Delírios
*Sem ofensa para os brasileiros, mas aquilo é um salve-se quem puder. E que tal proibirem os telemóveis nas prisões? Ou já o são e não há como controlar?
«Imagination is memory» James Joyce
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10:44
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"É demais! Arre diabo!
E fartos de dar ao rabo lá vêm eles pró céu!"
(retirado do Coro dos Cornudos de Helder Pacheco)
Lamento muito mas já não há paciência pra tanta asneira. O povo diz que a ignorância é atrevida e é mesmo verdade.
Acabo de ver a análise à convocatória da selecção daquele que a SIC Notícias anuncia como o melhor comentador de futebol da telelevisão portuguesa, Rui Santos.
O homem diz de tudo: que a equipa mexicana é perigosa porque tem "uma mistura de futebol Europeu com Sul Americano" e que o Irão o é também porque "vai transportar a questão física para dentro de campo". Disse também que Costinha não tinha "ritmo de jogo" ao contrário dos seus colegas que chegavam ao final da época cheios com muitos jogos. Que pena não ter memória precisa para relatar o resto.
Eu percebo que os adeptos não entendam o seleccionador e se revoltem contra escolhas que não são as suas mas aos analistas exige-se algum rigor, coisa que não vigora no futebol.
É triste, muito triste, a forma como criticam as escolhas sem nunca terem treinado ou entendido as implicações do treino e da selecção de jogadores. Aliás, podíamos colocar neste lote de peritos o magnífico e sapiente Miguel Sousa Tavares, que para além de ser competente para comentar qualquer assunto, é particularmente apto e isento no caso do futebol.
Desculpem este lamento mas para alguém que estuda, ensina e vive o desporto diariamente, é muito desagradável assistir a tudo isto.
Mas o futebol é mesmo assim. Não é para se analisar com rigor mas sim com paixão. E quando assim é cada um diz o que quer, desde que acenda a chama do coração de alguém.
Enfim… é a vida.
andré
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As escolhas do seleccionador para a equipa de todos nós foram o que alguns já esperavam embora não as que muitos queriam. Analisemo-las então.
Pouco havia a esperar acerca dos guarda-redes (Ricardo, Quim e Bruno Vale). A coerência face a decisões anteriores manteve-se. Colocar Vítor Baía a suplente seria uma grande indelicadeza.
Eu continuo na minha, por alturas do EURO 2004 era preferível ter Ricardo e o mesmo acontece agora. É verdade que, sobretudo na época passada, Vítor Baía esteve melhor, mas estas coisas não se fazem a curto prazo. Apesar de muito conservador, Scolari sempre preferiu olhar para a frente do que para os pés.
Sobre os centrais há pouco a dizer. Ricardo Costa surpreende menos do que outros. E convenhamos, a dupla será Ricardo Carvalho com Caneira ou Fernando Meira. Eu aposto nos dois primeiros.
No meio campo as coisas continuam como sempre estiveram. Maniche, Tiago, Costinha e Petit. Espero que em jogo esteja pelo menos um dos dois primeiros, caso contrário vamos parecer a Itália com o Catenáccio.
O mesmo se passa com os extremos. Scolari sempre optou por Figo, o capitão, Cristiano Ronaldo, um dos melhores da Europa na sua posição, e por Simão e Boa Morte para suplentes. O Boa Morte não tem feito grandes exibições mas poucas vezes joga.
Gostei do momento de humor do seleccionador ao dizer que Figo estava a correr tanto ou mais do que quando tinha 18 anos. Teve piada sim senhor.
Sobre Deco fica mal dizer alguma coisa. É para lá estar e pronto. Quanto a Hugo Viana, é uma questão de bom senso, pois sem Rui Costa não há muito mais para pensar.
Na frente o problema foi sempre o mesmo, a falta de opções, mesmo se de entre as que foram feitas – Pauleta, Nuno Gomes e Hélder Postiga – algumas estejam gastas.
Embora continue sem compreender inteiramente porquê, nunca tivemos muitos avançados-centro em condições. E continuamos na mesma.
Fossem outras as escolhas e não seriam as de Scolari. Eu cá preferia que a equipa jogasse com três centrais e dois avançados-centro mas o treinador brasileiro não. E convenhamos, é um sistema que demora mais tempo a consolidar e comporta mais riscos. Ora, para alguém que evita riscos a todo custo…
As escolhas de Scolari na selecção sempre foram como a sua contratação, conservadoras. Madaíl escolheu o treinador que menos riscos trazia à sua liderança e mais depressa o desresponsabilizaria de um insucesso.
