quarta-feira, março 26, 2008

Mais logo, no Coliseu





Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Storm.. in the morning light

I feel

No more can I say

Frozen to myself


I got nobody on my side

And surely that ain't right

And surely that ain't right


Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Portishead


No que toca a guitarras, prefiro a distorção.


evva

A propósito de guitarras

Comecei a ouvir os Dire Straits com o Brothers in Arms e o Money for Nothing, e ficava fascinado com a forma estupidamente simples com que o Mark Knopfler tocava tão bem guitarra. Quando os fui ver a Alvalade já na década de 90 as coisas aproximavam-se do fim e a banda acabaria uns anos mais tarde.

Hoje sei que quando os ouvi pela primeira vez já o fim tinha começado pois após o álbum ao vivo Alchemy em 1984 nunca mais os Dire Straits conseguiram criar. Passaram apenas a reproduzir.
É a sina de muitos. Mas dá pra viver bem.

Há uns tempos atrás voltou-me a vontade de os ouvir. Peguei nos cds que ainda valem a pena e regressei a 1978, na altura em que a guitarra era pura e limpa e a música era simples e honesta.
Começava assim:



andré

terça-feira, março 25, 2008

Desafio

Há algum tempo atrás a RTP 2 emitia uma série da Britcom (não me lembro do título; se alguém se lembrar agradece-se a ajuda) que contava entre as personagens principais com um casal de pais prestes a renegar a mística da maternidade / paternidade e o seu grupo de amigos entre os quais se contavam os elementos de uma banda que trabalhava com o estúdio de gravação em que também trabalhava o desesperado papá (creio ter descrito o cenário com alguma fidelidade). Esses músicos tinham por passatempo habitual desafiarem-se a enumerar canções que apresentassem no título uma determinada palavra, como "light" em "Beginning to see the light" dos Velvet Underground, ou "a Guiding light" de Smog, ou "Pink light" de Laura Veirs, ou ...
O desafio que eu lanço é mais fácil: qualquer "post" sobre um mesmo tópico, embora gostasse de continuar "sob a batuta" da música. Proponho durante uma semana, se alinharem, posts sobre um de dois instrumentos: piano ou guitarra. O primeiro a aderir escolhe qual.


Sónia

Do Oriente

A defesa de um ensino em que se respeita a autoridade de quem a adquiriu por mérito próprio com muitos anos de estudo: o Professor. Também por isso, sou conservadora. No Combustões, um blogue monárquico que sigo assiduamente:

Sou pelo ensino "autoritário", contra as metodologias de infantilização dos adolescentes e de responsabilização de crianças, avesso ao convivialismo e partilha de soberania entre quem ensina e deve mandar e quem aprende e deve obedecer; sou absolutamente adepto da Escola entendida como fonte de apredizagem e não como armazém de díscolos, pela Escola como tarimba de cidadania, respeito e autoridade; sou pela Escola uniformizada mas não uniformizadora, sem distinções de posse e origem social na separação entre aqueles que a inteligência prepara para dirigir e aqueles aos quais caberão tarefas menos responsáveis; sou pela Escola que não incuta medo, mas não prepare nem parasitas nem ralé; sou pela Escola que saiba, com justiça, afastar do caminho da Universidade quem a ela não pode aspirar. Depois de ver as imagens (...), deixo, definitivamente entregue ao seu triste destino o país selvagem, raleficado, insubmisso, inacessível ao bom senso em que se transformou o Portugal portugalinho, de Veiga Simão e Roberto Carneiro a Maria de Lurdes qualquer-coisa. Aqui, onde estou, os alunos da universidade levantam-se quando o professor sai ou entra, depositam os telemóveis desligados num cesto existente à porta das salas de aula, pedem desculpas quando chegam 2 minutos atrasados, levantam o dedo para pedir para ir à casa de banho, não comem, não dormem, não namoram nem lançam bilhetes uns aos outros. Estes alunos estudam 8 horas e dedicam mais quatro ou cinco horas aos trabalhos escolares caseiros. Aqui vive uma juventude livre, sorridente e aplicada que todos os dias agradece aos professores o esforço e as canseiras de uma carreira mal remunerada mas quase venerada.

