sábado, dezembro 27, 2008

Fruta da época...


O Natal serve sem dúvida o mercado, mesmo que a nós nos sirva para outras coisas mais interessantes...
Para pena minha, ainda não foi desta vez que cumpri com o propósito de fazer eu própria a maior parte das prendinhas, mas o  lado bom da história é que, andando pelas lojas, descubro algumas coisas curiosas. Deixo aqui um fragmento da "cesta de livros" deste Natal. 




1) Rayuela, de Julio Córtazar, numa edição deste mesmo ano da Cavalo de Ferro. A primeira tradução portuguesa da obra emblemática de Cortázar está a cargo de Alberto Simões e  vai prefaciada por José Luís Peixoto.



2) Antologia do Humor Português, organizada por Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, dois elementos das Produções Fictícias. Inclui textos de, entre outros, José Gomes Ferreira, Ricardo Araújo Pereira, Jorge de Sena, Mário Cesariny, Natália Correia, Alexandre O’Neil, Luiz Pacheco, Dinis Machado, Manuel António Pina, João César Monteiro, António Victorino d'Almeida, Rui Reininho, Luísa Costa Gomes, Miguel Esteves Cardoso, Clara Ferreira Alves, Gato Fedorento, O Inimigo Público, Nuno Markl e Nilton, reunindo neste volume textos humorísticos que saíram à luz nos últimos quarenta anos.

Sónia




quinta-feira, dezembro 25, 2008

Natividade

Adoração dos Pastores
(Caravaggio,1609)

evva

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Fechado para férias

Com o aproximar das Festas, decidi declarar férias por uns dias e "hibernar". Não é provável que dê notícias nos próximos dias. Regressarei em breve, se sobreviver a uma previsível "overdose" de rabanadas e bolo-rei.
Boas Festas para todos!

Sónia

terça-feira, dezembro 23, 2008

domingo, dezembro 21, 2008

Vale a pena ouvir


Fragmentos de uma entrevista à TSF de D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa: 


Sónia

Quem ajuda quem?

O Ministério das Finanças e Administração Pública publicou em Diário da República, no passado dia 19, a Portaria n.º 1488/2008. D.R. n.º 245, Série I de 2008-12-19, que regula a concessão de apoio sócio-económico aos beneficiários em situações socialmente gravosas e urgentes pelos Serviços Sociais da Administração Pública. Aparentemente uma medida generosa, a mim parece-me mais uma medida disfarçadamente caritativa e profundamene escandalosa. 
Sendo destinada a «situações de emergência» como doença, funeral, desemprego, compra ou arrendamento de casa e realização de obras e aquisição de equipamento doméstico, o Estado propõe-se emprestar aos funcionários públicos o dinheiro que eles, através do pagamento de impostos, já descontaram dos seus salários precisamente para esses efeitos (Saúde, Segurança Social, Habitação...) que são, aliás direitos básicos de qualquer trabalhador/cidadão e não apenas dos funcionários públicos. Estamos a falar de "empréstimo" a quem ganhou algo como direito, pelo facto de o ter pagado não só em impostos, mas com o próprio trabalho, cuja remuneração, na generalidade dos casos, está longe de ser a justa.
Já que estamos em época de crise, por que não emprestar dinheiro aos funcionários públicos para pagamento do seu próprio salário...? A devolver com juros, claro...
É preciso ter lata!

Sónia


sábado, dezembro 20, 2008

Ouvir com olhos de ver...



Se procurarmos bem, encontramos aqui Maria João e Meredith Monk -  ou será ao contrário...?
Agradeço ao Cebaldo a pista para Miriam Mackeba.

Sónia





The best Christmas song ever, numa recente votação.

evva

quarta-feira, dezembro 17, 2008

A melhor resposta

Pelo menos, a que urge dar à aprovação em Conselho de Ministros do diploma de avaliação é esta: assinar o documento pela suspensão da avaliação e retoma das negociações no contexto da revisão do Estatuto da Carreira Docente. O documento pode ser consultado e assinado aqui.

Sónia

terça-feira, dezembro 16, 2008

Visões monocromáticas

Dedicado a Fátima Campos Ferreira, na sequência de um post no blog Equilíbrios.