Contudo sempre prefiro as razões de Scolari às de Madaíl. Questionado sobre o porquê das suas opções pode sempre dizer: “Fui campeão no mundial no Coreia-Japão”.
Ora, todos sabemos como correu esse mundial a Madaíl…
andré
PS: No meio disto tudo a decisão sobre Quaresma parece-me compreensível. Ele faz muito jeito aos sub21 que jogam um Europeu em casa e têm de mostrar trabalho. Nos seniores ele ia acabar muitas vezes no banco pois nem Cristiano Ronaldo nem Figo iam lá parar tão depressa.
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23:17
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23:16
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- Guarda-redes: Ricardo (Sporting), Quim (Benfica) e Bruno Vale (Estrela da Amadora);
- Defesas: Miguel (Valência, Esp), Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho (Chelsea, Ing), Fernando Meira (Estugarda, Ale), Ricardo Costa (FC Porto), Caneira (Sporting) e Nuno Valente (Everton, Ing);
- Médios: Costinha (Dínamo de Moscovo, Rus), Petit (Benfica), Maniche (Chelsea, Ing), Tiago (Lyon, Fra), Deco (FC Barcelona, Esp) e Hugo Viana (Valência, Esp);
- Avançados: Figo (Inter de Milão, Ita), Cristiano Ronaldo (Manchester United, Ing), Boa Morte (Fulham, Ing), Simão e Nuno Gomes (Benfica), Pauleta (Paris Saint-Germain, Fra) e Hélder Postiga (Saint-Etienne, Fra).
evva
* A próxima grande novidade com direito a pleno na abertura de 'telejornais' será a contratação do treinador que se segue naquele clube que ficou em 3º lugar no Campeonato de Futebol 2005/2006. Querem apostar?
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Separata Gratuita
Mário Henrique Leiria
O QUE ACONTECERIA
SE O ARCEBISPO DE BEJA
FOSSE AO PORTO
E DISSESSE QUE ERA NAPOLEÃO
Toda a gente acreditava que era. O presidente da Câmara nomeava-o Comendador. Iam buscar a coluna de Nelson, tiravam o Nelson e punham o arcebispo lá em cima. E davam-lhe vinho do Porto.
Então o arcebispo dizia:
- Sou a Josefa de Óbidos.
Ainda acreditavam que era, embora menos. O presidente da Câmara apertava-lhe a mão. Iam buscar o castelo de Óbidos, tiravam os óbidos e punham o arcebispo na Torre de Menagem. Além disso, davam-lhe trouxas d’ovos.
Nessa altura, convicto, o arcebispo de Beja afirmava:
- Sou o arcebispo de Beja.
Não acreditavam. Davam-lhe imediatamente uma carga de porrada. E punham-no no olho da rua. Nu.
Esta e outras peças ditas de forma suberba por Mário Viegas.
Todas agora disponíveis na colecção do Público.
andré
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Chema Madoz (1996)
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Europa, sonho futuro!
Europa, manhã por vir,
fronteiras sem cães de guarda
nações com seu riso franco
abertas de par em par!
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The greatest problem with economics is its “wilful denial of the presence of power and political interests”. By positing an idealised world of perfect competition economic theory assumes away the factors that drove societies.
John Kenneth Galbraith
(retirado e adaptado da última edição da revista Economist, a propósito da morte deste economista americano)
andré
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MAR DA MANHÃ
Que eu me detenha aqui. E que também eu contemple um pouco a natureza.
De um mar da manhã e um céu sem nuvens
cores azuis brilhantes e margem amarela, tudo
belo grande iluminado.
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Dois e dois são quatro.
Nasci cresci
para me converter em retrato?
em fonema? em morfema?
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Ao contrário
do escultor de antes
que
para dissipar a noite
(mítica)
que habita a matéria
imprimia à superfície
da massa
velocidades de luz,
Weissmann
escultor de hoje
abre
a matéria
e mostra que dentro dela
não há noite mas
espaço
puro espaço
modalidade transparente
de existência
Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 511.
[evva]
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DOS HEBREUS (50 D.C.)
