Onde é que eu já vi esta imagem?...
Adam and Eve (ca. 1932) Petit Palais, GenevaTamara de Lempicka - Pintora Art Deco norte-americana, nascida polaca (1898-1980)
(via arquivos de O SÉCULO PRODIGIOSO)
«Imagination is memory» James Joyce
Adam and Eve (ca. 1932) Petit Palais, Geneva
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No soporto la voz humana,
mujer, tapa los gritos del
mercado y que no vuelva
a nosotros la memoria del
hijo que nació de tu vientre.
No hay más corona de
espinas que los recuerdos
que se clavan en la carne
y hacen aullar como
aullaban
en el Gólgota los dos ladrones.
Mujer,
no te arrodilles más ante
tu hijo muerto.
Bésame en los labios
como nunca hiciste
y olvida el nombre
maldito de
Jesucristo.
Así arderá tu cuerpo
y del Sabbath quedará
tan sólo una lágrima
y tu aullido.
Leopoldo María Panero
[evva)
Adenda: uma outra abordagem do nosso bem-amado José, imprescindível em qualquer biografia autorizada ou evangelho apócrifo.
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No es tu sexo lo que en tu sexo busco
sino ensuciar tu alma:
desflorar
con todo el barro de la vida
lo que aún no ha vivido.
Do poète maudit Leopoldo María Panero (El que no ve, 1980)
[evva]
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Diz Galeote, o mais nobre dos reis-senhores, a Lanzarote, o mais nobre dos cavaleiros:
"ella vos ama tan lealmente e de tan grande amor que yo bien creo que ante ella querra ser señora de una poca de tierra convusco que de todo el mundo sin vos”.
Ms. 9611 BN Madrid
E depois de ler coisas destas pareço uma tontinha com a lágrima no olho...
Isabel Sofia
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Há dias em que quando tudo parece fazer sentido, todas as coisas se encaixam...eis que nos apercebemos que a chuva lá fora deixa passar o cinzento de uma tristeza desconhecida, mas que nos perturba. Então, temos vontade de abrir os braços. Mas contentamo-nos com a presença e o sorriso que oferecemos na tentativa de uma reconstrução.
Valham-nos os sonhos e as eternas demandas.
Isabel Sofia
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Agora percebo que o cinema sempre me fascinou pelo conteúdo e não tanto pelas soluções técnicas, estejamos perante um filme de ficção científica ou de acção. Reconheço a importância central da técnica mas não tenho nem a sensibilidade nem a formação suficiente para a entender na totalidade. Daí que não goste do “Gladiador” ainda que me digam que é tecnicamente bom, e goste do “Exterminador Implacável 2” (T2) que qualquer um reconhece como fraco, ainda que tecnicamente extraordinário.
Interessa-me a seriedade e a honestidade com que uma obra é feita, o que me faz insurgir contra engodos como o “Munique” ou o “Million Dollar Baby” que abordam questões complexas de forma ligeira e tendenciosa, encostando-nos a situações que são facilmente julgadas de uma forma ou de outra, a favor ou contra. O caso do “Munique” é muito mais interessante porquanto o encosto é sistematicamente disfarçado.
A vida não é a preto e branco, nem as pessoas o são. Daí que filmes como o “Mar adentro”, a “Lista de Schindler” ou a “Queda” sejam objectos que respeito porque me deixam na dúvida, porque me obrigam a pensar nas intenções e na natureza das pessoas. Porque é sempre mais fácil ver os problemas a partir das convicções que nos são mais próximas e com as quais nos sentimos mais confortáveis.
Os filmes maus são como os refrigerantes, a comida fast food ou as chiclets, gosta-se mesmo que se saiba que são maus.
O que é espectacular no “T2" é o homem a surgir do chão, ou a refazer-se a partir de gotas de mercúrio não tanto a tecnologia que está por detrás disso. No “Tigre e o Dragão” (que é apesar de tudo melhor do que o “T2”) é o imaginário das artes marciais, e acrescento que nada me incomoda a tentativa eventual de cruzamento com a realidade.