Miguel Castelo-Branco»


evva

E no Ensino Superior, que tal?

Ruído no anfiteatro
por Rui Bebiano (Sexta-feira, 21/03/2008)

«Todo o país viu as imagens e fala no caso da agressão da aluna da Carolina Michaëlis à sua professora de Francês. A atitude é de unânime condenação, embora eu desconfie que alguns estudantes da faixa etária da agressora possam considerá-la uma heroína e, em certos casos, tenha já «molhado o pão» no apetitoso lombo de outro infeliz docente (ou, pelo menos, tenha sentido uma quase-irreprimível vontade de o fazer). Têm sido distribuídas as culpas por toda a gente, colocando-se por vezes a agressora – que não deixa de o ser pelo facto de não ter batido na cara da professora – numa posição protegida de «vítima do sistema» que lamentavelmente perdeu a compostura. Sem querer insistir no que tem sido dito (um largo leque de posições pode ser encontrado na caixa de comentários de um post de Daniel Oliveira), chamo a atenção para algumas coisas que me perturbaram particularmente e que estão para além da agressão em si. São elas a cumplicidade ou a inacção do conjunto da turma, a falta de uma reacção decidida da professora, a não-apresentação imediata de queixa, a incapacidade da direcção da Escola para tomar medidas claras e prontas (e depois para esclarecer devidamente a opinião pública), a revelação de uma sucessão de casos análogos ou piores entretanto silenciados, o facto da esmagadora maioria das vítimas destes casos serem mulheres, o silêncio conivente dos pais dos jovens agressores (que terão a dizer disto as sempre tão buliçosas «comissões de pais»?). E ainda a real responsabilidade dos governos que têm vindo a retirar prestígio e autoridade aos professores.

O caso leva-me a reflectir sobre a minha própria experiência, e a falar aqui de um assunto que permanece tabu, ainda que falado entre dentes, com sinais de vergonha, por professores, agora do ensino superior, que não sabem o que fazer e começam também a temer o pior. Dou aulas numa universidade desde 1981, e, naturalmente, ao longo de todos estes anos tenho-me confrontado, na relação mantida com dezenas de milhar de alunos, com comportamentos muito diferenciados no espaço das aulas. Apesar dessa diversidade, e tendo conservado sempre uma relação nada autoritária com a generalidade deles, jamais tive o menor problema disciplinar. Tanto quanto sei, a mesma coisa se passava com quase todos os meus colegas (as raríssimas excepções ficaram quase sempre a dever-se a atitudes de incompetência ou de arbitrariedade). Quando começaram a suceder-se os problemas disciplinares nas escolas secundárias, estes não se reflectiram logo nas universidades, presumindo-se sempre que os estudantes entretanto «cresceriam» e manteriam já comportamentos responsáveis quando chegassem aos nossos anfiteatros.

Mas tudo mudou há cerca de dois ou três anos atrás. A verdade é que, após as sucessivas vagas de alunos com deficiente formação científica imposta por programas e métodos no mínimo discutíveis, começaram a chegar às escolas superiores estudantes com uma quase nula formação cívica e frágil capacidade de autoresponsabilização. E, pela primeira vez, eu e muitos colegas - com toda a experiência de anos de trabalho, com todo o prestígio que a maioria acreditava ter conquistado para a vida - começámos a ter problemas: alunos que conversam sistematicamente durante as aulas, que chegam atrasados todos os dias, que entram e saem sem uma palavra, que não desligam o telemóvel, que se dirigem ao professor de forma impertinente, que exigem facilidades confundidas com direitos sem cumprirem deveres, que em muitos casos nem sequer distinguem claramente as competências de quem ensina e as suas próprias obrigações. Falta o último passo que, ao que se vê, no ensino secundário há já muito tempo foi dado: transformar as aulas num campo de batalha. Este passo não é inevitável: quero acreditar que, a ser bem aplicado, o previsto sistema de tutorias possa ajudar a melhorar os processos de responsabilização e a articulação entre a vida e a escola, como quero acreditar que a ampliação dos cursos de 2º e 3º ciclo traga para a vida nas escolas superiores pessoas mais amadurecidas e tolerantes. Como acredito nos alunos interessados, empenhados e até afectuosos. Mas temo que, entretanto, algo de mau possa acontecer.

