quarta-feira, julho 30, 2008

Trabalhadores Intelectuais pelos Direitos do Trabalho, pela Democracia

"As propostas de revisão do Código do Trabalho apresentadas pelo Governo PS, se fizessem vencimento, representariam um enorme retrocesso social e um novo e grave empobrecimento da democracia portuguesa, já hoje seriamente debilitada. 

Elas revelam um intolerável espírito de serviço ao poder económico: 
  • desregulamentam o horário de trabalho, permitindo o aumento dos limites diários e semanais, sem pagamento de trabalho suplementar ou nocturno; 
  • facilitam os despedimentos individuais sem justa causa; 
  • fragilizam a negociação colectiva, permitindo que o patronato, por declaração sua obtenha a caducidade dos contratos colectivos; 
  • atacam a liberdade de organização sindical; 
  • tornam mais barato o custo do trabalho, tornando mais injusta a distribuição da riqueza socialmente produzida entre remunerações do trabalho e pelos lucros do capital. 

Estas alterações para pior de um Código do Trabalho que já era mau são um escândalo para a nossa consciência livre e democrática. 

É importante que cada trabalhador compreenda que não é a precarização do trabalho dos outros que beneficiará as suas condições de trabalho 

Não pode ser aceite que o poder político entregue ainda mais poder a quem já o tem, à custa de quem é crescentemente esbulhado dos seus direitos fundamentais. A protecção constitucional do direito ao trabalho e do trabalho como fonte de direitos é fundamental à democracia portuguesa. Pelo contrário, a ofensa a esses direitos enfraquece a democracia. 

A política que permite que o grande capital possa contar com uma mão de obra barata, para fazer crescer os seus lucros, tem no nosso país uma negra história de cumplicidades ao longo da ditadura fascista. Quando em nome da “modernização” capitalista se argumenta hipocritamente com a liberdade de escolha individual de cada trabalhador para conseguir destruir direitos do conjunto dos trabalhadores e de cada trabalhador, é bom lembrar que essa argumentação é velha e foi derrotada há mais de 150 anos. 

É a política deste governo que é velha e retrógrada. Nós, trabalhadores intelectuais, não a deixaremos passar. "

(Petição redigida por André Levy Martins Coelho e publicada em www.PetitionOnline.com)


Podem assinar a petição aqui.

Sónia

segunda-feira, julho 28, 2008

A propósito da suposta morte da cultura francesa




Em Novembro do ano passado a revista norte americana Time teve como título de capa The death of French Culture. Perante impacto que esta reportagem teve em França, o Público publicou no passado dia 24 de Julho, no seu suplemento P2, um artigo de duas páginas dedicado ao assunto.

Eu confesso que de cultura francesa sei muito pouco. Como pequeno exemplo, neste blog há pessoas com um conhecimento muito mais vasto e profundo sobre o tema. Eu limito-me a ouvir e tentar entender. Contudo, não posso deixar de manifestar a minha admiração e entusiasmo pela actividade cultural que vem de lá. Hoje por exemplo vou ver mais um filme francês, de nome Paris, uma das minhas cidades preferidas.

Estando em Inglaterra mas não em Londres, a comparação entre as a cultura inglesa e francesa é quase inevitável. E aquilo que mais me salta à vista é a diferença que ambas dão à valorização das ideias de belo e de prazer. Em Inglaterra parece haver uma atitude quase esquizofrénica em relação às duas. Por um lado toda a gente olha para os franceses quando pensa em vestir com charme ou luxo, ou então quando pensa em bons vinhos e comida sofisticada. Por outro lado, no dia-a-dia, esta visão é completamente posta de lado, porque para além do mais aqui fica sempre muito bem dizer mal dos franceses (nunca me dei ao trabalho de saber se esta atitude é reciproca). Em Inglaterra a funcionalidade das coisas prevalece ao seu aspecto exterior (uma das razões para eu querer ir à Alemanha é saber se lá conseguiram combinar os dois factores). Enfim... diferenças históricas.

Quando penso em países bonitos e em gente bonita e bem vestida, vou dar invariavelmente a Paris, Provença, Veneza, ou Florença. Quando penso no melhor cinema, na melhor pintura, nos melhores vinhos, ou em alguma da melhor comida, vou dar ao mais ou menos ao mesmo sítio. Mas lá está, são ideias muito marcadas pelo passado. Os poucos pintores comtemporâneos que conheço e gosto são norte-americanos. A industria da moda tem hoje uma escala global e não tão marcada por Paris ou Milão. E apesar de continuar fiel ao cinema francês, os temas e as imagens vindas da Asia ou da América do Sul já há muito que me conquistaram também.

Como escreveu um dia Edward Said, cultura é performance, e basta olhar para Hollywood ou para a Coca-cola para perceber isso rapidamente. Quem hoje ler os Maias de Eça de Queiroz percebe bem o impacto que o chic teve em Portugal há umas dezenas de anos. Mas já foi. Hoje o marketing e o cool têm mais impacto. Sinais dos tempos...
Fico todavia descansado pelo facto de os Ingleses, os Norte-americanos, e gente de muitos outro países continuar a achar que ir a Paris é obrigatório porque é lindo. Creio que enquanto houver procura pelo que é belo viveremos todos um pouco melhor.


andré

Crass

Seguindo a pista de "12 Crass songs" de Jeffrey Lewis:




Mais aqui

Sónia

(Obrigada Wouter!)

As primeiras letras




Sónia

domingo, julho 27, 2008

Jantar de amigos IV

A Amélia diz que o "gazpacho" está a ficar frio...

tsss, tsss...

Sónia

Jantar de amigos III

E para digerir as entradas antes do gaspacho...



caminhemos!

evva

Jantar de amigos II

Onde estão os canelones de espinafres, hum?


evva 

Jantar para os amigos



Mais aqui.

Sónia

sábado, julho 26, 2008

quinta-feira, julho 24, 2008

segunda-feira, julho 21, 2008

Frase do mês

Yesterday is history, tomorrow is a mystery, but today is a gift. That is why it is called the present.

Mestre Oogway, em Kung Fu Panda.

andré

Bolas de Berlim


Quando as come um português,

Como logo duas ou três


As do Zé Natário, claro...

