quarta-feira, julho 12, 2006

Da Finlândia

Ontem à noite, a jantar com um casal de finlandeses, ela professora de História, ele a terminar o Doutoramento, dissertávamos sobre a 'a miragem finlandesa' de José Sócrates e os vícios e virtudes e de tal comparação quando Mikko sentenciou a conversa:
- Podemos ser o país com maior nível educacional, mas nada disso nos faz felizes. Temos uma das mais elevadas taxas de suicídio do mundo.
Ok, pensei. Burros mas felizes. Venha o diabo e escolha.

evva

segunda-feira, julho 10, 2006

Everyone's waiting



for Six Fett Under's last episode tonight. Às 22,30, na 2:.

evva

sábado, julho 08, 2006

Sosseguem as hostes


Afinal O Desejado regressou há muito. Há quase 500 anos que este país suspira pela sua vinda redentora e afinal o esqueleto repousa nos Jerónimos, num túmulo de mármore sobre dois elefantes. Parece que foi um tal Filipe II de Espanha, no ano da graça de 1581, quando andava por aqui a fingir que se interessava, que mandou transladar para Lisboa um corpo que alegava ser do ansiado messias, a ver se punha termo à paranóia sebastianista. Sem sucesso.

Parece-me ser prioritário analisar este monte de ossos em vez dos que descansam em Santa Cruz de Coimbra, a não ser que se queira comprovar d'avantage a ascendência lusa de George W. Embuste. Afinal desde ontem que não como nem durmo desde que ouvi que na sepultura de Damião de Góis foram descobertos os restos mortais de oito imberbes e alguém comentou ser do conhecimento geral que o homem adorava criancinhas...

Estará Portugal preparado para reconhecer que no túmulo do Fundador se guardam os ossos de um qualquer plebeu estropiado? E que no Mosteiro dos Jerónimos se armazena o esqueleto de um equídio?

Porque no fim de contas, meus amigos, toda a gente sabe que o tempo dos redentores da pátria já lá vai e o verdadeiro D. Sebastião jaz actualmente no Palácio de Belém.

evva

sexta-feira, julho 07, 2006



Não te vou cobrar nada.
Apenas quero de ti
alento na caminhada
que escolhi.

O que te dei - não dei.
Apenas te devolvi
parte daquilo que eu sei
que me vem de ti.

Torquato da Luz, no Ofício Diário

evva

quarta-feira, julho 05, 2006

É a vida…



Hoje sinto-me feliz por usar esta frase que tão má impressão nos deu sobre aquilo que somos.
Perdemos como podíamos ter ganho. Mas jogámos até ao fim. Sem baixar os braços. Porque perder também faz parte. Porque é também na derrota que se vêem os campeões.

Para os que estão mais afastados do Desporto eu lembro que nos últimos 10 anos o nosso país já conseguiu ficar entre os 10 melhores (a nível europeu e mundial) no Andebol, no Judo, no Triatlo, no Atletismo (pois com certeza), no Futebol, na Canoagem, no Ciclismo, na Vela, e provavelmente noutras modalidades de que não me recordo agora.

Quando começa a ser frequente chegar ao topo a probabilidade da derrota começa igualmente a ser maior. Mas o importante é não esquecer o que já se conseguiu, pois isso ninguém consegue tirar. Se calhar é por isso que quase nenhum dos jogadores se pronunciou a "quente" sobre a arbitragem (que foi boa). Eles, mais do que ninguém, sabem o que fizeram e o que os Franceses fizeram mais do que eles.
Parabéns a todos.

andré


PS: Será que com as declarações que fez no fim do jogo, a culpar o árbitro, Scolari está a preparar a sua saída?
Eu por mim dava-lhe um grande abraço, pedia ao Prof. Cavaco que o tornasse Comendador, e estendia-lhe uma passadeira vermelha até ao avião a caminho do Brasil.
Vai, vai e não voltes. Foi bom enquanto cá estiveste mas estou farto do teu futebol conservador e da tua avidez ao risco. Junto como o teu colega Parreira, fazes do Futebol uma guerra, retiras-lhe a beleza, e eliminas o jogo. Vai ser dificil suceder-te. Afinal, em 66, foi também com um treinador brasileiro que conseguimos o 3º lugar.

