domingo, setembro 03, 2006

Imperdoável

Há já algum tempo que mo haviam recomendado. Apreciadora da escrita do autor, contava os dias que faltavam para uma amiga terminar a leitura e emprestar-mo. Ontem, finalmente, chegou-me às mãos. Li o texto da contracapa, a dedicatória, as epígrafes a recordarem-me inesquecíveis leituras. O narrador arranca com uma série de digressões aforísticas. Interessante a frase de abertura. Na segunda proposição, o sujeito 'a gente' sobressalta-me. De imediato o resto da frase cai pela escada definitivamente abaixo da minha consideração.
Se há expressão que não suporto é 'a gente' como sinónimo de 'nós'. 'A gente podia ir adorar o sol, em vez de estares aqui fechada a escrever baboseiras no computador', etc, etc. Estraga todo e qualquer discurso, qual Dão Tinto Reserva que se oferece com desvelo e que alguém coloca inopinadamente no frigorífico antes de servir.
Quando há anos trabalhei a sul, apercebi-me do uso abusivo da expressão, sobretudo aliada à forma plural do verbo. De facto, não é um sujeito que os falantes do norte utilizem com frequência. Ou utilizassem. Como em quase tudo na língua, os estranhos hábitos do sul contaminam a ancestral puridade minhota e duriense.

Fecho o livro. No Campo Alegre passa o Vera Drake. Bom filme. Terei sido a única a concordar com a sentença? Há actos que a ingenuidade ou o altruísmo desajustado não podem desculpar.

evva

quarta-feira, agosto 30, 2006

sexta-feira, agosto 25, 2006

Quando for grande quero ser assim




"And I'm very dubious about trying to produce students who are going out and change the world. I'm very anti-authoritarian about it. I'm not interested in disciples; I don't want people to be like me. I'm interested in people who are different."

"Power, Politics and Culture - interviews with Edward W. Said". Vintage Books. New York. Pag. 63.


andré

domingo, agosto 20, 2006

Sinais de Esperança…

(produzido a partir de excertos - em itálico - da coluna semanal Ponto de Vista, de Jorge Almeida Fernandes, publicada no passado dia 21 de Agosto no Público, com o título "Israel Analisa-se")

Depois do fiasco no Líbano, Israel debate os erros. Tudo é posto em causa, a doutrina militar, a política palestiniana, as relações regionais. Se o Hezbollah surpreendeu Israel, Israel passou agora a conhecê-lo. É uma questão de sobrevivência.


Para começo não está mau.

Um analista lembrou que Israel não ganha uma guerra desde 1967: teve uma vitória parcial em 1973, atolou-se na Intifada e falha agora no Líbano.


Esta é que eu não sabia.

Os próximos meses assistirão a um provável terramoto político. "É o princípio de uma nova era, se Israel reconhecer a tempo que tem de pagar o preço de uma repetida cegueira", escreve o jornalista Gideon Samet.

Cegueira. Ora aí está. Talvez seja melhor escrever as próximas resoluções da ONU em Braille…

[o historiador Zeev] Sternhell afirma que "o fracasso não foi da elite cultural ou dos valores de sociedade aberta. Não houve falta de devoção, espírito de combate e voluntarismo, qualidades características dum israelita em uniforme. O que faltou foram políticos com estatura e meios adequados de acção."

De facto, primeiros-ministros com estatura, desde Rabin, não tenho conhecimento de ter havido algum.

Os analistas militares, muitos deles oficiais na reserva e veteranos dos serviços secretos, criticam os conceitos estratégicos. Desde a aposta na guerra aérea e tecnológica ("à moda da NATO no Kosovo") ao desprezo pelo adversário, que levou às "surpresas" do Hezbollah, como os seus mísseis antitanque.

E eu a pensar que ninguém era suficientemente ingénuo para imitar os americanos. Para quem tem a reputação de ter um dos melhores exércitos (e serviços secretos) do mundo, esta notícia desilude-me profundamente.

Fala-se no desgaste das tropas de elite em anos de combate de rua na Intifada: "À força de jogar contra más equipas, mesmo as boas equipas vêem o seu nível baixar."


Quanto a isto não há problema. Contrata-se o José Mourinho. Ele até já esteve em Israel e deve ter ficado com a noção exacta do problema.

