domingo, março 18, 2007
quinta-feira, março 15, 2007
Hoje continuamos a demandar o Graal
evva
quarta-feira, março 14, 2007
Heroína do dia, com direito a prémio do Ministério da Educação
terça-feira, março 13, 2007
segunda-feira, março 12, 2007
domingo, março 11, 2007
Broken Social Scene II
Perante o entusiasmo da plateia aqui vão links para alguns videos da banda:
Anthems for a 17 year old girl
Lovers' spit
7/4 shorline
Stars and sons
Looks just like the sun
Almost crimes
Fire eyed boy
E para terminar, dois bónus, a minha versão preferida do Mushaboom da Feist e o And I was a boy from School dos meus queridos electrónicos Hot Chip:
Espero que gostem
andré
sábado, março 10, 2007
Broken Social Scene

Há bandas assim, onde a música mais parece o resultado de uma diversão, de uma experiência ou projecto casual de um grupo de amigos.
Não sei se este é o caso dos Broken Social Scene, mas é assim que eles me soam. E ainda bem.
No mundo da Pop, sabe cada vez melhor ouvir coisas autênticas… e sobretudo diferentes.
Park that car, Drop that phone, Sleep on the floor, Dream about me
Park that car, Drop that phone, Sleep on the floor, Dream about me
Park that car, Drop that phone, Sleep on the floor, Dream about me
Refrão de Anthems For a Seventeen Year-old Girl, do álbum You forgot it People
PS: Por falar em coisas novas, estou a ouvir uma banda austríaca chamada TNT Jacksons. O álbum: Lovers. Fan-tás-ti-co!
PS2: A rapariga da foto é a Leslie Feist, que colaborou com o grupo e que se tornou conhecida com o álbum a solo, sobretudo com o single Mushaboom.
andré
MODAS
Está na moda bater nos professores. Pais histéricos e boçais, avôs, primas e primos, as amantes do pai corno e os amantes da mãe promíscua, tudo serve para arremeter contra os professores das horríveis crias. Já aqui escrevi que estas "crianças" e adolescentes que frequentam as escolas públicas, pagas com os nossos impostos, deviam ser sumariamente corridas - suspensas e expulsas- quando o seu comportamento se confunde com o de secções do jardim zoológico. O primitivismo comportamental não tem perdão, sobretudo quando praticado em lugares supostamente destinados a formar futuros cidadãos responsáveis (consegui escrever isto sem me rir). O ministério da Educação, eventualmente em conjunto com os dos drs. Costa, devia prestar mais atenção a isto em vez de passar a vida a vexar gratuitamente os docentes, metendo tudo e todos no mesmo saco, esvaíndo a sua já parca autoridade. Todavia, não nos devemos admirar de as coisas terem atingido esta proporção com as escolas a serem invadidas por famílias - vou utilizar o jargão assistencialista - "disfuncionais". A esquerda no poder na Europa é a principal responsável por este entorse nas funções nucleares das escolas públicas. O politicamente correcto quis transformar os liceus em prolongamentos de gabinetes de psicologia e de serviço social, como Judi Dench "explica" magnificamente em "off" nos primeiros minutos do filme "Diário de um escândalo". Aliás, a história do filme é uma consequência do optimismo "blairista" aplicado ao sistema de ensino. A professora de arte que "come" o rapaz de 15 anos é o equivalente, num país periférico e analfabeto como o nosso, ao avô que bate no professor. Judi Dench encarna uma personagem magnífica, não tanto por causa da trama - também magnífica - mas pelo que as suas "notas" (a partir do livro homónimo de Zoë Heller) revelam sobre a escola pública da "terceira via" do sr. Blair, esse exemplo de modernidade e de "esperança" para tanto socialista "pragmático" do século XXI. Se estes socialistas "pragmáticos" andassem mais por aí em vez de viverem atafulhados em fantasias inócuas, talvez parte da realidade pudesse entrar nas suas duras cabeças. Enquanto isso não acontecer, o "progresso" continuará tranquilamente a dar cabo do que resta da ideia de escola ou de liceu e, inevitavelmente, de professor no sentido nobre do termo. Quem é que está disposto a trocar uma aula por uma cadeira na cabeça, atirada pelo primeiro "coitadinho" do sistema? Quem?»
«A degradação da escola está relacionada com a aplicação de uma teoria "psicologista" pós-moderna de consequências terríveis: a ideia de que a escola não é um lugar de aprendizagem, mas sim de "adequação social" ou de "ambientação ao mundo", onde é mais importante "crescer" e "socializar" do que aprender o conteúdos dos programas. Enquanto se continuar a dizer aos miúdos que não saber nada da matéria não é grave, e que isso pode ser compensado com uma boa "participação pedagógica" na dimensão de "integração social" - não vamos lá.»