O Clint Eastwood, que sigo incondicionalmente, também fez filmes fracos – “Poder Absoluto”, “Dívida de Sangue”, “Cowboys do Espaço” – onde a personagem dele acaba sempre com a miúda, bastante mais nova, e em que maus são castigados no fim. Contudo fez filmes bons – “Imperdoável”, “Caçador Branco coração negro”, “O Mundo Perfeito” – onde as personagens são frágeis e fortes, em que a realidade é ambígua ou pelo menos mais verosímil, e o quotidiano está mais presente.
É por essas e por outras que apesar de preferir o cinema europeu – onde os sentidos são explorados de forma mais profunda e as explicações ficam para quem vê –, não resisto às produções de Hollywood, cheias de diversão e a imaginação.
Não sei muito sobre filmes mas o que mais detesto é que me tentem impingir opiniões ou pontos de vista. É por isso que não gosto da maioria dos filmes do Spielberg e que acho que será difícil haver este ano algo melhor do que o “Match Point”, um filme em que muita gente (eu incluído) se sente bem pelo facto de a pessoa que cometeu o crime se safar no fim.
Mas esse é talvez o facto mais interessante da arte. Todos queremos encontrar nela algo que nos conforte, e ficamos quase sempre desiludidos quando isso não acontece. E quanto maior é a nossa afectividade em relação à mensagem e a quem a emite mais dificuldade temos em admitir ou lidar com esse desconforto.
andré
PS: A imagem que vêem é do Blade Runner, um dos meus filmes preferidos e um dos melhores de Ficção Científica que alguma vez vi.
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11:17
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Gosto muito de andar de avião. Mesmo muito.
Pensava que era pelas imagens. Para alguém fascinado pelas nuvens, estar ao lado delas é como estar em casa. E para quem anda com a cabeça no ar, estar no mesmo sítio onde a cabeça costuma estar é sem dúvida confortável.
Ainda não sei se prefiro ver um céu com ou sem nuvens. Ver a terra do ar é como uma imagem de satélite ou uma daquelas plantas de arquitectura paisagística. Mas as nuvens têm formas incríveis e sempre diferentes.
Mas já não passo assim tanto tempo a olhar para fora e o tempo a bordo é cada vez mais utilizado para ler, ouvir música, dormir ou até trabalhar.
Gosto muito de tudo o que tem a ver com andar de avião. Acho os aeroportos fascinantes. Quanto maiores são mais eu gosto deles. O movimento, as pessoas, a complexidade, os aviões, a luz, as mangas. É tudo muito diferente do nosso dia-a-dia.
O problema é que não conheço tantos aeroportos como gostaria e, para quem descola do Porto, Frankfurt torna-se uma passagem tão frequente que começa gradualmente a perder a piada. Ainda não conheço Heathrow nem o JFK, passei pelo Charles de Gaulle a correr e acho que vai demorar até ir aos alucinantes aeroportos asiáticos de Singapura, Tóquio ou Hong Kong.
Desculpem mas acho muita piada ao serviço de comida a bordo por muito fraco que seja. A Lufthansa tem uns copos de plástico muito elegantes, uma comida simpática e vinhos que se conseguem apreciar. Por isso não acho piada à Ryanair. Mas o que é que isso interessa quando se paga 50 euros por uma viagem a Paris?
Gosto da emoção da descolagem e da aterragem e fico com um sorriso completamente infantil quando, já no ar, vejo um avião a passar perto do meu. Esta situação não muito comum permite-nos apreciar melhor a velocidade e dá uma imagem estranha de um corpo imperceptivelmente suspenso no ar.
Mas o que mais me agrada é a sensação de sair e de me encontrar a seguir num sítio diferente. O facto de o fazer através de aviões e aeroportos só reforça ainda mais o meu fascínio de estar quase sempre no ar. A imaginar.
andré
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15:04
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A pedido de várias famílias:
VIII
Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se ao longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães,
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em rancho pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
«Se é que ele as criou, do que duvido» -.
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres».
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
..................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava,
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos
Vira uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
........................................................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.........................................................
