segunda-feira, fevereiro 12, 2007
sábado, fevereiro 10, 2007
Como é que este sobreviveu à fogueira?
(Iluminura de uma tradução medieval
dos Elementos de Geometria de Euclides, c. 1300)
evva
Ah, esses renascentistas 'avant la lettre'
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Não resisto...
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Entretanto, há 5.000 anos atrás...
evva
terça-feira, fevereiro 06, 2007
sábado, fevereiro 03, 2007
Novas da China
Sexta-feira, 2
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
FEVEREIRO
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Não adormeças
Não adormeças: o vento ainda no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas mais húmidas e chãs
com que em casa se cozinhavam perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à mingua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu rosto
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira
A casa e os cheiros dos Livros
1ª Ed. Lisboa, Quetzal Editores, 1996
[evva]
segunda-feira, janeiro 29, 2007
domingo, janeiro 28, 2007
Depois de um filme destes
EL NOI DEL SUCRE
Tengo un idiota dentro de mí, que llora,
que llora y que no sabe, y mira
sólo la luz, la luz que no sabe.
Tengo al niño, al niño bobo, como parado
en Dios, en un dios que no sabe
sino amar y llorar, llorar por las noches
por los niños, por los niños de falo
dulce, y suave de tocar, como la noche.
Tengo a un idiota de pie sobre una plaza
mirando y dejándose mirar, dejándose
violar por el alud de las miradas de otros, y
llorando, llorando frágilmente por la luz.
Tengo a un niño solo entre muchos, as
a beaten dog beneath the hail, bajo la lluvia, bajo
el terror de la lluvia que llora, y llora,
hoy por todos, mientras
el sol se oculta para dejar matar, y viene
a la noche de todos el niño asesino
a llorar de no se sabe por qué, de no saber hacerlo
de no saber sino tan sólo ahora
por qué y cómo matar, bajo la lluvia entera,
con el rostro perdido y el cabello demente
hambrientos, llenos de sed, de ganas
de aire, de soplar globos como antes era, fue
la vida un día antes
de que allí en la alcoba de
los padres perdiéramos la luz.
Last night together (1980)
evva
sábado, janeiro 27, 2007
NÃO
Uma gravidez não é um castigo pelo mau funcionamento de uma metodologia anticoncepcional e, se duma relação sexual, por prazer ou outras vontades, resultar esse milagre que é a vida, que se assuma, então, a responsabilidade de zelar pela gravidez até ao parto. Se conduzo o meu bólide a alta velocidade, pelo puro prazer que ela me dá, e provocar um acidente com a morte de terceiros, devo ou não ser condenada por isso? Ou teremos chegado a um momento civilizacional de puro egoísmo e desresponsabilização?
Como tal, também não me parece que uma gravidez indesejada obrigue forçosamente um pai, uma mãe, ambos, ou cada um por si, a cuidar uma criança. Por que não entregar o bebé para adopção, se tantos casais o desejam e aguardam? O sistema de adopção funciona mal? Então que se invista na sua melhoria, se crie condições às mulheres, adolescentes ou não, para poderem desenvolver sem prejuízo a sua gravidez indesejada e, após o parto, que o recém-nascido seja entregue a quem o deseja, tem vocação e condições para lhe dar uma educação condigna e o afecto que merece. Repito, se este sistema não funciona, é uma total irresponsabilidade e um crime liberalizar a interrupção voluntária da gravidez, inclusive à custa do erário público e do meu trabalho mensalmente tributado. Se pensarmos bem, e ninguém o pode negar, até poderia ser um bom investimento em termos futuros, num país de tão baixa e tão cara taxa de natalidade.
Acredito que a despenalização da IVG, ou liberalização, redundará no aumento da prática abortiva e na bandeira “Não se preocupem em investir em métodos anticoncepcionais, se um momento de prazer resultar numa gravidez indesejada, sempre podem ir ali ao hospital mais próximo e resolver o assunto». Por isso, convictamente e tal como há oito anos atrás, votarei NÃO.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
«FINAL
Não foi sem dificuldade que este livro rompeu através dos interstícios do mundo até chegar às tuas mãos, leitor, para aí, como um deserto a abrir noutro deserto, criar uma irradiação simbólica, magnética, onde o branco do papel e o negro das palavras (...) pudessem fundir-se e converter-se nessa outra a que, na enigmática expressão de Sá-Carneiro, a saudade se trava. Como um desses objectos cujo peso, assim que neles pegamos, instantaneamente se divide entre as nossas mãos e a alma, é mesmo de crer que ele esteja já dentro de ti - e algo de mim com ele. Acolhe-o, pois, com benevolência, que, chegada a altura, havemos de arder juntos.»evva
quinta-feira, janeiro 25, 2007
O tempo faz e desfaz III
A morte deste homem, co-autor de um dos livros mais lidos, relidos e anotados cá em casa,
deveria ser motivo de três dias de luto nacional.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Ah… o Aborto outra vez
A TSF está a realizar diáriamente, a seguir às noticias das 20h, um debate sobre este assunto, mas não sei por quanto tempo.
andré
terça-feira, janeiro 23, 2007
Aos amigos que ficam
O espaço à minha volta é largo, vasto, talvez até mesmo infinito.
