domingo, junho 11, 2006

Alterava propositadamente as horas dos seus posts, para que ninguém desconfiasse que passava os sábados à noite em casa, sozinho, frente ao computador.

evva

sábado, junho 10, 2006

Portugueses...

Estação de Campanhã, manhã de sexta-feira.

As recentes obras de remodelação do largo da estação praticamente eliminaram os lugares de estacionamento, com a abertura do parque subterrâneo. Como ia buscar uma amiga um pouco carregada, parei o carro por momentos em segunda fila naqueles lugares mesmo em frente às 'Entradas'. O carro à minha direita sai e estaciono no seu lugar. Eis senão quando um troglodita ao volante de um topo de gama descapotável, provavelmente furioso por ter-lhe ocupado um hipotético lugar, faz marcha atrás desde lá do fundo, onde também parara em segunda fila, e bloqueia-me a saída no mesmo instante em que a minha amiga entra no carro. Já se preparava o energúmeno para sair, a falar ao telemóvel, e deixar-me o bólide estatelado ali ao lado, mas lá lhe pedi e repedi encarecidamente para chegar o carro à frente, para que eu pudesse libertar-lhe o lugar de estacionamento. Como falava ao telemóvel só à quarta ou quinta vez é que me deu atenção, mas juro que da próxima vez chamo o reboque da Psp para me tirar a carroça da frente.
evva

domingo, junho 04, 2006

desabafos

Uma sugestão para os promotores do Plano Nacional de Leitura:

- permitir aos professores de português dos Ensinos Básico e Secundário o regresso aos 'clássicos' da literatura universal na sala de aula, em vez de obrigar ao cumprimento de um quilométrico 'programa' que inclui os famigerados 'Textos do Domínio Transaccional' (jargão que designa 'a declaração, a acta, o relatório, o contrato' e outras idiotices que nos fazem perder tempo em vez de ensinar o essencial);

- reduzir a obrigatoriedade da permanência dos professores na escola para as 22 horas lectivas, e não fazer-nos perder tempo em reuniões inúteis, salas de estudo, substituições, horas de biblioteca, etc. É claro que todas estas actividades são imprescindíveis numa escola (excepto aquelas reuniões intermináveis a discutir o sexo dos anjos), mas elas não devem existir sobrecarregando a carga horária dos docentes.

Para ensinar é preciso estudar, muito para além do que se aprende nos cinco anos de licenciatura. É um dos aspectos que mais me agrada nesta profissão, para além do contacto com os alunos, vê-los crescer em maturidade e conhecimentos, capacidade de reflexão e argúcia. Mas para estudar e adaptar os conteúdos à sala de aula é preciso tempo. Tempo de leitura, de selecção de informação, a mais adequada aos alunos que se tem pela frente, a mais actualizada. Os manuais escolares continuam a ser elaborados em função do aluno citadino. O que fazer quando um texto de um manual de sugere a um aluno de uma zona rural que escreva sobre a azáfama das grandes cidades ou sobre a última vez que foi ao cinema? A maior parte deles só pensa em andar de bicicleta pelos campos fora e não é raro encontrar quem nunca tenha ido a um cinema.

Para tudo isto, para ler os textos que os alunos escrevem, para corrigi-los, para poder fomentar o gosto pela leitura, um professor de português precisa de tempo, de um local tranquilo e silencioso. Obrigar os professores a permanecer na escola numa multiplicidade de tarefas, muitas delas burocráticas, é roubar-lhes esse tempo imprescindível. As escolas não têm condições para que os professores possam preparar aulas ou corrigir testes e exercícios. Não têm computadores para professores. Se um professor tivesse uma sala ou gabinete onde pudesse realizar essa parte importante do trabalho de docência, nunca traria trabalho para casa, nunca passaria noites e fins-de-semana inteiros em branco.

Finalmente, para ensinar o prazer da leitura (sim, porque o gosto também se ensina) é preciso amar os livros, a leitura e a escrita. Só há alguns anos percebi que muitos professores de português não gostam de ler ou não gostam de poesia. Na minha santa ingenuidade pensava que todos tinham escolhido a profissão por amor ao saber, ou a partilhá-lo. Puro engano.

evva

Serviço Público

Um muito sincero Obrigada a O Jumento por publicar on-line as crónicas de Vasco Pulido Valente no Público:

«O ETERNO RETORNO

Com eterno retorno, em que se tornou a vida portuguesa, volta a leitura, desta vez com um "plano". Pôr a criançada a ler e o público em geral. Muito bem. A ler o quê? Os "clássicos", dizem. Mas que espécie de "clássicos"? Gil Vicente, Camões, Vieira, Garrett, Camilo, Eça, Oliveira Martins, Cesário, Pessoa? Infelizmente, não há "clássicos" que se possam ler: tirando a poesia (um caso complicado), um pouco de Eça, de Camilo e Oliveira Martins, quanto muito. E o inevitável Júlio Dinis, se conseguir passar por "clássico" e se alguém hoje o aturar. O facto é que a literatura portuguesa é pobre. Ainda por cima, os "protegidos" do "plano" não a percebem: nunca viram grande parte das palavras, tropeçam na sintaxe, ignoram as referências. Pegue, por exemplo, um dos promotores do "plano" em, por exemplo, Viagens na Minha Terra ou A Relíquia e explique o que lá está (um centésimo basta). Gostava de assistir.
Não conheço muita gente, gente da minha idade, que leia, apesar de uma educação tradicional. Porquê? Porque ler implica um esforço: de atenção, de inteligência, de memória. Ler é uma actividade e a nossa cultura é quase inteiramente passiva. A televisão, o DVD, a música popular ou a conversa de computador não exigem nada, deixam a pessoa num repouso imperturbado e bovino. Mudar isto equivale a mudar o mundo. Não se faz com um "plano". Claro que o romance de aeroporto se continua a vender, e bem: não puxa pela cabeça e vai matando o tempo. Talvez que Miguel Sousa Tavares (300 mil exemplares só em Portugal, mandou ele corrigir) e Margarida Rebelo Pinto levem a melhor. O Estado missionário não leva com certeza a parte alguma. Ou leva, leva a uns milhares de empregos para burocratas, bibliotecários, "mediadores de leitura" (um truque novo) e para a tropa fandanga do costume.
José Manuel Fernandes lamenta que os portugueses não leiam jornais, sentimento que do coração partilho. Mas também não existe em Portugal uma verdadeira discussão política (nem no Parlamento). A sério, a sério, não se discute coisíssima nenhuma: nem o regime, nem a ideologia do regime, nem religião, nem moral, nem moral social, nem sequer os deploráveis costumes da tribo. Porque iria um cidadão comprar sofregamente o jornal? E por que raio de lógica ler Eça e Camilo (que, de resto, execravam jornalistas) convenceria um adulto (ou uma criança) da bondade da imprensa? Desde o "25 de Abril", Portugal sofreu uma série infinita de obras de misericórdia, para chegar ao poço. É altura de acabar com a brincadeira.»



evva

76ª Feira do Livro do Porto

Os Livros do Dia. Aqui.

evva

sábado, junho 03, 2006

What kind of evil are you?

You Are 26% Evil
A bit of evil lurks in your heart, but you hide it well.
In some ways, you are the most dangerous kind of evil.



Ok, assim fico mais descansada, de santinhas de altar está o Inferno cheio. Bem dizia o outro, está-me no sangue...

evva

O MONSTRO



Vasco Pulido Valente, no Público:

«Voltou a discussão sobre a violência na escola. É assunto tão velho que já tresanda. Mas neste país, que não aprende, e nunca aprendeu, é sempre preciso repetir o óbvio. Vêm as desculpas do costume (o "meio social", a "família" e por aí fora). E os remédios do costume (a autoridade dos professores, a participação dos pais, como se eles se ralassem, ou do mirífico dinheiro da "iniciativa privada"). Infelizmente, nada disso leva a parte alguma. Os "reformadores" têm de meter na cabeça uma verdade básica: na prática, o sistema de ensino não permite expulsar, repito, expulsar ninguém e assim, como se depreenderá, qualquer aluno tem a impunidade garantida. Do ministro ao último professor, toda a gente acredita que expulsar um aluno equivale a uma espécie de condenação à morte. Marçal Grilo, uma das pessoas mais deletérias que passaram pelo Governo, reservou para si a autoridade de aplicar essa pena capital e, segundo nos disse depois, ficou muito emocionado e tremente, quando em três casos durante quatro anos não a pôde evitar. Isto quase que significa uma licença para matar, coisa que as criancinhas percebem muito bem.

Quem não vive na lua está farto de saber o que a escola precisa e não precisa. Não precisa de psicólogos, nem de psiquiatras: precisa de um código disciplinar e de uma guarda que o execute. Não precisa de conselhos directivos, nem de lamechice pedagógica, precisa de um director (como defende o PSD), que ponha expeditivamente na rua quem perturbar a vida normal da escola, quer se trate de alunos, quer se trate de professores. Não precisa da ajuda, nem da "avaliação" dos pais; precisa que os pais paguem pelo menos parte da educação dos filhos (mesmo que em muitos casos esse pagamento seja um gesto simbólico).