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
Alberto Caeiro
evva
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Tango for two óleo de Olga Sinclair (2001)
Rua de Cima do Muro
José Paulo Andrade
evva
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Das muitas passagens que poderia destacar de Magnolia, obra-prima de Paul Thomas Anderson, esta conserva-se sempre na memória, mesmo involuntariamente, muito depois do filme ter terminado:
[singing along to Aimée Mann's "Wise Up"]
«Claudia Wilson Gator: It's not / What you thought / When you first began it / You got / What you want / Now you can hardly stand it though / By now you know / It's not going to stop
Jim Kurring: It's not going to stop / It's not going to stop / 'Til you wise up
Jimmy Gator: You're sure / There's a cure / And you have finally found it
Quiz Kid Donnie Smith: You think / One drink / Will shrink you 'til you're
underground / And living down / But it's not going to stop
Phil Parma: It's not going to stop
Earl Partridge: It's not going to stop / 'Til you wise up
Linda Partridge: Prepare a list for what you need / Before you sign away the deed / 'Cause it's not going to stop

Frank T. J. Mackey: It's not going to stop / It's not going to stop / 'Til you wise up / No, it's not going to stop / 'Til you wise up / No, it's not going to stop
Stanley Spector: So just... give up»
evva

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O meu destaque vai para a retrospectiva do expressionismo alemão de Fritz Lang e Murnau. Espero conseguir sobreviver à legendagem em castelhano...
evva
P.S.: Amigos da mouraria, já sabem que podem pernoitar cá em casa.
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13:25
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Adenda: Ainda não descobri como se coloca música no blog, mas se quiserem vibrar com Peter Murphy e sus muchachos visitem o Queridos Anos 80, um blog que acompanho assiduamente (o que também é válido para os 0,0000000001% de infiéis que nunca ouviram falar dos Bauhaus... Cinquenta chibatadas ao som do She's In Parties!)
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«para mim, filologia tem verdadeiramente coincidido com busca da verdade num sentido total, absoluto, na vida mais ainda que nos textos literários»
Luciana Steggagno Pichio
A Lição do Texto. Filologia e Literatura. I A Idade Média, Edições 70, Lisboa, 1979
evva
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Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado.
Ruy Belo
[evva)
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Agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor
agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente
lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor
valter hugo mãe
O Resto Da Minha Vida seguido de A Remoção das Almas (2003)
Porto, Cadernos do Campo Alegre
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Como recebeu ela Adão?
Despojou-o,
e o desflorou, ajudando?
Adão, brutal ou terno?
Acometeu, cervo
ou foi penetrante andorinha?
Arrancou de si
sementes, o coração
latindo, cão grato?
Felizes, torturantes,
aprendizes, falsos,
sortílegos, infames?
Inteiraram-se um no outro?
Desejaram a morte
de quantos séculos?
António Osório
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Chema Madoz (sem título, 2001)
Chema Madoz (s/t, s/d)
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No próximo Verão, mais um sobrinho/a. Iupi!
evva
P.S.: Ou muito me engano, ou este/a já nasce a falar latim. São os ares da serra.
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Já posso dizer? Já posso dizer? Só lamento não conseguir utilizar caracteres especiais para respeitar a ortografia, mas a pronúncia é esta:
Veels geluk met jou verjaarsdag! (Afrikaans)
Urime ditelindjen! (Albanês)
Taredartzet shnorhavor! ou Tsenund shnorhavor! (Arménio)
Eida D'moladukh Hawee Brikha! (Assírio)
Ois guade winsch i dia zum Gbuadsdog! (em Viena de Áustria)
Suma Urupnaya Cchuru Uromankja! (na Bolívia)
Ad gunun mubarek! (no Azerbeijão)
Shuvo Jonmodin! (no Bangladesh)
Maogmang Pagkamundag! (nas Filipinas)
Deiz-ha-bloaz laouen deoc'h! (Bretão)
Chestit Rojden Den! (Búlgaro)
Som owie nek mein aryouk yrinyu! (no Cambodja)
Per molts anys! Bon aniversari! Moltes Felicitats! (Catalão, o meu preferido)
Sun Yat Fai Lok! (Cantonês)
qu ni sheng er kuai le (Mandarim)
San ruit kua lok! (em Shangai)
Sretan Rodendan! (Croata)
Vsechno nejlepsi k Tvym narozeninam!! (Checo)
Tillykke med fodselsdagen! (Dinamarquês)
Ne gelukkege verjoardach! (em Antuérpia)
Fan herte lokwinske! (na Frísia)
Happy Birthday! (esta não preciso dizer!)