Claro que a maioria dos estudantes universitários - sei-o por tentar andar de olhos abertos e graças a uma sucessão de óptimas experiências pessoais - não se enquadra neste cenário de catástrofe anunciada. A maioria dos alunos do secundário, acredito, também não se adequará a ele. Só que aos outros, aos elementos de uma minoria a quem é permitido protagonismo, o sistema educativo em vigor e as políticas que estão a ser aplicadas, minando a centralidade do professor na escola como na sociedade, conferem um grau de manobra cada vez mais perigoso. Que o meio social envolvente observa demasiadas vezes com um encolher de ombros.

P.S. - Pouco deve interessar, em casos como aquele que desencadeou o actual debate, o desculpabilizador discurso pedopsi sobre o telemóvel enquanto prótese. A admissibilidade do seu uso imoderado começa quase sempre em casa e apenas é possível porque, daí até à escola, tem sido mantida toda uma rede de permissibilidade que não deixa muitos jovens perceberem (ou não os obriga a perceberem) que existe uma dimensão de sociabilidade moderadora da utilização lúdica ou produtiva da máquina, de qualquer máquina. Que há vida para além dela.
»




evva (sublinhados meus)

Para quando avaliar os Encarregados de Educação? III



Daqui.

evva

Um hino à '(des)educação*'

* por iniciativa ministerial




A situação é grave, muito grave. A forma como o novo Estatuto do Aluno tem vindo a ser propagandeado - eficaz arma de combate à indisciplina -, só nos pode deixar inquietos, se conseguirmos evitar não rir.

Já há algum tempo, meses até, exactamente a partir do momento em que se começou a falar deste novo Estatuto, que os alunos perguntam 'Então agora podemos faltar à vontade que não reprovamos?', ao que se responde continuamente 'Claro que não, o novo Estatuto ainda não entrou em vigor'.

Os alunos do Ensino Secundário anseiam diariamente por este Estatuto. Só quem está totalmente alheado da selva em que se tornaram as nossas escolas pode proclamar que esta nova forma de cabulice institucional melhorará o comportamento dos alunos nas aulas.

Exige brevidade na comunicação de faltas e ocorrências aos Encarregados de Educação? A grande maioria dos professores já adoptou esta atitude, a única maneira de precaver ou fazer face a situações de indisciplina.

Permite processos sumaríssimos para sancionar essas situações? Toda a gente sabe que a maior parte dos alunos indisciplinados (são muitos e cada vez mais), ao fim de cinco dias de suspensão, a pena máxima que a lei prevê, voltam para a escola para fazer igual ou pior.

Mas o mais grave que a divulgação das recentes imagens provocará, quando na próxima segunda-feira recomeçarem as aulas, é a repetição destes comportamentos 'por imitação', se não forem tomadas medidas urgentemente exemplares. Foi esta uma das razões que nos levou à decisão de não divulgarmos aqui as imagens do Carolina Michaelis (uma escola com pergaminhos mas que quase nunca protegeu os professores em situações de indisciplina e agora vê o seu nome ser arrastado na lama do sistema educativo português), para além da preservação da identidade da colega (poderia ser qualquer um de nós). Poderá acontecer a qualquer um.



evva



P. S.: Quando na década passada o Contra-Informação começou a brincar com Pinto da Costa terminando todas as intervenções do boneco com o já clássico 'penso eu de que', os meus alunos perguntaram-me por que razão toda a gente se ria com aquelas palavras. Não entendiam o erro repetido à exaustão. Foi uma boa oportunidade de lhes explicar a sintaxe do verbo. Só não sei (já passou tanto tempo) se sumariei esses profícuos cinco minutos de aula.

Se fosse hoje, e numa aula assistida para efeitos de avaliação, provavelmente teria a nota mínima no 'cumprimento da planificação'. Mas talvez me dessem um Bom no item 'aproveitamento pedagógico de situações imprevistas'. Só para responder à pergunta 'por que demoram tanto as reuniões de Departamento cuja ordem de trabalhos consiste em debater a avaliação do desempenho docente'. Réplica: a maior parte dos critérios de avaliação são contrasditórios.

