segunda-feira, novembro 13, 2006

A pensar é que a gente se entende









Ainda que o título do post possa causar algum melindre a determinadas pessoas deste blog, pelo uso menos adequado da palavra "gente", esta foi a melhor forma que encontrei para recomendar a visita ao site da BBC Radio 3, onde poderão ouvir uma entrevista com Brian Eno (na foto) a propósito do festival Free Thinking, organizado pela estação/instituição nacional de rádio britânica.
Porque às vezes vale a pena ouvir os outros pensar.

andré

domingo, novembro 12, 2006

Keith Jarret Trio em Portugal













Hoje, 12 de Novembro de 2006, vai ter lugar, em Lisboa,
o concerto do ano… e eu não vou poder lá estar…

andré

quinta-feira, novembro 09, 2006

Venha o próximo!

'When the new century came there was fantastic goodwill in the world,' Yunus recalls. 'We had a tremendous optimism, we wanted a different kind of world. For the first time in human history, all the nations got together and set a date, via the UN's Millennium Goals, to improve the world. We want to reduce the number of poor people by half by 2015, they said. And then ... and then comes Bush! Who turns the whole thing backwards. He creates distrust among people, he undermines the authority of the government, and he says, I can handle everything myself. And so today we are in mess and we don't know how we are getting out.'

Este excerto da reportagem do semanário inglês The Observer, sobre o nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, é suficiente para dar uma imagem clara sobre o impacto que George W. Bush está a ter na história deste milénio que ainda agora começou.
Na semana passada, o Público dava conta de uma sondagem promovida pelos jornais "The Guardian" (Reino Unido), "Haaretz" (Israel), "La Presse" e "Toronto Star" (Canadá), e "Reforma" (México), que reveleva que o actual presidente dos EUA era visto como uma ameaça mais séria à paz mundial do que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad.
Parece demasiado associar uma pessoa a um conjunto tão alargado e profundo de acontecimentos. E verdade seja dita, a administração Bush não teve propriamente muita sorte com alguns dos acontecimentos com que foi confrontada.
Mas o que a torna tão mal vista não são tanto os seus actos mas sim as ideias que estão por trás. Ideias incorporadas em pessoas como Paul Wolfowitz, um dos pais da democratização do mundo, ou o agora (finalmente) demitido Donald Rumsfeld, que acreditava que a guerra do Iraque ia durar uns meses (?!). Esta administração baseia-se, de facto, em ideias que, noutro contexto, poderiam ser consideradas muito perigosas.
A democracia actual tem dilemas sérios, como referiu John Keane no Público de domingo, e esta administração tem sido pródiga na forma como tem demonstrado isso mesmo. Mas como só os americanos podem eleger o seu presidente, vamo-nos contentando com os resultados das eleições intercalares, onde os democratas ganharam a maioria no senado e na câmara dos representantes.
Contudo, o povo diz que "gato escaldado de água fria tem medo". E eu lembro-me bem da intervenção na Somália nos anos 90, em nome da paz. Foi mais curta do que o Iraque, e as tropas americanas tiveram de bater em retirada. O presidente da altura chamava-se Bill Clinton, e era democrata.
Mas parece-me que ninguém se importa muito com quem vem a seguir. O importante é que a administração Bush saia. Depressa.

andré

PS: …ainda faltam mais dois anos. Alguém consegue arranjar um acelerador?

segunda-feira, novembro 06, 2006

VERGONHA


Uma condenação à morte evitável. Até quando estaremos dispostos a aturar a exportação do pior que a América tem? Seria uma boa oportunidade para a Europa sublinhar a sua oposição à sentença de morte, com uma veemente condenação à decisão de um tribunal que se suspeita instrumentalizado e esforços diplomáticos para transformar a pena em prisão perpétua.

evva

quinta-feira, novembro 02, 2006

Os pontos nos ii

Vasco Graça Moura, no DN de ontem, a alertar mais uma vez para a gravidade da 'linguisticização' do ensino da Língua Portuguesa e citando dois excelentes artigos de Maria Alzira Seixo e Maria do Carmo Vieira. Sublinhados meus:

