quarta-feira, maio 17, 2006
terça-feira, maio 16, 2006
ENCUENTRO
Tú... por lo que ya sabes.
¡Yo la he querido tanto!
Sigue esa veredita.
En las manos
tengo los agujeros
¿No ves cómo me estoy
desangrando?
No mires nunca atrás,
vete despacio
y reza como yo
a San Cayetano,
que ni tú ni yo estamos
en disposición
de encontrarnos.
Delírios
*Sem ofensa para os brasileiros, mas aquilo é um salve-se quem puder. E que tal proibirem os telemóveis nas prisões? Ou já o são e não há como controlar?
A ANÁLISE DAS ESCOLHAS

"É demais! Arre diabo!
E fartos de dar ao rabo lá vêm eles pró céu!"
(retirado do Coro dos Cornudos de Helder Pacheco)
Lamento muito mas já não há paciência pra tanta asneira. O povo diz que a ignorância é atrevida e é mesmo verdade.
Acabo de ver a análise à convocatória da selecção daquele que a SIC Notícias anuncia como o melhor comentador de futebol da telelevisão portuguesa, Rui Santos.
O homem diz de tudo: que a equipa mexicana é perigosa porque tem "uma mistura de futebol Europeu com Sul Americano" e que o Irão o é também porque "vai transportar a questão física para dentro de campo". Disse também que Costinha não tinha "ritmo de jogo" ao contrário dos seus colegas que chegavam ao final da época cheios com muitos jogos. Que pena não ter memória precisa para relatar o resto.
Eu percebo que os adeptos não entendam o seleccionador e se revoltem contra escolhas que não são as suas mas aos analistas exige-se algum rigor, coisa que não vigora no futebol.
É triste, muito triste, a forma como criticam as escolhas sem nunca terem treinado ou entendido as implicações do treino e da selecção de jogadores. Aliás, podíamos colocar neste lote de peritos o magnífico e sapiente Miguel Sousa Tavares, que para além de ser competente para comentar qualquer assunto, é particularmente apto e isento no caso do futebol.
Desculpem este lamento mas para alguém que estuda, ensina e vive o desporto diariamente, é muito desagradável assistir a tudo isto.
Mas o futebol é mesmo assim. Não é para se analisar com rigor mas sim com paixão. E quando assim é cada um diz o que quer, desde que acenda a chama do coração de alguém.
Enfim… é a vida.
andré
segunda-feira, maio 15, 2006
ESCOLHAS PREVISÍVEIS…
As escolhas do seleccionador para a equipa de todos nós foram o que alguns já esperavam embora não as que muitos queriam. Analisemo-las então.
Pouco havia a esperar acerca dos guarda-redes (Ricardo, Quim e Bruno Vale). A coerência face a decisões anteriores manteve-se. Colocar Vítor Baía a suplente seria uma grande indelicadeza.
Eu continuo na minha, por alturas do EURO 2004 era preferível ter Ricardo e o mesmo acontece agora. É verdade que, sobretudo na época passada, Vítor Baía esteve melhor, mas estas coisas não se fazem a curto prazo. Apesar de muito conservador, Scolari sempre preferiu olhar para a frente do que para os pés.
Sobre os centrais há pouco a dizer. Ricardo Costa surpreende menos do que outros. E convenhamos, a dupla será Ricardo Carvalho com Caneira ou Fernando Meira. Eu aposto nos dois primeiros.
No meio campo as coisas continuam como sempre estiveram. Maniche, Tiago, Costinha e Petit. Espero que em jogo esteja pelo menos um dos dois primeiros, caso contrário vamos parecer a Itália com o Catenáccio.
O mesmo se passa com os extremos. Scolari sempre optou por Figo, o capitão, Cristiano Ronaldo, um dos melhores da Europa na sua posição, e por Simão e Boa Morte para suplentes. O Boa Morte não tem feito grandes exibições mas poucas vezes joga.
Gostei do momento de humor do seleccionador ao dizer que Figo estava a correr tanto ou mais do que quando tinha 18 anos. Teve piada sim senhor.
Sobre Deco fica mal dizer alguma coisa. É para lá estar e pronto. Quanto a Hugo Viana, é uma questão de bom senso, pois sem Rui Costa não há muito mais para pensar.
Na frente o problema foi sempre o mesmo, a falta de opções, mesmo se de entre as que foram feitas – Pauleta, Nuno Gomes e Hélder Postiga – algumas estejam gastas.
Embora continue sem compreender inteiramente porquê, nunca tivemos muitos avançados-centro em condições. E continuamos na mesma.