A escola que por aí existe, como a democracia a fez, não passa de uma garagem gratuita onde os pais por comodidade e tradição metem as crianças. Não serve as crianças, que não a respeitam e, em grande percentagem, voluntariamente a deixam. Não serve os professores, que não ensinam e sofrem, ainda por cima, um vexame diário. Não serve a economia, a cultura ou o simples civismo dos portugueses. É inútil, quando não é nociva. Chegará, ou não chegará, o dia em que um governo se resolva a olhar para a realidade. Até lá não vale a pena gemer por causa de um monstro que Portugal inteiro viu crescer com equanimidade e deleite.»

evva

Ítaca

Se vais iniciar a viagem para Ítaca,
pede que o teu caminho seja longo,
rico em experiências e em conhecimento.
A Lestrígones e a Cíclope,
ou ao irado Poseidon, nunca temas,
não encontrarás tais seres na tua rota
se mantiveres alto o pensamento e limpa
a emoção do teu espírito e o teu corpo.
Nem Lestrígones, nem Cíclope,
nem o feroz Poseidon, encontrarás jamais,
se não os levares na tua alma,
se a tua alma não os colocar diante dos teus passos.

Pede que o teu caminho seja longo.
Que numerosas sejam as manhãs de Verão
em que com prazer, chegues feliz
a portos nunca vistos;
detém-te nos empórios da Fenícia
para comprar as formosas mercadorias,
nácar e coral, ambar e ébano,
e perfumes sensuais e diversos,
quanto houver de aromas deleitosos;
peregrina as cidades do Egipto
e avidamente aprende com seus sábios.

Mantém Ítaca sempre no teu espírito.
Chegar lá é o teu destino.
Mas nunca apresses a viagem.
Melhor será que ela se estenda por muitos anos;
e na tua velhice ancores na ilha
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar que Ítaca te enriqueça.

Ítaca ofereceu-te uma viagem maravilhosa.
Sem ela, jamais terias partido.
Mas nenhuma outra coisa te poderá dar.

Ainda que pobre a encontres, Ítaca não te enganou.
Rico em saber e em experiência de vida, como chegaste,
sem dúvida saberás o que Ítaca significa.

Kavafis (1911)


Espero, no regresso, ouvir recitar este poema na língua de origem. Aqui fica.

Ιθάκη
Σα βγεις στον πηγαιμό για την Ιθάκη,
να εύχεσαι νάναι μακρύς ο δρόμος,
γεμάτος περιπέτειες, γεμάτος γνώσεις.
Τους Λαιστρυγόνας και τους Κύκλωπας,
τον θυμωμένο Ποσειδώνα μη φοβάσαι,
τέτοια στον δρόμο σου ποτέ σου δεν θα βρείς,
αν μέν' η σκέψις σου υψηλή, αν εκλεκτή
συγκίνησις το πνεύμα και το σώμα σου αγγίζει.
Τους Λαιστρυγόνας και τους Κύκλωπας,
τον άγριο Ποσειδώνα δεν θα συναντήσεις,
αν δεν τους κουβανείς μες στην ψυχή σου,
αν η ψυχή σου δεν τους στήνει εμπρός σου.

Να εύχεσαι νάναι μακρύς ο δρόμος.
Πολλά τα καλοκαιρινά πρωϊά να είναι
που με τι ευχαρίστησι, με τι χαρά
θα μπαίνεις σε λιμένας πρωτοειδωμένους•
να σταματήσεις σ' εμπορεία Φοινικικά,
και τες καλές πραγμάτειες ν' αποκτήσεις,
σεντέφια και κοράλλια, κεχριμπάρια κ' έβενους,
και ηδονικά μυρωδικά κάθε λογής,
όσο μπορείς πιο άφθονα ηδονικά μυρωδικά•
σε πόλεις Αιγυπτιακές πολλές να πας,
να μάθεις και να μάθεις απ' τους σπουδασμένους.

Πάντα στον νου σου νάχεις την Ιθάκη.
Το φθάσιμον εκεί είν' ο προορισμός σου.
Αλλά μη βιάζεις το ταξίδι διόλου.
Καλλίτερα χρόνια πολλά να διαρκέσει•
και γέρος πια ν' αράξεις στο νησί,
πλούσιος με όσα κέρδισες στον δρόμο,
μη προσδοκώντας πλούτη να σε δώσει η Ιθάκη.

Η Ιθάκη σ' έδωσε το ωραίο ταξίδι.
Χωρίς αυτήν δεν θάβγαινες στον δρόμο.
Αλλο δεν έχει να σε δώσει πια.

Κι αν πτωχική την βρεις, η Ιθάκη δεν σε γέλασε.
Ετσι σοφός που έγινες, με τόση πείρα,
ήδη θα το κατάλαβες η Ιθάκες τι σημαίνουν.

Κωνσταντίνος Π. Καβάφης (1911)


evva

sexta-feira, junho 02, 2006

E depois de onze anos de serviço


regresso finalmente à minha cidade.

