quarta-feira, maio 24, 2006

Espelho de Duas Faces

Connie Imboden, Untitled (1990)

Ajuda-me a esquecer as tuas faltas
e a ignorar os teus crimes
para melhor te amar.
Dá-me a febre em que te exaltas
e o que nos olhos exprimes
quando não sabes falar.

Espelho de duas faces, plana e curva:
és, e não és.
Imagem dupla, ora límpida, ora turva,
numa te afirmas, noutra te negas, em ambas te crês.

Queria sentir-te em outros sentidos.
Queria ver-te sem olhos e ouvir-te sem ouvidos.
E queria as tuas mãos numa aleluia fraterna.
Essas mãos que ainda ontem, de manhã, aturdidas,
com duas varas secas e folhas ressequidas
arrepiaram de luz as sombras da caverna.

Há muitos anos que sei este poema de cor sem conseguir recordar o seu autor. Jorge de Sena? José Gomes Ferreira? Talvez porque fossem os poetas que mais lia quando inúmeras vezes o li e reli até os versos fazerem parte da minha memória. Esqueci o autor tal como esqueci o motivo por que tantas vezes procurei decifrá-lo. Hoje, finalmente, fez-se luz. Quem diria? É de António Gedeão.

[evva]

Quiz Copas do Mundo

Eis um teste do Folha de S. Paulo (via A Origem das Espécies) para conferir os conhecimentos a nível de campeonatos do mundo de futebol. O meu score foi 10-12-17, fraquinho, fraquinho. Curiosamente, acertei nas mais difíceis. Boa sorte!
evva

Joseph Brodsky (24 de Maio de 1940 - 28 de Janeiro de 1996)*


May 24, 1980

I have braved, for want of wild beasts, steel cages,
carved my term and nickname on bunks and rafters,
lived by the sea, flashed aces in an oasis,
dined with the-devil-knows-whom, in tails, on truffles.
From the height of a glacier I beheld half a world, the earthly
width. Twice have drowned, thrice let knives rake my nitty-gritty.
Quit the country the bore and nursed me.
Those who forgot me would make a city.
I have waded the steppes that saw yelling Huns in saddles,
worn the clothes nowadays back in fashion in every quarter,
planted rye, tarred the roofs of pigsties and stables,
guzzled everything save dry water.
I've admitted the sentries' third eye into my wet and fou
ldreams. Munched the bread of exile; it's stale and warty.
Granted my lungs all sounds except the howl;
switched to a whisper. Now I am forty.
What should I say about my life? That it's long and abhors transparence.
Broken eggs make me grieve; the omelette, though, makes me vomit.
Yet until brown clay has been rammed down my larynx,
only gratitude will be gushing from it.

(tradução para inglês do próprio Brodsky)

evva

*Dedicado a quem pela primeira vez me falou em Serralves da obra deste poeta russo, a partir de um livrinho que trazia. Obrigada Lurdes.

Por que é que eu, que já passei a idade de Cristo, continuo a ter um pavor enorme de uma simples doação de sangue para análise?

evva

terça-feira, maio 23, 2006

A querela do peixe podre

A melhor ilustração do debate de ontem (via Smal Brother)

evva

segunda-feira, maio 22, 2006

ESTE HOMEM É UM COBARDE!


Porque traz à discussão um facto, a corrupção no jornalismo, que nunca ousa provar.
Porque discute o tema de uma forma vaga que o favorece.
Porque o faz à custa de um mediatismo que também o beneficia.
Porque critica o status-quo que o ajudou a subir e que agora o parece ter abandonado.

Mas sobretudo porque este é um dos mais brilhantes intelectuais do nosso país, que tinha a obrigação de impedir que esta discussão se tornasse numa óbvia vingança pessoal.

andré

Do que o Portugal de hoje precisava era de um Prior destes

Via Esplanar

Setença Proferida em 1487 no Processo contra o Prior de Trancoso:


«Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos.Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres».

«El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e demais papeis que formaram o processo».

evva

O sonho de todo o medievalista


Ser um dia uma capital ornamentada.

evva

Francisco José Viegas disserta no Origem das Espécies sobre o sururu levantado em torno da recusa de Umberto Eco em encontrar-se em Vinci, na Toscânia, com Dan Brown. FJV tem toda a razão, mas deixem-me reproduzir aqui as palavras do Santo Padre do medievalismo (autor, entre uma série infindável de opera magna incontornáveis, de uma das bíblias cá da estante, Arte e Beleza na Estética Medieval) ao La Repubblica:

«Nem morto. Irei a Vinci quando lá estiver um verdadeiro escritor».
[evva]

Por que é que eu gosto de Frederico Lourenço


«me marcou profundamente o fascínio pelo Condado Portucalense nos alvores da nacionalidade, o que me levaria mais tarde a sentir-me sempre mais em casa a norte do que a sul do rio Douro. Do Porto a Valença: o meu mundo de eleição.»
Frederico Lourenço, Amar não acaba, 2004, Cotovia, Lisboa, 3ª edição, p. 72.
Amar não acaba foi o último livro que li de um só fôlego, pela noite dentro até ao amanhecer, depois de o ter comprado na Feira do Livro do ano passado. Não pela declaração acima transcrita, é claro, mas por um irresistível fascínio pela escrita semi-autobiográfica do autor. Que surpresas trará a Feira deste ano? Será desta que colocarão on-line os 'Livros do Dia'?


Sobre Amar não acaba escreveu o Abrupto em Dezembro de 2004:

Leiam, leiam, leiam este livro estranho, memória autobiográfica da adolescência, escrita a vinte anos de distância – muito pouco. Um retrato de uma família portuguesa pouco portuguesa, que deixou construir à sua volta uma teia cultural vivida nas suas formas mais “pesadas”: a ópera, a música, as línguas, o comunitarismo panteísta de Lanza del Vasto. Este texto é uma surpresa: não sabia que alguém vivia assim entre nós. O relato de Frederico Lourenço é umas vezes franco, outras vezes bizarro, pela densidade cultural que parece sempre excessiva. Pode-se viver assim? Pode-se viver sempre dentro do texto dos outros? Pode-se viver sempre dentro dos gestos do bailado, das palavras dos lied, do universo total e absoluto de Wagner? Pode-se viver, amar, face a presenças tão intensas e tão inequívocas como as da grande arte? Pode-se viver no meio da beleza transmitida pelas obras de arte sem que estas preencham todo o espaço do sentimento? O que é que sobra? Pode-se ser feliz num universo tão povoado de sentido? Duvido, mas também este livro não é sobre a felicidade, mas sim sobre o deslumbramento.
evva

domingo, maio 21, 2006

No 557º aniversário da Batalha de Alfarrobeira

O Infante D. Pedro, Regente de Portugal
empunhando Désir na Batalha de Alfarrobeira


Pranto pelo infante D. Pedro das sete partidas

(poema escrito na noite de 17-12-1961, e interrompido pela notícia da entrada dos soldados indianos em Goa)

Nunca choraremos bastante nem com pranto
Assaz amargo e forte
Aquele que fundou glória e grandeza
E recebeu em paga insulto e morte


Pranto pelo dia de hoje

Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruido
Por troças, por insídias, por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

evva

sábado, maio 20, 2006

A FRASE DA SEMANA

"É sempre o evangelista que cria o Cristo."