Zizou! Zizou! Zizou!

evva

segunda-feira, julho 03, 2006

Como avaliar os professores malucos?

Um excelente post n'O Mundo Perfeito, que subscrevo na íntegra. Ora leiam:

«Nunca conheci um professor que gostasse de avaliar; é ingrato; quase sempre injusto. Mesmo em ciências exactas é difícil avaliar justamente as aprendizagens. Um bom aluno pode mostrar-se incapaz de realizar um exercício específico, e ter aprendido muito mais do que qualquer outro, globalmente; ser excelente. Por isso, classificações obtidas numa situação de avaliação nem sempre reflectem a aprendizagem realizada. Os professores sabem-no; o ministério sabe-o e, anualmente, emana despachos normativos e circulares inúmeras aconselhando moderação, ponderação, discussão das classificações, que são apenas sugeridas pelos professores das disciplinas, e aprovadas, ou não, pelos conselhos de turma.

É difícil garantir que o aluno da carteira da frente vale exactamente 3 quilos duzentos e cinquenta, e não mais nem menos. A aprendizagem tem portas do cavalo que a avaliação não consegue quantificar. Numa aula, acontece não se aprender o tema da lição, mas outro assunto que não se tinha compreendido antes, no qual não se tinha pensado, ou no qual se vinha pensando sem solução. Faz-se luz de repente. Foi uma aula inútil?
Um bom professor produz este tipo de conhecimento. Flexível. Activo. Crítico. Multidisciplinar. Autosuficiente.

Os alunos de 20 não são necessariamente os mais capazes, mas não é possível negar que sejam quase sempre exemplarmente organizados e disciplinados; cumprem as regras; apresentam soluções convencionalmente certas, mas nem sempre resplandecem, voam. Frequentemente estão presos ao chão com uma cola toda feita de ordem, medo e obediência. Sabem definições de cor. Datas. Fórmulas. Memorizam a gramática de uma ponta a outra, os compêndios chatos, e sabem distinguir conjunção de locução conjuncional. Quase sempre se portam muito bem. Não têm grande sentido de humor. Nem sempre são criativos, mas produzem moeda-classificação. Ouvem-na cair.

Os professores do sistema, sentadinhos na secretária, com seus fatinhos de saia e casaco de fazenda azulinha ou de calça e casaco, cinzentinhos, as mãozinhas brancas de dedo curto com aliança, muito graves e científicos, gostosamente entalados na forma canónica, e incapazes de sair dela, sempre me causaram... borbulhagem.

Gostava dos professores faltistas. Dos que passeavam entre as filas de carteiras enquanto diziam lérias, e a quem chamávamos malucos, mas a cujas aulas íamos com gosto. Daqueles que a gente nem sabia em que parte do programa é que iam.“O que é que o gajo tá a dar?” “Sei lá, deve ser o barroco!” “O barroco não pode ser, que já demos o neo-realismo!”.
Gostava dos que diziam “merda, molhei os sapatos lá fora” ou “hoje estou cheio de gases”, e nos mandavam ler textos sérios pejados de asneiras, divertindo-se com o escândalo entre as meninas: “Tes... ai, tes...tí... bem... posso ler isto?, ai, testí... ti... culo, ai, este texto...".
Gostava dos que se sentavam em cima da mesa a falar sozinhos, despenteados, com mau feitio, e nos ensinavam coisas que a linguagem não contém. E que aprendiam coisas para si enquanto falavam. Estabeleciam uma relação em que não haviam pensado antes, “pois é, pois é”.