Pintor e poeta, corredor e discóbolo,
"Meus dias mais preciosos são aqueles
Mui calorosa sua declaração. "Permanecer
Ζωγράφος και ποιητής, δρομεύς και δισκοβόλος,
«Η τιμιότερές μου μέρες είν’ εκείνες
Ένθερμη λίαν η δήλωσίς του. «Πάντα
Όμως δεν έμενε τοιούτος διόλου.
ΚΑΒΑΦΗΣ, 1919
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"Rússia, com a razão não te podem compreender,
Nem com medida comum te medir.
És um mundo à parte.
Só fé em ti podemos ter".
Esta quadra foi escrita pelo poeta russo do séc. XIX Fiodor Tiutchev. Hoje, não temos a verdade na mão, mas tentamos aproximar-nos dela.
(retirado do Blog da Rússia do jornalista José Milhazes)
andré
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Manhã de domingo a preguiçar entre lençóis:
ELA: Queriiidooo! Nunca mais chegam as férias... Queria tanto a ilha Formosa, o mar, a praia...
ELE: Querida... (Suspiros ensonados) Eu só quero o meu computador...
evva
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You Were a Porcupine |
You have created your own path in life, and you encourage others to do the same. Even as life progresses, you always maintain a sense of wonder and innocence. |
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Parabéns, Isabel!
É uma honra partilhar contigo grandes e pequenas demandas.
evva
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(Foto via arquivos d' A Cidade Surpreendente)
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evva
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15:57
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Como defini-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?
Como defini-la
quando está desnuda
se ela é viagem
como toda nuvem?
Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do quando nua?
como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?
Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 496.
[evva]
Adenda: Oops, esqueci de agradecer a quem me deu a conhecer pela primeira vez o poeta excepcional que é Ferreira Gullar. Sorry, Dulce, não sei se vou conseguir devolver-te o livro...
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Ainda a propósito do 25 de Abril (é como o Natal, há datas que se comemoram sempre que o homem quiser...), vejam o que se passou no programa da manhã liderado pelo Sr. Manuel Luís Goucha neste 25 de Abril.
Sucedeu que as duas convidadas do dia (pertinentíssimas para a data!), Lili Caneças e Cinha Jardim, partilharam as suas ilustres opiniões sobre o dia da Liberdade. E já estou como o outro, todos gostam de dar as suas «opiniães», pois não pagam imposto nem exigem sabedoria de quem as profere. O caso que me ocorre, todavia, comentar, é a questão das palmas do estimado público convidado pelo programa: Lili Caneças dizia que se hoje ainda há pobreza em Portugal, antes do 25 de Abril o povo realmente passava sérias dificuldades e muitas misérias que obrigaram a uma emigração massiva, e que hoje há a liberdade para expor estas questões, coisa que não era permitida durante a ditadura. Ó tempora! Ó mores! De facto, os aliados podem por vezes encontrar-se junto das pessoas mais insuspeitas! Qual a reacção do público do programa? Nem uma única palma! Comentário da tia Cinha: o 25 de Abil foi responsável pela descolonização, pela miséria de muitos retornados (que aí exploravam os autóctones e as riquezas naturais..., comentário meu), pela morte de sua mãe(certamente de desgosto, pois as únicas mortes desta revolução poética foram causadas pelos PIDES, comentário meu), etc, etc. Reacção do público: estrondosas palmas!
Ah! Que não se diga não haver por aí muitos saudosos do antigamente, e não apenas entre aqueles que realmente saíram economicamente prejudicados pela mudança para a democracia! Entre a gente ignorante e pobre também se encontram muitos nostálgicos do 24 de Abril, permanecendo na ignorância em que o Salazarismo os quis (e parece ter conseguido) manter. Citarei a Bíbila, «Senhor, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!», ou Sophia, «Senhor, perdoai-lhes, porque sabem o que fazem?»
Cristina Costa Vieira
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17:55
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Não tenho sangue azul. Aliás, ninguém tem sangue azul...
Desde que há 33 anos a minha mãe ME DEU À LUZ,
todo o sangue que percorre meu corpo é vermelho.
E o sangue é que me faz viver, e a vida é que me faz sonhar,
e o sonho é que me faz crer que...
PARA O ANO A ÁGUIA HÁ-DE SER A RAINHA DOS CÉUS,
AFUGENTAR OS LEÕES NA TERRA,
E BICAR DOLOROSAMENTE OS DRAGÕES.
ESPEREM LÁ...
ESSE ANIMAL NEM SEQUER EXISTE
Com fair-play
(Este ano mereceram!)