Fossem outras as escolhas e não seriam as de Scolari. Eu cá preferia que a equipa jogasse com três centrais e dois avançados-centro mas o treinador brasileiro não. E convenhamos, é um sistema que demora mais tempo a consolidar e comporta mais riscos. Ora, para alguém que evita riscos a todo custo…
As escolhas de Scolari na selecção sempre foram como a sua contratação, conservadoras. Madaíl escolheu o treinador que menos riscos trazia à sua liderança e mais depressa o desresponsabilizaria de um insucesso.
Contudo sempre prefiro as razões de Scolari às de Madaíl. Questionado sobre o porquê das suas opções pode sempre dizer: “Fui campeão no mundial no Coreia-Japão”.
Ora, todos sabemos como correu esse mundial a Madaíl…
andré
PS: No meio disto tudo a decisão sobre Quaresma parece-me compreensível. Ele faz muito jeito aos sub21 que jogam um Europeu em casa e têm de mostrar trabalho. Nos seniores ele ia acabar muitas vezes no banco pois nem Cristiano Ronaldo nem Figo iam lá parar tão depressa.
A SELECÇÃO DE ALGUNS II
'QUE ME DESCULPE QUEM PUDER...
... mas eu que estive em Inglaterra no Euro 96, na Holanda no Euro 2000, que fiquei prostrado com a vergonha da Coreia 2002, que até me consegui animar durante o Euro 2004, pela primeira vez na minha vida não vou apoiar a selecção durante este Mundial. Não consigo.O intenso desprezo que sinto pelo burlão que está por cá a viver umas férias muito bem pagas, a par da cumplicidade da lamentável FPF que temos, o modo como o sujeito nos gozou a todos na sua prosa inicial, na conferência de imprensa que está a decorrer, ironizando com tudo aquilo que qualquer português, de qualquer clube, esperaria, não me deixam puxar por esta equipa. Que não é a "nossa" mas sim a dele. Com este grupo de "amigalhaços" que prescinde de Quaresma, Moutinho, João Tomás e Paulo Santos, entre tantos outros, a favor de jogadores suplentes ou que não jogam há 6 meses e outros que nunca tiveram qualidade (Boa Morte, Postiga), não pode haver terceira via: ou esse senhor ganha o campeonato ou terá de se ir embora. Espero que acompanhado pela múmia que preside à Federação.'
evva
A SELECÇÃO DE ALGUNS

Decididamente, esta não é a minha selecção. Ainda bem que, lá para Junho, vou ter mais do que fazer do que ver Scolari e convocados a estatelar-se nas relvas germânicas. O pleno das televisões generalistas a abrir os seus noticiários das 20h com o discursozinho do presidente da FPF e as desculpas arrogantes e esfarrapadas do seu assalariado diz bem do país que temos. Quando se eleva um pormenor desportivo à novidade mais importante de um estado*, não há a menor dúvida, batemos no fundo. Muitas vezes, infelizmente.
Lista de convocados para o Mundial 2006:
- Guarda-redes: Ricardo (Sporting), Quim (Benfica) e Bruno Vale (Estrela da Amadora);
- Defesas: Miguel (Valência, Esp), Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho (Chelsea, Ing), Fernando Meira (Estugarda, Ale), Ricardo Costa (FC Porto), Caneira (Sporting) e Nuno Valente (Everton, Ing);
- Médios: Costinha (Dínamo de Moscovo, Rus), Petit (Benfica), Maniche (Chelsea, Ing), Tiago (Lyon, Fra), Deco (FC Barcelona, Esp) e Hugo Viana (Valência, Esp);
- Avançados: Figo (Inter de Milão, Ita), Cristiano Ronaldo (Manchester United, Ing), Boa Morte (Fulham, Ing), Simão e Nuno Gomes (Benfica), Pauleta (Paris Saint-Germain, Fra) e Hélder Postiga (Saint-Etienne, Fra).
evva
* A próxima grande novidade com direito a pleno na abertura de 'telejornais' será a contratação do treinador que se segue naquele clube que ficou em 3º lugar no Campeonato de Futebol 2005/2006. Querem apostar?
A FLECHA ENVENENADA (relato budista)
Foz do Douro, entardecer
domingo, maio 14, 2006
sexta-feira, maio 12, 2006
quinta-feira, maio 11, 2006
À espera

Ele dizia isto tão bem…
Separata Gratuita
Mário Henrique Leiria
O QUE ACONTECERIA
SE O ARCEBISPO DE BEJA
FOSSE AO PORTO
E DISSESSE QUE ERA NAPOLEÃO
Toda a gente acreditava que era. O presidente da Câmara nomeava-o Comendador. Iam buscar a coluna de Nelson, tiravam o Nelson e punham o arcebispo lá em cima. E davam-lhe vinho do Porto.
Então o arcebispo dizia:
- Sou a Josefa de Óbidos.
