sábado, janeiro 26, 2008

Avaliação de desempenho dos professores


Leiam a notícia transcrita abaixo e, apesar de o desrespeito pela classe ser prática corrente, mantenham a indignação acesa! É o sintoma de que nem nos habituámos a ele nem nos começámos a desrespeitar  a nós próprios...

Divulgadas fichas de avaliação de desempenho dos professores
O Ministério da Educação disponibilizou sexta-feira à noite as fichas de avaliação de desempenho dos professores no seu endereço electrónico.

Os dados foram divulgados cerca das 23:30 de sexta-feira, o dia anunciado pelo ministério para a divulgação das referidas fichas.

A Fenprof questiona o valor jurídico das fichas, que não vão ser publicadas em Diário da República mas apenas objecto de um despacho da ministra da Educação e já anunciou que recorrerá aos tribunais.

"O ministério diz que sexta-feira há fichas e grelhas de avaliação no seu sítio para que as escolas consultem e nós queremos saber como é que isto acontece se essas fichas nem sequer foram negociadas com os sindicatos", afirmou no início da semana à agência Lusa Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof.

"E mais: para que é que serve uma comissão científica de avaliação [Conselho Cientifico para a Avaliação de Professores - CCAP] que segundo a lei deveria pronunciar-se sobre essas fichas e não vai analisá-las nem ser tida em conta porque não está sequer constituída?", acrescentou.

"Isso é um absoluto disparate. As fichas sairão num despacho da ministra da Educação que não carece de mais nenhuma validação. Esse despacho será publicado oportunamente, sendo desde já divulgadas as fichas", afirmou à Lusa o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, em resposta às denúncias da Fenprof.

Jorge Pedreira recordou ainda, por exemplo, que os despachos de nomeação de dirigentes são publicados depois de estes já estarem em funções, produzindo efeitos a partir de determinada data.

Garantindo que a avaliação de desempenho vai mesmo realizar-se, o secretário de Estado assegurou que os sindicatos foram ouvidos sobre as fichas de avaliação, não tendo apresentado nenhuma contra-proposta significativa, "apesar de terem sido desafiados a fazê-lo".

"Recebemos apenas uma contra-proposta muito substancial, de um dos 14 sindicatos, relativa à avaliação de professores da educação especial, que foi tida em conta nas fichas de avaliação desses docentes", acrescentou.

Sublinhando que a Comissão Científica não tem de se pronunciar sobre as fichas de avaliação, ao contrário do que afirma a Fenprof, Jorge Pedreira sublinhou que a avaliação de desempenho este ano "só terá expressão classificativa" para os docentes contratados e para os outros, a larga maioria, apenas no próximo ano lectivo.

Diário Digital / Lusa 

26-01-2008 9:12:58


Bom fim-de-semana (apesar de tudo...)
Sónia


sexta-feira, janeiro 25, 2008

Num quiosque perto de si


Face à anunciada decisão do Governo de proceder a alterações à legislação laboral que, ao que se conhece, vão todas no sentido de piorar as já gravosas disposições do Código de Trabalho, aprovado em 2003, o PCP decidiu lançar uma  acção nacional de denúncia destas intenções do Governo, que contrariam, aliás, os compromissos assumidos na altura pelo PS, e repetidos na campanha eleitoral de alterar os aspectos mais gravosos do Código.

Ao contrário, e escondido atrás da Comissão do Livro Branco, a quem encomendou a justificação técnica para as suas opções políticas, o Governo do PS prepara-se agora para introduzir alterações lesivas dos direitos laborais, desregulamentando, precarizando e fragilizando ainda mais a posição dos trabalhadores por conta de outrem.

Nesse quadro, o PCP publicou ontem uma edição especial do jornal Avante!, incluindo um suplemento sobre estas matérias. O jornal foi vendido nas ruas e nas fábricas, mas está ainda à venda nas bancas e pode também ser consultado em http://www.avante.pt/

nota de imprensa do PCP, adaptada por


Sónia

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Não me convenceu



Aqui, tal como em 'Sensibilidade e bom senso'
ou em 'Trigre e o dragão', Ang Lee parece-me
mais um realizador americano do que oriental.
Tudo muito estilizado, asseado, e previsivel.
E se nos filmes anteriores isso não me incomodou,
neste tirou-me grande parte do encanto. Até
porque estamos perante uma bonita história de amor.
De qualquer modo, a interpretação dos actores é notável!


andré

quarta-feira, janeiro 23, 2008

A pedido de várias famílias...

missed me

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister i might tell my sister
if i tell her mister she might tell my mother and my
mother, mister, just might tell my father and my father
mister he won't be too happy and he'll have his lawyer
come up from the city and arrest you mister 
so i wouldnt miss me if you get me, mister, see?

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister you must think im pretty 
if you think so mister you must want to fuck me 
if you fuck me mister it must mean you love me 
if you love me mister you would never leave me
it's as simple as can be!

missed me missed me now you've got to kiss me
if you miss me mister why do you keep leaving
if you trick me mister i will make you suffer
and they'll get you mister put you in the slammer and forget 
you mister then i think you'll miss me won't you miss me 
won't you miss me

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister take responsibility
i'm fragile mister just like any girl would be
and so misunderstood (so treat me delicately!)

missed me missed me now you've gone and done it
hope you're happy in the county penitentiary
it serves you right for kissing little girls but i will visit if you miss me
do you miss me? MISS ME??
how's the food they feed you??
do you miss me
will you kiss me through the window?
do you MISS ME? MISS ME??!!
will they ever let you go???
i miss my mister so!!!!