É posta em causa a doutrina da "alavanca", o uso de alta violência contra os palestinianos para os convencer de que nada obterão pela violência, explica o general Gal Hirsh. Ao fim de cinco anos, os militares fazem o balanço: os palestinianos moderados foram marginalizados e o Hamas ganhou as eleições. No Líbano, foi usado o mesmo princípio e o exército queixa-se agora de perder a "guerra das relações públicas" e de ver os libaneses solidarizarem-se com o Hezbollah.

Pois. Digamos que, tirando os Israelitas e os americanos, já todo o mundo tinha percebido isto.

Há uma gravíssima responsabilidade dos políticos, de Ehud Olmert a Amir Peretz: não fizeram as devidas perguntas. Se a guerra era inevitável, Israel caiu numa armadilha.


Pois caiu e agora o mundo inteiro tem de ajudar Israel a sair dela. Bonito serviço.

O general Uri Saguy, ex-chefe das informações militares, declarou ao Le Monde: "Esta guerra deveria levar os nossos dirigentes a compreender os limites da força e a necessidade de um acordo político regional. Os que têm uma visão binária, que dividem o mundo entre bons e maus, apenas sabem semear a guerra e a desestabilização da região."


Essa dos bons e dos maus era uma indirecta para o Bush, não era?…

O "falcão" Efraim Halevy, antigo chefe da Mossad, propõe uma negociação com o Hamas e critica a sua ostracização. Não interessa que o Hamas reconheça Israel, interessa sair dos territórios, deixar para mais tarde a paz e negociar um statu quo que garanta a segurança e afaste o Hamas sunita do Hezbollah xiita. O "campo da paz", esse quer aproveitar a "oportunidade" para avançar uma solução global.


As aves de rapina têm de facto uma visão muito apurada. Temos de as respeitar e dar-lhes razão quando a têm.

andré

segunda-feira, agosto 14, 2006

Triangulo das virtudes




Nos dois últimos episódios da série "Os homens do presidente" (West Wing), emitida no AXN, discutia-se se na política externa norte americana devia estar contido explicitamente o direito de intervenção em situações de tirania mesmo que não afectassem os interesses do país. Um lado a favor da defesa de povos, o outro a favor da autoingerência e a pensar nas consequências óbvias que tal política traria para a análise de outras situações onde não fosse tão clara a tirania ou a ameaça de povos indefesos.

Ontem à noite, a 2: emitiu um documentário sobre Fidel Castro, onde retratava como foi e tem sido capaz de se manter (quase) independente à influência norte americana, embora muito à custa da limitação dos direitos dos cidadãos do seu país. Mas mesmo assim, eis que aos 80 anos "el Castro" ainda se mantém (vamos a ver até quando) como o pilar, o farol de um povo que parece ter com ele uma relação similar à que tivemos com Salazar durante mais de 40 anos.

No final da passada semana, Kofi Anan, num discurso eloquente e preciso, defendia que a acção militar não fazia parte das soluções para o conflito entre Israel e o Hezbollah, mas representava sim uma falta de imaginação e de capacidade dos líderes para encontrarem outras soluções.
Após diversos encontros, eis que sai a resolução: a guerra acabava hoje pelas 00h50. Entretanto, entre a aprovação da resolução e o “fim” das hostilidades ainda houve tempo para mais umas bombas israelitas e uns katiucha do Hezbollah.

Creio que nunca como antes o mundo esteve tão cheio de referências ambivalentes e de realidades indefinidas. O inundar de informação e o consequente aumento da variedade das suas fontes coloca-nos numa situação difícil em que nos questionamos constantemente sobre quem tem ou não razão.

Acredito que não é fácil ser dono do mundo nem desistir dos sonhos e dos ideais em que acreditamos, contudo, ainda não encontrei desafio mais árduo e estimulante do que manter a paz e tentar fazer com que as pessoas se entendam, respeitando diferenças e pontos de vista. É esse para mim o grande desígnio que os EUA nos trouxeram mas que agora se vêem incapazes de defender. Tal como Fidel, eles perderam toda a sua credibilidade.

Perante isto, continuo a encontrar inspiração e consolo (embora pouco) naquele africano de cabelos grisalhos que insiste (embora não por muito mais tempo) em defender o primado do equilíbrio e da justiça entre nações.
Não, não é nenhum salvador. Mas lá está, não acredito em milagres.


andré

Girassol



Não te surpreendas amigo se nada mais desejo.
Preciso do tempo todo para seguir o sol.