HENRIQUE
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17:38
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O 25 de Abril pode ser apenas uma data, tal como qualquer outra que se considera importante. Pode ser um motivo de amuo ou de frustração para muitos que gostariam que o futuro tivesse sido outro.
Infelizmente não é razão suficiente para o povo português vir para as ruas celebrar, tal como faz a propósito da vitória do seu clube na primeira liga.
Mas também digam-me lá, de entre as mais importantes para a memória histórica do país, quais as celebrações que o povo reconhece como suas?
Felizmente há uns quantos que sorriem pelo facto de poderem estar a escrever e a falar livremente, e pelo facto de haver ainda pessoas que ainda não entenderam por completo o facto de que a sua frustração não advém do que se passou a seguir mas sim do facto não saberem exactamente o que esse futuro lhes vai trazer. O drama da insegurança e do medo, tão bem retratado naquele desenho animado do filme “Bowling for Columbine” de Michael Moore.
Obrigado Isabel, obrigado Filipe.
Felizmente vamos poder continuar a sorrir. Sorrateiramente. Para não ofender.
andré
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18:46
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16:02
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Sem recorrer a opiniões mais ou menos credíveis de mais ou menos sumidades (sumidas ou a sumir-se...) para mim, mesmo correndo o risco de cair no cliché, hoje comemora-se a liberdade. A liberdade que se conquistou pelas mãos de homens e mulheres que estavam cansados de não poder falar, de não poder fazerloucuras, mais ou menos sérias, de não poder exigir salários justos, de não poder, se lhes apetecesse, sair do país. Homens e mulhers cansados de serem perseguidos só porque o vinho e o pão não lhes era suficiente. Porque acreditavam e criam em algo melhor. Melhor do que a bacoquice dos três Fs! Porque não acreditavam em padrões!
O que se fez ou faz hoje dessa liberdade é discutível. E ainda bem! Foi isso o 25 de Abril!!!! O tornar possível posts como o anterior e os comentários que lhe estão adjacentes.
Para mim, que não o vivi, mas que o sinto e respeito como um dia pleno de significado, o 25 de Abril é sinónimo de sonho, de construção. Claro que todos os sonhos e construções são imperfeitos... Mas ser sonho é sinónimo de pensamento, coisa que antes desta data não deveria passar disso mesmo: de pensamento escondido.
Claro que a seguir houve perseguições. O ser humano é mesquinho... anseia, pela sua natureza primária, vingança. Mas por mais cruel e injustificada que a violência da esquerda fosse, o que se chama à bacoquice (sim, repito o termo de propósito) pseudotirana do regime?
E quanto a brilhantes gestores, economistas e outras coisas acabadas ou não em istas, creio que ainda hoje se podem encontrar uns quantos... talvez menos escol, mas mais gente. Gente que quis falar, sonhar, bem ou mal não importa, mas que se recusou a ficar entorpecida
Por isso, hoje, colho um cravo vermelho e com muito, muito, muito orgulho escuto a grândola de lágrima no olho pelo profundo respeito que esta data me inspira. Porque me permite isso: sair à rua, com um cravo vermelho. Porque sou livre para o fazer.
25 de Abril, sempre!
Isabel Sofia
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12:05
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Subscrevo, mas não na íntegra (daí não linkar, mas apenas apresentar um excerto), este post de Karloos, no Small Brother:
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20:44
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(O Livro e o Beijo; Dante e Virgílio no Inferno observando os dois amantes assolados pelo vento infernal)Na Comédia, Francesca narra o esforço de ambos para resistir ao pecado. A tudo resistiram, de facto, excepto à sedução despertada pela leitura:
Nessun maggior dolore
che ricordarsi del tempo felice
ne la miseria; e ciò sa 'l tuo dottore.
Ma s'a conoscer la prima radice
del nostro amor tu hai cotanto affetto,
dirò come colui che piange e dice.
Noi leggiavamo un giorno per diletto
di Lancialotto come amor lo strinse;
soli eravamo e sanza alcun sospetto.
Per più fiate li occhi ci sospinse
quella lettura, e scolorocci il viso;
ma solo un punto fu quel che ci vinse.
Quando leggemmo il disiato riso
esser basciato da cotanto amante,
questi, che mai da me non fia diviso,
la bocca mi basciò tutto tremante.
Galeotto fu 'l libro e chi lo scrisse:
quel giorno più non vi leggemmo avante.