 The Dresden dolls

in: http://www.dresdendolls.com/downloads_n_lyrics/lyrics/missedme.htm 

Sónia


Dresden dolls

Alguém sabe pôr a bolinha vermelha no canto de um blog?






(espero que não...)


Sónia

terça-feira, janeiro 22, 2008



you say my love for you's not real
but you don't know how real it feels
all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

your sister says that I'm no good
I'd reassure her if I could
all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

friends fail every day
I want to hear you say
you're
love won't be leavingyour eyes aren't deceiving

fears will soon fade away
smile now, don't be afraid

all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

so let me whisper in your ear
don't you worry they can't hear
all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

This Mortal Coil

You and your sister
Álbum Blood

andré

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Mientras tú existas




Mientras tú existas,
mientras mi mirada te busque más allá de las colinas,
mientras nada
me llene el corazón,
si no es tu imagen, y haya
una remota posibilidad de que estés viva
en algún sitio, iluminada
por una luz cualquiera...

Mientras
yo presienta que eres y te llamas
así, con ese nombre tuyo
tan pequeño,
seguiré como ahora, amada
mía,
transido de distancia,
bajo ese amor que crece y no se muere,
bajo ese amor que sigue y nunca acaba.


Ángel González




Fue maestro nacional, licenciado en Derecho por la Universidad de Oviedo y periodista por la Escuela Oficial de Periodismo de Madrid. Enseñó Literatura Española Contemporánea en laUniversidad de Alburquerque, U.S.A., habiendo sido profesor visitante en las de Nuevo México, Utah, Maryland y Texas.Miembro de la Real Academia Española, fue galardonado, entre otros, con el Premio Antonio Machado en 1962, el Premio Príncipe de Asturias en 1985, el Reina Sofía de Poesía Iberoamericana en 1996 y el Primer Premio Internacional de Poesía Ciudad de Granada en el año 2004.De su obra se destacan los títulos: "Áspero mundo" 1955 , "Sin esperanza, con convencimiento"1961, "Grado elemental" 1961, "Tratado de urbanismo" 1967, "Breves acotaciones para unabiografía" 1971, "Prosemas o menos" 1983, "Deixis de un fantasma" 1992 y su último libro,"Otoño y otras luces" 2001.



[evva]

sábado, janeiro 19, 2008

Let´s look at a trailer

A ver hoje, às 22h30 no Canal AXN, o "remake" deste clássico por Gus van Sant.




Sónia

19 de Janeiro


Dia Nacional Nacional de luto contra o Estatuto da Carreira Docente imposto pelo M.E.


Outro luto, pessoal, doloroso e intransponível, é o das famílias das duas bebés que morreram por estes dias: uma, ontem,  às portas do hospital de Anadia, e a outra, de Carregal do Sal, na quinta-feira, ainda na ambulância. Em ambos os casos houve evidente falta de meios de prestação de cuidados.
Não é  aqui abuso nem instrumentalização misturar dois lutos diferentes. Apenas manifesta tristeza pelo mesmo estado de coisas na Saúde e na Educação deste país.

Sónia

Canto Curto



Campeonato Europeu de Hóquei de Sala, divisão B
Copenhaga, Dinamarca


andré

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Era uma vez...



Los lunes al Sol, Fernado León de Aranoa (2002)

Sónia

quinta-feira, janeiro 17, 2008

A armadilha

Transcrevo (abaixo)  um artigo que considero urgente e necessário.


A fascinante tese do ensino da ignorância 


A educação de massa, que prometia democratizar a cultura, antigamente reservada às classes privilegiadas, acabou por embrutecer os próprios privilegiados. 
C. Lasch. 


Em Dezembro, o estudo da OCDE afirmava: os alunos portugueses de 15 anos estão abaixo da média entre 57 países a Ciências, Matemática e Leitura. Este facto gerou mais um conceito "eduquês" de um secretário de Estado que disse à TV qualquer coisa do tipo "Os alunos são ignorantes porque são reprovados" já que os resultados se devem em larga medida às elevadas taxas de retenção. Tão irresponsável doutrina dá crédito a uma curiosa tese da qual se pincelam os traços principais abaixo. 

Humanidade supra-numerária 
A correspondência entre "progresso da ignorância" e declínio da inteligência crítica é evidente, como o é a necessidade de competência linguística elementar para o exercício do juízo crítico. Isto assente, porque se aprofunda e tolera a i1iteracia que o quotidiano e estudos demonstram? 

Michéa atribui-a à implantação da Escola do Poder Transnacional assente em reformas perversamente justificadas pela "democratização do ensino" e "adaptação ao mundo moderno". 

Ilustra a teoria com reunião de "quinhentos homens políticos, líderes económicos e científicos de primeiro plano", em S. Francisco, que concluiu que "no século XXI, dois décimos da população activa serão suficientes para manter a actividade da economia mundial", pondo a questão: como manter a governabilidade dos oitenta por cento da humanidade supra-numerária? 