("Monochrome" de Yann Tiersen in Le Phare, 1998, interpretado por Yann Tiersen e  Dominique A.)

Sónia

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Antena 2

A macdonaldização da Antena 2
 2008-12-13
Mário Vieira de Carvalho 
(Musicólogo. Professor universitário )


"A Antena 2 tem de estimular a literacia da escuta e definir, a partir daí, uma estratégia de alargamento da sua audiênciaCarecemos de uma esfera pública mais forte e dinâmica e com maior incidência em questões de cultura. Como explicar, por isso, o retrocesso na missão de serviço público da RTP/RDP através da Antena 2 - um retrocesso que remonta a 2003? 
Antes de mais, a Antena 2 tem de fixar o seu público-alvo, que não pode ser o mesmo de uma rádio generalista. Tem de estimular aquilo a que poderíamos chamar a literacia da escuta e definir, a partir daí, uma estratégia de alargamento da sua audiência. Mas não se pode ganhar mais pessoas para a literacia, se se começa por promover a iliteracia.
Eis, precisamente, o que se passa com a música. Assiste-se a um recuo histórico da sua presença na Antena 2 e, portanto, na esfera pública. Deixou de haver em Portugal uma rádio que cultive realmente a integridade da escuta musical. Só por excepção se consegue ouvir uma sinfonia ou uma sonata completas. O andamento desgarrado de um quarteto de cordas é transmitido com o mesmo à-vontade caprichoso e arbitrário, a mesma falta de escrúpulos, o mesmo alvar "porreirismo" com que se apresentaria ao ouvinte a estrofe desgarrada de um soneto. A programação começa logo por pressupor o enfado do ouvinte, a sua incapacidade de concentração, ou simplesmente a sua preferência pelo entertainer (locutor) a pretexto da música. Exclui-se, ao mesmo tempo, um tipo de ouvinte muito comum: o que mergulha subliminarmente no discurso ininterrupto da música enquanto se ocupa de outras coisas. Um modo de percepção que não impede que a música se entranhe e se reconstrua no seu todo, deixando intactas no subconsciente as associações que permitem depois reconhecê-la e antecipá-la no seu desenrolar - a base da literacia da escuta.
"Vibrato", "Baile de máscaras", "Boulevard", etc., que preenchem manhãs e tardes inteiras, são nomes diferentes para a mesma receita: a dos antigos "serões para trabalhadores". Coisas truncadas, mutiladas, aligeiradas, abreviadas... para "o Outro inferior". Música a metro, ou a retalho, leiloada a pataco - "quatro minutos" deste, "três minutos" daquele -, como quem propusesse "20cm x 10cm" de tal ou tal tela pintada. O alinhamento espartilhado em "horas" impõe o tempo burocrático ao tempo musical. Para uma sinfonia de Mahler, só cortando as "extremidades"....
Amordaçada, estropiada, a linguagem da música deixa de falar por si. Mal a gente mergulha no universo do indizível, logo a palavra irrompe, banal e intrusiva, liquidando a experiência musical. Bombardeiam-nos com comentários fúteis ou pormenores pitorescos, observações a despropósito, erros, imprecisões... A pseudo-abertura à comunicação informal esconde o défice de profissionalismo. Nunca houve tantos profissionais da música e da musicologia em Portugal, e nunca a Antena 2 teve tão poucos deles nos seus quadros!... A programação planificada cede o lugar à improvisação atabalhoada. Por isso se recuou também no aproveitamento das novas possibilidades oferecidas pela Internet.
Salvo os programas ou apontamentos de divulgação assinados por colaboradores com créditos firmados, a Antena 2 transformou-se numa rádio de apartes, de spots publicitários, de reclames a música que não chega a ser difundida. Os ouvintes que se contentem com as amostras. Se querem mais, que comprem o CD.
Mas, qualquer dia, nem isso. A iliteracia vicia. Como os hamburguers. Acaba-se o gosto pela música, e resta apenas a frequência aditiva do fast food musical. A obesidade da mente. "


Sónia

A prendinha-sapatinho para George W. Bush





O jornalista iraquiano, para além de dizer "este é o teu beijo de despedida, cão", disse ainda "és filho de quarenta cães". Pensei na Besta Ladrador dos romances arturianos...