Ainda acreditavam que era, embora menos. O presidente da Câmara apertava-lhe a mão. Iam buscar o castelo de Óbidos, tiravam os óbidos e punham o arcebispo na Torre de Menagem. Além disso, davam-lhe trouxas d’ovos.
Nessa altura, convicto, o arcebispo de Beja afirmava:
- Sou o arcebispo de Beja.
Não acreditavam. Davam-lhe imediatamente uma carga de porrada. E punham-no no olho da rua. Nu.
Esta e outras peças ditas de forma suberba por Mário Viegas.
Todas agora disponíveis na colecção do Público.
andré
quarta-feira, maio 10, 2006
Chema Madoz (1996) Suave como el peligro atravesaste un día
con tu mano imposible la frágil medianoche
y tu mano valía mi vida, y muchas vidas
y tus labios casi mudos decían lo que era el pensamiento.
Pasé una noche a ti pegado como a un árbol de vida
porque eras suave como el peligro,
como el peligro de vivir de nuevo.
Last night together 1980
evva
Caríssima,
terça-feira, maio 09, 2006
EUROPA
Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda
nações com seu riso franco
abertas de par em par!
Europa sem misérias arrastando seus
andrajos, virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinza
sem que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
- cada um para si te querendo toda?
Europa, sonho futuro,
se algum dia há-de ser!
Europa que não soubeste
ouvir do fundo dos tempos
a voz na treva clamando
que tua grandeza não era
só do espírito seres pródiga
se do pão eras avara!
Tua grandeza a fizeram
os que nunca perguntaram
a raça por quem serviam.
Tua glória a ganharam
mãos que livre modelaram
teu corpo livre de algemas
num sonho sempre a alcançar!
Europa, ó mundo a criar
Europa, ó sonho por vir
enquanto à terra não desçam
as vozes que já moldaram
tua figura ideal!
Europa, sonho incriado,
até ao dia em que desça
teu espírito sobre as águas!
Europa sem misérias arrastando seus
andrajos, virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Renascerás, Fénix, das cinzas
do teu corpo dividido?
Europa, tu virás só quando entre nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara,
à mão não der alento o cavo som de enterro
dos cofres dirigindo o sangue do rebanho
- e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!
Adolfo Casais Monteiro
Poesias Completas, INCM, Lisboa, 1993 (publicado pela primeira vez em 1946)
The Go-Between

Grant Mclennan (1958-2006)
evva
segunda-feira, maio 08, 2006
Por cá não se faz outra coisa...
evva
Aos economistas e aos economicistas

The greatest problem with economics is its “wilful denial of the presence of power and political interests”. By positing an idealised world of perfect competition economic theory assumes away the factors that drove societies.
John Kenneth Galbraith
(retirado e adaptado da última edição da revista Economist, a propósito da morte deste economista americano)
andré
BENFICA NO MERCADO

Lição de grego II
MAR DA MANHÃ
Que eu me detenha aqui. E que também eu contemple um pouco a natureza.
De um mar da manhã e um céu sem nuvens
cores azuis brilhantes e margem amarela, tudo
belo grande iluminado.
(sim, por instantes o vi, quando aqui parei)
e não aqui também meus devaneios,
recordações, imagens de volúpia.
Kavafis (1915), sempre ele.
domingo, maio 07, 2006
THAT IS THE QUESTION
Dois e dois são quatro.
Nasci cresci
para me converter em retrato?
em fonema? em morfema?
ou detono o poema? Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 521. evva
sábado, maio 06, 2006
GACELA DEL AMOR IMPREVISTO
Nadie comprendía el perfume
de la oscura magnolia de tu vientre.
Nadie sabía que martirizabas
un colibrí de amor entre los dientes.
Mil caballitos persas se dormían
en la plaza con luna de tu frente,
mientras que yo enlazaba cuatro noches
tu cintura, enemiga de la nieve.
Entre yeso y jazmines, tu mirada
era un pálido ramo de simientes.
Yo busqué, para darte, por mi pecho
las letras de marfil que dicen siempre.
Siempre, siempre: jardín de mi agonía,
tu cuerpo fugitivo para siempre,
la sangre de tus venas en mi boca,
tu boca ya sin luz para mi muerte.
Federico García Lorca, Antologia Poética, Relógio D'Água, 1993, p. 352
Poema para Franz Weissmann
Ao contrário
do escultor de antes
que
para dissipar a noite
(mítica)
que habita a matéria
imprimia à superfície
da massa
velocidades de luz,
Weissmann
escultor de hoje
abre
a matéria
e mostra que dentro dela
não há noite mas
espaço
puro espaço
modalidade transparente
de existência
Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 511.
[evva]
sexta-feira, maio 05, 2006
Lição de grego I
DOS HEBREUS (50 D.C.)