A solução mais razoável lá defendida é do conhecido Z. Brzezinsky: "criando 'cocktail' de diversão embrutecedora e alimentação suficiente que permita manter o humor dessa população". Este cínico objectivo implicaria reconfigurar o sistema educativo do modo que se passa a sintetizar e se vem assistindo. 


Excelência para pouco
Primeiro, há que manter um selectivo sector de excelência que forme as elites científicas e de gestão, enformado pelo modelo da escola clássica, criador de espírito crítico. 

No escalão seguinte, ensinam-se competências técnicas com semi-vida estimada de dez anos e ligadas a tecnologias efémeras. Competências descartáveis quando as tecnologias são superadas e cuja aprendizagem não exige autonomia, nem criatividade e, no limite, pode ser feita em casa, frente ao computador. Ajustada ao ensino multimédia à distância proporciona negócio às grandes firmas e torna dispensáveis milhares de professores, sonho economicista e político dos meios do poder. 


Ignorância para muitos 
Resta o escalão dos supra-numerários (com emprego precário e flexível) que, "jamais constituirão um mercado rentável" e a quem "a transmissão de saberes críticos e mesmo de comportamento cívicos e o encorajamento à rectidão e à honestidade" é indesejável. 

A esses se destina a escola dos grandes números, a escola que deve ensinar a ignorância coerente com Brzezinsky. É a escola que produz ignorantes diplomados, incapazes de compreender um texto, ou serem proficientes em matemática. O ensino da ignorância é objectivo ao qual os professores tradicionais, apesar de excepções, se ajustam mal o que implica a sua reeducação por neo-especialistas em ciências da educação. 

Estes peritos têm por missão impor condições de "dissolução da lógica" no Ensino, real revolução cultural porque, até recentemente, "toda a gente pensava com um mínimo de lógica, com a notável excepção dos cretinos e dos militantes" . Os professores tornar-se-ão animadores de actividades transversais e assistentes psicológicos. A escola será um espaço acrítico, um local de animação (Thanksgiving, Halloween ... ) confiada a associações de pais, aberto a todas as mercadorias tecnológicas ou culturais. 


Fascinante e preocupante! 
Difícil acreditar que haja esta estratégia capitalista específica, mas as mesmas consequências resultam de políticas incompetentes e do deslumbramento estrangeirado que assolam o país. E imperativo de cidadania reverter decisões e políticas que alicerçam um Ensino da Ignorância que converta 80% dos portugueses em supra numerários embrutecidos de uma UE, ela própria, ameaçada pelo mesmo mal. 


Manuel Gonçalves da Silva, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL e membro do painel Ciência e Sociedade 
in "Diário Económico" (http://www.diarioneconomico.com)

Sónia

Sobre "Tesoros"


Monty Python and the Holy Grail
Sónia

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Tesoros

Vejam só o que encontrei aqui na Complutense:

As trezentas e tal páginas estao (mas onde é que os espanhóis poem o til nestes teclados?) digitalizadas aqui.

evva

terça-feira, janeiro 15, 2008

A Guerra

Os que perderam, querem rever, ou não puderam ver os dois primeiros episódios do documentário de Joaquim Furtado, A Guerra, podem fazê-lo aqui.
Os restantes episódios podem ser encontrados, em partes divididas, no Google Video, usando como termo de pesquisa 'A Guerra' e acrescentado o número relativo ao episódio (ex. 3º).
O documentário é muito interessante e merece a pena ser visto.
É pena que, ao contrário de 'Portugal, um retrato social', esta série documental não esteja acessível no site da RTP.

andré

Boa Viagem (II)



Domenico Modugno - Nel blu di pinto di blu (Volare), 1958

Sónia

Barajas


Terminal 4
(in http://www.retratoiberico.com)


Sónia

Olé!

Napoleon During the Surrender of Madrid, 4th December 1808
Antoine-Jean Gros


Algumas propostas:


1) Perto da Bilioteca Nacional ou menos perto, mas a articular com os horários de entrada/saída, há alguns lugares imperdíveis. Estão, por um lado, cafés emblemáticos como o do Círculo de Bellas Artes e o Cafe Museo Chicote, ali em direcção à Gran Vía, para tomar uma caña ou um cortado e desempoeirar dos manuscritos. Por outro lado, para alimentar corpo e alma, eu sugeria o chocolate con churros da Churrería San Ginés (na rua do mesmo nome, perto da Calle Mayor) ou os bocadillos do bar (rasca, sem deixar de ser um clássico) ali perto da estação de Atocha / museu Reina Sofía.


2) Para a noite, há outros "antros". Em estilo castiço, a zona de Lavapiés, onde podem comer numa tasca galega: o Café Melo's Bar (pedir de tudo: croquetas, zapatilla, morcilla de arroz, pimientos de padrón e regar com Ribeiro) e ir depois, um pouco abaixo, tomar café ou um gelado para sobremesa no clássico (mas abusivamente caro) Café Barbieri. Para prolongar a noite, sem ir mais longe, um licor de medronho (ou qualquer um dos milhentos) que podem encontrar na licorería que tem registada a patente do licor da cidade (o de medronho). Para terminar em ambiente popular, Candela um conhecidíssimo bar de flamenco. A minha zona mais habitual era, contudo, Malasaña, que, embora sendo predominantemente alternativa, oferece possibilidades para todos os gostos. Jantar na baratinha e suprema Pizaría Maravillas (Calle de la Palma) para depois digerir o jantar na Tetería de la abuela ali ao pé, na licorería em frente desta última ou nos muitos bares da zona. Os clássicos (pop/rock): La vaca austera e La vía láctea. Uma proposta mais clássica, levar-vos-ia à Plaza de Santa Ana, onde encontram o Café Central (Jazz), La taberna de Alicia (celta), e um de música clássica cujo nome não me lembro. Especiais são as Cuevas de Sésamo (piano bar), de tradição boémia e literária. Imperdoável não beber sangria! Se quiserem aligeirar o ritmo e acalmar, ali mesmo na praça, está o Teatro Español e um pouco abaixo a Filmoteca (Cine Doré).


