domingo, março 29, 2009

Obituário



GUSTAVO BRANDÃO 

Tínhamos amigos e conhecidos em comum, mas não nos conhecíamos. Sem o saber, fez-me companhia muitas vezes. Recordo especialmente as vezes em que, na biblioteca da FLUP, eu tapava os ouvidos a tudo o resto, para ouvir apenas a guitarra dele no meu "walkman". 
Já não está connosco. Não o conhecia, mas há pessoas assim:  mesmo nunca tendo convivido com elas, fazem-nos falta quando partem.

Sónia

Ó tempo, volta p'ra trás...

"...Traz-me tudo o que perdi."

Lá dizia a canção...
Não partilham esta inquietante sensação de que esta noite vos roubaram tempo de vida?

Sónia

sábado, março 28, 2009

Em mente num fim de semana de trabalho...

... e em jeito de boas-vindas a uma recente seguidora, aqui ficam duas citações de Paul Lafarge:


Une étrange folie possède les classes ouvrières des nations où règne la civilisation capitaliste. Cette folie traîne à sa suite des misères individuelles et sociales qui, depuis des siècles, torturent la triste humanité. Cette folie est l'amour du travail, la passion moribonde du travail, poussée jusqu'à l'épuisement des forces vitales de l'individu et de sa progéniture. Au lieu de réagir contre cette aberration mentale, les prêtres, les économistes, les moralistes, ont sacro-sanctifié le travail. Hommes aveugles et bornés, ils ont voulu être plus sages que leur Dieu; hommes faibles et méprisables, ils ont voulu réhabiliter ce que leur Dieu avait maudit.


Le Droit à la paresse, Paul Lafargue, éd. Oriol, 1883, chap. 1 (« Un dogme désastreux »), p. 7

Nos machines au souffle de feu, aux membres d'acier, infatigables, à la fécondité merveilleuse, inépuisable, accomplissent docilement d'elles-mêmes leur travail sacré, et cependant le génie des grands philosophes du capitalisme reste dominé par le préjugé du salariat, le pire des esclavages. Ils ne comprennent pas encore que la machine est le rédempteur de l'humanité, le Dieu qui rachètera l'homme des sordidae artes et du travail salarié, le Dieu qui lui donnera des loisirs et la liberté.


Le Droit à la paresse, Paul Lafargue, éd. Oriol, 1883, Appendice, p. 54

(ambas em Wikiquote; ver texto completo aqui)

Sónia


quinta-feira, março 26, 2009

Tras-os-montes ainda e Portugal?

Ontem de manha a noticia no Publico:Refer fecha Linha do Corgo e Linha do Tamega por tempo indeterminado. Nenhum aviso foi feito as populacoes. A automotora, estacionada em Vila Real, foi levada de volta a Regua pela calada da noite, como se de um roubo se tratasse. Indigno-me com a arrogancia, com a falta de respeito pelos utentes diarios destes comboios, na sua maior parte, idosos e agricultores que viajam para Vila Real ou para a Regua e pelos utentes menos frequentes, nos quais me incluo. Decido telefonar para a Refer para me queixar. Um numero de Lisboa. Nao serve. dao-me um outro numero, desta vez do Porto. Nao sabem de nada. Tento um novo numero, tambem do Porto. "Menina, isso e com Lisboa". Outro numero. O primeiro. Volto a marcar. Uma voz de mulher do outro lado pergunta-me em tom telemarkingesco o que desejo. Quero queixar-me. Quero que alguem me ouca dizer que como trasmontada me sinto desconsiderada, roubada ate. Quero que alguem perceba que os trasmontanos estao cansados de serem os ultimos. Que o que aconteceu a linha do Tua no ano passado, a linha de Vila Real -Chaves, a linha de Mirandela, a linha de Barca de Alva nao pode acontecer com a linha do Corgo e com a linha do Tamega. Quero que a Refer perceba que nos merecemos ter uma linha de comboio em Tras-os-Montes e Alto Douro. A voz do outro lado da linha pergunta: "Isso fica para cima do Porto, nao e?"


Joana
(peco desculpa pela falta de acentos e sinais graficos proprios do portugues, mas escrevi isto no Mac do Michel)

Tiene usted la habilitacione?


