Keith Jarret Trio em Portugal

Hoje, 12 de Novembro de 2006, vai ter lugar, em Lisboa,
o concerto do ano… e eu não vou poder lá estar…
andré
«Imagination is memory» James Joyce

Hoje, 12 de Novembro de 2006, vai ter lugar, em Lisboa,
o concerto do ano… e eu não vou poder lá estar…
andré
'When the new century came there was fantastic goodwill in the world,' Yunus recalls. 'We had a tremendous optimism, we wanted a different kind of world. For the first time in human history, all the nations got together and set a date, via the UN's Millennium Goals, to improve the world. We want to reduce the number of poor people by half by 2015, they said. And then ... and then comes Bush! Who turns the whole thing backwards. He creates distrust among people, he undermines the authority of the government, and he says, I can handle everything myself. And so today we are in mess and we don't know how we are getting out.'
Este excerto da reportagem do semanário inglês The Observer, sobre o nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, é suficiente para dar uma imagem clara sobre o impacto que George W. Bush está a ter na história deste milénio que ainda agora começou.
Na semana passada, o Público dava conta de uma sondagem promovida pelos jornais "The Guardian" (Reino Unido), "Haaretz" (Israel), "La Presse" e "Toronto Star" (Canadá), e "Reforma" (México), que reveleva que o actual presidente dos EUA era visto como uma ameaça mais séria à paz mundial do que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad.
Parece demasiado associar uma pessoa a um conjunto tão alargado e profundo de acontecimentos. E verdade seja dita, a administração Bush não teve propriamente muita sorte com alguns dos acontecimentos com que foi confrontada.
Mas o que a torna tão mal vista não são tanto os seus actos mas sim as ideias que estão por trás. Ideias incorporadas em pessoas como Paul Wolfowitz, um dos pais da democratização do mundo, ou o agora (finalmente) demitido Donald Rumsfeld, que acreditava que a guerra do Iraque ia durar uns meses (?!). Esta administração baseia-se, de facto, em ideias que, noutro contexto, poderiam ser consideradas muito perigosas.
A democracia actual tem dilemas sérios, como referiu John Keane no Público de domingo, e esta administração tem sido pródiga na forma como tem demonstrado isso mesmo. Mas como só os americanos podem eleger o seu presidente, vamo-nos contentando com os resultados das eleições intercalares, onde os democratas ganharam a maioria no senado e na câmara dos representantes.
Contudo, o povo diz que "gato escaldado de água fria tem medo". E eu lembro-me bem da intervenção na Somália nos anos 90, em nome da paz. Foi mais curta do que o Iraque, e as tropas americanas tiveram de bater em retirada. O presidente da altura chamava-se Bill Clinton, e era democrata.
Mas parece-me que ninguém se importa muito com quem vem a seguir. O importante é que a administração Bush saia. Depressa.
andré
PS: …ainda faltam mais dois anos. Alguém consegue arranjar um acelerador?

"A quase impossibilidade do reconhecimento disto quando da sua primeira audição."
Caetano Veloso em entrevista Pessoal e Transmissivel, com Carlos Vaz Marques, na TSF.
Ontem a administração Bush assinou uma lei que aprova o uso de métodos ditos "agressivos" nos interrogatórios relacionados com a guerra contra o terrorismo. Não sei que tipo desculpas podem dar os defensores da "democracia" americana para defenderem a aplicação desta lei. Para mim, é mais uma prova que, este presidente e a sua comandita têm muito pouco de democrático. E se esse é o peixe que querem continuar a vender para que nós aceitemos cegamente tudo o que fazem, deveriam dar o exemplo, ao menos para manter iludidos os pobres coitados. .. uma coisa é certa. A minha ideia de democracia não tem nada a ver com isto. E gostaria, embora saiba que o pai natal não dá este tipo de presentes, que a Europa seguisse de vez um outro caminho.
Norma