António Tabucchi em entrevista com Carlos Vaz Marques no dia 11/05/06 no programa Pessoal e Transmissível, disponível em Podcast.

andré

Rafael


Mais logo, na Igreja de Santa Cruz, será baptizado o nosso Infante de Coimbra, futuro cavaleiro andante e acérrimo pelejador dos ultrajes ao Graal.

Que Deus proteja o seu caminho.

evva

UM DOS MAIS BELOS ELOGIOS DO CINEMA



I might be the only person in the world that knows how wonderful you are, (…) how you always say what you mean and how whatever you say is always about being honest and straight. Everytime I look at the people that you serve at the table I wonder how they are unaware that they are facing the most beautiful woman alive.
And the fact that I can feel and tell you all this makes me feel good… about me.

ou então

"You make me want to be a better man"


andré


Não percam tempo a ver o filme. Um enorme bocejo de banalidades cinematográficas. Erros de casting. Salva-se Paul Bettany no papel Silas. E aquela música pavorosa aparentemente inspirada em Vangelis? Aterrador. Leiam o livro. Não, não leiam essa porcaria. Querem mesmo encontrar o Graal? Demandai por aqui:
Vespera de Pinticoste foi grande gente assuada em Camaalot, assi que podera homem i veer mui gram gente, muitos cavaleiros e muitas donas mui bem guisadas. El-rei, que era ende mui ledo, honrou-os muito e feze-os mui bem servir; e toda rem que entendeo per que aquela corte seeria mais viçosa e mais leda, todo o fez fazer.
Aquel dia que vos eu digo, direitamente quando queriam poer as mesas, esto era ora de noa, aveeo que ua donzela chegou i, mui fremosa e mui bem vestida. E entrou no paaço a pee como mandadeira. Ela começou a catar de ua parte e da outra, pelo paaço; e perguntavam-na que demandava.
– Eu demando – disse ela – por Dom Lancelot do Lago. É aqui ?
– Si, donzela – disse uu cavaleiro. Veede-lo: sta aaquela freesta, falando com Dom Galvam.
Ela foi logo pera el e salvô-o. Ele, tanto que a vio, recebeo-a mui bem e abraçou-a, ca aquela era ua das donzelas que moravam na Insoa da Lediça, que a filha Amida d'el-rei Peles amava mais que donzela da sua companha.
– Ai, donzela! – disse Lancelot –que ventura vos adusse aqui? Que bem sei que sem razom nom veestes vós.
– Senhor, verdade é; mais rogo-vos, se vos aprouguer, que vaades comigo aaquela foresta de Camaalot; e sabede que manhãa, ora de comer, seeredes aqui.
– Certas, donzela – disse el – muito me praz; ca teudo soom de vos fazer serviço em todalas cousas que eu poder.
Entam pedio suas armas. E quando el-rei vio que se fazia armar a tam gram coita, foi a el com a raia e disse-lhe:
– Como?! Leixar-nos queredes a atal festa, u cavaleiros de todo o mundo veem aa corte, e mui mais ainda por vos veerem ca por al – deles por vos veerem e deles por averem vossa companha?
– Senhor, – disse el – nom vou senam a esta foresta com esta donzela que me rogou; mais cras, ora de terça, seerei aqui.
Entom se saio Lancelot do Lago e sobio em seu cavalo, e a donzela em seu palafrem; e forom com a donzela dous cavaleiros e duas donzelas. E quando ela tornou a eles, disse-lhes:
– Sabede que adubei o por que viim: Dom Lancelot do Lago ira comnosco.
Entam se filharom andar e entrarom na foresta; e nom andarom muito per ela que chegarom a casa do ermitam que soía a falar com Galaz. E quando el vio Lancelot ir e a donzela, logo soube que ia pera fazer Galaaz cavaleiro, e leixou sua irmida por ir ao mosteiro das donas, ca nom queria que se fosse Galaaz ante que o el visse, ca bem sabia que, pois se el partia dali, que nom tornaria i, ca lhe convenria e, tanto que fosse cavaleiro, entrar aas venturas do reino de Logres. E por esto lhe semelhava que o avia perdudo e que o nom veeria a meude, e temia, ca avia em ele mui grande sabor, porque era santa cousa e santa creatura.
Quando eles cheguarom aa abadia, levarom Lancelot pera ua camara, e desarmarom-no. E veo a ele a abadessa com quatro donas, e adusse consigo Galaaz: tam fremosa cousa era, que maravilha era; e andava tam bem vestido, que nom podia milhor. E a abadessa chorava muito com prazer. Tanto que vio Lancelot, disse-lhe:
– Senhor, por Deos, fazede vós nosso novel cavaleiro, ca nom queriamos que seja cavaleiro por mão doutro; ca milhor cavaleiro ca vós nom no pode fazer cavaleiro; ca bem creemos que ainda seja tam bõo que vos acharedes ende bem, e que será vossa honra de o fazerdes; e se vos el ende nom rogasse, vo-lo deviades de fazer, ca bem sabedes que é vosso filho.
– Galaaz – disse Lancelot – queredes vós seer cavaleiro?
El respondeo baldosamente:
– Senhor, se prouvesse a vós, bem no queria seer, ca nom ha cousa no mundo que tanto deseje como honra de cavalaria, e seer da vossa mão, ca doutra nom no queria seer, que tanto vos ouço louvar e preçar de cavalaria, que nenhuu, a meu cuidar, nom podia seer covardo nem mao que vós fezessedes cavaleiro. E esto é ua das cousas do mundo que me dá maior esperança de seer homem bõo e bõo cavaleiro.
– Filho de Galaaz – disse Lançalot – stranhamente vos fez Deos fremosa creatura. Par Deos, se vós nom cuidades seer bõo homem ou bõo cavaleiro, assi Deos me conselhe, sobejo seria gram dapno e gram malaventura de nom seerdes bõo cavaleiro, ca sobejo sedes fremoso.
E ele disse:
– Se me Deos fez assi fremoso, dar-mi-á bondade, se lhe prouver; ca, em outra guisa, valeria pouco. E ele querrá que serei bõo e cousa que semelhe minha linhagem e aaqueles onde eu venho; e metuda ei minha sperança em Nosso Senhor. E por esto vos rogo que me façades cavaleiro.
E Lançalot respondeo:
– Filho, pois vos praz, eu vos farei cavaleiro. E Nosso Senhor, assi como a el aprouver e o poderá fazer, vos faça tam bõo cavaleiro como sodes fremoso.
E o irmitam respondeo a esto:
– Dom Lancelot, nom ajades dulda de Galaaz, ca eu vos digo que de bondade de cavalaria os milhores cavaleiros do mundo passará.
E Lançalot respondeo:
– Deos o faça assi como eu queria.
Entam começarom todos a chorar com prazer quantos no lugar stavam.