Por isso me pergunto sempre porque procuro as mesmas coisas, os mesmos lugares, as mesmas pessoas.
Gosto daquilo que permanece.
Talvez porque também gosto que haja sempre, à minha volta, espaço livre, sem nada.
andré
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Ah… o Aborto
Se tem havido aspecto que me tem agradado nesta campanha do referendo do Aborto, é que as pessoas que defendem o Sim parecem ter abandonado a tradicional atitude de superioridade moral, em prol da acção civica e assim tentar fazer aquilo que os partidários do Não sempre souberam fazer bem: convencer as pessoas a votar na opção que defendem.
Daí que me dá especial prazer escrever este post em reposta à intervenção anterior que, para não variar, insiste em abordar a questão do Aborto de forma panfletária e sensacionalista. Enfim… uma autêntica blasfémia…
Para que não haja dúvidas: Somos Todos contra o Aborto!
Não estamos a defender o direito de matar mas sim o direito de escolher a forma como vivemos. Sim, vivemos. A mãe, o pai, os irmãos e irmãs que já cá estão, e o resto da família.
Só argumenta com a desresponsabilização dos futuros/eventuais pais quem não quer pensar que a venda de preservativos e restantes anticoncepcionais é hoje uma realidade avassaladora, e que precisamente por isso, as pessoas não devem ser castigadas quando eles não funcionam.
Então, afinal em que ficamos? Podemos ou não ter relações sexuais só por prazer? E se a maioria concorda que sim, então porque é que obrigamos as pessoas a criar uma criança se essa não era a sua intenção? Afinal a maternidade e a paternidade são ou não actos de amor consentido e almejado?
Para que continue a não haver dúvidas: Somos Todos a favor dos pais e das mães, da familia com ou sem filhos!
Tal como uma familia que quer mas não consegue ter filhos, triste é aquela que os tem mas não os quis.
A responsabilidade das pessoas é a mesma, quer quando decidem ter como quando decidem não ter filhos. O nosso dever é apoiar a sua educação e garantir que, quando elas não a têm, possam passar a tê-la. A autonomia, e não o individualismo, é o que se procura.
O objectivo é que todos possam pensar pela sua cabeça e formular o seu juízo, sabendo à partida em que é que acreditam.
E se ainda houver dúvidas: Somos pelos pequeninos, pelos bebés, pelos fetos, e pelos embriões.
Creio que quase nenhum de nós fica indiferente à felicidade de uma nova vida, de um novo filho, de uma nova sobrinha, ou de uma neta. Só mesmo quem tem muito medo das pessoas é que pode pensar que alguém que decide abortar não sente amor ou respeito pelo próximo. O facto de haver pessoas que o fazem de forma irresponsável não quer dizer que todos o façam.
A todos que defendem a mesma posição que eu, por favor, escrevam, discutam, convençam. Não pensem que as pessoas vão acreditar em nós porque nos acham mais espertos ou inteligentes. Elas só vão acreditar em nós quando conseguirmos fazer com que os nossos argumentos sejam os mais vistos, os mais discutidos, os mais propagados. E aí, vão pensar neles e, se tudo correr bem (como vai correr), vão votar Sim.
Quanto à amiga Romena, eu também tenho amigas. Alemãs, espanholas, belgas, inglesas, gregas e chinesas.
E todas elas pasmam quando eu lhes digo que no meu país o Aborto é um crime. Sim, Crime!
Esse é o problema.
andré
O tempo faz e desfaz II
Já há alguns dias se previa o inevitável. Valerá a pena continuar a gastar milhares de euros de areia a tentar lutar contra a força das ondas e a adiar por mais alguns micro-segundos de tempo cósmico o avanço inexorável do mar?evva
domingo, janeiro 21, 2007
O tempo faz e desfaz
Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor nas pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até na íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
Só no interior sem nome do nosso corpo
ou esfera húmida de algum astro
ignoto, numa órbita apartada,
o tempo caladamente persegue
o sangue que se esvai sem som.
Entre o princípio e o fim vem corroer
as vísceras, que ocultamos como a Terra.
Trilam os lábios nossos, à semelhança
das musicais manhãs dos pássaros.
Mesmo os ouvidos cantam até à noite
ouvindo o amor de cada dia.
A pele escorre pelo corpo, com o seu correr
de água, e as lágrimas da angústia
são estridentes quando buscam o eco.