«A sublimação

Há perto de um ano, abordei nesta coluna a questão da nova terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS). Agora, com a serenidade olímpica e a autoridade incontestável que lhe vem do muito saber académico, de uma longa experiência cultural e pedagógica e de um bom senso elementar, Maria Alzira Seixo, numa síntese fundamental, "A TLEBS e a educação" (Visão, 26.10.2006), põe em evidência como certos sectores da Linguística em Portugal (talvez, digo eu, por qualquer descompensação da ordem do freudiano...) se estão solenemente nas tintas para a Literatura e para o papel essencial que esta deveria ter no ensino e na aprendizagem da língua portuguesa.
Demonstra que nunca é inocente a substituição de uma terminologia gramatical por outra e anota não ser cientificamente consensual, nem isenta de muitas incoerências, a orientação universitária que foi imposta através da TLEBS e que não deveria, portanto, ter sido considerada "representativa para uma orientação ministerial".
Sublinha que nem a Gramática nem a Língua são feudo exclusivo da Linguística e estão também indissoluvelmente ligadas à Literatura e à Filosofia.
Exprime o receio, mais do que fundamentado, de que o pensamento subjacente à TLEBS não favoreça a qualificação educativa.
Denuncia o autismo teórico das concepções subjacentes à TLEBS e os "raciocínios tecnicistas e funcionais, com uma óptica exclusivista e auto-suficiente que, não dialogando com áreas centrais do pensamento humanístico, estreita a compreensão gramatical".
Aponta o lado abstruso, aberrante e incompreensível de muitos aspectos da terminologia em questão, bem como os equívocos a que isso dará lugar, tanto no plano da docência como no da discência.
E observa: "Não é por serem diferentes que as designações são inovadoras ou adequadas; Rodrigues Lapa mostrou há décadas, relacionando linguística e literatura, que a estilística da língua matiza as categorias gramaticais e a actualiza em alterações da norma praticadas por escritores que criam valores que a categoria não contém e é a literatura que vai fixando".
A rematar, uma evidência clamorosa: "Ninguém pode obrigar um professor a ensinar mal".

Também Maria do Carmo Vieira publicou um excelente artigo, "O regresso da polémica", no JL de 25.10.2006, em que, depois de uma breve resenha da tragicomédia do ensino da Gramática, dá uma série de exemplos de pôr os cabelos em pé.
Entre outros, há pronomes indefinidos que dão agora pelos nomes sorumbáticos de "quantificadores indefinidos", "quantificadores universais" e "quantificadores relativos". Nos advérbios, encontramos coisas alucinantes como "advérbios disjuntos avaliativos", "advérbios disjuntos modais", "advérbios disjuntos reforçadores da verdade da asserção" e "advérbios disjuntos restritivos da verdade da asserção". O sujeito indefinido passa a ser o luminoso "sujeito nulo expletivo". O "aposto ou continuado" chama-se bombasticamente "modificador do nome apositivo", podendo ser do tipo "nominal", "adjectival", "proposicional" ou "frásico"...

Isto posto, o que é que leva a ministra da Educação a aceitar um conjunto de enormidades deste tipo e a desatender as muitas objecções que, sem dúvida, lhe chegaram da parte de inúmeros professores?
Quem são os responsáveis que, no seu ministério, se vêm enfeudando a estas aberrações, conseguindo fazê-las consagrar na lei, com os resultados desastrosos que todos conhecem? Não lhes acontece nada? Ninguém pensa em pô-los na rua?
Não se vê que a avaliação dos professores, face ao novo estatuto, se vai tornar absolutamente impraticável nesta matéria? Nem que o ensino se vai degradar ainda mais?
Será isto uma política da Educação? Será assim que a cooperação com os outros países de língua portuguesa vai ser mais eficaz, no tocante ao ensino e promoção da língua comum?
Não há um deputado à Assembleia da República para interpelar o Governo, uma associação de pais para protestar com energia, uma associação de professores para se recusar terminantemente a pôr em prática esta pepineira?
Assim como a sublimação implica a passagem do estado sólido ao estado gasoso, sem passar pelo intermédio, temos agora este trânsito da ignorância geral à embrulhada específica, sem se passar pelo estado intermédio e necessário de um ensino razoável e sensato.
Por alguma razão a palavra "gás" deriva de kaos. Esse será o resultado deprimente do ensino gasoso que a TLEBS nos prepara.»

evva

Para além da curva da estrada


A minha avó materna partiu na sexta-feira passada, no primeiro dia de um Verão luminoso e anacrónico que sucedeu a dias e dias de chuva diluviana. Apesar da manhã ter surgido hoje submersa em neblina, a recordar o mês em que estamos, continuo à procura da curva da estrada que traga o Outono de volta e finalmente me reconcilie com a realidade.

A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir com eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

FERNANDO PESSOA (22.5.1932), Cancioneiro

Elsa

sexta-feira, outubro 20, 2006

O que distingue a música boa da música má?

