segunda-feira, janeiro 14, 2008

Boa viagem!


Christina Rosenvinge
(Christina y Los subterráneos, "Voy en un Coche")


Sónia

Vincent Delerm

o primeiro clip



(c) L'eolienne 2005


Sónia

domingo, janeiro 13, 2008

sotto le stelle del jazz



Paolo Conte ao vivo em Amsterdão 

Sónia

Retrato de uma princesa desconhecida


Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino

Sophia de Mello Breyner, 16/10/95


[evva]

Ángel González (1925-2008)



Para que yo me lIame Ángel González 

Para que yo me llame Ángel González, 
para que mi ser pese sobre el suelo, 
fue necesario un ancho espacio 
y un largo tiempo: 
hombres de todo mar y toda tierra,
fértiles vientres de mujer, y cuerpos 
y más cuerpos, fundiéndose incesantes 
en otro cuerpo nuevo. 
Solsticios y equinoccios alumbraron
con su cambiante luz, su vario cielo, 
el viaje milenario de mi carne
trepando por los siglos y los huesos.
De su pasaje lento y doloroso 
de su huida hasta el fin, sobreviviendo 
naufragios. aferrándose 
ai último suspiro de los muertos. 
ya no soy más que el resultado. el fruto,
lo que queda, podrido, entre los restos: 
esto que veis aquí. tan sólo esto: 
un escombro tenaz. que se resiste 
a su ruina, que lucha contra el viento,
que avanza por caminos que no llevan
a ningún sitio. EI éxito 
de todos los fracasos. La enloquecida
fuerza del desaliento ... 


(Áspero mundo, 1956


Texto: in Antonio Sáez Delgado (selecção introdução e notas), 20 Poetas Espanhóis do século XX, Castelo Branco,  Alma Azul, 2003.
Imagem: in www.cervantes virtual.com  (7 y 8 de noviembre de 1997. Homenaje al poeta celebrado en Oviedo. "Ángel González en la Generación del 50. Diálogo con los poetas de la experiencia").

Sónia

Bom Domingo!



Sónia e evva

sábado, janeiro 12, 2008

Once around the block



You quiver like a candle on fire
I'm putting you out
Maybe tonight we could be the shout
But i'm fascinated by your style
Your beauty will last for a while

You're feeling instead of being
The more that I live on the inside
There's nothing to give
I'm infatuated by your moves
I've got to search hard for your clues

I want to repair your desire
And call it a gift
That I stole from just wanting to live
Now I see the vision through your eyes
Your innocence no longer fuels surprise

Trying to outrun your fear
Running to lose
Heart on your sleeve and your sole in your shoes
Take a left,
A sharp left
And another left, meet me on the corner
And well start, again.

Badly Drawn Boy, do álbum 'The hour of Bewilderbeast'


andré

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Luiz Pacheco

[Procurei este texto no Domingo passado, quando acordei com a notícia, mas na confusão de livros e papéis cá de casa só hoje o encontrei. Pacheco detestaria o lugar comum, mas não há melhores palavras para descrever um escritor do que as suas. E que Escritor! Não se distraiam com o folclore do pedófilo, libertino e bissexual. LEIAM-NO!]

CARTA A FÁTIMA

Lembras-te Fátima? era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? quem se lembrará de mim? se nem tu já te lembras de mim agora, tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes...

Dizias: como dantes e não era já nisso que pensavas, e não era já para mim que falavas, eu era uma coisa para esquecer, para deitar fora, uma coisa que se abandona caída no chão e se perde sem pena. Dizias: «adeus» e saías da minha vida com um aperto de mão desembaraçado, quase cordial um gesto de boa camarada, como se nada tivesse havido antes, como se não tivéssemos sido tantas vezes na cama, um dentro do outro, um no outro, um-outro diferente, uma coisa sublime: Deus Criador, como os míseros humanos só ali o podem sentir e saber; um Outro que éramos nós ainda, mas tão transtornados, tão virados para fora de nós, tão esquecidos do mundo e de nós, tão eficazes, tão leais, nós boca com boca, corpo a corpo, um sexo torturando um sexo, mordendo-se devorando-se, numa febre de chegar ao fim depressa, ao esquecimento, ao repouso. Disseste: adeus e eu odiei-te logo nesse minuto, como te odeio agora, não por ti ou pelo teu corpo que já me esqueceu noutros que vieram depois, mas porque morri ali naquela palavra, -morri entendes? -, perdi-me numa grande confusão, esqueci-me de ser eu, fiquei roubado do meu passado.