Pois é, mas nós é que os temos de aturar todos os dias, mais os paizinhos do "juro-lhe que ele em casa não fala assim", os que nunca aparecem, os que não acordam os filhos para ir às aulas e têm o desplante de justificar a falta do educando com um 'adormeceu' ou 'o despertador não tocou', os que deixam os filhos ver as telenovelas e os filmes todos até às tantas da madrugada, os que se queixam de não ter dinheiro para os livros e o material escolar e vociferam por não terem sido contemplados com o subsídio, mas não se esquecem de comprar à filharada o telemóvel de última geração e o ipod, os que se insurgem porque o filhinho pródigo não foi seleccionado para aulas de apoio pedagógico acrescido, mas que nada fazem para obrigar os rebentos a realizar os trabalhos de casa ou a trazer o caderno e o manual escolar todos os dias, ou a estarem virados para a frente nas aulas e calados e atentos e responsáveis, em vez de as interromperem constantemente com comentários despropositados e insultuosos, para os colegas e para os professores, "deixe lá, não ligue, ele em casa também é assim", etc, etc, etc.
«O menino menos zeloso
Quantas vezes terá faltado o menino Sócrates, desde que iniciou funções? Reuniões partidárias, jornadas do grupo parlamentar, daquela vez que partiu o pé na estância de esqui... Não é também Funcionário Público? Tirem-lhe as férias, se faz favor.
P.S.: E, já agora, ponham-no a dar umas aulinhas numa escola pública, em par pedagógico com a Lurdinhas e os secretários. Ah... a licenciatura não é reconhecida pela Ordem dos Engenheiros, oops...
quarta-feira, março 07, 2007
'RETRATO DE MÓNICA'
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.
Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, «qualquer distracção pode causar a morte do artista». Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos.
Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande.
Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva.
Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica.
Não é o desejo do amor que os une. O que os une e justamente uma vontade sem amor.
E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio; mais firme fundamento do seu poder.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Contos Exemplares (1962)
Porto, Figueirinhas.
[evva]
terça-feira, março 06, 2007
Ainda as 'Variações em Sousa'
F. A. P. Fecit
Este livro é teu que me aturaste
desvairos saudades amorios
desde o primeiro mal cozinhado verso
ó cúmplice
um que me lê com respeito e vagar
a quem devo chamar prestante amigo
neste mundo de tanta cabronada
o livro é o que é nenhum enleio
nenhuma assinatura a baixo preço
não estou nessa tal lista e tem também
a confissão banal dos mil cagaços
de morrer (dores intercostais músculos
caindo na barriga da perna)
como se eu fosse à noite um filho terno
e teu, leitor, que o não desampatraste
*
Peçam a grandiloquência a outros
acho-a pulha no estado actual da economia
*
E não sublinhem o que não escrevi
*
A ti compadre irmão saúdo e já termino
com só o fósforo duma estrela
na lixa do fim da tarde
[evva]
segunda-feira, março 05, 2007
O dia amanheceu azul . Há um cheiro intenso a relva cortada no ar, o ronronar da cortadora ainda se ouve ao longe, nos canteiros do fundo da rua. As magnólias já floriram e derramam rosa e branco nas calçadas. As mimosas já invadem os caminhos. Mas ainda me ressoa na memória a chuva de ontem e os versos da Rosário Pedreira. Tarda muito, a Primavera?
Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera.
Maria do Rosário Pedreira
Nenhum Nome Depois (2005), Gótica, p. 11
domingo, março 04, 2007

És tu, deus talhado na fronteira da bruma, que te revelas na cidade de granito e respiras o rio revolto de quatro de março próximo em amendoeiras desfeitas e anjos pelas margens? Descubro-te no ciclo da memória auditiva que a ponte deixou sobre as asas inertes aparecidas mais tarde, rebocadas por legiões de muito boa vontade, homens cavaleiros de miragens enquanto as velas e as flores se consumiam e as lágrimas enchiam o rio douro dizem sob outras pontes, ali uma garganta sôfrega a sugar vorazmente o quarto pilar, a quatro de março. Todos te perguntaram porquê, todos. E o teu silêncio espalhou-se pelo rio triste e terrivelmente vazio, uma água pesada de tanta ausência. Espreitas de novo, deus, esperas que te rezem e te façam promessas em sacrifício do corpo que chegou ao mar sem ser doce morrer no mar como diz a canção da bahia mar morto de jorge amado lá e cá. O rio também tem lágrimas de portugal, mas não o soubemos fazer nosso. Por isso, deus, acalma a memória neste dia e alerta o dia seguinte, aquele em que qualquer ponte é de mágoa e de contrição.»
sábado, março 03, 2007
Colheita de 2 de Março
sexta-feira, março 02, 2007
Grandes confusões…


…podia ser o título do programa que a RTP está a promover sobre os portugueses que mais se distinguiram na história do país.
Por coincidência, estava eu ontem a desabafar sobre o quanto nós precisamos de debater e de falar sobre a ditadura e sobre o nosso passado, e eis que hoje dou de caras com este fan-tás-ti-co concurso onde as misses e os misters são apresentados em catálogo e escolhidos a 0,60€ + IVA.
