domingo, maio 04, 2008

Billy Bragg

Um cheirinho do último trabalho: 
"Mr Love and Justice" de 04/03/2008.

 


Sónia

sábado, maio 03, 2008

Ainda o 1º de Maio

O 1º de Maio em Berlim é um acontecimento. Três semanas antes, começam a aparecer cartazes pela cidade a indicar o lugar e a hora da manifestação(ões) convocada(s) por um sem-número de partidos, ONG, movimentos, associações o que lhe queiram chamar. Este foi o meu segundo 1º de Maio fora do país (o primeiro passei-o em Roma) e não fiquei desapontada. Imaginem uma espécie de Festa do Avante misturada com o São João adicionem diversidade (de sexo, de estilo, de culturas) e terão mais ou menos uma ideia do ambiente vivido pelas ruas de Kreuzberg na última quinta-feira. Comida e cerveja abundantes, a cada 100 metros uma banda ou um conjnto de pessoas a tocar instrumentos. Havia de tudo: Punk, Reggae, Percussão, Rock, Ska, Música tradicional turca, soul, Samba. Para finalizar, num camião a servir de palco, a Banda Bassotti. E pela segunda vez, o meu primeiro de Maio foi dançado ao som da "Bella Ciao". A seguir, os discursos. E a prova que organização alemã não tira férias: os discursantes avisam que existe um número de telefone para onde se pode ligar caso se seja preso pela polícia (o que pelos vistos acontece frequentemente neste dia) e que a organização da festa providencia acompanhamento jurídico gratuito a quem dele necessitar. Esta informação, dada em alemão é depois repetida em inglês. E em francês. E em espanhol. Depois a manifestação propriamente dita. Ficou um pouco aquém das minhas expectativas. Já vi gritar mais e melhor em Portugal. Quem sabe o ambiente morno se ficou a dever à muita cerveja já ingerida ou ao facto de, muitos dos habitués terem ido para Hamburgo, contra-manifestarem-se contra a manifestação de Neo-nazis convocada para essa cidade. Seja como for, espero repetir. E talvez me atreva a não arredar pé e a ficar para ver como se desenrola a noite.









Joana

quinta-feira, maio 01, 2008

Bom 1º de Maio


("Solidarity Forever" interpretado por Pete Seeger and The Weavers)

Sónia

sexta-feira, abril 25, 2008

Fim-de-semana prolongado

Onde é que eu estava há 34 anos atrás? Provavelmente aos pulos junto do berço da minha irmã, a saudar o seu primeiro ano de vida.

Onde vou estar hoje?

Loooooooonge!



Regresso Domingo. Por favor, não me estraguem o estaminé.


evva

quinta-feira, abril 24, 2008

Concordo plenamente

(...) Não vale a pena, portanto, insistir e, por favor, deixem-se do ambiente sustentável, do impacte ambiental, da avaliação ambiental estratégica, e de todas essas missas tecnocráticas que só nos confundem. Dizem os filhos da mãe natureza que de emissões de CO2, a maior factura vem da China e dos EUA e de uma Europa de que nós somos só uma migalha, e que pondo uma percentagem mínima de indianos e chineses de automóvel será um estoiro e não se perceberá por que é que eles não haveriam de gostar tanto de automóveis como nós. Porque raio é que, estando a despesa tão mal distribuída, havemos todos de ter a mesma consciência e as mesmas práticas ambientais é coisa mais difícil de perceber do que a Arca de Noé.

(...) Nós não queremos mais martírios e culpas ambientais e já pagamos demasiado pelos automóveis, os seguros, os impostos de circulação, a taxa sobre os combustíveis, as portagens, as reparações, as vistorias, as pinturas, os pneus, as jantes e o tuning. Se pagamos tanto, é porque nos fazem muita falta. Não queremos biomassa, só massa e que o preço dos cereais não faça com que a massa fique mais cara. Não queremos mais discussões baseadas em sustentabilidades porque não se sabe que coisa isso seja e onde mora, e porque diz o bom senso não se poder medir nada por coisas que não se sabem o que são. Política tem mais a ver com gestão de conflitos do que com construção de consensos, segundo dizem. Que se diga então quais são os conflitos e de quem são e ficará tudo mais claro do que andar a encanar a perna à rã com sustentabilidade e outros conceitos-esponja que tudo absorvem e, em espremendo-os, também sai de lá qualquer coisa. Anda assim o povo tão baralhado que tanto faz que o novo aeroporto vá para Alcochete como para o meio do mar da Palha num mouchão sustentável (para que não se afunde) e os flamingos que se desviem ou que se suicidem em bandos para dentro das entranhas das turbinas antes que os aviões embatam nas pontes.
Razão têm as cegonhas (natureza voadora) do Baixo Mondego que, ao contrário dos flamingos, fazem ninhos nas torres de alta tensão, verdadeiros resorts naturais que compatibilizam a REN com a REN e a RAN e que dispensam declaração de PIN.

Excertos da crónica de Álvaro Domingues que saiu hoje no Público.


andré

terça-feira, abril 22, 2008

O pior bairro de Berlim?

Encontrei um blog de um artista americano (um dos muitos) que se mudou para Berlim há pouco tempo. Neste post, ele explica porque decidiu procurar casa em Neukölln, tido como um dos piores distritos da cidade e que, por acaso, até é aquele onde nós moramos...
Além de partilhar o bairro com este partilho também as suas opiniões sobre o dito. E passo a partilhá-las convosco:


"Berlin's worst district

I'm flathunting. I'm flathunting in Berlin. And I'm flathunting at a time when, thanks to my Wired column, I have a regular income for once, and can afford something really quite nice, especially in a city where rents are on average one third what they'd be in London or New York. I could be flathunting in one of Berlin's four trendy districts -- Mitte, Prenzlauer Berg, Friedrichshain or Kreuzberg. Instead, I'm flathunting in Neukölln.




Neukölln, by most accounts, is Berlin's worst district, an area with "problem schools" where teachers walk in fear of assault and students are passed through metal detectors every morning. Reports on the area stress that "Neukölln is not South Central LA. But..." (They always add the but.) Wiki-Travel says: "Neukölln was and likely always will be an under-class working borough with a big migration scene. Neukölln offers big contrasts between the poor northern part of Neukölln and the more village-looking south parts..."

