domingo, maio 06, 2007

Memórias de um emigrante




















A minha tia disse-me um dia que a diferença entre os ingleses e os portugueses era que os primeiros iam e ficavam, e os segundos iam mas pensavam sempre no dia do regresso. Eu ainda me sinto muito preso a casa, ou pelo menos insisto em alguns hábitos para me sentir perto. Felizmente, ou talvez não, hoje podemos trazer conosco muito daquilo com que vivemos no sítio onde estávamos.

Continuo a ler o único jornal que creio valer a pena ler. É o Público. É português. E vem em versão PDF, a condizer com o nosso tempo. Não tenho paciência para o excesso de opinião dos jornais ingleses, nem dessa mania que já chegou a Espanha, da "orientação editorial", como se o dever de um jornalista não fosse o de tentar ser isento (ainda que por vezes não o consiga).

Mantenho-me ouvinte fiel do "Pessoal e Transmissível" e da "Semana Passada", embora tenha deixado, bem antes de partir, de ouvir a TSF, que passou a ser a RFM das notícias, uma verdadeira amálgama que nem mesmo os seus donos devem saber bem o que é. Ouço também o "Expresso da Meia Noite", da SIC Notícias, em formato áudio. Faz sempre bem ouvir a voz do poder, de vez em quando.

Um dos momentos gloriosos da semana foi saber que podia ver, como é possível constatar pela fotografia, o documentário "Portugal, um retrato social". Tenho gostado muito, mesmo muito de ver. Depois da estupidez do concurso Salazar vs Cunhal, sabe bem ainda haver espaço para fazer televisão a sério, com causas e com qualidade.

O dia-a-dia, esse é estrangeiro por completo. O trabalho é profundamente inglês, o convívio pode ser brasileiro, chinês, malaio, alemão, ou o que mais vier no caminho.
É um novo mundo, uma vida muito, muito diferente.
Mas foi a que eu escolhi.

andré

sexta-feira, maio 04, 2007

Portuguese fragments for intimacy

1) Porto in the first moments of the sunrise. The first rays of light are graciously caressing the way of the soothsayer to Sao Bento: Palacio do Cristal, Cordoaria, Praca de Republica and Batalha. I knew these streets since eternity; I came here to visit in every previous life. I live in Porto and Porto lives in me. We are both familiar to each other like restless seagulls. The Douro takes the Light to the Atlantic under the careful gaze of Raul Brandao. And there the river meets the ocean. Indifferently and since ever.

2) The smell of the Portuguese coffee is plainly strong. The smell of that unique and forgotten café on the way to Foz was way too strong. The air carrying the salty droplets of sea water kept spraying my face and that of Raul Brandao. He stood there staunchly guarding the Lighthouse. And I was compelled to return to the land of the pale sun.
Porto ’s trilogy often visits me in the land of the cold. A mighty Light spelled with the breaking of dawn, a crushing smell of burning stones and a helplessly intense coffee- all these look as real as a guided tour in the Serralves orchestrated by Elsa on a Saturday afternoon.

3) My heart is still flying above Lisbon : Blessed be this stranger, plowing right now the streets of Lisbon and deliciously steeling a first look into a small book of verse by Alvaro do Campos .

Michel Kabalan, Leipzig (April 2007)

terça-feira, maio 01, 2007

300



E lá fui finalmente ver o filme, mais pela companhia do que outra coisa, sem grandes expectativas. Às tantas, já nem sabia se estava dentro da Playstation 3, a assistir ao Starwars ou a um concerto dos Blasted Mechanism. God!


evva

segunda-feira, abril 30, 2007

Ooops...


Esqueci-me das maias! E agora, como sobreviver ao carrapato?



evva

quinta-feira, abril 26, 2007

As cartas de Iwo Jima

Alguém tem de dizer ao Clint Eastwood para deixar de fazer bons filmes.
Já começo a ficar farto!
É que para além de tudo, este é particularmente bonito…
… não pode ser.















andré

quarta-feira, abril 25, 2007

Mas que granda filme!



















Eu sei, eu sei. Já passou há muito.
Mas eu só o vi hoje…
E como mais vale tarde do que nunca…

andré

domingo, abril 22, 2007

Frase do mês!

"Só quando uma mulher absolutamente incompetente chegar ao topo é que haverá verdadeira igualdade."

in P2 de domingo, no artigo "Madame la…" de Teresa de Sousa


andré

segunda-feira, abril 16, 2007

quinta-feira, abril 12, 2007

E fez-se luz...

bjs ST

terça-feira, abril 03, 2007

All'alba vincerò?



[Il principe ignoto]

Nessun dorma! Nessun dorma! Tu pure, o Principessa,
nella tua fredda stanza
guardi le stelle
che tremano d'amore e di speranza...
Ma il mio mistero è chiuso in me,
il nome mio nessun saprà!
No, no, sulla tua bocca lo dirò,
quando la luce splenderà!
Ed il mio bacio scioglierà il silenzio
che ti fa mia.

[Voci di donne]

Il nome suo nessun saprà...
E noi dovrem, ahimè, morir, morir!

[Il principe ignoto]

Dilegua, o notte! Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle! All'alba vincerò!
Vincerò! Vincerò!

