quinta-feira, maio 31, 2007

Fins de tarde na Foz

No, he's not black...


he's like a summer breeze.

E é para já, enquanto não enjoar, a minha música de Verão. Para ouvir com os pés a chapinhar na água e a acompanhar um gin fizz.


evva

Arte

The artist is the creator of beautiful things.
To reveal art and conceal the artist is art's aim.
The critic is he who can translate into another manner or a new material his impression of beautiful things.
The highest, as the lowest, form of criticism is a mode of autobiography.
Those who find ugly meanings in beautiful things are corrupt without being charming. This is a fault.
Those who find beautiful meanings in beautiful things are the cultivated. For these there is hope.
They are the elect to whom beautiful things mean only Beauty.
There is no such thing as a moral or an immoral book. Books are well written, or badly written. That is all.
The nineteenth century dislike of Realism is the rage of Caliban seeing his own face in a glass.
The nineteenth century dislike of Romanticism is the rage of Caliban not seeing his own face in a glass.
The moral life of man forms part of the subject-matter of the artist, but the morality of art consists in the perfect use of an imperfect medium.
No artist desires to prove anything. Even things that are true can be proved.
No artist has ethical sympathies. An ethical sympathy in an artist is an unpardonable mannerism of style.
No artist is ever morbid. The artist can express everything.
Thought and language are to the artist instruments of an art.
Vice and virtue are to the artist materials for an art.
From the point of view of form, the type of all the arts is the art of the musician. From the point of view of feeling, the actor's craft is the type.
All art is at once surface and symbol.
Those who go beneath the surface do so at their peril.
Those who read the symbol do so at their peril.
It is the spectator, and not life, that art really mirrors.
Diversity of opinion about a work of art shows that the work is new, complex, and vital.
When critics disagree, the artist is in accord with himself.
We can forgive a man for making a useful thing as long as he does not admire it. The only excuse for making a useless thing is that one admires it intensely.

All art is quite useless.


Oscar Wilde, prefácio de O retrato de Dorian Gray

andré

quarta-feira, maio 30, 2007

Inglaterra

O verde permanente da paisagem

As mulheres a fazerem o mesmo que os homens

Um travesti crítico de arte num programa da BBC

A BBC radio: world service, radio 3 & 4, o late junction

A telenovela "Coronation Street" que é emitida desde 1960, e a sua concorrente "Eastenders", que começou em 1985

Os comboios que cobrem quase todos os cantos do país

O tempo, que muda constantemente, e que serve como tema constante de conversa

As pessoas a permanecer ordenadamente e em silêncio na fila mesmo quando um estrangeiro passa à frente

A ordem e a contenção como forma de vida

As bebedeiras de sexta e sábado à noite

Os pubs e as cervejas artesanais

As raparigas na rua de mini saia e blusa de alças com 10ºC ou com chuva

A gastronomia do mundo em cada canto, e a inglesa, distante e quase ausente

O sentido crítico apurado, e não o lamento ou o queixume

A pressão para ser sempre objectivo

A angústia do tempo perdido

O sentimento de ilha: a defesa da tradição e da liberdade só é conseguida se nos mantivermos sós

andré

a mais recente paixão



Boards of Canada
Dayvan Cowboy do álbum Campfire Headphase

andré

quarta-feira, maio 23, 2007

This charming man

festejou ontem 48 primaveras. Mas ainda está aí para as curvas.




Punctured bicycle
On a hillside desolate
Will nature make a man of me yet ?

When in this charming car
This charming man

Why pamper life's complexity
When the leather runs smooth
On the passenger seat?

I would go out tonight

But I haven't got a stitch to wear
This man said ">
That someone so handsome should care"

Ah ! A jumped-up pantry boy
Who never knew his place
He said "return the ring"
He knows so much about these things
He knows so much about these things

I would go out tonight
But I haven't got a stitch to wear
This man said "it's gruesome
That someone so handsome should care"
La, la-la, la-la, la-la, this charming man ...
Oh, la-la, la-la, la-la, this charming man ...