Confeitaria Natário
Rua Manuel Espregueira - 37
Viana do Castelo 


Sónia

domingo, julho 20, 2008



Please, remember me, happily,
by the rosebush laughing
with bruises on my chin, the time when
we counted every black car passing
your house beneath the hill, and up until
someone caught us in the kitchen
with maps, a mountain range, a piggy bank
a vision too removed to mention

But please remember me, fondly,
i heard from someone you're still pretty
and then they went on to say that the Pearly Gates
have such eloquent graffiti
like: “we'll meet again” and “fuck the Man”
and “tell my mother not to worry”
and angels with their great handshakes
but always done in such a hurry

and please remember me, at Halloween
making fools of all the neighbors
our faces painted white, by midnight
we'd forgotten one another
and when the morning came I was ashamed
only now it seems so silly
that season left the world and then returned
and now you're lit up by the city

so please remember me, mistakenly
in the window of the tallest tower
call, then pass us by, but much too high
to see the empty road at happy hour
gleam and resonate just like the gates
around the Holy Kingdom
with words like: “lost and found” and “don't look down”
and “someone save temptation”

and please remember me, as in the dream
we had as rug-burned babies
among the fallen trees and fast asleep
beside the lions and the ladies
that called you what you like and even might
give a gift for your behavior:
a fleeting chance to see a trapeze-
swinger high as any savior

but please remember me, my misery
and how it lost me all i wanted
those dogs that love the rain, and chasin' trains
the colored birds above there runnin'
in circles round the well, and where it spells
on the wall behind St. Peter
so bright on cinder gray in spray paint:
“who the hell can see forever?”

and please remember me, seldomly
in the car behind the carnival
my hand between your knees, you turn from me
and said the trapeze act was wonderful
but never meant to last, the clowns that passed
saw me just come up with anger
when it filled with circus dogs, the parking lot
had an element of danger

so please remember me, finally
and all my uphill clawing
my dear, but if i make the Pearly Gates
i’ll do my best to make a drawing
of God and Lucifer, a boy and girl
an angel kissin’ on a sinner
a monkey and a man, a marching band
all around the frightened trapeze-swinger

nah nah nah, nah nah nah nah …

The trapeze swinger, de Iron & Wine, incluido na banda sonora do filme In Good Company


andré

Handel - Ombra mai fu - Andreas Scholl


Sónia

sexta-feira, julho 18, 2008

Boa sorte Carlos!


Foto de Enric Vives-Rubio, no Público de 17 de Julho de 2008

Não há muitas figuras do desporto nacional pelas eu sinta simultaneamente respeito e admiração. Enfim… não é que a nossa opinião conte para nada na vida de pessoas que se conseguem evidenciar mas não é por chegarmos a adultos que nos deixamos de identificar ou de referenciar nas atitudes e comportamentos de pessoas que são um bocado mais conhecidas do que nós.

Carlos Queiroz é talvez o mais qualificado e aquele com maior palmarés de entre todos os treinadores portugueses da actualidade. O seu trabalho com selecções nacionais inclui o título de campeão do mundo sub20 com Portugal em 1989 e 1991, o apuramento da selecção de Africa do Sul para o mundial sénior de 2002, e a elaboração de um plano de desenvolvimento do Futebol nos EUA com vista ao Mundial de 2010. É por muitos considerado o principal responsável pela organização dos escalões de formação da selecção nacional que esteve na origem da chamada "geração de ouro" da qual fizeram parte entre outros Luis Figo, Rui Costa e João Pinto.
Enquanto treinador de clubes esteve no Real Madrid, no Sporting, no NY/NJ Metro Stars (EUA) e no Nagoya Grampus Eight (JPN). Actualmente era treinador adjunto do Manchester United onde foi campeão de nacional e campeão europeu de clubes (Champions League).

Para além do seu currículo de treinador, Carlos Queiroz tem também trabalhos publicados ao nível da organização do jogo de Futebol que constavam do currículo da cadeira de Futebol na universidade onde me licenciei. Apesar de não poder ser qualificado como um académico, esta combinação entre a boa investigação e excelência no trabalho prático não é comum do desporto nacional. O único exemplo de comparação de que me lembro é o de Jorge Araújo no Basquetebol.

Já passaram muitos anos desde a sua saída intempestiva da selecção nacional e grande parte do seu palmarés foi alcançado a seguir. Entretanto o patamar de exigência em relação à selecção nacional e à performance do futebol português aumentou.
Pode ser que desta vez as coisas lhe corram melhor. Eu fico a torcer para que sim.


andré

terça-feira, julho 15, 2008

domingo, julho 13, 2008

Mathieu Boogaerts

Porque um professor não descansa nem quando relaxa... uma sugestão musical para actividades de compreensão oral nas aulas de Francês:



Sónia
(na verdade, procurava do mesmo autor "Bon voyage", mas não arranjei o video. Fica registada a intenção e os votos de que assim seja.)

Escolhas difíceis...




Sónia

quinta-feira, julho 10, 2008

The whitest boy alive



("Golden Cage", video oficial)

Sónia

segunda-feira, julho 07, 2008

Temos MESTRE!


Parabéns, Sónia!


evva

O nosso coração está hoje em Évora



FORÇA, SÓNIA!


evva et alii

domingo, julho 06, 2008

segunda-feira, junho 30, 2008

¡Alegría!




Sónia

A propósito da vitória da Espanha


Christian Charisius/Reuters, do site do Público

Salvo raras excepções continuo a acreditar que são as melhores equipas que ganham as competições. No euro 2004, por exemplo, ganhou a melhor equipa. O facto da Grécia ter jogado mal não lhe tira o mérito. O problema foi as restantes equipas terem jogado ainda pior. Por todas as razões e mais algumas, o que se passou dentro do campo nesse campeonato não vai deixar grandes memórias. Fora dos estádios foi aquilo que o presidente da UEFA apelidou como o "melhor europeu de sempre". Mas passemos à frente...