Pintor e poeta, corredor e discóbolo,
belo como Endymíon, Iántis Antoníu.
De família amiga da Sinagoga.
"Meus dias mais preciosos são aqueles
em que deixo a busca sensual,
em que abandono o belo e rígido helenismo,
com seu apego soberano
a membros brancos perfeitamente feitos e corruptíveis.
E torno-me aquele que desejaria
sempre permanecer; o filho dos Hebreus, dos sagrados Hebreus."
Mui calorosa sua declaração. "Permanecer
sempre dos Hebreus, dos sagrados Hebreus –"
Porém de modo algum permanecia tal.
O Hedonismo e a Arte de Alexandria
tinham-no por filho dedicado.
Kavafis, 1919
Em grego original é ainda mais bonito:
ΤΩΝ ΕΒΡΑΙΩΝ (50 μ.X.)
Ζωγράφος και ποιητής, δρομεύς και δισκοβόλος,
σαν Ενδυμίων έμορφος, ο Ιάνθης Aντωνίου.
Aπό οικογένειαν φίλην της Συναγωγής.
«Η τιμιότερές μου μέρες είν’ εκείνες
που την αισθητική αναζήτησιν αφίνω,
που εγκαταλείπω τον ωραίο και σκληρόν ελληνισμό,
με την κυρίαρχη προσήλωσι
σε τέλεια καμωμένα
και φθαρτά άσπρα μέλη. Και γένομαι αυτός που θα ήθελα
πάντα να μένω· των Εβραίων, των ιερών Εβραίων, ο υιός.»
Ένθερμη λίαν η δήλωσίς του. «Πάντα
να μένω των Εβραίων, των ιερών Εβραίων —»
Όμως δεν έμενε τοιούτος διόλου.
Ο Ηδονισμός κ’ η Τέχνη της Aλεξανδρείας
αφοσιωμένο τους παιδί τον είχαν.
ΚΑΒΑΦΗΣ, 1919
Tradução: R. M. Sulis, M. P. V. Jolkesky, A. T. Nicolacópulos
[evva]
Rússia
"Rússia, com a razão não te podem compreender,
Nem com medida comum te medir.
És um mundo à parte.
Só fé em ti podemos ter".
Esta quadra foi escrita pelo poeta russo do séc. XIX Fiodor Tiutchev. Hoje, não temos a verdade na mão, mas tentamos aproximar-nos dela.
(retirado do Blog da Rússia do jornalista José Milhazes)
andré
quarta-feira, maio 03, 2006
Addicted
Manhã de domingo a preguiçar entre lençóis:
ELA: Queriiidooo! Nunca mais chegam as férias... Queria tanto a ilha Formosa, o mar, a praia...
ELE: Querida... (Suspiros ensonados) Eu só quero o meu computador...
evva
terça-feira, maio 02, 2006
What animal were you in a past life?
You Were a Porcupine |
![]() You have created your own path in life, and you encourage others to do the same. Even as life progresses, you always maintain a sense of wonder and innocence. |
Eu sabia! Não se aproximem demasiado...
evva
O novo Profeta
Conheço muito boa gente que adorava emigrar para o paraíso na terra que este senhor está a construir.
E por falar em grandes amigos...
Parabéns, Isabel!
É uma honra partilhar contigo grandes e pequenas demandas.
evva
Por que é que Tom Waits não canta nos meus sonhos?
segunda-feira, maio 01, 2006
ABAIXO O NODDY!

P.S.: Pena é ser Enid Blyton a autora deste disparate, logo ela que foi uma das heroínas da minha infância.
Agora levantas-te tu, agora levanto-me eu
(Foto via arquivos d' A Cidade Surpreendente)Se há pormenor que absolutamente me irrita na Casa da Música são as 'cómodas' cadeiras da Sala Guilhermina Suggia. Há um ano que assisto a concertos naquele espaço e só hoje consegui acertar com a posição das malfadadas cadeiras, que seguramente custaram uma fortuna. Ora acontece que é humanamente impossível um espectador conseguir manter-se imóvel durante as quase duas horas que normalmente dura um concerto. Assistimos então ao hilariante espectáculo dos que se levantam ligeiramente (quando pretendem mudar a posição das pernas, ou apenas mover-se uns milímetros), seguram a cadeirinha com as mãos para que não fuja e voltam a sentar-se sustendo a respiração, rezando para que o confortável assento deslize para a posição correcta. O que nem sempre acontece e minutinhos depois a complexa manobra repete-se. Sinceramente, não consigo perceber como é que os Assistentes conseguem disfarçar o riso e ainda ninguém se lembrou de reparar o ridículo.
