domingo, fevereiro 24, 2008
And the Oscar goes to...

E a banda sonora de Jonny Greenwood (guitarrista dos Radiohead)? F-A-B-U-L-O-S-A.
sábado, fevereiro 23, 2008
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Luta pela sobrevivência
(a propósito do documento da SEDES)
Estava eu a navegar pela net quando dei conta, em simultâneo, deste vídeo do Youtube que pelos vistos tem tido enorme popularidade, e da mais recente tomada de posição da SEDES, um “think-tank” que existe num país que não é famoso por os ter.
Quer o vídeo quer o documento parecem abordar o mesmo problema, a sobrevivência, muito aliada à procura de sustento e à definição de territórios de intervenção.
Colocar a questão nestes termos não é menorizar o documento da SEDES mas sim tentar ilustrar de forma simples o que está em causa. Porque as causas básicas da vida em sociedade podem parecer diferentes mas são sempre as mesmas: justiça no respeito das liberdades e direitos dos cidadãos. Fazendo um paralelismo com o vídeo do Youtube, se alguém quiser comer um dos meus, vai ter de comer também.
O teor do texto da SEDES é de grande preocupação, o que não é de estranhar face à situação de tensão que se vive no país. Os alvos dessa preocupação são o poder político – nomeadamente os partidos –, a comunicação social e, de forma ligeira, o sistema de justiça. Uma vez mais, não é de estranhar. As razões dessa preocupação são, em primeiro lugar, a excessiva intervenção do Estado na vida pública e a ligação dessa intervenção a interesses partidários, em segundo, a forma como a comunicação social sensacionaliza a vida pública esvaziando o interesse pelo tema anterior, e em terceiro e último lugar, a forma passiva com que o sistema de justiça lida com tudo isto. Sei que me estou a repetir mas nada disto é de estranhar.
Mais uma nota apenas, para sublinhar a requintada ironia na comparação que é feita ás preocupações do governo em relação à criminalidade versus as bolas de Berlim e colheres de pau. Lindo.
Perante isto, o apelo da SEDES incide sobretudo na regeneração dos partidos de forma a que estes reflictam de forma mais clara e justa as sensibilidades dos portugueses. Apela-se à decência e à criação de uma “elite de serviço” que ajude a combater a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política.
O pedido é sensato mas é ingénuo. Creio que é claro que na democracia dos nossos dias os partidos se tornaram independentes das elites que fizeram o 25 de Abril. Foi um passo inevitável da ascensão social de uma população que era em geral pobre e que, apesar de todo o investimento, continua a manifestar baixos níveis de educação e cultura logo, menos sensível aos interesses das elites. Por outro lado, o mesmo capitalismo que alimentou esta ascensão nunca veio munido de preocupações éticas. Mas foi este o modelo que algumas das pessoas da SEDES propagaram e que eu aposto que algumas delas ainda ensinam.
Ora, se as pessoas da SEDES sabem isto tão bem como eu, então já deviam era ter começado há muito a arregaçar as mangas, a sair mais vezes das suas casas, dos seus carros e das suas férias e começar a fazer aquilo que os partidos sempre fizeram, agir na vida pública.
Da pouca informação que tenho sobre algumas das pessoas da SEDES, creio que agir civicamente nos mesmos moldes de alguns dos nossos dirigentes políticos está fora de questão mas se calhar não seria mal ver bem o vídeo do Youtube e pensar qual que, tal como as causas também as estratégias continuam as mesmas: união, força e uma forte convicção naquilo em que se acredita.
andré
Cegos surdos e mudos
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
I don't want to sleep alone

Embora este não seja um desejo de todo invulgar o filme que dá corpo à frase é-o com certeza. Pelo menos para mim. Após algum esforço de memória encontro o Rosetta, onde a ausência de música acentua ainda mais o sufoco da vida que se nos apresenta. Em Hei yan quan, realizado pelo taiwanês Ming-liang Tsai, só a luz nos salva.