O que é que se vê nesta fotografia?
(a) Um estádio do EURO 2004 em final de construção.
(b) O estádio Olímpico de Atenas a ser terminado.
(c) O estádio de Wembley no final do seu processo de remodelação.
Se escolheu a opção b (a primeira é demasiado óbvia), enganou-se.
Não são só os Portugueses e os Gregos a meter água na construção de estádios. De acordo com o semanário The Observer, vão ser gastos 827 milhões de libras (± 1240 milhões de euros) na remodelação do ícone futebolístico britânico. O custo inicial era de 458 milhões de libras (± 687 milhões de euros)…
Qual é a moral da história?
(a) Afinal os nossos estádios não demoraram assim tanto a ser construídos.
(b) Os ingleses gastam mais nos estádios mas também na educação e na cultura.
(c) Isto só serve para apagar as mágoas das asneiras que fazemos.
Eu resigno-me à escolha da terceira opção. Mas cada qual pode escolher o final que quiser.
Quanto aos gregos, eu só os pus aqui para vos enganar.
andré

Lula vai à segunda volta.
Será desta que se digna a aparecer nos debates? O Brasil merece melhor.
evva
P.S.: Sobre o suposto 'milagre' da diminuição da pobreza, ler Dar Engano, no Lóbi do Chá.

It's a little device
It's a little device
Keeps you warm
Keeps you warm
It's a little surprise
Just a little surprise
To keep you calm
To keep you calm
Shadows and light
Shadows and light
I see your face on every single street
Got to get out of this place tonight
Got to get out of this way of life
Got to get out of this place tonight
It's a little device
It's a little device
Keeps you warm
Keeps you warm
Got to get out of this place tonight
Got to get out of this way of life
This life, Perry Blake, álbum California
andré

"And I'm very dubious about trying to produce students who are going out and change the world. I'm very anti-authoritarian about it. I'm not interested in disciples; I don't want people to be like me. I'm interested in people who are different."
"Power, Politics and Culture - interviews with Edward W. Said". Vintage Books. New York. Pag. 63.
andré
"A pedido do PCP"
Carlos de Sousa confirma saída da presidência da Câmara de Setúbal
Afinal equivoquei-me.
evva
P.S.: E querem vocês que eu vá dar dinheiro a estes mânfios!? Nem morta.
(produzido a partir de excertos - em itálico - da coluna semanal Ponto de Vista, de Jorge Almeida Fernandes, publicada no passado dia 21 de Agosto no Público, com o título "Israel Analisa-se")
Depois do fiasco no Líbano, Israel debate os erros. Tudo é posto em causa, a doutrina militar, a política palestiniana, as relações regionais. Se o Hezbollah surpreendeu Israel, Israel passou agora a conhecê-lo. É uma questão de sobrevivência.
Para começo não está mau.
Um analista lembrou que Israel não ganha uma guerra desde 1967: teve uma vitória parcial em 1973, atolou-se na Intifada e falha agora no Líbano.
Esta é que eu não sabia.
Os próximos meses assistirão a um provável terramoto político. "É o princípio de uma nova era, se Israel reconhecer a tempo que tem de pagar o preço de uma repetida cegueira", escreve o jornalista Gideon Samet.
Cegueira. Ora aí está. Talvez seja melhor escrever as próximas resoluções da ONU em Braille…
[o historiador Zeev] Sternhell afirma que "o fracasso não foi da elite cultural ou dos valores de sociedade aberta. Não houve falta de devoção, espírito de combate e voluntarismo, qualidades características dum israelita em uniforme. O que faltou foram políticos com estatura e meios adequados de acção."
De facto, primeiros-ministros com estatura, desde Rabin, não tenho conhecimento de ter havido algum.
Os analistas militares, muitos deles oficiais na reserva e veteranos dos serviços secretos, criticam os conceitos estratégicos. Desde a aposta na guerra aérea e tecnológica ("à moda da NATO no Kosovo") ao desprezo pelo adversário, que levou às "surpresas" do Hezbollah, como os seus mísseis antitanque.
E eu a pensar que ninguém era suficientemente ingénuo para imitar os americanos. Para quem tem a reputação de ter um dos melhores exércitos (e serviços secretos) do mundo, esta notícia desilude-me profundamente.
Fala-se no desgaste das tropas de elite em anos de combate de rua na Intifada: "À força de jogar contra más equipas, mesmo as boas equipas vêem o seu nível baixar."
Quanto a isto não há problema. Contrata-se o José Mourinho. Ele até já esteve em Israel e deve ter ficado com a noção exacta do problema.
É posta em causa a doutrina da "alavanca", o uso de alta violência contra os palestinianos para os convencer de que nada obterão pela violência, explica o general Gal Hirsh. Ao fim de cinco anos, os militares fazem o balanço: os palestinianos moderados foram marginalizados e o Hamas ganhou as eleições. No Líbano, foi usado o mesmo princípio e o exército queixa-se agora de perder a "guerra das relações públicas" e de ver os libaneses solidarizarem-se com o Hezbollah.
Pois. Digamos que, tirando os Israelitas e os americanos, já todo o mundo tinha percebido isto.
Há uma gravíssima responsabilidade dos políticos, de Ehud Olmert a Amir Peretz: não fizeram as devidas perguntas. Se a guerra era inevitável, Israel caiu numa armadilha.
Pois caiu e agora o mundo inteiro tem de ajudar Israel a sair dela. Bonito serviço.
O general Uri Saguy, ex-chefe das informações militares, declarou ao Le Monde: "Esta guerra deveria levar os nossos dirigentes a compreender os limites da força e a necessidade de um acordo político regional. Os que têm uma visão binária, que dividem o mundo entre bons e maus, apenas sabem semear a guerra e a desestabilização da região."
Essa dos bons e dos maus era uma indirecta para o Bush, não era?…
O "falcão" Efraim Halevy, antigo chefe da Mossad, propõe uma negociação com o Hamas e critica a sua ostracização. Não interessa que o Hamas reconheça Israel, interessa sair dos territórios, deixar para mais tarde a paz e negociar um statu quo que garanta a segurança e afaste o Hamas sunita do Hezbollah xiita. O "campo da paz", esse quer aproveitar a "oportunidade" para avançar uma solução global.
As aves de rapina têm de facto uma visão muito apurada. Temos de as respeitar e dar-lhes razão quando a têm.
andré

