quarta-feira, maio 16, 2007

Em Londres

E pronto, mais um seminário. Há que apanhar o comboio para casa.
(nos headphones a Björk canta All is full of love)
Do último andar do prédio onde toda a gente se despediu vê-se parte da zona sul de Londres mas o horizonte aponta para norte. É uma cidade feia vista dali. Caótica, cinzenta. Nem o London Eye alivia o cenário.

O metro é um dos sítios mais solitários que eu conheço. Cheio de gente entalada mas que quase nunca se olha. O iPod é mais do que um sucesso comercial, faz parte do estilo de vida. O livro de bolso também. Ou o jornal gratuito que estiver à mão. Hoje a notícia do dia tem a ver com o Mourinho e o seu cão. Interessante…
(entretanto o David Fonseca canta How come you mean so much to me e depois os Hot Chip acrescentam All the people I love are here).
Há pessoas de vários credos, idade e país. Todos a tentar entrar à bruta na carruagem. Desisto de pensar como será viver aquilo todos os dias.
A estação está inundada de cartazes. O Lord of the Rings transformado em musical, o novo “superb album” da Amerie, com os êxitos “1 thing” e “Be strong” ou “Strong man”, enfim…
E muita, muita publicidade.
(passei à frente os Dead can Dance e os Red House Painters. Agora não me apetece. Mas Badly Drawn Boy parece-me bem)

Sabem que faltam 182 dias para o final das obras em St. Pancras? Eu não. Mas se no placard electrónico estivessem a passar os dias desde que a reconstrução começou, era capaz de não haver espaço para números…
E pronto. Estou no sítio onde comecei, à espera do regresso a Sheffield, onde a calma, os amigos e o conforto da casa ajudam a aliviar o sentimento de despedida. É sempre assim quando parto. É por causa da distância que se percorre. E da sensação de não saber quando se volta.
É claro que se isto se tivesse passado no Porto, eu teria ficado um pouco mais contente…
(entretanto cantaram o Tom Waits com a Crystal Gayle, as Dubstar, os Snow Patrol, o Anthony and the Johnsons, as Três Tristes Tigres e agora que termino, canta a Cat Power. É assim, cada um tenta despistar a solidão à sua maneira).
andré

Ele há dias em que apetece votar na Helena Roseta



evva

terça-feira, maio 15, 2007

O lugar onde fomos felizes


Deanie Loomis, uma vez mais. Horas de sono trocadas devido a uma pequena gripe. Um filme na madrugada da Rtp 1 e hoje, entre tudo e todos, Deanie Loomis avança e avança e regressa.

ESPLENDOR NA RELVA

Eu sei que Deanie Loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste


A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste


na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais


lhe será dado a ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais


Ruy Belo, O Bosque Sagrado
(colectânea de poemas sobre cinema)


evva

segunda-feira, maio 14, 2007

Das leben der anderen














Até ver… este é o meu filme do ano.
A beleza está em todo o lado.

andré

Gatos…

Ainda não me habituei totalmente a eles.
Por vezes fico embaraçado com aquilo que mostram. A última rúbrica Tesouros Deprimentes é tão fantástica como constrangedora.
Desde os tempos em que o Herman José ainda fazia humor que não me ria tanto da figura triste dos outros. E da minha, ao rir-me disso.
Aquilo que mais admiro no quarteto fantástico é a desfaçatez e o desafio permanente que colocam áquilo que fazem.
O país parece para já rendido a eles. Não sei por quanto tempo mais. Mas enquanto durar vamo-nos rindo à gargalhada. Uns dos outros.
Faz muito bem.



andré

Imperdoável, George

não teres cantado o Kissing a Fool



You are far,
When I could have been your star,
You listened to people,
Who scared you to death, and from my heart,
Strange that you were strong enough,
To even make a start,
But youll never find
Peace of mind,
Til you listen to your heart,

People,
You can never change the way they feel,
Better let them do just what they will,
For they will,
If you let them,
Steal your heart from you,

People,
Will always make a lover feel a fool,
But you knew I loved you,
We could have shown them all,
We should have seen love through,

Fooled me with the tears in your eyes,
Covered me with kisses and lies,
So goodbye,
But please dont take my heart,

You are far,
I'm never gonna be your star,
I'll pick up the pieces
And mend my heart,
Maybe I'll be strong enough,
I dont know where to start,
But I'll never find
Peace of mind,
While I listen to my heart,

People,
You can never change the way they feel,
Better let them do just what they will,
For they will,
If you let them,
Steal your heart,

And people,
Will always make a lover feel a fool,
But you knew I loved you,
We could have shown them all,

But remember this,
Every other kiss,
That you ever give
Long as we both live
When you need the hand of another man,
One you really can surrender with,
I will wait for you,
Like I always do,
Theres something there,
That can't compare with any other,

You are far,
When I could have been your star,
You listened to people,
Who scared you to death,
and from my heart,
Strange that I was wrong enough,
To think youd love me too.
I guess you were kissing a fool,
You must have been kissing a fool.

... para não falar de Wake me up e de A Different Corner (no top ten da banda sonora da minha adolescência), ou as versões únicas de Roxanne ou Desafinado. Não se faz, George!


evva

sexta-feira, maio 11, 2007

PARABÉNS MARTINHA!

evva, a Tia Babada

segunda-feira, maio 07, 2007

domingo, maio 06, 2007

Memórias de um emigrante




















A minha tia disse-me um dia que a diferença entre os ingleses e os portugueses era que os primeiros iam e ficavam, e os segundos iam mas pensavam sempre no dia do regresso. Eu ainda me sinto muito preso a casa, ou pelo menos insisto em alguns hábitos para me sentir perto. Felizmente, ou talvez não, hoje podemos trazer conosco muito daquilo com que vivemos no sítio onde estávamos.