Adeus auto-estradas, adeus portagens, um terço do ordenado gasto em gasolina. Hoje vou dormir em paz (se conseguir sequer adormecer...).

evva

TEMOS PRESIDENTE

Cavaco Silva veta a absurda Lei da Paridade:

«Mensagem do Presidente da República à Assembleia da República, a propósito do Decreto nº 52/X (Lei da Paridade)
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República

Excelência

I. Recebi para ser promulgado sob a forma de lei orgânica o Decreto nº 52/X da Assembleia da República, designado por “Lei da Paridade”, o qual “Estabelece que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as Autarquias Locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos”.

Trata-se de um diploma estruturante do funcionamento da democracia representativa e relevante para o exercício de direitos e liberdades políticas fundamentais, reclamando, por essa mesma razão, um escrutínio particularmente atento por parte do Presidente da República.

Considero um pilar fundamental da qualidade da democracia portuguesa o aumento da participação das mulheres na vida política.

Como tal, à luz das disposições do artigo 109º da Constituição, entendo constituir uma obrigação do legislador, tanto a remoção de discriminações negativas em razão do sexo no acesso a cargos políticos, como, também, a promoção da igualdade no exercício de direitos políticos.

Contudo, a legitimidade dos valores a proteger e dos fins a alcançar através de medidas positivas que promovam a paridade não justifica a utilização de todo o tipo de meios para os atingir. Isto, sobretudo, se os mesmos meios comprimirem desproporcionadamente e sem fundamento material razoável, outros valores de relevo político e constitucional que mereçam ser acautelados.

Tal é, claramente, o caso do artigo 3º da “lei da Paridade”.

II. A objecção de fundo que coloco ao mérito do diploma centra-se, precisamente, na circunstância de o seu artigo 3º, ao prever a possibilidade de rejeição das listas de candidaturas desconformes com o respectivo preceituado, se afigurar como um regime sancionador excessivo e desproporcionado e, como tal, desadequado para preencher os fins prosseguidos pela mesma legislação.

O carácter excessivo e desproporcionado do meio consagrado deriva da circunstância de o mesmo:

- Constituir uma severa restrição à liberdade e ao pluralismo de opções que inerem á democracia representativa, na medida em que pode impedir que certos partidos ou listas de candidaturas eleitorais, que não aceitem ou que não possam cumprir com os rígidos critérios do diploma, sejam impedidos de concorrer a eleições;

- Interferir, de forma exorbitante, na liberdade e identidade ideológica de cada partido relativamente à matéria da paridade e limitar a sua autodeterminação política interna em poder organizar as listas de candidatos de acordo com a vontade dos respectivos órgãos eleitos democraticamente;

- Restringir, sem fundamento razoável, a liberdade de escolha do eleitorado relativamente às listas de candidatos, mediante uma inclusão artificial e forçada em lugares elegíveis de candidaturas desconhecidas ou não desejadas, de um ou de outro sexo;

- Dificultar, desnecessariamente, a constituição de listas nas eleições locais onde, em certas áreas menos povoadas do interior e com elevado índice de envelhecimento (nas quais não seja aplicável a excepção do nº 4 do artº 2º do decreto), se torna problemático recrutar candidatos dentro dos estritos limites da representação de género impostos pelo diploma;

- Petrificar um regime limitativo da liberdade política já que, sendo a fixação de índices de representação em razão do sexo uma medida naturalmente transitória destinada a inverter situações de sub-representação de género, se verifica que no diploma inexiste qualquer cláusula com esse carácter transitório, ficando um regime restritivo que por natureza deveria ser temporário envolvido na rigidez própria das leis orgânicas;

- Forçar a passagem súbita de um sistema que não prevê índices mínimos de representação de género na apresentação de candidaturas eleitorais, como o actual, para um dos regimes mais dirigistas da Europa, o qual vai ao ponto de admitir a proibição da apresentação de partidos ou de listas de candidaturas a eleições.

Para além das razões expostas, considero, ainda, que carece de sentido, em termos de necessidade, a opção de criar uma das disciplinas sancionatórias mais rigorosas em matéria de representação de género de entre os Estados da União Europeia, sem que se tenha, previamente, intentado esgotar outras soluções adoptadas por vários desses Estados que correspondem às melhores práticas e que se revelam mais afeiçoadas à liberdade política.

III. A dignificação dos direitos políticos das mulheres constitui uma prioridade constitucional que deve ser atingida através de meios adequados, progressivos e proporcionados e não por mecanismos sancionatórios e proibicionistas que concedam às mulheres que assim acedam a cargos públicos um inadmissível estatuto de menoridade.

Do mesmo modo, importa fazer primar os valores fundamentais da liberdade e do pluralismo na selecção, apresentação e votação dos candidatos a eleições políticas, sobre uma opção penalizadora destinada a alcançar, mediante sacrifícios e restrições excessivas, uma paridade de género que poderia ser atingida por meios mais razoáveis.

Assim, ao abrigo da alínea b) do artigo 134º da Constituição da República e nos termos e para os efeitos do disposto no nº 1 do artigo 136º da CRP, decidi não promulgar como lei orgânica o Decreto nº 52/X da Assembleia da República, solicitando, pelos fundamentos apresentados, uma nova apreciação do diploma.