Felichan Naskightagon! (Esperanto)
Palju onne sunnipaevaks! (na Estónia)
Zorionak zure urtebetetze egunean! (Euskera, um dia ainda irei descobrir donde veio esta língua...)
Tillukku vid fodingardegnum! :) (Ilhas Faroë)
Joyeux Anniversaire! (Se não sabes esta...)
Lá breithe mhaith agat! Co` latha breith sona dhut! Breithla Shona Dhuit!
(Gaélico irlandês)
Co` latha breith sona dhuibh! (Gaélico escocês)
Ledicia no teu cumpreanos! (Galego... mas isso existe?)
Gilotcav dabadebis dges! (na Geórgia)
Ois Guade zu Deim Geburdstog! (na Baviera)
Allet Jute ooch zum Jeburtstach! Ick wuensch da allet Jute zum Jeburtstach! (em Berlim)
Es Muentschi zum Geburri! (em Berna)
Ewllews Gewtew zewm Gewbewrtstewg. Mew! (Alemão 'Camelottisch'; pronto, foi daqui que veio o rei Artur)
Haerzliche Glueckwuensche zum Geburtstag! (no Lichtenstein)
Alles Gute zum Geburtstag! (Alemão)
Eytyxismena Genethlia! Chronia Pola! (Grego)
Janma Divas Mubarak! (Gujarati, Índia)
Saal Mubarak! (Gujarati, no Paquistão, já se sabe que não é bem a mesma coisa...)
Vy-Apave Nde Arambotyre! (Guarani, mas sem aqueles desenhos assustadores da GM)
Hau`oli la hanau! (no Hawai)
Yom Huledet Same'ach! (Hebreu)
Janam Din ki badhai! or Janam Din ki shubkamnaayein! (Hindu)
Boldog szuletesnapot! or Isten eltessen! (Húngaro)
Til hamingju med afmaelisdaginn! (na Islândia)
Selamat Ulang Tahun! (Indonésio)
Buon Compleanno! (Italiano)
Bun Cumpleani! (Piemontês)
Otanjou-bi Omedetou Gozaimasu! (Japonês)
Slamet Ulang Taunmoe! (Ilha de Java)
Voharvod Mubarak Chuy! (em Cachemira)
Tughan kuninmen! (no Cazaquistão)
Saeng il chuk ha ham ni da! (Coreano)
Rojbun a te piroz be! (Curdo)
Tulgan kunum menen! (na Quirguízia)
Fortuna dies natalis! (Latim!)
Daudz laimes dzimsanas diena! (Letão)
Sveikinu su gimtadieniu! Geriausi linkejimaigimtadienio progal! (Lituano)
Vill Gleck fir daei Geburtsdaag! (au Luxembourg)
Sreken roden den! (na Macedónia)
Selamat Hari Jadi! (Malásio, o Sandokan diria assim...)
Nifrahlek ghal gheluq sninek! (Maltês, do Gato e do Corto)
Kia huritau ki a koe! (Maori)
mo swet u en bonlaniverser! (na Mauritânia)
Leleng ambai pa mbeng ku taipet i! (na Papoa, Nova Guiné)
Torson odriin mend hurgee! (Mongol)
bil hoozho bi'dizhchi-neeji' 'aneilkaah! (Navajo)
Janma dhin ko Subha kamana! (no Nepal)
Gratulerer med dagen! (Norueguês)
Masha Pabien I hopi aña mas! (nas Antilhas Holandesas, muito curioso...)