Nos dois últimos episódios da série "Os homens do presidente" (West Wing), emitida no AXN, discutia-se se na política externa norte americana devia estar contido explicitamente o direito de intervenção em situações de tirania mesmo que não afectassem os interesses do país. Um lado a favor da defesa de povos, o outro a favor da autoingerência e a pensar nas consequências óbvias que tal política traria para a análise de outras situações onde não fosse tão clara a tirania ou a ameaça de povos indefesos.
Ontem à noite, a 2: emitiu um documentário sobre Fidel Castro, onde retratava como foi e tem sido capaz de se manter (quase) independente à influência norte americana, embora muito à custa da limitação dos direitos dos cidadãos do seu país. Mas mesmo assim, eis que aos 80 anos "el Castro" ainda se mantém (vamos a ver até quando) como o pilar, o farol de um povo que parece ter com ele uma relação similar à que tivemos com Salazar durante mais de 40 anos.
No final da passada semana, Kofi Anan, num discurso eloquente e preciso, defendia que a acção militar não fazia parte das soluções para o conflito entre Israel e o Hezbollah, mas representava sim uma falta de imaginação e de capacidade dos líderes para encontrarem outras soluções.
Após diversos encontros, eis que sai a resolução: a guerra acabava hoje pelas 00h50. Entretanto, entre a aprovação da resolução e o “fim” das hostilidades ainda houve tempo para mais umas bombas israelitas e uns katiucha do Hezbollah.
Creio que nunca como antes o mundo esteve tão cheio de referências ambivalentes e de realidades indefinidas. O inundar de informação e o consequente aumento da variedade das suas fontes coloca-nos numa situação difícil em que nos questionamos constantemente sobre quem tem ou não razão.
Acredito que não é fácil ser dono do mundo nem desistir dos sonhos e dos ideais em que acreditamos, contudo, ainda não encontrei desafio mais árduo e estimulante do que manter a paz e tentar fazer com que as pessoas se entendam, respeitando diferenças e pontos de vista. É esse para mim o grande desígnio que os EUA nos trouxeram mas que agora se vêem incapazes de defender. Tal como Fidel, eles perderam toda a sua credibilidade.
Perante isto, continuo a encontrar inspiração e consolo (embora pouco) naquele africano de cabelos grisalhos que insiste (embora não por muito mais tempo) em defender o primado do equilíbrio e da justiça entre nações.
Não, não é nenhum salvador. Mas lá está, não acredito em milagres.
andré
"Vejo que os consumidores se deslocam sós, esporadicamente em pares, tal qual os doentes do hospital Júlio de Matos. Depois de várias voltas tenho a sensação de circular num espaço de internamento.
Cruzo-me sucessivamente com os mesmos embrulhos das mesmas pessoas. Todos girando à volta, como num carrocel. O centro comercial não tem janelas e apenas duas portas convidam à saída. A uniformidade das paredes homogeniza o espaço, tenho a sensação de circular num labirinto que nos faz perder. Provavelmente estamos perante estratégias de arquitectura que levam os consumidores a circular sem terem a consciência da passagem do tempo, até porque não se encontram relógios. (...)
Observo o olhar de desespero de alguns consumidores, carregados de embrulhos como se fossem árvores de Natal. Não me parecem felizes, avaliando os sobrolhos carregados. À semelhança dos manicómios, os "shoppings" são instituições por onde circulam fantasias e delírios. A diferença é que, neste caso, elas giram em torno do consumo. Nos manicómios o delírio é a doença, nos "shoppings" não é.
Pela mesma lógica, a sociedade não é olhada como doente uma vez que - provável razão - ela é norma. Os desvios comprovam a norma, embora raramente se reconheça que aqueles derivam desta. E mais, a norma sobrevive pela recorrência dos desvios.
Passo ao lado de uma livraria, olho de relance para a montra e fico a pensar na fragilidade da nossa sociedade quando observo a quantidade de livros que apontam caminhos para a felicidade. Caminhos discutíveis pois sugerem um aprisionamento dos leitores a uma imperativa necessidade de auto-ajuda, auto-realização, autocontrolo, autoconfiança, autodefesa, autoestima, autodeterminação, eu sei lá que mais."
In "Nos Rastos da Solidão", José Machado Pais.
Excerto publicado na revista de domingo do Público em 26/07/2006, a propósito de uma entrevista com o autor, intitulada "A solidão é normal?"
andré