«Prepara-te, que nunca mais vais esquecer este concerto»

No final, com gestos de rara humildade, Ibrahim agradeceu as palmas e a plateia em pé, rendida, como se não merecesse tamanha consideração e estima. Nós é que não te merecemos, Abdullah. E continuo à espera daquela nota.
evva
domingo, abril 30, 2006
The south african piano of Abdullah Ibrahim
DEFINIÇÃO DA MOÇA
Como defini-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?
Como defini-la
quando está desnuda
se ela é viagem
como toda nuvem?
Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do quando nua?
como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?
Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 496.
[evva]
Adenda: Oops, esqueci de agradecer a quem me deu a conhecer pela primeira vez o poeta excepcional que é Ferreira Gullar. Sorry, Dulce, não sei se vou conseguir devolver-te o livro...
sábado, abril 29, 2006
Do 25 de Abril
Ainda a propósito do 25 de Abril (é como o Natal, há datas que se comemoram sempre que o homem quiser...), vejam o que se passou no programa da manhã liderado pelo Sr. Manuel Luís Goucha neste 25 de Abril.
Sucedeu que as duas convidadas do dia (pertinentíssimas para a data!), Lili Caneças e Cinha Jardim, partilharam as suas ilustres opiniões sobre o dia da Liberdade. E já estou como o outro, todos gostam de dar as suas «opiniães», pois não pagam imposto nem exigem sabedoria de quem as profere. O caso que me ocorre, todavia, comentar, é a questão das palmas do estimado público convidado pelo programa: Lili Caneças dizia que se hoje ainda há pobreza em Portugal, antes do 25 de Abril o povo realmente passava sérias dificuldades e muitas misérias que obrigaram a uma emigração massiva, e que hoje há a liberdade para expor estas questões, coisa que não era permitida durante a ditadura. Ó tempora! Ó mores! De facto, os aliados podem por vezes encontrar-se junto das pessoas mais insuspeitas! Qual a reacção do público do programa? Nem uma única palma! Comentário da tia Cinha: o 25 de Abil foi responsável pela descolonização, pela miséria de muitos retornados (que aí exploravam os autóctones e as riquezas naturais..., comentário meu), pela morte de sua mãe(certamente de desgosto, pois as únicas mortes desta revolução poética foram causadas pelos PIDES, comentário meu), etc, etc. Reacção do público: estrondosas palmas!
Ah! Que não se diga não haver por aí muitos saudosos do antigamente, e não apenas entre aqueles que realmente saíram economicamente prejudicados pela mudança para a democracia! Entre a gente ignorante e pobre também se encontram muitos nostálgicos do 24 de Abril, permanecendo na ignorância em que o Salazarismo os quis (e parece ter conseguido) manter. Citarei a Bíbila, «Senhor, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!», ou Sophia, «Senhor, perdoai-lhes, porque sabem o que fazem?»
Cristina Costa Vieira
Vermelho é meu sangue e meu coração...
Não tenho sangue azul. Aliás, ninguém tem sangue azul...
Desde que há 33 anos a minha mãe ME DEU À LUZ,
todo o sangue que percorre meu corpo é vermelho.
E o sangue é que me faz viver, e a vida é que me faz sonhar,
e o sonho é que me faz crer que...
PARA O ANO A ÁGUIA HÁ-DE SER A RAINHA DOS CÉUS,
AFUGENTAR OS LEÕES NA TERRA,
E BICAR DOLOROSAMENTE OS DRAGÕES.
ESPEREM LÁ...
ESSE ANIMAL NEM SEQUER EXISTE
Com fair-play
(Este ano mereceram!)
HENRIQUE
terça-feira, abril 25, 2006
25/04/74
O 25 de Abril pode ser apenas uma data, tal como qualquer outra que se considera importante. Pode ser um motivo de amuo ou de frustração para muitos que gostariam que o futuro tivesse sido outro.
Infelizmente não é razão suficiente para o povo português vir para as ruas celebrar, tal como faz a propósito da vitória do seu clube na primeira liga.
Mas também digam-me lá, de entre as mais importantes para a memória histórica do país, quais as celebrações que o povo reconhece como suas?
Felizmente há uns quantos que sorriem pelo facto de poderem estar a escrever e a falar livremente, e pelo facto de haver ainda pessoas que ainda não entenderam por completo o facto de que a sua frustração não advém do que se passou a seguir mas sim do facto não saberem exactamente o que esse futuro lhes vai trazer. O drama da insegurança e do medo, tão bem retratado naquele desenho animado do filme “Bowling for Columbine” de Michael Moore.
Obrigado Isabel, obrigado Filipe.
Felizmente vamos poder continuar a sorrir. Sorrateiramente. Para não ofender.
andré
Desculpem, mas não resisto a citar...
«Trincheiras
A hostilidade vem sempre do lado onde o sentido de humor escasseia.»