Ah! A jumped-up pantry boy
Who never knew his place
He said "return the ring"
He knows so much about these things
He knows so much about these things
He knows so much about these things

Música: Johnny Marr
Letras. Morrissey

evva

terça-feira, maio 22, 2007

Receita para um final de dia

Depois de uma manhã passada num seminário interessante
(se só tiver um seminário chato ou assim assim, use na mesma)

Depois de uma tarde passada a limpar o quarto e a passar a ferro
(se quiser usar outra coisa, que seja algo difícil mas que tenha sido foi realizado)

Vá ao supermercado mais próximo e compre o necessário para fazer chili com carne
(também resulta com esparguete à bolonhesa ou arroz no forno)

Traga também cerveja q.b. ou uma boa garrafa de vinho
(não. água não serve. e muito menos coca cola)

Cozinhe ao som dos Divine Comedy
(ou dos Smiths, Beatles, Zero Seven, ou algo britânico mas com alento)

Comer a dançar ao som do Chango Spasiuk
(ou do Astor Piazzola, ou de algo intenso e quente)

Digerir com um passeio com destino ao pôr do sol e, se possível, devidamente bem acompanhado
(creio que em Portugal é mais fácil arranjar companhia sem combinar com antecedência. aqui é um pouco dificil)

Deixe o tempo passar e fique a pasmar até ficar com frio ou sem luz.

Quando regressar a casa, abra a sua boa garrafa de whisky, aguardente ou vinho do Porto.

Misture tudo com muito cuidado e intensidade.

Bom apetite.


andré

segunda-feira, maio 21, 2007



I lost myself on a cool damp night
Gave myself in that misty light
Was hypnotized by a strange delight
Under a lilac tree

I made wine from the lilac tree
Put my heart in its recipe
It makes me see what I want to see...
And be what I want to be

When I think more than I want to think
Do things I never should do
I drink much more that I ought to drink
Because it brings me back you...

Lilac wine is sweet and heady, like my love
Lilac wine, I feel unsteady, like my love
Listen to me... I cannot see clearly
Isn't that she coming to me nearly here?

Lilac wine is sweet and heady where's my love?
Lilac wine, I feel unsteady, where's my love?

Listen to me, why is everything so hazy?
Isn't that she, or am I just going crazy, dear?

Lilac Wine, I feel unready for my love...

andré

Antológico




via Pequeno-Irmão, que por sua vez o foi buscar àquele blogue que acaba se o Liverpool ganhar a Champions.

evva

sábado, maio 19, 2007

Melómano que é melómano

Mais uma pérola do 31 da armada. Eu continuo a sonhar com a 'repartição nórdica'*, mas enfim...

evva

*ou com uma ajudinha da metódica organização british, quem sabe, um dia destes...




Alentejo e ninguém
no horizonte claro...

Apressa-te com lentidão,
que tudo é raro.


evva

sexta-feira, maio 18, 2007

IAN CURTIS

Foi há 27 anos...




e acreditem ou não por aqui passou praticamente toda a boa música que se fez nas últimas três décadas.

evva

quarta-feira, maio 16, 2007

Em Londres

E pronto, mais um seminário. Há que apanhar o comboio para casa.
(nos headphones a Björk canta All is full of love)
Do último andar do prédio onde toda a gente se despediu vê-se parte da zona sul de Londres mas o horizonte aponta para norte. É uma cidade feia vista dali. Caótica, cinzenta. Nem o London Eye alivia o cenário.