On my first visit to Berlin, back in 1987 (I was touring with Primal Scream), I took the U-bahn to Neukölln to check out what had inspired David Bowie to write the fractured, angsty track on the instrumental side of "Heroes" -- his sax seems to splinter like a breaking mirror. What I discovered -- that misty evening back in the time when Berlin was still segmented, walled, and cordoned -- was the villagey-looking southern part. The place I'm now targeting for my new home is the high-density Turkish quarter in the northern part of the district. (By the way, it turns out that Bowie just wanted to pay tribute to the band Neu! The track had little to do with Neukölln itself.)

So why am I focusing my housing hunt on "Berlin's worst district"? I'll need to give you a multi-part answer:

a) As in all "bad" districts, the rents are pretty low. You get lots of space for your euro, and I have a shipment of boxes arriving soon from New York, all the books and records that have been sitting there in storage since I lived on Orchard Street.

b) I want to be near my favourite Berlin food market, the Turkish Maybuchufer market that operates, two days a week, alongside the Landwehrkanal. (This market was the site of my Fashion Muslim action last September.)



c) Districts like Prenzlauer Berg are full of yuppyish shops selling twee jewelry, expensive coffee, exotic chocolate and so on. They're full of middle class people and their children. Laidback, slow-paced, yet often uptight. (How can you be laidback yet uptight? The Germans manage it.)

d) Friedrichshain gets more and more like the Lower East Side; invaded at weekends by obnoxious people who bar-hop, ear-marked by developers who turn charmingly fusty buildings (like the big corner block on Kopernicus Strasse and Simon-Dach Strasse) into horrible "luxury apartment" complexes. The dirt and patina are being squeezed out. Money ruins everything.

e) I prefer Turkish-German culture to German-German culture. Turks, being Muslims, don't drink. They also don't rock, an important consideration! Their food is better than German food, they dress better than the Germans dress, and they embrace the sort of high-vitality, high-density lifestyles I prefer: Asian-style living.

f) Perhaps this is the most important thing, but it's the least definable: there's just some sort of magic in the corner of Neukölln where it meets Kreuzberg at the canal. It's got leafy cobbled streets, charming old buildings with atmospheric lobbies, lots of mature trees, grubby high-density bargain shopping (the kind I like) on the main streets, a subway line (the U8), water and fresh vegetables, immigrant exoticism. Yes, I refuse to condemn the exoticization of immigrants. Seeing immigrant quarters as "Romantic" or "exotic" is a valid counter-balance to seeing them as "problematical" or "undesireable".



g) I can sense that this area (eight or ten blocks) is on the cusp of something. In other words, there's a chance that this part of Neukölln (like Wedding, the other poor area currently being infiltrated by artists) will increasingly be a destination for creative people. There are already two or three art galleries on Bürknerstrasse. They're the kind of places which seem to be run entirely for the benefit of the owners, who sit outside on chairs, recognizing but ignoring others of their type and race. It's pretty much just Turks and creatives here at the moment, no yuppie babies, little dogs (with their little blobs of little dog shit), Thai restaurants or luxury apartment developments.

It's probably this "on the cusp" thing that I'm mostly responding to in this part of Neukölln. I really enjoy that feeling of being part of the birth of an area's hipness, that time when people open eccentric, short-lived businesses: funny cafes with shabby chairs and hardly anything to eat or drink, frequented by oddly-dressed people. Secret cinema clubs. That fragile period (it might last three, four years) before the real cafes and cinemas move in, and everything becomes marketed, slick, targeted, sewn-up.

Of course, even writing this "Neukölln-hype" I'm hastening the day these ten or so blocks at the north end of Neukölln become as trampled and herded as Bedford Avenue or Ludlow Street. But that day is still far off for "Berlin's worst district"."


Joana

Acerca dos medos e de coisas parecidas

Estão duas pessoas fechadas numa jaula com um leão. Nessa jaula há uma janela mas está muito alta e quase inacessível. Perante a ameaça do leão cada uma delas age de modo diferente. A primeira sabe que dificilmente conseguirá atingir a janela mas tenta na mesma. A segunda sabe que dificilmente vencerá o leão mas tenta na mesma.

História tradicional árabe


andré

A não perder!



Happy-go-lucky, o novo filme de Mike Leigh, o realizador de Vera Drake, Nu, e Segredos e Mentiras. Mais um belo momento de cinema acerca das coisas do dia-a-dia.

andré

segunda-feira, abril 21, 2008

domingo, abril 20, 2008

sábado, abril 19, 2008

Sabia que?

Berlim tem o dobro dos cinemas de Nova Iorque, apesar de ter menos de metade da população?

(informação gentilemente cedida pelos compatriotas exilados na capital alemã, e que eu confirmei aqui)
Joana

sexta-feira, abril 18, 2008

Sons de Primavera

Enquanto chove lá fora, dancemos cá dentro



If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground

As did I, we drink to die, we drink tonight
Far from home, elephant gun

Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide

Beirute

[evva]




andré

quinta-feira, abril 17, 2008

quarta-feira, abril 16, 2008

Quiero sacar a don Diego de la boca del dragón*


A notícia tem já uma semana, mas só hoje tive conhecimento, via mail, da morte de Diego Catalán Menedez Pidal.

Estou chocada, triste, revoltada.

Que grande, grande perda.

Este homem deixa uma obra ímpar, monumental, desde a investigação sobre a historiografia medieval hispânica, cujo contributo é incontornável, para dizer pouco, até ao mais recentes estudos sobre o Romanceiro. Já não se fazem homens assim.

Que os seus seguidores saibam honrar a sua memória.
Curvemo-nos.



evva

*EL INFANTE VENGADOR

Don Arbelo Pardo viene
en un caballo andador,
el cabello trae revuelto,
demudada la color.

Se topó con conde Carlos,
hijo del Emperador.
-¿A dónde va, don Arbelo
en su caballo andador?

- Voy a sacar a don Diego
de boca de aquel dragón,
y a muchos más compañeros,
que de buena sangre son.

Jornada de treinta leguas
en un día caminó;
y en llegando a los portales,
por don Diego preguntó.

¡A espacio, a espacio, Arbelo,
que estas puertas del rey son!
Tomó él la lanza en la mano
y con ella le tiró.