25 de Abril de 1974
Sem recorrer a opiniões mais ou menos credíveis de mais ou menos sumidades (sumidas ou a sumir-se...) para mim, mesmo correndo o risco de cair no cliché, hoje comemora-se a liberdade. A liberdade que se conquistou pelas mãos de homens e mulheres que estavam cansados de não poder falar, de não poder fazerloucuras, mais ou menos sérias, de não poder exigir salários justos, de não poder, se lhes apetecesse, sair do país. Homens e mulhers cansados de serem perseguidos só porque o vinho e o pão não lhes era suficiente. Porque acreditavam e criam em algo melhor. Melhor do que a bacoquice dos três Fs! Porque não acreditavam em padrões!
O que se fez ou faz hoje dessa liberdade é discutível. E ainda bem! Foi isso o 25 de Abril!!!! O tornar possível posts como o anterior e os comentários que lhe estão adjacentes.
Para mim, que não o vivi, mas que o sinto e respeito como um dia pleno de significado, o 25 de Abril é sinónimo de sonho, de construção. Claro que todos os sonhos e construções são imperfeitos... Mas ser sonho é sinónimo de pensamento, coisa que antes desta data não deveria passar disso mesmo: de pensamento escondido.
Claro que a seguir houve perseguições. O ser humano é mesquinho... anseia, pela sua natureza primária, vingança. Mas por mais cruel e injustificada que a violência da esquerda fosse, o que se chama à bacoquice (sim, repito o termo de propósito) pseudotirana do regime?
E quanto a brilhantes gestores, economistas e outras coisas acabadas ou não em istas, creio que ainda hoje se podem encontrar uns quantos... talvez menos escol, mas mais gente. Gente que quis falar, sonhar, bem ou mal não importa, mas que se recusou a ficar entorpecida
Por isso, hoje, colho um cravo vermelho e com muito, muito, muito orgulho escuto a grândola de lágrima no olho pelo profundo respeito que esta data me inspira. Porque me permite isso: sair à rua, com um cravo vermelho. Porque sou livre para o fazer.
25 de Abril, sempre!
Isabel Sofia
O que hoje se comemora
Subscrevo, mas não na íntegra (daí não linkar, mas apenas apresentar um excerto), este post de Karloos, no Small Brother:
Faz hoje trinta e dois anos que um grupo de soldados decidiu que não queria ir para uma guerra imbecil, e que a única forma de o evitar era acabar com um regime. O regime estava podre e sentia-se que ao primeiro abanão cairia. O regime caiu naquilo que se convencionou chamar a revolução da liberdade. Muitos pensaram que seria, efectivamente, a revolução da liberdade e da democracia, mas cedo se concluiu que aqueles que tomaram a revolução para si pouco sabiam de liberdade e não gostavam de democracia. A liberdade surgiu, sim, mas só para alguns.
evva
Play it again, Sam
evva
Comoção
domingo, abril 23, 2006
Questões de geografia
evva
O Livro
(O Livro e o Beijo; Dante e Virgílio no Inferno observando os dois amantes assolados pelo vento infernal)Na Comédia, Francesca narra o esforço de ambos para resistir ao pecado. A tudo resistiram, de facto, excepto à sedução despertada pela leitura:
Nessun maggior dolore
che ricordarsi del tempo felice
ne la miseria; e ciò sa 'l tuo dottore.
Ma s'a conoscer la prima radice
del nostro amor tu hai cotanto affetto,
dirò come colui che piange e dice.
Noi leggiavamo un giorno per diletto
di Lancialotto come amor lo strinse;
soli eravamo e sanza alcun sospetto.
Per più fiate li occhi ci sospinse
quella lettura, e scolorocci il viso;
ma solo un punto fu quel che ci vinse.
Quando leggemmo il disiato riso
esser basciato da cotanto amante,
questi, che mai da me non fia diviso,
la bocca mi basciò tutto tremante.
Galeotto fu 'l libro e chi lo scrisse:
quel giorno più non vi leggemmo avante.
[evva]
P.S.: Não tive oportunidade (nem tempo) de procurar o excerto que Paolo e Francesca liam. Fica para mais tarde.
Uma paixão
Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem
antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
Al Berto
[evva]
AMADEO MODIGLIANI & JEANNE HÉBUTERNE
amadeo:certo dia, quando pintava o retrato de soutine e a mão deixara de me seguir, soutine disse-me:
- bebes para te matares.
e eu perguntei-lhe:
- e tu, soutine, o que te levou à tentativa de te enforcares?
saímos, depois, em silêncio para a rua. vimos o sena latejar sob as pontes e engolir as estrelas da imensa noite de paris.
jeanne:
soutine tinha razão. os anos passaram, não muitos, e amadeo tentara arranjar coragem para deixar de beber. foi inútil, e às vezes era violento - apesar de saber que eu nunca o abandonaria.
amadeo:
jeanne pressentiu que eu não precisaria de muito tempo para realizar a minha obra. sempre vivi como um meteoro.
soutine:
a 25 de janeiro de 1920, jeanne soube da morte de amadeo. refugiou-se num quarto em casa dos pais, num quinto andar. abriu a janela e saltou para junto dele.