Com elevada consideração.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Aníbal Cavaco Silva


02.06.2006»

evva

Por estas e por outras é que nunca faço greve

«A Ministra e a Fenprof


Na SicNotícias, ao fim da noite, a ministra da Educação lá veio dizer que não chamou incompetentes a todos os professores, nem os acusou de serem os principais ou os únicos responsáveis pela situação actual do ensino.
Em entrevista ao mesmo canal, António Avelãs, dirigente da Fenprof, acaba de anunciar que a atitude normal do seu sindicato é negociar. Como prova deste princípio, está convocada uma greve a exigir a demissão da ministra, porque o projecto de estatuto é... inegociável.
E quando será implementada esta inovadora, criativa forma de luta?
Fantástica coincidência: dia 14.
Precisamente 4ª feira, dia 14, aquele dia que ali estava, a meio da semana, a estragar as mini-férias de 13 a 15!
Está ganha a semana, com apenas dois dias de trabalho, para a malta de Lisboa, e três para o resto do país. (Talvez não fosse má ideia uma greve para exigir a instituição do 13 de Junho como feriado nacional).
Abençoado seja o Sindicato, que tanto zela por nós, sofredores!
É assim que a Fenprof defende os interesses dos professores?
É assim que contribui para dignificar a imagem da classe?
É esta uma postura responsável e séria, de diálogo e negociação?
É esta a melhor forma de pugnar por uma escola de qualidade?
Considera injusta a criação de duas categorias na carreira, mas acha que não vale a pena negociar.
Acha que o novo estatuto é um subterfúgio para poupar dinheiro ao orçamento de Estado, mas entende que não serve como base negocial.
Julga necessária a avaliação dos docentes, mas não com base neste documento de trabalho.
Então, o que é que negoceia? E com base em quê?
Quem nos leva a sério, com sindicatos destes?E como vamos sair daqui, sem ninguém disponível para aceitar que o erro não é só do outro?
Sobre a actual situação, pergunto:
Como chegámos a este modelo de avaliação de professores, onde todos são suficientes?
Quem esgalhou este sistema de formação contínua, com acções de formação em Tapetes de Arraiolos, ou em Danças de Salão, a contar para a progressão na carreira?
Que voz tiveram os professores na retirada da sua autoridade na sala de aula, engolida pela panaceia burocrática dos procedimentos disciplinares?
Quem decidiu que o aluno podia aprender, e ter sucesso escolar sem esforço, nem trabalho, nem responsabilidade?
Quem convenceu os pais de que ir à escola era só um direito, e não um dever?
Quem esvaziou de verdadeiro sentido os órgãos de gestão intermédia das escolas, atacando-os de reuninite aguda?
Quem não percebeu que uma escola obsecada pela projectite crónica perde de vista os alunos, e fica sem tempo para se debruçar sobre o essencial, que são eles, a sala de aula, as aprendizagens, ou os materiais didácticos?
Quem nos conduziu até aqui?
Os sindicatos e sucessivos Ministérios da Educação (com uma ajudinha da Confederação de Associações de Pais) têm trabalhado afincada e meticulosamente, ao longo dos anos, para nos deixar neste estado.
Sendo assim, e já que estamos em tempo de acusações, que cada um tome conta do seu quinhão, porque há dose para todos!
Até porque, neste momento, parece que ninguém tem culpa. Só se vislumbram vítimas:
Os pais, na sua condição de parceiros, são alvo do complexo de inferioridade dos professores;
Os professores, enquanto rosto da escola, são insultados pelo descontentamento dos pais;
A ministra, enquanto política, é acusada do falhanço passado e do fracasso futuro.
Com tudo isto, nem sei como é que consigo gostar da minha escola, prezar o meu trabalho, respeitar os alunos, dialogar com os pais, coexistir pacificamente comigo mesma, suportar as contrariedades, sobreviver e dormir em paz!».

evva

E hoje apetece-me ouvir

MARIA BETHÂNIA

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei.
Eu nada sei.
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir...
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada
Eu vou, estrada eu sou...
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega, no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história.
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz.

[evva]

quinta-feira, junho 01, 2006

Camilo suicidou-se há 116 anos


Um dos meus heróis. E este há-de ser sempre um dos livros a que mais vezes regresso e a adaptação que dele fez Manoel de Oliveira um dos meus filmes favoritos. Poucas vezes o cinema conseguiu uma capacidade narrativa assim.


evva

Se um dia coligirem os melhores textos da blogosfera, de certeza que este lá estará

Flashback

Por RAF.