Se la metió por los pechos
y a la espalda le salió;
de sangre que de él salía
todo el patio se llenó.



ADENDA:

In memorian

Obituário do El País

In memorian II

In memorian III

ADENDA (17 de Abril de 2008)

Mais testemunhos: aqui e aqui.

segunda-feira, abril 14, 2008

G&J


Uns amigos à espera da cegonha criaram um blog para divulgar as suas criações. Eu quero uma trepadeira discreta na parede da sala de jantar, sim?


evva

So glad to see you



Like all birds together we will squawk and we squeak
The joy comes from all our beaks
And ringing bells is our fun
Now our ass is moving as one

If we are forgetting all the rules that we learnt
As all the rule books are burnt
And just as A follows B
Our chorus must always be

[Chorus]
So glad to see that you came
We had best times
We hope you come again
Please come and see the sea
If you come we'll have best times again
But now it's time to go
Time to go home

I have but one true friend
She sings to me in my solitude
And I know her name
I tried to know her, in all her changes
And I don't know her place
And I don't see her face

When we come together then we forget ourselves
And just as night follows day
The beginning must become the end
And so we will start again
When we come together then we meet other souls
And then we make our goodbye
And we lay our bones to rest
As birds we dream of the sky

[Repeat x4]
Please let me go
Please help me go


Hot Chip, do álbum The Warning


andré

sábado, abril 12, 2008

No meu tempo também não era assim

Quando este texto for publicado, o leitor já viu várias vezes o vídeo em que uma aluna da escola Carolina Michaëlis dá início a um motim porque a professora de Francês teve a ousadia de lhe confiscar o telemóvel. (Se não viu o filme, digo-lhe que impressiona. Sobretudo porque, enquanto a generalidade dos cidadãos é assaltada na rua, a esta senhora o gang apareceu-lhe no local de trabalho.) Também calculo que já terá tido oportunidade de ouvir várias pessoas a garantirem-lhe que isto, no tempo delas, não era assim. Eu nunca perco uma oportunidade de me juntar a um coro de moralistas (que, normalmente, têm uma afinação irrepreensível), e por isso estou aqui para dizer o mesmo: isto, no meu tempo, não era assim.

Primeiro parágrafo de uma crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão, intitulada 'No meu tempo não era assim', e que pode ser lida na totalidade aqui.


andré

A propósito de Beowulf



Há filmes que enganam e este é um deles.
Com saudades do cinema e á procura de qualquer coisa para ver, um gajo olha pra este título, dá uma vista de raspanço no cartaz e começa e pensa de imediato: qua raio da nome. Biological wolf? Be a wolf? Um gajo todo musculado? dass…
Mas um gajo é curioso (e lembra-se dos bons velhos tempos do Conan o Bárbaro) e lá vai ver quem entra aqui. Anthony Hopkins. Malkovich. Um gajo chamado Ray Winstone que representa o tal Beowulf. Ah. E a Angelina Jolie (que geralmente serve como critério de exclusão na escolha de um filme). E um gajo pensa: mais uma pessegada com um ou dois bons actores a servir de isco (lembra-se de uma ou duas e pronto, as razões para ir ver o filme são iguais a 0).

Mas eis que a vida dá as suas voltas e passados alguns dias, ainda com saudades do cinema e no meio de mais uma busca infrutífera, um gajo dá de frente com uma crítica sobre o filme (o tal Beowulf) no site do cinema.
Fala da construção do mito do heroi, passa-se na idade média, e está cheio de CGI (um gajo vai ver o quisto é, e descobre que CGI quer dizer computer generated image, uma técnica utilizada num outro filme, o Polar Express).
Por esta altura (antes de saber o que era o CGI e da ligação com o Polar Express) um gajo que já estava a ficar motivado, perde logo o power todo. O quê?! Mais uma dessas animações ambivalentes? Tipo Final Fantasy, que nem é carne nem é peixe? Nem pensar! Não vejo.
… o tipo que fez a crítica devia masé estar a querer vender bilhetes. Isto é mais um daqueles filmes pós Senhor dos Aneis que não sendo igual, não é coisa nenhuma.

Pois é…
Mas há dias em que um gajo se sente mais fraco, com vontade de ver um filme para não pensar… e eis que cai na tentação. O bilhete na associção de estudantes só custa 2 libras… as saudades do cinema… e pronto. Lá vai um gajo ver o Beowulf.
E no fim do filme, um gajo pensa: há filmes que enganam. E este é um deles.

Ok. Eu continuo a não gostar da animação ambivalente. Não vale a pena tentarem convencer-me dos méritos daquilo.
Mas o tipo da crítica, apesar estar a tentar vender bilhetes, tinha mesmo razão. O filme, passado na idade média, em terras da Dinamarca, centra-se de facto sobre a construção do mito do heroi. Mas faz mais do que isso. Contextualiza-a num momento histórico que exprime de forma muita clara a nossa necessidade de herois. E neste caso a animação permite mostrar em simultaneo um universo de personagens "reais" e um outro em que a imaginação (necessária e inerente à criação e à promoção das histórias) domina. Ao contrário de filmes como o Senhor dos Aneis, onde o discurso é dominado pela ficção, em Beowulf os problemas do dia-a-dia estão presentes, numa alusão ao que poderiamos supor que fosse a realidade da época.
Daí que, no fim de contas, não sendo nenhuma obra-prima, o filme é um bom achado.
E um gajo pensa: o resto da noite vai saber muito melhor.


andré


PS: Podem ver o trailer de Beowulf aqui. Não confundir este filme com Beowulf & Grendel cujo trailer pode ser visto aqui.

Fazem anos III



1968: Maio de 68.


















Joana

Fazem anos II




1948: A "catástrofe" palestiniana.



















Joana

Fazem anos I




1848- Manifesto do Partido Comunista





















Joana

sexta-feira, abril 11, 2008

Quero uumm!!!!!!





Se alguém souber de um revendedor da Brastemp em Portugal, agradece-se. Se fizerem descontos a professores "congelados", ainda melhor!

Sónia

Não resisti a comprar:




Joana

Voltando ao assunto...