Mandavam-nos ver filmes que não eram para a nossa idade e ler livros terríveis. Não creio que seguissem programa, que tivessem planificação, que fossem a reuniões. Não tinham. Chegavam, mandavam umas bocas, dissertavam, divertiam-se que nem uns malucos e quem lhes tirava aquilo, tirava-lhes a vida.
Nos testes ditavam-nos as perguntas, inventadas na hora, e não dava para copiar, embora até pudéssemos... aquilo não estava escrito em lado nenhum.
O que eu aprendi com esses malucos sem método algum, que nunca na vida foram avaliados! Que não poderiam ser avaliados. Porque um bom professor não se avalia. Não é possível quantificar o que ensina. O que eu aprendi a não apodrecer de medo, a pensar mal, mas a pensar, para depois pensar melhor.
A esses professores, esses que eu tive, os faltistas sem método, haviam de lhes aplicar o próximo sistema estatutário de avaliação do desempenho, o tal que o governo vai aprovar com a benção da opinião pública que manipulou com total consentimento das redacções. Chumbavam todos! Era vê-los a cair que nem tordos! Hoje, seriam maus. Nem passavam na entrevista.

A avaliação tornou-se uma obsessão. Como avaliar tudo? Como avaliar um professor? Quanto vale? Quanto pesa? Quanto mede? Como posso ter mais sucesso igual a ter mais dinheiro? Quanto?
Ridículo. Ridículo. Daqui a 10 anos a educação estará na mesma. Pior. A crise na educação não assenta no funcionamento das escolas, mas no da sociedade. A maior parte das crianças chega hoje à escola sem saber o que são valores, ou quais são. É um discurso perdido, que não falam em casa, onde tudo é permitido. Não sabem que não podem sair de uma sala quando querem, porque desconhecem o conceito de regra. Não sabem o que é "isso do respeito". Os professores não conseguem dar aulas porque não conseguem ser ouvidos. Não têm poder para agir, para pedir silêncio.
Daqui a 10 anos a educação estará pior. Os melhores hão-de ser tão robotizados que preferiremos os piores.
É que o problema da educação não está na escola nem nos professores que, como noutras profissões, e em todos os tempos, foram bons e maus.
A crise da escola é o espelho de uma crise social profunda: nada vale nada - apenas o dinheiro e o sexo

evva

(sublinhados meus)

sábado, julho 01, 2006

cavalarias

Num fim de tarde em que os sorrisos abundam, aproveito a alegria que também sinto (grande, grande, grande Ricardo!!!!!!!) para começar a fazer o balanço anual. Como sou professora, costumo começar a colocar as venturas e desventuras do ano nesta altura em que o calendário lectivo também chega frenéticamente ao fim.

A ventura às vezes conduz-nos para encruzilhadas que nos apresentam aventuras difíceis, sobretudo se o nosso percurso cavaleiresco se parece afastar cada vez mais da Távola Redonda.
Como Perceval, sentimo-nos a deambular pela floresta, frustradas por não termos acedido ao enigma, sem ânimo para regressar para junto dos que sentimos nossos.
Vemo-nos rodeados por Florestas da Serpe, no meio da Terra Gasta, e às tantas perdemos o rumo que queriamos dar ao nosso morzelo... Não sabemos, como Boorz soube, responder aos nossos dilemas. Porque são dificeis, mas sobretudo porque mexem connosco. Com o brilho que temos nos olhos. Por amor de um ideal, em serviço de uma causa e de um, ainda, nobre cavaleiro, percorremos lagos ferventes. fontes enganadoras, enfrentámos falsas Genevras e donzelas diabólicas. E hoje, numa encruzilhada, sentimos falta do nosso leal companheiro. Como o nobre Galeote, caímos do nosso cavalo porque os nossos pensamentos nos doem demais para vermos a carreira em que seguimos.
Suplicamos a Lancelot, embora tentando disfarçar a nossa coita, que continue a partilhar venturas na nossa corte. Não raptamos genevras, nem oferecemos reinos grandiosos. mas estamos dispostos a prescindir de sono, a percorrer viagens desgastantes, até a convencer o resto da nossa mesnada com palavras eloquentes. Mas a Távola Redonda não admite cavaleiros estrangeiros. Faltar-nos-á o baptismo de Palamedes? Não sei.
Sei que me sinto muito só e cada vez mais longe do graal. Cada vez com mais provas da espada ao meu alcance. cada vez com menos partilha.
cada vez com menos tempo.
Só uma das pessoas deste blogue entenderá, suponho, esta prosa enredada. E estou certa de que a sentirá como sua. Ainda que, tendo partido hoje em mais uma demanda em que eu, por estar longe da corte dos eleitos, não estive, se tenha esquecido de um relato, com o fizera Boors, seu antigo cavaleiro. Ainda que a Távola Redonda se fique pelo elogio dos meus feitos, mas não faça sequer um esforço que dê a entender que o meu lugar na Távola não se transformou na seda perigosa.
E estou em muitas encruzilhadas. E hoje vou resolver uma delas. Deixo este blog, para sempre, com esta longa prosa, porque não faz sentido. Porque o tempo já é tão pouco. Porque sentimos longe os sorrisos. Os brindes que não fizemos. Só a voz cndescendente que nos diz. Nós compreendemos. Mas que eu esperava ouvir, como dantes, vem. Sem ti é diferente.
Com este egoísmo volto a embrenhar-me nas outras escolhas, estas mais dificeis. E requerem noites de descanso, ponderação e algum consilium. Ou então esperar um sinal de um cavaleiro Branco que nos desvende a narrativa nestas carreiras enredadiças.
Isabel Sofia

