sábado, janeiro 19, 2008
sexta-feira, janeiro 18, 2008
quinta-feira, janeiro 17, 2008
A armadilha
quarta-feira, janeiro 16, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
A Guerra
Os que perderam, querem rever, ou não puderam ver os dois primeiros episódios do documentário de Joaquim Furtado, A Guerra, podem fazê-lo aqui.
Os restantes episódios podem ser encontrados, em partes divididas, no Google Video, usando como termo de pesquisa 'A Guerra' e acrescentado o número relativo ao episódio (ex. 3º).
O documentário é muito interessante e merece a pena ser visto.
É pena que, ao contrário de 'Portugal, um retrato social', esta série documental não esteja acessível no site da RTP.
andré
Olé!
segunda-feira, janeiro 14, 2008
domingo, janeiro 13, 2008
Retrato de uma princesa desconhecida
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Sophia de Mello Breyner, 16/10/95
Ángel González (1925-2008)
sábado, janeiro 12, 2008
Once around the block
You quiver like a candle on fire
I'm putting you out
Maybe tonight we could be the shout
But i'm fascinated by your style
Your beauty will last for a while
You're feeling instead of being
The more that I live on the inside
There's nothing to give
I'm infatuated by your moves
I've got to search hard for your clues
I want to repair your desire
And call it a gift
That I stole from just wanting to live
Now I see the vision through your eyes
Your innocence no longer fuels surprise
Trying to outrun your fear
Running to lose
Heart on your sleeve and your sole in your shoes
Take a left,
A sharp left
And another left, meet me on the corner
And well start, again.
Badly Drawn Boy, do álbum 'The hour of Bewilderbeast'
andré
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Luiz Pacheco
Dizias: como dantes e não era já nisso que pensavas, e não era já para mim que falavas, eu era uma coisa para esquecer, para deitar fora, uma coisa que se abandona caída no chão e se perde sem pena. Dizias: «adeus» e saías da minha vida com um aperto de mão desembaraçado, quase cordial um gesto de boa camarada, como se nada tivesse havido antes, como se não tivéssemos sido tantas vezes na cama, um dentro do outro, um no outro, um-outro diferente, uma coisa sublime: Deus Criador, como os míseros humanos só ali o podem sentir e saber; um Outro que éramos nós ainda, mas tão transtornados, tão virados para fora de nós, tão esquecidos do mundo e de nós, tão eficazes, tão leais, nós boca com boca, corpo a corpo, um sexo torturando um sexo, mordendo-se devorando-se, numa febre de chegar ao fim depressa, ao esquecimento, ao repouso. Disseste: adeus e eu odiei-te logo nesse minuto, como te odeio agora, não por ti ou pelo teu corpo que já me esqueceu noutros que vieram depois, mas porque morri ali naquela palavra, -morri entendes? -, perdi-me numa grande confusão, esqueci-me de ser eu, fiquei roubado do meu passado.
Hoje, encontrarias um outro homem; havia de rir-me do teu corpo, da sua entrega ou das suas traições, de tu me dizeres: «Vem» ou «Adeus...», ou «Não quero...». Hoje, saberias quem fizeste com uma só palavra, conhecerias um outro homem, que é obra tua, minha segunda mãe! Hoje, havia de rir ou chorar, era a máscara do momento; mas diria: tanto faz..., tanto me faz... Sabia-o!
[evva]
Abriu a caça
APONTAMENTO
[Há dias assim. Que felizmente passam.]
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
Álvaro de Campos
[evva]
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Appassionata
terça-feira, janeiro 08, 2008
Foi você que pediu…
…sonata for a good man?
andré
PS: E para que não haja dúvidas, o "Gabriel" da entrevista não é o anjo da anunciação mas sim Gabriel Yared, o compositor da banda sonora original do filme onde é possível encontrar este tema.
domingo, janeiro 06, 2008
Uma espécie de “playlist”
sábado, janeiro 05, 2008
"Chiclete..."