Um texto de leitura obrigatória, por Alice Vieira

«Desculpem se trago hoje à baila a história da professora agredida pela aluna, numa escola do Porto, um caso de que já toda a gente falou, mas estive longe da civilização por uns dias e, diante de tudo o que agora vi e ouvi (sim, também vi o vídeo), palavra que a única coisa que acho verdadeiramente espantosa é o espanto das pessoas.
Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os "Morangos com açúcar", só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.

Se isto fosse o caso isolado de uma aluna que tivesse ultrapassado todos os limites e agredido uma professora pelo mais fútil dos motivos- bem estaríamos nós! Haveria um culpado, haveria um castigo, e o caso arrumava-se. Mas casos destes existem pelas escolas do país inteiro. (Só mesmo a sr.ª ministra - que não entra numa escola sem avisar…- é que tem coragem de afirmar que não existe violência nas escolas…).

Este caso só é mais importante do que outros porque apareceu em vídeo, e foi levado à televisão, e agora sim, agora sabemos finalmente que a violência existe!
O pior é que isto não tem apenas a ver com uma aluna, ou com uma professora, ou com uma escola, ou com um estrato social. Isto tem a ver com qualquer coisa de muito mais profundo e muito mais assustador. Isto tem a ver com a espécie de geração que estamos a criar. Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossosolhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.
E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam. Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido. Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho. E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse. A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho noautocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.

A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar. A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento. E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã. E nós deixamos.»


evva

E o dia começa bem...

Sónia

Para cada dia que amanhece

… e para os outros também.




Though there are tears around your heart
And your eyes are of stone
Every bright star
Will pale when you come home

Though the ground is wet with sorrow
It will always look that way
Everyone will walk in brightness
Cause it's a new day

A new day

Spring and rose again
Will see the living end

When your heart is sick with wonder
At a long and lonely way
Everyone walk in brightness
Cause it's a new day

A new day

Oh dream of mine
Not lost in sleep
I'll call you down
With the love you don't give words to
With the love you give away
Everybody walk in brightness
Cause it's a new day

A new day

Is it better to disappear
Than just to stand so near a hole?
When your hand won't recognize your face
Makes you maybe go someplace

With the tears round your heart
And the stone in your eyes
Look out your change of heart
And look at the same skies
Over ground wet with sorrow
That will always look that way
Everybody walk in brightness
It's a new day

A new day

You and the rose again
Will be the living end
When your heart is sick with wonder
At a long and lonely day
Walk in brightness
Cause it's a new day

A new day


Mary Margaret O'Hara, A new day, do álbum Miss America

andré

quinta-feira, abril 10, 2008

Bonanza!!!!!!!


Provados e aprovados... Obrigado pela dica, evva!

Sónia

Era uma vez uma idade.
Sentada à porta de casa, apascentava os seus mortos.
Quando eles se aproximavam demasiado, separava-os com uma varinha.
"Sim, porque o peso dos mortos para onde vai?" — perguntava a idade. E nesses momentos envelhecia.
Recolhia a casa e os mortos deitavam-se debaixo das árvores.
Quando os ramos extremeciam, os mortos perguntavam: a idade, para onde irá?
E erguiam-se de sob as árvores.

Tisana n.º 75
Ana Hartherley, no Pessoal e Transmissível de 28 de Março.


andré

Boa noite!


Nada como uma boa chávena de chá antes de dormir... 

Daqui )

Sónia


quarta-feira, abril 09, 2008

o SOL nem sempre nasce para todos


Na página electrónica de um jornal de referência (?), onde até às 11h30 do dia de hoje um único e singelo comentário alertava 'quando é que começam a ver pelo menos uns segundos dos jogos?', ininteligível para os mais distraídos. Na impossibilidade de comentar (é só para assinantes), aqui fica.

evva

terça-feira, abril 08, 2008

BOAS PRÁTICAS

Sala EVT1

evva

P. S.: Com um grande beijo de Parabéns

sábado, abril 05, 2008

Outro clássico

O rótulo aplica-se não só ao compositor, mas também ao intérprete e mesmo ao vídeo. Depois de uma breve introdução sobre as origens do trompete, o mexicano Rafael Méndez, no seu programa "The Trumpet", interpreta o rondó do concerto para trompete de Haydn.



Sónia

O trompete na música clássica



Torelli Trumpet Concerto in D, performed by Lertkiat Chongjirajitra with Silpakorn Chamber Orchestra, led by Tasana Nagavajara, at Mae Fah Luang University, Chiang Rai, during Jan 2008 Northern Concert Tour

andré

Al Hirt


Interpretando "Green hornet", tema  inspirado no original "Flight of the Bumblebee" de Rimsky Korsakov (na imagem).

Sónia

sexta-feira, abril 04, 2008

Enrico Rava

Ouvi pela primeira vez Enrico Rava num trabalho conjunto com o argentino Dino Saluzzi (Volver, ECM, 1987) e reencontrei-o depois no Porto, no Rivoli com o seu quinteto, num dos concertos do Festival de Jazz, nos início dos anos 90. Directamente dos "setenta", vem este registo da televisão italiana. 


Sónia

Nils Petter Molvær




andré

quinta-feira, abril 03, 2008

Swimming

Desculpem fugir ao tema musical do momento, mas com este calor só apetece mesmo




(Winning, The Sound)




nadar!




evva

Chet Baker


Sónia

terça-feira, abril 01, 2008

Novo instrumento




andré

Obrigado!

Chegou ao fim o desafio. Soube bem cada guitarrada! Em agradecimento por terem participado e por nos terem aturado, dois videos dedicados a Andrés Segovia.

i) Richard Johnson interpretando um Prelúdio de Bach  (BWV998) para Andrés Segovia no último dia do famoso masterclass de 1965  em Compostela. 




ii) o próprio Segovia interpretando Bach (Chaconne ,Part 1) 



( mais aqui )

Sónia

Quando o telefone toca...

Com o meu agradecimento ao Hugo!





Sónia

ONTEM


HOJE



andré

segunda-feira, março 31, 2008

Haka barrosã



Nós professores temos de pensar numa coisa destas para as chamadas "rondas negociais"...