[evva]

segunda-feira, abril 02, 2007

E lucevan le stelle



E lucevan le stelle,
e olezzava la terra
stridea l'uscio dell'orto,
e un passo sfiorava l'arena.
Entrava ella, fragrante,
mi cadea fra le braccia.
Oh! dolci baci,
o languide carezze,
mentr'io fremente le belle forme discogliea dai veli!
Svani per sempre il sogno mio d'amore...
L'ora e fuggita e muoio disperato!
E non ho amato mai tanto la vita!

evva

segunda-feira, março 26, 2007

Reviver o passado…

… não. Não é em Brightshead, embora as imagens e a música de entrada da série sejam uma das mais antigas memórias recorrentes que tenho.

A votação do programa da RTP parece ter dado início a uma discussão em relação ao nosso passado dictatorial mais recente. É um tema muito delicado, mas cujo luto é importante fazer.

Eu gostava que o programa da televisão do Estado, junto com movimentos como o Não Apaguem a Memória conseguissem criar a vontade política para a produção de um museu que pudesse mostrar aquilo que fomos durante quase 50 anos. É verdade que ninguém gosta de ver no espelho imagens que envergonhem, mas se as continuarmos a negar ou a esconder, corremos o risco de darmos com elas quando menos esperamos, como parece estar a acontecer em Espanha nas recentes manifestações promovidas pelo Partido Popular.

Cada vez que surge um debate em torno do antigo presidente do Conselho, parece que o país entra em pânico, com o receio que algo profundo e medonho acorde e renasça.
Se calhar é por isso que nos ensinam na escola a glorificar os descobrimentos, para ver se nos põem a olhar, ainda que de forma esquizofrénica, para aquilo que de bom fizemos.

Ai, ai… o Eduardo Lourenço tinha mesmo razão. A nossa saudade é mesmo um labirinto.
E eu não consigo descobrir porquê.


andré

Senhoras e senhores, apresento-vos...



... o MAIOR PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS.






(ainda me dói a barriga de tanto rir)

evva

domingo, março 25, 2007

sábado, março 24, 2007

Primavera...





Uma semana de tanto trabalho que mal a senti chegar (a propósito, que lindo poema, laerce), mas quando sinto aproximar o tempo 'prin' recordo-me sempre dos primeiros versos de La Nuit de Mai, de Alfred de Musset (1810–1857), em que uma musa chama pelo seu poeta e lhe pede um beijo, na noite em que a Primavera se inicia. Por que razão o intitulou Musset La Nuit de Mai, nunca o soube, mas na adolescência, idade de todos os romantismos, era um dos meus poemas preferidos.


LA MUSE



Poète, prends ton luth et me donne un baiser;
La fleur de l’églantier sent ses bourgeons éclore.
Le printemps naît ce soir; les vents vont s’embraser;
Et la bergeronnette, en attendant l’aurore,
Aux premiers buissons verts commence à se poser;
Poète, prends ton luth et me donne un baiser.






evva





P.S.: O poema é muito longo, com as respostas sucessivas do poeta, perdido na seu egocentrismo, a não reconhecer o 'fantasma' que o chama e a musa a insistir no seu pedido. Para o lerem na íntegra, podem clicar aqui.

quarta-feira, março 21, 2007

domingo, março 18, 2007

Tem toda a razão.

Num ambiente extremado, sabe bem ouvir uma opinião equilibrada. Extracto da coluna de Daniel Sampaio, este domingo, na Pública:

"Segundo equívoco: os relatos confundem sempre indisciplina com violência. Temos em Portugal um gravíssimo problema de indisciplina em meio escolar, que não pode ser confundido com a ideia de que a escola portuguesa é sede sistemática de violência (na esmagadora maioria das nossas escolas não há violência). A indisciplina é frequente e deriva, em geral, de causas bem diferentes. Apontemos algumas: 1) insegurança familiar na transmissão de regras e incapacidade de muitos pais para utilizarem uma dose adequada de frustração como ingrediente essencial na educação dos filhos, delegando na escola essa tarefa; 2) falta de autoridade de professores, por desvalorização social do seu papel e exagero conferido aos “direitos” dos mais novos; 3) programas escolares sem articulação entre si, extensos, dispersos por um número excessivo de disciplinas; 4) salas de aula com poucos materiais, sem utilização de novas tecnologias, com professores a insistirem em métodos expositivos, em prejuízo de uma prática pedagógica que transforme a turma num grupo de trabalho cooperativo; 5) ausência de uma liderança forte em muitas escolas, diluída num Conselho Executivo (que nome...) em que as funções de cada um não são claras; muitas escolas são raras as reuniões dos Conselhos de Turma para a definição de estratégias comuns para lidar com a indisciplina; 6) fracasso das intenções de autonomia verbalizadas por professores e tutela: predomina o discurso paradoxal em que o Ministério não confere verdadeira autonomia e as escolas, nos poucos sectores onde ela existe, não se sente capaz de a pôr em prática; 7) pouca participação de alunos e pais em questões onde seria importante ouvir a sua opinião, como é o caso da indisciplina."
(…)
"Concordo que a agressão a um professor seja crime público: o efeito dissuasor dessa medida pode ser significativo. Importa, no entanto, perceber que só se obtêm respostas a questões complexas através da análise sistémica de todas as variáveis em jogo, na busca permanente de respostas integradas."

Srs/as professores/as, Sr.ª Ministra, vamos lá pensar um bocadinho.

andré

Primavera em Azevedo

Ameixoeira em flor. Ontem, ao entardecer.


evva

quinta-feira, março 15, 2007