Para os recuerdos, porque não comprar caramelos em Espanha é  "como ir a Roma e não ver o Papa" (algo que eu, ateia, penso nunca vir a fazer): Caramelos Paco (Metro: Toledo) é quase um museu do rebuçado! Os tradicionais de Madrid são os caramelos a la violeta, que parecem as mesmas flores cristalizadas. Também em qualquer boa perfumaria do centro, poderás encontrar os produtos Gal: sabonetes, coloretes e vaselinas em versão de museu. Outra aposta é a padaria saindo dos arcos da Plaza Mayor (como descendo para o Rastro) onde se pode comprar o melhor pão de cebola e pão de alho que já comi! Se tiverem coragem para vir cá depois da viagem, tragam este pãozinho e eu ofereço uma ceia ligeira e, já que me puseste à vontade, traz um a mais para eu guardar, que tenho saudades a matar destes sabores.


Não esquecendo ao que vão: Librería Visor (Metro: Moncloa). É uma livraria/editora especializada na área de Filologia. De facto, é a que trabalha com a Faculdade de Filologia da Complutense. E mesmo ao lado de Atocha, na "Cuesta... qualquer coisa" (Cuesta Moyano, creio), uma feira permanente (ou quase) do livro usado/antigo, onde se encontram verdadeiras raridades.


!Que lo pases bien!


Sónia

(imagem: evva)

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Boa viagem!


Christina Rosenvinge
(Christina y Los subterráneos, "Voy en un Coche")


Sónia

Vincent Delerm

o primeiro clip



(c) L'eolienne 2005


Sónia

domingo, janeiro 13, 2008

sotto le stelle del jazz



Paolo Conte ao vivo em Amsterdão 

Sónia

Retrato de uma princesa desconhecida


Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino

Sophia de Mello Breyner, 16/10/95


[evva]

Ángel González (1925-2008)



Para que yo me lIame Ángel González 

Para que yo me llame Ángel González, 
para que mi ser pese sobre el suelo, 
fue necesario un ancho espacio 
y un largo tiempo: 
hombres de todo mar y toda tierra,
fértiles vientres de mujer, y cuerpos 
y más cuerpos, fundiéndose incesantes 
en otro cuerpo nuevo. 
Solsticios y equinoccios alumbraron
con su cambiante luz, su vario cielo, 
el viaje milenario de mi carne
trepando por los siglos y los huesos.
De su pasaje lento y doloroso 
de su huida hasta el fin, sobreviviendo 
naufragios. aferrándose 
ai último suspiro de los muertos. 
ya no soy más que el resultado. el fruto,
lo que queda, podrido, entre los restos: 
esto que veis aquí. tan sólo esto: 
un escombro tenaz. que se resiste 
a su ruina, que lucha contra el viento,
que avanza por caminos que no llevan
a ningún sitio. EI éxito 
de todos los fracasos. La enloquecida
fuerza del desaliento ... 


(Áspero mundo, 1956


Texto: in Antonio Sáez Delgado (selecção introdução e notas), 20 Poetas Espanhóis do século XX, Castelo Branco,  Alma Azul, 2003.
Imagem: in www.cervantes virtual.com  (7 y 8 de noviembre de 1997. Homenaje al poeta celebrado en Oviedo. "Ángel González en la Generación del 50. Diálogo con los poetas de la experiencia").

Sónia

Bom Domingo!



Sónia e evva

sábado, janeiro 12, 2008

Once around the block



You quiver like a candle on fire
I'm putting you out
Maybe tonight we could be the shout
But i'm fascinated by your style
Your beauty will last for a while

You're feeling instead of being
The more that I live on the inside
There's nothing to give
I'm infatuated by your moves
I've got to search hard for your clues

I want to repair your desire
And call it a gift
That I stole from just wanting to live
Now I see the vision through your eyes
Your innocence no longer fuels surprise

Trying to outrun your fear
Running to lose
Heart on your sleeve and your sole in your shoes
Take a left,
A sharp left
And another left, meet me on the corner
And well start, again.

Badly Drawn Boy, do álbum 'The hour of Bewilderbeast'


andré

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Luiz Pacheco

[Procurei este texto no Domingo passado, quando acordei com a notícia, mas na confusão de livros e papéis cá de casa só hoje o encontrei. Pacheco detestaria o lugar comum, mas não há melhores palavras para descrever um escritor do que as suas. E que Escritor! Não se distraiam com o folclore do pedófilo, libertino e bissexual. LEIAM-NO!]

CARTA A FÁTIMA

Lembras-te Fátima? era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? quem se lembrará de mim? se nem tu já te lembras de mim agora, tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes...