Parece que o Hizbullah está aqui. No Uncle Deek, onde se bebe um nescafé fora de horas em Beirut. Espera, espera, que há um bairro xiita escondido atrás do Uncle Deek! Os katiucha devem estar escondidos nas máquinas do café e quanto aos Raad, menos discretos, devem estar na arrecadação ao lado das casas de banho. Só pode...
Norma

Desde que, por alturas do 11 de Setembro, soube da existência deste livro, através de uma entrevista com o autor no Público, que me ficou a vontade de o ler. Hoje terminei-o.
É sempre um motivo de regozijo quando uma obra me põe a pensar sobre as coisas e sobre a sua origem. Essa é, para mim, a sua grande virtude. Porque não é apenas a complexidade do problema que se torna relevante mas também a metodologia utilizada que vai, ela própria, influenciar a leitura e compreensão da tese que se visa defender.
Não posso deixar de manifestar alguma raiva perante o facto de o autor deste livro se ver na necessidade de produzir uma obra tão extensa e tão profunda para tornar inteligivel uma ideia que fica, para alguns, clara logo nas primeiras páginas. Não porque não seja necessário faze-lo mas porque só assim se consegue ser respeitado num ambiente onde as ideias dominantes são diferentes daquelas que o livro defende.
Resumindo e concluindo, é como se, para contrariar um discurso tão simples como o de George Bush em torno do "Eixo do Mal", um intelectual nos dias de hoje, tivesse que escrever um livro de 400 páginas em torno das assumpções que estão detrás da política externa americana em geral, e desta administração em particular. E porque bombardear a Casa Branca está fora de questão.
andré
PS: Para os que se sentem à vontade no inglês, recomendo esta edição de 2003 da Vintage Books que tem um novo prefácio do autor e mantém o epílogo de 1994. De qualquer forma, o livro foi editado em português pela Cotovia em 2004.

