sexta-feira, junho 22, 2007

Bem me queria parecer…

"Instead of going to England or to another non Jewish country, many Jews decided to go to British mandate Palestine, where his majesty's government had promised them a homeland.
There was one problem however: there was already another people in Palestine who had been living there for centuries, namely, Palestinian arabs."

In World Stories: A house in Jerusalem, um podcast integrado no Documentary Archive da BBC World Service

andré

Silly season



evva

P.S.: O meu sabor preferido é chocolate, já se sabe, mas adoro um bom Gin Fizz.

terça-feira, junho 19, 2007

ORATIO IN L. CATILINAM PRIMA


Cícero acusa Catilina
(1882/1888)
Sala Maccari, Palazzo Madama (Senado Italiano)


IN SENATV HABITA

I. Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? quam diu etiam furor iste tuus nos eludet? quem ad finem sese effrenata iactabit audacia? Nihilne te nocturnum praesidium Palati, nihil urbis vigiliae, nihil timor populi, nihil concursus bonorum omnium, nihil hic munitissimus habendi senatus locus, nihil horum ora voltusque moverunt? Patere tua consilia non sentis, constrictam iam horum omnium scientia teneri coniurationem tuam non vides? Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris? O tempora, o mores!



I. Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda nocturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Oh tempos, oh costumes!


(tradução do padre António Joaquim)

Oh tempos, oh costumes! Uma das mais famosas frases de todos os tempos, foi pronunciada há mais de 2000 anos por Cícero, ao discursar perante o Senado de Roma e começando a destruir um tentativa de golpe de estado contra a República. Cícero confirmara os seus dotes oratórios quando sete anos antes, em 70 a.C., tinha conseguido que o corrupto governador da Sicília Caio Verres fosse impugnado mas agora, enquanto cônsul de Roma, o caso era mais grave.

A conspiração contra o Senado dirigida por Lúcio Sérgio Catilina, candidato vencido ao cargo de cônsul nas eleições de Julho de 64 a.C. assim como nas de 63, lugar-tenente de Sila durante a ditadura deste, antigo governador da província de África, amigo de Júlio César e de Crasso, os dois dirigentes do Partido Popular em Roma, tinha começado em Setembro de 63 a.C., após a realização das eleições e já tinha provocado reacções de Cícero e do Senado, mas o chefe da conspiração tinha conseguido até aí não ser incriminado.

Na noite de 6 para 7 de Novembro Catilina reuniu novamente os dirigentes da conspiração para acertar os últimos detalhes antes da nova tentativa de golpe, mas Cícero foi informado da reunião e das decisões aí tomadas e decidiu convocar o Senado para o Templo de Júpiter Estátor, no dia seguinte. Quando o chefe da conjura apareceu na reunião, Cícero ficou tão indignado que se dirigiu directamente a Catilina, acusando-o violenta e directamente, no primeiro de quatro célebres discursos - as Catilinárias -, que acabaram por convencer o incrédulo Senado da existência da conspiração e das culpas de Catilina. Mas neste primeiro discurso Cícero sabia que por lei não poderia condenar, nem mesmo mandar desterrar Catilina e por isso tentou que este saísse voluntariamente da cidade, o que de facto conseguiu. Em meados de Novembro Catilina entrou em revolta aberta e acabou por ser condenado à morte pelo Senado em princípios de Dezembro, após um discurso de Cícero - a quarta Catilinária - mas tendo recusado entregar-se foi morto em Janeiro de 62 a.C. no campo de batalha de Pistóia, o que lhe valeu um elogio de Floro: «Bela morte, assim tivesse tombado pela Pátria.»

evva

Cícero foi ontem assassinado. Estou de luto.



«Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos»



evva

Hurt



I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

[Chorus:]
What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

[Chorus:]
What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way


Composto por Trent Reznor, este tema foi incluído no album Downward Spiral (1994) dos Nini Inch Nails. Quando Johny Cash o gravou pouco antes da sua morte, em 2002, Reznor considerou-a «a song that isn't mine anymore»:


«I pop the video in, and wow… Tears welling, silence, goose-bumps… Wow. I just lost my girlfriend, because that song isn't mine anymore. … It really made me think about how powerful music is as a medium and art form. I wrote some words and music in my bedroom as a way of staying sane, about a bleak and desperate place I was in, totally isolated and alone. [Somehow] that winds up reinterpreted by a music legend from a radically different era/genre and still retains sincerity and meaning—different, but every bit as pure»

evva

domingo, junho 17, 2007

Ritual de domingo

não esquecer de ver o cartoon da maitema
(clique para aumentar)

























andré



Membros do Hamas no gabinete do presidente palestiniano Mahmoud Abbas






Palestinianos em fuga para... Israel


(fotos AP)


evva

Quelqu' un m'a dit...




On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fannent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux.

Pourtant quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore,
Serait-ce possible alors ? (refrain)

On me dit que le destin se moque bien de nous,
Qu'il ne nous donne rien, et qu'il nous promet tout,
Paraît que le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou.

Pourtant quelqu'un m'a dit...