Sónia

sábado, março 29, 2008

o BLOG

evva

Febre de Sábado à Noite



OLÉ!




evva

Portugal retrato social

"How did then Thatcher secure her power? The true answer may be a good deal more mundane than any talk of "hegemonic discourses". [...] She set out from the beginning to break the power of organized labour by deliberately fostering massive unemployment, thus temporarily demoralizing a traditionally militant working-class movement. She succeeded in wining the support of an electorally crucial skilled stratum of the working class. She traded upon the weak, disorganized nature of the political opposition, exploited the cynicism, apathy and masochism of some of the British people, and bestowed material benefits on those whose support she required. [...] If people do not actively combat a political regime which oppresses them, it may not be because they have meekly imbibed its governing values. It may be because they are too exhausted after a hard day's work to have much energy left to engage in political activity, or because they are too fatalistic or apathetic to see the point of such activity. They might be frightened of the consequences of opposing the regime; or they may spend too much time worrying about their jobs and mortgages and income tax returns to give it much thought. Ruling classes have at their disposal a great many such techniques of "negative" social control [...]."


Terry Eagleton, Ideology: an introduction.


Errata: "Thatcher" leia-se "Sócrates";
"British" leia-se "Portuguese";

Funciona, não?

Joana

Pois… qual era mesmo a pergunta?…



andré

Poema Antigo









O homem que percorro
com as mãos

e a lua que concebo

a altitude
do tédio




o oceano
penso paralelo — ventre
à praia intacta
das janelas brancas
com silêncio




ciclamens-astros
entre
as vozes que calaram
para sempre
o verbo — bússola
com raiz — grito de relevo




O homem que percorro
com as mãos

a estátua que consinto

a lua que concebo.



Maria Teresa Horta




[evva]

sexta-feira, março 28, 2008

Chuva

O meu compositor de eleição nestes dias: Erik Satie.





Aqui interpretado por Jean-Ives Thibaudet.

Sónia

Words without borders!


This month’s issue on contemporary Lebanese writing portrays a country shot through with menace and strafed with violence. But this Lebanon—grounded in an ancient culture both lyrical and fabulistic—features gardens alongside its guns, and even as characters flee monsters real and imagined and struggle with quotidian terror, they embrace moments of reflection and beauty. Etel Adnan, Mai Ghoussoub, Joumana Haddad, Mazen Kerbaj, Vénus Khoury-Ghata, Amin Maalouf, Alexandre Najjar, Selim Nassib, and Salah Stétié post bulletins from both political and personal frontlines. We trust you’ll find their dispatches as compelling as we do.


I-myself- highly recommend Mazen Kerbaj´s caricature (see above). As a matter of fact, it summarizes much of what you might call in Portuguese the alma libanesa-if there is such a thing anyway!
Enjoy,

Michel

Here comes the rain again



Quando começa a chover vem-me sempre, lá dos confins dos anos oitenta, esta frase, esta música. Aqui fica, numa suprema interpretação. Porque o youtube não serve apenas para divulgar a escória.*

Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion
I want to walk in the open windI
want to talk like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you

So baby talk to me
Like lovers do
Walk with me
Like lovers do
Talk to me
Like lovers do

Here comes the rain again
Raining in my head like a tragedy
Tearing me apart like a new emotion
Oooooh
I want to breathe in the open wind
I want to kiss like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you

So baby talk to me
Like lovers do
Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion
(here it comes again, here it comes again)

I want to walk in the open wind
I want to talk like lovers do
I want dive into your ocean
Is it raining with you

Um original dos Eurhythmics.

evva

* Desculpem lá variar um pouco da guitarra, mas este tempo...

Agora* sim,


posso dizer que já vi tudo. Esqueçam a metáfora do porco a andar de bicicleta.


evva


* Bom, daqui a cinco meses, para ser mais precisa.

E do Brasil...

Laurindo Almeida e o Modern Jazz Quartet interpretando "Samba de uma nota só" de  Tom Jobim e Newton Mendonça.




Mais informação aqui.

Sónia

Ry Cooder



Há imagens e sons que não conseguimos separar. Um desses casos é para mim a paisagem do Texas e a guitarra de Ry Cooder.
Cá deixo este post, para a Elsa - que tentou muitas vezes, mas não teve coragem...

Sónia

A guitarra espanhola


Paco de Lucía, Entre dos Aguas (1976)

Sónia

Mudemos o Slogan

Fátima Bonifácio* a Ministra da Educação, já!

evva

*Excelente lucidez de análise e pragmatismo, como é seu hábito, nas propostas de prevenção e sanção da indisciplina nas escolas, ontem, no debate da Sic Notícias.

quinta-feira, março 27, 2008

A guitarra portuguesa



andré

Angelo Debarre



Ele já esteve neste blog antes e vale sempre a pena traze-lo de volta.

andré

Guitar and other machines




Red shoes
Blue car
Never run
Too far

Winds push
Us along
We're so weak
And they're so strong

All I ever need
The mercy of your lies
All I ever need
The mercy of your lies
And the clouds that break
And the clouds that break

Red shoes
Blue car
Never run
Too far

Winds push
Us along
We're so weak
And they're so strong

All I ever need
The mercy of your lies
All I ever need
The mercy of your lies
And the clouds that break


(Durruti Column, Guitar and other machines, 1987, London Records)


Sónia

Woody Guthrie


Sónia

Si estirem tots, ella caurà

Lluis Llach é o nome mais conhecido da "Nova Canço" catalã, movimento musical nascido durante a ditadura franquista. Tal como em outros movimentos similares, a canção política teve um lugar de destaque. No caso concreto de Lluis Llach (que até tem uma música intitulada "Abril 74") a "canço" mais emblemática chama-se L' Estaca e, após a queda do regime de Franco, ao qual era inicialmente dirigida, tornou-se tema obrigatório nos encontros dos independentistas catalães, entre outros.



L' Estaca

L'avi Siset em parlava
de bon matí al portal
mentre el sol esperàvem
i els carros vèiem passar.

Siset, que no veus l'estaca
on estem tots lligats?
Si no podem desfer-nos-en
mai no podrem caminar!

Si estirem tots, ella caurà
i molt de temps no pot durar,
segur que tomba, tomba, tomba
ben corcada deu ser ja.

Si jo l'estiro fort per aquí
i tu l'estires fort per allà,
segur que tomba, tomba, tomba,
i ens podrem alliberar.