Nos campeonatos da Europa e do mundo, nem sempre ganha a equipa que joga melhor futebol. Exemplos disso (dos que me lembro) são o Brasil no campeonato do mundo de 1994 (jogou mal) e 2002 (jogou mais ou menos mal) ou Itália no de 2006 (a Itália joga quase sempre para não perder, o que dificilmente resulta em boas exibições). No euro 2000, a França tirou-nos uma vez mais da final, o que teria sido uma recompensa merecida por aquela que foi, talvez, a nossa melhor exibição até hoje. Mas é assim mesmo. No fim, quem marca mais golos ganha. E mai nada!

Felizmente, há campeonatos em ganha quem merece, e são esses que a memória conserva. Com o risco de esquecimento e da normal subjectividade, aqui vão os três de que me lembro: Argentina no mundial de 1986, Holanda no euro 1988, e a França no mundial de 1998.
No euro 2008, a Espanha foi de longe a equipa mais consistente. Nos resultados e nas exibições. Mas o que interessa é que jogou bom futebol. Não se fiou na sorte, como a Holanda, ou no destino, como a Itália, e não se armou em chico-esperto, como Portugal. Foi mais regular do que a Alemanha, e ao contrário da França, sabia bem o que estava a fazer dentro do campo. Terá talvez tido sorte em não ter encontrado a Turquia. Mas a sorte sempre foi um previlégio dos campeões. Quando o melhor futebol ultrapassa todos os obstáculos, há que celebrar. Portanto: Vivá Espanha!


andré

domingo, junho 29, 2008

sábado, junho 28, 2008

Todos à rua!!!


No Porto, às 15h30 na praça da Batalha.

Sónia

segunda-feira, junho 23, 2008

Esbjörn Svensson Trio: 1993-2008



Deram um dos concertos da minha vida, há um par de anos na Casa da Música.
Infelizmente não vão dar mais. Esbjörn Svensson morreu no passado dia 12 de Junho num acidente de mergulho. Fica a música…

andré

domingo, junho 22, 2008



In a sentimental mood
I can see the stars come through my room
While your loving attitude
Is like a flame that lights the gloom

On the wings of every kiss
Drifts a melody so strange and sweet
In this sentimental bliss
You make my paradise complete

Rose petals seem to fall
It's all I could dream to call you mine
My heart's a lighter thing
Since you made this night a thing divine

In a sentimental mood
I'm within a world so heavenly
For I never dreamt that you'd be loving sentimental me


andré

segunda-feira, junho 16, 2008

domingo, junho 15, 2008

Parabéns, Joaninhas!






evva

Prognóstico...

Hoje ao fim da tarde vai ser uma boa altura para estar em qualquer lado onde costuma estar muita gente...


Sónia

terça-feira, junho 10, 2008

De regresso a 2008



The ting tings, That's not my name, do álbum We started nothing.
Mais músicas do grupo aqui.


andré

Anos 80: The Stranglers


Sónia

domingo, junho 08, 2008

Ao desafio?

Mais um "clássico" dos anos oitenta:




The Clash, "Should I stay or shoud I go" (1982)

Sónia 


quinta-feira, maio 29, 2008

A gata desceu do palco...




... e a malta gritou "Moonshine!!!!"

Sónia

quarta-feira, maio 28, 2008

Tão lindo!



My blueberry nights, de Wong Kar Wei


andré

Antevisão?

O concerto de Lisboa, por Pedro Mexia:


Os concertos de Cat Power são sempre happenings emocionais. Quer as coisas corram mal (como no seu primeiro concerto português) quer corram bem (como no segundo), a intensidade está garantida. Não pude estar presente na sua estreia portuguesa, a tal que descambou numas fitas alcoólicas. Na altura do segundo espectáculo (triunfal) estava eu em prisão domiciliária e também não fui. Ontem, no Coliseu esgotado, vi finalmente a georgiana da franjinha, e nem sei que vos diga. Foi muito bom, embora tenha sido fraquinho. Explico: a rapariga estava nervosa, a voz cansada, os gestos desconexos, os movimentos erráticos. Há notas que ela dá nos discos e que ao vivo nem tentou. Não faltava entrega, mas faltava segurança, e várias vezes ela pediu desculpa, ou conversou com os técnicos ou cirandou indecisa. Cat Power teve a ingrata tarefa de apresentar um disco de covers (Jukebox, 2008), mas felizmente tem uma banda bestial (Dirty Delta Blues Band) que vai de Billie Holliday a Jagger, e de Otis Reading a Sinatra, com grande brio e bravura. Ela passarinhava pelo palco, às vezes cantava a meia voz, outras vezes tentava uma descontracção jazzística, outras ainda apostava numa tensão emotiva e gingante muito seventies. O concerto ia vogando entre medíocre e médio, com visitas a The Greatest (2006) pontuais arrancanços. O mais consistente foi «Metal Heart» (álbum Moon Pix, 1998), uma descarga de energia pulsional capaz de desfazer as pedras da calçada. O mais estranho foi o final do concerto, já não um momento musical mas uma catarse colectiva, com a mais longa saída de palco a que já assisti (e sem encores). Cat Power tinha vindo contorcer-se e condoer-se no meio da plateia, e o público apoteótico ficou asism até ao fim, todos em pé e ela dando mais uns passinhos e agradecendo mais uns segundos, mais uns minutos, recebendo flores, aos saltos teatrais, vénias e salamaleques, os aplausos não acabavam e a banda já estava no duche e as luzes já estavam acesas, e já se ouvia a música de debandada e ela ainda ali a agradecer, a agradecer, as pessoas entusiasmadas porque ela não saía do palco, ela que não saía do palco porque as pessoas estavam entusiasmadas, estranha rapariga de feições estranhamente belas e vincadas, que agradecia mais e mais, essa rapariga de quem gostamos porque sofreu, de quem gostamos porque se engana e pede desculpa, de quem gostamos e que aplaudimos porque teve a coragem da sua fragilidade.


[evva]

terça-feira, maio 27, 2008

Sugestão


The Clientelle, no Passos Manuel, esta sexta.

Sónia

Recordatório



Cat Power no Coliseu do Porto, já amanhã!!!!