A Demanda do Santo Graal, fl. I.

evva

P.S.: Aos especialistas: o texto acima transcrito não foi revisto. Tenho de acordar daqui a poucas horas para um casamento que só terminará muito para além da meia-noite de Domingo. Vou dormir, então. Depois revejo.

D. Pedro (1392 - Alfarrobeira, 20 de Maio de 1449)


D. PEDRO REGENTE DE PORTUGAL

Claro em pensar, e claro no sentir,
é claro no querer;
indiferente ao que há em conseguir
que seja só obter;
dúplice dono, sem me dividir,
de dever e de ser-

não me podia a Sorte dar guarida
por não ser eu dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
calmo sob mudos céus,
fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo o mais é com Deus!

Fernando Pessoa, Mensagem
evva

O DESÍGNIO NACIONAL DO MOMENTO



É curioso ouvir no Expresso da Meia Noite da SIC Notícias (agora disponível em Podcast), e em muitos outros lugares, subvalorizar o peso do Futebol no recente fenómeno da adesão aos símbolos nacionais do hino e da bandeira. Como se o Desporto, neste caso o Futebol, fosse pouco relevante na explicação do fenómeno.
Desafio qualquer pessoa a tentar encontrar um acontecimento social capaz de mobilizar pessoas com tal profundidade como o Desporto. É certo que o Futebol consegue ser, mais do que qualquer outra modalidade, uma actividade de massas, mas a identificação com uma causa ou com os valores de uma instituição (o clube é a mais popular neste sector) é algo que encontramos, diria eu, em quase todas as modalidades desportivas.
O Desporto é hoje a forma mais intensa de ligação à nossa antiguidade, à caça, ao combate, à guerra, à violência. O Desporto é, em muitos aspectos, a sublimação da nossa animalidade.
E para além do mais, é hoje provavelmente o mais poderoso álibi para realização de actividade física. Depois de sairmos dos campos e do mar, depois de nos termos tornado eminentemente sedentários, o Desporto é, em muitos sentidos, a melhor forma de lidarmos com o nosso corpo, com o nosso físico, com uma parte importante da nossa essência.
Voltando ao Expresso da Meia Noite, eu estou como o jornalista da revista Sábado, em transe à espera do Campeonato do Mundo. Campeonato do Mundo. Futebol. Alemanha. Selecção Nacional. Cristiano Ronaldo. Ronaldinho Gaúcho. Beckham. Livre directo. Fora de jogo. Golo…

andré

sexta-feira, maio 19, 2006

Metonímia

- Olá, primo! Como tem passado?
- Ainda a tentar recuperar dos incêndios do Verão passado. Não atingiram a casa da Quinta por pouco. Se não fossem os vizinhos a ajudar... Mesmo assim, foi uma desgraça. Foram-se laranjeiras, figueiras, cerejeiras e três pipas de vinho. Uma tragédia.
evva

quinta-feira, maio 18, 2006

SHIJIE (O Mundo). Recomendado.

Em exibição no Cine-estúdio do Teatro do Campo Alegre

Só lhe retirava aquele pseudo-diálogo final. De resto, é um murro no estômago de normalização numa sociedade globalizada. E de como sobreviver-lhe (?) desenraízada, procurando manter a inocência.




evva

quarta-feira, maio 17, 2006

Momento ER

Top 20 Things You Don't Want To Hear During Surgery

1. Better save that. We'll need it for the autopsy.
2. "Accept this sacrifice, O Great Lord of Darkness"
3. Hand me that...uh...that uh...thingie.
4. Oh no! I just lost my Rolex.
5. Oops! Hey, has anyone ever survived 500ml of this stuff before?
6. There go the lights again...
7. "Ya know, there's big money in kidneys...and this guy's got two of 'em."
8. Everybody stand back! I lost my contact lens!
9. Could you stop that thing from beating, it's throwing my concentration off.
10. Sterile, schmerile. The floor's clean, right?
11. What do you mean he wasn't in for a sex change?
12. This patient has already had some kids, am I correct?
13. Nurse, did this patient sign the organ donation card?
14. What do you mean "You want a divorce!"
15. Fire! Fire! Everyone get out.
16. Damn! Page 47 of the manual is missing.
17. Oh, look everyone. It's lunch time.
18. The foot bone's connected to the... leg bone...
19. That's cool! Now can you make his leg twitch?!
20. Hey, if you pull on this it makes a funny noise.

evva

OS SILÊNCIOS

Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo

Maria Teresa Horta
Só de Amor, Quetzal Editores, 1999

[evva]

Q

A revista Men's Health (edição alemã) enviou um dos seus repórteres ao Rio de Janeiro. Uma das fotos que ilustra a reportagem mostra o quadro em que os miúdos da Escolinha do Flamengo aprendem a ler.


Atentem, por favor, na foto que ilustra a letra Q (clicar na imagem para ampliar):

evva

terça-feira, maio 16, 2006

ENCUENTRO



Ni tú ni yo estamos
en disposición
de encontrarnos.
Tú... por lo que ya sabes.
¡Yo la he querido tanto!
Sigue esa veredita.
En las manos
tengo los agujeros
de los clavos.
¿No ves cómo me estoy
desangrando?
No mires nunca atrás,
vete despacio
y reza como yo
a San Cayetano,
que ni tú ni yo estamos
en disposición
de encontrarnos.
Federico García Lorca (1898 - 1936)
[evva]

A RITA CONTINUA DESAPARECIDA



evva

Delírios

É impressão minha ou ontem ouvi sua excelência o ministro da saúde responder aos argumentos dos que defendem a continuação da maternidade no hospital de Barcelos com um furioso «e também porque queremos investir em outros serviços que esse hospital não tem, como diálise, fisioterapia e outros, para não falar no bloco operatório que funciona mal, o vosso bloco operatório é péssimo, não tem as mínimas condições» (cito de memória). É eticamente legítimo que o responsável máximo de um serviço público teça publicamente este tipo de considerações? Não é um caso premente de saúde pública? Salva a aparente demagogia, não se podiam desviar uns dinheiritos como medida extraordinária e resolver o assunto? Como se sentirão os que hoje vão ser submetidos a intervenções naquele bloco? Já não há paciência para tanta irresponsabilidade.

evva

P.S.: Sonhei ou o responsável pela tal comissão que inquiriu da viabilidade dos blocos de parto e que também dirige a maternidade Alfredo da Costa mostrou-se disponível para ir a cada uma das localidades prejudicadas com a decisão ministerial, mas tem medo de «levar uma tareia» (sic). Mas já chegamos ao Brasil*?


*Sem ofensa para os brasileiros, mas aquilo é um salve-se quem puder. E que tal proibirem os telemóveis nas prisões? Ou já o são e não há como controlar?

A ANÁLISE DAS ESCOLHAS


"É demais! Arre diabo!
E fartos de dar ao rabo lá vêm eles pró céu!"
(retirado do Coro dos Cornudos de Helder Pacheco)

Lamento muito mas já não há paciência pra tanta asneira. O povo diz que a ignorância é atrevida e é mesmo verdade.
Acabo de ver a análise à convocatória da selecção daquele que a SIC Notícias anuncia como o melhor comentador de futebol da telelevisão portuguesa, Rui Santos.
O homem diz de tudo: que a equipa mexicana é perigosa porque tem "uma mistura de futebol Europeu com Sul Americano" e que o Irão o é também porque "vai transportar a questão física para dentro de campo". Disse também que Costinha não tinha "ritmo de jogo" ao contrário dos seus colegas que chegavam ao final da época cheios com muitos jogos. Que pena não ter memória precisa para relatar o resto.