Mas nós sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida.
Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)
[evva]
EIS A GRANDE QUESTÃO
A desresponsabilização da mãe/pai por uma gravidez decorrente de relações sexuais voluntárias é frequentemente justificada pela falibilidade dos métodos anticocepcionais. O que mostra duas coisas. Por um lado mostra o estado em que se encontra a responsabilidade individual. As pessoas não são responsáveis pelos seus actos nem têm que assumir os riscos das opções que tomam. A responsabilidade pelos riscos recai no anticoncepcional que falhou. Por outro lado, mostra que o aborto é visto por muitos dos defensores da despenalização como um sistema anticoncepcional complementar que visa colmatar as falhas dos sistemas anticoncepcionais comuns.
JoaoMiranda»
evva
sábado, janeiro 20, 2007
ARS MAGNA
domingo, janeiro 14, 2007
Um Domingo a caminho da perfeição
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Que farei, velidas?
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Aos amigos que partem

Azuis os montes que estão longe param.
De eles a mim o vário campo ao vento, à brisa,
Ou verde ou amarelo ou variegado,
Ondula incertamente.
Débil como uma haste de papoila
Me suporta o momento. Nada quero.
Que pesa o escrúpulo do pensamento
Na balança da vida?
Como os campos, e vário, e como eles,
Exterior a mim, me entrego,
filho Ignorado do Caos e da Noite
Às férias em que existo.
Ricardo Reis
[evva]
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Semana Passada
Depois de se ter transformado na RFM com notícias, é bom saber que a TSF ainda mantém vivo o desejo original de criar momentos de beleza e requinte onde a palavra, bem tratada, se junta à manta de possibilidades sonoras que a rádio tem desde há muito mas que poucos, infelizmente, exploram.É assim a Semana Passada, de Fernando Alves e Alexandrina Guerreiro, que passa aos sábados pelas 12h30, ou num dia qualquer, através do PODCAST.
Das tradições mais remotas do nosso país aos grandes problemas do nosso planeta, tudo cabe em cerca de 45 minutos de rádio, bem falada e ouvida.
É bom saber que ainda há coisas assim.
andré
domingo, dezembro 31, 2006
Ode

Não queiras Lídia, edificar no spaço
Que figuras futuro, ou prometer-te
Amanhã. Cumpre-te hoje, não sperando.
Tu mesma és tua vida.
Não te destines, que não és futura.
Quem sabe se, entre a taça que esvazias,
E ela de novo enchida, não te a sorte
Interpõe o abismo?
Ricardo Reis
Odes de Ricardo Reis,
(Obras Completas de Fernando Pessoa, Lisboa, Editorial Nova Ática, p.160),
publicada pela primeira vez no número 1 da Atena, em Outubro de 1924.
[evva]
sábado, dezembro 30, 2006
domingo, dezembro 24, 2006
Natividade
sábado, dezembro 23, 2006
Hoje deram-me esta prenda de Natal
Creio nos anjos que andam pelo mundo
Natália Correia
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
andré
segunda-feira, dezembro 18, 2006
terça-feira, dezembro 12, 2006
Cinco lições
A primeira lição é que, no mundo de hoje, todos somos responsáveis pela nossa segurança recíproca. Perante ameaças como a proliferação nuclear, as alterações climáticas, as pandemias mundiais ou os grupos terroristas que operam a partir de refúgios seguros em Estados falhados, nenhuma nação pode garantir a sua própria segurança afirmando a sua supremacia sobre todas as outras. Só trabalhando em prol da segurança de todos podemos esperar garantir uma segurança duradoura para nós próprios.
Essa responsabilidade inclui a responsabilidade partilhada de proteger as pessoas do genocídio, dos crimes de guerra, da limpeza étnica e dos crimes contra a humanidade. Uma responsabilidade que foi aceite por todas as nações, na cimeira da ONU do ano passado. Mas, quando vemos os assassínios, as violações e a fome que são infligidos ao povo do Darfur, compreendemos que essas doutrinas não passam de mera retórica, enquanto aqueles que têm poder para intervir eficazmente - exercendo pressão política, económica ou, em último recurso, militar - não estiverem dispostos a dar o exemplo. Também têm uma responsabilidade para com as gerações futuras - a de conservar recursos que lhes pertencem tanto como a nós. Cada dia em que nada fazemos ou não fazemos o suficiente para prevenir as alterações climáticas tem custos elevados para os nossos filhos.
A segunda lição é que somos responsáveis pelo bem-estar de todos. Sem solidariedade, nenhuma sociedade pode ser verdadeiramente estável. Não é realista pensar que uns quantos podem continuar a retirar grandes benefícios da globalização, enquanto milhares de milhões de outros permanecem ou são atirados para uma pobreza abjecta. Devemos dar a todos os nossos semelhantes pelo menos a possibilidade de partilharem a nossa prosperidade.