Angelus Silesius (1624-1667)

[evva]

sexta-feira, agosto 11, 2006

No centro comercial

"Vejo que os consumidores se deslocam sós, esporadicamente em pares, tal qual os doentes do hospital Júlio de Matos. Depois de várias voltas tenho a sensação de circular num espaço de internamento.
Cruzo-me sucessivamente com os mesmos embrulhos das mesmas pessoas. Todos girando à volta, como num carrocel. O centro comercial não tem janelas e apenas duas portas convidam à saída. A uniformidade das paredes homogeniza o espaço, tenho a sensação de circular num labirinto que nos faz perder. Provavelmente estamos perante estratégias de arquitectura que levam os consumidores a circular sem terem a consciência da passagem do tempo, até porque não se encontram relógios. (...)
Observo o olhar de desespero de alguns consumidores, carregados de embrulhos como se fossem árvores de Natal. Não me parecem felizes, avaliando os sobrolhos carregados. À semelhança dos manicómios, os "shoppings" são instituições por onde circulam fantasias e delírios. A diferença é que, neste caso, elas giram em torno do consumo. Nos manicómios o delírio é a doença, nos "shoppings" não é.
Pela mesma lógica, a sociedade não é olhada como doente uma vez que - provável razão - ela é norma. Os desvios comprovam a norma, embora raramente se reconheça que aqueles derivam desta. E mais, a norma sobrevive pela recorrência dos desvios.
Passo ao lado de uma livraria, olho de relance para a montra e fico a pensar na fragilidade da nossa sociedade quando observo a quantidade de livros que apontam caminhos para a felicidade. Caminhos discutíveis pois sugerem um aprisionamento dos leitores a uma imperativa necessidade de auto-ajuda, auto-realização, autocontrolo, autoconfiança, autodefesa, autoestima, autodeterminação, eu sei lá que mais."
In "Nos Rastos da Solidão", José Machado Pais.

Excerto publicado na revista de domingo do Público em 26/07/2006, a propósito de uma entrevista com o autor, intitulada "A solidão é normal?"

andré

Onde está o Hizbullah?



Parece que o Hizbullah está aqui. No Uncle Deek, onde se bebe um nescafé fora de horas em Beirut. Espera, espera, que há um bairro xiita escondido atrás do Uncle Deek! Os katiucha devem estar escondidos nas máquinas do café e quanto aos Raad, menos discretos, devem estar na arrecadação ao lado das casas de banho. Só pode...

Norma

domingo, julho 30, 2006

Acabei de ler Orientalismo…



Desde que, por alturas do 11 de Setembro, soube da existência deste livro, através de uma entrevista com o autor no Público, que me ficou a vontade de o ler. Hoje terminei-o.
É sempre um motivo de regozijo quando uma obra me põe a pensar sobre as coisas e sobre a sua origem. Essa é, para mim, a sua grande virtude. Porque não é apenas a complexidade do problema que se torna relevante mas também a metodologia utilizada que vai, ela própria, influenciar a leitura e compreensão da tese que se visa defender.

Não posso deixar de manifestar alguma raiva perante o facto de o autor deste livro se ver na necessidade de produzir uma obra tão extensa e tão profunda para tornar inteligivel uma ideia que fica, para alguns, clara logo nas primeiras páginas. Não porque não seja necessário faze-lo mas porque só assim se consegue ser respeitado num ambiente onde as ideias dominantes são diferentes daquelas que o livro defende.

Resumindo e concluindo, é como se, para contrariar um discurso tão simples como o de George Bush em torno do "Eixo do Mal", um intelectual nos dias de hoje, tivesse que escrever um livro de 400 páginas em torno das assumpções que estão detrás da política externa americana em geral, e desta administração em particular. E porque bombardear a Casa Branca está fora de questão.

andré


PS: Para os que se sentem à vontade no inglês, recomendo esta edição de 2003 da Vintage Books que tem um novo prefácio do autor e mantém o epílogo de 1994. De qualquer forma, o livro foi editado em português pela Cotovia em 2004.

… e deixei de assinar o Economist





Sempre preferi as experiências orientadas, que visam a autonomia e a independência intelectual de cada um. Infelizmente esta não é a vocação desta respeitada revista semanal cuja honestidade e rigor respeito e admiro. Por outro lado, é cada vez mais claro para mim que a Economia não é (nem alguma vez terá sido) o principal orientador da vida dos países e das pessoas. Enfim… tenho de procurar um subsituto. Se alguém quiser dar uma ajuda…

andré

sábado, julho 29, 2006

Eu bem me parecia…

"O cristão e o comunista são muito próximos em muitos aspectos só que o cristão tá pensando nessa vida maravilhosa após a morte e o comunista quer ver essa vida aqui, agora."