Enfim… não era bem isto que eu tinha em mente. E pelos vistos muitos historiadores concordam (ver o P2 de hoje). Agrada-me porém a liberdade a que o pessoal da publicidade se deu na abordagem do assunto.
Fico no entanto com muita pena que uma estação pública, para comemorar 50 anos, não consiga fazer melhor do que algo parecido com o festival da canção, ou discos pedidos.
Assim sendo, espero sinceramente que os abaixos assinados e todos os movimentos de protesto consigam criar espaço na consciência dos autores desta infeliz ideia, para que nas comemorações dos 75 anos alguém se lembre de fazer algo igualmente irreverente mas não tão saloio.
andré
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Portugal um retrato social…
…é o tema de um documentário em 7 episódios, realizado por uma equipa dirigida pelo sociólogo António Barreto, e que vai passar, a partir de 14 de Março, pelas 21h00, na RTP1 (para mais promenores ver entrevista no P2 de hoje).
A entrevista com António Barreto serve para apontar uma vez mais o dilema que os intelectuais parecem viver em relação ao país que habitam. O choque que sentem com as condições de miséria ainda existentes, algumas não muito longe do local onde vivem. A sua revolta perante um povo que não trata bem os sítios onde vive. O desapontamento com a falta educação e cultura. "Eu não perdoo os meus concidadãos."
Pois… parece que estamos destinados a viver com uma elite que insiste em ver os concidadãos como o povo, os autarcas, os médicos…
… o outro, sempre o outro. Tal qual um objecto de pesquisa ao qual nos mantemos distantes.
Eu compreendo que os intelectuais têm o dever de denunciar o estado de subdesenvolvimento que o país atravessa, mas não entendo como é que eles se afastam quase sempre do problema que descrevem. Como se lhes fosse alheio.
É por causa disso que depois se queixam que ninguém os ouve ou lhes presta atenção. Há historicamente em Portugal, uma enorme falta de solidariedade entre aqueles que têm - educação, dinheiro, poder - e os que não têm. Esta conduta tão enraízada serve também para que os ex-subdesenvolvidos, aqueles que conseguiram subir pela escada social, se vinguem do grupo de onde vieram, para mais facilmente se distinguirem dele.
O conhecimento tantas vezes utilizado para oprimir e não para progredir.
Bem bom era que a RTP disponibilizasse em PODCAST a série. Eu gosto de me olhar ao espelho de vez em quando, mesmo quando não gosto de tudo aquilo que vejo.
andré
domingo, fevereiro 25, 2007
Como ficar bem-disposta logo pela manhã
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
O dia em que o Zeca morreu
No dia em que o Zeca morreu o meu pai passou o tempo todo a chorar aos bocadinhos e a ouvir as canções de sempre na sala de estar. Aquilo era mais do que música para ele, era o sentido de um tempo, uma forma e uma atitude perante a vida. Não foi, nem nunca será, o meu tempo, mas era bonito, muito bonito.Esta foto explica talvez o porquê de tanta gente ainda hoje "não ir à bola com o Zeca" (ver o P2 de hoje). A sua música, como a do Zé Mário Branco, ou a de outros que seguiram caminhos diferentes, estava intimamente ligada (no caso do segundo ainda continua) a uma ideia muito clara sobre o mundo, tal como estava a do Léo Ferré ou a Bossa Nova. A mim ensinaram-me a não apreciar as pessoas apenas por aquilo que pensam. Admiro tanto o Álvaro Cunhal como Adriano Moreira, embora por razões diferentes.
Espero sinceramente que um dia Portugal faça as pazes com o Zeca. Ele merece.
andré
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Espelho meu, espelho meu…

Se bem me lembro, o sentido do vídeo que deu vida a esta personagem era caracterizar um final possível da evolução humana. Da selva e das cavernas até um banco ou uma cadeira a comer um hamburger. A imagem foi um sucesso e o álbum também.
Contudo, o que mais me fascina nesta imagem é a tranquilidade e a liberdade a que uma pessoa se pode dar. O mesmo acontece com aquelas raparigas que, apesar do peso a mais, não hesitam em usar a camisola da moda com o umbigo à mostra. Não me perguntem se fica bem ou mal, pois isso pouco interessa. Perguntem antes se as pessoas se sentem bem a usar aquilo que querem.
Isto tudo vem a propósito da entrevista de hoje à psicóloga Marlene Nunes Silva, na pág. 6 do Público (podem descarregar o jornal todo à borla), e que aborda as implicações psicológicas da obesidade, sobretudo nas mulheres.
A obesidade é um problema que se alimenta a si mesmo, mas é também uma questão complexa com razões de ordem genética, hormonal e social. E o que mais gosto é ver pessoas obesas a tentar fazer o melhor que sabem e podem com a sua situação. É dificil mas é muito bonito!
andré
domingo, fevereiro 18, 2007
sábado, fevereiro 17, 2007
LA CANCIÓN DEL CROUPIER DEL MISSISSIPI
Fifteen men on the dead Man's Chest.