E mai' nada!!!



















Inglaterra 1 - Portugal 3

andré

terça-feira, junho 27, 2006

Jogar Bonito



Apesar deste ter sido o lema que a NIKE escolheu para a promoção da sua imagem neste Mundial, nem os jogadores que a representam nem os outros o têm seguido muito. E se retirar os 6-0 que essa máquina de jogar futebol que está a ser a Argentina deu à Servia e Montenegro, não me recordo, de entre os jogos que vi, de um que me tenha enchido as medidas. Até há uns momentos atrás quando assisti ao França-Espanha.

Uau! Que coisa tão bonita. Passes consecutivos entre jogadores, alternância constante da posse de bola entre as equipas, trocas de bola ao primeiro toque, desmarcações premanentes dos jogadores, alternância regular do sentido do jogo (direita-esquerda, cima-baixo), pressão sobre a bola à saída da grande área do adversário, ocupação de todo o espaço de jogo, remates, cruzamentos, fintas, golos (4). Ai ai (suspiro)…
E tudo isto com equipas que, apesar de tudo, privilegiam (sobretudo a França) a segurança da defesa ao risco do ataque, e que nem sequer jogam muito rápido. Era como se fosse um grupo de 22 amigos a disputar a partida e a disfrutar do prazer (e o espectador da beleza) do jogo.

No final, a equipa que eu apoiava perdeu por 3-1 com a França. É assim, ganha-se ou perde-se. E quando se tem Patrick Vieira e Zinedine Zidane na equipa e um lateral direito como Ribery a fazer o "jogaço" que fez hoje, pronto. Dá nisto.

Um apontamento para o árbitro italiano Roberto Rosetti (da mesma nacionalidade do deus-árbitro Colina) que fez uma actuação excelente. 1º Teve a ajuda das equipas. 2º Apitou quase sempre em cima das jogadas e quando não o fez foi assistido (na maioria das vezes bem) pelos juizes de linha. 3º Todas os lances em que os jogadores se envolviam fisicamente (intencionalmente ou não) foram assinalados (mais vezes bem do que mal, mas isso não é relevante), evitando assim qualquer margem para conflitos ou querelas individuais entre os jogadores. 4º Sempre que necessário, estava perto do jogador faltoso e garantia, com gestos, expressões faciais ou palavras, a passagem da mensagem ("não repitas isso muitas vezes…"). Resultado: antecipação das situaçõees, controlo do jogo e apenas três cartões amarelos (quase todos no final), mostrados com tanta calma e tranquilidade que até parecia brincadeira de meninos. Erros houve com certeza, mas isso não é o mais importante. O essencial é que os jogadores confiaram nele. E mai' nada!
Como dizia o House no episódio desta semana, "é simples mas é dificil". A razão pela qual os restantes árbitros não fazem o mesmo que este fez ainda me escapa.