Outra coisa interessante, foi a análise "antropológica" das palavras e dos actos do jornalista iraquiano:

"cão" é um dos piores insultos no mundo árabe. Sim, pois e em Portugal não...

e um jornalista da BBC cita peritos " who have informed the public that "throwing a shoe at someone's face is considered an insult in Islam". Deve ter sido por isso que o George W. Bush não pareceu ficar afectado com a agressão, já que no mundo Ocidental, atirar sapatos à cara de outras pessoas é um acto que revela amor e respeito pela pessoa a quem o sapato é atirado...

Orientalismo de pacotilha....


Joana

Prefiro sete


Chegou-me por e-mail (Obrigada mais uma vez, João!) um post do blog De Rerum Natura.  O texto em questão equaciona os factores que, entre muitos outros, se destacam como "centrais" para a qualidade do ensino, resumindo-os a seis. Apesar de concordar com a generalidade do que aí se afirma eu não concordo com a não consideração entre estes do factor social, precisamente porque não concordo com que o processo educativo seja perspectivado de forma isolada e despolitizada (no sentido mais puro da palavra original). Não há qualidade de ensino quando o aluno dorme na sala por ter acordado às seis para atravessar a serra para ir à escola; não há qualidade de ensino quando o aluno não ouve o que o professor lhe diz porque o estômago lhe grita por pão ou o frio lhe chega aos ossos, não há qualidade de ensino quando o aluno gasta o tempo de estudo a ajudar os pais ou quando o aluno desperdiça as férias num trabalho sem contrato; nem quando o professor faz quilómetros e quilómetros para chegar à escola passando quase tanto tempo na estrada como a ensinar ou quando tem de acumular horários em escolas diferentes com horários diferentes, critérios diferentes, projectos educativos diferentes, numa esquizofrenia comum - infelizmente - a muitos colegas; não há qualidade de ensino quando os livros são demasiado caros para o orçamento das famílias ou quando o aluno não tem o acompanhamento dos pais que, divididos entre dois empregos, saem e entram em casa quando os  filhos já estão a dormir . Não há qualidade de ensino quando muitos vivem assim e uns poucos vivem como deve de ser!

Sónia

domingo, dezembro 14, 2008

Direitos Humanos





Sónia

Porque amanhã...

Já é segunda ... 




Peste & Sida - Ao Trabalho (in "Peste e sida é que é" , 1990)

Sónia :-((((

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Ainda António Ribeiro Ferreira



"Os professores, sindicatos e uma oposição cada vez mais lamentável querem voltar a um passado recente em que os alunos apenas serviam para perturbar as masturbações pedagógicas dos professores que transformaram a escola pública em algo muito pouco recomendável."
António Ribeiro Ferreira, Jornalista

Sobrancelha farta, cabelo grisalho, gravata lisa com nó esganado, casaco afável e com um padrão “de toda a gente”, braços cruzados e mãos bem guardadas, um olhar sério e convincente a brincar com a câmara, um reflexo de flash na vidraça… Quanta humildade!
Posa como o “vizinho do lado”, veste como o “inspector de finanças”, olha como o “dirigente sindical”, mas escreve com a “caneta” apontada para a sanita – masturbações pedagógicas!
Que grande ejaculação jornalística!
Nasça-se alguém ou ninguém, tanto faz. Mas é preciso morrer-se alguém: vizinho António, inspector Ribeiro, dirigente Ferreira, ou outra fabricação derradeira. Tal como escreveu o Eça – trata-se de cair bem, meus amigos, como os antigos gladiadores: «Oh egoísmo mundano, os que vão morrer saúdam-te!».
No final, o cadáver de um escravo no chão da arena, arrastado pelos bois, terá o merecido aplauso de um resto de humanidade.
Se, pelo menos, despisse o fatinho e montasse a armadura – com a ferrugem, o sangue seco, tudo...