Eu percebo que os adeptos não entendam o seleccionador e se revoltem contra escolhas que não são as suas mas aos analistas exige-se algum rigor, coisa que não vigora no futebol.

É triste, muito triste, a forma como criticam as escolhas sem nunca terem treinado ou entendido as implicações do treino e da selecção de jogadores. Aliás, podíamos colocar neste lote de peritos o magnífico e sapiente Miguel Sousa Tavares, que para além de ser competente para comentar qualquer assunto, é particularmente apto e isento no caso do futebol.

Desculpem este lamento mas para alguém que estuda, ensina e vive o desporto diariamente, é muito desagradável assistir a tudo isto.
Mas o futebol é mesmo assim. Não é para se analisar com rigor mas sim com paixão. E quando assim é cada um diz o que quer, desde que acenda a chama do coração de alguém.

Enfim… é a vida.

andré

segunda-feira, maio 15, 2006

ESCOLHAS PREVISÍVEIS…

As escolhas do seleccionador para a equipa de todos nós foram o que alguns já esperavam embora não as que muitos queriam. Analisemo-las então.

Pouco havia a esperar acerca dos guarda-redes (Ricardo, Quim e Bruno Vale). A coerência face a decisões anteriores manteve-se. Colocar Vítor Baía a suplente seria uma grande indelicadeza.
Eu continuo na minha, por alturas do EURO 2004 era preferível ter Ricardo e o mesmo acontece agora. É verdade que, sobretudo na época passada, Vítor Baía esteve melhor, mas estas coisas não se fazem a curto prazo. Apesar de muito conservador, Scolari sempre preferiu olhar para a frente do que para os pés.

Sobre os centrais há pouco a dizer. Ricardo Costa surpreende menos do que outros. E convenhamos, a dupla será Ricardo Carvalho com Caneira ou Fernando Meira. Eu aposto nos dois primeiros.

No meio campo as coisas continuam como sempre estiveram. Maniche, Tiago, Costinha e Petit. Espero que em jogo esteja pelo menos um dos dois primeiros, caso contrário vamos parecer a Itália com o Catenáccio.

O mesmo se passa com os extremos. Scolari sempre optou por Figo, o capitão, Cristiano Ronaldo, um dos melhores da Europa na sua posição, e por Simão e Boa Morte para suplentes. O Boa Morte não tem feito grandes exibições mas poucas vezes joga.
Gostei do momento de humor do seleccionador ao dizer que Figo estava a correr tanto ou mais do que quando tinha 18 anos. Teve piada sim senhor.

Sobre Deco fica mal dizer alguma coisa. É para lá estar e pronto. Quanto a Hugo Viana, é uma questão de bom senso, pois sem Rui Costa não há muito mais para pensar.

Na frente o problema foi sempre o mesmo, a falta de opções, mesmo se de entre as que foram feitas – Pauleta, Nuno Gomes e Hélder Postiga – algumas estejam gastas.
Embora continue sem compreender inteiramente porquê, nunca tivemos muitos avançados-centro em condições. E continuamos na mesma.

Fossem outras as escolhas e não seriam as de Scolari. Eu cá preferia que a equipa jogasse com três centrais e dois avançados-centro mas o treinador brasileiro não. E convenhamos, é um sistema que demora mais tempo a consolidar e comporta mais riscos. Ora, para alguém que evita riscos a todo custo…

As escolhas de Scolari na selecção sempre foram como a sua contratação, conservadoras. Madaíl escolheu o treinador que menos riscos trazia à sua liderança e mais depressa o desresponsabilizaria de um insucesso.
Contudo sempre prefiro as razões de Scolari às de Madaíl. Questionado sobre o porquê das suas opções pode sempre dizer: “Fui campeão no mundial no Coreia-Japão”.
Ora, todos sabemos como correu esse mundial a Madaíl…

andré

PS: No meio disto tudo a decisão sobre Quaresma parece-me compreensível. Ele faz muito jeito aos sub21 que jogam um Europeu em casa e têm de mostrar trabalho. Nos seniores ele ia acabar muitas vezes no banco pois nem Cristiano Ronaldo nem Figo iam lá parar tão depressa.

A SELECÇÃO DE ALGUNS II

Não resisto a transcrever aqui este desabafo blasfemo, com o qual estou plenamente de acordo. Eis CAA:

'QUE ME DESCULPE QUEM PUDER...
... mas eu que estive em Inglaterra no Euro 96, na Holanda no Euro 2000, que fiquei prostrado com a vergonha da Coreia 2002, que até me consegui animar durante o Euro 2004, pela primeira vez na minha vida não vou apoiar a selecção durante este Mundial. Não consigo.O intenso desprezo que sinto pelo burlão que está por cá a viver umas férias muito bem pagas, a par da cumplicidade da lamentável FPF que temos, o modo como o sujeito nos gozou a todos na sua prosa inicial, na conferência de imprensa que está a decorrer, ironizando com tudo aquilo que qualquer português, de qualquer clube, esperaria, não me deixam puxar por esta equipa. Que não é a "nossa" mas sim a dele. Com este grupo de "amigalhaços" que prescinde de Quaresma, Moutinho, João Tomás e Paulo Santos, entre tantos outros, a favor de jogadores suplentes ou que não jogam há 6 meses e outros que nunca tiveram qualidade (Boa Morte, Postiga), não pode haver terceira via: ou esse senhor ganha o campeonato ou terá de se ir embora. Espero que acompanhado pela múmia que preside à Federação.'

evva

A SELECÇÃO DE ALGUNS



Decididamente, esta não é a minha selecção. Ainda bem que, lá para Junho, vou ter mais do que fazer do que ver Scolari e convocados a estatelar-se nas relvas germânicas. O pleno das televisões generalistas a abrir os seus noticiários das 20h com o discursozinho do presidente da FPF e as desculpas arrogantes e esfarrapadas do seu assalariado diz bem do país que temos. Quando se eleva um pormenor desportivo à novidade mais importante de um estado*, não há a menor dúvida, batemos no fundo. Muitas vezes, infelizmente.

Lista de convocados para o Mundial 2006:

- Guarda-redes: Ricardo (Sporting), Quim (Benfica) e Bruno Vale (Estrela da Amadora);

- Defesas: Miguel (Valência, Esp), Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho (Chelsea, Ing), Fernando Meira (Estugarda, Ale), Ricardo Costa (FC Porto), Caneira (Sporting) e Nuno Valente (Everton, Ing);

- Médios: Costinha (Dínamo de Moscovo, Rus), Petit (Benfica), Maniche (Chelsea, Ing), Tiago (Lyon, Fra), Deco (FC Barcelona, Esp) e Hugo Viana (Valência, Esp);

- Avançados: Figo (Inter de Milão, Ita), Cristiano Ronaldo (Manchester United, Ing), Boa Morte (Fulham, Ing), Simão e Nuno Gomes (Benfica), Pauleta (Paris Saint-Germain, Fra) e Hélder Postiga (Saint-Etienne, Fra).

evva

* A próxima grande novidade com direito a pleno na abertura de 'telejornais' será a contratação do treinador que se segue naquele clube que ficou em 3º lugar no Campeonato de Futebol 2005/2006. Querem apostar?