O metro é um dos sítios mais solitários que eu conheço. Cheio de gente entalada mas que quase nunca se olha. O iPod é mais do que um sucesso comercial, faz parte do estilo de vida. O livro de bolso também. Ou o jornal gratuito que estiver à mão. Hoje a notícia do dia tem a ver com o Mourinho e o seu cão. Interessante…
(entretanto o David Fonseca canta How come you mean so much to me e depois os Hot Chip acrescentam All the people I love are here).
Há pessoas de vários credos, idade e país. Todos a tentar entrar à bruta na carruagem. Desisto de pensar como será viver aquilo todos os dias.
A estação está inundada de cartazes. O Lord of the Rings transformado em musical, o novo “superb album” da Amerie, com os êxitos “1 thing” e “Be strong” ou “Strong man”, enfim…
E muita, muita publicidade.
(passei à frente os Dead can Dance e os Red House Painters. Agora não me apetece. Mas Badly Drawn Boy parece-me bem)

Sabem que faltam 182 dias para o final das obras em St. Pancras? Eu não. Mas se no placard electrónico estivessem a passar os dias desde que a reconstrução começou, era capaz de não haver espaço para números…
E pronto. Estou no sítio onde comecei, à espera do regresso a Sheffield, onde a calma, os amigos e o conforto da casa ajudam a aliviar o sentimento de despedida. É sempre assim quando parto. É por causa da distância que se percorre. E da sensação de não saber quando se volta.
É claro que se isto se tivesse passado no Porto, eu teria ficado um pouco mais contente…
(entretanto cantaram o Tom Waits com a Crystal Gayle, as Dubstar, os Snow Patrol, o Anthony and the Johnsons, as Três Tristes Tigres e agora que termino, canta a Cat Power. É assim, cada um tenta despistar a solidão à sua maneira).
andré

Ele há dias em que apetece votar na Helena Roseta



evva

terça-feira, maio 15, 2007

O lugar onde fomos felizes


Deanie Loomis, uma vez mais. Horas de sono trocadas devido a uma pequena gripe. Um filme na madrugada da Rtp 1 e hoje, entre tudo e todos, Deanie Loomis avança e avança e regressa.

ESPLENDOR NA RELVA

Eu sei que Deanie Loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste


A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste


na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais


lhe será dado a ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais


Ruy Belo, O Bosque Sagrado
(colectânea de poemas sobre cinema)


evva

segunda-feira, maio 14, 2007

Das leben der anderen














Até ver… este é o meu filme do ano.
A beleza está em todo o lado.

andré

Gatos…

Ainda não me habituei totalmente a eles.
Por vezes fico embaraçado com aquilo que mostram. A última rúbrica Tesouros Deprimentes é tão fantástica como constrangedora.
Desde os tempos em que o Herman José ainda fazia humor que não me ria tanto da figura triste dos outros. E da minha, ao rir-me disso.
Aquilo que mais admiro no quarteto fantástico é a desfaçatez e o desafio permanente que colocam áquilo que fazem.
O país parece para já rendido a eles. Não sei por quanto tempo mais. Mas enquanto durar vamo-nos rindo à gargalhada. Uns dos outros.
Faz muito bem.



andré

Imperdoável, George

não teres cantado o Kissing a Fool



You are far,
When I could have been your star,
You listened to people,
Who scared you to death, and from my heart,
Strange that you were strong enough,
To even make a start,
But youll never find
Peace of mind,
Til you listen to your heart,

People,
You can never change the way they feel,
Better let them do just what they will,
For they will,
If you let them,
Steal your heart from you,

People,
Will always make a lover feel a fool,
But you knew I loved you,
We could have shown them all,
We should have seen love through,

Fooled me with the tears in your eyes,
Covered me with kisses and lies,
So goodbye,
But please dont take my heart,

You are far,
I'm never gonna be your star,
I'll pick up the pieces
And mend my heart,
Maybe I'll be strong enough,
I dont know where to start,
But I'll never find
Peace of mind,
While I listen to my heart,

People,
You can never change the way they feel,
Better let them do just what they will,
For they will,
If you let them,
Steal your heart,

And people,
Will always make a lover feel a fool,
But you knew I loved you,
We could have shown them all,

But remember this,
Every other kiss,
That you ever give
Long as we both live
When you need the hand of another man,
One you really can surrender with,
I will wait for you,
Like I always do,
Theres something there,
That can't compare with any other,

You are far,
When I could have been your star,
You listened to people,
Who scared you to death,
and from my heart,
Strange that I was wrong enough,
To think youd love me too.
I guess you were kissing a fool,
You must have been kissing a fool.

