo, que nunca ousa provar.
Porque discute o tema de uma forma vaga que o favorece.
Porque o faz à custa de um mediatismo que também o beneficia.
Porque critica o status-quo que o ajudou a subir e que agora o parece ter abandonado.

Mas sobretudo porque este é um dos mais brilhantes intelectuais do nosso país, que tinha a obrigação de impedir que esta discussão se tornasse numa óbvia vingança pessoal.

andré

Do que o Portugal de hoje precisava era de um Prior destes

Via Esplanar

Setença Proferida em 1487 no Processo contra o Prior de Trancoso:


«Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres».

«El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e demais papeis que formaram o processo».

evva

O sonho de todo o medievalista


Ser um dia uma capital ornamentada.

evva

Francisco José Viegas disserta no Origem das Espécies sobre o sururu levantado em torno da recusa de Umberto Eco em encontrar-se em Vinci, na Toscânia, com Dan Brown. FJV tem toda a razão, mas deixem-me reproduzir aqui as palavras do Santo Padre do medievalismo (autor, entre uma série infindável de opera magna incontornáveis, de uma das bíblias cá da estante, Arte e Beleza na Estética Medieval) ao La Repubblica:

«Nem morto. Irei a Vinci quando lá estiver um verdadeiro escritor».
[evva]

Por que é que eu gosto de Frederico Lourenço


«me marcou profundamente o fascínio pelo Condado Portucalense nos alvores da nacionalidade, o que me levaria mais tarde a sentir-me sempre mais em casa a norte do que a sul do rio Douro. Do Porto a Valença: o meu mundo de eleição.»
Frederico Lourenço, Amar não acaba, 2004, Cotovia, Lisboa, 3ª edição, p. 72.
Amar não acaba foi o último livro que li de um só fôlego, pela noite dentro até ao amanhecer, depois de o ter comprado na Feira do Livro do ano passado. Não pela declaração acima transcrita, é claro, mas por um irresistível fascínio pela escrita semi-autobiográfica do autor. Que surpresas trará a Feira deste ano? Será desta que colocarão on-line os 'Livros do Dia'?


Sobre Amar não acaba escreveu o Abrupto em Dezembro de 2004:

Leiam, leiam, leiam este livro estranho, memória autobiográfica da adolescência, escrita a vinte anos de distância – muito pouco. Um retrato de uma família portuguesa pouco portuguesa, que deixou construir à sua volta uma teia cultural vivida nas suas formas mais “pesadas”: a ópera, a música, as línguas, o comunitarismo panteísta de Lanza del Vasto. Este texto é uma surpresa: não sabia que alguém vivia assim entre nós. O relato de Frederico Lourenço é umas vezes franco, outras vezes bizarro, pela densidade cultural que parece sempre excessiva. Pode-se viver assim? Pode-se viver sempre dentro do texto dos outros? Pode-se viver sempre dentro dos gestos do bailado, das palavras dos lied, do universo total e absoluto de Wagner? Pode-se viver, amar, face a presenças tão intensas e tão inequívocas como as da grande arte? Pode-se viver no meio da beleza transmitida pelas obras de arte sem que estas preencham todo o espaço do sentimento? O que é que sobra? Pode-se ser feliz num universo tão povoado de sentido? Duvido, mas também este livro não é sobre a felicidade, mas sim sobre o deslumbramento.
evva

domingo, maio 21, 2006

No 557º aniversário da Batalha de Alfarrobeira

O Infante D. Pedro, Regente de Portugal
empunhando Désir na Batalha de Alfarrobeira


Pranto pelo infante D. Pedro das sete partidas

(poema escrito na noite de 17-12-1961, e interrompido pela notícia da entrada dos soldados indianos em Goa)

Nunca choraremos bastante nem com pranto
Assaz amargo e forte
Aquele que fundou glória e grandeza
E recebeu em paga insulto e morte


Pranto pelo dia de hoje

Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruido
Por troças, por insídias, por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

evva

sábado, maio 20, 2006

A FRASE DA SEMANA

"É sempre o evangelista que cria o Cristo."

António Tabucchi em entrevista com Carlos Vaz Marques no dia 11/05/06 no programa Pessoal e Transmissível, disponível em Podcast.

andré

Rafael


Mais logo, na Igreja de Santa Cruz, será baptizado o nosso Infante de Coimbra, futuro cavaleiro andante e acérrimo pelejador dos ultrajes ao Graal.

Que Deus proteja o seu caminho.

evva

UM DOS MAIS BELOS ELOGIOS DO CINEMA



I might be the only person in the world that knows how wonderful you are, (…) how you always say what you mean and how whatever you say is always about being honest and straight. Everytime I look at the people that you serve at the table I wonder how they are unaware that they are facing the most beautiful woman alive.
And the fact that I can feel and tell you all this makes me feel good… about me.

ou então

"You make me want to be a better man"


andré