Foi por estas e por outras...

que me des-sindicalizei (façam o favor de registar o neologismo que não é decerto da minha autoria, tal a quantidade de vezes que já o ouvi):


"Lidar com indisciplina não é uma prioridade."
Mário Nogueira, secretário geral da Fenprof, "Diário de Nóticias", 25-03-2008

(via 'A frase do dia', Público)


evva

"Dá-me o telemóvel, já!". Por Mário Crespo

No Jornal de Notícias de ontem, 24 de Março de 2008:

Por isto a Turma do 9.ºC tem de acabar! Por uma questão de exemplo, os alunos têm de ser dispersos por outras turmas e o 9.º C deve ficar com a sala fechada o resto do ano, numa admoestação clara de que este género de comportamento chegou ao fim. Maria de Lurdes Rodrigues não pode ficar à espera de receber outra vez o apoio do primeiro-ministro. Depois disto, é seu dever sair do cargo. E não é, como diz constantemente, a mais fácil das soluções. É a medida necessária para que haja soluções. A saída da ministra é, viu-se agora, uma questão de segurança nacional. É a mensagem necessária para a comunidade escolar, alunos e professores, entenderem que o relaxe, a desordem e o experimentalismo desenfreado chegaram ao fim. Que não há protecção política que os salve já da incompetência do Ministério, da DREN e de tudo o mais que nestes três anos nos trouxe à vergonhosa situação que o vídeo do YouTube mostrou ao país e ao Mundo. Uma questão mais os sindicatos viram as imagens de um crime a ser cometido em público contra uma professora. Façam o que devem. Façam as devidas queixas-crime contra a aluna agressora e contra quem filmou e usou abusiva e ilegalmente da imagem da professora a ser martirizada. O crime foi visto por todos. O Ministério Público tem competência para mover o adequado processo contra esses alunos. Cumpram o vosso dever sem tibiezas palavrosas. Já não se pode perder mais tempo com disparates. »


evva

Regresso ao passado



Sade, Smooth Operator, do álbum Diamond life

andré

segunda-feira, março 24, 2008

Encontramo-nos em Nenhures?

NENHURES é uma Produção do TEATRO BRUTO (de 27 Março a 6 Abril, no Teatro Carlos Alberto; ter-sáb 21:30 dom 16:00; M/12 anos).




Pouco conformável a textos dramáticos preexistentes, e aprofundando um trabalho que tem passado sobretudo por autores de língua portuguesa (destaque para as recentes colaborações com o angolano Ondjaki), o Teatro Bruto convidou Daniel Jonas (n. 1973) – poeta e autor de uma surpreendente tradução do Paraíso Perdido de Milton – a informar as inquietações artísticas que atravessam o trabalho da companhia. Cultor de um imaginário luxuriante, Daniel Jonas estreia-se na escrita dramática tecendo uma desregrada comédia de enganos, autêntica máquina de emaranhar paisagens ou caixa de ressonância de múltiplas inspirações. Encenado por Ana Luena, Nenhures explora a deriva de Tristão, o amante destroçado que empreende uma viagem de Inverno por um mundo exterior que não é senão a equívoca projecção do seu mundo psíquico. Mas essa pátria simultaneamente melancólica e demencial chamada Nenhures é também o espaço de uma euforia psicodramática, em que as personagens se desdobram em alter-egos vários, e o tempo de uma excêntrica reflexão sobre a acção teatral.

29 Mar · À conversa com os criativos: sáb 16:00 · Entrada gratuita. A encenadora Ana Luena e o autor Daniel Jonas conversam com o público sobre a construção do espectáculo Nenhures.
Mais informações em http://www.tnsj.pt/, através da linha verde 800-10-8675 ou junto do departamento de Relações Públicas (22 340 19 51), através da linha verde 800-10-8675 ou junto do departamento de Relações Públicas (22 340 19 51)

[evva]

domingo, março 23, 2008

Um bom Domingo de Ressurreição


Ressurreição de Cristo
Gregório Lopes (1539-1541,)
Museu Nacional de Arte Antiga
Proveniência: Mosteiro de Santos-o-Novo (Lisboa)
©IPM


Scimus Christum surrexisse a mortuis vere;
tu nobis, victor Rex, miserere.
Amen. Alleluia.


evva

E PARA QUANDO A AVALIAÇÃO DOS PAPÁS?