Yahoo! and a bottle of run!
Canción pirata
Fumo mucho. Demasiado.
Fumo para frotar el tiempo y a veces oigo la radio,
y oigo pasar la vida como quien pone la radio.
Fumo mucho. En el cenicero hay
ideas y poemas y voces
de amigos que no tengo. Y tengo
la boca llena de sangre,
y sangre que sale de las grietas de mi cráneo
y toda mi alma sabe a sangre,
sangre fresca no sé si de cerdo o de hombre que soy,
en toda mi alma acuchillada por mujeres y niños
que se mueven ingenuos, torpes, e
nesta vida que ya sé.
Me palpo el pecho de pronto, nervioso,
y no siento un corazón. No hay,
no existe en nadie esa cosa que llaman corazón
sino quizá en el alcohol, en esa
sangre que yo bebo y que es la sangre de Cristo,
la única sangre en este mundo que no existe
que es como el mal programado, o
como fábrica de vida o un sastre
que ha olvidado quién es y sigue viviendo, o
quizá el reloj y las horas pasan.
Me palpo, nervioso, los ojos y los pies y el dedo gordo
de la mano lo meto en el ojo, y estoy sucio
y mi vida oliendo.
Y sueño que he vivido y que me llamo de algún modo
y que este cuento es cierto, este
absurdo que delatan mis ojos,
este delirio en Veracruz, y que este
país es cierto este lugar parecido al Infierno,
que llaman España, he oído
a los muertos que el Infierno
es mejor que esto y se parece más.
Me digo que soy Pessoa, como Pessoa era Álvaro de Campos,
me digo que estar borracho es no estarlo
toda la vida, es
estar borracho de vida y no de muerte,
es una sangre distinta de esa otra
espesa que se cuela por los tejados y por las paredes
y los agujeros de la vida.
Y es que no hay otra comunión
ni otro espasmo que este del vin
oy ningún otro sexo ni mujer
que el vaso de alcohol besándo
me los labios
que este vaso de alcohol que llevo en el
cerebro, en los pies, en la sangre,
que este vaso de vino oscuro o blanco,
de ginebra o de ron o lo que sea- ginebra y cerveza, por ejemplo -
que es como la infancia, y no es
huida, ni evasión, ni sueño
sino la única vida real y todo lo posible
y agarro de nuevo la copa como el cuello de la vida y cuento
a algún ser que es probable que esté
ahí la vida de los dioses
y unos días soy Caín, y otros
un jugador de poker que bebe whisky perfectamente y otros
un cazador de dotes que por otra parte he sido
pero lo mío es como en "Dulce pájaro de juventud"
un cazador de dotes hermoso y alcohólico, y otros días,
un asesino tímido y psicótico, y otros
alguien que ha muerto quién sabe hace cuánto,
en qué ciudad, entre marineros ebrios. Algunos me
recuerdan, dicen
con la copa en la mano, hablando mucho,
hablando para poder existir de que
no hay nada mejor que decir
sea sí mismo una proposición de Wittgenstein mientras sube
la marea del vino en la sangre y el alma.
O bien alguien perdido en las galerías del espejo
buscando a su Novia. Y otras veces
soy Abel que tiene un plan perfecto
para rescatar la vida y restaurar a los hombres
y también a veces lloro por no ser un esclavo
negro en el sur, llorando
entre las plantaciones!
Es tan bella la ruina, tan profunda
sé todos sus colores y es
como una sinfonía la música del acabamiento,
como música que tocan en el más allá,
y ya no tengo sangre en las venas, sino alcohol,
tengo sangre en los ojos de borracho
y el alma invadida de sangre como de una vomitona,
y vomito el alma por las mañanas,
después de pasar toda la noche jurando
frente a una muñeca de goma que existe Dios.
Escribir en España no es llorar, es beber,
es beber la rabia del que no se resigna
a morir en las esquinas, es beber y maldecir, blasfemar contra España
contra este país sin dioses pero con
estatuas de dioses, es
beber en la iglesia con música de órgano
es caerse borracho en los recitales y manchas de vino
tinto y sangre "Le livre des masques" de Rémy de Gourmont
caerse húmedo babeante y tonto y
derrumbarse como un árbol ante los farolillos
de esta verbena cultural.
Escribir en España es tener
hasta el borde en la sangre este alcohol de locura que ya
no justifica nada ni nadie, ninguna sombra
de las que allí había al principio.
Y decir al morir, cuando tenga
ya en la boca y cabeza la baba del suicidio
gritarle a las sombras, a las tantas que hay y fantasmas
en este paraíso para espectros
y también a los ciervos que he visto en el bosque,
y a los pájaros y a los lobos en la calle y
acechando en las esquinas
'Fiften men on the Dead Man's Chest
Fifteen men on the Dead man's Chest
Yahoo! And a bottle of rum!'