Al Berto
["Olhar esvaziado como uma lâmina de vidro, não é de cegueira que se trata, mas da representação abstracta de um olhar introspectivo que se vira para o interior", disse a historiadora Helena de Freitas de um outro “Retrato de Jeanne Hébuterne”, mas que se aplica quase exemplarmente a todos os retratos que Amedeo Modigliani pintou da sua última musa.
Essa tensão "quase hipnótica" passa "intensamente" pelo olhos - "neste olhar esvaziado como uma lâmina de vidro, não é de cegueira que se trata, mas da representação abstracta de um olhar introspectivo e dominado, que se vira para o interior". Escreveu o pintor: 'A beleza tem seus direitos dolorosos: cria, porém, os mais belos esforços da alma'.
evva]
sábado, abril 22, 2006
Pura poesia
Oh meu Porto onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal
Oh campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto
Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós
Oh campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto

evva
sexta-feira, abril 21, 2006
quinta-feira, abril 20, 2006
A Morte convida...

Filme de diálogos extraordinários e fotografia de uma beleza perturbadora, difícil de igualar, O Sétimo Selo (1956, Ingmar Bergman) passa hoje pelas 19,30 no Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no âmbito do ciclo A Idade Média no Cinema.
A projecção será seguida de um debate dinamizado pelos Professores José Carlos Miranda (Literatura Medieval) e Serge Abramovici (Literatura Francesa). Imprescindível a qualquer cinéfilo que se preze, este jogo de xadrez inquietante e magnífico.
quarta-feira, abril 19, 2006
Calla lily, Zantedeschia aethiopica

O que pensamos ser a flor, não são mais do que folhas transformadas em cálice, que contêm no seu interior milhares de verdadeiras flores.
evva
terça-feira, abril 18, 2006
Segredo

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Maria Teresa Horta
Minha Senhora de Mim, Gótica, 2001 (5ª edição)
[evva]
domingo, abril 16, 2006
Marcelo's new girl
Aleluia!
Arranjaram uma nova partenaire para o programa "As escolhas de Marcelo". Como não sou espectador regular (na verdade quase nunca o vejo) não sei se a Maria Flor Pedroso já lá está há muito ou não.
Mas está bem.
Sempre me pareceu que o programa era um sofrimento quer para a Ana Sousa Dias, que parecia estar a fazer o frete, quer para o Marcelo Rebelo de Sousa, que me parecia entediado pelo frete da senhora.
Deixem a Ana Sousa Dias com as entrevistas que ela faz tão bem na 2:, e deixem o "Acelerador de Particulas" com quem gosta ou parece gostar de o aturar. Para além do mais, a Maria Flor Pedroso (cuja competência aprecio) é, ao contrário da sua colega, uma jornalista da política e sabe manter aquela pose de confronto controlado típico deste tipo de jornalistas.
Vai, vai Ana que estás perdoada.
andré
Splendor in the grass
Não me interessa se Elia Kazan foi ou não um delator, para mim há-de ser sempre um dos melhores realizadores do século XX. Basta olhar a sua filmografia e as obras-primas com que a 2: nos tem brindado aos sábados a horas tardias. Já rever East of Eden havia sido intenso, mas que dizer de Splendor in the grass, em que Natalie Wood tem em Deanie Loomis a interpretação da sua vida? Asolutamente arrebatador.
Alguém consegue esquecer aquele final em que Deanie recorda os versos de Wordsworth da Ode on the Intimations of Immortality?
of glory in the flower,
we will grieve not,
rather find strength in what remains behind."
evva
P.S.: Não, não perdoo aos que sabiam que ele ia passar na 2: e 'esqueceram-se' de avisar, fazendo-me perder os primeiros 20 minutos de filme!
sábado, abril 15, 2006
A noite em que descobri Chloris
Por que não são assim todas as noites de chuva, sem o ruído da televisão, em volta de um piano e de uma voz tão bonita? Até a chuva se torna agradável. Fiquem com À Chloris, poema de Théohile de Viau (1590 -1626), conhecido pelo seu ateísmo e os versos licenciosos (a melodia, que mais uma vez não consegui postar, é uma infinitamente bela homenagem a Bach e consegue-se até ouvir no leit motiv umas notinhas das Variações Goldberg):
S'il est vrai, Chloris, que tu m'aimes,
Mais j'entends, que tu m'aimes bien,
Je ne crois pas que les rois mêmes
Aient un bonheur pareil au mien.