A FLECHA ENVENENADA (relato budista)

Dacos, Nu dans la mémoire blanche


A memória é como o homem atingido pela flecha envenenada: antes que curem a ferida ele pergunta quem o atingiu, como se chama, onde está, o seu aspecto. Então talvez saiba mais sobre a flecha e o archeiro, mas é demasiado tarde para ser salvo.


Pedro Mexia

Em Memória, Gótica, Lisboa, 2000, p. 15


[evva]

Foz do Douro, entardecer

Um casal octagenário caminha vagarosamente na direcção de um automóvel topo de gama estacionado na Avenida Montevideu. Curiosamente, ambos se dirigem para o lado do condutor, ele à frente, lento, curvado, ela logo atrás, vertical e um sorriso suportando o peso dos anos.
Ele abre-lhe delicadamente a porta para que ela se sente no lugar do condutor e com dificuldade contorna a viatura e senta-se no lado oposto. Já não tem carta, pensámos, é ela que conduz. Mas ele, mesmo debilitado, ainda insiste na delicadeza natural de abrir-lhe a porta. Gestos que se perderam no infortúnio dos tempos, respondi. Palavras largadas ao vento da tarde.
evva

domingo, maio 14, 2006

Há qualquer coisa de absolutamente único na espera. Lenta, ansiosa, demorada. Como esperar que uma árvore que amamos floresça.
Aguardo sempre impaciente o florescer das árvores, mais do que a chegada dos frutos. Um desperdício, já se sabe. Mas haverá algo mais belo (claro que há...) do que vigiar atentamente o crescimento de uma planta? Hoje, ao abrir a persiana do meu micro-terraço, oh surpresa!, floriram os canteiros de gerânios. Bom dia!

Daqui a pouco, ao aproximar-me de casa de meus pais, já sei que pela janela do carro chegará o perfume das flores das laranjeiras muito antes de avistar o portão. Para os que ainda usufruem deste privilégio singular, um bom domingo.
evva

sexta-feira, maio 12, 2006

quinta-feira, maio 11, 2006

À espera


Continuamos a perscrutar o céu, a tentar descortinar a direcção dos ventos desde Paris. Mas a cegonha persiste em trocar-nos as voltas. Entretanto, no Tapado é a festa da cor, uma azáfama.
Uma homenagem sentida a todas as mães para quem a maternidade não é o mar de rosas que apregoam os anais, as que só conseguem ver os filhos ao fim de alguns dias, às que sofrem por vê-los chorar e chorar, às que os criam lá longe e sem família e amigos por perto a quem acorrer e suportam enfermidades e doenças, as noites sem dormir, a preocupação constante, a manhã que chega demasiado depressa, que enfrentam a rotina de ânimo renovado, o emprego, os colegas, os aborrecimentos do dia-a-dia de trabalho e no final do dia regressam a casa para trabalhos dobrados. Às minhas amigas que estão longe. Bem-hajam! Por serem super-mulheres e as melhores amigas do mundo.
evva

Ele dizia isto tão bem…

Separata Gratuita
Mário Henrique Leiria


O QUE ACONTECERIA
SE O ARCEBISPO DE BEJA
FOSSE AO PORTO
E DISSESSE QUE ERA NAPOLEÃO

Toda a gente acreditava que era. O presidente da Câmara nomeava-o Comendador. Iam buscar a coluna de Nelson, tiravam o Nelson e punham o arcebispo lá em cima. E davam-lhe vinho do Porto.


Então o arcebispo dizia:
- Sou a Josefa de Óbidos.

Ainda acreditavam que era, embora menos. O presidente da Câmara apertava-lhe a mão. Iam buscar o castelo de Óbidos, tiravam os óbidos e punham o arcebispo na Torre de Menagem. Além disso, davam-lhe trouxas d’ovos.

Nessa altura, convicto, o arcebispo de Beja afirmava:
- Sou o arcebispo de Beja.

Não acreditavam. Davam-lhe imediatamente uma carga de porrada. E punham-no no olho da rua. Nu.


Esta e outras peças ditas de forma suberba por Mário Viegas.
Todas agora disponíveis na colecção do Público.


andré

quarta-feira, maio 10, 2006

PAREM AS ROTATIVAS!


Deus regressa à blogosfera. Aqui.
evva

Chema Madoz (1996)


Suave como el peligro atravesaste un día
con tu mano imposible la frágil medianoche
y tu mano valía mi vida, y muchas vidas
y tus labios casi mudos decían lo que era el pensamiento.
Pasé una noche a ti pegado como a un árbol de vida
porque eras suave como el peligro,
como el peligro de vivir de nuevo.


Leopoldo María Panero
Last night together 1980
evva

Caríssima,


eu sei que o céu de Paris tem andado conturbado. Ele é disparates à Chirac, Sarkozy-Villepin a faiscar e a Ségolène a silenciar os machões socialistas... mas era preciso demorar tanto?! É que por cá já ninguém aguenta.
evva

terça-feira, maio 09, 2006

EUROPA

Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda
nações com seu riso franco
abertas de par em par!


Europa sem misérias arrastando seus
andrajos, virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinza
sem que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
- cada um para si te querendo toda?

Europa, sonho futuro,
se algum dia há-de ser!
Europa que não soubeste
ouvir do fundo dos tempos
a voz na treva clamando
que tua grandeza não era
só do espírito seres pródiga
se do pão eras avara!
Tua grandeza a fizeram
os que nunca perguntaram
a raça por quem serviam.
Tua glória a ganharam
mãos que livre modelaram
teu corpo livre de algemas
num sonho sempre a alcançar!

Europa, ó mundo a criar
Europa, ó sonho por vir
enquanto à terra não desçam
as vozes que já moldaram
tua figura ideal!
Europa, sonho incriado,
até ao dia em que desça
teu espírito sobre as águas!

Europa sem misérias arrastando seus
andrajos, virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?

Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Renascerás, Fénix, das cinzas
do teu corpo dividido?

Europa, tu virás só quando entre nações
o ódio não tiver a última palavra,
ao ódio não guiar a mão avara,
à mão não der alento o cavo som de enterro
dos cofres dirigindo o sangue do rebanho
- e do rebanho morto, enfim, à luz do dia,
o homem que sonhaste, Europa, seja vida!

Adolfo Casais Monteiro
Poesias Completas, INCM, Lisboa, 1993 (publicado pela primeira vez em 1946)
Não é dos meus poemas preferidos de Casais Monteiro, por demasiado exclamativo. Composto, segundo creio, durante a Segunda Guerra Mundial e lido, salvo erro, em plena conflito por António Pedro aos microfones da BBC, o que me agrada nele é esta idéia de Europa como sonho adiado, em busca de uma falsa grandeza e glória perdidas, a ambição de muitos que a sonharam e construíram, cada um para si te querendo toda, e uma certa nostalgia de unidade. Será possível?
[evva]

E durante os próximos tempos...