Leopoldo María Panero
Last River Together (1980)
[evva]
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Campeonato do Mundo de Hoquei de Sala

Para quem nao sabe, esta e uma variante do Hoquei em Campo jogada em pavilhao num campo com dimensoes similares as do Andebol.
A galeria de fotos do site oficial do evento tem bastantes imagens do jogo.
andre
PS: Agradece-se a compreensao do/a leitor/a para o facto de o teclado austriaco nao ter acentos. Confiamos que a gerencia em Portugal possa corrigir a situacao.
Ah, a censura, essa gloriosa instituição!
evva
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Begging...

Até contactei por diversas vezes ontem a Velha Albion, mas sem sucesso. Só então me lembrei do torneio na Áustria...
evva
P.S.: Não esquecer de reportar novas da Sissi.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
NÃO!
sábado, fevereiro 10, 2007
Como é que este sobreviveu à fogueira?
(Iluminura de uma tradução medieval
dos Elementos de Geometria de Euclides, c. 1300)
evva
Ah, esses renascentistas 'avant la lettre'
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Não resisto...
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Entretanto, há 5.000 anos atrás...
evva
terça-feira, fevereiro 06, 2007
sábado, fevereiro 03, 2007
Novas da China
Sexta-feira, 2
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
FEVEREIRO
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Não adormeças
Não adormeças: o vento ainda no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas mais húmidas e chãs
com que em casa se cozinhavam perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à mingua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu rosto
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira
A casa e os cheiros dos Livros
1ª Ed. Lisboa, Quetzal Editores, 1996
[evva]
segunda-feira, janeiro 29, 2007
domingo, janeiro 28, 2007
Depois de um filme destes
EL NOI DEL SUCRE
Tengo un idiota dentro de mí, que llora,
que llora y que no sabe, y mira
sólo la luz, la luz que no sabe.
Tengo al niño, al niño bobo, como parado
en Dios, en un dios que no sabe
sino amar y llorar, llorar por las noches
por los niños, por los niños de falo
dulce, y suave de tocar, como la noche.
Tengo a un idiota de pie sobre una plaza
mirando y dejándose mirar, dejándose
violar por el alud de las miradas de otros, y
llorando, llorando frágilmente por la luz.
Tengo a un niño solo entre muchos, as
a beaten dog beneath the hail, bajo la lluvia, bajo
el terror de la lluvia que llora, y llora,
hoy por todos, mientras
el sol se oculta para dejar matar, y viene
a la noche de todos el niño asesino
a llorar de no se sabe por qué, de no saber hacerlo
de no saber sino tan sólo ahora
por qué y cómo matar, bajo la lluvia entera,
con el rostro perdido y el cabello demente
hambrientos, llenos de sed, de ganas
de aire, de soplar globos como antes era, fue
la vida un día antes
de que allí en la alcoba de
los padres perdiéramos la luz.
Last night together (1980)
evva
sábado, janeiro 27, 2007
NÃO
Uma gravidez não é um castigo pelo mau funcionamento de uma metodologia anticoncepcional e, se duma relação sexual, por prazer ou outras vontades, resultar esse milagre que é a vida, que se assuma, então, a responsabilidade de zelar pela gravidez até ao parto. Se conduzo o meu bólide a alta velocidade, pelo puro prazer que ela me dá, e provocar um acidente com a morte de terceiros, devo ou não ser condenada por isso? Ou teremos chegado a um momento civilizacional de puro egoísmo e desresponsabilização?
Como tal, também não me parece que uma gravidez indesejada obrigue forçosamente um pai, uma mãe, ambos, ou cada um por si, a cuidar uma criança. Por que não entregar o bebé para adopção, se tantos casais o desejam e aguardam? O sistema de adopção funciona mal? Então que se invista na sua melhoria, se crie condições às mulheres, adolescentes ou não, para poderem desenvolver sem prejuízo a sua gravidez indesejada e, após o parto, que o recém-nascido seja entregue a quem o deseja, tem vocação e condições para lhe dar uma educação condigna e o afecto que merece. Repito, se este sistema não funciona, é uma total irresponsabilidade e um crime liberalizar a interrupção voluntária da gravidez, inclusive à custa do erário público e do meu trabalho mensalmente tributado. Se pensarmos bem, e ninguém o pode negar, até poderia ser um bom investimento em termos futuros, num país de tão baixa e tão cara taxa de natalidade.