Lenine (o músico) , em mais uma entrevista Pessoal e Transmissivel de Carlos Vaz Marques na TSF, disponivel em Podcast em http://www.lusocast.com ou http://www.tsf.pt


andré


PS: O meu pai dizia que Jesus tinha sido primeiro comunista na terra. A partir de determinada altura, eu passei a perguntar-me se não seriam os comunistas os apóstolos da nossa contemporaneidade. Aquela frase do Marx de que a religião era o ópio do povo devia ser um recalcamento qualquer.

quinta-feira, julho 27, 2006

Joana & Michel

(na manifestação contra a guerra israelo-libanesa, ontem, no Porto;
foto publicada no JN de hoje)

Há meses que acompanhamos este amor lindo, que sofremos com eles a angústia da separação e da distância, que seguimos com ansiedade as notícias que se sucederam aos primeiros bombardeamentos, no dia exacto em que Michel concluía o seu Master of Philosophy na Universidade Americana de Beirute, que vivemos o desespero da Joana enquanto o Michel não conseguia fugir de Beirute, que partilhamos as lágrimas de alegria quando o soubemos são e salvo em Amã, que ouvimo-lo horrorizado relatar, quando finalmente aterrou no Porto, como um helicóptero israelita sobrevoou a sua vizinhança, na zona cristã de Beirute, e muito perto de sua casa disparou três mísseis na direcção do porto de Beirute e se retirou lentamente e foi bombardear um aquartelamento do exército libanês, «como se fosse a coisa mais natural do mundo», que escutamos com um nó na garganta o relato extraordinário da sua fuga por estradas secundárias constantemente bombardeadas pela aviação israelita, «o taxista conduzia em semi-círculos sem praticamente olhar para a estrada, com os olhos fixos no céu a observar o movimento dos aviões israelitas e a direcção dos mísseis», e, por muito que discordemos da legenda do cartaz, não conseguimos deixar de sentir um grande orgulho e de torcer para que o Michel possa voltar quanto antes para o país a desmoronar-se que deixou para trás ou que a sua família possa sair pacificamente do Líbano para visitar este país à beira-mar alheado e regressar à Beirute natal sem nada temer. Porque, ao contrário do que por aí se apregoa, há libaneses que odeiam visceralmente o Hezbollah e a Síria, por muito que a imagem permita conjecturar o oposto.

evva e mariaşi

O medo da novidade

"Os povos têm um instinto que tenta impedir que não se desvirtue aquilo que amam. Quando vêem que coincide com a sua alma, então aceitam-no."

Horácio Ferrer a propósito das inovações introduzidas no Tango por Astor Piazzolla, em mais uma entrevista Pessoal e Transmissivel de Carlos Vaz Marques na TSF, disponivel em Podcast em http://www.lusocast.com ou http://www.tsf.pt


andré

segunda-feira, julho 24, 2006

Todos muito zangados, árabes e não só


Tem sido dificil arranjar tempo para escrever alguma coisa sobre o que se está a passar no médio oriente, ou melhor dizendo sobre a agressão bárbara e repugnante que Israel (se não com o apoio declarado dos States, pelo menos com a sua conivência) mantém sobre o Libano.

À falta de palavras minhas ou do Michel, reencaminho-vos para este blog: http://angryarab.blogspot.com/

E fica a promessa de comentar o assunto em breve.

Joana

quarta-feira, julho 19, 2006

A legitimação da violência

Na passada segunda-feira, enquanto antecipava os títulos dos jornais britânicos do dia seguinte, a estação televisiva SKY News destacava a foto do jornal inglês The Guardian que descrevia de forma impressionante a devastação que a força aérea israelita tinha causado em Beirute, a capital do Líbano. Na tarde do dia seguinte, a mesma estação cobria o sofrimento da mãe de um dos soldados israelitas raptados e destacava os mortos no ataque do dia anterior à estação de comboio de Haifa, bem como o ambiente de tensão e de medo que se vivia naquela cidade, que pelas imagens parecia ainda de pé.