…e, de vez em quando, a rádio que fala ou canta por detrás das cenas. Quase tudo é vivido mas não falado. E a acreditar na brochura que li antes do filme, as metáforas estão por toda a parte. A maior de todas é o homem em estado vegetal a lembrar a cidade e a vida que os personagens tentam enganar. É triste, por vezes até brutal. E talvez por isso é que a beleza, noutros casos difícil de encontrar, é aqui tão nítida e tão profunda. Vale tudo para se tentar sobreviver, e ainda mais para se tentar ser feliz.
Por aqui é o Showroom que nos vai trazendo estas obras a que quase ninguém dá atenção. Espero que por aí o Cidade do Porto e o Campo Alegre continuem também a sua acção filantrópica.
andré
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Por falar em Fidel
Quando penso em Fidel Castro, a minha consciência leva-me inconscientemente para a parte bonita da história. Do Fidel.
Líder revolucionário, inspirado no Che Guevara e libertador daquele que era conhecido como o bordel dos EUA.
Depois de mais uns esforços de memória, e de uns arrebates de consciência, sempre difíceis, lembro-me que Cuba é nos dias de hoje o bordel dos EUA, e de todos os quantos lá quiserem ir. Ah! E dos discursos de 4, 5, e mais horas. Valentes ouvintes…
Mas isto são tudo fait divers. Fidel Castro foi um dos símbolos da autonomia da América Latina face à política utilitária dos EUA. Tal como o são Hugo Chaves e Evo Morales, por muito que nos custem a engolir, e tal como o foi Ghandi na libertação da India da Inglaterra, e Amilcar Cabral ou Agostinho Neto na libertação daquelas que eram as ex-colónias de Portugal.
E, a faltarem mais razões, estas já chegam para merecer a admiração de muita gente.
O resto da história de Fidel mistura poder, um país pequeno isolado, sem aliados nem muitas alternativas políticas. A partir de determinado momento, pareceu-me que para os cubanos, acreditar en el comandante deve ter sido mais uma questão de orgulho do que de convicção. Pátria o muerte.
Como é óbvio nem todos acreditaram. E a partir de determinada altura o sonho virou pesadelo. O poder invariavelmente corrompe. Não há nada a fazer.
Uma coisa me descansa, o facto de Fidel sair numa altura em que os EUA começam a perder a sua posição hegemónica, e passam a ocupar aquela que sempre mereceram. A de uma grande democracia. E chega.
A saída de Fidel deixa agora nas mãos da China o papel de herdeiro da revolução de 17, embora duvide que ela se goste de ver desta maneira. Mas enfim…
Não posso deixar de prestar homenagem a este homem, tal como prestei a Álvaro Cunhal e a todos aqueles que numa altura díficil da vida do seu país, lutaram pelo sonho de fazer dele um país melhor. Mesmo que ache que alguns deles estavam enganados.
andré
Ainda a propósito de Adele
You should be stronger than me
You been here 7 years longer than me
Don't you know you're supposed to be the man,
Not pal in comparison to who you think I am,
You always wanna talk it through - I don't care!
I always have to comfort you when I'm there
But that's what I need you to do - stroke my hair!
Cos' I've forgotten all of young love's joy,
Feel like a lady, but you my lady boy,
You should be stronger than me,
But instead you're longer than frozen turkey,
Why'd you always put me in control?
All I need is for my man to live up to his role,
Always wanna talk it through - I'm ok,
Always have to comfort you every day,
But that's what I need you to do - are you gay?
Cause I've forgotten all of young love's joy
Feel like a lady, and you my lady boy
He said 'the respect I made you earn -
Thought you had so many lessons to learn'
I said 'You don't know what love is - get a grip!' -
Sounds as if you're reading from some other tired script
I'm not gonna meet your mother anytime
I just wanna rip your body over mine
So tell me why you think that's a crime
I've forgotten all of young love's joy
Feel like a lady, and you my lady boy
You should be stronger than me
You should be stronger than me
You should be stronger than me
Amy Winehouse, Stronger than me
do álbum Frank
andré
JÁ VAI TARDE!
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
A propósito de Adele

Depois de ter andando grande parte da década de 80 à procura de um substituto para os Beatles (os Smiths andaram lá bem perto), parece que agora a demanda em Inglaterra anda centrada em torno da voz. Aquela voz que faz estremecer, apaixonar, enfim, que nos emocione profundamente. Ou talvez só quanto baste.