Sónia




andré

segunda-feira, maio 26, 2008

A propósito de La pelota vasca

Corrijam-me se estiver errado mas o que se vive no país Basco deve ser o último caso de terrorismo ainda existente na Europa dos 27. E se não for único não deve haver muitos mais para contar.
O documentário realizado por Julio Medem em 2003 aparece em pleno governo Aznar, pouco depois da ilegalização do Batasuna, e com o movimento Basta Ya como pano de fundo. Digamos que nesta altura a situação que nunca foi simples estava um pouquinho complicada.
Daí que não espanta que se diga logo no início que esta é uma obra para promover o diálogo. Assim se espera.

Passado o período das certezas, hoje o melhor que sei fazer é acumular dúvidas. Não dívidas. Essas, felizmente estou a conseguir pagar, com mais ou menos esforço.
Mas, até um gajo cheio de certezas fica um pouco confuso quando aborda a questão do país basco. Afinal aquilo é Espanha ou não é Espanha? E se não é Espanha, deve ou não dever ser independente? E se deve ser independente, o que fazer com a Catalunha e com a Galiza?
Este é um dos méritos do documentário, o facto de apresentar os problemas que estão por detrás do terrorismo. É que de vez em quando, de tanto mediatizarmos a superfície das coisas, esquecemos da sua substância. E convenhamos, é mais fácil culpar os bascos pelo terrorismo do que tentar encontrar uma solução para a sua autonomia.
Culpados há dos dois lados. De um lado, temos os tipos do género 'sou diferente e quero manter-me diferente' do outro lado tipos do género 'somos todos iguais e temos de ser todos iguais'.

Outro dos pontos de interesse do documentário é o elevado número de pessoas que envolve, de políticos a académicos, passando por músicos e polícias, na maiora de origem basca. Vítimas, aparecem de ambos os lados. As viúvas, os orfãos, as mulheres dos condenados que têm de andar a fazer viagens pelo país para ver os seus maridos, os presos torturados, estão lá todos. Dos agressores temos mais imagens do que depoimentos, o que não é de estranhar. Por exemplo, o maior de todos eles, o sr. general, jaz tranquilo na sua tumba. Não se pode fazer muito em relação a ele. E no entanto, é a partir da guerra civil e do ambiente que se cria no regime franquista que nasce muita da animosidade e, sobretudo, é aí que nasce a ETA.

O que me leva a uma das conclusões mais tristes do documentário. Pensar que grande parte do problema Basco se relaciona com a barbarie de um regime que já passou à história mas do qual, ainda hoje, a Espanha tem dificuldade em se libertar. Nesse sentido, é ainda mais triste pensar que um partido democrático como o PP possa ser, de alguma forma, refém ou cumplice desse passado. A segunda conclusão triste é pensar que muitos dos nacionalistas toleram a violência da ETA. Por um lado, dá jeito para reivindicar autonomia, e por outro, alivia o rancor das muitas feridas abertas.

Parece-me óbvio que ficaríamos todos mais pobres se a cultura basca caminhasse para o abismo mas admitamos de bom grado que resolver esta situação não é fácil nem para os Bascos nem para Madrid. Fica a esperança de que haja muita gente em Espanha a ver este documentário, que para além do mais é visualmente notável. E que o objectivo dos seus autores seja cumprido. Já não era nada mau.


andré

sábado, maio 24, 2008

O tempo das cerejas




Não é o tempo ficcional do filme de Kiorastami, mas o tempo real das cerejas reais que sujam a boca e sabem a promessa de Verão, apesar desta chuva e trovoada, que parece que nos vão acompanhar ainda algum tempo. Na Quinta de Bonjóia,  este fim-de-semana. 

Sónia

sexta-feira, maio 23, 2008

A ver no fim de semana



"Bande à part", de Jean Luc Godard (1964) - graças às (re)edições do Público e à evva....

(música de Nouvelle Vague)

Sónia

quinta-feira, maio 22, 2008

Emily Haines & The Soft Skeleton

Para quem gosta de Cat Power... "Our Hell"




Realizador: Jaron Albertin

First went wrong is hard to find
We're paralyzed, we apologize
Our hell is a good life
Last went wrong, where's my prize under the lights
Can we call it in?
We'll be on the road
Can we stop?
When we stop my back will turn your face toward the fence
What I thought it was it isn't now
All this weight, is honest worse
We're moderate, we modernize
till our hell is a good life
All we know what to forget... how to do right
Coloring in the black hole
Can't we stop, when we stop
My hands will shake, my eyes will burn
My throat will ache, watching you turn
From me toward your friends
What I thought it was it isn't now
What I thought it was it isn't
Punishment to stall what is done
What I thought was in is missing out
What I thought it was it isn't now
There's a pattern in the system
There's a bullet in the gun
That's why I tried to save you
But it can't be done


do album "Knives don't have your back" ( 2006 - Last Gang Records )

Sónia

Cat Power

Como o concerto da próxima quarta-feira será provavelmente dominado por "covers", aqui fica mais uma. «I wanna wake up in the city that never sleeps», num programa da televisão francesa.

evva

quarta-feira, maio 21, 2008

Contagem decrescente III

já agora…



Love me, love me
Say you do

Let me fly away
With you

We're creatures of the wind
Wild is the wind

Give me more than one grasp
To satisfy this hungryness
We're creatures of the wind
Wild is the wind

You touch me
I hear the sound of mandolines
You kiss me
With your kiss my life begins

Like a leaf clings to a tree
Baby please cling to me
We're creatures of the wind
Wild is the wind

You touch me
I hear the sound of mandolins
And you kiss me
With your kiss my life begins

Love me, love me
Say you do

Let me fly away
With you



No álbum 'Covers Record', a partir de um original de Nina Simone

andré

Contagem decrescente II



Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust

Melt me down
Into big black armour
Leave no trace of grace
Just in your honour

Lower me down
To culprit south
Make 'em wash a space in town
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain
Any feeling

Lower me down
Pin me in
Secure the grounds
For the lead
And the dregs of my bed
I've been sleepin'
For the later parade

Once I wanted to be the greatest
No wind of waterfall could stall me
And then came the rush of the flood
Stars of night turned deep to dust


evva

terça-feira, maio 20, 2008

Contagem decrescente






There’s a dream that I see, I pray it can be
Look cross the land, shake this land
A wish or a command
I Dream that I see, don’t kill it, it’s free
You’re just a man, you get what you can