Na terça-feira vi o presidente da Comissão Europeia a pedir ao Hezbollah, mas não a Israel, o cessar imediato da sua actividade militar. Vi o jornal Público a fazer manchete com o ataque à estação de comboio de Haifa e a deixar para segundo plano a destruição do Líbano, e vi eurodeputados do PS, do BE, e da CDU a exigir uma posição da UE contra o ataque de Israel, enquanto o deputado do PSD, um respeitado intelectual, defendia a posição vigente.

Hoje, quarta-feira, o primeiro-ministro britânico afirmou no parlamento que enquanto as condições obrigatórias para o cessar fogo (de Israel) não estiverem cumpridas, ou seja enquanto o Hezbollah não parar a sua acção militar, nada de novo vai acontecer, ou seja, Israel não vai ter de parar os bombardeamentos.

Esta situação é aparentemente simples para muitos dos que estão a ler este texto, pois Israel é a vítima óbvia de uma organização terrorista que todos condenamos. Israel representa para muitos um pedaço do Ocidente (seja lá o que isso for) no meio de um conjunto de Estados subdesenvolvidos que representam ou estão associados ao Eixo do Mal (?!…).

A agressão de Israel não é terrível apenas pela enorme desproporcionalidade de recursos militares, ou pelo ataque a bairros cristãos, ou pelo morte de civis, ou pela devastação de um país que já estava a conseguir dar a volta por cima depois de uma guerra longa.
O que choca é que estes ataques fazem parte de um projecto militar de larga escala a partir do qual o Estado Judaico pretende eliminar todas as potenciais ameaças à sua existência. E porquê? Talvez porque o seu principal aliado, os EUA, pense da mesma forma em relação à sua política externa. É pra deitar tudo abaixo! Iraque, Líbano, quem sabe até o Irão e a Coreia do Norte e, se for necessário, a Síria.

Quanto à foto do The Guardian, talvez fique no top do ranking de um qualquer concurso internacional de fotojornalismo onde será abraçada com choque e muita admiração.

Já agora, e para que se saiba, há cerca de 300 mortos libaneses. Israelitas cerca de 25. Israel ainda está de pé. O Líbano já não.

andré

terça-feira, julho 18, 2006

Boa sorte Israel…

Caro/a leitor/a,

Peço-lhe o favor de me acompanhar neste raciocínio:

1. O Estado de Israel existe e assim vai continuar, por muitas e variadas razões, e não estou em crer que nenhuma força seja capaz de o destruir. Actualmente, o seu primeiro ministro está preso a uma politica que nada trará de bom para o seu país, oriunda de um homem que já nem sequer existe politicamente.
2. Os movimentos terroristas que surgiram contra Israel vão continuar a existir, por muitas e variadas razões, enquanto o mote da sua existência se mantiver e, sobretudo, enquanto a revolta das populações contra os actos de Israel lhes continuar a garantir novos militantes e recursos para combater. A vitória do Hamas e do Hezbollah em eleições democráticas aparece porque, por muito que nos choque, quando estamos entre a parede e o abismo escolhemos a segunda alternativa.
3. Os EUA vão continuar a apoiar Israel, por muitas e variadas razões, mas vão tentar acalmar o Médio Oriente por forma a não aumentar ainda mais a desgraça que criaram no Iraque onde o resultado foi o aumento do poder e influência de toda a corrente radical anti-americana (eu arrisco dizer anti-ocidental). Creio que depois de duas torres, os rapazes não aguentariam ver um avião ou um qualquer engenho explosivo deitar abaixo mais um símbolo do seu país e da sua cultura.
3. A Rússia e a China não têm muito que dizer a não ser que ninguém pode fazer mal ao Irão, pois afinal ele fornece petróleo e sabe-se lá mais o quê, recebe o dinheiro e não faz perguntas.
4. O primeiro ministro Iraniano continua a berrar mais alto do que a elite religiosa do seu país contra os Americanos e contra Israel, o que lhe dá popularidade e força política, uma vez que, para o manterem sossegado, os clérigos Iranianos alguma coisa lhe terão de dar em troca. Convenhamos, ninguém no Irão quer uma guerra contra os Americanos ou contra Israel.
5. A Europa está entalada entre o dever de solidariedade aos Americanos e Israelitas e o dever de cordialidade aos Chineses e aos Russos.
6. A ONU nada mais pode fazer, pois o Conselho de Segurança está preso perante este exercício global de Real Politik.