[Para o Grupo 350 e em força!

evva]

terça-feira, março 24, 2009

Da importância de tê-los ou não... no sítio


Afonso Henriques e Almançor disputam trono


No JN de hoje:


«Puro sangue lusitano Afonso Henriques foi aclamado rei, num concurso de cavalos da última feira da Golegã, em Novembro, mas a vitória vai ser contestada em tribunal, porque o animal não tinha os testículos no sítio certo.

A polémica está ao rubro e há quem brinque que aquela vitória é uma questão patriótica: se o cavalo da Coudelaria Monte Velho com o nome do nosso primeiro rei for desclassificado, o ouro do concurso de "Modelo e Andamentos" será entregue ao segundo classificado, da Coudelaria Veiga, também puro sangue Lusitano mas chamado Almançor - apelido do chefe do exército muçulmano que vergou os cristãos ibéricos em muitas batalhas.
Irónico, também, é que quem acendeu a polémica seja Domingos Figueiredo, filho do Marquês da Graciosa, que recebeu educação monárquica. O que dela retira, para o caso, são princípios que não calam a sua indignação contra o "compadrio" que domina o país e explicará este "escândalo", acusa.
Figueiredo, da Coudelaria Quinta do Figueiral, contestou, junto da Associação da Feira Nacional do Cavalo (AFNC), a admissão de Afonso Henriques a concurso. O regulamento só permitia machos com capacidade reprodutiva, o que não é o caso dos que, como aquele, padecem de criptorquidia, argumentou.
A direcção da AFNC pediu um parecer jurídico, que defende a desclassificação de Afonso Henriques, mas, na sexta-feira, deliberou em sentido contrário, evidenciando a ambiguidade do presidente, Veiga Maltês: "Pessoalmente, o presidente da associação é da opinião de que o poldro deveria ser desclassificado", assumiu, ao JN, ressalvando a colegialidade da direcção.
Para Figueiredo, "faltou coragem". "Houve alguma: a associação deu nota negativa ao que se passou, mas não podíamos ter uma atitude mais sangrenta", respondeu Maltês, reconhecendo na contestação uma tentativa de "dignificar o puro sangue lusitano". Figueiredo não se contenta com elogios, e vai avançar com uma acção, no Tribunal da Golegã, para que o ouro seja entregue ao viril Almançor.
A criptorquidia impede a descida dos testículos ao escroto e torna as suas vítimas inférteis. Mas não impediu Afonso Henriques de ir à Golegã alcançar o primeiro lugar, entre os poldros de 3 anos. Segundo o parecer da AFNC, foi desrespeitada a nota do regulamento que exige a "ausência de sinais de doença" que comprometam o acesso ao Livro de Reprodutores. Este é regulado por decreto-lei e implica "idade e capacidade reprodutiva convenientes", o que depende da "integridade morfofuncional dos órgãos genitais", frisa o parecer.
Segundo Maltês, os veterinários que admitiram Afonso Henriques "cingiram-se às indicações do presidente do júri", Filipe Figueiredo, que considera que a reclamação, do seu irmão, "não tem qualquer fundamento". "A descida dos testículos deve ser exigida unicamente na classe de garanhões", argumentou, na tese acolhida pela AFNC.
Já o dono do equino, Lima Mayer, disse que a Associação do Cavalo Puro Sangue Lusitano recebeu um parecer veterinário que conclui que a criptorquidia é curável até aos 4 anos. Afonso Henriques não se curou e já foi castrado. Lima Mayer afirma também que "nem estava presente" no exame de admissão do seu cavalo. "Se há compadrio, não é comigo". Rejeita ainda a crítica que lhe dirige a AFNC quando diz que ele deveria ter equacionado, "de forma cuidada e sensata", a participação do animal no concurso, pois ela "veio a provocar um grande impacto negativo, a nível nacional e internacional, com consequências indesejáveis" na imagem da feira e da raça lusitana


[evva]

Comunistas somos todos!