Uma pergunta já formulada aqui no blog, mas que os professores do Ensino Básico e Secundário repetem todos os dias:


Por Ferreira Fernandes, no DN de 21/03/2008:

«O Carolina Michaëlis, que já teve o belo nome de liceu, não serve os miúdos do bairro do Aleixo, no Porto. Não, aquele vídeo (...) não mostra gente com desculpas fáceis, vindas do piorio. Pela localização daquela escola, quem para lá vai vive às voltas da Boavista e os pais têm jantes de liga leve sem precisar de as gamar. Os pais da miúda histérica que agride a professora de francês estarão nessa média. Os pais do miúdo besta que filma a cena, também. Tudo isso nos remete para a questão tão badalada das avaliações. Claro que não me permito avaliar a citada professora. A essa senhora só posso agradecer a coragem. E pedir-lhe perdão por a mandar para os cornos desses pequenos cobardolas sem lhe dar as condições de preencher a sua nobre profissão. Já avaliar os referidos pais, posso: pelo visto, e apesar das jantes de liga leve, valem pouco. O vídeo mostrou-o. É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos

evva

sábado, março 22, 2008

Entretanto, nos EUA, mesmo aqui ao lado...



Uma boa resposta, via Fiel Inimigo, a uma questão colocada a John McCain.


[evva]

Boa Páscoa







(Para mais informação, aceder a http://www.valdelomar.com/inicio.php)

Sónia

sexta-feira, março 21, 2008

A propósito de mais um jornalista morto na Rússia…

A história tem destas coisas, repete-se com outros rostos e outros personagens.
Depois de alguns anos de raiva contida, a Rússia está de volta ao seu lugar de destaque que só dificilmente voltará perder. É assim a corrupção do poder. Torna refém todos aqueles
que o possuem. E a Rússia, tal como os EUA, a Inglaterra, a França, ou a emergente Europa, já não conseguem viver sem ele.

Mas o poder é irónico e cínico. O renascer da Rússia faz-se com as mesmas armas que os seus adversários usaram contra ela. E tal como eles, ela usa-as à sua maneira.
Talvez agora o cidadão Europeu consiga ver a imagem que há muito aparece do lado de fora da janela de sua casa. Aquela que vê o cidadão dos países africanos, sul americanos, ou asiáticos. Aquela que mostra que o capitalismo foi, e ainda é, um projecto Europeu e Norte Americano que serviu para solidificar interesses de ambos.
Mas agora que outros se servem dele, a imagem começa, de repente, a não parecer tão bela.

Pois é, afinal o desenvolvimento da democracia não depende apenas do desenvolvimento do capital. Que chatice.
Não chegaram décadas de Estado social para se entender isto, e agora, que o Estado social é posto em causa pela cultura empresarial, tudo o que somos capazes de pensar é em ser ainda mais competitivos. E claro, lamentar a nossa sorte: como é que os outros não percebem que é melhor para todos jogar o jogo com as nossas regras?
Se a história for muito longa para que se entenda a lição, então uma simples referência ao desporto deve chegar para fazer compreender que qualquer equipa gosta mais de ganhar do que perder, mesmo quando joga a brincar, o que não é o caso presente.

Como bom português, eu continuo a alimentar a esperança (ou ilusão se achar mais adequado) de que Vladimir Puttin pertence à equipa dos pragmáticos e sensatos e, como tal, sabe que para se ganhar um jogo, tem de haver adversários.
Agora resta saber quais as novas regras que a sua equipa quer impor. Ora, pelas amostras que temos visto…


andré

Stabat Mater



Uma sugestão de uma edição recente do selo discográfico "naive".