A terceira lição é que a segurança e a prosperidade dependem do respeito pelos direitos humanos e o Estado de direito.
Ao longo da história, a diversidade enriqueceu a vida humana e as diferentes comunidades aprenderam umas com as outras. Mas, se quisermos que as nossas comunidades vivam em paz, devemos salientar também o que nos une: a nossa humanidade comum e a necessidade de a nossa dignidade humana e direitos serem protegidos pela lei.
Isso também é vital para o desenvolvimento. Tanto os estrangeiros como os cidadãos de um país tendem a investir mais, quando os seus direitos fundamentais são protegidos e quando sabem que serão tratados equitativamente pela lei. E as políticas que favorecem verdadeiramente o desenvolvimento têm mais hipóteses de ser adoptadas, se as pessoas que mais necessitam do desenvolvimento puderem fazer ouvir as suas vozes.
Os Estados precisam também de cumprir as regras que regem as relações entre eles. Nenhuma comunidade, em parte alguma do mundo, sofre de excesso de Estado de direito, mas muitas sofrem de falta dele - e isto aplica-se também à comunidade internacional. É uma situação que devemos mudar.
A minha quarta lição é, pois, que os governos devem ser responsabilizados pelos seus actos, tanto na cena internacional como na nacional. Todos os Estados devem prestar contas àqueles que são afectados, de uma maneira decisiva, pelas suas acções. Na situação actual, é fácil obrigar os Estados pobres e fracos a prestar contas, pois precisam de ajuda externa. Mas só o povo dos Estados grandes e poderosos, cuja acção tem maior impacto sobre os outros, pode obrigá-los a fazê-lo. Isto confere ao povo e instituições dos Estados poderosos uma responsabilidade especial por ter em conta as opiniões e interesses mundiais. E hoje têm de tomar em consideração os actores não estatais. Os Estados já não podem - se é que alguma vez puderam - enfrentar sozinhos os desafios mundiais. Cada vez mais, precisam da ajuda de uma miríade de associações em que as pessoas se juntam voluntariamente, para benefício próprio ou para reflectir em conjunto sobre a situação do mundo e para o mudar.
Como é que os Estados se podem responsabilizar uns perante os outros? Só por intermédio de instituições multilaterais. Assim, a minha quinta e última lição é que estas instituições devem ser organizadas de uma maneira justa e democrática, permitindo que os pobres e os fracos tenham alguma influência sobre a acção dos ricos e dos fortes.
Os países em desenvolvimento deveriam ter mais influência nas instituições financeiras internacionais, cujas decisões podem significar a vida ou a morte para os seus cidadãos. E haveria que incluir novos membros permanentes ou a longo prazo no Conselho de Segurança, cuja composição reflecte a realidade de 1945 e não a do mundo actual. E, o que não é menos importante, os membros do Conselho de Segurança devem aceitar a responsabilidade que acompanha o privilégio de o integrarem. O Conselho não é um palco para expressar interesses nacionais. É o comité de gestão do nosso frágil sistema de segurança mundial.
Mais do que nunca, a humanidade precisa de um sistema mundial que funcione. E a experiência tem demonstrado, repetidamente, que o sistema é pouco eficaz, quando os Estados-membros estão divididos e carecem de liderança, mas funciona muito melhor, quando há unidade, uma liderança clarividente e a participação de todos os actores. Sobre os dirigentes do mundo, os de hoje e os de amanhã, recai uma grande responsabilidade. Compete aos povos do planeta assegurar que se mostrem à altura dessa responsabilidade.
Kofi A. Annan
Secretário-geral das Nações Unidas
in Publico, 12 DEZ 2006
andré
terça-feira, dezembro 05, 2006
Grande gente assuada em Camaalot
evva
domingo, dezembro 03, 2006
Inesperadamente...
| Your Inner European is Italian! |
![]() You show the world what culture really is. |
evva
P.S.: Daqui.
Para ler, reler e meditar
Estados de espírito

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur?
Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits!
Pour un coeur qui s'ennuie,
Ô le chant de la pluie!
Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui s'écoeure.
Quoi! nulle trahison?...
Ce deuil est sans raison.
C'est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon coeur a tant de peine!
Paul Verlaine (1844-1896)
[evva]
sexta-feira, dezembro 01, 2006
A quem surpreendeu esta notícia?