We all do what we can
So we can do just one more thing
We can all be free
Maybe not in words
Maybe not with a look
But with your mind

Listen to me, don’t walk that street
There’s always an end to it
Come and be free, you know who I am
We’re just living people

We won’t have a thing
So we’ve got nothing to lose
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind

You’ve got to choose a wish or command
At the turn of the tide, is withering thee
Remember one thing, the dream you can see
Pray to be, shake this land
We all do what we can
So we can do just one more thing
We won’t have a thing
So we’ve got nothing to lose
We can all be free

Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind
But with your mind

Cat Power aka Charlyn "Chan" Marshall
28 de Maio de 2008, no Coliseu do Porto

evva

segunda-feira, maio 19, 2008

Monday evening

Como é hábito, a partir das 22h40 não estou para NINGUÉM.







evva

pssssst

O fim-de-semana já acabou...


Sónia 

:-(  :-(  :-(

sexta-feira, maio 16, 2008

Fim-de-semanaaaaaaaa!!!!!!!

The Wombats, "Let´s dance to Joy Division"
de "A Guide to Love, Loss & Desperation" (14th Floor- Naïve, 2007)


I'm back in Liverpool,
And everything seems the same,
But I worked something out last night,
That changed this little boys brain,
A small piece of advice,
That took twenty-two years in the make,
And I will break it for you now,
Please learn from my mistakes,
Please learn from my mistakes.

Let's dance to joy division,
And celebrate the irony,
Everything is going wrong,
But we're so happy,
Let's dance to joy division,
And raise our glass to the ceiling,
'Cos this could all go so wrong,
But we're just so happy,
Yeah we're so happy.

So if your ever feeling down,
Grab your purse and take a taxi,
To the darker side of town,
That's where we'll be,
And we will wait for you and lead you through the dancefloor,
Up to the D.J booth,
You know what to ask for,
You know what to ask for.

Go ask for Joy Division,
And celebrate the irony,
Everything is going wrong,
But we're so happy,
Let's dance to joy division,
And raise our glass to the ceiling,
'Cos this could all go so wrong,
But we're just so happy,
So happy.

So let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
(Let it tear us apart)
So let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
(Let it tear us apart)
So let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
Let it tear us apart,
Let it tear us apart.

Let's dance to joy division,
And celebrate the irony,
Everything is going wrong,
But were so happy,
Let's dance to joy division,
And raise our glass to the ceiling,
'Cos this could all go so wrong,
But we're just so happy,
Yeah we're so happy,
So happy,
Yeah we're so happy,
So happy,
Yeah we're so happy



BOM FIM-DE-SEMANA!

Sónia

quarta-feira, maio 14, 2008

Sala de espera

Aguarda-se impacientemente pelos resultados das eleições para os corpos gerentes do Sindicato dos Professores do Norte.


Sónia

A pedido de várias famílias

Solicita-se às almas em diáspora - que reúnam condições para tal - um testemunho directo do recente festival de poesia em Zagreb.

Sónia

terça-feira, maio 13, 2008

aeroporto de munique




andré



Sentir de novo
Aquela dor
A pouco a pouco respirar
Aquele amor que foi
Vivido e esquecido
Em segredo
Como ninguém

Perdoar
Como perdoar
Há tanto tempo que eu queria mudar
Queria voltar
Acordar
Deixar o dia passar devagar
Assim ficar

Sentir de novo
Aquele amor
A pouco a pouco consolar
Aquela dor que foi sentida e sofrida
Em silêncio

Chegar de novo
Sentir o amor
Voltar a casa sem pensar
Deixar a luz entrar
Esquecer aquela mágoa
Sem ter medo
Como ninguém

Encontrar
Poder encontrar
Todas as coisas que eu não soube dar
Saber amar
Perdoar
Saber perdoar
Há tanto tempo que eu queria mudar
Queria voltar
Aceitar
Deixar que o tempo te faça voltar
Saber esperar

Rodrigo Leão, A casa, com a voz de Adriana Calcanhoto,
do álbum Alma Mater

andré

sábado, maio 10, 2008

Shangri La


O último trabalho dos Wraygunn remete para um dos filmes que gosto de recordar: "Lost Horizon" de Frank Capra (1937), baseado no romance homónimo de James Hilton (1933) e mais tarde recuperado pelo cinema neste musical de Charles Jarrot (1973) para o qual compuseram Burt Bacharach  e Hal David.

"Shangri La welcomes you"

Sónia

Wraygunn na Queima das Fitas

Foi talvez o melhor concerto desta Queima - há quem diga que o único...
Pela minha parte, continuo a precisar nestas datas, de isolar o que me agrada (a música, a festa, a descompressão, o alcool, o encontro...)  de tudo o resto que é a Queima e a Tradição Académica em si. Continuo a incompatibilizar-me com as suas contradições e a não entender e não gostar que os que não estudam celebrem nesta altura o facto de serem "estudantes" e que esses, para se disfarçarem de tal, recorram a um traje que, se em tempos resolvia e escondia a falta de dinheiro para comprar roupa, agora denuncia precisamente que se tem dinheiro, porque é roupa de que ninguém precisa; continuo a não entender e a não aceitar que quem, em princípio,  mais sabe - porque supostamente estuda - revele a ignorância e o primarismo de se apoiar num traje, na antiguidade acumulada nas matrículas (por vezes contraditariomennte excessivas) e nos galões que o mesmo à custa delas ostenta, para se situar perante os outros numa posição de poder dentro do grupo. Triste!

Felizmente sempre teremos ... Shangri La!

Sónia

quinta-feira, maio 08, 2008

Temporada de patos

"Muitas vezes os patos...

...sentem uma grande necessidade de emigrar

isso não significa que um pato
que emigre seja um pato mau,

mostra apenas que é a sua natureza
que o faz emigrar

procuram águas novas
ou climas mais quentes.

Sei lá, são patos..."

Um filme de Fernando Eimbcke (México, 2004) a rever muitas vezes; amanhã, por exemplo... numa aula de Formação Cívica. 