Però, Siset, fa molt temps ja,
les mans se'm van escorxant,
i quan la força se me'n va
ella és més ampla i més gran.

Ben cert sé que està podrida
però és que, Siset, pesa tant,
que a cops la força m'oblida.
Torna'm a dir el teu cant:

Si estirem tots, ella caurà...

Si jo l'estiro fort per aquí...

L'avi Siset ja no diu res,
mal vent que se l'emportà,
ell qui sap cap a quin indret
i jo a sota el portal.

I mentre passen els nous vailets
estiro el coll per cantar
el darrer cant d'en Siset,
el darrer que em va ensenyar.

Si estirem tots, ella caurà...

Si jo l'estiro fort per aquí...


Joana








quarta-feira, março 26, 2008

Desafio à guitarra 1: Leo Kotke



Sónia

Mais logo, no Coliseu





Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Storm.. in the morning light

I feel

No more can I say

Frozen to myself


I got nobody on my side

And surely that ain't right

And surely that ain't right


Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Ohh, can't anybody see

We've got a war to fight

Never found our way

Regardless of what they say


How can it feel, this wrong

From this moment

How can it feel, this wrong


Portishead


No que toca a guitarras, prefiro a distorção.


evva

A propósito de guitarras

Comecei a ouvir os Dire Straits com o Brothers in Arms e o Money for Nothing, e ficava fascinado com a forma estupidamente simples com que o Mark Knopfler tocava tão bem guitarra. Quando os fui ver a Alvalade já na década de 90 as coisas aproximavam-se do fim e a banda acabaria uns anos mais tarde.

Hoje sei que quando os ouvi pela primeira vez já o fim tinha começado pois após o álbum ao vivo Alchemy em 1984 nunca mais os Dire Straits conseguiram criar. Passaram apenas a reproduzir.
É a sina de muitos. Mas dá pra viver bem.

Há uns tempos atrás voltou-me a vontade de os ouvir. Peguei nos cds que ainda valem a pena e regressei a 1978, na altura em que a guitarra era pura e limpa e a música era simples e honesta.
Começava assim:



andré

terça-feira, março 25, 2008

Desafio

Há algum tempo atrás a RTP 2 emitia uma série da Britcom (não me lembro do título; se alguém se lembrar agradece-se a ajuda) que contava entre as personagens principais com um casal de pais prestes a renegar a mística da maternidade / paternidade e o seu grupo de amigos entre os quais se contavam os elementos de uma banda que trabalhava com o estúdio de gravação em que também trabalhava o desesperado papá (creio ter descrito o cenário com alguma fidelidade). Esses músicos tinham por passatempo habitual desafiarem-se a enumerar canções que apresentassem no título uma determinada palavra, como "light" em "Beginning to see the light" dos Velvet Underground, ou "a Guiding light" de Smog, ou "Pink light" de Laura Veirs, ou ...
O desafio que eu lanço é mais fácil: qualquer "post" sobre um mesmo tópico, embora gostasse de continuar "sob a batuta" da música. Proponho durante uma semana, se alinharem, posts sobre um de dois instrumentos: piano ou guitarra. O primeiro a aderir escolhe qual.


Sónia

Do Oriente

A defesa de um ensino em que se respeita a autoridade de quem a adquiriu por mérito próprio com muitos anos de estudo: o Professor. Também por isso, sou conservadora. No Combustões, um blogue monárquico que sigo assiduamente:

Sou pelo ensino "autoritário", contra as metodologias de infantilização dos adolescentes e de responsabilização de crianças, avesso ao convivialismo e partilha de soberania entre quem ensina e deve mandar e quem aprende e deve obedecer; sou absolutamente adepto da Escola entendida como fonte de apredizagem e não como armazém de díscolos, pela Escola como tarimba de cidadania, respeito e autoridade; sou pela Escola uniformizada mas não uniformizadora, sem distinções de posse e origem social na separação entre aqueles que a inteligência prepara para dirigir e aqueles aos quais caberão tarefas menos responsáveis; sou pela Escola que não incuta medo, mas não prepare nem parasitas nem ralé; sou pela Escola que saiba, com justiça, afastar do caminho da Universidade quem a ela não pode aspirar. Depois de ver as imagens (...), deixo, definitivamente entregue ao seu triste destino o país selvagem, raleficado, insubmisso, inacessível ao bom senso em que se transformou o Portugal portugalinho, de Veiga Simão e Roberto Carneiro a Maria de Lurdes qualquer-coisa. Aqui, onde estou, os alunos da universidade levantam-se quando o professor sai ou entra, depositam os telemóveis desligados num cesto existente à porta das salas de aula, pedem desculpas quando chegam 2 minutos atrasados, levantam o dedo para pedir para ir à casa de banho, não comem, não dormem, não namoram nem lançam bilhetes uns aos outros. Estes alunos estudam 8 horas e dedicam mais quatro ou cinco horas aos trabalhos escolares caseiros. Aqui vive uma juventude livre, sorridente e aplicada que todos os dias agradece aos professores o esforço e as canseiras de uma carreira mal remunerada mas quase venerada.

Miguel Castelo-Branco»


evva

E no Ensino Superior, que tal?

Ruído no anfiteatro
por Rui Bebiano (Sexta-feira, 21/03/2008)

«Todo o país viu as imagens e fala no caso da agressão da aluna da Carolina Michaëlis à sua professora de Francês. A atitude é de unânime condenação, embora eu desconfie que alguns estudantes da faixa etária da agressora possam considerá-la uma heroína e, em certos casos, tenha já «molhado o pão» no apetitoso lombo de outro infeliz docente (ou, pelo menos, tenha sentido uma quase-irreprimível vontade de o fazer). Têm sido distribuídas as culpas por toda a gente, colocando-se por vezes a agressora – que não deixa de o ser pelo facto de não ter batido na cara da professora – numa posição protegida de «vítima do sistema» que lamentavelmente perdeu a compostura. Sem querer insistir no que tem sido dito (um largo leque de posições pode ser encontrado na caixa de comentários de um post de Daniel Oliveira), chamo a atenção para algumas coisas que me perturbaram particularmente e que estão para além da agressão em si. São elas a cumplicidade ou a inacção do conjunto da turma, a falta de uma reacção decidida da professora, a não-apresentação imediata de queixa, a incapacidade da direcção da Escola para tomar medidas claras e prontas (e depois para esclarecer devidamente a opinião pública), a revelação de uma sucessão de casos análogos ou piores entretanto silenciados, o facto da esmagadora maioria das vítimas destes casos serem mulheres, o silêncio conivente dos pais dos jovens agressores (que terão a dizer disto as sempre tão buliçosas «comissões de pais»?). E ainda a real responsabilidade dos governos que têm vindo a retirar prestígio e autoridade aos professores.