The Go-Betweens (1978-1990)


... só se ouvirá cá em casa este vinyl
evva

The Go-Between


Grant Mclennan (1958-2006)

Era a voz dos Go-Betweens e compôs muitos dos temas que integraram a banda sonora da minha adolescência. Vi-o uma única vez ao vivo, num concerto acústico em que tocaram, perante uma plateia estarrecida, na primeira parte de um Loyd Cole atónito com a chuva de roupa interior feminina que lhe caía aos pés. Nos idos 80 do século passado, alguém muito respeitável dizia que Loyd Cole era a voz perfeita para acordar ao lado. Pois a de Grant Mclennan era ideal para passar o resto do dia. Todos os dias. Deixou-nos durante o sono, na noite de 6 de Maio.
Doesn't matter how far you come
You've always got further to go
I tried to tell you
I can only say it when were apart
About this storm inside of me
And how I miss your quiet,
quiet
heart

evva

segunda-feira, maio 08, 2006

Por cá não se faz outra coisa...


... além de vasculhar manuscritos e passar horas a discutir o que é exactamente um 'salto do mesmo ao mesmo' e saber se foi o copista que saltou se a frase e onde se meteu Nascião e a sua espada timorense se estará com o livro do terramoto que levou a menina dos caracóis e o Ms. 116 será mais tardio que o 112 mas esse sarrabisco não é um 'r' mas um 'y' meio apagado e afinal Artur também filha a espada no Livro de Galaaz maldito aquele não este que nem para isso serve e a Foz num púrpura deslumbrante mas nada nada disto importa e continuamos ansiando a Hora

evva

Aos economistas e aos economicistas




The greatest problem with economics is its “wilful denial of the presence of power and political interests”. By positing an idealised world of perfect competition economic theory assumes away the factors that drove societies.

John Kenneth Galbraith

(retirado e adaptado da última edição da revista Economist, a propósito da morte deste economista americano)

andré

Há quanto tempo...


... não tenho um dia assim?

evva

BENFICA NO MERCADO

Aceitam-se apostas. Há quem profetize Jesualdo Ferreira ou suspire por Vítor Pontes, mas eu gostava muito de ver por lá este senhor. Era um favor que faziam ao país.

evva

Lição de grego II

MAR DA MANHÃ

Que eu me detenha aqui. E que também eu contemple um pouco a natureza.

De um mar da manhã e um céu sem nuvens
cores azuis brilhantes e margem amarela, tudo
belo grande iluminado.

Que eu me detenha aqui. E me iluda a ver isto
(sim, por instantes o vi, quando aqui parei)
e não aqui também meus devaneios,
recordações, imagens de volúpia.

Kavafis (1915), sempre ele.

É um dos mais belos poemas de Kavafis. Lembrei-me hoje dele ao folhear as fotos de mais um excelente site dedicado ao Porto. A tradução é muito livre, mas quando há tempos foi publicado no Abrupto despoletou uma das mais interessantes polémicas que até hoje foi dado observar na blogosfera. Aqui fica o original, para os puristas e os que amam a língua.
ΘΑΛΑΣΣΑ ΤΟΥ ΠΡΩΙΟΥ
Εδώ ας σταθώ. Κι ας δω κ’ εγώ την φύσι λίγο.
Θάλασσας του πρωιού κι ανέφελου ουρανού
λαμπρά μαβιά, και κίτρινη όχθη· όλα
ωραία και μεγάλα φωτισμένα.
Εδώ ας σταθώ. Κι ας γελασθώ πως βλέπω αυτά
(τα είδ’ αλήθεια μια στιγμή σαν πρωτοστάθηκα)·
κι όχι κ’ εδώ τες φαντασίες μου,
τες αναμνήσεις μου, τα ινδάλματα της ηδονής.
evva
P.S.: Um dia destes quero ouvi-lo na língua de origem, sim?

domingo, maio 07, 2006

THAT IS THE QUESTION

Dois e dois são quatro.
Nasci cresci
para me converter em retrato?
em fonema? em morfema?

Aceito
ou detono o poema?
Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 521.
evva

sábado, maio 06, 2006

GACELA DEL AMOR IMPREVISTO



Nadie comprendía el perfume
de la oscura magnolia de tu vientre.
Nadie sabía que martirizabas
un colibrí de amor entre los dientes.

Mil caballitos persas se dormían
en la plaza con luna de tu frente,
mientras que yo enlazaba cuatro noches
tu cintura, enemiga de la nieve.

Entre yeso y jazmines, tu mirada
era un pálido ramo de simientes.
Yo busqué, para darte, por mi pecho
las letras de marfil que dicen siempre.

Siempre, siempre: jardín de mi agonía,
tu cuerpo fugitivo para siempre,
la sangre de tus venas en mi boca,
tu boca ya sin luz para mi muerte.

Federico García Lorca, Antologia Poética, Relógio D'Água, 1993, p. 352
(Tenho uma edição mais antiga, e mais amada. Onde andará?)

[evva]

Poema para Franz Weissmann



Ao contrário
do escultor de antes
que
para dissipar a noite
(mítica)
que habita a matéria
imprimia à superfície
da massa
velocidades de luz,
Weissmann
escultor de hoje
abre
a matéria
e mostra que dentro dela
não há noite mas
espaço

puro espaço

modalidade transparente
de existência



Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 511.


[evva]

sexta-feira, maio 05, 2006

Lição de grego I

DOS HEBREUS (50 D.C.)

Pintor e poeta, corredor e discóbolo,
belo como Endymíon, Iántis Antoníu.
De família amiga da Sinagoga.

"Meus dias mais preciosos são aqueles
em que deixo a busca sensual,
em que abandono o belo e rígido helenismo,
com seu apego soberano
a membros brancos perfeitamente feitos e corruptíveis.
E torno-me aquele que desejaria
sempre permanecer; o filho dos Hebreus, dos sagrados Hebreus."

Mui calorosa sua declaração. "Permanecer
sempre dos Hebreus, dos sagrados Hebreus –"

Porém de modo algum permanecia tal.
O Hedonismo e a Arte de Alexandria
tinham-no por filho dedicado.

Kavafis, 1919

Também eu tento permanecer fiel, acreditem. Mas a Arte e o Hedonismo vencem sempre.

Em grego original é ainda mais bonito:

ΤΩΝ ΕΒΡΑΙΩΝ (50 μ.X.)

Ζωγράφος και ποιητής, δρομεύς και δισκοβόλος,
σαν Ενδυμίων έμορφος, ο Ιάνθης Aντωνίου.
Aπό οικογένειαν φίλην της Συναγωγής.

«Η τιμιότερές μου μέρες είν’ εκείνες
που την αισθητική αναζήτησιν αφίνω,
που εγκαταλείπω τον ωραίο και σκληρόν ελληνισμό,
με την κυρίαρχη προσήλωσι
σε τέλεια καμωμένα
και φθαρτά άσπρα μέλη. Και γένομαι αυτός που θα ήθελα
πάντα να μένω· των Εβραίων, των ιερών Εβραίων, ο υιός.»

