Continuando a conversa...
andré
«Imagination is memory» James Joyce
Perante o entusiasmo da plateia aqui vão links para alguns videos da banda:
Anthems for a 17 year old girl
Lovers' spit
7/4 shorline
Stars and sons
Looks just like the sun
Almost crimes
Fire eyed boy
E para terminar, dois bónus, a minha versão preferida do Mushaboom da Feist e o And I was a boy from School dos meus queridos electrónicos Hot Chip:
Espero que gostem
andré

Há bandas assim, onde a música mais parece o resultado de uma diversão, de uma experiência ou projecto casual de um grupo de amigos.
Não sei se este é o caso dos Broken Social Scene, mas é assim que eles me soam. E ainda bem.
No mundo da Pop, sabe cada vez melhor ouvir coisas autênticas… e sobretudo diferentes.
Park that car, Drop that phone, Sleep on the floor, Dream about me
Park that car, Drop that phone, Sleep on the floor, Dream about me
Park that car, Drop that phone, Sleep on the floor, Dream about me
Refrão de Anthems For a Seventeen Year-old Girl, do álbum You forgot it People
PS: Por falar em coisas novas, estou a ouvir uma banda austríaca chamada TNT Jacksons. O álbum: Lovers. Fan-tás-ti-co!
PS2: A rapariga da foto é a Leslie Feist, que colaborou com o grupo e que se tornou conhecida com o álbum a solo, sobretudo com o single Mushaboom.
andré
Sophia de Mello Breyner Andresen
Contos Exemplares (1962)
Porto, Figueirinhas.
[evva]
O dia amanheceu azul . Há um cheiro intenso a relva cortada no ar, o ronronar da cortadora ainda se ouve ao longe, nos canteiros do fundo da rua. As magnólias já floriram e derramam rosa e branco nas calçadas. As mimosas já invadem os caminhos. Mas ainda me ressoa na memória a chuva de ontem e os versos da Rosário Pedreira. Tarda muito, a Primavera?
Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera.
Maria do Rosário Pedreira
Nenhum Nome Depois (2005), Gótica, p. 11



…podia ser o título do programa que a RTP está a promover sobre os portugueses que mais se distinguiram na história do país.
Por coincidência, estava eu ontem a desabafar sobre o quanto nós precisamos de debater e de falar sobre a ditadura e sobre o nosso passado, e eis que hoje dou de caras com este fan-tás-ti-co concurso onde as misses e os misters são apresentados em catálogo e escolhidos a 0,60€ + IVA.
Enfim… não era bem isto que eu tinha em mente. E pelos vistos muitos historiadores concordam (ver o P2 de hoje). Agrada-me porém a liberdade a que o pessoal da publicidade se deu na abordagem do assunto.
Fico no entanto com muita pena que uma estação pública, para comemorar 50 anos, não consiga fazer melhor do que algo parecido com o festival da canção, ou discos pedidos.
Assim sendo, espero sinceramente que os abaixos assinados e todos os movimentos de protesto consigam criar espaço na consciência dos autores desta infeliz ideia, para que nas comemorações dos 75 anos alguém se lembre de fazer algo igualmente irreverente mas não tão saloio.
andré
…é o tema de um documentário em 7 episódios, realizado por uma equipa dirigida pelo sociólogo António Barreto, e que vai passar, a partir de 14 de Março, pelas 21h00, na RTP1 (para mais promenores ver entrevista no P2 de hoje).
A entrevista com António Barreto serve para apontar uma vez mais o dilema que os intelectuais parecem viver em relação ao país que habitam. O choque que sentem com as condições de miséria ainda existentes, algumas não muito longe do local onde vivem. A sua revolta perante um povo que não trata bem os sítios onde vive. O desapontamento com a falta educação e cultura. "Eu não perdoo os meus concidadãos."
Pois… parece que estamos destinados a viver com uma elite que insiste em ver os concidadãos como o povo, os autarcas, os médicos…
… o outro, sempre o outro. Tal qual um objecto de pesquisa ao qual nos mantemos distantes.
Eu compreendo que os intelectuais têm o dever de denunciar o estado de subdesenvolvimento que o país atravessa, mas não entendo como é que eles se afastam quase sempre do problema que descrevem. Como se lhes fosse alheio.
É por causa disso que depois se queixam que ninguém os ouve ou lhes presta atenção. Há historicamente em Portugal, uma enorme falta de solidariedade entre aqueles que têm - educação, dinheiro, poder - e os que não têm. Esta conduta tão enraízada serve também para que os ex-subdesenvolvidos, aqueles que conseguiram subir pela escada social, se vinguem do grupo de onde vieram, para mais facilmente se distinguirem dele.
O conhecimento tantas vezes utilizado para oprimir e não para progredir.
Bem bom era que a RTP disponibilizasse em PODCAST a série. Eu gosto de me olhar ao espelho de vez em quando, mesmo quando não gosto de tudo aquilo que vejo.
andré
No dia em que o Zeca morreu o meu pai passou o tempo todo a chorar aos bocadinhos e a ouvir as canções de sempre na sala de estar. Aquilo era mais do que música para ele, era o sentido de um tempo, uma forma e uma atitude perante a vida. Não foi, nem nunca será, o meu tempo, mas era bonito, muito bonito.