Terão os clubes de futebol profissional coragem para acabar de vez com as claques organizadas e por si subsidiadas? Alguém duvida da marginalidade que grassa nestes grupos? Quando ouço a linguagem insultuosa com que enfeitam os jogos a que assistem pergunto-me por que é que ainda me dou ao trabalho de gostar de futebol.
evva
segunda-feira, novembro 27, 2006
You Are Welcome To Elsinore
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos
tirar do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo, e do seu precipício
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida, há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens,
palavras que guardam o seu segredo, e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais, só sombra só soluço
só espasmo só amor, só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar
Mário Cesariny (1923-2006)
andré
domingo, novembro 26, 2006
ATÉ QUE ENFIM

Confesso que não me lembro... Talvez no berço... Mas a partir de hoje estarei muitas vezes neste 31. Vejam e revejam aos imprescindíveis 3G dos Darth Vaders da blogosfera portuguesa.
evva
sábado, novembro 25, 2006
Num site do Ministério da Educação (http/www.dgidc.minedu.pt/ TLEBS/CDMateriaisDidacticos/ trabalhos/90_Lusiadas _3C.ppt), pode encontrar-se a TLEBS [Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário] aplicada à análise de uma estrofe de Os Lusíadas (II, 12), destinada aos alunos do 9.º ano e qualificada como "corpo linguístico ambíguo". O facto de o ministério ter acolhido o trabalho feito numa escola básica na sua página da rede fala por si.
PARIS JE T'AIME
É para já o meu fime do ano. Aqui deixo uma imagem de 'Quais de Seine', uma das 18 deliciosas histórias de 5 minutos de encontros e desencontros na cidade das mil luzes e outras tantas culturas e nacionalidades. O comentário alargado fica para mais tarde.
evva
P.S.: Se não passar por aí, don't worry, pretendo revê-lo uma, duas, três, cinco, dez vezes. A bientôt.
quarta-feira, novembro 22, 2006
A GREVE
evva
segunda-feira, novembro 13, 2006
A pensar é que a gente se entende

Ainda que o título do post possa causar algum melindre a determinadas pessoas deste blog, pelo uso menos adequado da palavra "gente", esta foi a melhor forma que encontrei para recomendar a visita ao site da BBC Radio 3, onde poderão ouvir uma entrevista com Brian Eno (na foto) a propósito do festival Free Thinking, organizado pela estação/instituição nacional de rádio britânica.
Porque às vezes vale a pena ouvir os outros pensar.
andré
domingo, novembro 12, 2006
Keith Jarret Trio em Portugal

Hoje, 12 de Novembro de 2006, vai ter lugar, em Lisboa,
o concerto do ano… e eu não vou poder lá estar…
andré
quinta-feira, novembro 09, 2006
Venha o próximo!
'When the new century came there was fantastic goodwill in the world,' Yunus recalls. 'We had a tremendous optimism, we wanted a different kind of world. For the first time in human history, all the nations got together and set a date, via the UN's Millennium Goals, to improve the world. We want to reduce the number of poor people by half by 2015, they said. And then ... and then comes Bush! Who turns the whole thing backwards. He creates distrust among people, he undermines the authority of the government, and he says, I can handle everything myself. And so today we are in mess and we don't know how we are getting out.'
Este excerto da reportagem do semanário inglês The Observer, sobre o nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, é suficiente para dar uma imagem clara sobre o impacto que George W. Bush está a ter na história deste milénio que ainda agora começou.
Na semana passada, o Público dava conta de uma sondagem promovida pelos jornais "The Guardian" (Reino Unido), "Haaretz" (Israel), "La Presse" e "Toronto Star" (Canadá), e "Reforma" (México), que reveleva que o actual presidente dos EUA era visto como uma ameaça mais séria à paz mundial do que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, e o Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad.
Parece demasiado associar uma pessoa a um conjunto tão alargado e profundo de acontecimentos. E verdade seja dita, a administração Bush não teve propriamente muita sorte com alguns dos acontecimentos com que foi confrontada.
Mas o que a torna tão mal vista não são tanto os seus actos mas sim as ideias que estão por trás. Ideias incorporadas em pessoas como Paul Wolfowitz, um dos pais da democratização do mundo, ou o agora (finalmente) demitido Donald Rumsfeld, que acreditava que a guerra do Iraque ia durar uns meses (?!). Esta administração baseia-se, de facto, em ideias que, noutro contexto, poderiam ser consideradas muito perigosas.
A democracia actual tem dilemas sérios, como referiu John Keane no Público de domingo, e esta administração tem sido pródiga na forma como tem demonstrado isso mesmo. Mas como só os americanos podem eleger o seu presidente, vamo-nos contentando com os resultados das eleições intercalares, onde os democratas ganharam a maioria no senado e na câmara dos representantes.
Contudo, o povo diz que "gato escaldado de água fria tem medo". E eu lembro-me bem da intervenção na Somália nos anos 90, em nome da paz. Foi mais curta do que o Iraque, e as tropas americanas tiveram de bater em retirada. O presidente da altura chamava-se Bill Clinton, e era democrata.