Dizias: como dantes e não era já nisso que pensavas, e não era já para mim que falavas, eu era uma coisa para esquecer, para deitar fora, uma coisa que se abandona caída no chão e se perde sem pena. Dizias: «adeus» e saías da minha vida com um aperto de mão desembaraçado, quase cordial um gesto de boa camarada, como se nada tivesse havido antes, como se não tivéssemos sido tantas vezes na cama, um dentro do outro, um no outro, um-outro diferente, uma coisa sublime: Deus Criador, como os míseros humanos só ali o podem sentir e saber; um Outro que éramos nós ainda, mas tão transtornados, tão virados para fora de nós, tão esquecidos do mundo e de nós, tão eficazes, tão leais, nós boca com boca, corpo a corpo, um sexo torturando um sexo, mordendo-se devorando-se, numa febre de chegar ao fim depressa, ao esquecimento, ao repouso. Disseste: adeus e eu odiei-te logo nesse minuto, como te odeio agora, não por ti ou pelo teu corpo que já me esqueceu noutros que vieram depois, mas porque morri ali naquela palavra, -morri entendes? -, perdi-me numa grande confusão, esqueci-me de ser eu, fiquei roubado do meu passado.

Hoje, encontrarias um outro homem; havia de rir-me do teu corpo, da sua entrega ou das suas traições, de tu me dizeres: «Vem» ou «Adeus...», ou «Não quero...». Hoje, saberias quem fizeste com uma só palavra, conhecerias um outro homem, que é obra tua, minha segunda mãe! Hoje, havia de rir ou chorar, era a máscara do momento; mas diria: tanto faz..., tanto me faz... Sabia-o!


[evva]

Abriu a caça


Qual Alcácer com vista para os mosquitos! Comprar casas ou terrenos é nos saldos da Ota. E sempre ficava mais perto, não é verdade?

evva

APONTAMENTO

[Há dias assim. Que felizmente passam.]

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

[evva]

quarta-feira, janeiro 09, 2008


evva

Appassionata

Se Lenine tivesse perdido mais tempo a ouvir Beethoven não teria andado por aí a fazer asneiras.



evva

terça-feira, janeiro 08, 2008

Foi você que pediu…

…sonata for a good man?



andré

PS: E para que não haja dúvidas, o "Gabriel" da entrevista não é o anjo da anunciação mas sim Gabriel Yared, o compositor da banda sonora original do filme onde é possível encontrar este tema.

domingo, janeiro 06, 2008

Necrológica




Sónia

Uma espécie de “playlist”


É mais “uma espécie de prendinha” dos Reis Magos, a pensar nos outros membros do “Esplendor” (uma para cada um; descubram qual...), mas aberta a todos. Ajuda também a combater os tops natalícios e a superar a ressaca de tanto “Jingle bells”...
Boas músicas e bom dia de Reis!


Rober Wyatt
 “At  last I am free” in “Nothing can stop us” (Ryko/WEA,1982)
http://www.lastfm.com.br/music/Robert+Wyatt/_/At+Last+I+Am+Free+%28Album+Version%29


Patty Smith
“Where dutty calls” in “Dream of Life” (Arista, 1996)
http://www.lastfm.com.br/music/Patti+Smith/_/Where+Duty+Calls+%28Digitally+Remastered%2C+1996%29


Electrelane
“Eights steps” in “Axes” (Too pure/Beggars, 2005)
http://www.lastfm.com.br/music/Electrelane/_/Eights+Steps


Vincent Delerm
“Les Filles De 1973 Ont Trente Ans” in “Kensington square” (tot Ou tard/WM France, 2004)
http://www.lastfm.com.br/music/Vincent+Delerm/_/Les+Filles+De+1973+Ont+Trente+Ans+%28Version+Album%29



Sónia

sábado, janeiro 05, 2008

"Chiclete..."

("... mastiga, deita fora")

 
"Já não há socialistas; há pragmáticos: a maravilha elástica que ministra intensas alegrias aos abjurantes do esquerdismo e aos comunistas contritos, alvoroçadamente convertidos aos prestígios do capitalismo."
                                                                                                                                         Baptista-Bastos , "Diário de Notícias", 02-01-2008


COM A DEVIDA HOMENAGEM AO AUTOR, AO AMIGO QUE ME DEU A CONHECER A FRASE E À CÉLEBRE CANÇÃO DOS TAXI


Sónia

TEMPO. . .


Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e
outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente...


(Carlos Drummond de Andrade)

 Um Bom Ano de 2008


Sónia


Hoje está um tempo verdadeiramente galego-português.


(Nevoeiro, de Rui Vale Sousa)


evva

terça-feira, janeiro 01, 2008

Regresso ao trabalho II



andré

New Year's Day

Por muitos anos que passem, este tema continua a ser para mim a melhor banda sonora deste dia. Aqui fica, com October como interlúdio. Acreditem, nothing changes on New Year's Day.




All is quiet on New Year's Day.

A world in white gets underway.

I want to be with you, be with you night and day.

Nothing changes on New Year's Day.

On New Year's Day.


I... will be with you again.

I... will be with you again.


Under a blood-red sky

A crowd has gathered in black and white

Arms entwined, the chosen few

The newspaper says, says

Say it's true, it's true...