TEMPO. . .
terça-feira, janeiro 01, 2008
New Year's Day
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Os Bons Anos
domingo, dezembro 30, 2007
domingo, dezembro 23, 2007
la la la
Mais música: são os "la la la ressonance" e deram há pouco tempo um concerto no Passos Manuel, que eu - com pena minha - perdi para outras noitadas graças a esta vida de professora...
terça-feira, dezembro 11, 2007
He's back!
É pena que o actor por dentro do boneco não consiga disfarçar melhor a pronuncia eslava. Mas tá muita bem sacado!
andré
domingo, dezembro 09, 2007
Mulheres I

A propósito desta reportagem da Pública, pode-se encontrar um pequeno filme sobre o mesmo tema aqui.
andré
terça-feira, dezembro 04, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Em concerto
domingo, dezembro 02, 2007
sábado, dezembro 01, 2007
Dedicatórias
Dedicatória 1
2 em 1
Depois de ter começado a semana a delirar com a música do post anterior, não havia melhor do que terminar a ouvir a English Chamber Orchestra a tocar Bartok e Mendelssohn
e, na segunda parte, acompanhados pela solista Sara Chang, a tocar as Quatro Estações de Vivaldi, a peça que me iniciou na música clássica.
Foi uma boa semana. Foi foi.
andré
segunda-feira, novembro 26, 2007
Há dias assim
Tinha tudo para ser mais um fim de semana igual a tantos outros. Podia ser inserido na categoria "comum e meio chato".
Até que o telemóvel tocou. E, em vez de sair um convite para ir ver o Barcelona na tv, saiu um convite para ver isto
A reprodução não faz justiça à banda. É o Angelo Debarre Quartet, um quarteto fabuloso que toca o mesmo estilo de música do Django Reinhardt, e também alguns dos temas que o famoso guitarrista compôs. Foi um delírio!
andré
domingo, novembro 25, 2007
Livros
Tão queridos…
São os The Dears. Eu já tinha escutado este single mas nunca tinha conseguido entender o nome da banda. Até hoje.
andré
sábado, novembro 24, 2007
O combate do ano: VPV x MST

Caso ainda não tenham reparado, alguns media portugueses, talvez por falta de assuntos interessantes para cobrir, ou incapacidade de os encontrar (ou até por diversão… quem sabe…), têm gasto os seus recursos a alimentar e divulgar o combate entre Vasco Pulido Valente (VPV) e Miguel Sousa Tavares (MST).
Tudo parece ter começado a propósito de uma crítica que o primeiro terá feito a um livro do segundo - intitulado Equador -, crítica essa que, segundo MST afirma, VPV terá feito sem primero ter lido o livro.
O combate parece estar a processar-se da seguinte forma:
MST: entrevista no Expresso, artigos no DN, entrevista no programa Pessoal e Transmissível da TSF.
VPV: coluna semanal no Público e, hoje, artigo de profundidade do suplemento P2 do mesmo jornal, que parece ter sido escrito a pedido do próprio jornal (???!!!).
Como se pode ver, cada um faz uso dos recursos ao seu dispor, naquele que é, porventura, um dos casos mais interessantes de absoluta irrelevância jornalística.
Não percam os próximos episódios desta fantástica saga. Já estou a imaginar daqui a uns anos, uma edição especial do Prós e Contras em que a coitada da Fátima passará a maior parte do seu tempo a evitar que VPV e MST se peguem à bengalada. A não perder!
andré
PS: para uma próxima oportunidade fica outro caso, talvez mais interessante de analisar: o combate obsessivo de José Pacheco Pereira (JPP) à actual liderança do seu partido - o PSD - em particular ao seu líder, Luis Filipe Menezes (LFM).
PS2: a continuar assim, antes de iniciar os posts, terei de fazer uma lista de abreviaturas…
sexta-feira, novembro 23, 2007
Liga o teu RADAR!

O que é que faz um gajo, enfiado em casa com uma bruta de uma conjuntivite nos dois olhos, uma gripezita a chocar, e com um doutoramento que não pode esperar?
Vai à net e sintoniza a RADAR!