Sónia


quarta-feira, maio 07, 2008

terça-feira, maio 06, 2008

Pregão

Por ordem de ninguém (que aqui o povo diz o que quer), se informa a comunidade de leitores deste blog (não confundir com "comuna") de que a Valentim de Carvalho acaba de reeditar em vinil o primeiro album dos Telectu: "CTU"! 

A não perder!

Sónia




andré

domingo, maio 04, 2008

Billy Bragg

Um cheirinho do último trabalho: 
"Mr Love and Justice" de 04/03/2008.

 


Sónia

sábado, maio 03, 2008

Ainda o 1º de Maio

O 1º de Maio em Berlim é um acontecimento. Três semanas antes, começam a aparecer cartazes pela cidade a indicar o lugar e a hora da manifestação(ões) convocada(s) por um sem-número de partidos, ONG, movimentos, associações o que lhe queiram chamar. Este foi o meu segundo 1º de Maio fora do país (o primeiro passei-o em Roma) e não fiquei desapontada. Imaginem uma espécie de Festa do Avante misturada com o São João adicionem diversidade (de sexo, de estilo, de culturas) e terão mais ou menos uma ideia do ambiente vivido pelas ruas de Kreuzberg na última quinta-feira. Comida e cerveja abundantes, a cada 100 metros uma banda ou um conjnto de pessoas a tocar instrumentos. Havia de tudo: Punk, Reggae, Percussão, Rock, Ska, Música tradicional turca, soul, Samba. Para finalizar, num camião a servir de palco, a Banda Bassotti. E pela segunda vez, o meu primeiro de Maio foi dançado ao som da "Bella Ciao". A seguir, os discursos. E a prova que organização alemã não tira férias: os discursantes avisam que existe um número de telefone para onde se pode ligar caso se seja preso pela polícia (o que pelos vistos acontece frequentemente neste dia) e que a organização da festa providencia acompanhamento jurídico gratuito a quem dele necessitar. Esta informação, dada em alemão é depois repetida em inglês. E em francês. E em espanhol. Depois a manifestação propriamente dita. Ficou um pouco aquém das minhas expectativas. Já vi gritar mais e melhor em Portugal. Quem sabe o ambiente morno se ficou a dever à muita cerveja já ingerida ou ao facto de, muitos dos habitués terem ido para Hamburgo, contra-manifestarem-se contra a manifestação de Neo-nazis convocada para essa cidade. Seja como for, espero repetir. E talvez me atreva a não arredar pé e a ficar para ver como se desenrola a noite.









Joana

quinta-feira, maio 01, 2008

Bom 1º de Maio


("Solidarity Forever" interpretado por Pete Seeger and The Weavers)

Sónia

sexta-feira, abril 25, 2008

Fim-de-semana prolongado

Onde é que eu estava há 34 anos atrás? Provavelmente aos pulos junto do berço da minha irmã, a saudar o seu primeiro ano de vida.

Onde vou estar hoje?

Loooooooonge!



Regresso Domingo. Por favor, não me estraguem o estaminé.


evva

quinta-feira, abril 24, 2008

Concordo plenamente

(...) Não vale a pena, portanto, insistir e, por favor, deixem-se do ambiente sustentável, do impacte ambiental, da avaliação ambiental estratégica, e de todas essas missas tecnocráticas que só nos confundem. Dizem os filhos da mãe natureza que de emissões de CO2, a maior factura vem da China e dos EUA e de uma Europa de que nós somos só uma migalha, e que pondo uma percentagem mínima de indianos e chineses de automóvel será um estoiro e não se perceberá por que é que eles não haveriam de gostar tanto de automóveis como nós. Porque raio é que, estando a despesa tão mal distribuída, havemos todos de ter a mesma consciência e as mesmas práticas ambientais é coisa mais difícil de perceber do que a Arca de Noé.

(...) Nós não queremos mais martírios e culpas ambientais e já pagamos demasiado pelos automóveis, os seguros, os impostos de circulação, a taxa sobre os combustíveis, as portagens, as reparações, as vistorias, as pinturas, os pneus, as jantes e o tuning. Se pagamos tanto, é porque nos fazem muita falta. Não queremos biomassa, só massa e que o preço dos cereais não faça com que a massa fique mais cara. Não queremos mais discussões baseadas em sustentabilidades porque não se sabe que coisa isso seja e onde mora, e porque diz o bom senso não se poder medir nada por coisas que não se sabem o que são. Política tem mais a ver com gestão de conflitos do que com construção de consensos, segundo dizem. Que se diga então quais são os conflitos e de quem são e ficará tudo mais claro do que andar a encanar a perna à rã com sustentabilidade e outros conceitos-esponja que tudo absorvem e, em espremendo-os, também sai de lá qualquer coisa. Anda assim o povo tão baralhado que tanto faz que o novo aeroporto vá para Alcochete como para o meio do mar da Palha num mouchão sustentável (para que não se afunde) e os flamingos que se desviem ou que se suicidem em bandos para dentro das entranhas das turbinas antes que os aviões embatam nas pontes.
Razão têm as cegonhas (natureza voadora) do Baixo Mondego que, ao contrário dos flamingos, fazem ninhos nas torres de alta tensão, verdadeiros resorts naturais que compatibilizam a REN com a REN e a RAN e que dispensam declaração de PIN.

Excertos da crónica de Álvaro Domingues que saiu hoje no Público.


andré

terça-feira, abril 22, 2008

O pior bairro de Berlim?

Encontrei um blog de um artista americano (um dos muitos) que se mudou para Berlim há pouco tempo. Neste post, ele explica porque decidiu procurar casa em Neukölln, tido como um dos piores distritos da cidade e que, por acaso, até é aquele onde nós moramos...
Além de partilhar o bairro com este partilho também as suas opiniões sobre o dito. E passo a partilhá-las convosco:


"Berlin's worst district

I'm flathunting. I'm flathunting in Berlin. And I'm flathunting at a time when, thanks to my Wired column, I have a regular income for once, and can afford something really quite nice, especially in a city where rents are on average one third what they'd be in London or New York. I could be flathunting in one of Berlin's four trendy districts -- Mitte, Prenzlauer Berg, Friedrichshain or Kreuzberg. Instead, I'm flathunting in Neukölln.