Ένθερμη λίαν η δήλωσίς του. «Πάντα
να μένω των Εβραίων, των ιερών Εβραίων —»

Όμως δεν έμενε τοιούτος διόλου.
Ο Ηδονισμός κ’ η Τέχνη της Aλεξανδρείας
αφοσιωμένο τους παιδί τον είχαν.

ΚΑΒΑΦΗΣ, 1919

Tradução: R. M. Sulis, M. P. V. Jolkesky, A. T. Nicolacópulos

[evva]

Rússia

"Rússia, com a razão não te podem compreender,
Nem com medida comum te medir.
És um mundo à parte.
Só fé em ti podemos ter".

Esta quadra foi escrita pelo poeta russo do séc. XIX Fiodor Tiutchev. Hoje, não temos a verdade na mão, mas tentamos aproximar-nos dela.

(retirado do Blog da Rússia do jornalista José Milhazes)


andré

quarta-feira, maio 03, 2006

Addicted

Manhã de domingo a preguiçar entre lençóis:
ELA: Queriiidooo! Nunca mais chegam as férias... Queria tanto a ilha Formosa, o mar, a praia...
ELE: Querida... (Suspiros ensonados) Eu só quero o meu computador...

evva

terça-feira, maio 02, 2006

What animal were you in a past life?




You Were a Porcupine



You have created your own path in life, and you encourage others to do the same.

Even as life progresses, you always maintain a sense of wonder and innocence.




Eu sabia! Não se aproximem demasiado...

evva

O novo Profeta

Depois do gás natural e do petróleo,
Evo Morales anuncia mais nacionalizações

Conheço muito boa gente que adorava emigrar para o paraíso na terra que este senhor está a construir.
evva

E por falar em grandes amigos...


Parabéns, Isabel!


É uma honra partilhar contigo grandes e pequenas demandas.

evva

Bem-vindo, Edgar!


Já nasceu o cavaleiro desejado. Parabéns aos papás babados, dos melhores amigos do mundo. A Martinha ainda não tem pressa, mas já podemos começar a tratar dos esponsais.

evva

Por que é que Tom Waits não canta nos meus sonhos?

You can never hold back Spring
you can be sure that i will never
stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Every time
you can never hold back springs
even thought you've lost your way
the world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open your heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring can bring
You can never hold back spring

Tom Waits
[evva]

segunda-feira, maio 01, 2006

VIVA O BOB!


«Eu sou o Bob
Construtor!

Eu sou o Bob
TRABALHADOR

evva

ABAIXO O NODDY!


«Não há pachorra para o Noddy
Já ninguém o consegue aturar...»
(trautear ao som da música da série)

Já não há paciência para a histeria em torno deste boneco tresloucado, perito em entrar a assapar nos cruzamentos da Cidade dos Brinquedos e em destruir os jardins e as cercas das casas dos amigos sempre que pega no carro.

evva


P.S.: Pena é ser Enid Blyton a autora deste disparate, logo ela que foi uma das heroínas da minha infância.

Um dia para não feriar

TOCA A TRABALHAR, QUE É PARA ISSO QUE AQUI ESTAMOS!

evva

Agora levantas-te tu, agora levanto-me eu

(Foto via arquivos d' A Cidade Surpreendente)


Se há pormenor que absolutamente me irrita na Casa da Música são as 'cómodas' cadeiras da Sala Guilhermina Suggia. Há um ano que assisto a concertos naquele espaço e só hoje consegui acertar com a posição das malfadadas cadeiras, que seguramente custaram uma fortuna. Ora acontece que é humanamente impossível um espectador conseguir manter-se imóvel durante as quase duas horas que normalmente dura um concerto. Assistimos então ao hilariante espectáculo dos que se levantam ligeiramente (quando pretendem mudar a posição das pernas, ou apenas mover-se uns milímetros), seguram a cadeirinha com as mãos para que não fuja e voltam a sentar-se sustendo a respiração, rezando para que o confortável assento deslize para a posição correcta. O que nem sempre acontece e minutinhos depois a complexa manobra repete-se. Sinceramente, não consigo perceber como é que os Assistentes conseguem disfarçar o riso e ainda ninguém se lembrou de reparar o ridículo.

evva
P. S.: Onde será que armazenaram as cadeiras dos cinemas Lumière?

«Prepara-te, que nunca mais vais esquecer este concerto»

Assim dizia um dos privilegiados que tiveram a oportunidade única de assistir ao que foi provavelmente um dos melhores concertos que se hospedaram na Casa da Música. Estava sentado atrás de mim, na quarta fila da plateia, e durante quase duas horas trauteou, enlevado, as notas que Abdullah Ibrahim criava.
Teve tudo, este concerto. A entrega desmedida do septuagenário, em comunhão perfeita com o piano. As exclamações que ouvimos nos discos e cds, de quem tira um prazer absoluto da música que executa. A inesperada condução e interligação das músicas, que é do melhor que o jazz tem. Aquele trecho do Desert Flowers, leitmotiv imprevisto e desejado. O último tema, em que me pareceu ficar magistralmente suspensa uma nota... Conhecem aquela sensação de certas músicas que ludribiam a nossa expectativa e quando pensamos chegado o momento do arrebatamento a nota não surge e nos deixa na ânsia do quase?

Abdullah Ibrahim, num concerto em Stuttgart


No final, com gestos de rara humildade, Ibrahim agradeceu as palmas e a plateia em pé, rendida, como se não merecesse tamanha consideração e estima. Nós é que não te merecemos, Abdullah. E continuo à espera daquela nota.


evva

domingo, abril 30, 2006

The south african piano of Abdullah Ibrahim


Hoje à noite, a Casa da Música acolhe um concerto a solo do pianista de jazz Abdullah Ibrahim. Ouvi-o pela primeira vez em 22 de Abril de 2003, nesse espaço singular que é o Tapado, em volta de uma lareira acesa a degustar um tinto de eleição, música excelente e conversas intermináveis pela madrugada dentro.
O Tapado é um dos meus recantos preferidos e hoje à noite, pelas 22h, mais do que a música singularemente intimista e extraordinária de Abdullah Ibrahim que então gravei num cd e que toca em praticamente todos os jantares que se organizam cá em casa, naquele momento em que depois de repasto os corpos se afundam nos sofás a saborear um bom uísque (I hope...), vou celebrar esse lugar único e os que o construíram e habitam e me fazem sempre renascer a cada encontro.

evva

DEFINIÇÃO DA MOÇA



Como defini-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?

Como defini-la
quando está desnuda
se ela é viagem
como toda nuvem?

Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do quando nua?

como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?

Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 496.