Lembro-me da Joss Stone, da Amy Winehouse, e outras devem ter aparecido com certeza, mas isso não interessa. Agora chegou a vez da Adele. Uma miuda com cara simpática, do sul de Londres, e que tem uma voz jeitosa e uma interpretação simpática. E pronto.
Passado o período de encantamento de Daydreamer, e após algumas escutas do álbum, 19, o melhor que consigo dizer é que fica bem como música de fundo quando recebemos amigos ou a namorada, e alguns dos temas servem muito bem para ouvir na rádio. Como para música de fundo tenho coisas melhores, fico-me pela rádio.
A indústria músical já há muito que percebeu que com uns bons arranjos se pode dar seriedade a quase tudo. O nosso Toni Carreira percebeu isso e a Madonna dá lições sobre o tema em cada álbum que faz. Daí que é hoje relativamente fácil passar para o público uma obra músical perfeitamente comum e banal, disfarçando-a com pós de seriedade. Este é mais um caso.
Há quem diga o mesmo da Norah Jones, embora eu não concorde inteiramente. Há também quem faça o mesmo juízo em relação aos Madredeus mas aqui eu só concordo com essa análise depois do Espírito da Paz e não antes.
Note-se que não há mal nenhum em coisas banais. O problema é quando elas são pretensiosas. Por exemplo, o primeiro álbum da Amy Winehouse faz bem juz ao título, Frank. As letras são giras e a música também. E é bem tocada. É comum mas vale por isso. Como muitos dos filmes de Hollywood que vemos nos cinemas com regularidade.
E também não há mal nenhum em ouvir a Adele. Mas é um pouco como as novas sandwiches do Mcdonalds. É a mesma coisa mas com outra roupa.
Daí que vou passar novamente à escuta da Ella Fitzgerald a cantar os diversos autores do American Songbook. Uma voz única que canta algumas das músicas mais banais que tive oportunidade de ouvir. Ou, para ser mais justo, música que fala de coisas banais. Mas de forma muito invulgar.
Quanto à demanda inglesa pela voz, só me apetece citar uma das letras da Adele:
Should I give up
Or should just keep chasing pavements
Even if it leads nowhere
andré
Splish-dash!
Desabafos
Um dia destes colocaram, no placar da Sala dos Professores, uma lista dos
nossos nomes com a nova posição na Carreira Docente.
Fiquei a saber, Sr.ª Ministra, que para além de um novo escalão que
inventou, sou, ao final de quinze anos de serviço, PROFESSORA.
Sim, a minha nova categoria, professora!
Que Querida! Obrigada!
E o que é que fui até agora?
Quando, no meu quinto ano de escolaridade, comecei a ter Educação Física,
escolhi o meu futuro. Queria ser aquela professora, era aquilo que eu queria
fazer o resto da minha vida. Ensinar a brincar, impor regras com jogos,
fazer entender que quando vestimos o colete da mesma cor lutamos pelos
mesmos objectivos, independentemente de sermos ou não amigos, ciganos,
pretos, más companhias, bons ou maus alunos. Compreender que ganhar ou
perder é secundário desde que nos tenhamos esforçado por dar o nosso melhor.
Aplicar tudo isto na vida quotidiana.
Foi a suar que eu aprendi, tinha a certeza de que era assim que eu queria
ensinar! Era nova, tinha sonhos...
O meu irmão, seis anos mais novo, fez o Mestrado e na folha de
Agradecimentos da sua Tese escreve o facto de ter sido eu a encaminhá-lo
para o ensino da Educação Física. Na altura fiquei orgulhosa! Agora, peço- te
desculpa Mano, como me arrependo de te ter metido nisto, estou envergonhada!
Há catorze anos, enquanto, segundo a Senhora D. Lurdes Rodrigues, ainda não
era professora, participava em visitas de estudo, promovia acampamentos,
fazia questão de ter equipas a treinar aos fins-de-semana, entre muitas
outras coisas. Os alunos respeitavam-me, os meus colegas admiravam-me, os
pais consultavam-me. E eu era feliz. Saia de casa para trabalhar onde
gostava, para fazer o que sempre sonhará, para ensinar como tinha aprendido!