Neukölln, by most accounts, is Berlin's worst district, an area with "problem schools" where teachers walk in fear of assault and students are passed through metal detectors every morning. Reports on the area stress that "Neukölln is not South Central LA. But..." (They always add the but.) Wiki-Travel says: "Neukölln was and likely always will be an under-class working borough with a big migration scene. Neukölln offers big contrasts between the poor northern part of Neukölln and the more village-looking south parts..."

On my first visit to Berlin, back in 1987 (I was touring with Primal Scream), I took the U-bahn to Neukölln to check out what had inspired David Bowie to write the fractured, angsty track on the instrumental side of "Heroes" -- his sax seems to splinter like a breaking mirror. What I discovered -- that misty evening back in the time when Berlin was still segmented, walled, and cordoned -- was the villagey-looking southern part. The place I'm now targeting for my new home is the high-density Turkish quarter in the northern part of the district. (By the way, it turns out that Bowie just wanted to pay tribute to the band Neu! The track had little to do with Neukölln itself.)

So why am I focusing my housing hunt on "Berlin's worst district"? I'll need to give you a multi-part answer:

a) As in all "bad" districts, the rents are pretty low. You get lots of space for your euro, and I have a shipment of boxes arriving soon from New York, all the books and records that have been sitting there in storage since I lived on Orchard Street.

b) I want to be near my favourite Berlin food market, the Turkish Maybuchufer market that operates, two days a week, alongside the Landwehrkanal. (This market was the site of my Fashion Muslim action last September.)



c) Districts like Prenzlauer Berg are full of yuppyish shops selling twee jewelry, expensive coffee, exotic chocolate and so on. They're full of middle class people and their children. Laidback, slow-paced, yet often uptight. (How can you be laidback yet uptight? The Germans manage it.)

d) Friedrichshain gets more and more like the Lower East Side; invaded at weekends by obnoxious people who bar-hop, ear-marked by developers who turn charmingly fusty buildings (like the big corner block on Kopernicus Strasse and Simon-Dach Strasse) into horrible "luxury apartment" complexes. The dirt and patina are being squeezed out. Money ruins everything.

e) I prefer Turkish-German culture to German-German culture. Turks, being Muslims, don't drink. They also don't rock, an important consideration! Their food is better than German food, they dress better than the Germans dress, and they embrace the sort of high-vitality, high-density lifestyles I prefer: Asian-style living.

f) Perhaps this is the most important thing, but it's the least definable: there's just some sort of magic in the corner of Neukölln where it meets Kreuzberg at the canal. It's got leafy cobbled streets, charming old buildings with atmospheric lobbies, lots of mature trees, grubby high-density bargain shopping (the kind I like) on the main streets, a subway line (the U8), water and fresh vegetables, immigrant exoticism. Yes, I refuse to condemn the exoticization of immigrants. Seeing immigrant quarters as "Romantic" or "exotic" is a valid counter-balance to seeing them as "problematical" or "undesireable".



g) I can sense that this area (eight or ten blocks) is on the cusp of something. In other words, there's a chance that this part of Neukölln (like Wedding, the other poor area currently being infiltrated by artists) will increasingly be a destination for creative people. There are already two or three art galleries on Bürknerstrasse. They're the kind of places which seem to be run entirely for the benefit of the owners, who sit outside on chairs, recognizing but ignoring others of their type and race. It's pretty much just Turks and creatives here at the moment, no yuppie babies, little dogs (with their little blobs of little dog shit), Thai restaurants or luxury apartment developments.

It's probably this "on the cusp" thing that I'm mostly responding to in this part of Neukölln. I really enjoy that feeling of being part of the birth of an area's hipness, that time when people open eccentric, short-lived businesses: funny cafes with shabby chairs and hardly anything to eat or drink, frequented by oddly-dressed people. Secret cinema clubs. That fragile period (it might last three, four years) before the real cafes and cinemas move in, and everything becomes marketed, slick, targeted, sewn-up.

Of course, even writing this "Neukölln-hype" I'm hastening the day these ten or so blocks at the north end of Neukölln become as trampled and herded as Bedford Avenue or Ludlow Street. But that day is still far off for "Berlin's worst district"."


Joana

Acerca dos medos e de coisas parecidas

Estão duas pessoas fechadas numa jaula com um leão. Nessa jaula há uma janela mas está muito alta e quase inacessível. Perante a ameaça do leão cada uma delas age de modo diferente. A primeira sabe que dificilmente conseguirá atingir a janela mas tenta na mesma. A segunda sabe que dificilmente vencerá o leão mas tenta na mesma.

História tradicional árabe


andré

A não perder!



Happy-go-lucky, o novo filme de Mike Leigh, o realizador de Vera Drake, Nu, e Segredos e Mentiras. Mais um belo momento de cinema acerca das coisas do dia-a-dia.

andré

segunda-feira, abril 21, 2008

domingo, abril 20, 2008

sábado, abril 19, 2008

Sabia que?

Berlim tem o dobro dos cinemas de Nova Iorque, apesar de ter menos de metade da população?

(informação gentilemente cedida pelos compatriotas exilados na capital alemã, e que eu confirmei aqui)
Joana

sexta-feira, abril 18, 2008

Sons de Primavera

Enquanto chove lá fora, dancemos cá dentro



If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground

As did I, we drink to die, we drink tonight
Far from home, elephant gun

Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide

Beirute

[evva]




andré

quinta-feira, abril 17, 2008

quarta-feira, abril 16, 2008

Quiero sacar a don Diego de la boca del dragón*


A notícia tem já uma semana, mas só hoje tive conhecimento, via mail, da morte de Diego Catalán Menedez Pidal.

Estou chocada, triste, revoltada.

Que grande, grande perda.

Este homem deixa uma obra ímpar, monumental, desde a investigação sobre a historiografia medieval hispânica, cujo contributo é incontornável, para dizer pouco, até ao mais recentes estudos sobre o Romanceiro. Já não se fazem homens assim.

Que os seus seguidores saibam honrar a sua memória.
Curvemo-nos.



evva

*EL INFANTE VENGADOR

Don Arbelo Pardo viene
en un caballo andador,
el cabello trae revuelto,
demudada la color.