[evva]
P.S.: Não tive oportunidade (nem tempo) de procurar o excerto que Paolo e Francesca liam. Fica para mais tarde.
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14:59
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Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem
antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
Al Berto
[evva]
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amadeo:evva]
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evva
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Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Maria Teresa Horta
Minha Senhora de Mim, Gótica, 2001 (5ª edição)
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Aleluia!
Arranjaram uma nova partenaire para o programa "As escolhas de Marcelo". Como não sou espectador regular (na verdade quase nunca o vejo) não sei se a Maria Flor Pedroso já lá está há muito ou não.
Mas está bem.
Sempre me pareceu que o programa era um sofrimento quer para a Ana Sousa Dias, que parecia estar a fazer o frete, quer para o Marcelo Rebelo de Sousa, que me parecia entediado pelo frete da senhora.
Deixem a Ana Sousa Dias com as entrevistas que ela faz tão bem na 2:, e deixem o "Acelerador de Particulas" com quem gosta ou parece gostar de o aturar. Para além do mais, a Maria Flor Pedroso (cuja competência aprecio) é, ao contrário da sua colega, uma jornalista da política e sabe manter aquela pose de confronto controlado típico deste tipo de jornalistas.
Vai, vai Ana que estás perdoada.
andré
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Cloris prestes a ser raptada por Zéfiro, na Primavera de Botticelli
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AQUI ESCOMIENZA EL DUELO QUE FIZO LA VIRGEN MARIA EL DIA DE LA PASION DE SU FIJO JESUCHRISTO
(...)
Conviene que fablemos en la nuestra privanza
Del pleito del mi duelo, de la mi mal andanza,
Commo sufri martirio sin gladio e sin lanza,
Si Dios nos aiudara fer una remembranza.
Fraire, verdat te digo, debesme tu creer:
Querrie seer muerta mas que viva seer;
Mas al Rey del çielo nol cadió en plaçer,
Oviemos del absinçio larga-mente a beber.
Con rabia del mi Fiio, mi padre, mi sennor,
Mi lumne, mi confuerto, mi salut, mi pastor,
Mi vida, mi conseio, mi gloria, mi dulzor,
Nin avia de vida nin cobdiçia nin sabor.
Tant era la mi alma cargada de tristiçia.
Non avia de vida nin sabor nin cobdiçia,
Qui fablarme quissiesse palabras de letiçia.
Non serie de buen sesso, nin sabrie de iustiçia.
Vediendo al mi Fiio seer en tal estado,
Entre dos malos omnes seer cruçifigado,
El mal non mereçiendo seer tan mal iudgado,
Ia nunqua podie seer mi corazon pagado.
(...)
Fiio dulz e sombroso, tiemplo de caridat,
Archa de sapiençia, fuente de piedat,
Non desses a tu Madre en tal soçiedat,
Qua non saben conoçer mesura nin bondat.
Fiio, tu de las cosas eres bien sabidor,
Tu eres de los pleitos sabio avenidor,
Non desses a tu. Madre en esti tal pudor
Do los sanctos enforcan e salvan al traydor.
Fiio, siempre oviemos io e tu una vida,
Io a ti quissi mucho, e fui de ti querida:
Io siempre te crey, e fui de ti creyda,
La tu piadat larga ahora me oblida.
Fiio, non me oblides e lievame contigo,
Non me finca en sieglo mas de un buen amigo,
Iuan quem dist por fiio, aqui plora conmigo:
Ruegote quem condones esto que io te digo.
Ruegote quem condones esto que io te pido,
Assaz es pora Madre esti poco pidido:
Fiio, bien te lo ruego, e io te me convido
Que esta petiçion non caya en oblido.
Recudió el Sennor, dixo palabras tales:
Madre, mucho me duelo de los tus grandes males,
Muevenme tos lagrimas, los tus dichos capdales,
Mas me amarga esso que los colpes mortales.
Madre, bien te lo dixi, mas aslo oblidado,
Tuelletelo el duelo que es grant e pesado.
Porque fui del Padre del çielo enviado
Por reçibir martirio, seer cruçifigado.
(...)
Madre, cata mesura, atiempra mas to planto:
Madre, por Dios te sea, non te crebrantes tanto.
A todos nos crebantas con essi tu quebranto:
Madre, que tu lo hagas por Dios el Padre sancto.
Disso la Madre: Fijo, lo que vos me fablades,
Quomo de muert a vida asi me revisclades,
Con esso que diçides mucho me confortades,
Qua io bien veo que vos por todos nos lazdrades.