Sempre preferi as experiências orientadas, que visam a autonomia e a independência intelectual de cada um. Infelizmente esta não é a vocação desta respeitada revista semanal cuja honestidade e rigor respeito e admiro. Por outro lado, é cada vez mais claro para mim que a Economia não é (nem alguma vez terá sido) o principal orientador da vida dos países e das pessoas. Enfim… tenho de procurar um subsituto. Se alguém quiser dar uma ajuda…
andré
"O cristão e o comunista são muito próximos em muitos aspectos só que o cristão tá pensando nessa vida maravilhosa após a morte e o comunista quer ver essa vida aqui, agora."
Lenine (o músico) , em mais uma entrevista Pessoal e Transmissivel de Carlos Vaz Marques na TSF, disponivel em Podcast em http://www.lusocast.com ou http://www.tsf.pt
andré
PS: O meu pai dizia que Jesus tinha sido primeiro comunista na terra. A partir de determinada altura, eu passei a perguntar-me se não seriam os comunistas os apóstolos da nossa contemporaneidade. Aquela frase do Marx de que a religião era o ópio do povo devia ser um recalcamento qualquer.
"Os povos têm um instinto que tenta impedir que não se desvirtue aquilo que amam. Quando vêem que coincide com a sua alma, então aceitam-no."
Horácio Ferrer a propósito das inovações introduzidas no Tango por Astor Piazzolla, em mais uma entrevista Pessoal e Transmissivel de Carlos Vaz Marques na TSF, disponivel em Podcast em http://www.lusocast.com ou http://www.tsf.pt
andré
Tem sido dificil arranjar tempo para escrever alguma coisa sobre o que se está a passar no médio oriente, ou melhor dizendo sobre a agressão bárbara e repugnante que Israel (se não com o apoio declarado dos States, pelo menos com a sua conivência) mantém sobre o Libano. À falta de palavras minhas ou do Michel, reencaminho-vos para este blog: http://angryarab.blogspot.com/
E fica a promessa de comentar o assunto em breve. Joana |
Na passada segunda-feira, enquanto antecipava os títulos dos jornais britânicos do dia seguinte, a estação televisiva SKY News destacava a foto do jornal inglês The Guardian que descrevia de forma impressionante a devastação que a força aérea israelita tinha causado em Beirute, a capital do Líbano. Na tarde do dia seguinte, a mesma estação cobria o sofrimento da mãe de um dos soldados israelitas raptados e destacava os mortos no ataque do dia anterior à estação de comboio de Haifa, bem como o ambiente de tensão e de medo que se vivia naquela cidade, que pelas imagens parecia ainda de pé.
Na terça-feira vi o presidente da Comissão Europeia a pedir ao Hezbollah, mas não a Israel, o cessar imediato da sua actividade militar. Vi o jornal Público a fazer manchete com o ataque à estação de comboio de Haifa e a deixar para segundo plano a destruição do Líbano, e vi eurodeputados do PS, do BE, e da CDU a exigir uma posição da UE contra o ataque de Israel, enquanto o deputado do PSD, um respeitado intelectual, defendia a posição vigente.
Hoje, quarta-feira, o primeiro-ministro britânico afirmou no parlamento que enquanto as condições obrigatórias para o cessar fogo (de Israel) não estiverem cumpridas, ou seja enquanto o Hezbollah não parar a sua acção militar, nada de novo vai acontecer, ou seja, Israel não vai ter de parar os bombardeamentos.
Esta situação é aparentemente simples para muitos dos que estão a ler este texto, pois Israel é a vítima óbvia de uma organização terrorista que todos condenamos. Israel representa para muitos um pedaço do Ocidente (seja lá o que isso for) no meio de um conjunto de Estados subdesenvolvidos que representam ou estão associados ao Eixo do Mal (?!…).
A agressão de Israel não é terrível apenas pela enorme desproporcionalidade de recursos militares, ou pelo ataque a bairros cristãos, ou pelo morte de civis, ou pela devastação de um país que já estava a conseguir dar a volta por cima depois de uma guerra longa.