Padayish rawaz day unbaraksha! (Afegão)
Tavalodet Mobarak! (Persa)
Wszystkiego Najlepszego! Wszystkiego najlepszego zokazji urodzin! wszystkiego najlepszego z okazji urodzin! (Polaco)
Janam din diyan wadhayian! (no Punjab)
La Multi Ani! (Romeno)
S dniom razhdjenia! Pazdravliayu s dniom razhdjenia! (Russo)
Ravihi janmadinam aacharati! (Sânscrito, que fique registado em acta que um dia vou aprender esta língua)
Achent'annos! Achent'annos! (na Sardenha)
Vill Glück zum Geburri! (na Suíça germânica)
Srecan Rodjendan! (na Sérvia)
Vsetko najlepsie k narodeninam! (Eslovaco)
Vse najboljse za rojstni dan! (Esloveno)
Feliz Cumpleaños! (por supuesto!)
Suba Upan dinayak vewa! (no ex-Sri Lanka)
Wilujeng Tepang Taun! (no Sudão)
Mi fresteri ju! (no Suriname)
Hongera! or Heri ya Siku kuu! (Swahili)
Grattis på födelsedagen (em Sueco, para ires treinando, se precisares)
San leaz quiet lo! (Taiwan)
Piranda naal vaazhthukkal! (Tamil)
Suk San Wan Keut! (Thai)
Droonkher Tashi Delek! (o Dalai Lama diria assim, é tibetano)
Dogum gunun kutlu olsun! (Turco)
Mnohiya lita! or Z dnem narodjennia! (Ucraniano)
Chuc Mung Sinh Nhat! (Vietnamita)
Penblwydd Hapus i Chi! (Galês)
A Freilekhn Gebortstog! (Yiddish)
Eku Ojobi! (Nigéria)
Ilanga elimndandi kuwe! (Zulu)
Feliz Aniversário! Um grande beijinho de Parabéns.
evva
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23:02
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Uma remodelação recente, restituiu o ornamento original do 'jardim formal'
Beberiam os pombos esta água no tempo de Jacques Gréber, o arquitecto paisagista responsável pelo projecto dos jardins?

Roseiras suspensas no Inverno

Demora muito, a Primavera?
evva
P.S.: Todas as fotos são emprestadadas. Aos autores, Merci.
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19:50
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Johnny Guitar - How many man have you forgotten?
Vienna - As many woman as you've remembered.
Johnny Guitar - Don't go away.
Vienna - I haven't moved.
Johnny Guitar - Tell me something nice.
Vienna - Sure. What do you want to hear?
Johnny Guitar - Lie to me. Tell me all these years you've waited. Tell me.
Vienna - All these years I've waited.
Johnny Guitar - Tell me you've died if I hadn't come back.
Vienna - I would have died if you hadn't come back.
Johnny Guitar - Tell me you still love me like I love you.
Vienna - I still love you like you love me.
Johnny Guitar - Thanks. Thanks a lot.
Jonny Guitar, Nicholas Ray (1954), um dos filmes da minha vida.
evva
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16:38
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Chema Madoz (Madrid, 1958) e o instante poético da fotografia


evva
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Este sorriso...
o ver-te crescer a cada segundo, num espanto indizível de regozijo por cada coisa nova que fazes,saber que estás feliz quando começas a adormecer e transmites toda a inocência do mundo, preocupar-me com cada suspiro mais fundo, doer-me o coração por cada lágrima tua, mesmo que "seja por nada"...
este sorriso e tantos, tantos que tu me dás
fazem tudo parecer tão simples e belo
como tu, meu filho Rafael
Isabel Sofia
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20:16
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ESPLENDOR NA RELVA
Eu sei que Deanie Loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste
A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste
na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais
lhe será dado a ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais
Ruy Belo
O Bosque Sagrado
(colectânea de poemas sobre cinema)
evva
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If I Should Fall From Grace With God: Dogville
Ou como o poder transforma e a generosidade é relativa. Dogville não obteve a graça, apesar dela ter ido bater à sua porta. Arrebatador.
evva
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08:27
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Aceitar que sejam questionadas certas coisas não nos deve impedir de aceitar que haja quem não permita que tal aconteça.
Mas para isso temos de alterar a nossa ideia peregrina de que somos mais evoluídos para aceitarmos que somos apenas diferentes.