Acredito que a despenalização da IVG, ou liberalização, redundará no aumento da prática abortiva e na bandeira “Não se preocupem em investir em métodos anticoncepcionais, se um momento de prazer resultar numa gravidez indesejada, sempre podem ir ali ao hospital mais próximo e resolver o assunto». Por isso, convictamente e tal como há oito anos atrás, votarei NÃO.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
«FINAL
Não foi sem dificuldade que este livro rompeu através dos interstícios do mundo até chegar às tuas mãos, leitor, para aí, como um deserto a abrir noutro deserto, criar uma irradiação simbólica, magnética, onde o branco do papel e o negro das palavras (...) pudessem fundir-se e converter-se nessa outra a que, na enigmática expressão de Sá-Carneiro, a saudade se trava. Como um desses objectos cujo peso, assim que neles pegamos, instantaneamente se divide entre as nossas mãos e a alma, é mesmo de crer que ele esteja já dentro de ti - e algo de mim com ele. Acolhe-o, pois, com benevolência, que, chegada a altura, havemos de arder juntos.»evva
quinta-feira, janeiro 25, 2007
O tempo faz e desfaz III
A morte deste homem, co-autor de um dos livros mais lidos, relidos e anotados cá em casa,
deveria ser motivo de três dias de luto nacional.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Ah… o Aborto outra vez
A TSF está a realizar diáriamente, a seguir às noticias das 20h, um debate sobre este assunto, mas não sei por quanto tempo.
andré
terça-feira, janeiro 23, 2007
Aos amigos que ficam
O espaço à minha volta é largo, vasto, talvez até mesmo infinito.
Por isso me pergunto sempre porque procuro as mesmas coisas, os mesmos lugares, as mesmas pessoas.
Gosto daquilo que permanece.
Talvez porque também gosto que haja sempre, à minha volta, espaço livre, sem nada.
andré
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Ah… o Aborto
Se tem havido aspecto que me tem agradado nesta campanha do referendo do Aborto, é que as pessoas que defendem o Sim parecem ter abandonado a tradicional atitude de superioridade moral, em prol da acção civica e assim tentar fazer aquilo que os partidários do Não sempre souberam fazer bem: convencer as pessoas a votar na opção que defendem.
Daí que me dá especial prazer escrever este post em reposta à intervenção anterior que, para não variar, insiste em abordar a questão do Aborto de forma panfletária e sensacionalista. Enfim… uma autêntica blasfémia…
Para que não haja dúvidas: Somos Todos contra o Aborto!
Não estamos a defender o direito de matar mas sim o direito de escolher a forma como vivemos. Sim, vivemos. A mãe, o pai, os irmãos e irmãs que já cá estão, e o resto da família.
Só argumenta com a desresponsabilização dos futuros/eventuais pais quem não quer pensar que a venda de preservativos e restantes anticoncepcionais é hoje uma realidade avassaladora, e que precisamente por isso, as pessoas não devem ser castigadas quando eles não funcionam.
Então, afinal em que ficamos? Podemos ou não ter relações sexuais só por prazer? E se a maioria concorda que sim, então porque é que obrigamos as pessoas a criar uma criança se essa não era a sua intenção? Afinal a maternidade e a paternidade são ou não actos de amor consentido e almejado?
Para que continue a não haver dúvidas: Somos Todos a favor dos pais e das mães, da familia com ou sem filhos!
Tal como uma familia que quer mas não consegue ter filhos, triste é aquela que os tem mas não os quis.
A responsabilidade das pessoas é a mesma, quer quando decidem ter como quando decidem não ter filhos. O nosso dever é apoiar a sua educação e garantir que, quando elas não a têm, possam passar a tê-la. A autonomia, e não o individualismo, é o que se procura.
O objectivo é que todos possam pensar pela sua cabeça e formular o seu juízo, sabendo à partida em que é que acreditam.
E se ainda houver dúvidas: Somos pelos pequeninos, pelos bebés, pelos fetos, e pelos embriões.
Creio que quase nenhum de nós fica indiferente à felicidade de uma nova vida, de um novo filho, de uma nova sobrinha, ou de uma neta. Só mesmo quem tem muito medo das pessoas é que pode pensar que alguém que decide abortar não sente amor ou respeito pelo próximo. O facto de haver pessoas que o fazem de forma irresponsável não quer dizer que todos o façam.
A todos que defendem a mesma posição que eu, por favor, escrevam, discutam, convençam. Não pensem que as pessoas vão acreditar em nós porque nos acham mais espertos ou inteligentes. Elas só vão acreditar em nós quando conseguirmos fazer com que os nossos argumentos sejam os mais vistos, os mais discutidos, os mais propagados. E aí, vão pensar neles e, se tudo correr bem (como vai correr), vão votar Sim.
Quanto à amiga Romena, eu também tenho amigas. Alemãs, espanholas, belgas, inglesas, gregas e chinesas.
E todas elas pasmam quando eu lhes digo que no meu país o Aborto é um crime. Sim, Crime!
Esse é o problema.
andré
O tempo faz e desfaz II
Já há alguns dias se previa o inevitável. Valerá a pena continuar a gastar milhares de euros de areia a tentar lutar contra a força das ondas e a adiar por mais alguns micro-segundos de tempo cósmico o avanço inexorável do mar?evva
domingo, janeiro 21, 2007
O tempo faz e desfaz
Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor nas pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até na íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
Só no interior sem nome do nosso corpo
ou esfera húmida de algum astro
ignoto, numa órbita apartada,
o tempo caladamente persegue
o sangue que se esvai sem som.
Entre o princípio e o fim vem corroer
as vísceras, que ocultamos como a Terra.