O caso leva-me a reflectir sobre a minha própria experiência, e a falar aqui de um assunto que permanece tabu, ainda que falado entre dentes, com sinais de vergonha, por professores, agora do ensino superior, que não sabem o que fazer e começam também a temer o pior. Dou aulas numa universidade desde 1981, e, naturalmente, ao longo de todos estes anos tenho-me confrontado, na relação mantida com dezenas de milhar de alunos, com comportamentos muito diferenciados no espaço das aulas. Apesar dessa diversidade, e tendo conservado sempre uma relação nada autoritária com a generalidade deles, jamais tive o menor problema disciplinar. Tanto quanto sei, a mesma coisa se passava com quase todos os meus colegas (as raríssimas excepções ficaram quase sempre a dever-se a atitudes de incompetência ou de arbitrariedade). Quando começaram a suceder-se os problemas disciplinares nas escolas secundárias, estes não se reflectiram logo nas universidades, presumindo-se sempre que os estudantes entretanto «cresceriam» e manteriam já comportamentos responsáveis quando chegassem aos nossos anfiteatros.

Mas tudo mudou há cerca de dois ou três anos atrás. A verdade é que, após as sucessivas vagas de alunos com deficiente formação científica imposta por programas e métodos no mínimo discutíveis, começaram a chegar às escolas superiores estudantes com uma quase nula formação cívica e frágil capacidade de autoresponsabilização. E, pela primeira vez, eu e muitos colegas - com toda a experiência de anos de trabalho, com todo o prestígio que a maioria acreditava ter conquistado para a vida - começámos a ter problemas: alunos que conversam sistematicamente durante as aulas, que chegam atrasados todos os dias, que entram e saem sem uma palavra, que não desligam o telemóvel, que se dirigem ao professor de forma impertinente, que exigem facilidades confundidas com direitos sem cumprirem deveres, que em muitos casos nem sequer distinguem claramente as competências de quem ensina e as suas próprias obrigações. Falta o último passo que, ao que se vê, no ensino secundário há já muito tempo foi dado: transformar as aulas num campo de batalha. Este passo não é inevitável: quero acreditar que, a ser bem aplicado, o previsto sistema de tutorias possa ajudar a melhorar os processos de responsabilização e a articulação entre a vida e a escola, como quero acreditar que a ampliação dos cursos de 2º e 3º ciclo traga para a vida nas escolas superiores pessoas mais amadurecidas e tolerantes. Como acredito nos alunos interessados, empenhados e até afectuosos. Mas temo que, entretanto, algo de mau possa acontecer.

Claro que a maioria dos estudantes universitários - sei-o por tentar andar de olhos abertos e graças a uma sucessão de óptimas experiências pessoais - não se enquadra neste cenário de catástrofe anunciada. A maioria dos alunos do secundário, acredito, também não se adequará a ele. Só que aos outros, aos elementos de uma minoria a quem é permitido protagonismo, o sistema educativo em vigor e as políticas que estão a ser aplicadas, minando a centralidade do professor na escola como na sociedade, conferem um grau de manobra cada vez mais perigoso. Que o meio social envolvente observa demasiadas vezes com um encolher de ombros.

P.S. - Pouco deve interessar, em casos como aquele que desencadeou o actual debate, o desculpabilizador discurso pedopsi sobre o telemóvel enquanto prótese. A admissibilidade do seu uso imoderado começa quase sempre em casa e apenas é possível porque, daí até à escola, tem sido mantida toda uma rede de permissibilidade que não deixa muitos jovens perceberem (ou não os obriga a perceberem) que existe uma dimensão de sociabilidade moderadora da utilização lúdica ou produtiva da máquina, de qualquer máquina. Que há vida para além dela.
»




evva (sublinhados meus)

Para quando avaliar os Encarregados de Educação? III



Daqui.

evva

Um hino à '(des)educação*'

* por iniciativa ministerial




A situação é grave, muito grave. A forma como o novo Estatuto do Aluno tem vindo a ser propagandeado - eficaz arma de combate à indisciplina -, só nos pode deixar inquietos, se conseguirmos evitar não rir.

Já há algum tempo, meses até, exactamente a partir do momento em que se começou a falar deste novo Estatuto, que os alunos perguntam 'Então agora podemos faltar à vontade que não reprovamos?', ao que se responde continuamente 'Claro que não, o novo Estatuto ainda não entrou em vigor'.

Os alunos do Ensino Secundário anseiam diariamente por este Estatuto. Só quem está totalmente alheado da selva em que se tornaram as nossas escolas pode proclamar que esta nova forma de cabulice institucional melhorará o comportamento dos alunos nas aulas.

Exige brevidade na comunicação de faltas e ocorrências aos Encarregados de Educação? A grande maioria dos professores já adoptou esta atitude, a única maneira de precaver ou fazer face a situações de indisciplina.

Permite processos sumaríssimos para sancionar essas situações? Toda a gente sabe que a maior parte dos alunos indisciplinados (são muitos e cada vez mais), ao fim de cinco dias de suspensão, a pena máxima que a lei prevê, voltam para a escola para fazer igual ou pior.

Mas o mais grave que a divulgação das recentes imagens provocará, quando na próxima segunda-feira recomeçarem as aulas, é a repetição destes comportamentos 'por imitação', se não forem tomadas medidas urgentemente exemplares. Foi esta uma das razões que nos levou à decisão de não divulgarmos aqui as imagens do Carolina Michaelis (uma escola com pergaminhos mas que quase nunca protegeu os professores em situações de indisciplina e agora vê o seu nome ser arrastado na lama do sistema educativo português), para além da preservação da identidade da colega (poderia ser qualquer um de nós). Poderá acontecer a qualquer um.



evva



P. S.: Quando na década passada o Contra-Informação começou a brincar com Pinto da Costa terminando todas as intervenções do boneco com o já clássico 'penso eu de que', os meus alunos perguntaram-me por que razão toda a gente se ria com aquelas palavras. Não entendiam o erro repetido à exaustão. Foi uma boa oportunidade de lhes explicar a sintaxe do verbo. Só não sei (já passou tanto tempo) se sumariei esses profícuos cinco minutos de aula.