Agora, Sr.ª Ministra, agora que sou PROFESSORA, que sou obrigada a cumprir
35 horas de trabalho, agora que não tenho tempo nem dinheiro para educar os
meus filhos. Agora, porque a Senhora resolveu mudar as regras a meio (Coisa
que não se faz, nem aos alunos crianças!), estou a adaptar-me, não tenho
outro remédio: Entrego os meus filhos a trabalhadores revoltados na
esperança que façam com eles o que eu tento fazer com os deles. Agora que me
intitula professora eu não ensino a lançar ao cesto ou a rematar com
precisão à baliza, não chego, sequer a vestir-lhes os coletes.
Passo aulas inteiras a tentar que formem fila ou uma roda, a ensinar que
enquanto um 'burro' mais velho fala os outros devem, pelo menos, nessa
altura, estar calados. Passo o tempo útil de uma aula prática a mandar
deitar as pastilhas elásticas fora (o que não deixa de ser prática) e a
explicar-lhes que quando eu queria dizer deitar fora a pastilha não era para
a cuspirem no chão do Pavilhão. E aqueles que se recusam a deita-la fora
porque ainda não perdeu o sabor? (Coitados, afinal acabaram de gastar o
dinheiro no bar que fica em frente à Escola para tirarem o cheiro do cigarro
que o mesmo bar lhes vendeu e nunca ninguém lhes explicou o perigo que há ao
mascar uma pastilha enquanto praticam exercício físico). E os que não tomam
banho? E os que roubam ou agridem os colegas no balneário?
Falta disciplinar?
Desculpe, não marco !
O aluno faz a asneira, e eu é que sou castigada? Tenho que escrever a
participação ao Director de Turma, tenho que reunir depois das aulas (E quem
fica com os meus filhos?). Já percebeu a burocracia a que nos obriga? Já viu
o tempo que demora a dar o castigo ao aluno? No seu tempo não lhe fez bem o
estalo na hora certa?
Desculpe mas não me parece!
Pois eu agradeço todos os que levei!
Mas isto é apenas um desabafo, gosto de falar, discutir, argumentar com quem
está no terreno e percebe, minimamente do que se fala, o que não é, com toda
a certeza, o seu caso.
Bastava-lhe uma hora com o meu 5ºC. Uma hora! E eu não precisava de ter
escrito tanto! E a minha Ministra (Não votei mas deram-ma. Como a médica de
família ,que detesto, mas que, também, me saiu na rifa e à qual devo estar
agradecida porque há quem nem médico de família tenha - outro assunto)
entendia porque não conseguirei trabalhar até aos 65 anos, porque é injusto
o que ganho e o que congelou, porque pode sair a sexta e até a sétima versão
do ECD que eu nunca fui nem serei tão boa professora como era antes de mo
chamar!
Lamento profundamente a verdade!
Viana do Castelo
Ana Luísa Esperança
PQND da Escola EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa»
Recebido por mail.
Daqui a pouco, também eu vou iniciar mais uma semana de 'aulas'. Não uma semana de 'trabalho', porque não fiz outra coisa este 'fim-de-semana'. Estou desde as seis da manhã a corrigir testes, ou melhor, desde sábado de manhã que os corrijo, apenas com breves intervalos para refeições, dormidas e para vir até aqui arejar um pouco a cabeça, sempre que sentia estar a perder a imparcialidade, tal a quantidade de asneiras que me passou pela frente. Desta vez, nas turmas mais fracas, dei um 'teste modelo' para trabalho de casa, a ver se alguém aparecia na aula de revisões com dúvidas sobre a matéria leccionada. Apenas os melhores alunos tiveram a preocupação de olhar para ele e, como estudam todos os dias (fazem o trabalho de casa, como é da sua responsabilidade), praticamente não tinham questões a colocar sobre a matéria. Tive depois a preocupação de copiar parte deste teste de avaliação formativa para o teste sumativo. As notas melhoraram? Nem por isso. Por isso vim para aqui desabafar um pouco, a ver se a minha raiva não prejudica a imparcialidade da correcção.