Trilam os lábios nossos, à semelhança
das musicais manhãs dos pássaros.
Mesmo os ouvidos cantam até à noite
ouvindo o amor de cada dia.
A pele escorre pelo corpo, com o seu correr
de água, e as lágrimas da angústia
são estridentes quando buscam o eco.
Mas nós sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida.
Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)
[evva]
EIS A GRANDE QUESTÃO
A desresponsabilização da mãe/pai por uma gravidez decorrente de relações sexuais voluntárias é frequentemente justificada pela falibilidade dos métodos anticocepcionais. O que mostra duas coisas. Por um lado mostra o estado em que se encontra a responsabilidade individual. As pessoas não são responsáveis pelos seus actos nem têm que assumir os riscos das opções que tomam. A responsabilidade pelos riscos recai no anticoncepcional que falhou. Por outro lado, mostra que o aborto é visto por muitos dos defensores da despenalização como um sistema anticoncepcional complementar que visa colmatar as falhas dos sistemas anticoncepcionais comuns.
JoaoMiranda»
evva
sábado, janeiro 20, 2007
ARS MAGNA
domingo, janeiro 14, 2007
Um Domingo a caminho da perfeição
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Que farei, velidas?
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Aos amigos que partem

Azuis os montes que estão longe param.
De eles a mim o vário campo ao vento, à brisa,
Ou verde ou amarelo ou variegado,
Ondula incertamente.
Débil como uma haste de papoila
Me suporta o momento. Nada quero.
Que pesa o escrúpulo do pensamento
Na balança da vida?
Como os campos, e vário, e como eles,
Exterior a mim, me entrego,
filho Ignorado do Caos e da Noite
Às férias em que existo.
Ricardo Reis
[evva]
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Semana Passada
Depois de se ter transformado na RFM com notícias, é bom saber que a TSF ainda mantém vivo o desejo original de criar momentos de beleza e requinte onde a palavra, bem tratada, se junta à manta de possibilidades sonoras que a rádio tem desde há muito mas que poucos, infelizmente, exploram.É assim a Semana Passada, de Fernando Alves e Alexandrina Guerreiro, que passa aos sábados pelas 12h30, ou num dia qualquer, através do PODCAST.
Das tradições mais remotas do nosso país aos grandes problemas do nosso planeta, tudo cabe em cerca de 45 minutos de rádio, bem falada e ouvida.
É bom saber que ainda há coisas assim.
andré
domingo, dezembro 31, 2006
Ode

Não queiras Lídia, edificar no spaço
Que figuras futuro, ou prometer-te
Amanhã. Cumpre-te hoje, não sperando.
Tu mesma és tua vida.
Não te destines, que não és futura.
Quem sabe se, entre a taça que esvazias,
E ela de novo enchida, não te a sorte
Interpõe o abismo?
Ricardo Reis
Odes de Ricardo Reis,
(Obras Completas de Fernando Pessoa, Lisboa, Editorial Nova Ática, p.160),
publicada pela primeira vez no número 1 da Atena, em Outubro de 1924.
[evva]
sábado, dezembro 30, 2006
domingo, dezembro 24, 2006
Natividade
sábado, dezembro 23, 2006
Hoje deram-me esta prenda de Natal
Creio nos anjos que andam pelo mundo
Natália Correia
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
andré
segunda-feira, dezembro 18, 2006
terça-feira, dezembro 12, 2006
Cinco lições
A primeira lição é que, no mundo de hoje, todos somos responsáveis pela nossa segurança recíproca. Perante ameaças como a proliferação nuclear, as alterações climáticas, as pandemias mundiais ou os grupos terroristas que operam a partir de refúgios seguros em Estados falhados, nenhuma nação pode garantir a sua própria segurança afirmando a sua supremacia sobre todas as outras. Só trabalhando em prol da segurança de todos podemos esperar garantir uma segurança duradoura para nós próprios.
Essa responsabilidade inclui a responsabilidade partilhada de proteger as pessoas do genocídio, dos crimes de guerra, da limpeza étnica e dos crimes contra a humanidade. Uma responsabilidade que foi aceite por todas as nações, na cimeira da ONU do ano passado. Mas, quando vemos os assassínios, as violações e a fome que são infligidos ao povo do Darfur, compreendemos que essas doutrinas não passam de mera retórica, enquanto aqueles que têm poder para intervir eficazmente - exercendo pressão política, económica ou, em último recurso, militar - não estiverem dispostos a dar o exemplo. Também têm uma responsabilidade para com as gerações futuras - a de conservar recursos que lhes pertencem tanto como a nós. Cada dia em que nada fazemos ou não fazemos o suficiente para prevenir as alterações climáticas tem custos elevados para os nossos filhos.
A segunda lição é que somos responsáveis pelo bem-estar de todos. Sem solidariedade, nenhuma sociedade pode ser verdadeiramente estável. Não é realista pensar que uns quantos podem continuar a retirar grandes benefícios da globalização, enquanto milhares de milhões de outros permanecem ou são atirados para uma pobreza abjecta. Devemos dar a todos os nossos semelhantes pelo menos a possibilidade de partilharem a nossa prosperidade.