Mais qui est-ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus, c'était tard dans la nuit,
J'entends encore la voix, mais je ne vois plus les traits,
"Il vous aime, c'est secret, ne lui dites pas que je vous l'ai dit."

Tu vois, quelqu'un m'a dit que tu m'aimais encore,
Me l'a t'on vraiment dit que tu m'aimais encore,
Serait-ce possible alors?

On me dit que nos vies ne valent pas grand-chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses,
On me dit que le temps qui glisse est un salaud,
Et que de nos tristesses il s'en fait des manteaux.

Pourtant quelqu'un m'a dit...

Quando vi pela primeira vez Carla Bruni cantar não pude deixar de me recordar da Françoise Hardy dos anos sessenta e setenta, a voz quase sussurrada acompanhada apenas por uns acordes de viola, o mesmo talento de songwriter, o corte de cabelo... Comparações à parte, é a melhor banda sonora para uma manhã chuvosa de domingo.

evva

sexta-feira, junho 15, 2007

L'amitié





Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre

Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leur coeur est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse

Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras

Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un un autre voudra te cacher sa tristesse

Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines

Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon coeur à ton bois

Françoise Hardy (1965)

Letra: Jean-Max Rivière
Música: Gérard Bourgeois


evva

terça-feira, junho 12, 2007

Era mesmo isto














Foto: Arko Datta/Reuters hoje no site do Público

andré

segunda-feira, junho 11, 2007


O nosso representante em Leipzig aterra amanhã no Porto. Aceitam-se sugestões para o menu do banquete de boas-vindas. Vou já avisando que está excluído arroz de marisco, bacalhau com natas ou à brás, bolo de chocolate ou mousse de manga, já não há pachorra para estar sempre a fazer a mesma coisa, ok? E, para evitar protestos, a bola de bacalhau recheada vai ser servida como entrada.


evva

domingo, junho 10, 2007

Trilogia musical para um fim de tarde

Por volta das sete-e-meia, ainda pouco habituado ao sol a brilhar por estas bandas, saiu-me isto dos headphones











Há dias com sorte


andré

A Mon Seul Désir


Detalhe da tapeçaria La Dame à la Licorne
(Musée du Moyen Age, Paris)



evva

Comme une image



La beauté est comme un diamant qu'on ne veut jamais poli
Et qui reste toujours à l'intérieur.


andré




andré

Portugal, remorso de todos nós

Portugal

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

Alexandre O'Neill. Poesias Completas (1951/1986), INCM.

[evva]





evva

sábado, junho 09, 2007

Song to the moon



Esqueçam o vídeo. Ouçam a voz.

evva

Domingo, 10 de Junho: Há quem lhe chame a 'diva pop'. De facto, o vídeo chiclete-deita-fora-sem-demora faz pensar o pior, mas, excentricidades à parte, esta é a melhor interpretação da ária da Rusalka, de Dvorak, que ouvi desde a Lúcia Popp, que é quem a interpreta na gravação que tenho cá em casa e que também podem ouvir aqui.


Rusalka foi a penúltima das óperas compostas por Dvorak. O enredo tem como protagonista uma ninfa das águas que se apaixona por um príncipe humano e que pede a uma feiticeira uma poção que lhe permita tornar-se humana e poder amá-lo. Em troca, deverá permanecer muda e o príncipe sempre fiel. A quebra de qualquer uma destas condições poderá provocar a morte de ambos.


Após consultar o pai sobre o desejo de se tornar humana e desposar o príncipe, a ninfa dirige-se à lua:

Mesiku na nebi hluboken
Ó, lua, bem alta no profundo céu,
Svetlo tvé daleko vidi,
A tua luz avista regiões distantes,
Po svete bloudis sirokém,
Viajas através do vasto,
Divas se v pribytky lidi.
vasto mundo, perscrutando os lares.
Mesicku, postuj chvili
Ah, lua, queda-te por momentos,
Reckni mi, rekni,
Diz-me, ah, diz-me
kde je muj mily
Onde está o meu amado!
Rekni mu, stribmy mesicku,
Diz-lhe, por favor, lua de prata no céu,
Me ze jej objima rame,
Que eu o abraço fortemente
Aby si alespon chvilicku
E que ele deve, ao menos momentaneamente,
Vzpomenul ve sneni na mne!
Lembrar-se dos seus sonhos!
Zasvet mu do dalekaI
lumina esse local distante,
Rekni mu, rekni
Diz-lhe, ah diz-lhe
kto tu nan ceka!
Quem o espera aqui!
O mne li dushe lidska sni
Se ele estiver a sonhar comigo,
at' se tou spominkou vzbudi!
Que essa memória o desperte!
Mesicku, nezhasni, nezhasni
Ah, lua, não desapareças,
mesicku nezhasni!!
Lua, não desapareças!
zasvet mu
Ilumina-o,
Rekni mu, rekni
Diz-lhe, ah diz-lhe
kto tu nan ceka!
Quem o espera aqui!
O mne li dushe lidska sni
Se ele estiver a sonhar comigo,
at' se tou spominkou vzbudi!
Que essa memória o desperte!
Mesicku, nezhasni, nezhasni
Ah, lua, não desapareças,
mesicku nezhasni!!
Lua, não desapareças!