"A quase impossibilidade do reconhecimento disto quando da sua primeira audição."

Caetano Veloso em entrevista Pessoal e Transmissivel, com Carlos Vaz Marques, na TSF.

quarta-feira, outubro 18, 2006

I feel disgusted

Ontem a administração Bush assinou uma lei que aprova o uso de métodos ditos "agressivos" nos interrogatórios relacionados com a guerra contra o terrorismo. Não sei que tipo desculpas podem dar os defensores da "democracia" americana para defenderem a aplicação desta lei. Para mim, é mais uma prova que, este presidente e a sua comandita têm muito pouco de democrático. E se esse é o peixe que querem continuar a vender para que nós aceitemos cegamente tudo o que fazem, deveriam dar o exemplo, ao menos para manter iludidos os pobres coitados. .. uma coisa é certa. A minha ideia de democracia não tem nada a ver com isto. E gostaria, embora saiba que o pai natal não dá este tipo de presentes, que a Europa seguisse de vez um outro caminho.

Norma

domingo, outubro 15, 2006

AFINAL NÃO ESTAMOS SÓS



O que é que se vê nesta fotografia?

(a) Um estádio do EURO 2004 em final de construção.
(b) O estádio Olímpico de Atenas a ser terminado.
(c) O estádio de Wembley no final do seu processo de remodelação.

Se escolheu a opção b (a primeira é demasiado óbvia), enganou-se.
Não são só os Portugueses e os Gregos a meter água na construção de estádios. De acordo com o semanário The Observer, vão ser gastos 827 milhões de libras (± 1240 milhões de euros) na remodelação do ícone futebolístico britânico. O custo inicial era de 458 milhões de libras (± 687 milhões de euros)…

Qual é a moral da história?

(a) Afinal os nossos estádios não demoraram assim tanto a ser construídos.
(b) Os ingleses gastam mais nos estádios mas também na educação e na cultura.
(c) Isto só serve para apagar as mágoas das asneiras que fazemos.

Eu resigno-me à escolha da terceira opção. Mas cada qual pode escolher o final que quiser.
Quanto aos gregos, eu só os pus aqui para vos enganar.


andré

quinta-feira, outubro 05, 2006

Há dias assim... II


Este dia devia ser celebrado para recordar a independência de Portugal, ocorrida há 863 anos (1143) e consagrada pela assinatura do Tratado de Zamora, em que Afonso VII de Leão reconhecia a legitimidade de Afonso Henriques, e não para festejar na Praça do Munícipio de Lisboa o início da governação desastrosa que foi a Iª República.

evva

terça-feira, outubro 03, 2006

Há dias assim…

Ora então vejamos:
Acordei às seis e meia para poder chegar duas horas antes do voo, sabendo já que não me iria livrar do pagamento do excesso de bagagem. Esta mala saiu mais pesada do que a da semana passada…
Já no aeroporto, e durante a verificação da bagagem, o discman sai disparado da mochila e estatela-se no chão ficando, daí em diante, com uma esclerose que o faz parar a meio da cada música que toca. Durou mais de 10 anos com muitas quedas e nenhum problema. Tadinho…
Chegado ao destino, e depois de uma bela soneca, ficamos todos cerca de 20 minutos à espera que nos verificassem os BI ou passaportes. Sigo para o primeiro comboio do dia. Faltavam ainda cinco minutos prá partida…
Chegado ao fim da viagem, e após comer um queque com pintinhas púrpura e beber um earl grey – que era mais grey do que outra coisa – começo a corrida para o segundo comboio. Com as moedas para a máquina de bilhetes do metro já no bolso, dali até à estação foram menos de dez minutos.
Entretanto, como a pressa e com o peso, a pega retráctil da mala parte e, após testados vários tipos de pega, sujeito-me à única que funciona: pernas ligeiramente flectidas e corpo inclinado prá direita para poder agarrar a mala. Saco cama e edredão na mão esquerda e a mochila com o computador no ombro do mesmo lado.
A menos de um minuto antes da partida entro no comboio. Arrasto a mala até à minha carruagem, troco a camisa ensopada de suor, e após ir ao bar buscar comida, vou para um lugar que não é o meu para não ter de ouvir o ressonar da senhora que estava sentada ao meu lado.
Agora com tempo para pensar, escrevo esta crónica com uma certeza: quando chegar vou de táxi até casa.


andré

PS: Deixei a raquete de squash no primeiro comboio…

segunda-feira, outubro 02, 2006

Olé II



Lula vai à segunda volta.