(…porra… isto é rima a mais…)
Aqui há a BBC, mas em Lisboa há a RADAR e a OXIGÉNIO, em Coimbra a RUC, e em Braga a RUM. E todas com emissão online. Música alternativa de ponta em rádios made in POR.
andré
PS: …no Porto, já não me lembro de uma rádio em condições desde que a gloriosa, e muito saudosa (snif…) XFM acabou.
domingo, novembro 18, 2007
Control (Anton Corbijn): Da fotografia travestida em cinema disfarçado de banalidade poética
Sentei-me na Sala 1 do Cidade do Porto com as piores expectativas (já tinha visto o trailer antes de A Outra Margem) mas com uma ligeira, muito ligeira, esperança de ser surpreendida pelo biopic do melhor e mais fascinante songwriter de sempre e pela cinematografia de Anton Corbjin, cujas emblemáticas fotografias da banda povoaram a minha adolescência, apesar de desconfiar muito das aventuras cinematográficas de fotógrafos e realizadores de videoclips. O que mais temia, porém, era que o filme, em parte baseado na ridícula biografia de Deborah Curtis, Touching for a Distance (lançada em 1996 e que adquiri e li, revoltada, no mesmo ano), insistisse demasiado, como o livro, no ponto de vista da ‘viúva coitadinha e desgraçadinha’. O filme terminou e abandonei a sala com as expectativas confirmadas.
O argumento tem diálogos de uma displicência atroz, sobretudo no início da relação de Ian e Deborah (alguém compreendeu a razão pela qual Ian se apaixonou por ela?), e a estrutura elíptica agudiza essa sensação de superficialidade. Annik, o terceiro vértice do triângulo, é praticamente reduzida a um cliché. A forma como a relação extraconjugal é tratada permite-nos concluir que o interesse de Ian por Annik se deveu simplesmente a um desejo sexual motivado por sentimentos de repulsa da monotonia suburbana do casamento com Deborah, o que acaba por desmerecer Ian e Annik, como é óbvio, mas também a própria Deborah num lamentável tiro no pé.
E que dizer do processo criativo do songwriter? Sim, Curtis idolatrava Bowie, Lou Reed e Iggy Pop, sim, recitava Wordsworth de cor, e…? A este nível, e para além da exiguidade e da linearidade como são expostas as suas influências, há da parte dos argumentistas (um deles, Deborah herself) um erro crasso na forma como interpretam cada tema escrito por Curtis, fazendo derivar quase todas as canções da sua biografia pessoal («O poeta é um fingidor», sublinhou Fernando Pessoa, não nos esqueçamos, e Curtis tinha a exacta noção dessa ficcionalidade): “She’s lost control” é apresentada como uma referência ao ataque epiléptico que presenciou enquanto trabalhava no centro de emprego, “Love will tear us apart” reporta-se directamente ao desmoronar do casamento, etc, etc. Tudo isto secundariza irremediavelmente a que é para mim a maior qualidade do vocalista dos Joy Division: mais do que um songwriter ele é um extraordinário poeta, com um notável sentido da expressão. Curtis soube exprimir como poucos o ‘pessimisme fin-de-XXe siècle’, à imagem dos poetas franceses do final do século XIX. Veja-se New Dawn Fades:
A change of speed, a change of style,
A change of scene, with no regrets,
A chance to watch, admire the distance,
Still occupied, though you forget,
Different colours, different shades,
Over each mistakes were made.
I took the blame.
Directionless so plain to see,
A loaded gun won’t set you free.
So you say.
Well share a drink and step outside,
An angry voice and one who cried,
Will give you everything and more,
The strains too much, can’t take much more.
Oh, I’ve walked on water, run through fire,
Can’t seem to feel it anymore.
It was me, waiting for me,
Hoping for something more,
Me, see in me this time, hoping for something else.