A polémica dos cartoons só existe porque quem se insurgiu nos mete medo. Se tal não acontecesse nem sequer pensávamos que, com a nossa liberdade de expressão, podíamos estar a oprimir alguém.
A publicação dos cartoons em jornais de referência é legítima e estou disposto a defender o direito de uma pessoa a fazê-lo. Mas é simultaneamente uma verdadeira estupidez pois é uma tentativa de demonstrar a superioridade de uma cultura. O mesmo que o Sr. Bush quer fazer com o Iraque e com o Médio Oriente em geral. Esta pode não ser a perspectiva de quem fez ou publicou os cartoons mas é uma perspectiva que cada vez mais tem de ser tida em conta.
O mundo em que vivemos aumentou no tamanho e na diversidade. Creio que precisamos de parar para pensar um pouco.
andré
PS: pode ser que agora se comece a entender um pouco melhor o 11 de Setembro.
PS2: alguém me pode explicar porque é que só agora estalou a polémica de uns cartoons publicados em Setembro?
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Há muita gente que sonha em casar, na partilha de um projecto de vida, na criação de uma família, de um lar, com ou sem filhos. Há muita gente que gostaria de juntar os trapos e viver em união. Pela igreja, pelo civil, com os amigos todos ou numa ilha quase deserta. Casar parece-me ser antes de mais um enorme desejo de partilha, com afecto ou sem ele.
Ainda hoje podemos assistir à prática secular dos casamentos por conveniência, e não falo apenas nas classes mais ricas. Há quem case para conseguir um visto de residência ou porque o outro é a melhor pessoa para garantir a subsistência dos filhos ou do nível de vida, ou porque simplesmente não quer ficar sozinho. Deve haver muitas razões para duas pessoas se casarem. Mas convenhamos, aquilo que quase todos desejamos e queremos é que a partilha do amor entre duas pessoas seja a principal conveniência de um casamento.
Desde há uns anitos (muito grandes) que o valor dominante na Europa e no mundo ocidental censura o casamento entre mais do que duas pessoa, pois isso seria institucionalizar a poligamia o que, de acordo com os nossos valores, é um comportamento incorrecto. Não creio que seja arriscado dizer que este valor provém em grande medida da moral judaico-cristã que domina muitos dos nossos comportamentos como também o entendimento que temos dos mesmos.
A moral judaico-cristã reprovou durante muito tempo o divórcio, contudo, com o passar dos tempos, essa moral deu lugar a uma outra, a do respeito pela vontade de cada um e pelo reconhecimento de que o amor, em alguns casos não dura para sempre (acho que muitos de nós ainda temos dificuldade em aceitar este facto), e de que, assim sendo, os laços não podem ser permanentes.
O casamento é um daqueles casos em que a moral e a escolha individual convivem muito bem, isto porque as decisões do casal não embatem com as escolhas da restante sociedade nem põem em causa valores essenciais como a vida ou a morte, a saúde ou a segurança. A responsabilidade é apenas dos dois.
O facto de nós entendermos isto e não nos pormos a pensar em ser polígamos ou seguir qualquer outra moral cultural é para mim uma prova de que a nossa sociedade entendeu as razões e os limites que estão por detrás da visão ocidental do casamento. Só faço esta nota para restringir o meu problema de análise e não por qualquer censura a outra moral cultural.
Perante isto, só entendo a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo devido às consequências sobre eventuais futuros filhos ou perante a evidência de que tal comportamento é manifestamente contrário à moral dominante.
Creio que a discussão sobre a adopção de filhos por casais do mesmo sexo está viciada à partida pois uma mulher lésbica pode ter filhos. Estamos aqui perante uma descriminação de sexo favorável à mulher, pois, que se saiba, até a data os homens não podem ter filhos, logo tem de adoptar. Ou seja, não podemos impedir que um casal de lésbicas tenha um filho/a mas não deixamos que um casal de homossexuais possa ter.
Mas deixemos a adopção de parte. E se os casais do mesmo sexo não quiserem ter filhos. Vamos descriminá-los face aos casais heterossexuais que não os têm? Porquê?