Para os apreciadores do jogo bonito, fica aqui o aviso: o Alemanha-Argentina é na sexta-feira às 16h00. Nham, nham…

andré


PS: Portugal ainda não fez um jogo que mereça um comentário assim, mas no sábado pelas 16h00 ninguém me tira da frente do televisor. Coitado do Erikson… está destinado a ter-nos como uma espinha na garganta.

Play fair



Não entendo como é que se pode celebrar uma selecção que será recordada, se mais não fizer, por ter participado, e com uma boa dose de responsabilidade, no jogo mais violento de que há memória num Mundial de futebol. E não me venham dizer que a culpa foi do árbitro por não ter expulsado o carniceiro do Cristiano Ronaldo e mais não sei o quê. Como é que conseguem não aceitar as críticas e acusar quem coloca objecções àquele comportamento lamentável de anti-scolarianismo primário?
Figo queria terminar a carreira em glória? Veremos se conseguirá ser lembrado pelas fitinhas e pelo engenhoso golpe de cabeça ou algo mais. Deitou por terra a exibição que fez nos jogos anteriores, sobretudo a jogada fabulosa para o primeiro golo de Pauleta.
O Mundial de futebol traz projecção internacional? Mas afinal o que queremos projectar? A chico-espertice troglodita?

Eu não desejo que a selecção perca, como apregoam por aí os incapazes de aceitar as críticas de absoluta falta de fair play. Por muito que não goste do seleccionador e continue a duvidar da sua real capacidade - lembram-se de 2004 e dos dois jogos que perdemos com a Grécia? E a teimosa convocatória? -, quero que a selecção vença este torneio, mas a jogar bonito, a deslumbrar-nos em cada passe, a conquistar pela magia da técnica os detractores incondicionais.
Ou então que perca de uma vez, para que a sanidade mental regresse a este país. Se é que alguma vez a teve.


evva

segunda-feira, junho 26, 2006

URGENTE!!!


Procura-se local com televisão nas imediações do Mosteiro de Pombeiro para o próximo sábado à tarde. Galhardia e boa disposição garantidas. Só não me peçam para levar a bandeirinha. Os interessados na oferta queiram por favor contactar quanto antes os responsáveis deste blog ou deixar indicações nas caixas de comentários. Obrigada.

evva

A DIFÍCIL TAREFA DE ARBITRAR




Desde de há uns anos para cá, quando me fartei da clubite insuportável das opiniões sobre futebol e do comportamento inaceitável de alguns adeptos, que torço pelos árbitros e pelos treinadores. Em relação aos segundos creio que é por mero corporativismo, pelo menos em relação àqueles que têm o mesmo curso que eu. Pelos outros, não morro muito de amores.
Quando aos primeiros é por um sentimento de injustiça permanente que sinto haver para com eles e para com a função que desempenham dentro do campo.

De todos os desportos que conheço o futebol é quase de certeza o mais difícil de apitar pelo simples facto de que, para o variado leque de situações e circunstâncias, um árbitro tem apenas três penas possíveis: marcar falta, mostrar um cartão amarelo ou um cartão vermelho. A isto acresce que a avaliação da situação e a penalização têm de ser feitas num mesmo curto instante.

Para os que possam dizer que as circunstâncias são fáceis de analisar e que estamos apenas perante um jogo, eu peço o seguinte favor: tentem imaginar-se numa eliminatória de um campeonato da Europa ou do Mundo num estádio com 60 mil pessoas, milhões a ver na televisão, e isto tudo integrado num fenómeno planetário que envolve paixões, identidades, interesses e dinheiro, muito dinheiro. Tentem imaginar o peso de uma decisão neste contexto. Se ainda acharem fácil, convidos-o, sinceramente, a ir para um estádio ao domingo e insultar quem lhes apetecer, tal qual o adepto comum que provavelmente tanto criticam e lamentam.