Não consegui vislumbrar neste filme a pose urbano-depressiva que foi marca dos Joy Division e sobretudo de Ian Curtis. Na interpretação, falhada, de Sam Riley ele é pouco mais do que um apagado e epiléptico suburbano, com um olhar e presença em palco electrizantes. Ao tentar ‘copiar’ os gestos e o olhar de Curtis, a composição da personagem peca por falta de densidade, tudo ali é linear e trivial. Se Riley se tivesse descolado um pouco do original, poderia ter feito sua a personagem e não uma mera imitação, por vezes bem conseguida, do olhar e dos gestos em palco de um ícone. Compare-se a evocação de Charlie Parker, por Forrest Whitaker, em Bird, de Clint Eastwood, ou de Johnny Cash, por Joaquin Phoenix em Walk the Line, para se deduzir que construir uma personagem baseada numa lenda musical não é apenas imitar certos maneirismos do original. Até o destino final e fatal da personagem parece reduzir-se ao infortúnio de um jovem tímido que se casou cedo demais (e nunca conseguimos perceber bem porquê) e não aos sentimentos de tristeza, angústia, depressão, inadaptação social, alienação, paranóia e doença que as suas canções revelavam.
Por outro lado, quase nada nos é mostrado da forma como a banda evoluiu, de Warsaw para Joy Division, e interagiu musicalmente, criando um som único que influenciou e influencia ainda hoje muitas bandas (ouça-se com atenção os Interpol ou She Wants Revenge, que não recusam, bem pelo contrário, a herança) e que é indissociável dos últimos anos de vida de Ian Curtis que o filme pretende evocar. Não nego que os actores que incarnam os restantes membros da banda se tenham esforçado por transmitir a atmosfera dos concertos, mas a voz de Sam Riley é decepção pura, para ouvidos habituados à voz explosiva de Curtis. Corbjin deveria ter optado pela dobragem. A interpretação de ‘Isolation’ toca as raias da ópera cómica, sobretudo a deixa de Martin Hannett: «Genious!». Só não ri porque dá vontade de chorar.
Finalmente, há que dizer que a fotografia de Martin Ruhe é magnífica, como aliás seria de esperar num filme realizado por um superlativo fotógrafo, num preto e branco que tenta captar a atmosfera depressiva da suburbana Macclesfield de final dos anos setenta, apesar de ter sido filmado em Nottingham. Mas um filme tem de ser mais do que uma longa e lenta sucessão de boas fotografias. Falta a esta estreia de Anton Corbijn na realização de longas-metragens a noção do que pode e deve ser a narrativa em cinema.
Control é um retrato inócuo e desonesto, que não faz justiça a Ian Curtis. Mas não deixem de ir vê-lo e façam o vosso juízo. E depois, regressem a casa para ouvir, e ver, o original.
terça-feira, novembro 13, 2007
Daily match
domingo, novembro 04, 2007
sábado, novembro 03, 2007
A Outra Margem
quinta-feira, novembro 01, 2007
Rodrigo Leão

Esta é uma das músicas do mais recente álbum de Rodrigo Leão, a banda sonora do documentário televisivo 'Portugal, Retrato Social', que passou este ano na RTP. Foi sem dúvida uma combinação feliz entre realização, investigação e composição musical.
Eu gosto muito da música do Rodrigo Leão. Não porque é de excelente qualidade, não porque a acho inovadora, mas porque me soa bem, porque a acho bonita.
Agrada-me sentir que ele a faz por prazer, porque gosta, não porque quer provar alguma coisa, não porque está preocupado em seguir um estilo ou outro.
Pelo que ouço, parece gostar de música erudita e da música de cabaret (ou música ligeira, chamem-lhe o que quiserem), e, em ambos os casos, parece gostar sobretudo da voz.
Mas em algumas peças instrumentais a melancolia, also similar à que podemos encontrar nos Madredeus, invade tudo o resto. Como o mar. É linda, muito linda mesmo.
Enquanto escrevo, ouço 'Os Poetas - Entre nós e as palavras', obra em que participa com os companheiros do costume, Gabriel Gomes e Fraancisco Ribeiro, e que para mim é talvez a obra mais conseguida. Combinação perfeita entre música e poesia. A entoação forte e sóbria da voz de Herberto Helder em 'Minha cabeça estremece' e a voz frágil e incisiva de Mário Cesariny em 'Queria de ti um país…' transmitem momentos de absoluto delírio, igual ao das palavras que se ouvem.