(...)
Madre, disso el Fijo, de oy a terçer dia
Seré vivo contigo, verás grant alegria,
Visitaré primero a ti, Virgo Maria,
Desende a don Peidro con la su compannia,
Madre, de ti con tanto me quiero despedir,
Todo te lo e dicho lo que he de deçir.
Inclinó la cabeza commo qui quier dormir,
Rendió a Dios la alma, e dessóse morir.
Gonzalo de Berceo (séc. XIII)
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Estátua de Charles de Gaulle nos Champs-Elysées em Paris onde se pode ler: Il y a un pacte vingt fois seculaire entre la grandeur de la France et la liberté du monde.
andré
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21:23
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Foi um dia a pousar de café em café ao rítmo de um livro e da disposição.
A poesia da contemplação transmite um misto de tranquilidade pelo tempo que também é nosso, e de culpa, pelo luxo de o poder usar desta maneira.
Mais do que tudo, a dupla satisfação de poder fugir à opressão do trabalho, da produção, e do progresso, e de conseguir disfrutar da calma e da paz que está tão perto mas que mesmo assim é muitas vezes difícil de encontrar.
andré
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PROYECTO DE UN BESO
Te mataré mañana cuando la luna salga
y el primer somormujo me diga su palabra
te mataré mañana poco antes del alba
cuando estés en el lecho, perdida entre los sueños
y será como cópula o semen en los labios
como beso o abrazo, o como acción de gracias
te mataré mañana cuando la luna salga
y el primer somormujo me diga su palabra
y en el pico me traiga la orden de tu muerte
que será como beso o como acción de gracias
o como una oración porque el día no salga
te mataré mañana cuando la luna salga
y ladre el tercer perro en la hora novena
en el décimo árbol sin hojas ya ni savia
que nadie sabe ya por qué está en pie en la tierra
te mataré mañana cuando caiga la hoja
decimotercera al suelo de miseria
y serás tú una hoja o algún tordo pálido
que vuelve en el secreto remoto de la tarde
te mataré mañana, y pedirás perdón
por esa carne obscena, por ese sexo oscuro
que va a tener por falo el brillo de este hierro
que va a tener por beso el sepulcro, el olvido
te mataré mañana cuando la luna salga
y verás cómo eres de bella cuando muerta
toda llena de flores, y los brazos cruzados
y los labios cerrados como cuando rezabas
o cuando me implorabas otra vez la palabra
te mataré mañana cuando la luna salga,
y así desde aquel cielo que dicen las leyendas
pedirás ya mañana por mí y mi salvación
te mataré mañana cuando la luna salga
cuando veas a un ángel armado de una daga
desnudo y en silencio frente a tu cama pálida
te mataré mañana y verás que eyaculas
cuando pase aquel frío por entre tus dos piernas
te mataré mañana cuando la luna salga
te mataré mañana y amaré tu fantasma
y correré a tu tumba las noches en que ardan
de nuevo en ese falo tembloroso que tengo
los ensueños del sexo, los misterios del semen
y será así tu lápida para mí el primer lecho
para soñar con dioses, y árboles, y madres
para jugar también con los dados de noche
te mataré mañana cuando la luna salga
y el primer somormujo me diga su palabra.
"El último hombre" 1984
[evva]
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Adam and Eve (ca. 1932) Petit Palais, Geneva
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No soporto la voz humana,
mujer, tapa los gritos del
mercado y que no vuelva
a nosotros la memoria del
hijo que nació de tu vientre.
No hay más corona de
espinas que los recuerdos
que se clavan en la carne
y hacen aullar como
aullaban
en el Gólgota los dos ladrones.
Mujer,
no te arrodilles más ante
tu hijo muerto.
Bésame en los labios
como nunca hiciste
y olvida el nombre
maldito de
Jesucristo.
Así arderá tu cuerpo
y del Sabbath quedará
tan sólo una lágrima
y tu aullido.
Leopoldo María Panero
[evva)
Adenda: uma outra abordagem do nosso bem-amado José, imprescindível em qualquer biografia autorizada ou evangelho apócrifo.
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No es tu sexo lo que en tu sexo busco
sino ensuciar tu alma:
desflorar
con todo el barro de la vida
lo que aún no ha vivido.
Do poète maudit Leopoldo María Panero (El que no ve, 1980)
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