O árbitro Valentin Ivanov fez de facto uma lamentável actuação no jogo Portugal-Holanda, e Joseph Blatter, presidente da FIFA, tem razão ao criticá-lo (embora não creia que devesse ser ele a fazê-lo). O mesmo aconteceu ao árbitro Graham Poll (ver secção de desporto do Público de Domingo) e a outros neste Mundial. Não sei se é pelo facto de trabalhar com árbitros noutra modalidade mas agora reparo mais nestas coisas.

O que para mim é interessante é que embora a crítica do sr. Blatter seja feita no momento certo, ela é de facto incorrecta. O árbitro foi consistente, as suas decisões foram coerentes. O problema foi, na minha opinião, que ao penalizar a entrada ao Cristiano Ronaldo com cartão amarelo ele abriu um precedente que não mais conseguiu contornar. Entradas daquelas iriam ser permitidas. A partir daí foi só juntar lume à fogueira e os portugueses quiseram garantir várias vezes que não se iam ficar, reagindo com igual violência.

Com tão poucos instrumentos de penalização, ao árbitro de futebol não interessa ser consistente na penalização mas sim no julgamento e para isso tem de entender que cada situação pode e deve ter uma penalização diferente. É só olhar para o sr. Pier-Luigi Colina (na foto) para perceber isto.

Como que é que num jogo dos oitavos de final de um Campeonato do Mundo pode haver um árbitro que não entende isto é algo que tenho dificuldade em perceber.


andré

domingo, junho 25, 2006

Valeu Maniche...

(foto publicada em O Jumento)

numa partida em que imperou o anti-jogo e a violência, para não falar nas fitinhas do costume. Ganhar assim não devia contar e não adianta lembrar que os outros foram piores e que lesionaram o Ronaldo e não passaram a bola quando o árbitro interrompeu o jogo e blá, blá, blá... Deviam ter vergonha!

A ver se a ausência de Quaresma não se faz notar, agora que metade da equipa está castigada.

evva

P.S.: E se se cancelasse a ida a Pombeiro no sábado à tarde... ?

sexta-feira, junho 23, 2006

A noite do Baptista

(foto via A Cidade Surpreendente)

O pobre coitado perdeu a cabeça por uma dança de sete véus,
mas não há Santo mais bem festejado do que este.

Viva o S. João!

evva

Que cheirinho

evva

BOM S. JOÃO!



E o prémio da melhor quadra vai para:

Quem te viu e quem te vê
Ó meu rico S. João
Pareces a FCT
Pões-nos a olhar pró balão...



evva

E como já há algum tempo que não volto ao assunto...

«Professores

"Aspectos que toda a gente parece ignorar sobre a profissão de professor e que será bom esclarecer:

1º. Esta é uma profissão em que a imensa maioria dos seus agentes trabalha (em casa e de graça, entenda-se) aos sábados, domingos, feriados, madrugada adentro e muitas vezes, até nas férias! Férias, sim, e sem eufemismos, que bem precisamos de pausas ao longo do ano para irmos repondo forças e coragens. De resto, é o que acontece nos outros países por essa Europa fora, às vezes com muito mais dias de folga do que nós: 2 semanas para as vindimas em Setembro/ Outubro, mais duas para a neve em Novembro, 3 no Natal e mais 3 na Páscoa , 1 ou 2 meses no verão.

2º. É a única profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado (também neste caso, exigirá a senhora Ministra um pré-aviso com 5 dias de antecedência?).

3º. É uma profissão que exclui devaneios do tipo “hoje preciso de sair meia hora mais cedo”, ou o corriqueiro “volto já” justificando a porta fechada em horas de expediente.

4º. É uma profissão que não admite faltas de vontade e motivação ou quaisquer das 'ronhas' que grassarão, por exemplo, no ME (quem duvida?) ou na transparente AR.