O que choca é que estes ataques fazem parte de um projecto militar de larga escala a partir do qual o Estado Judaico pretende eliminar todas as potenciais ameaças à sua existência. E porquê? Talvez porque o seu principal aliado, os EUA, pense da mesma forma em relação à sua política externa. É pra deitar tudo abaixo! Iraque, Líbano, quem sabe até o Irão e a Coreia do Norte e, se for necessário, a Síria.
Quanto à foto do The Guardian, talvez fique no top do ranking de um qualquer concurso internacional de fotojornalismo onde será abraçada com choque e muita admiração.
Já agora, e para que se saiba, há cerca de 300 mortos libaneses. Israelitas cerca de 25. Israel ainda está de pé. O Líbano já não.
andré
Caro/a leitor/a,
Peço-lhe o favor de me acompanhar neste raciocínio:
1. O Estado de Israel existe e assim vai continuar, por muitas e variadas razões, e não estou em crer que nenhuma força seja capaz de o destruir. Actualmente, o seu primeiro ministro está preso a uma politica que nada trará de bom para o seu país, oriunda de um homem que já nem sequer existe politicamente.
2. Os movimentos terroristas que surgiram contra Israel vão continuar a existir, por muitas e variadas razões, enquanto o mote da sua existência se mantiver e, sobretudo, enquanto a revolta das populações contra os actos de Israel lhes continuar a garantir novos militantes e recursos para combater. A vitória do Hamas e do Hezbollah em eleições democráticas aparece porque, por muito que nos choque, quando estamos entre a parede e o abismo escolhemos a segunda alternativa.
3. Os EUA vão continuar a apoiar Israel, por muitas e variadas razões, mas vão tentar acalmar o Médio Oriente por forma a não aumentar ainda mais a desgraça que criaram no Iraque onde o resultado foi o aumento do poder e influência de toda a corrente radical anti-americana (eu arrisco dizer anti-ocidental). Creio que depois de duas torres, os rapazes não aguentariam ver um avião ou um qualquer engenho explosivo deitar abaixo mais um símbolo do seu país e da sua cultura.
3. A Rússia e a China não têm muito que dizer a não ser que ninguém pode fazer mal ao Irão, pois afinal ele fornece petróleo e sabe-se lá mais o quê, recebe o dinheiro e não faz perguntas.
4. O primeiro ministro Iraniano continua a berrar mais alto do que a elite religiosa do seu país contra os Americanos e contra Israel, o que lhe dá popularidade e força política, uma vez que, para o manterem sossegado, os clérigos Iranianos alguma coisa lhe terão de dar em troca. Convenhamos, ninguém no Irão quer uma guerra contra os Americanos ou contra Israel.
5. A Europa está entalada entre o dever de solidariedade aos Americanos e Israelitas e o dever de cordialidade aos Chineses e aos Russos.
6. A ONU nada mais pode fazer, pois o Conselho de Segurança está preso perante este exercício global de Real Politik.
Num ambiente de cortar a respiração, uma solução da paz negociada podia ser aquilo que todos queriam, mas a memória recente do destino de Yitzhak Rabin elimina toda a esperança de que a paz possa surgir, quanto mais sobreviver, a partir de Israel.
A pergunta que fica é: quantos mais Líbanos terão de ser destruídos até que a paz possa regressar, nem que seja só por um bocadinho?
andré
PS: na passada sexta-feira, dia 14, no Expresso da Meia-Noite da SIC Notícias, a prof.ª Manuela Franco dizia que talvez o problema esteja na assumpção ocidental de que o conflito Israelo-Árabe se tem de resolver…
Tal como a droga, a prostituição, e outros males endémicos do nosso mundo, este parece ser um problema com o qual se tem de ir lidando. É triste não é?