Tenho o dia repleto de aulas, só com uma hora de intervalo para almoço, até às 18h35. Depois, mais uma 'reunião intercalar', que com sorte terminará antes das 21h A que horas regresso a casa? Não faço idéia. Apenas sei que, quando regressar, e depois dos afazeres domésticos, ainda terei uma longa noite de trabalho pela frente.
evva
Porque o terrorismo também passou (passa?) por aqui
Um texto de leitura imprescindível, no 31 da armada:
Era uma tarde de sábado, de chuva miudinha, igual a tantas outras. Gaspar Castelo-Branco tinha amigos para jantar e faltava-lhe o queijo. À primeira aberta, já ao cair da noite, resolve dar uma saltada ao comerciante da zona. Saiu, por uns minutos. Foi morto com um tiro na nuca, disparado à queima-roupa, no passeio em frente à casa onde morava.
Era véspera de eleições, dia de reflexão. Os portugueses ficaram com que pensar, até ao dia seguinte pelo menos: o terrorismo em Portugal não é uma abstracção, existe mesmo.
O assassinato, a sangue frio, de um homem que era então o director geral dos Serviços Prisionais, poderá ter sido um choque para a opinião pública ou para aqueles que têm por dever o ofício de lidar com o fenómeno, mas não suscitou a indignação que seria de esperar (veja-se o que acontece por esse mundo fora em casos semelhantes). Não houve manifestações, campanhas de imprensa, abaixo-assinados de protesto, proclamações de repúdio. Foi este jornal dos poucos a fazer imprimir diante do “cobarde assassinato” uma posição de revolta, perplexidade e preocupação.
Outros calaram-se, confirmando que o Dr. Castelo-Branco tinha razão quando dizia ao nosso repórter: “se me derem um tiro quero ver como reagirão os grandes defensores dos direitos humanos…” Os grandes defensores viraram a cara para o lado - é um facto. Mas até nisso a morte do director-geral das cadeias teve importância: desacreditaram-se os grandes defensores.
Gaspar Castelo-Branco era um homem marcado e sabia-o.
“Tem recebido ameaças?” – perguntou-lhe Manuel Arouca, quando com ele contactou para conversar sobre a situação das prisões. “Constantemente” – foi a resposta. “E não tem medo de ser morto?” O director-geral encolheu os ombros. Alguns amigos, poucos, falariam mais tarde de “coragem, verticalidade, sentido do bem-comum, cumprimento do dever”. Castelo-Branco assumiu as suas responsabilidades, todas. Em algumas circunstâncias terá assumido mesmo “perante a demissão de outros, responsabilidades que verdadeiramente não lhe cabiam”, como afirmou a propósito o deputado Nogueira de Brito, seu amigo.
Terá sido o que se passou por exemplo quando foi preso em Portugal um homem que dizia chamar-se Al-Awad, membro do célebre grupo terrorista de Abu Nidal e aparentemente culpado de ter assassinado em Montechoro o dirigente da OLP Issam Sartawi. O próprio Abu Nidal, de seu nome verdadeiro Sabril Khalil el Banna, começou a telefonar ao director-geral Castelo-Branco, ignora-se por recomendação de quem. O chefe terrorista exigia que libertassem ou deixassem fugir o seu militante. Dava sugestões de como isso deveria fazer-se: “numa transferência de prisões”, “bastava que os guardas fossem mijar” e “a carrinha ficasse abandonada o tempo suficiente”. Seria preciso é claro prevenir atempadamente o grupo Abu Nidal da operação e deixar livre campo aos seus operacionais para fugirem com segurança do País... Castelo-Branco recusou indignado. Passou a mandar gravar pela DCCB os telefonemas que continuou a receber de Abu Nidal, cada vez mais ameaçadores. Soubemos que pelo menos um magistrado recebeu idênticos telefonemas e pressões. Al-Awad acabou por ser libertado cumprida mais de metade da pena a que foi condenado “por uso de passaporte falso”, menos de 24h depois Gaspar Castelo-Branco ter sido assassinado, por coincidência, certamente.