And we can break through

Though torn in two

We can be one.


I... I will begin again

I... I will begin again.


Oh, oh. Oh, oh. Oh, oh.

Oh, maybe the time is right.

Oh, maybe tonight.


I will be with you again.

I will be with you again.

And so we are told this is the golden age

And gold is the reason for the wars we wage

Though I want to be with you

Be with you night and day

Nothing changes

On New Year's Day

On New Year's Day

On New Year's Day



[evva]

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Os Bons Anos


«Em um Mundo tão avarento de bens, onde apenas se encontra com um bom-dia, ter obrigação de dar bons-anos, dificultoso empenho! Deus, que é autor de todos os bens, os dê a Vossas Reais Majestades felicíssimos (mui altos e mui poderosos Reis e Senhores nossos) com a vida, com a prosperidade, com a conservação e aumento de estados que as esperanças do Mundo publicam, que o bem da Fé Católica deseja, que a Monarquia de Portugal há mister e que eu hoje quisera prometer e ainda assegurar. Em um Mundo, digo, tão avarento de bens, onde apenas se encontra com um bom-dia, ter obrigação de dar bons-anos, dificultoso empenho! E na minha opinião cresce ainda mais esta dificuldade, porque isto de dar bons-anos, entendo-o de diferente maneira do que comummente se pratica no Mundo. Os bons-anos não os dá quem os deseja, senão quem os assegura

Padre António Vieira, Sermão dos Bons Anos (1642)


[evva]

domingo, dezembro 30, 2007

sábado, dezembro 29, 2007


A tentar sobreviver à ressaca de uma gripe com... trabalho.


evva

domingo, dezembro 23, 2007

Feliz Natal




andré

la la la

Mais música: são os "la la la ressonance" e deram há pouco tempo um concerto no Passos Manuel, que eu - com pena minha - perdi para outras noitadas graças a esta vida de professora...

A banda é portuguesa e apresenta-se como tendo transitado de um trabalho de "experimentalismo e improvisação"  (em "The Astonishinh Urbana Fall") para uma actividade pautada pelo " formalismo, abstracção e ironia. " São muitos rótulos...: a banda já tem um album ("Palissade"); nada como ouvi-lo.  A não perder também: a página web dos lllr em : http://lalalaressonance.com


Sónia

terça-feira, dezembro 11, 2007

He's back!



É pena que o actor por dentro do boneco não consiga disfarçar melhor a pronuncia eslava. Mas tá muita bem sacado!

andré

domingo, dezembro 09, 2007

Mulheres I



A propósito desta reportagem da Pública, pode-se encontrar um pequeno filme sobre o mesmo tema aqui.

andré

Mulheres II




andré

terça-feira, dezembro 04, 2007

O regresso



António Sérgio de novo no ar. Na Radar. Todos os dias, das 23 à 1. Viriato 25.

andré

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Em concerto





Novo, novo... não será. A música é honestamente revivalista: Joy Division, The Clash, The Dead Kennedys... mas sabe lindamente!
São os "Nouvelle Vague", para quem quiser ver e ouvir, no Sá da Bandeira, dia 6. 


Sónia

domingo, dezembro 02, 2007

sábado, dezembro 01, 2007

Dedicatórias

Dedicatória 1

A quem parou, 

Porque para haver música é preciso haver silêncio, é de agradecer a quem parou durante a greve de ontem da função pública.  Esta  dedicatória é especialmente para os professores, que não pensaram na aula desse dia, que ficou por dar, mas em como terão que dar todas as que virão depois; que não pensaram no prejuízo dos seus alunos desse dia e deste ano, mas no benefício desses e de todos os que virão. Porque há momentos em que trabalhar, de qualquer forma e a qualquer preço, é mais indigno do que parar.

Dedicatória 2
A um mês que passou,

Para uma despedida simpática de Novembro:
http://www.lastfm.com.br/music/Julie+Doiron/_/Snow+Falls+In+November


Dedicatória 3
Ao feriado de hoje?

O direito à autodeterminação é sempre de celebrar, mas olhando bem para o lado... não seria melhor fazê-lo discretamente? Para quê os foguetes? Porquê  a festa?


Sónia


2 em 1

Depois de ter começado a semana a delirar com a música do post anterior, não havia melhor do que terminar a ouvir a English Chamber Orchestra a tocar Bartok e Mendelssohn



e, na segunda parte, acompanhados pela solista Sara Chang, a tocar as Quatro Estações de Vivaldi, a peça que me iniciou na música clássica.



Foi uma boa semana. Foi foi.

andré

segunda-feira, novembro 26, 2007

Há dias assim

Tinha tudo para ser mais um fim de semana igual a tantos outros. Podia ser inserido na categoria "comum e meio chato".
Até que o telemóvel tocou. E, em vez de sair um convite para ir ver o Barcelona na tv, saiu um convite para ver isto



A reprodução não faz justiça à banda. É o Angelo Debarre Quartet, um quarteto fabuloso que toca o mesmo estilo de música do Django Reinhardt, e também alguns dos temas que o famoso guitarrista compôs. Foi um delírio!


andré

domingo, novembro 25, 2007

Livros


«[uma] sala que parecia um cruzamento entre a biblioteca e o estúdio de um cavalheiro do século dezassete. A ajuizar pelos livros atrás da rede entrecruzada do armário de madeira, vermelho e grande como um roupeiro, o século do cavalheiro até podia ter sido o dezasseis. Havia cerca de sessenta volumes gordos, brancos, encadernados a pergaminho, de Alceu a Zenão; o suficiente, em suma, para um cavalheiro; mais fariam dele um pensador, o que teria efeitos desastrosos nas suas maneiras ou no seu património»


Do livro de Joseph Brodsky que muito me acompanhou nas últimas férias, Marca de Água (1940), sublinhados meus.