Num ambiente de cortar a respiração, uma solução da paz negociada podia ser aquilo que todos queriam, mas a memória recente do destino de Yitzhak Rabin elimina toda a esperança de que a paz possa surgir, quanto mais sobreviver, a partir de Israel.

A pergunta que fica é: quantos mais Líbanos terão de ser destruídos até que a paz possa regressar, nem que seja só por um bocadinho?

andré


PS: na passada sexta-feira, dia 14, no Expresso da Meia-Noite da SIC Notícias, a prof.ª Manuela Franco dizia que talvez o problema esteja na assumpção ocidental de que o conflito Israelo-Árabe se tem de resolver…
Tal como a droga, a prostituição, e outros males endémicos do nosso mundo, este parece ser um problema com o qual se tem de ir lidando. É triste não é?

segunda-feira, julho 17, 2006

Ah, Zizou!




(via Tomar Partido)

evva

Autre éventail

(El Abanico Rojo, Soledad Fernandez)

[Eis um poema da mulher de Mallarmé dedicado ao mais precioso dos objectos. É o próprio 'éventail' que aqui assume a voz, desejando que a sua interlocutora não cesse de agitá-lo e com ele 'frissonner l'espace', que se anima graças ao seu movimento contínuo. É o que mais precisamos neste momento, que uma frescura de crepúsculo nos beije. Incessantemente. ]

O rêveuse, pour que je plonge
Au pur délice sans chemin,
Sache, par un subtil mensonge,
Garder mon aile dans ta main.

Une fraîcheur de crépuscule
Te vient à chaque battement
Dont le coup prisonnier recule
L'horizon délicatement.

Vertige! voici que frissonne
L'espace comme un grand baiser
Qui, fou de naître pour personne,
Ne peut jaillir ni s'apaiser.

Sens-tu le paradis farouche
Ainsi qu'un rire enseveli
Se couler du coin de ta bouche
Au fond de l'unanime pli!

Le sceptre des rivages roses
Stagnants sur les soirs d'or, ce l'est,
Ce blanc vol fermé que tu poses
Contre le feu d'un bracelet.


Madame Mallarmé


[evva]

domingo, julho 16, 2006

MES DAMES ET MESSIEURS, THE 2006 SUMMER HIT:

Qual Floribela, qual carapuça! Qual GNR, qual inferno reciclado! A música de Verão c'est La Danse du Coup de Boule. As rádios portuguesas, habitualmente vendidas às editoras, ainda não o descobriram, mas na blogosfera não pára de tocar. Para ouvir e dançar sem descanso. À sombra.

LA DANSE DU COUP DE BOULE
(clicar para ficar viciado)


Coup de boule, coup de boule
Coup de boule à droite
Coup de boule, coup de boule
Coup de boule à gauche
Allez les bleus!
Allez!

Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule

Le rital il a eu mal
Zidane il a frappé
L'italien ne va pas bien
Zidane il a tapé
L'arbitre l'a vu à la télé
Zidane il a frappé
Mais la coupe on l'a ratée
On a quand même bien rigolé

Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé

Trézéguet n'a pas joué
Quand il a joué il a raté
Il a tout fait capoter
La coupe on l'a ratée
Barthez n'a rien arrêté
C'est pourtant pas compliqué
Les sponsors sont tous fâchés
Mais Chirac a bien parlé

Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Coup de boule
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé

Attention, c'est la danse du COUP DE BOULE!

Coup de boule, coup de boule
Coup de boule à droite
Coup de boule, coup de boule
Coup de boule à gauche
Coup de boule, coup de boule
Coup de boule avant
Coup de boule, coup de boule
Coup de boule arrière
Coup de boule, coup de boule
Et maintenant penalty
Attention il va tirer1, 2, 3,
c'est raté!

Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé
Zidane il a frappé, Zidane il a tapé

On a quand même bien rigolé
Zidane et Trézéguet
La coupe on l'a ratée
Zidane et Trézéguet
On a quand même bien rigolé
Zidane et Trézéguet
La coupe on l'a ratée
Zidane et Trézéguet
Et Trézéguet
Et Trézéguet
Et Trézéguet, guet, guet
Et Trézéguet
Coup de boule, coup de boule
Et Trézéguet
Coup de boule, coup de boule
Et Trézéguet
Coup de boule, coup de boule
Et Trézéguet
Coup de boule, coup de boule
Guet, guet
Et Trézéguet

(via ::::autopsicografia:... Merci, Mariana!)

evva