Qual é essa moral dominante, que eu não vejo em lado nenhum, que censura este tipo de casamentos?
É contra natura? E a agricultura, e a poluição, e a urbanização, e a ciência? São naturais de quem? Do ser humano? Pois com certeza. Como o é o casamento, pois até hoje, que se saiba, ninguém viu mais nenhum animal ou planta a casar.
Vai pôr em causa a sobrevivência da família? Lamento mas os factos têm vindo a demonstrar que o contrário, isto é, que a família consegue sobreviver às mutações sociais e, mesmo com divórcios, separações, e filhos de outros casamentos, o amor e o desejo de partilha são mais fortes e ultrapassam todas as barreiras.
Vai pôr em causa a sobrevivência da espécie? Como, se a população não para de aumentar? E a poluição também não está a pôr? E o armamento também não põe?
Por muito que eu pense, não vejo razão nenhuma para uma lei impedir o direito de escolha ao casamento a casais do mesmo sexo.
Ainda hoje penso que se um/a futuro/a filho/a meu/minha quisesse casar com alguém do mesmo sexo isso ir-me-ia perturbar um pouco, sobretudo porque isso punha em risco a possibilidade de eu vir a ter netos/as (egoísta…). Pois é, mas eu continuava a não ter nada a ver com isso. A decisão era deles/as.
andré
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Este texto poderia chamar-se “a ironia do destino” mas, se assim o fosse, iria assumir que era a politica externa americana a única e principal responsável pelo estado das coisas, o que não me parece uma conclusão muito séria. A actual situação internacional que vivemos é um pouco mais complexa.
Anteontem sonhei que eu e a minha mãe estávamos a ver mísseis e caças a passar por cima da minha casa a caminho da guerra. A cena era calma embora a situação aparentemente não o fosse. Nesse mesmo dia tinha lido um texto de Niall Ferguson, um historiador de Harvard, sobre uma guerra mundial eminente.
O clima de incerteza que paira sobre as nossas cabeças exige, acho eu, um pouco de calma, e não propriamente uma visão incendiária sobre uma realidade difícil e com consequências muito imprevisíveis.
Convenhamos, hoje temos consciência de que não só um toque num botão pode iniciar a destruição do mundo como também estamos (eu, pelo menos, estou) convencido de que essa destruição não se iria resumir apenas às potencias dominantes pois, infelizmente (ou se calhar felizmente) há demasiada gente envolvida nesta salgalhada.
Vejamos então. Os americanos estão mesmo entalados com esta dupla frente de problemas, a eleição do Hamas para governar a Palestina e a insistência do Irão (agora mesmo confirmada no Jornal das 9 da Sic Notícias) em enriquecer Urânio.
Ambas as situações não só vão contra os interesses americanos como põem em causa uma das base de suporte da sua diplomacia, a luta pela democracia, talvez o argumento com maior amplitude de consenso e que simultaneamente melhor servia a protecção das suas acções.
A desordem deve-se quer ao unilateralismo americano quer à fraqueza da posição europeia no panorama internacional mas também se deve ao facto de a ordem mundial não ser já dominada por estes dois parceiros. Vejamos cada uma das situações.
A invasão do Irão não é uma opção quer pela má figura que os americanos fizeram no Iraque como pelo possível aumento da instabilidade na zona. Contudo a pressão sobre o Irão está a ser feita em conjunto pela UE, pelos EUA, pela Rússia e China, o que não aconteceu no Iraque e que parece provar que a ameaça é para ser levada a sério mas também que nem a Rússia nem a China estão interessados numa intervenção no Irão. Na realidade ninguém está interessado em abrir guerra com o Irão: a China porque precisa do petróleo iraniano, e o resto do mundo pela mesma razão. Com o aumento da procura do ouro negro é melhor pensar duas vezes antes de entrar em guerra com um dos seus produtores.
Por outro lado, a Rússia está mais organizada, quer no controlo do seu armamento mas sobretudo no controlo da sua economia e das instituições que a dominam e que o Kremlin tem vindo, pouco a pouco, a controlar.