[evva]

Adenda: Oops, esqueci de agradecer a quem me deu a conhecer pela primeira vez o poeta excepcional que é Ferreira Gullar. Sorry, Dulce, não sei se vou conseguir devolver-te o livro...

sábado, abril 29, 2006

Do 25 de Abril

Ainda a propósito do 25 de Abril (é como o Natal, há datas que se comemoram sempre que o homem quiser...), vejam o que se passou no programa da manhã liderado pelo Sr. Manuel Luís Goucha neste 25 de Abril.
Sucedeu que as duas convidadas do dia (pertinentíssimas para a data!), Lili Caneças e Cinha Jardim, partilharam as suas ilustres opiniões sobre o dia da Liberdade. E já estou como o outro, todos gostam de dar as suas «opiniães», pois não pagam imposto nem exigem sabedoria de quem as profere. O caso que me ocorre, todavia, comentar, é a questão das palmas do estimado público convidado pelo programa: Lili Caneças dizia que se hoje ainda há pobreza em Portugal, antes do 25 de Abril o povo realmente passava sérias dificuldades e muitas misérias que obrigaram a uma emigração massiva, e que hoje há a liberdade para expor estas questões, coisa que não era permitida durante a ditadura. Ó tempora! Ó mores! De facto, os aliados podem por vezes encontrar-se junto das pessoas mais insuspeitas! Qual a reacção do público do programa? Nem uma única palma! Comentário da tia Cinha: o 25 de Abil foi responsável pela descolonização, pela miséria de muitos retornados (que aí exploravam os autóctones e as riquezas naturais..., comentário meu), pela morte de sua mãe(certamente de desgosto, pois as únicas mortes desta revolução poética foram causadas pelos PIDES, comentário meu), etc, etc. Reacção do público: estrondosas palmas!
Ah! Que não se diga não haver por aí muitos saudosos do antigamente, e não apenas entre aqueles que realmente saíram economicamente prejudicados pela mudança para a democracia! Entre a gente ignorante e pobre também se encontram muitos nostálgicos do 24 de Abril, permanecendo na ignorância em que o Salazarismo os quis (e parece ter conseguido) manter. Citarei a Bíbila, «Senhor, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!», ou Sophia, «Senhor, perdoai-lhes, porque sabem o que fazem?»

Cristina Costa Vieira

Vermelho é meu sangue e meu coração...

Não tenho sangue azul. Aliás, ninguém tem sangue azul...
Desde que há 33 anos a minha mãe ME DEU À LUZ,
todo o sangue que percorre meu corpo é vermelho.
E o sangue é que me faz viver, e a vida é que me faz sonhar,
e o sonho é que me faz crer que...
PARA O ANO A ÁGUIA HÁ-DE SER A RAINHA DOS CÉUS,
AFUGENTAR OS LEÕES NA TERRA,
E BICAR DOLOROSAMENTE OS DRAGÕES.
ESPEREM LÁ...
ESSE ANIMAL NEM SEQUER EXISTE

Com fair-play
(Este ano mereceram!)

HENRIQUE

Splendour in the air


O meu maior sonho sempre foi ser bailarina. Uma homenagem aos que conseguiram galgar a montanha de obstáculos que uma tal escolha implica e, uma vez lá em cima, lançarem-se no ar. Só quem tem música e ritmo dentro de si entende a sensação absolutamente única que é mover-se assim.

evva

quarta-feira, abril 26, 2006


Il n'y a de réellement obscènes que les gens chastes.

Joris-Karl Huysmans


[evva]

terça-feira, abril 25, 2006

25/04/74

O 25 de Abril pode ser apenas uma data, tal como qualquer outra que se considera importante. Pode ser um motivo de amuo ou de frustração para muitos que gostariam que o futuro tivesse sido outro.
Infelizmente não é razão suficiente para o povo português vir para as ruas celebrar, tal como faz a propósito da vitória do seu clube na primeira liga.
Mas também digam-me lá, de entre as mais importantes para a memória histórica do país, quais as celebrações que o povo reconhece como suas?
Felizmente há uns quantos que sorriem pelo facto de poderem estar a escrever e a falar livremente, e pelo facto de haver ainda pessoas que ainda não entenderam por completo o facto de que a sua frustração não advém do que se passou a seguir mas sim do facto não saberem exactamente o que esse futuro lhes vai trazer. O drama da insegurança e do medo, tão bem retratado naquele desenho animado do filme “Bowling for Columbine” de Michael Moore.
Obrigado Isabel, obrigado Filipe.
Felizmente vamos poder continuar a sorrir. Sorrateiramente. Para não ofender.

andré

Desculpem, mas não resisto a citar...

«Trincheiras

Os meus amigos de direita estão sempre em desacordo com os meus amigos de esquerda. Ou melhor, os meus amigos de esquerda fazem questão de estar permanentemente em confronto com os meus amigos de direita.
A hostilidade vem sempre do lado onde o sentido de humor escasseia.»
(via A Origem das Espécies)


Ah, que falta faz O Acidental!
Eu adorava ter mais amigos de direita, a sério que gostava. O que não quer dizer que certos Amigos de esquerda (pelo menos aqueles a quem posso designar por tal) não deixem de ter algum sentido de humor.

evva

O que eu hoje vou realmente comemorar


A minha irmã chegou à idade de Cristo. Parabéns, Xaninha!

evva

25 de Abril de 1974

Sem recorrer a opiniões mais ou menos credíveis de mais ou menos sumidades (sumidas ou a sumir-se...) para mim, mesmo correndo o risco de cair no cliché, hoje comemora-se a liberdade. A liberdade que se conquistou pelas mãos de homens e mulheres que estavam cansados de não poder falar, de não poder fazerloucuras, mais ou menos sérias, de não poder exigir salários justos, de não poder, se lhes apetecesse, sair do país. Homens e mulhers cansados de serem perseguidos só porque o vinho e o pão não lhes era suficiente. Porque acreditavam e criam em algo melhor. Melhor do que a bacoquice dos três Fs! Porque não acreditavam em padrões!
O que se fez ou faz hoje dessa liberdade é discutível. E ainda bem! Foi isso o 25 de Abril!!!! O tornar possível posts como o anterior e os comentários que lhe estão adjacentes.
Para mim, que não o vivi, mas que o sinto e respeito como um dia pleno de significado, o 25 de Abril é sinónimo de sonho, de construção. Claro que todos os sonhos e construções são imperfeitos... Mas ser sonho é sinónimo de pensamento, coisa que antes desta data não deveria passar disso mesmo: de pensamento escondido.
Claro que a seguir houve perseguições. O ser humano é mesquinho... anseia, pela sua natureza primária, vingança. Mas por mais cruel e injustificada que a violência da esquerda fosse, o que se chama à bacoquice (sim, repito o termo de propósito) pseudotirana do regime?
E quanto a brilhantes gestores, economistas e outras coisas acabadas ou não em istas, creio que ainda hoje se podem encontrar uns quantos... talvez menos escol, mas mais gente. Gente que quis falar, sonhar, bem ou mal não importa, mas que se recusou a ficar entorpecida
Por isso, hoje, colho um cravo vermelho e com muito, muito, muito orgulho escuto a grândola de lágrima no olho pelo profundo respeito que esta data me inspira. Porque me permite isso: sair à rua, com um cravo vermelho. Porque sou livre para o fazer.
25 de Abril, sempre!
Isabel Sofia