«Cara Sinapse,

Nos meus Verões, apanhava amoras no Douro para a minha irmã mais velha fazer doce. Acordava antes das oito e meia (hora a que soava um silencioso e discreto recolher obrigatório do que havia na mesa do pequeno-almoço); e garanto-te que não era necessário despertador, esse objecto triturador de tímpanos e indutor de AVC’s, porque torradas no forno pinceladas com manteiga previamente derretida faziam muito mais por me acordar do que dez galos a cantar em uníssono, quanto mais esses subprodutos fabricados na China ou em Taiwan, inventados por um sádico (certamente um adepto do neo-capitalismo selvagem), que retiram qualquer glamour à alvorada. Vivia assim o dia como não o faço hoje, perdido que fico nas férias a resmungar no vale dos lençóis.

Tomava banho no Corgo, ainda o comboio serpenteava até Vila Real, em locais onde os pais de hoje jamais deixariam ir os seus filhos sozinhos. Saía de espingarda de chumbos para apanhar passarecos. Nunca acertei em nenhum. Talvez por isso seja agora contra a caça, usando argumentos dignos para camuflar a minha ausência total de pontaria.

Depois do almoço, à hora do calor, recolhia à "loja" ou ao lagar, onde um frio bom convidava à leitura. Ou a uma partida de xadrez. King. Póquer, literalmente a feijões, até ser banido pelo Conselho de Pais: era demasiado interessante e perturbava outros hábitos mais calmos; as peças do jogo acabaram no tacho, misturadas com tripas.

Após o lanche, o pátio era dominado pelo esférico; no fim das férias, as paredes, provisoriamente balizas, tinham de ser novamente caiadas; os grandes golos eram aqueles que traziam consigo a queda vertiginosa de um bom bocado de cal. Quando calhava, descia pela estrada de terra ou a cortar caminho pelas vinhas até Santo Xisto, ao Manel da Venda, para levar o correio ou comprar o que houvesse: em geral, não havia nada: vinho a copo, de um vermelho que manchava, bagaço ou cerveja não faziam parte da minha dieta; ficava tonto só com cheiro; a minha primeira bebedeira foi assim olfactiva; questionava-me onde tinha posto o Manel os seus dentes; e como é que tão bêbado nunca se enganava no troco. Hoje, mando e-mails.

Foi nas férias de verão que descobri que os gatos caem sempre direitos, independentemente da altura e do carácter voluntário ou não do respectivo salto.

Nesta época da vida reservei ainda o meu bilhete de ida para o Céu (em classe executiva); Missa e Terço faziam parte da rotina diária. Havia tempo até para nos lembrarmos de Deus. Desde que não mate ninguém e não desvie subsídios da PAC estou certo que os Jardins do Éden já não me escapam!

Ao fim do dia, gostava de olhar ao longe as Serras das Meadas e do Gerês; durante anos, pensava com o meu primo Miguel que um dia a haveríamos de subir. E subimos! Desde a estação da Rede, até à Ermida, pelos trilhos desenhados nas cartas militares!

À noite, conversávamos nos terraços, vendo a estrelas; televisão, às vezes, quando a antena caprichosa o permitia, captando o sinal; com sorte, alimentávamos a síndrome de Nero, apreciando o fogo nas montanhas em redor, num tempo em que os incêndios eram sobretudo fruto da acção da Natureza ou da mera incúria, e não da maldade e da ganância dos homens.

Nas férias havia também tempo para o mar. Nas praias de Leça, Beijinhos e Fuzelhas, a água era gelada, mas curiosamente não parecia. As ondas eram enormes, muito maiores do que agora; o mar não proibia nem aplicava coimas; colaborava com os pais, e fazia por animar as crianças. O vento era sempre presença assídua, pelo que nos fazíamos acompanhar de pesados "pára-ventos", os arqui-inimigos da "Nortada"; e que permitiam além do mais delimitar o nosso pedaço de areia; quando não havia vento, então era porque tinha fugido o sol; nesses dias tinha na mesma de pôr creme porque, segundo a minha mãe, o nevoeiro queimava com mais força; o que era para mim um grande mistério pois não via o sol nem sentia o calor a aquecer-me a pele; foi assim que aprendi o que era a Fé: acreditar naquilo que a minha mãe me dizia, mesmo que não fizesse sentido nenhum. Ela também me explicava que as praias do Norte me faziam bem, "porque tinham iodo".

Talvez por estar carregadinho de iodo, na praia, apaixonava-me, dia sim, dia não. Nada contudo que interferisse com as rotinas diárias: apanhar "ranhosas" e caranguejos, de baldinho na mão; coleccionar "sameiras" (a que o meu primo de Lisboa chamava "caricas"; e ainda dizem que somos um país uno; tornei-me na praia um fervoroso adepto da "Regionalização"); esférico: horas atrás do esférico; e piadinhas, centenas de histórias e piadinhas (efeitos colaterais do excesso de iodo, talvez). O meu irmão mais novo, esse preferiu aprender sozinho a ler no meio da areia, esvaziando de responsabilidade e necessidade a função do seu professor primário; foi ele o primeiro a provar-me a inutilidade do Estado.