Agora só me resta esperar até ouvir o novo álbum. Entretanto, vou continuando a rever o documentário, em que tudo é português. É como regressar a casa…
andré



Para todos/as que queiram ver ou rever os 7 episódios do documentário de António Barreto, realizado por Joana Pontes, e com música de Rodrigo Leão, aqui fica o link:
http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/portugal_retrato/index.shtm
andré
quarta-feira, outubro 24, 2007
terça-feira, outubro 23, 2007
Isto ainda vai demorar algum tempo a entender…
P. A palavra autoridade [nas relações familiares] tem para si uma carga positiva ou negativa?
R. Eu creio que em Portugal e em Espanha, onde vivemos ditaduras, a palavra autoridade está mal interpretada. Entende-se como fascismo ou ditadura. A autoridade é necessária. É necessária sobre nós mesmos: o auto-governo, a disciplina. Mas também faz falta no lar, na rua, na escola. E é fundamental o respeito. A uma mulher grávida, a uma pessoa mais velha, ás plantas, aos objectos dos outros.
Extrato da entrevista Pessoal e Transmissível de Carlos Vaz Marques na TSF, com Javier Urra, um psicólogo espanhol, a propósito do livro deste intitulado "O pequeno ditador".
sexta-feira, outubro 19, 2007
Sem rumo…
António Variações – Erva Daninha Alastrar
do álbum Dar e Receber
(Para ouvir um extrato da música, clique no icon play E NÃO no nome da música)
Só eu sei,
Só eu sei que sou terra,
Terra agrestre por lavrar,
Silvestre monte maninho,
Amora, fruto sem tratar.
Só eu sei que sou pedra,
Sou pedra dura de talhar,
Sou pedrada em aro,
Calhaus em forma de encastrar.
A cotação é o quiserem dar,
Não tenho jeito pra regatear,
Também não sei se a quero aumentar.
Porque eu não sei se me quero polir,
Também não sei se me quero limar,
Também não sei se quero fugir deste animal
Que ando a procurar.
Só eu sei que sou erva,
Erva daninha alastrar,
Joio trovisco, ameaça
Das ervas doces de enjoar.
Só eu sei que sou barro,
Dificil de se moldar,
Argila com cimento e cérebro,
Nem qualquer sabe trabalhar.
Em moldes feitos não me sei criar,
Em formas feitas podem-se quebrar,
Também não sei se me quero formar
Porque eu não se me quero polir,
Também não sei se me quero limar,
Também não se quero fugir deste animal
Que ando a procurar."
andré
quarta-feira, outubro 17, 2007
Descoberta tardia…
terça-feira, outubro 16, 2007
Mais Radiohead
In the deepest ocean
The bottom of the sea
Your eyes
They turn me
Why should I stay here?
Why should I stay?
I'd be crazy not to follow
Follow where you lead
Your eyes
They turn me
Turn me on to phantoms
I follow to the edge of the earth
And fall off
Everybody leaves
If they get the chance
And this is my chance
I get eaten by the worms
Weird fishes
Picked over by the worms
Weird fishes
Weird fishes
Weird fishes
I'll hit the bottom
Hit the bottom and escape
Escape
I'll hit the bottom
Hit the bottom and escape
Escape
Weird Fishes/Arpeggi (ainda antes do lançamento de In Rainbows)
andré
Sem rumo…
Everything is open
Nothing is set in stone
Rivers turn to ocean
Oceans tide you home
Home is where your heart is
But your heart had to roam
Drifting over bridges
Never to return
Watching bridges burn
Youre driftwood floating underwater
Breaking into pieces pieces pieces
Just driftwood hollow and of no use
Waterfalls will find you bind you grind you
Nobody is an island
Everyone has to go
Pillars turn to butter
Butterflying low
Low is where your heart is
But your heart has to grow
Drifting under bridges
Never with the flow
And you really didnt think it would happen
But it really is the end of the line
So Im sorry that you turned to driftwood
But youve been drifting for a long long time
Everywhere theres trouble
Nowheres safe to go
Pushes turn to shovels
Shovelling the snow
Frozen you have chosen
The path you wish to go
Drifting now forever
And forever more
Until you reach your shore
Youre driftwood floating underwater
Breaking into pieces p ieces pieces
Just driftwood hollow and of no use
Waterfalls will find you bind you grind you
And you really didnt think it would happen
But it really is the end of the line
So Im sorry that you turned to driftwood
But youve been drifting for a long long time
Youve been drifting for a long long time
Youve been drifting for a long long
Drifting for a long long time
andré
segunda-feira, outubro 15, 2007
Caramba…

… os Radiohead editaram um novo álbum! Agora não consigo fazer mais nada senão ouvi-lo. O pessoal no escritório não compreende porquê…
…insensíveis…
andré
sábado, outubro 13, 2007
Soneto dos 45 anos
por Fernando Pinto do Amaral. Mas que retrata com fidelidade os meus 35:
Que soubeste fazer da tua vida
depois de tantos anos à procura
do que chamavas terra prometida
no meio da floresta mais escura?