Em pleno Quartier du Château. O restaurante da esquerda é o 'Reine Margot', que também enlouqueceu por aqui. Viram o filme de Patrice Chéreau?
O Parc Beaumont. Ainda me lembro de andar por aqui a cantarolar a Carmen, numa altura em que estudava a novela de Prosper Mérimée em que Bizet se inspirou.

Até sempre.
evva
Até eu era incapaz de me ficar se ouvisse uma coisa destas. Estás desculpado, Zizou. On t'aimera pour toujours.
evva
(via nortadas)


Não te vou cobrar nada.
Apenas quero de ti
alento na caminhada
que escolhi.
O que te dei - não dei.
Apenas te devolvi
parte daquilo que eu sei
que me vem de ti.
Torquato da Luz, no Ofício Diário
evva

Hoje sinto-me feliz por usar esta frase que tão má impressão nos deu sobre aquilo que somos.
Perdemos como podíamos ter ganho. Mas jogámos até ao fim. Sem baixar os braços. Porque perder também faz parte. Porque é também na derrota que se vêem os campeões.
Para os que estão mais afastados do Desporto eu lembro que nos últimos 10 anos o nosso país já conseguiu ficar entre os 10 melhores (a nível europeu e mundial) no Andebol, no Judo, no Triatlo, no Atletismo (pois com certeza), no Futebol, na Canoagem, no Ciclismo, na Vela, e provavelmente noutras modalidades de que não me recordo agora.
Quando começa a ser frequente chegar ao topo a probabilidade da derrota começa igualmente a ser maior. Mas o importante é não esquecer o que já se conseguiu, pois isso ninguém consegue tirar. Se calhar é por isso que quase nenhum dos jogadores se pronunciou a "quente" sobre a arbitragem (que foi boa). Eles, mais do que ninguém, sabem o que fizeram e o que os Franceses fizeram mais do que eles.
Parabéns a todos.
andré
PS: Será que com as declarações que fez no fim do jogo, a culpar o árbitro, Scolari está a preparar a sua saída?
Eu por mim dava-lhe um grande abraço, pedia ao Prof. Cavaco que o tornasse Comendador, e estendia-lhe uma passadeira vermelha até ao avião a caminho do Brasil.
Vai, vai e não voltes. Foi bom enquanto cá estiveste mas estou farto do teu futebol conservador e da tua avidez ao risco. Junto como o teu colega Parreira, fazes do Futebol uma guerra, retiras-lhe a beleza, e eliminas o jogo. Vai ser dificil suceder-te. Afinal, em 66, foi também com um treinador brasileiro que conseguimos o 3º lugar.
Num fim de tarde em que os sorrisos abundam, aproveito a alegria que também sinto (grande, grande, grande Ricardo!!!!!!!) para começar a fazer o balanço anual. Como sou professora, costumo começar a colocar as venturas e desventuras do ano nesta altura em que o calendário lectivo também chega frenéticamente ao fim.
A ventura às vezes conduz-nos para encruzilhadas que nos apresentam aventuras difíceis, sobretudo se o nosso percurso cavaleiresco se parece afastar cada vez mais da Távola Redonda.
Como Perceval, sentimo-nos a deambular pela floresta, frustradas por não termos acedido ao enigma, sem ânimo para regressar para junto dos que sentimos nossos.
Vemo-nos rodeados por Florestas da Serpe, no meio da Terra Gasta, e às tantas perdemos o rumo que queriamos dar ao nosso morzelo... Não sabemos, como Boorz soube, responder aos nossos dilemas. Porque são dificeis, mas sobretudo porque mexem connosco. Com o brilho que temos nos olhos. Por amor de um ideal, em serviço de uma causa e de um, ainda, nobre cavaleiro, percorremos lagos ferventes. fontes enganadoras, enfrentámos falsas Genevras e donzelas diabólicas. E hoje, numa encruzilhada, sentimos falta do nosso leal companheiro. Como o nobre Galeote, caímos do nosso cavalo porque os nossos pensamentos nos doem demais para vermos a carreira em que seguimos.
Suplicamos a Lancelot, embora tentando disfarçar a nossa coita, que continue a partilhar venturas na nossa corte. Não raptamos genevras, nem oferecemos reinos grandiosos. mas estamos dispostos a prescindir de sono, a percorrer viagens desgastantes, até a convencer o resto da nossa mesnada com palavras eloquentes. Mas a Távola Redonda não admite cavaleiros estrangeiros. Faltar-nos-á o baptismo de Palamedes? Não sei.
Sei que me sinto muito só e cada vez mais longe do graal. Cada vez com mais provas da espada ao meu alcance. cada vez com menos partilha.
cada vez com menos tempo.
Só uma das pessoas deste blogue entenderá, suponho, esta prosa enredada. E estou certa de que a sentirá como sua. Ainda que, tendo partido hoje em mais uma demanda em que eu, por estar longe da corte dos eleitos, não estive, se tenha esquecido de um relato, com o fizera Boors, seu antigo cavaleiro. Ainda que a Távola Redonda se fique pelo elogio dos meus feitos, mas não faça sequer um esforço que dê a entender que o meu lugar na Távola não se transformou na seda perigosa.
E estou em muitas encruzilhadas. E hoje vou resolver uma delas. Deixo este blog, para sempre, com esta longa prosa, porque não faz sentido. Porque o tempo já é tão pouco. Porque sentimos longe os sorrisos. Os brindes que não fizemos. Só a voz cndescendente que nos diz. Nós compreendemos. Mas que eu esperava ouvir, como dantes, vem. Sem ti é diferente.
Com este egoísmo volto a embrenhar-me nas outras escolhas, estas mais dificeis. E requerem noites de descanso, ponderação e algum consilium. Ou então esperar um sinal de um cavaleiro Branco que nos desvende a narrativa nestas carreiras enredadiças.
Isabel Sofia