Stabat mater dolorosa
iuxta Crucem lacrimosa
dum pendabat Filius .

Sónia

Terror desde Mondragón

El terror es desaparecer, o no ser nosotros mismos. Ser comidos, o sorbidos.
(Leopoldo María Panero)

A frase em epígrafe figura na contracapa da edição da Tusquets (Barcelona, 1976) de El lugar del hijo como citação do “Prólogo desordenado y monárquico” que deveria anteceder os relatos reunidos nesta obra. Pretendo sublinhar aqui o carácter especial de que a mesma se reveste e a pouca visibilidade de que usufruiu, na medida em que constitui um dos dois únicos livros de relatos de um autor cuja produção é maioritariamente poética.

Como se pode ler de uma nota dos editores, o autor, Leopoldo Panero, decidiu suprimir o referido prólogo estando o livro já composto. Os vestígios que dele sobraram oferecem pistas de uma concepção de terror que (rejeitada ou não pelo autor) efectivamente transparece no texto e que se orienta para a exploração deste conceito enquanto sinónimo de experiência limite, entendendo-se aqui por experiência limite a vivência de uma situação em que o que é se encontra próximo de deixar de ser. Nessa fronteira, o indivíduo toma contacto com uma realidade interdita cujo conhecimento opera sobre ele transformações que conduzem à sua anulação enquanto sujeito, pois transportam-no para uma dimensão não aceite como humana. 

Procurando traduzir os aspectos centrais que definem o Gótico enquanto prática literária, David Punter (1980: 404-405) chegou à síntese dos seguintes elementos: i) exploração do que o autor designa de paranoiac structure e que corresponde ao desenvolvimento de uma situação em que o terror e o que nele há de sobrenatural é posto em causa questionando simultaneamente as certezas do que se conhece como mundo natural; ii) a representação do medo que a barbárie inspira à civilização; iii) a abordagem do tabu. Perante estes elementos dá-se o que Punter (1980: 407) reconhece no romance gótico como a desmontagem da visão realista de causa-efeito, apresentada como mera simplificação e distorção de uma realidade inexplicável nesses termos. É a partilha destes aspectos, que faz integrar estes contos dentro da categoria de relatos de terror e a cuja especificidade dentro da escrita particular de Leopoldo Panero se tentará aqui fazer uma aproximação. 

A estratégia narrativa da paranoiac structure é visível nesta colectânea de contos na medida em que construção da intriga reside na maior parte dos casos num processo em que a progressiva intrusão do sobrenatural vai sendo racionalizada, mas, posteriormente, essa racionalização perde sentido quando é a própria natureza humana que escapa a qualquer justificação invertendo a estrutura de suspense e a percepção das personagens pelo leitor. O terror que estas sentem até determinado momento do texto é uma forma de resistência sustentada culturalmente e a anulação desse terror transpõe-nas para outra dimensão fora do culturalmente aceitável que, simultaneamente, é permeável ao questionamento (pela sua natureza de construção cultural) dos parâmetros do que se aceita e rejeita enquanto natural.

Se nestes contos o terror se impõe como manifestação de pertença civilizacional, neles se expõem também na sua ineficácia as estratégias que a mesma civilização desenvolve para se defender desse terror e da realidade que o motiva (bárbara ou sobrenatural), sendo que as estratégias mais recorrentes  consistem na racionalização do medo pela psicologia ou pela religião.

Relativamente ao reconhecimento do tabu e da sua abordagem o mais importante a focar parece ser a inexistência de julgamento moral a esse respeito, o que confere aos relatos um tom de amoralidade, particularmente evidente nas repetidas aproximações explícitas entre o bem e o mal, independentemente das diferenças de contextos em que ocorrem.


Referências
PUNTER, David (1980), The literature of terror: a history of gothic fictions from 1765 to the present day, Londres, Longman.
PANERO, Leopoldo M.ª (1976), El lugar del hijo, Barcelona, Tusquets.

Sónia

quinta-feira, março 20, 2008

Avaliação II


( O grito, de Edvard Munch. Daqui )

Ou assim...

Sónia



Daqui.



Alguém duvida de que na maioria das escolas será assim?


evva