Ah, Zizou!

(via Tomar Partido)
evva
«Imagination is memory» James Joyce



Em pleno Quartier du Château. O restaurante da esquerda é o 'Reine Margot', que também enlouqueceu por aqui. Viram o filme de Patrice Chéreau?
O Parc Beaumont. Ainda me lembro de andar por aqui a cantarolar a Carmen, numa altura em que estudava a novela de Prosper Mérimée em que Bizet se inspirou.

Até sempre.
evva
Até eu era incapaz de me ficar se ouvisse uma coisa destas. Estás desculpado, Zizou. On t'aimera pour toujours.
evva
(via nortadas)


Não te vou cobrar nada.
Apenas quero de ti
alento na caminhada
que escolhi.
O que te dei - não dei.
Apenas te devolvi
parte daquilo que eu sei
que me vem de ti.
Torquato da Luz, no Ofício Diário
evva

Hoje sinto-me feliz por usar esta frase que tão má impressão nos deu sobre aquilo que somos.
Perdemos como podíamos ter ganho. Mas jogámos até ao fim. Sem baixar os braços. Porque perder também faz parte. Porque é também na derrota que se vêem os campeões.
Para os que estão mais afastados do Desporto eu lembro que nos últimos 10 anos o nosso país já conseguiu ficar entre os 10 melhores (a nível europeu e mundial) no Andebol, no Judo, no Triatlo, no Atletismo (pois com certeza), no Futebol, na Canoagem, no Ciclismo, na Vela, e provavelmente noutras modalidades de que não me recordo agora.
Quando começa a ser frequente chegar ao topo a probabilidade da derrota começa igualmente a ser maior. Mas o importante é não esquecer o que já se conseguiu, pois isso ninguém consegue tirar. Se calhar é por isso que quase nenhum dos jogadores se pronunciou a "quente" sobre a arbitragem (que foi boa). Eles, mais do que ninguém, sabem o que fizeram e o que os Franceses fizeram mais do que eles.
Parabéns a todos.
andré
PS: Será que com as declarações que fez no fim do jogo, a culpar o árbitro, Scolari está a preparar a sua saída?
Eu por mim dava-lhe um grande abraço, pedia ao Prof. Cavaco que o tornasse Comendador, e estendia-lhe uma passadeira vermelha até ao avião a caminho do Brasil.
Vai, vai e não voltes. Foi bom enquanto cá estiveste mas estou farto do teu futebol conservador e da tua avidez ao risco. Junto como o teu colega Parreira, fazes do Futebol uma guerra, retiras-lhe a beleza, e eliminas o jogo. Vai ser dificil suceder-te. Afinal, em 66, foi também com um treinador brasileiro que conseguimos o 3º lugar.
Num fim de tarde em que os sorrisos abundam, aproveito a alegria que também sinto (grande, grande, grande Ricardo!!!!!!!) para começar a fazer o balanço anual. Como sou professora, costumo começar a colocar as venturas e desventuras do ano nesta altura em que o calendário lectivo também chega frenéticamente ao fim.
A ventura às vezes conduz-nos para encruzilhadas que nos apresentam aventuras difíceis, sobretudo se o nosso percurso cavaleiresco se parece afastar cada vez mais da Távola Redonda.
Como Perceval, sentimo-nos a deambular pela floresta, frustradas por não termos acedido ao enigma, sem ânimo para regressar para junto dos que sentimos nossos.
Vemo-nos rodeados por Florestas da Serpe, no meio da Terra Gasta, e às tantas perdemos o rumo que queriamos dar ao nosso morzelo... Não sabemos, como Boorz soube, responder aos nossos dilemas. Porque são dificeis, mas sobretudo porque mexem connosco. Com o brilho que temos nos olhos. Por amor de um ideal, em serviço de uma causa e de um, ainda, nobre cavaleiro, percorremos lagos ferventes. fontes enganadoras, enfrentámos falsas Genevras e donzelas diabólicas. E hoje, numa encruzilhada, sentimos falta do nosso leal companheiro. Como o nobre Galeote, caímos do nosso cavalo porque os nossos pensamentos nos doem demais para vermos a carreira em que seguimos.
Suplicamos a Lancelot, embora tentando disfarçar a nossa coita, que continue a partilhar venturas na nossa corte. Não raptamos genevras, nem oferecemos reinos grandiosos. mas estamos dispostos a prescindir de sono, a percorrer viagens desgastantes, até a convencer o resto da nossa mesnada com palavras eloquentes. Mas a Távola Redonda não admite cavaleiros estrangeiros. Faltar-nos-á o baptismo de Palamedes? Não sei.
Sei que me sinto muito só e cada vez mais longe do graal. Cada vez com mais provas da espada ao meu alcance. cada vez com menos partilha.
cada vez com menos tempo.
Só uma das pessoas deste blogue entenderá, suponho, esta prosa enredada. E estou certa de que a sentirá como sua. Ainda que, tendo partido hoje em mais uma demanda em que eu, por estar longe da corte dos eleitos, não estive, se tenha esquecido de um relato, com o fizera Boors, seu antigo cavaleiro. Ainda que a Távola Redonda se fique pelo elogio dos meus feitos, mas não faça sequer um esforço que dê a entender que o meu lugar na Távola não se transformou na seda perigosa.
E estou em muitas encruzilhadas. E hoje vou resolver uma delas. Deixo este blog, para sempre, com esta longa prosa, porque não faz sentido. Porque o tempo já é tão pouco. Porque sentimos longe os sorrisos. Os brindes que não fizemos. Só a voz cndescendente que nos diz. Nós compreendemos. Mas que eu esperava ouvir, como dantes, vem. Sem ti é diferente.
Com este egoísmo volto a embrenhar-me nas outras escolhas, estas mais dificeis. E requerem noites de descanso, ponderação e algum consilium. Ou então esperar um sinal de um cavaleiro Branco que nos desvende a narrativa nestas carreiras enredadiças.
Isabel Sofia