Por que deste consolo a essa ferida
que ainda continua a arder sem cura
se do teu coração não há saída
e o tempo te devora em lenta usura?
O que te ensina hoje cada dia
se já pouco te dói como doía
e tudo se transforma em quase nada?
Apenas o amor, que será só
memória de quem és, do pó ao pó
- cinza talvez, mas cinza apaixonada.
A Luz da Madrugada, Dom Quixote.
Tudo isto é fado, nada disto é cinema
De qualquer forma, para quem venera o fado como eu, há actuações inesquecíveis: Cuca Roseta com a melhor interpretação de SEMPRE de Rua do Capelão, ou Novo Fado da Severa (quem perceber mais disto do que eu, por favor elucide o título exacto da composição escrita pelo injustiçado Júlio Dantas*) e Lilla Downs a não envergonhar Lucília do Carmo na Travessa da Palha. Mas tudo isto não deixa de ser uma estranha forma de cinema.
evva
sexta-feira, outubro 05, 2007
Dia do professor
Aos colegas que hoje se manifestaram contra os tempos que correm (para trás).
Muito especialmente aos do ensino superior que, sem protecção no desemprego, estão tão fora deste tempo.
“En efecto, de no ser religiosos o no tener medios profesionales de fortuna, la situación de los profesores de humanidades era sencillamente angustiosa. Los documentos de Alcalá del siglo XVI nos hablan de las peticiones de ayuda económica del maestro Ibarra en 1572; los de Salamanca, de la súplica de ayuda en 1561 del bachiller Martín de Munguía “ora por vía de limosna, ora por vía de aumento de su cátedra”, porque era pobre y había servido a la universidad dando una clase de griego por 6000 maravedíes al año; y del préstamo de 100 reales de plata que le hizo el rector al catedrático de dicha materia, el maestro Gaspar de León, en 1591. La prosa burocrática de los documentos del siglo XVII refleja patéticamente en su estilo formulario las estrecheces económicas del profesorado. En Alcalá piden anticipos Sebastián de Lirio en 1605 y Fernando Caupena en 1614. [...]
Los documentos más desgarradores, sin embargo, son las peticiones de socorro de las viudas de los profesores salmantinos.”
Luis Gil Hernández (1997): Panorama Social del Humanismo Español (1500-1800), Madrid, Tecnos, p. 392.
Sónia
quinta-feira, outubro 04, 2007
Esta semana…


Esta semana, no meio de uma pilha de raiva que vinha acumulando desde a semana anterior, dei-me de frente com dois filmes sobre pais. O primeiro, já antigo, é o Interiors do Woody Allen. O outro, de 2006, é Dinamarquês, realizado por Susanne Bier, e chama-se Before the Wedding.
No primeiro é a figura da mãe, que como disse Herberto Helder “mexe aqui e ali” e é como um “poço de petróleo” na cabeça das filhas perturbadas pela insuportabilidade da sua presença. No segundo, é um pai que planeia em segredo a vida que quer para a sua família após a sua morte prematura. Dois filmes tocantes e de um poder emocional tremendo.