Na morte de Castelo-Branco o caso Al-Awad não passa de um “fait divers”. Ele dizia ao nosso colaborador Manuel Arouca: “… sou sempre eu o responsável. Os FP fogem: sou o responsável por não lhes dar um regime mais duro. Não cedo à greve da fome dos FP: criticam-me porque estou a ser duro demais. Os outros tiram a água do capote”.
Em não ter cedido à greve da fome dos FPs, poderá residir a explicação da sua morte. Soube-se depois – e sabia-o o Director-Geral desde o início – que aquela greve da fome não era para levar muito a sério. Mas os ecos dela, que então chegaram à opinião pública, eram de partir os corações: os réus, um pelo menos, estava a morrer, já tinham entrado também em greve da sede, em 48 horas, teríamos não sei quantos “Bobby Sands” na penitenciária de Lisboa. Passaram-se vários dias. Um advogado em Monsanto falava de “comportamento criminoso” do responsável prisional e anunciava uma queixa-crime contra Gaspar Castelo-Branco. Depois, enfim, quando os “media” já desesperavam de poder noticiar o aparecimento de um “Bobby Sands” entre nós, a greve acabou e ninguém mais voltou a falar do assunto. E quando o réu João Gomes apareceu a depor em Monsanto, ágil como uma gazela, ninguém se lembrou de notar que ali estava o recordista mundial de greves da sede. A menos que – nós não queremos acreditar – o seu advogado tenha mentido. Gaspar Castelo-Branco não cedeu à greve, ou pseudo-greve da fome porque, dizia ele, “em nenhum País da Europa, um governo cede a greves da fome” e “mesmo os grandes defensores dos direitos humanos, pouca importância lhes dão”.
Nisso também o comportamento do ex-director geral foi exemplar. Será difícil no futuro encontrar justificação para cedências dessas. Pagou com a vida, Gaspar Castelo-Branco, morto pelas FP's ao cair da noite do dia 15 de Fevereiro, véspera de eleições. Nada mais será como dantes. Mesmo se numa das celas do EPL continuar escrito, sem reacção dos actuais responsáveis prisionais um dístico deste teor: “morte ao Castelo-Branco”. E depois em letra mais recente: “Este já está”.
Julgamos que os responsáveis do aparelho de estado têm a obrigação de mandar apagar este “graffiti”: quanto mais não seja pelo respeito devido ao mortos!
Hoje passam 22 anos sobre o cobarde assassinato do meu pai e por isso decidi reproduzir aqui o artigo do meu amigo José Teles, publicado no jornal "O Semanário" a 27 de Dezembro de 1986.
PS: As FP 25 de Abril foram responsáveis por 18 atentados mortais, entre os quais um bebé de dois anos e vários cidadãos inocentes. Até hoje não houve por parte dos membros da organização qualquer sinal de arrependimento. A última vítima foi o agente Álvaro Militão que caiu no cumprimento do dever, num cerco a fugitivos das FPs em 1986. Mas não foi só aos mortos que o País não mostrou o seu reconhecimento e gratidão: funcionários corajosos, agentes da Judiciária, da Direcção Geral do Combate ao Banditismo, juízes como Martinho de Almeida Cruz, Adelino Salvado e procuradores como Cândida Almeida, entre muitos outros.
[evva, sublinhados meus]
domingo, fevereiro 17, 2008
Estou encantado
Daydreamer,
sitting on the seat
Soaking up the sun
he is a real lover,
Making up the past
And feeling up his girl
like he's never felt her figure before
A jaw dropper
Looks good when he when he walks,
He is the subject of their talk
He would be hard to chase,
But good to catch
And he could change the world
with his hands behind his back,
Oh
You can find him sitting on your doorstep
Waiting for the surprise
It will feel like he's been there for hours
And you can tell that he'll be there for life
Daydreamer,
with eyes that make you melt
He lends his coat for shelter
because he's there for you
When he shouldn't be
But he stays all the same,
waits for you,
then sees you through
There's no way I could describe him
All I say is,
just what I'm hoping for
But I will find him sitting on my doorstep
Waiting for the surprise
It will feel like he's been there for hours
And I can tell that he'll be there for life
You can tell he'll be there for life
andré
PS: Vamos ver se a rapariga não tem o mesmo destino que a Amy Winehouse, que descarrilou completamente com a fama.