Apesar deste ter sido o lema que a NIKE escolheu para a promoção da sua imagem neste Mundial, nem os jogadores que a representam nem os outros o têm seguido muito. E se retirar os 6-0 que essa máquina de jogar futebol que está a ser a Argentina deu à Servia e Montenegro, não me recordo, de entre os jogos que vi, de um que me tenha enchido as medidas. Até há uns momentos atrás quando assisti ao França-Espanha.
Uau! Que coisa tão bonita. Passes consecutivos entre jogadores, alternância constante da posse de bola entre as equipas, trocas de bola ao primeiro toque, desmarcações premanentes dos jogadores, alternância regular do sentido do jogo (direita-esquerda, cima-baixo), pressão sobre a bola à saída da grande área do adversário, ocupação de todo o espaço de jogo, remates, cruzamentos, fintas, golos (4). Ai ai (suspiro)…
E tudo isto com equipas que, apesar de tudo, privilegiam (sobretudo a França) a segurança da defesa ao risco do ataque, e que nem sequer jogam muito rápido. Era como se fosse um grupo de 22 amigos a disputar a partida e a disfrutar do prazer (e o espectador da beleza) do jogo.
No final, a equipa que eu apoiava perdeu por 3-1 com a França. É assim, ganha-se ou perde-se. E quando se tem Patrick Vieira e Zinedine Zidane na equipa e um lateral direito como Ribery a fazer o "jogaço" que fez hoje, pronto. Dá nisto.
Um apontamento para o árbitro italiano Roberto Rosetti (da mesma nacionalidade do deus-árbitro Colina) que fez uma actuação excelente. 1º Teve a ajuda das equipas. 2º Apitou quase sempre em cima das jogadas e quando não o fez foi assistido (na maioria das vezes bem) pelos juizes de linha. 3º Todas os lances em que os jogadores se envolviam fisicamente (intencionalmente ou não) foram assinalados (mais vezes bem do que mal, mas isso não é relevante), evitando assim qualquer margem para conflitos ou querelas individuais entre os jogadores. 4º Sempre que necessário, estava perto do jogador faltoso e garantia, com gestos, expressões faciais ou palavras, a passagem da mensagem ("não repitas isso muitas vezes…"). Resultado: antecipação das situaçõees, controlo do jogo e apenas três cartões amarelos (quase todos no final), mostrados com tanta calma e tranquilidade que até parecia brincadeira de meninos. Erros houve com certeza, mas isso não é o mais importante. O essencial é que os jogadores confiaram nele. E mai' nada!
Como dizia o House no episódio desta semana, "é simples mas é dificil". A razão pela qual os restantes árbitros não fazem o mesmo que este fez ainda me escapa.
Para os apreciadores do jogo bonito, fica aqui o aviso: o Alemanha-Argentina é na sexta-feira às 16h00. Nham, nham…
andré
PS: Portugal ainda não fez um jogo que mereça um comentário assim, mas no sábado pelas 16h00 ninguém me tira da frente do televisor. Coitado do Erikson… está destinado a ter-nos como uma espinha na garganta.