5º. É uma profissão de enorme desgaste. Ainda há bem pouco tempo foi divulgado um estudo que nos colocava na 2ª posição, a seguir aos mineiros, mas isto, está bom de ver, não convém a ninguém lembrar… E olhe que não, senhor secretário de estado, a escola da reportagem da RTP1 não é, nem de longe, caso “único, circunscrito e controlado”!

6º. É uma profissão que há muito deixou de ser acarinhada ou considerada, humana e socialmente. Pelo contrário, todos os dias somos agredidos – na nossa dignidade ou fisicamente (e as cordas vocais não são um apêndice despiciendo…), enxovalhados na praça pública, atacados e desvalorizados, na nossa pessoa e no nosso trabalho, em todas as frentes, nomeadamente pelo “patrão” que, passe a metáfora económica tão ao gosto dos tempos que correm…, ao espezinhar sistematicamente os seus “empregados” perante o “cliente”, mais não faz do que inviabilizar a “venda do produto”.

7º. É uma profissão em que se tem de estar permanentemente a 100%, que não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais…

8º. É uma profissão em que, de 45 em 45, ou de 90 em 90 minutos, se tem de repetir o processo, exigente e desgastante, quer de chegar a horas, quer de "conquistar", várias vezes ao longo de um mesmo dia de trabalho, um novo grupo de 20 a 30 alunos (e todos ao mesmo tempo, não se confunda uma aula com uma consulta individual ou a gestão familiar de 1, 2, até 6 filhos...).

9º. É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja material de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção. (Batemos aos pontos as competências exigidas a qualquer dos nossos milionários bancários, dos inefáveis empresários, dos intocáveis ministros! Ao contrário deles, e como se não bastasse tudo o que nos é exigido (da discrepância salarial e demais benesses não preciso nem falar)…

10º. Ainda somos avaliados, não pelo nosso próprio desempenho, mas pelos sucessos e insucessos, os apetites e os caprichos dos nossos alunos e respectivas famílias, mais a conjuntura política, económica e social do nosso país!"».

evva

quinta-feira, junho 22, 2006

Colheita de luxo II



Deixas

Deixar num verso
ao menos
o perfume labiado da sálvia
e sua flor,
azul da montanha.

Casas térreas
ou templos
para o sol que se levanta.

António Osório, Décima Aurora (1982), Na Regra do Jogo, p. 72.



[Quando há um ano fiz em Serralves o Curso de Flores Comestíveis as sálvias foram das flores aconselháveis. Provem-nas.

evva]

quarta-feira, junho 21, 2006

Colheita de luxo

Anos de medicação pesada fizeram-me engordar uns quilitos nos últimos tempos e trouxeram complicações várias. Eis-me agora condenada a uma dieta cerrada, nem sempre seguida com a regularidade devida (as más companhias...), mas vigiada de perto e a obrigar-me a consultas de quinze em quinze dias.

Como o consultório fica nas imediações da melhor concentração de livrarias do Porto, sempre que os resultados do policiamento são positivos ofereço-me um livro. Invariavelmente os passos conduzem-me à Poetria, que tem sempre à porta duas mesas de usados que adoro vasculhar.
Se há duas semanas encontrei uma óptima edição do Amada de Toni Morrison, a colheita de hoje, apesar dos míseros 400 grs a menos na balança (pouquinho, pouquinho, mas devagar se vai bem longe), foi um exemplar do Décima Aurora, de António Osório (1977-1981) com dedicatória redigida pela mão do poeta, quatro desenhos de Mário Botas e um interessante prefácio de Joaquim Manuel Magalhães.

Mal abri o livro e encontrei os versos que se seguem, ficou selado o destino dos últimos trocos que trazia. Vou andar a pão e água uns dias, mas terei com que alimentar a alma.

Provérbio de Espanha

Cada dia tem a sua pena.
Semeia no teu ânimo.
A rubínia morreu, planta
outra e não descures ambas.


[evva]