Continuo a ler o único jornal que creio valer a pena ler. É o Público. É português. E vem em versão PDF, a condizer com o nosso tempo. Não tenho paciência para o excesso de opinião dos jornais ingleses, nem dessa mania que já chegou a Espanha, da "orientação editorial", como se o dever de um jornalista não fosse o de tentar ser isento (ainda que por vezes não o consiga).

Mantenho-me ouvinte fiel do "Pessoal e Transmissível" e da "Semana Passada", embora tenha deixado, bem antes de partir, de ouvir a TSF, que passou a ser a RFM das notícias, uma verdadeira amálgama que nem mesmo os seus donos devem saber bem o que é. Ouço também o "Expresso da Meia Noite", da SIC Notícias, em formato áudio. Faz sempre bem ouvir a voz do poder, de vez em quando.

Um dos momentos gloriosos da semana foi saber que podia ver, como é possível constatar pela fotografia, o documentário "Portugal, um retrato social". Tenho gostado muito, mesmo muito de ver. Depois da estupidez do concurso Salazar vs Cunhal, sabe bem ainda haver espaço para fazer televisão a sério, com causas e com qualidade.

O dia-a-dia, esse é estrangeiro por completo. O trabalho é profundamente inglês, o convívio pode ser brasileiro, chinês, malaio, alemão, ou o que mais vier no caminho.
É um novo mundo, uma vida muito, muito diferente.
Mas foi a que eu escolhi.

andré

sexta-feira, maio 04, 2007

Portuguese fragments for intimacy

1) Porto in the first moments of the sunrise. The first rays of light are graciously caressing the way of the soothsayer to Sao Bento: Palacio do Cristal, Cordoaria, Praca de Republica and Batalha. I knew these streets since eternity; I came here to visit in every previous life. I live in Porto and Porto lives in me. We are both familiar to each other like restless seagulls. The Douro takes the Light to the Atlantic under the careful gaze of Raul Brandao. And there the river meets the ocean. Indifferently and since ever.

2) The smell of the Portuguese coffee is plainly strong. The smell of that unique and forgotten café on the way to Foz was way too strong. The air carrying the salty droplets of sea water kept spraying my face and that of Raul Brandao. He stood there staunchly guarding the Lighthouse. And I was compelled to return to the land of the pale sun.
Porto ’s trilogy often visits me in the land of the cold. A mighty Light spelled with the breaking of dawn, a crushing smell of burning stones and a helplessly intense coffee- all these look as real as a guided tour in the Serralves orchestrated by Elsa on a Saturday afternoon.

3) My heart is still flying above Lisbon : Blessed be this stranger, plowing right now the streets of Lisbon and deliciously steeling a first look into a small book of verse by Alvaro do Campos .

Michel Kabalan, Leipzig (April 2007)

terça-feira, maio 01, 2007

300



E lá fui finalmente ver o filme, mais pela companhia do que outra coisa, sem grandes expectativas. Às tantas, já nem sabia se estava dentro da Playstation 3, a assistir ao Starwars ou a um concerto dos Blasted Mechanism. God!


evva

segunda-feira, abril 30, 2007

Ooops...


Esqueci-me das maias! E agora, como sobreviver ao carrapato?



evva

quinta-feira, abril 26, 2007

As cartas de Iwo Jima

Alguém tem de dizer ao Clint Eastwood para deixar de fazer bons filmes.
Já começo a ficar farto!
É que para além de tudo, este é particularmente bonito…
… não pode ser.















andré

quarta-feira, abril 25, 2007

Mas que granda filme!



















Eu sei, eu sei. Já passou há muito.
Mas eu só o vi hoje…
E como mais vale tarde do que nunca…

andré

domingo, abril 22, 2007

Frase do mês!

"Só quando uma mulher absolutamente incompetente chegar ao topo é que haverá verdadeira igualdade."

in P2 de domingo, no artigo "Madame la…" de Teresa de Sousa


andré

segunda-feira, abril 16, 2007

quinta-feira, abril 12, 2007

E fez-se luz...

bjs ST

terça-feira, abril 03, 2007

All'alba vincerò?



[Il principe ignoto]

Nessun dorma! Nessun dorma! Tu pure, o Principessa,
nella tua fredda stanza
guardi le stelle
che tremano d'amore e di speranza...
Ma il mio mistero è chiuso in me,
il nome mio nessun saprà!
No, no, sulla tua bocca lo dirò,
quando la luce splenderà!
Ed il mio bacio scioglierà il silenzio
che ti fa mia.

[Voci di donne]

Il nome suo nessun saprà...
E noi dovrem, ahimè, morir, morir!

[Il principe ignoto]

Dilegua, o notte! Tramontate, stelle!
Tramontate, stelle! All'alba vincerò!
Vincerò! Vincerò!

[evva]

segunda-feira, abril 02, 2007

E lucevan le stelle



E lucevan le stelle,
e olezzava la terra
stridea l'uscio dell'orto,
e un passo sfiorava l'arena.
Entrava ella, fragrante,
mi cadea fra le braccia.
Oh! dolci baci,
o languide carezze,
mentr'io fremente le belle forme discogliea dai veli!
Svani per sempre il sogno mio d'amore...
L'ora e fuggita e muoio disperato!
E non ho amato mai tanto la vita!

evva