Mas parece-me que ninguém se importa muito com quem vem a seguir. O importante é que a administração Bush saia. Depressa.
andré
PS: …ainda faltam mais dois anos. Alguém consegue arranjar um acelerador?
segunda-feira, novembro 06, 2006
VERGONHA
evva
quinta-feira, novembro 02, 2006
Os pontos nos ii
«A sublimação
Há perto de um ano, abordei nesta coluna a questão da nova terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS). Agora, com a serenidade olímpica e a autoridade incontestável que lhe vem do muito saber académico, de uma longa experiência cultural e pedagógica e de um bom senso elementar, Maria Alzira Seixo, numa síntese fundamental, "A TLEBS e a educação" (Visão, 26.10.2006), põe em evidência como certos sectores da Linguística em Portugal (talvez, digo eu, por qualquer descompensação da ordem do freudiano...) se estão solenemente nas tintas para a Literatura e para o papel essencial que esta deveria ter no ensino e na aprendizagem da língua portuguesa.
Para além da curva da estrada

A minha avó materna partiu na sexta-feira passada, no primeiro dia de um Verão luminoso e anacrónico que sucedeu a dias e dias de chuva diluviana. Apesar da manhã ter surgido hoje submersa em neblina, a recordar o mês em que estamos, continuo à procura da curva da estrada que traga o Outono de volta e finalmente me reconcilie com a realidade.
A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir com eu existo.
A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.
FERNANDO PESSOA (22.5.1932), Cancioneiro
Elsa
sexta-feira, outubro 20, 2006
O que distingue a música boa da música má?
"A quase impossibilidade do reconhecimento disto quando da sua primeira audição."
Caetano Veloso em entrevista Pessoal e Transmissivel, com Carlos Vaz Marques, na TSF.
quarta-feira, outubro 18, 2006
I feel disgusted
Ontem a administração Bush assinou uma lei que aprova o uso de métodos ditos "agressivos" nos interrogatórios relacionados com a guerra contra o terrorismo. Não sei que tipo desculpas podem dar os defensores da "democracia" americana para defenderem a aplicação desta lei. Para mim, é mais uma prova que, este presidente e a sua comandita têm muito pouco de democrático. E se esse é o peixe que querem continuar a vender para que nós aceitemos cegamente tudo o que fazem, deveriam dar o exemplo, ao menos para manter iludidos os pobres coitados. .. uma coisa é certa. A minha ideia de democracia não tem nada a ver com isto. E gostaria, embora saiba que o pai natal não dá este tipo de presentes, que a Europa seguisse de vez um outro caminho.
Norma
domingo, outubro 15, 2006
AFINAL NÃO ESTAMOS SÓS

O que é que se vê nesta fotografia?
(a) Um estádio do EURO 2004 em final de construção.
(b) O estádio Olímpico de Atenas a ser terminado.
(c) O estádio de Wembley no final do seu processo de remodelação.
Se escolheu a opção b (a primeira é demasiado óbvia), enganou-se.
Não são só os Portugueses e os Gregos a meter água na construção de estádios. De acordo com o semanário The Observer, vão ser gastos 827 milhões de libras (± 1240 milhões de euros) na remodelação do ícone futebolístico britânico. O custo inicial era de 458 milhões de libras (± 687 milhões de euros)…
Qual é a moral da história?
(a) Afinal os nossos estádios não demoraram assim tanto a ser construídos.
(b) Os ingleses gastam mais nos estádios mas também na educação e na cultura.
(c) Isto só serve para apagar as mágoas das asneiras que fazemos.
Eu resigno-me à escolha da terceira opção. Mas cada qual pode escolher o final que quiser.
Quanto aos gregos, eu só os pus aqui para vos enganar.
andré
quinta-feira, outubro 12, 2006
quinta-feira, outubro 05, 2006
Há dias assim... II
evva
terça-feira, outubro 03, 2006
Há dias assim…
Acordei às seis e meia para poder chegar duas horas antes do voo, sabendo já que não me iria livrar do pagamento do excesso de bagagem. Esta mala saiu mais pesada do que a da semana passada…
Já no aeroporto, e durante a verificação da bagagem, o discman sai disparado da mochila e estatela-se no chão ficando, daí em diante, com uma esclerose que o faz parar a meio da cada música que toca. Durou mais de 10 anos com muitas quedas e nenhum problema. Tadinho…
Chegado ao destino, e depois de uma bela soneca, ficamos todos cerca de 20 minutos à espera que nos verificassem os BI ou passaportes. Sigo para o primeiro comboio do dia. Faltavam ainda cinco minutos prá partida…
Chegado ao fim da viagem, e após comer um queque com pintinhas púrpura e beber um earl grey – que era mais grey do que outra coisa – começo a corrida para o segundo comboio. Com as moedas para a máquina de bilhetes do metro já no bolso, dali até à estação foram menos de dez minutos.