Dedicado à Joana e ao João,

Sónia

domingo, março 22, 2009

Uma lição de vida


Um filme enorme. Ainda estou sem palavras.


evva

O artigo da polémica

«Os valores de Bento XVI não são os valores de um governo, de uma ONG ou de um indivíduo que tenta limitar o imenso desastre da sida em África. São valores de outra ordem. São valores de uma ordem religiosa, que cada vez menos se percebem ou respeitam no Ocidente. Não vale por isso a pena discutir a moral sexual da Igreja (e do Papa). Vale a pena garantir que ela não invade a esfera da liberdade civil. Ora Ratzinger não andou por África a pedir que se proibisse o preservativo. Pediu aos católicos que prescindissem dele, em nome de uma perfeição que os católicos escolheram procurar. A influência dele é, neste capítulo, deletéria? Inegavelmente. Convém que ela não alastre em África (e na Europa)? Sem a menor dúvida. Mas sem esquecer que o Papa está no seu direito e no seu papel.»

Vasco Pulido Valente, Público

[evva]

sexta-feira, março 20, 2009

A propósito do artigo de VPV hoje no Público

Caso se decida pela leitura destas linhas, agradeço que em primeiro lugar leia o artigo que Vasco Pulido Valente escreveu hoje na sua coluna habitual do Público.

Pela segunda vez desde que me lembro, um Papa, em visita ao continente Africano, afirmou estar contra o uso do preservativo, o que alguns como eu consideram um tremendo acto de crueldade.
Acontece, que a propósito disto me lembrei de uma conversa com amigos e família tida já há alguns anos atrás. Não me lembro do assunto, mas sei que a certa altura alguém disse que a convicção do Álvaro Cunhal em relação às virtudes do comunismo podia sofrer de muitos defeitos mas a verdade é que sem essa convicção o PC, provavelmente, não teria futuro.
A vida de quem defende princípios e convicções não é nada fácil, sobretudo quando o faz com conhecimento e experiência e, ainda pior, quando o faz num contexto em que nem as ideias nem as convicções abundam. Eu respeito a posição do Papa mas só posso fazer uma coisa perante ela: estar contra.
Contudo, não posso deixar de admirar todos aqueles que ainda acreditam que há coisas na vida mais importantes do que férias, casa, carro ou internet. São os princípios, esses palermas que tornam a nossa vida tão mais difícil mas sem os quais a vida parece perder uma parte importante do seu significado. É curioso não é?


André

Para onde vai a nossa (des)educação







evva


evva

Subscrevo!


 Habla usted portunhol?

Habla usted portunhol?


Já é constrangimento o sentimento dominante de quem tem que falar do actual Ministério da Educação. Lurdes Rodrigues e a sua inimaginável dupla de secretários de Estado, mais a famosa DREN, tornaram-se, com efeito, uma verdadeira mina para os jornais e para o anedotário educativo. E cronistas pouco imaginosos como eu têm a estrita obrigação de, no final do seu mandato, lhes deixar uma eternamente grata coroa de flores no assento etéreo onde subam (ou desçam, pois não se vê que possam subir mais, mesmo num Governo PS).

Agora é o secretário Valter Lemos substituindo-se às universidades e "profissionalizando" como professor de Espanhol qualquer diplomado em outro curso de línguas (e até em Antropologia ou Sociologia…) que se disponha a receber umas luzes de Espanhol simplex tipo Novas Oportunidades, talvez até por correspondência ou, quem sabe?, por fax. De uma penada, e por portaria, o secretário de Estado revoga o decreto-lei 43/2007 e a propalada "exigência" na formação dos professores e contribui para o enriquecimento curricular do Básico e Secundário com mais uma disciplina, o Portunhol.


A propósito de um "post" anterior, fica aqui o prometido desenvolvimento da questão aí abordada. Remeto igualmente para a nota oficial que a Associação de Professores de Espanhol Língua Estrangeira, emitiu a este respeito. Não importa de quem são as palavras: quando dizem o que sentimos/pensamos, são nossas!

Sónia

terça-feira, março 17, 2009

segunda-feira, março 16, 2009

O melhor anúncio dos últimos tempos...



(fotografia do Paulo)

Sónia



evva

Agora que as Autárquicas se aproximam


evva


P.S.: Surripiado daqui, com agradecimento especial ao Reverendo Bonifácio.

Às vezes, é preciso chuva



Para a Dalila, pelo seu aniversário.

evva