Hoje, encontrarias um outro homem; havia de rir-me do teu corpo, da sua entrega ou das suas traições, de tu me dizeres: «Vem» ou «Adeus...», ou «Não quero...». Hoje, saberias quem fizeste com uma só palavra, conhecerias um outro homem, que é obra tua, minha segunda mãe! Hoje, havia de rir ou chorar, era a máscara do momento; mas diria: tanto faz..., tanto me faz... Sabia-o!


[evva]

Abriu a caça


Qual Alcácer com vista para os mosquitos! Comprar casas ou terrenos é nos saldos da Ota. E sempre ficava mais perto, não é verdade?

evva

APONTAMENTO

[Há dias assim. Que felizmente passam.]

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

[evva]

quarta-feira, janeiro 09, 2008


evva

Appassionata

Se Lenine tivesse perdido mais tempo a ouvir Beethoven não teria andado por aí a fazer asneiras.



evva

terça-feira, janeiro 08, 2008

Foi você que pediu…

…sonata for a good man?



andré

PS: E para que não haja dúvidas, o "Gabriel" da entrevista não é o anjo da anunciação mas sim Gabriel Yared, o compositor da banda sonora original do filme onde é possível encontrar este tema.

domingo, janeiro 06, 2008

Necrológica




Sónia

Uma espécie de “playlist”


É mais “uma espécie de prendinha” dos Reis Magos, a pensar nos outros membros do “Esplendor” (uma para cada um; descubram qual...), mas aberta a todos. Ajuda também a combater os tops natalícios e a superar a ressaca de tanto “Jingle bells”...
Boas músicas e bom dia de Reis!


Rober Wyatt
 “At  last I am free” in “Nothing can stop us” (Ryko/WEA,1982)
http://www.lastfm.com.br/music/Robert+Wyatt/_/At+Last+I+Am+Free+%28Album+Version%29


Patty Smith
“Where dutty calls” in “Dream of Life” (Arista, 1996)
http://www.lastfm.com.br/music/Patti+Smith/_/Where+Duty+Calls+%28Digitally+Remastered%2C+1996%29


Electrelane
“Eights steps” in “Axes” (Too pure/Beggars, 2005)
http://www.lastfm.com.br/music/Electrelane/_/Eights+Steps


Vincent Delerm
“Les Filles De 1973 Ont Trente Ans” in “Kensington square” (tot Ou tard/WM France, 2004)
http://www.lastfm.com.br/music/Vincent+Delerm/_/Les+Filles+De+1973+Ont+Trente+Ans+%28Version+Album%29



Sónia

sábado, janeiro 05, 2008

"Chiclete..."

("... mastiga, deita fora")

 
"Já não há socialistas; há pragmáticos: a maravilha elástica que ministra intensas alegrias aos abjurantes do esquerdismo e aos comunistas contritos, alvoroçadamente convertidos aos prestígios do capitalismo."
                                                                                                                                         Baptista-Bastos , "Diário de Notícias", 02-01-2008


COM A DEVIDA HOMENAGEM AO AUTOR, AO AMIGO QUE ME DEU A CONHECER A FRASE E À CÉLEBRE CANÇÃO DOS TAXI


Sónia

TEMPO. . .


Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e
outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente...


(Carlos Drummond de Andrade)

 Um Bom Ano de 2008


Sónia


Hoje está um tempo verdadeiramente galego-português.


(Nevoeiro, de Rui Vale Sousa)


evva

terça-feira, janeiro 01, 2008

Regresso ao trabalho II



andré

New Year's Day

Por muitos anos que passem, este tema continua a ser para mim a melhor banda sonora deste dia. Aqui fica, com October como interlúdio. Acreditem, nothing changes on New Year's Day.




All is quiet on New Year's Day.

A world in white gets underway.

I want to be with you, be with you night and day.

Nothing changes on New Year's Day.

On New Year's Day.


I... will be with you again.

I... will be with you again.


Under a blood-red sky

A crowd has gathered in black and white

Arms entwined, the chosen few

The newspaper says, says

Say it's true, it's true...

And we can break through

Though torn in two

We can be one.


I... I will begin again

I... I will begin again.


Oh, oh. Oh, oh. Oh, oh.

Oh, maybe the time is right.

Oh, maybe tonight.


I will be with you again.

I will be with you again.

And so we are told this is the golden age

And gold is the reason for the wars we wage

Though I want to be with you

Be with you night and day

Nothing changes

On New Year's Day

On New Year's Day

On New Year's Day



[evva]