Se topó con conde Carlos,
hijo del Emperador.
-¿A dónde va, don Arbelo
en su caballo andador?

- Voy a sacar a don Diego
de boca de aquel dragón,
y a muchos más compañeros,
que de buena sangre son.

Jornada de treinta leguas
en un día caminó;
y en llegando a los portales,
por don Diego preguntó.

¡A espacio, a espacio, Arbelo,
que estas puertas del rey son!
Tomó él la lanza en la mano
y con ella le tiró.

Se la metió por los pechos
y a la espalda le salió;
de sangre que de él salía
todo el patio se llenó.



ADENDA:

In memorian

Obituário do El País

In memorian II

In memorian III

ADENDA (17 de Abril de 2008)

Mais testemunhos: aqui e aqui.

segunda-feira, abril 14, 2008

G&J


Uns amigos à espera da cegonha criaram um blog para divulgar as suas criações. Eu quero uma trepadeira discreta na parede da sala de jantar, sim?


evva

So glad to see you



Like all birds together we will squawk and we squeak
The joy comes from all our beaks
And ringing bells is our fun
Now our ass is moving as one

If we are forgetting all the rules that we learnt
As all the rule books are burnt
And just as A follows B
Our chorus must always be

[Chorus]
So glad to see that you came
We had best times
We hope you come again
Please come and see the sea
If you come we'll have best times again
But now it's time to go
Time to go home

I have but one true friend
She sings to me in my solitude
And I know her name
I tried to know her, in all her changes
And I don't know her place
And I don't see her face

When we come together then we forget ourselves
And just as night follows day
The beginning must become the end
And so we will start again
When we come together then we meet other souls
And then we make our goodbye
And we lay our bones to rest
As birds we dream of the sky

[Repeat x4]
Please let me go
Please help me go


Hot Chip, do álbum The Warning


andré

sábado, abril 12, 2008

No meu tempo também não era assim

Quando este texto for publicado, o leitor já viu várias vezes o vídeo em que uma aluna da escola Carolina Michaëlis dá início a um motim porque a professora de Francês teve a ousadia de lhe confiscar o telemóvel. (Se não viu o filme, digo-lhe que impressiona. Sobretudo porque, enquanto a generalidade dos cidadãos é assaltada na rua, a esta senhora o gang apareceu-lhe no local de trabalho.) Também calculo que já terá tido oportunidade de ouvir várias pessoas a garantirem-lhe que isto, no tempo delas, não era assim. Eu nunca perco uma oportunidade de me juntar a um coro de moralistas (que, normalmente, têm uma afinação irrepreensível), e por isso estou aqui para dizer o mesmo: isto, no meu tempo, não era assim.

Primeiro parágrafo de uma crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão, intitulada 'No meu tempo não era assim', e que pode ser lida na totalidade aqui.


andré

A propósito de Beowulf



Há filmes que enganam e este é um deles.
Com saudades do cinema e á procura de qualquer coisa para ver, um gajo olha pra este título, dá uma vista de raspanço no cartaz e começa e pensa de imediato: qua raio da nome. Biological wolf? Be a wolf? Um gajo todo musculado? dass…
Mas um gajo é curioso (e lembra-se dos bons velhos tempos do Conan o Bárbaro) e lá vai ver quem entra aqui. Anthony Hopkins. Malkovich. Um gajo chamado Ray Winstone que representa o tal Beowulf. Ah. E a Angelina Jolie (que geralmente serve como critério de exclusão na escolha de um filme). E um gajo pensa: mais uma pessegada com um ou dois bons actores a servir de isco (lembra-se de uma ou duas e pronto, as razões para ir ver o filme são iguais a 0).

Mas eis que a vida dá as suas voltas e passados alguns dias, ainda com saudades do cinema e no meio de mais uma busca infrutífera, um gajo dá de frente com uma crítica sobre o filme (o tal Beowulf) no site do cinema.
Fala da construção do mito do heroi, passa-se na idade média, e está cheio de CGI (um gajo vai ver o quisto é, e descobre que CGI quer dizer computer generated image, uma técnica utilizada num outro filme, o Polar Express).
Por esta altura (antes de saber o que era o CGI e da ligação com o Polar Express) um gajo que já estava a ficar motivado, perde logo o power todo. O quê?! Mais uma dessas animações ambivalentes? Tipo Final Fantasy, que nem é carne nem é peixe? Nem pensar! Não vejo.
… o tipo que fez a crítica devia masé estar a querer vender bilhetes. Isto é mais um daqueles filmes pós Senhor dos Aneis que não sendo igual, não é coisa nenhuma.

Pois é…
Mas há dias em que um gajo se sente mais fraco, com vontade de ver um filme para não pensar… e eis que cai na tentação. O bilhete na associção de estudantes só custa 2 libras… as saudades do cinema… e pronto. Lá vai um gajo ver o Beowulf.
E no fim do filme, um gajo pensa: há filmes que enganam. E este é um deles.

Ok. Eu continuo a não gostar da animação ambivalente. Não vale a pena tentarem convencer-me dos méritos daquilo.
Mas o tipo da crítica, apesar estar a tentar vender bilhetes, tinha mesmo razão. O filme, passado na idade média, em terras da Dinamarca, centra-se de facto sobre a construção do mito do heroi. Mas faz mais do que isso. Contextualiza-a num momento histórico que exprime de forma muita clara a nossa necessidade de herois. E neste caso a animação permite mostrar em simultaneo um universo de personagens "reais" e um outro em que a imaginação (necessária e inerente à criação e à promoção das histórias) domina. Ao contrário de filmes como o Senhor dos Aneis, onde o discurso é dominado pela ficção, em Beowulf os problemas do dia-a-dia estão presentes, numa alusão ao que poderiamos supor que fosse a realidade da época.
Daí que, no fim de contas, não sendo nenhuma obra-prima, o filme é um bom achado.
E um gajo pensa: o resto da noite vai saber muito melhor.


andré


PS: Podem ver o trailer de Beowulf aqui. Não confundir este filme com Beowulf & Grendel cujo trailer pode ser visto aqui.

Fazem anos III



1968: Maio de 68.


















Joana