Se fosse hoje, e numa aula assistida para efeitos de avaliação, provavelmente teria a nota mínima no 'cumprimento da planificação'. Mas talvez me dessem um Bom no item 'aproveitamento pedagógico de situações imprevistas'. Só para responder à pergunta 'por que demoram tanto as reuniões de Departamento cuja ordem de trabalhos consiste em debater a avaliação do desempenho docente'. Réplica: a maior parte dos critérios de avaliação são contrasditórios.

Foi por estas e por outras...

que me des-sindicalizei (façam o favor de registar o neologismo que não é decerto da minha autoria, tal a quantidade de vezes que já o ouvi):


"Lidar com indisciplina não é uma prioridade."
Mário Nogueira, secretário geral da Fenprof, "Diário de Nóticias", 25-03-2008

(via 'A frase do dia', Público)


evva

"Dá-me o telemóvel, já!". Por Mário Crespo

No Jornal de Notícias de ontem, 24 de Março de 2008:

Por isto a Turma do 9.ºC tem de acabar! Por uma questão de exemplo, os alunos têm de ser dispersos por outras turmas e o 9.º C deve ficar com a sala fechada o resto do ano, numa admoestação clara de que este género de comportamento chegou ao fim. Maria de Lurdes Rodrigues não pode ficar à espera de receber outra vez o apoio do primeiro-ministro. Depois disto, é seu dever sair do cargo. E não é, como diz constantemente, a mais fácil das soluções. É a medida necessária para que haja soluções. A saída da ministra é, viu-se agora, uma questão de segurança nacional. É a mensagem necessária para a comunidade escolar, alunos e professores, entenderem que o relaxe, a desordem e o experimentalismo desenfreado chegaram ao fim. Que não há protecção política que os salve já da incompetência do Ministério, da DREN e de tudo o mais que nestes três anos nos trouxe à vergonhosa situação que o vídeo do YouTube mostrou ao país e ao Mundo. Uma questão mais os sindicatos viram as imagens de um crime a ser cometido em público contra uma professora. Façam o que devem. Façam as devidas queixas-crime contra a aluna agressora e contra quem filmou e usou abusiva e ilegalmente da imagem da professora a ser martirizada. O crime foi visto por todos. O Ministério Público tem competência para mover o adequado processo contra esses alunos. Cumpram o vosso dever sem tibiezas palavrosas. Já não se pode perder mais tempo com disparates. »


evva

Regresso ao passado



Sade, Smooth Operator, do álbum Diamond life

andré

segunda-feira, março 24, 2008

Encontramo-nos em Nenhures?

NENHURES é uma Produção do TEATRO BRUTO (de 27 Março a 6 Abril, no Teatro Carlos Alberto; ter-sáb 21:30 dom 16:00; M/12 anos).




Pouco conformável a textos dramáticos preexistentes, e aprofundando um trabalho que tem passado sobretudo por autores de língua portuguesa (destaque para as recentes colaborações com o angolano Ondjaki), o Teatro Bruto convidou Daniel Jonas (n. 1973) – poeta e autor de uma surpreendente tradução do Paraíso Perdido de Milton – a informar as inquietações artísticas que atravessam o trabalho da companhia. Cultor de um imaginário luxuriante, Daniel Jonas estreia-se na escrita dramática tecendo uma desregrada comédia de enganos, autêntica máquina de emaranhar paisagens ou caixa de ressonância de múltiplas inspirações. Encenado por Ana Luena, Nenhures explora a deriva de Tristão, o amante destroçado que empreende uma viagem de Inverno por um mundo exterior que não é senão a equívoca projecção do seu mundo psíquico. Mas essa pátria simultaneamente melancólica e demencial chamada Nenhures é também o espaço de uma euforia psicodramática, em que as personagens se desdobram em alter-egos vários, e o tempo de uma excêntrica reflexão sobre a acção teatral.

29 Mar · À conversa com os criativos: sáb 16:00 · Entrada gratuita. A encenadora Ana Luena e o autor Daniel Jonas conversam com o público sobre a construção do espectáculo Nenhures.
Mais informações em http://www.tnsj.pt/, através da linha verde 800-10-8675 ou junto do departamento de Relações Públicas (22 340 19 51), através da linha verde 800-10-8675 ou junto do departamento de Relações Públicas (22 340 19 51)

[evva]

domingo, março 23, 2008

Um bom Domingo de Ressurreição


Ressurreição de Cristo
Gregório Lopes (1539-1541,)
Museu Nacional de Arte Antiga
Proveniência: Mosteiro de Santos-o-Novo (Lisboa)
©IPM


Scimus Christum surrexisse a mortuis vere;
tu nobis, victor Rex, miserere.
Amen. Alleluia.


evva

E PARA QUANDO A AVALIAÇÃO DOS PAPÁS?

Uma pergunta já formulada aqui no blog, mas que os professores do Ensino Básico e Secundário repetem todos os dias:


Por Ferreira Fernandes, no DN de 21/03/2008:

«O Carolina Michaëlis, que já teve o belo nome de liceu, não serve os miúdos do bairro do Aleixo, no Porto. Não, aquele vídeo (...) não mostra gente com desculpas fáceis, vindas do piorio. Pela localização daquela escola, quem para lá vai vive às voltas da Boavista e os pais têm jantes de liga leve sem precisar de as gamar. Os pais da miúda histérica que agride a professora de francês estarão nessa média. Os pais do miúdo besta que filma a cena, também. Tudo isso nos remete para a questão tão badalada das avaliações. Claro que não me permito avaliar a citada professora. A essa senhora só posso agradecer a coragem. E pedir-lhe perdão por a mandar para os cornos desses pequenos cobardolas sem lhe dar as condições de preencher a sua nobre profissão. Já avaliar os referidos pais, posso: pelo visto, e apesar das jantes de liga leve, valem pouco. O vídeo mostrou-o. É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos

evva