evva
Vaia de professores deixa Sócrates irritado
Sónia
(para aceder à notícia, clicar no título deste post)
Um grande, enorme erro
(foto EPA)

(Dimitar Dilkoff/AFP)
O meu preferido
Livro de Horas (c. 1475) de Robinet Testard
sábado, fevereiro 16, 2008
Do Orgulho e da Inveja
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
No fim de uma semana de trabalho
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
14 de Fevereiro
Melhorar a paisagem
Este é apenas um exemplo daquilo que o movimento Improv Everywhere consegue fazer. Mais exemplos podem ser encontrados aqui.
andré
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Primeiro dia de aulas
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Intérprete
Cu-cu
Assim não vale, festejar o aniversário tão longe! Aqui vai um presentinho, a festa fica para daqui uns meses, sim?
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Platão "dixit"
domingo, fevereiro 10, 2008
E pronto.
— E até quando pensa o senhor que podemos continuar neste ir e vir dum caralho? — perguntou-lhe.
Florentino Ariza tinha a resposta preparada há já cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com todas as suas noites.
— Toda a vida — disse.
(Últimas linhas de Amor em tempos de cólera de Gabriel Garcia Marquez)
andré
Avaliação

sábado, fevereiro 09, 2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Que comam bolos!!!
O solitude
Oiço, oiço, oiço e faz-me tanta companhia...
Henry Purcell (1658/9-1695)
"O solitude, my sweetest choice", Z. 406, by Gérard Lesne
published 1684/5.
More on Katherine Phillips and her poetry:
and on the original poem bt Saint-Amant with Phillips' translation:
( informação adicionada por civileso: http://www.youtube.com/user/civileso )
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Regresso a Berlim
Berlin - Alexanderplatz: watch the red invasion!
(A música é "Metal on Metal" dos Kraftwerk)
Herzlich wilkomen zuruck!!
Sónia
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Relatório da OCDE sobre Educação
Foi publicado publicado pela OCDE o Education at a Glance 2007, em: www.oecd.org/edu/eag2007
Tal como numa mensagem que me chegou ao correio electrónico, aconselho a consultar a versão (2006) - anterior à aprovação da nova versão do Estatuto da Carreira docente - em: http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf
No documento de 2006, ido à página 58, verão desmontada a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro não é assim. É apresentado no estudo o tempo de permanência na escola, onde os professores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com tempos de permanência superiores aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxamburgueses, checos, islandeses e noruegueses!
Poderão ainda verificar, na página 56, que os professores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários!
Na página 32, que, quanto a investimento na educação em relação ao PIB, estamos num modesto 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno.
Atenção: não está publicado no "site" do Ministério da Educação...
Sónia
terça-feira, fevereiro 05, 2008
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Crónica de Madrid
Sónia.
domingo, fevereiro 03, 2008
Sabedoria popular

Nossa Senhora das Candeias,
Rogai por nós, que recorremos a Vós!
sábado, fevereiro 02, 2008
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Telectu
Luto


«A árvore não dá flor enquanto a semente não tenha apodrecido no seio da terra»
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Trouble is a man
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Segunda pessoa
Alguém diz tu. Alguém sem nome.
É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.
Alguém diz tu à imagem que se esgarça,
à certeza de uma longínqua razão.
Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.
Cego de insónia, nem lembrar te posso.
Nem mesmo em sonho saberia ver-te.
És só o pronome, tu, a ondular-te na boca,
norte magnético num desespero em surdina.
És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.
A história avança na cabra-cega sem rostos,
e eu vivo em ti o tu mais só da minha vida.