A terceira lição é que a segurança e a prosperidade dependem do respeito pelos direitos humanos e o Estado de direito.
Ao longo da história, a diversidade enriqueceu a vida humana e as diferentes comunidades aprenderam umas com as outras. Mas, se quisermos que as nossas comunidades vivam em paz, devemos salientar também o que nos une: a nossa humanidade comum e a necessidade de a nossa dignidade humana e direitos serem protegidos pela lei.
Isso também é vital para o desenvolvimento. Tanto os estrangeiros como os cidadãos de um país tendem a investir mais, quando os seus direitos fundamentais são protegidos e quando sabem que serão tratados equitativamente pela lei. E as políticas que favorecem verdadeiramente o desenvolvimento têm mais hipóteses de ser adoptadas, se as pessoas que mais necessitam do desenvolvimento puderem fazer ouvir as suas vozes.
Os Estados precisam também de cumprir as regras que regem as relações entre eles. Nenhuma comunidade, em parte alguma do mundo, sofre de excesso de Estado de direito, mas muitas sofrem de falta dele - e isto aplica-se também à comunidade internacional. É uma situação que devemos mudar.
A minha quarta lição é, pois, que os governos devem ser responsabilizados pelos seus actos, tanto na cena internacional como na nacional. Todos os Estados devem prestar contas àqueles que são afectados, de uma maneira decisiva, pelas suas acções. Na situação actual, é fácil obrigar os Estados pobres e fracos a prestar contas, pois precisam de ajuda externa. Mas só o povo dos Estados grandes e poderosos, cuja acção tem maior impacto sobre os outros, pode obrigá-los a fazê-lo. Isto confere ao povo e instituições dos Estados poderosos uma responsabilidade especial por ter em conta as opiniões e interesses mundiais. E hoje têm de tomar em consideração os actores não estatais. Os Estados já não podem - se é que alguma vez puderam - enfrentar sozinhos os desafios mundiais. Cada vez mais, precisam da ajuda de uma miríade de associações em que as pessoas se juntam voluntariamente, para benefício próprio ou para reflectir em conjunto sobre a situação do mundo e para o mudar.
Como é que os Estados se podem responsabilizar uns perante os outros? Só por intermédio de instituições multilaterais. Assim, a minha quinta e última lição é que estas instituições devem ser organizadas de uma maneira justa e democrática, permitindo que os pobres e os fracos tenham alguma influência sobre a acção dos ricos e dos fortes.
Os países em desenvolvimento deveriam ter mais influência nas instituições financeiras internacionais, cujas decisões podem significar a vida ou a morte para os seus cidadãos. E haveria que incluir novos membros permanentes ou a longo prazo no Conselho de Segurança, cuja composição reflecte a realidade de 1945 e não a do mundo actual. E, o que não é menos importante, os membros do Conselho de Segurança devem aceitar a responsabilidade que acompanha o privilégio de o integrarem. O Conselho não é um palco para expressar interesses nacionais. É o comité de gestão do nosso frágil sistema de segurança mundial.
Mais do que nunca, a humanidade precisa de um sistema mundial que funcione. E a experiência tem demonstrado, repetidamente, que o sistema é pouco eficaz, quando os Estados-membros estão divididos e carecem de liderança, mas funciona muito melhor, quando há unidade, uma liderança clarividente e a participação de todos os actores. Sobre os dirigentes do mundo, os de hoje e os de amanhã, recai uma grande responsabilidade. Compete aos povos do planeta assegurar que se mostrem à altura dessa responsabilidade.
Kofi A. Annan
Secretário-geral das Nações Unidas
in Publico, 12 DEZ 2006
andré
terça-feira, dezembro 05, 2006
Grande gente assuada em Camaalot
evva
domingo, dezembro 03, 2006
Inesperadamente...
| Your Inner European is Italian! |
![]() You show the world what culture really is. |
evva
P.S.: Daqui.
Para ler, reler e meditar
Estados de espírito

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur?
Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits!
Pour un coeur qui s'ennuie,
Ô le chant de la pluie!
Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui s'écoeure.
Quoi! nulle trahison?...
Ce deuil est sans raison.
C'est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon coeur a tant de peine!
Paul Verlaine (1844-1896)
[evva]
sexta-feira, dezembro 01, 2006
A quem surpreendeu esta notícia?
Terão os clubes de futebol profissional coragem para acabar de vez com as claques organizadas e por si subsidiadas? Alguém duvida da marginalidade que grassa nestes grupos? Quando ouço a linguagem insultuosa com que enfeitam os jogos a que assistem pergunto-me por que é que ainda me dou ao trabalho de gostar de futebol.
evva



++Dijon+-+BM+-+ms.+0527.jpg)






