Será desta que se digna a aparecer nos debates? O Brasil merece melhor.

evva

P.S.: Sobre o suposto 'milagre' da diminuição da pobreza, ler Dar Engano, no Lóbi do Chá.

Olé


evva

sábado, setembro 23, 2006

Adeus Margarida













Ontem o dia amanheceu com o sol e com ele ficou até ao fim.
O frio já faz sentir a manga curta ao final da tarde.
Depois de uma entrada violenta, o Outono mostra porque dá o vermelho às plantas e a nostalgia aos sentidos.
Ontem a Margarida morreu. Era nossa amiga e nós gostávamos muito dela.

andré

sexta-feira, setembro 22, 2006

Isto de passar o dia inteiro a ouvir falar com sotaque de Gondomar... Não vos digo nem vos conto. Vá lá que é tudo gente simpática.

Eu até gosto muito do colorido dos sotaques, apesar do meu português indistinto, com raríssimas marcas de regionalismo, que faz com que os que me conhecem pela primeira vez duvidem, desconfiados, que eu seja do Porto, mas, enfim, há fonéticas e fonéticas...

evva

quinta-feira, setembro 21, 2006


Há um ano, nascia em Coimbra o cavaleiro desejado. Tem sido um privilégio vê-lo crescer e descobrir o mundo com aquele sorriso que tudo ilumina à sua volta.
Parabéns!

evva

terça-feira, setembro 19, 2006

Aleluia!

E hoje chegou finalmente o resultado da minha reclamação do concurso de colocação de professores. Pelos vistos, houve um erro técnico e vou ser recambiada para a escola do último colocado do QZP, já que aquela escola era a minha 18ª opção (fui parar à escola 92ª) e o colega da 18ª está 100 e tal lugares depois de mim na lista de graduação.
Já tive conhecimento de dezenas de reclamações (afinal, nem tudo correu bem, sr.ª ministra...), só espero que os outros colegas prejudicados pela tal 'falha técnica' vejam a sua situação regularizada quanto antes, sobretudo os contratados. Pois se eu pude constatar dezenas de atropelos no concurso para os QZPs, no concurso dos contratados é melhor nem falar. Boa sorte a todos.

evva

MEC e Israel


"A minha posição é muito simples: apoio Israel, aja mal ou aja bem e haja lá o que houver. Suponho que isto faça de mim, segundo a óptica da época, um fundamentalista, tão mau como os terroristas: não me importo. Cada um é livre de pensar o que quer. E é aqui que começa (e não acaba) o problema.
Se eu quiser interrogar a minha simplicidade, basta-me ler a imprensa israelita. Aí são expostas e ardentemente defendidas todas as posições possíveis. Se quiser ultrapassar à esquerda ou à fanática os mais ferozes anti-sionistas europeus e americanos (os portugueses, felizmente, são sempre desinteressantes) lá estão todos os extremismosque eu possa pretender.
Os israelitas têm, em comparação com aqueles com que guerreiam, algumas grandes vantagens. Não querem a destruição completa do povo a que pertence o exército adversário. Gostam da liberdade de expressão; da democracia liberal; dos direitos humanos. Pensam no que fazem; têm problemas de consciência; dúvidas que exprimem publicamente e debatem sem pudor. Votam e deixam votar. Enfim, Israel é como Portugal, como a Europa, como os Estados Unidos, como o Japão, como a Austrália e todos os países onde o indivíduo é livre de discordar, rebelar-se e ser do contra. Ou, no meu caso, de não se rebelar - nem sequer contra os que se rebelam.
Para mim, os adversários de Israel são os nossos. Por definição. São os que querem destruir um Estado e um povo democráticos. Mais: Israel somos nós. Não nos faz lembrar nada aquele país diminuto rodeado por inimigos, com um único aliado poderoso? Faz lembrar Portugal há muitos séculos atrás, quando a ideia de Portugal ainda não era aceite. Os israelitas têm os americanos como nós tínhamos os ingleses. E os restantes europeus, como sempre, vacilam em volta, confundindo a própria confusão.
Não é em Israel nem aqui que existe unanimidade ou se procura alcançá-la. Essa é a razão do meu apoio: poder concordar. Também é uma liberdade. É onde há unanimidade - e onde se procura impô-la - que está o que se deve temer e contrariar.
"

Miguel Esteves Cardoso, Nós também somos Israel, na Única do "Expresso" (no Blog da Atlântico).

Escusado será dizer que assino por baixo.

evva

segunda-feira, setembro 18, 2006