Lembro-me, como tu, das vendedoras ambulantes, que impingiam os seus bolos ou berravam, "Pipocas ou Batatinhas! Pipocas ou Batatinhas!". O pregão que mais me marcou, contudo, surgia ao longe, cada vez mais perto, cantado por uma velha senhora, carregada de saiotes e lenços, que se arrastava desde Leça até à Boa Nova, e com uma pronúncia que não enganava, entoava: "Olhaaaai os biscoitinhos de Baluanguuuu; Olhaaaai os biscoitinhos de Baluanguuuu". Baluangu. Demorei dez anos a perceber onde fica...

Este fim-de-semana vou ao Douro.

Rodrigo Adão da Fonseca»
evva

terça-feira, maio 30, 2006

Está demasiado calor para me pronunciar sobre o assunto, mas aqui ficam algumas leituras imprescindíveis

Ensino, Ministério de Educação & Professores

"O sentido não se decreta, não existe em nenhuma parte se não estiver em todo o lado" [Lévy-Strauss]

A animosidade intelectual do Ministério da Educação contra os professores e a quixotesca reorganização do sistema educativo a que se assiste (misturando teorias de management duvidosas, de enorme frivolidade, com mudanças de características pedagógica desajustadas, pouco rigorosas, ineficazes e de má fé) deixa as famílias, os pais, os encarregados de educação e os docentes à beira de um ataque de nervos. O economicismo pacóvio revelado pela tutela governamental não só põe em causa, definitivamente, todo o sistema educativo (já de si quebrado pelo recheio pedagógico do eduquês, curiosamente apadrinhado por esses mesmíssimos intervenientes e por quem os apoia cegamente) mas, pela afronta à civilidade e à inteligência de todos nós, compromete qualquer passo em frente no desenvolvimento económico do país. A não ser que se tenha, exclusivamente, a intenção malévola de proporcionar passagens administrativas para inclusão nas estatísticas, não se consegue alcançar a bondade das medidas presentes na proposta de alteração do "Regime Legal da Carreira do Pessoal Docente" e o que consta do documento da "Política Educativa e Organização do Ano Lectivo 2006/07". São tantas as contradições e tão evidente a má fé, que julgamos que só razões do foro psicanalítico explicarão as inenarráveis reformas tomadas. O eduquês é só por si um mistério e, deste modo, o discurso oficial deixa de ter qualquer lucidez. Incapaz, pela natureza própria do eduquês, de mudar a matriz curricular inadequada ao perfil dos alunos em diferentes Cursos (que o inefável David Justino instituiu), desistindo de reformar métodos e procedimentos curriculares e psico-pedagógicos, mostrando (e de que maneira infausta) que não está disposta a alterar o facilitismo educativo e o pouco rigor avaliativo (e que os professores, pela sua condição de funcionários, não controlam), introduzindo com requintes de malvadez o confronto entre docentes e entre estes e os pais, a equipa da senhora Ministra da Educação fomenta a agonia na Instituição Escola e presta um mau serviço ao país. A fuga à prática escolar lectiva e a desvalorização da componente pedagógica-curricular em troca de um economicismo inebriante, determinaram a necessidade da tutela configurar um maior controlo disciplinar e punitivo sobre os docentes, que estão assim reféns de si próprios e da perversidade das medidas ministeriais. Não se pense que a voragem ministeriável iliba os vários e insanos discursos dos sindicatos sobre a Escola, a sua actividade lectiva e não-lectiva ou a avaliação do desempenho dos seus associados. Os sindicatos (evidentemente que não se refere, aqui, à FNE, dado ser um grupo de vassalos da quadrilha rotativa governamental ao longo de todos estes anos) contribuíram para a situação a que se chegou. Tantos anos sem qualquer preocupação de rigor pelo trabalho e avaliação dos professores teriam que levar a todo este desastre educativo, que se aproxima em grande exaltação. E quando se tem governos autoritários e incompetentes dum lado e sindicatos autistas de outro, nada se pode fazer. Infelizmente»

Sobre o mesmo assunto, ler também o que publicou o Abrupto. Acha que o ensino vai mal em Portugal? Pois não queira esperar pelo que aí vem. Se hoje em dia é difícil reprovar um aluno nas Escolas Básicas e Secundárias, se o facilitismo e a indisciplina abundam, se poucos encaram a aprendizagem como um trabalho sério de desenvolvimento de conhecimentos e capacidades, depois de aprovado o novo e desastroso Estatuto da Carreira Docente não sei se quero cá estar para ver.

evva

QUE CALOR


Alguém me arranja um Gin Fizz?