... para não falar de Wake me up e de A Different Corner (no top ten da banda sonora da minha adolescência), ou as versões únicas de Roxanne ou Desafinado. Não se faz, George!


evva

sexta-feira, maio 11, 2007

PARABÉNS MARTINHA!

evva, a Tia Babada

segunda-feira, maio 07, 2007

domingo, maio 06, 2007

Memórias de um emigrante




















A minha tia disse-me um dia que a diferença entre os ingleses e os portugueses era que os primeiros iam e ficavam, e os segundos iam mas pensavam sempre no dia do regresso. Eu ainda me sinto muito preso a casa, ou pelo menos insisto em alguns hábitos para me sentir perto. Felizmente, ou talvez não, hoje podemos trazer conosco muito daquilo com que vivemos no sítio onde estávamos.

Continuo a ler o único jornal que creio valer a pena ler. É o Público. É português. E vem em versão PDF, a condizer com o nosso tempo. Não tenho paciência para o excesso de opinião dos jornais ingleses, nem dessa mania que já chegou a Espanha, da "orientação editorial", como se o dever de um jornalista não fosse o de tentar ser isento (ainda que por vezes não o consiga).

Mantenho-me ouvinte fiel do "Pessoal e Transmissível" e da "Semana Passada", embora tenha deixado, bem antes de partir, de ouvir a TSF, que passou a ser a RFM das notícias, uma verdadeira amálgama que nem mesmo os seus donos devem saber bem o que é. Ouço também o "Expresso da Meia Noite", da SIC Notícias, em formato áudio. Faz sempre bem ouvir a voz do poder, de vez em quando.

Um dos momentos gloriosos da semana foi saber que podia ver, como é possível constatar pela fotografia, o documentário "Portugal, um retrato social". Tenho gostado muito, mesmo muito de ver. Depois da estupidez do concurso Salazar vs Cunhal, sabe bem ainda haver espaço para fazer televisão a sério, com causas e com qualidade.

O dia-a-dia, esse é estrangeiro por completo. O trabalho é profundamente inglês, o convívio pode ser brasileiro, chinês, malaio, alemão, ou o que mais vier no caminho.
É um novo mundo, uma vida muito, muito diferente.
Mas foi a que eu escolhi.

andré

sexta-feira, maio 04, 2007

Portuguese fragments for intimacy

1) Porto in the first moments of the sunrise. The first rays of light are graciously caressing the way of the soothsayer to Sao Bento: Palacio do Cristal, Cordoaria, Praca de Republica and Batalha. I knew these streets since eternity; I came here to visit in every previous life. I live in Porto and Porto lives in me. We are both familiar to each other like restless seagulls. The Douro takes the Light to the Atlantic under the careful gaze of Raul Brandao. And there the river meets the ocean. Indifferently and since ever.

2) The smell of the Portuguese coffee is plainly strong. The smell of that unique and forgotten café on the way to Foz was way too strong. The air carrying the salty droplets of sea water kept spraying my face and that of Raul Brandao. He stood there staunchly guarding the Lighthouse. And I was compelled to return to the land of the pale sun.
Porto ’s trilogy often visits me in the land of the cold. A mighty Light spelled with the breaking of dawn, a crushing smell of burning stones and a helplessly intense coffee- all these look as real as a guided tour in the Serralves orchestrated by Elsa on a Saturday afternoon.

3) My heart is still flying above Lisbon : Blessed be this stranger, plowing right now the streets of Lisbon and deliciously steeling a first look into a small book of verse by Alvaro do Campos .

Michel Kabalan, Leipzig (April 2007)

terça-feira, maio 01, 2007

300



E lá fui finalmente ver o filme, mais pela companhia do que outra coisa, sem grandes expectativas. Às tantas, já nem sabia se estava dentro da Playstation 3, a assistir ao Starwars ou a um concerto dos Blasted Mechanism. God!


evva