Apesar deste ter sido o lema que a NIKE escolheu para a promoção da sua imagem neste Mundial, nem os jogadores que a representam nem os outros o têm seguido muito. E se retirar os 6-0 que essa máquina de jogar futebol que está a ser a Argentina deu à Servia e Montenegro, não me recordo, de entre os jogos que vi, de um que me tenha enchido as medidas. Até há uns momentos atrás quando assisti ao França-Espanha.
Uau! Que coisa tão bonita. Passes consecutivos entre jogadores, alternância constante da posse de bola entre as equipas, trocas de bola ao primeiro toque, desmarcações premanentes dos jogadores, alternância regular do sentido do jogo (direita-esquerda, cima-baixo), pressão sobre a bola à saída da grande área do adversário, ocupação de todo o espaço de jogo, remates, cruzamentos, fintas, golos (4). Ai ai (suspiro)…
E tudo isto com equipas que, apesar de tudo, privilegiam (sobretudo a França) a segurança da defesa ao risco do ataque, e que nem sequer jogam muito rápido. Era como se fosse um grupo de 22 amigos a disputar a partida e a disfrutar do prazer (e o espectador da beleza) do jogo.
No final, a equipa que eu apoiava perdeu por 3-1 com a França. É assim, ganha-se ou perde-se. E quando se tem Patrick Vieira e Zinedine Zidane na equipa e um lateral direito como Ribery a fazer o "jogaço" que fez hoje, pronto. Dá nisto.
Um apontamento para o árbitro italiano Roberto Rosetti (da mesma nacionalidade do deus-árbitro Colina) que fez uma actuação excelente. 1º Teve a ajuda das equipas. 2º Apitou quase sempre em cima das jogadas e quando não o fez foi assistido (na maioria das vezes bem) pelos juizes de linha. 3º Todas os lances em que os jogadores se envolviam fisicamente (intencionalmente ou não) foram assinalados (mais vezes bem do que mal, mas isso não é relevante), evitando assim qualquer margem para conflitos ou querelas individuais entre os jogadores. 4º Sempre que necessário, estava perto do jogador faltoso e garantia, com gestos, expressões faciais ou palavras, a passagem da mensagem ("não repitas isso muitas vezes…"). Resultado: antecipação das situaçõees, controlo do jogo e apenas três cartões amarelos (quase todos no final), mostrados com tanta calma e tranquilidade que até parecia brincadeira de meninos. Erros houve com certeza, mas isso não é o mais importante. O essencial é que os jogadores confiaram nele. E mai' nada!
Como dizia o House no episódio desta semana, "é simples mas é dificil". A razão pela qual os restantes árbitros não fazem o mesmo que este fez ainda me escapa.
Para os apreciadores do jogo bonito, fica aqui o aviso: o Alemanha-Argentina é na sexta-feira às 16h00. Nham, nham…
andré
PS: Portugal ainda não fez um jogo que mereça um comentário assim, mas no sábado pelas 16h00 ninguém me tira da frente do televisor. Coitado do Erikson… está destinado a ter-nos como uma espinha na garganta.

(foto publicada em O Jumento)
E o prémio da melhor quadra vai para:
Quem te viu e quem te vê
Ó meu rico S. João
Pareces a FCT
Pões-nos a olhar pró balão...
evva

Deixas
Deixar num verso
ao menos
o perfume labiado da sálvia
e sua flor,
azul da montanha.
Casas térreas
ou templos
para o sol que se levanta.
António Osório, Décima Aurora (1982), Na Regra do Jogo, p. 72.