segunda-feira, maio 29, 2006

A Parada

Casa paterna, almoço dominical. O meu avô, homem de esquerda dos cinco costados, inquire a mesa:
- A que horas é a Parada?
- ...?
- Que Parada, Paizinho?, interroga meu pai.
- Então hoje não é 28 de Maio?! E não costuma haver uma grande Parada?
- Mas isso era no tempo do Salazar. Depois do 25 de Abril deixou de haver Paradas..., vociferou o filho impaciente.
Lá tentei explicar calmamente que a 28 de Maio se comemorava a sublevação que pôs fim à I República de má memória e o início do regime a que se chamou Estado Novo. Não sei se terá ficado convencido com o actual esvaziamento de sentido do 28 de Maio, mas pus-me a pensar se este ténue primeiro sinal de uma memória confusa num homem que foi entusiasticamente receber Humberto Delgado à estação na sua vinda ao Porto durante a campanha eleitoral de 1958 (não porque o General participara no golpe militar de 28 de Maio de 1926, mas pelo que representava de oposição a um regime que acusava já profundos sinais de desgaste), um homem que sempre votou à esquerda no pós-25 de Abril e sempre votará, se tudo isto não significará algo mais profundo. Sabe-se que a velhice só não traz uma diminuição da lucidez a uns tantos quantos felizardos e que normalmente os que vão perdendo essa capacidade nunca apagam da memória os momentos felizes da juventude e que gastam a eternidade do tempo que lhes resta a obsessiva e reiteradamente evocá-los. O meu avô paterno não guardará decerto muito boas recordações do Estado Novo, creio, mas aquela Parada e o que ela significará na sua memória far-lhe-ão provavelmente algum sentido, na degradação dos dias que correm.

evva

Adenda: ainda sobre o 28 de Maio, ler este post.

domingo, maio 28, 2006

PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA


A 28 de Maio de 1926, estes senhores montados em cavalos, e mais uns outros tantos, cavalos ou a cavalo, empurraram um país à deriva, que era o nosso, para um dos mais profundos abismos da sua história, o Estado Novo do senhor ministro das finanças.
Se o senhor era ou não fascista (o historiador inglês Eric Hobsbawm no seu livro "A Era dos Extremos", diz que não era) é absolutamente irrelevante. O senhor professor catedrático de finanças retirou-nos a liberdade, manteve-nos pobres, subdesenvolvidos, analfabetos, mas ordenados, quietinhos, "bem comportados". Sim, se não tivesse havido 25 de Abril, provavelmente este blog não existiria. Provavelmente…
Hoje o Público trás uma reportagem interessante sobre o 28 de Maio. Coitado do general Carmona, tão bem intencionado que ele era. Mas o povo já diz há muito que "de boas intenções …".

Ainda bem que hoje podemos discutir a retórica conservadora de direita e a sua homónima panfletária de esquerda. Eu cá não me importo nada. Discutamos então. É sinal de que somos livres para o fazer. Livres. Percebem?…

andré

A seguir atentamente

A querelle 'O Estado Novo não foi um regime fascista', n'O Insurgente:

«Vital Moreira está preocupado com o terreno que tem vindo a ser ganho nos últimos tempos por leituras históricas da I República e do Estado Novo que fogem à cartilha de propaganda pseudo-historiográfica esquerdista que dominou o tratamento oficial desses temas desde o 25 de Abril de 1974 até muito recentemente.

No topo da lista de preocupações de Vital Moreira, a avaliar pelo título do post, está aparentemente a desconstrução do mito propagandístico segundo o qual o Estado Novo teria sido fascista. A verdade é que, por muito que isso custe ao imaginário revolucionário de Vital Moreira, o fascismo nunca "existiu" em Portugal, pelo menos enquanto ideologia dominante no aparelho de Estado. A menos, claro, que a definição de "fascismo" de Vital Moreira seja de tal modo caricatural que inclua todos quantos se posicionam à direita de marxistas, neo-marxistas e sociais-democratas.

É compreensível o desconforto de Vital Moreira quando se vê confrontado com uma crescente contestação aos dogmas em que assenta a mitologia construída em torno do 25 de Abril mas será melhor ir-se habituando. Três décadas são tempo suficiente para que se comece a desmontar a propaganda e a combater a ignorância. Por muito que isso custe a quem gostaria de poder continuar a moldar sem contestação a história para a utilizar como instrumento de propaganda política.»

Por André Azevedo Alves, um dos mais esclarecidos da blogosfera.

evva



Adenda: ler também no Tugir o post 'Pontos nos i, os revisionismo da história portuguesa', sugestão de 'O Estado novo não foi um regime fascista 2', e os posts que se lhe seguiram.

Momento MUU


Em Ponta Delgada, foi recentemente inaugurada a Igreja do Colégio dos Jesuítas, destinada a albergar a Colecção de Arte Sacra do Museu Carlos Machado.

[A última vez que lá entrámos ainda estava a ser restaurada, lembram-se?

evva]