Entretanto, como a pressa e com o peso, a pega retráctil da mala parte e, após testados vários tipos de pega, sujeito-me à única que funciona: pernas ligeiramente flectidas e corpo inclinado prá direita para poder agarrar a mala. Saco cama e edredão na mão esquerda e a mochila com o computador no ombro do mesmo lado.
A menos de um minuto antes da partida entro no comboio. Arrasto a mala até à minha carruagem, troco a camisa ensopada de suor, e após ir ao bar buscar comida, vou para um lugar que não é o meu para não ter de ouvir o ressonar da senhora que estava sentada ao meu lado.
Agora com tempo para pensar, escrevo esta crónica com uma certeza: quando chegar vou de táxi até casa.
andré
PS: Deixei a raquete de squash no primeiro comboio…
segunda-feira, outubro 02, 2006
Olé II

Lula vai à segunda volta.
Será desta que se digna a aparecer nos debates? O Brasil merece melhor.
evva
P.S.: Sobre o suposto 'milagre' da diminuição da pobreza, ler Dar Engano, no Lóbi do Chá.
sábado, setembro 23, 2006
Adeus Margarida
sexta-feira, setembro 22, 2006
Eu até gosto muito do colorido dos sotaques, apesar do meu português indistinto, com raríssimas marcas de regionalismo, que faz com que os que me conhecem pela primeira vez duvidem, desconfiados, que eu seja do Porto, mas, enfim, há fonéticas e fonéticas...
quinta-feira, setembro 21, 2006
terça-feira, setembro 19, 2006
Aleluia!
evva
MEC e Israel
"A minha posição é muito simples: apoio Israel, aja mal ou aja bem e haja lá o que houver. Suponho que isto faça de mim, segundo a óptica da época, um fundamentalista, tão mau como os terroristas: não me importo. Cada um é livre de pensar o que quer. E é aqui que começa (e não acaba) o problema.
Se eu quiser interrogar a minha simplicidade, basta-me ler a imprensa israelita. Aí são expostas e ardentemente defendidas todas as posições possíveis. Se quiser ultrapassar à esquerda ou à fanática os mais ferozes anti-sionistas europeus e americanos (os portugueses, felizmente, são sempre desinteressantes) lá estão todos os extremismosque eu possa pretender.
Os israelitas têm, em comparação com aqueles com que guerreiam, algumas grandes vantagens. Não querem a destruição completa do povo a que pertence o exército adversário. Gostam da liberdade de expressão; da democracia liberal; dos direitos humanos. Pensam no que fazem; têm problemas de consciência; dúvidas que exprimem publicamente e debatem sem pudor. Votam e deixam votar. Enfim, Israel é como Portugal, como a Europa, como os Estados Unidos, como o Japão, como a Austrália e todos os países onde o indivíduo é livre de discordar, rebelar-se e ser do contra. Ou, no meu caso, de não se rebelar - nem sequer contra os que se rebelam.
Para mim, os adversários de Israel são os nossos. Por definição. São os que querem destruir um Estado e um povo democráticos. Mais: Israel somos nós. Não nos faz lembrar nada aquele país diminuto rodeado por inimigos, com um único aliado poderoso? Faz lembrar Portugal há muitos séculos atrás, quando a ideia de Portugal ainda não era aceite. Os israelitas têm os americanos como nós tínhamos os ingleses. E os restantes europeus, como sempre, vacilam em volta, confundindo a própria confusão.
Não é em Israel nem aqui que existe unanimidade ou se procura alcançá-la. Essa é a razão do meu apoio: poder concordar. Também é uma liberdade. É onde há unanimidade - e onde se procura impô-la - que está o que se deve temer e contrariar. "
Miguel Esteves Cardoso, Nós também somos Israel, na Única do "Expresso" (no Blog da Atlântico).
segunda-feira, setembro 18, 2006
domingo, setembro 17, 2006
Vê, enfim, que ninguém ama o que deve, / Senão o que somente mal deseja.
Pode um desejo imenso
Arder no peito tanto,
Que à branda e à viva alma o fogo intenso
Lhe gaste as nódoas do terreno manto,
E purifique em tanta alteza o espírito
Com olhos imortais,
Que faz que leia mais do que vê escrito.
[os versos lá em cima são d'Os Lusíadas, IX, 29, 1-2]
domingo, setembro 10, 2006
A recusa do esquecimento
A censura a esta imagem esteve na origem de um documentário do Channel 4 emitido na 2: na noite de Sábado, 9/09, que procurou entender porque é que o fenómeno dos (denominados) Jumpers foi aparentemente silenciado e progressivamente esquecido pelos media dos EUA.