Puxa! Como é que a tristeza pode ser tão bela?!…
andré
…mas se calhar fui só eu e a minha irritação que os viram assim.
terça-feira, setembro 11, 2007
Bloggers de todo o mundo, uni-vos
Para quem não teve a oportunidade de disfrutar da Festa do Avante como teria gostado, porque ficou a trabalhar por cá ou porque foi trabalhar para lá, aqui fica uma hiperligação para saltar ao som da Carvalhesa:
http://www.youtube.com/watch?v=3ILYx0qewm0
Sónia
quinta-feira, setembro 06, 2007
O futuro fica lá à frente?
Nesta altura em que o ano lectivo reabre em muitas escolas, noutras é época de fecho. Queria sublinhá-lo recordando as notícias que, há algum tempo atrás, saíram a público sobre o fecho da EB2,3 Padre Agostinho Caldas Afonso, em Pias (Monção).
O encerramento da Escola em si não singulariza a notícia entre - infelizmente – muitas outras notícias do fecho de – infelizmente – muitas outras escolas pelo país fora. O que me faz trazer aqui esta situação em particular é o que a respeito da escola de Pias li em devido tempo no editorial da revista do meu sindicato (SPN informação, n.º17, Julho de 2007). O que torna esta situação especial é que esta mesma escola que o Ministério da Educação se propôs encerrar recebeu um prémio internacional de qualidade educativa atribuído pelo Conselho Ibero-americano em Honra da Qualidade Educativa. Passo a transcrever uma passagem do que li: “a única dúvida que persiste é saber se haverá representantes da EB2,3 de Pias na cerimónia de entrega do galardão atribuído, que vai ter lugar no Panamá, nos dias 13 e 14 de Setembro. Se essa presença se confirmar, será curioso saber a reacção das instituições oficiais promotoras do prémio, como Ministérios da Educação de países sul-americanos e a UNESCO, que vão entregar um prémio – anunciado como 'o mais importante reconhecimento outorgado a distintos e prestigiados profissionais e instituições líderes da educação ibero-americana, que promovem os valores éticos nas respectivas especialidades' - a uma escola que já não é, em nome da racionalidade.”
Mas não só em nome da racionalidade se diz fechar a escola: fala-se também em modernidade; fala-se em transferir docentes e discentes para instituições mais modernas e mais eficazes. Acontece que, em alguns desses casos, não se está a mudar para melhores escolas, mas sim para escolas tão boas, tão más ou piores que as de origem. Em alguns desses casos, os alunos têm que que percorrer maiores distâncias e por caminhos menos seguros que anteriormente. É verdade que, noutros tempos, as crianças – e bem pequenas – percorriam descampados e matos para ir à escola ou mesmo para trabalhar. Mas não são estes “tempos modernos”? Provalmente sim, mas à semelhança dos que Chaplin retrata no seu fabuloso filme.
Preferia ter-me “estreado” no blog com um tom menos amargo. Preferia ter falado de música ou de outras coisas de que gosto, mas, enfim, sou professora e não perdi a capacidade de indignação – algo para que sim se deveriam definir serviços mínimos...
Sónia
quinta-feira, agosto 30, 2007
The Notwist II
http://www.youtube.com/watch?v=MpWRLnpmLgk
(Para ver o videoclip, clique no link. A função embeded do Youtube não está disponível)
One step inside doesn't mean you'll understand
Álbum Neon Golden, 2002
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Prepare your shoes not to come back soon
Prepare your heart not to stop too soon
You cannot walk with us
One step inside doesn't mean you'll understand
One step inside doesn't mean I'm yours
In your world my feet are out of step
And my arms won't move, my hands won't grab
I will never read your stupid map
So don't call me incomplete
You're the freak
andré
The Notwist
Pilot
Álbum Neon Golden, 2002
----------------------------------
He's living next to rails.
He can tell you things of different cars and trains.
Now he's trying the whole day to switch off time
by causing train-delay.
Could be enough if only he's the pilot once a day.
Not a word to compensate.
Not a sentence to describe this desperate state.
Not a Picture to compare.
We step into a room of opaque air.
Could be enough if only we are pilots once a day.
andré


