(Óscar Lopes)
Em 1985, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto editou o livro A Ilha dos Amores onde está publicado este poema de Óscar Lopes, que é o único que se conhece do autor. Descobri-o, contudo, num número especial da Gazeta Literária, comemorativo dos 125 anos da Associação: o quatro , de Outubro de 2007. Pena é que, já publicado em Outubro, só agora me veio parar às mãos.
Sónia
Hoje só me apetece almoçar
Vejamos:
Uma grupo de alunos integra uma visita de estudo de duas horas ao Planetário (fica perto, vá lá). Regressando à escola cerca das 16h30, acham por bem indignar-se por a Directora de Turma os obrigar a assistir às restantes aulas da tarde. Numa dessas 'actividades de distracção e ocupação dos educandos' (parece-me ser o termo mais adequado para designar uma 'aula', tal a forma como adolescentes e respectivos Encarregados de Educação as entendem hoje em dia), uma esperteza saloia decide sacar da máquina fotográfica digital e, à socapa, toca a fotografar a aula. Directora de Turma finge que não vê (afinal são só 45 minutos e há que aproveitar a minoria interessada em aprender qualquer coisa), mas murmura com os seus botões "no final da aula conversamos".
evva
terça-feira, janeiro 29, 2008
The pipettes - ABC
Uma das minhas preferidas é "Your kisses are wasted on me", mas não encontrei nenhum clip que me agradasse.
Esta faz-me pensar em "I'd rather dance with you" dos Kings of Convenience.
Sónia
Greguerías
"Era tan moralista que perseguía a las conjunciones copulativas."
Ramón Gómez de la Serna, Greguerías, (1910-1960)
Sónia
segunda-feira, janeiro 28, 2008
domingo, janeiro 27, 2008
Até os comemos...

Eu pecadora (e gosto de o ser...) me confesso. Peço desculpa, se alguém achou um abuso: não sou leviana, e reflecti antes de publicar o post que causou a polémica ("Num quiosque perto de si"). Não queria ser indelicada com quem me convidou nem vincular o blog com ideias/instituições que a repugnassem, mas (também sou frontal...) a verdade é que a reacção (nunca melhor dito...) vale para tudo o que eu tenho escrito aqui. Não me pareceu que a indicação da fonte (e a imagem é também isso, para além de uma preocupação gráfica) tornasse o conteúdo mais ou menos "esquerdoso" que o de outros posts, ou mesmo o de outros artigos recolhidos noutra imprensa "insuspeita" (o "Diário económico", por exemplo). Não sou isenta no que escrevo e no que escolho, como não o é ninguém, com ou sem opções partidárias, além de que a informação sobre uma publicação periódica (neste caso uma edição especial do "Avante") surge do facto de ter descoberto um conjunto de outras publicações, culturais, políticas e científicas on-line -nem menos, nem mais importantes - que achava bem divulgar aqui. Por último, quando fui convidada a participar, eu questionei precisamente isto: se o blog estaria aberto a tudo. O facto de sermos vários (e diferentes) a escrever confere-lhe pluralidade ( e nesse sentido, isenção). Se eu procurar ser mais "discreta" essa pluralidade, a meu ver, perde.
Quanto a ter medo... Já devem ter ouvido dizer que “os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço” e, se calhar, até deram crédito, mas não é a verdade: os "comunas", "anarcas" e a "esquerdalha" em geral são igualmente conhecidos por não descriminarem em função de sexo, religião, ideologia... ou idade!!!
Cá fica o que eu penso, ao abrigo do direito de resposta...
Sónia
Tenham MEDO, tenham MUITO MEDO
Porque..
...sei de mais alguém que também gosta muito desta canção.
sábado, janeiro 26, 2008
Contratempo
Coisas que acontecem no contratempo
Não se sujeitam ao consenso
Ficam no fundo
Enquanto o resíduo perece
Sabedorias feitas na manga
Servem ao estado presente
Ficam distinto(s)
Enquanto a maioria embarga
Se a relação do contratempo
E do tempo presente
Assimilarem
Não se precisava de viagens cosmonáuticas
As teorias seriam atendidas
Mas a inteligência limita a autonomia humana
Lali Puna
EP Micronomic
andré






