No dia seguinte, a SIC Notícias emitiu um outro documentário sobre o atentado, desta vez com imagens do que se passou nos andares de baixo das torres, e onde os bombeiros tiveram de mudar o local de evacuação devido à queda destroços… e de pessoas. Jumpers não foram dez… nem onze…
Voltemos então um pouco atrás.
Pouco tempo depois do 11/09, o director do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, falava numa conferência no Porto do paradoxo resultante da ausência de imagens das vítimas do atentado, devido a um acordo entre televisões e jornais que visava impedir a sua exploração mediática. O contraste com a exposição constante do sofrimento das vítimas dos bombardeamentos dos EUA no Afeganistão tornava possível que este último trágico e polémico acontecimento – com centenas de vítimas – fosse visto pela opinião pública de forma mais dramática do que o anterior – onde morreram vários milhares.
Parece ter havido aqui uma tentativa de conter a difusão de imagens que pudessem porventura alimentar entre a população a ideia de derrota, impotência ou invulnerabilidade. O país não podia parar, o seu desígnio não podia ser posto em causa. Fez-me lembrar o filme Dune: the spice must flow.
Mas isto não foi apenas uma orquestração. Na peça do Channel 4, alguns/as entrevistados/as indignam-se ou revoltam-se perante o suicídio e a sua difusão. Era desonra, uma morte amaldiçoada. O inferno que muitos viveram, com o fumo e o calor inimaginável, não seria razão suficiente para justificar tal decisão.
Curiosamente ou não, a falta de informação sobre o que de facto ocorreu naquele malfadado dia tem alimentado toda a espécie de teorias, a mais famosa das quais, disponível em video.google.com, coloca a administração Bush por detrás do que aconteceu. Parece haver algumas pontas soltas, a mais óbvia das quais será o ataque ao Pentágono por um avião… ou por um míssil. Mas passemos à frente.
A busca da identidade deste Jumper traz também relatos de pessoas que compreendem e aceitam que, naquela circunstância, o salto é não só o caminho para uma morte mais tranquila como também um derradeiro acto de coragem.
Parece emergir de algumas reportagens que agora aparecem uma necessidade de relembrar e repensar o que se passou. Cinco anos passados, depois do desastre no Iraque, dos ataques em Londres e em Madrid, talvez haja uma recusa do esquecimento, que confronta os EUA e os seus habitantes com a sua impotência. Mas mais ainda, que os torna iguais a todos os que aceitam a sua fraqueza e vivem com os seus fantasmas.
Talvez seja uma parte do caminho para a maturidade. Era bom que fosse.
andré
Não consigo deixar de ouvir!

It's a little device
It's a little device
Keeps you warm
Keeps you warm
It's a little surprise
Just a little surprise
To keep you calm
To keep you calm
Shadows and light
Shadows and light
I see your face on every single street
Got to get out of this place tonight
Got to get out of this way of life
Got to get out of this place tonight
It's a little device
It's a little device
Keeps you warm
Keeps you warm
Got to get out of this place tonight
Got to get out of this way of life
This life, Perry Blake, álbum California
andré
quinta-feira, setembro 07, 2006
quarta-feira, setembro 06, 2006
Pérolas FCT
Assim mesmo, sem acento em 'explicita' e com a descrição da metodologia descrita ou por descrever, classificou o Júri FCT um projecto de Doutoramento numa área de investigação recente e cuja metodologia tem de ser criada de raiz, logo, não poderia a sua descrição ser descrita ou deixar de o ser, explícita ou explicitamente, até porque o próprio projecto inclui a construção dessa mesma metodologia.
Assim vai o Ensino Superior em Portugal.
evva
domingo, setembro 03, 2006
Imperdoável
Quando há anos trabalhei a sul, apercebi-me do uso abusivo da expressão, sobretudo aliada à forma plural do verbo. De facto, não é um sujeito que os falantes do norte utilizem com frequência. Ou utilizassem. Como em quase tudo na língua, os estranhos hábitos do sul contaminam a ancestral puridade minhota e duriense.
evva
quarta-feira, agosto 30, 2006
sexta-feira, agosto 25, 2006
Quando for grande quero ser assim

"And I'm very dubious about trying to produce students who are going out and change the world. I'm very anti-authoritarian about it. I'm not interested in disciples; I don't want people to be like me. I'm interested in people who are different."
"Power, Politics and Culture - interviews with Edward W. Said". Vintage Books. New York. Pag. 63.
andré
quarta-feira, agosto 23, 2006
Eu pensava que os eleitores é que escolhiam, mediante voto, os Presidentes de Câmara...
"A pedido do PCP"
Carlos de Sousa confirma saída da presidência da Câmara de Setúbal
Afinal equivoquei-me.
evva
P.S.: E querem vocês que eu vá dar dinheiro a estes mânfios!? Nem morta.

