Sobre a China não há muito mais a dizer. O seu crescimento económico está, por um lado, a tornar o mundo dependente das suas importações de matéria prima e, por outro, a inundá-lo com a sua produção de preços baratos. O peso da sua diplomacia estendeu-se a todo um conjunto de países onde compra sem fazer perguntas nem exigências democráticas.
Para ajudar à festa, a América Latina está a atravessar uma série de mudanças naquele que parece ser um caminho na direcção do aumento da sua independência politica face ao “amigo” americano. Como se não bastasse tudo isto, países como a Índia e o Brasil, com posicionamentos políticos distintos do ocidente começam gradualmente a aumentar o seu peso politico mundial.
Ora, creio que nada do que aqui se disse era verdadeiramente improvável, embora confesso que ainda me surpreende (e ainda bem) a crescente independência politica dos países da América latina. Ou seja, o mundo está finalmente a crescer ao nível politico, como que na direcção de uns Estados Unidos da Terra, onde todos se têm de entender e respeitar, o que só pode ser bom.
O facto de os EUA estarem na posição que estão hoje é que me preocupa pois demonstra uma insistente incompreensão e desrespeito pela história e seus ensinamentos, como se meia dúzia de mísseis e um punhado de dólares resolvessem todos os assuntos.
Desculpem se pareço suspeito, mas compreendo e aceito melhor o problema europeu, pois nem sempre existiu alinhamento entre os países europeus e, com o alargamento, abriram-se por ventura algumas feridas da segunda guerra, quando parte da Europa aceitou entregar aos russos a outra parte que agora quer acolher no seu seio. E, claro, há a Turquia. E aí a coisa complica-se ainda mais. Enfim… há que aceitar que as coisas não são faceis…
A minha revolta face aos Estados Unidos deve-se a eu ter dificuldade em aceitar o facto de que o pais que mais avançou na aplicação da democracia tenha tanta dificuldade em a pôr em prática fora das suas fronteiras. A incapacidade que as administrações americanas têm em aceitar as diferenças culturais é impressionante, tal como o é o facto de não terem entendido ainda que o poder só leva a um caminho, à destruição. Puxa, eu pensava que a trilogia do Senhor dos Anéis e os novos episódios da Guerra das Estrelas tinham esclarecido todas as dúvidas.
Desde há uns anos que vejo os EUA como um adolescente que se revoltou contra o pai. Pois ele passou a mandar no pai. E na família toda. Mas continua a ser adolescente.
Daí que compreendi (embora me custe muito dize-lo) a posição daqueles que ficaram do lado dos EUA na guerra do Iraque. Como compreendi os outros que estiveram contra, embora as atitudes da França tenham enfraquecido muito esta posição.
Que raio de imagem, um idoso a tentar convencer um adolescente…
Em conclusão, não creio que os americanos saiam deste sem ajuda, e isso vai-lhes custar muito. E aos europeus também porque vão de uma vez por todas ter de assumir um futuro sem a protecção dos EUA. Tal como acontecerá provavelmente com grande parte da sua população idosa, a Europa vai ter de começar a tentar ser autónoma. Difícil. Bem difícil. Autónoma, não independente. Creio que não países independentes hoje.
Uma última nota. Os europeus ocidentais não se vão safar desta atacando os países de leste e, em geral, os países em desenvolvimento e a sua mão de obra barata. Cada um tem direito de se safar e eles estão a fazer o melhor que sabem e podem.
Se calhar não fazia mal investirem um pouco do seu tempo a tentar perceber como é que se pode encontrar uma alternativa para este sistema capitalista e a sua produção inconsumivel que nos está a destruir os recursos naturais, a inundar de dívidas, e a agravar diferenças entre as pessoas.
Mas isso só vai acontecer quando os europeus perderem parte do seu conforto. Aí, juntamente com os americanos, talvez se lembrem o que história lhes ensinou: para estarmos em paz, é melhor ceder parte do que temos a um vizinho que não gostamos, e assim garantir a paz, do que tentar fazer com que ele faça sistematicamente aquilo que nós queremos, e ganhar uma guerra contra ele.
andré
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