Se o meu património está irremediavelmente lesado, que dizer das maneiras? Ou as palavras adequar-se-ão apenas a 'cavalheiros'? Pelo sim pelo não, desconfiem sempre dos que albergam em casa mais de seis dezenas de volumes.


evva

Tão queridos…



São os The Dears. Eu já tinha escutado este single mas nunca tinha conseguido entender o nome da banda. Até hoje.

andré

sábado, novembro 24, 2007

O combate do ano: VPV x MST




Caso ainda não tenham reparado, alguns media portugueses, talvez por falta de assuntos interessantes para cobrir, ou incapacidade de os encontrar (ou até por diversão… quem sabe…), têm gasto os seus recursos a alimentar e divulgar o combate entre Vasco Pulido Valente (VPV) e Miguel Sousa Tavares (MST).
Tudo parece ter começado a propósito de uma crítica que o primeiro terá feito a um livro do segundo - intitulado Equador -, crítica essa que, segundo MST afirma, VPV terá feito sem primero ter lido o livro.

O combate parece estar a processar-se da seguinte forma:
MST: entrevista no Expresso, artigos no DN, entrevista no programa Pessoal e Transmissível da TSF.
VPV: coluna semanal no Público e, hoje, artigo de profundidade do suplemento P2 do mesmo jornal, que parece ter sido escrito a pedido do próprio jornal (???!!!).

Como se pode ver, cada um faz uso dos recursos ao seu dispor, naquele que é, porventura, um dos casos mais interessantes de absoluta irrelevância jornalística.
Não percam os próximos episódios desta fantástica saga. Já estou a imaginar daqui a uns anos, uma edição especial do Prós e Contras em que a coitada da Fátima passará a maior parte do seu tempo a evitar que VPV e MST se peguem à bengalada. A não perder!

andré



PS: para uma próxima oportunidade fica outro caso, talvez mais interessante de analisar: o combate obsessivo de José Pacheco Pereira (JPP) à actual liderança do seu partido - o PSD - em particular ao seu líder, Luis Filipe Menezes (LFM).
PS2: a continuar assim, antes de iniciar os posts, terei de fazer uma lista de abreviaturas…

sexta-feira, novembro 23, 2007

Liga o teu RADAR!



O que é que faz um gajo, enfiado em casa com uma bruta de uma conjuntivite nos dois olhos, uma gripezita a chocar, e com um doutoramento que não pode esperar?
Vai à net e sintoniza a RADAR!
(…porra… isto é rima a mais…)

Aqui há a BBC, mas em Lisboa há a RADAR e a OXIGÉNIO, em Coimbra a RUC, e em Braga a RUM. E todas com emissão online. Música alternativa de ponta em rádios made in POR.


andré


PS: …no Porto, já não me lembro de uma rádio em condições desde que a gloriosa, e muito saudosa (snif…) XFM acabou.

domingo, novembro 18, 2007

Os malditos trabalhos de casa


(Clicar na imagem para aumentar; recebida por mail)

evva

Control (Anton Corbijn): Da fotografia travestida em cinema disfarçado de banalidade poética

Antes de mais, devo começar por esclarecer que sou das maiores fans dos Joy Division à face da terra. Nunca nenhuma outra banda me marcou tanto e, passada a crise urbano-depressiva dos 15-17 anos, continuo a vibrar, com o mesmo entusiasmo, com a intensidade das letras e a voz cavernosa de Ian Curtis, a guitarra em convulsão de Bernard Sumner, o baixo e a bateria omnipresentes de Peter Hook e Stephen Morris.

Sentei-me na Sala 1 do Cidade do Porto com as piores expectativas (já tinha visto o trailer antes de A Outra Margem) mas com uma ligeira, muito ligeira, esperança de ser surpreendida pelo biopic do melhor e mais fascinante songwriter de sempre e pela cinematografia de Anton Corbjin, cujas emblemáticas fotografias da banda povoaram a minha adolescência, apesar de desconfiar muito das aventuras cinematográficas de fotógrafos e realizadores de videoclips. O que mais temia, porém, era que o filme, em parte baseado na ridícula biografia de Deborah Curtis, Touching for a Distance (lançada em 1996 e que adquiri e li, revoltada, no mesmo ano), insistisse demasiado, como o livro, no ponto de vista da ‘viúva coitadinha e desgraçadinha’. O filme terminou e abandonei a sala com as expectativas confirmadas.

O argumento tem diálogos de uma displicência atroz, sobretudo no início da relação de Ian e Deborah (alguém compreendeu a razão pela qual Ian se apaixonou por ela?), e a estrutura elíptica agudiza essa sensação de superficialidade. Annik, o terceiro vértice do triângulo, é praticamente reduzida a um cliché. A forma como a relação extraconjugal é tratada permite-nos concluir que o interesse de Ian por Annik se deveu simplesmente a um desejo sexual motivado por sentimentos de repulsa da monotonia suburbana do casamento com Deborah, o que acaba por desmerecer Ian e Annik, como é óbvio, mas também a própria Deborah num lamentável tiro no pé.