Que la mort serait importune
De venir changer ma fortune
A la félicité des cieux!
Tout ce qu'on dit de l'ambroisie
Ne touche point ma fantaisie
Au prix des grâces de tes yeux.

Cloris prestes a ser raptada por Zéfiro, na Primavera de Botticelli
[evva]
sexta-feira, abril 14, 2006
Sexta-Feira Santa
AQUI ESCOMIENZA EL DUELO QUE FIZO LA VIRGEN MARIA EL DIA DE LA PASION DE SU FIJO JESUCHRISTO
(...)
Conviene que fablemos en la nuestra privanza
Del pleito del mi duelo, de la mi mal andanza,
Commo sufri martirio sin gladio e sin lanza,
Si Dios nos aiudara fer una remembranza.
Fraire, verdat te digo, debesme tu creer:
Querrie seer muerta mas que viva seer;
Mas al Rey del çielo nol cadió en plaçer,
Oviemos del absinçio larga-mente a beber.
Con rabia del mi Fiio, mi padre, mi sennor,
Mi lumne, mi confuerto, mi salut, mi pastor,
Mi vida, mi conseio, mi gloria, mi dulzor,
Nin avia de vida nin cobdiçia nin sabor.
Tant era la mi alma cargada de tristiçia.
Non avia de vida nin sabor nin cobdiçia,
Qui fablarme quissiesse palabras de letiçia.
Non serie de buen sesso, nin sabrie de iustiçia.
Vediendo al mi Fiio seer en tal estado,
Entre dos malos omnes seer cruçifigado,
El mal non mereçiendo seer tan mal iudgado,
Ia nunqua podie seer mi corazon pagado.
(...)
Fiio dulz e sombroso, tiemplo de caridat,
Archa de sapiençia, fuente de piedat,
Non desses a tu Madre en tal soçiedat,
Qua non saben conoçer mesura nin bondat.
Fiio, tu de las cosas eres bien sabidor,
Tu eres de los pleitos sabio avenidor,
Non desses a tu. Madre en esti tal pudor
Do los sanctos enforcan e salvan al traydor.
Fiio, siempre oviemos io e tu una vida,
Io a ti quissi mucho, e fui de ti querida:
Io siempre te crey, e fui de ti creyda,
La tu piadat larga ahora me oblida.
Fiio, non me oblides e lievame contigo,
Non me finca en sieglo mas de un buen amigo,
Iuan quem dist por fiio, aqui plora conmigo:
Ruegote quem condones esto que io te digo.
Ruegote quem condones esto que io te pido,
Assaz es pora Madre esti poco pidido:
Fiio, bien te lo ruego, e io te me convido
Que esta petiçion non caya en oblido.
Recudió el Sennor, dixo palabras tales:
Madre, mucho me duelo de los tus grandes males,
Muevenme tos lagrimas, los tus dichos capdales,
Mas me amarga esso que los colpes mortales.
Madre, bien te lo dixi, mas aslo oblidado,
Tuelletelo el duelo que es grant e pesado.
Porque fui del Padre del çielo enviado
Por reçibir martirio, seer cruçifigado.
(...)
Madre, cata mesura, atiempra mas to planto:
Madre, por Dios te sea, non te crebrantes tanto.
A todos nos crebantas con essi tu quebranto:
Madre, que tu lo hagas por Dios el Padre sancto.
Disso la Madre: Fijo, lo que vos me fablades,
Quomo de muert a vida asi me revisclades,
Con esso que diçides mucho me confortades,
Qua io bien veo que vos por todos nos lazdrades.
(...)
Madre, disso el Fijo, de oy a terçer dia
Seré vivo contigo, verás grant alegria,
Visitaré primero a ti, Virgo Maria,
Desende a don Peidro con la su compannia,
Madre, de ti con tanto me quiero despedir,
Todo te lo e dicho lo que he de deçir.
Inclinó la cabeza commo qui quier dormir,
Rendió a Dios la alma, e dessóse morir.
Gonzalo de Berceo (séc. XIII)
[evva]
quinta-feira, abril 13, 2006
Parte do problema da França
Tempo lento

Foi um dia a pousar de café em café ao rítmo de um livro e da disposição.
A poesia da contemplação transmite um misto de tranquilidade pelo tempo que também é nosso, e de culpa, pelo luxo de o poder usar desta maneira.
Mais do que tudo, a dupla satisfação de poder fugir à opressão do trabalho, da produção, e do progresso, e de conseguir disfrutar da calma e da paz que está tão perto mas que mesmo assim é muitas vezes difícil de encontrar.
andré
