E que dizer do processo criativo do songwriter? Sim, Curtis idolatrava Bowie, Lou Reed e Iggy Pop, sim, recitava Wordsworth de cor, e…? A este nível, e para além da exiguidade e da linearidade como são expostas as suas influências, há da parte dos argumentistas (um deles, Deborah herself) um erro crasso na forma como interpretam cada tema escrito por Curtis, fazendo derivar quase todas as canções da sua biografia pessoal («O poeta é um fingidor», sublinhou Fernando Pessoa, não nos esqueçamos, e Curtis tinha a exacta noção dessa ficcionalidade): “She’s lost control” é apresentada como uma referência ao ataque epiléptico que presenciou enquanto trabalhava no centro de emprego, “Love will tear us apart” reporta-se directamente ao desmoronar do casamento, etc, etc. Tudo isto secundariza irremediavelmente a que é para mim a maior qualidade do vocalista dos Joy Division: mais do que um songwriter ele é um extraordinário poeta, com um notável sentido da expressão. Curtis soube exprimir como poucos o ‘pessimisme fin-de-XXe siècle’, à imagem dos poetas franceses do final do século XIX. Veja-se New Dawn Fades:

A change of speed, a change of style,
A change of scene, with no regrets,
A chance to watch, admire the distance,
Still occupied, though you forget,
Different colours, different shades,
Over each mistakes were made.
I took the blame.
Directionless so plain to see,
A loaded gun won’t set you free.
So you say.

Well share a drink and step outside,
An angry voice and one who cried,
Will give you everything and more,
The strains too much, can’t take much more.
Oh, I’ve walked on water, run through fire,
Can’t seem to feel it anymore.

It was me, waiting for me,
Hoping for something more,
Me, see in me this time, hoping for something else.

Não consegui vislumbrar neste filme a pose urbano-depressiva que foi marca dos Joy Division e sobretudo de Ian Curtis. Na interpretação, falhada, de Sam Riley ele é pouco mais do que um apagado e epiléptico suburbano, com um olhar e presença em palco electrizantes. Ao tentar ‘copiar’ os gestos e o olhar de Curtis, a composição da personagem peca por falta de densidade, tudo ali é linear e trivial. Se Riley se tivesse descolado um pouco do original, poderia ter feito sua a personagem e não uma mera imitação, por vezes bem conseguida, do olhar e dos gestos em palco de um ícone. Compare-se a evocação de Charlie Parker, por Forrest Whitaker, em Bird, de Clint Eastwood, ou de Johnny Cash, por Joaquin Phoenix em Walk the Line, para se deduzir que construir uma personagem baseada numa lenda musical não é apenas imitar certos maneirismos do original. Até o destino final e fatal da personagem parece reduzir-se ao infortúnio de um jovem tímido que se casou cedo demais (e nunca conseguimos perceber bem porquê) e não aos sentimentos de tristeza, angústia, depressão, inadaptação social, alienação, paranóia e doença que as suas canções revelavam.

Por outro lado, quase nada nos é mostrado da forma como a banda evoluiu, de Warsaw para Joy Division, e interagiu musicalmente, criando um som único que influenciou e influencia ainda hoje muitas bandas (ouça-se com atenção os Interpol ou She Wants Revenge, que não recusam, bem pelo contrário, a herança) e que é indissociável dos últimos anos de vida de Ian Curtis que o filme pretende evocar. Não nego que os actores que incarnam os restantes membros da banda se tenham esforçado por transmitir a atmosfera dos concertos, mas a voz de Sam Riley é decepção pura, para ouvidos habituados à voz explosiva de Curtis. Corbjin deveria ter optado pela dobragem. A interpretação de ‘Isolation’ toca as raias da ópera cómica, sobretudo a deixa de Martin Hannett: «Genious!». Só não ri porque dá vontade de chorar.

Finalmente, há que dizer que a fotografia de Martin Ruhe é magnífica, como aliás seria de esperar num filme realizado por um superlativo fotógrafo, num preto e branco que tenta captar a atmosfera depressiva da suburbana Macclesfield de final dos anos setenta, apesar de ter sido filmado em Nottingham. Mas um filme tem de ser mais do que uma longa e lenta sucessão de boas fotografias. Falta a esta estreia de Anton Corbijn na realização de longas-metragens a noção do que pode e deve ser a narrativa em cinema.

Control é um retrato inócuo e desonesto, que não faz justiça a Ian Curtis. Mas não deixem de ir vê-lo e façam o vosso juízo. E depois, regressem a casa para ouvir, e ver, o original.

evva

terça-feira, novembro 13, 2007

Daily match

(clique no título para ouvir um extrato da música)



You go up
And I go down
There is no left
No right



I go up
And you go down
There is no right
No wrong



Cause everyday
Is everyday
The same
The same
The same



Cause everyday we do the same
Again
Again
Again


Lali Puna
Daily match, do EP Micronomic


andré

domingo, novembro 04, 2007

Dias frios

As Maçãs, Abel Manta

Brrr!... Tragam-me uma manta quente e maçãs assadas com canela.



evva