"É evidente que a culpa nunca pode ser dos professores, muitas vezes licenciados em universidades da treta, com cursos da treta, com diplomas da treta, que arranjaram emprego na escola pública."
António Ribeiro Ferreira, Jornalista

Não existem universidades da treta!
Jornalista, de armadura, que conheça uma universidade da treta, saberá bem o que pode e deve fazer com tal informação e, se não o fizer, ou não será jornalista ou não terá armadura – terá fatinho.
Porém – está visto – existem jornalistas dispostos a trocar a palavra pela treta.
Entre as duas, há uma que se vende e uma que não se compra.

O professor não faz a opinião dos outros…
O professor não faz escárnio das outras profissões…
Professores e jornalistas serão assim tão diferentes?
Serão assim tão iguais?"

Paulo Duarte,
Professor.


Acabo de descobrir que as devidas instâncias também já criticaram o código deontológico deste  jornalista, como se pode comprovar no site do Sindicato dos Jornalistas, cuja Direcção propôs ao Conselho Deontológico um inquérito disciplinar ao procedimento de três jornalistas do DN (entre os quais o visado), por eventual violação do segredo profissional durante a investigação do chamado «caso Moderna», e do qual resulta o relatório que se pode ler aqui.

Sónia

Dedicada à reunião de ontem


Com a minha desilusão e indignação perante aqueles para quem trabalho (leia-se "desilusão perante a entidade empregadora: o Ministério da Educação (ME)" e não "desilusão perante aqueles a quem ele se destina: os alunos"), aqui vai dedicada a letra desta canção do Sérgio Godinho, cuja lembrança agradeço ao Paulo:

Venho aqui falar
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar 
e quanto mais eu penso mais eu cismo
como é que gente tão socialista
desiste de fazer o socialismo
é querer fazer arroz de cabidela
sem frango nem arroz nem a panela

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu vejo
que esta grande obra de reconstrução
parece mas é uma acção de despejo
é como para instalar uma janela
atirar primeiro os vidros para a viela   

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e penso e vejo de todas as cores
já libertaram pides e bombistas
deve ser para lá pôr trabalhadores  
é como lançar cobras na cidade
e pôr dentro dentro da jaula a liberdade  

Eu hoje venho aqui falar  
duma coisa que me anda a atormentar  
e vejo e de ver tiro conselho
aquilo que é mesmo reforma agrária
é para alguns o demónio vermelho
esses querem é ver anjos cor-de-rosa  
entre Castro Verde e Vila Viçosa
  
Eu amanhã posso não estar aqui
mas também,
para o que eu aqui repeti...  
é que eu não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida  
unida como as uvas estão no cacho  
unida como as uvas estão no cacho.


Será pertinente perguntar também, como se quer alguém arrogar abertura à negociação, quando depois de marcada uma reunião de agenda aberta, começa a "fechá-la", poucas horas depois, em declarações públicas prévias à mesma, negando a possibilidade de discussão da suspensão do modelo de avaliação.  
Será pertinente perguntar também, como se quer alguém arrogar abertura à negociação, quando depois de marcada uma reunião de negociação, não aceita um único dos itens propostos pela Plataforma Sindical.
Será pertinente perguntar também, como quer alguém assegurar a sua credibilidade quando continua a insistir que até ontem os sindicatos não tinham apresentado qualquer proposta alternativa quando a mesma (a de fundo) estava disponível on-line desde Setembro no site da FENPROF e foi discutida com/nas escolas, com os professores, ao longo do primeiro período lectivo, contrariamente ao que aconteceu com o modelo do ME. Saudosos (em parte...) os tempos  em que se pararam as actividades lectivas para discutir a proposta  governamental do Modelo de Gestão e Autonomia, que recentemente caiu por terra...
Será pertinente perguntar também, qual a legitimidade de alguém que critica a proposta transitória por se resumir  uma folha A4 e se centrar na auto-avaliação, quando esse é apenas um dos quatro eixos da proposta (disponível aqui) e quando essa proposta não difere substancialmente da resultante no ano passado entre ME e Plataforma Sindical, da qual, aliás, se vale o ME para argumentar da necessidade de não suspender a avaliação este ano, ao apresentar como precedente a avaliação realizada no ano transacto a uma parte do corpo docente.
Pode ser que a explicação seja do foro psicológico, como se arrisca no blog "Terrear", mas eu continuo a achar que é do foro ideológico (daí recuperar aqui a letra da supra-citada canção) e concordo com o que é dito no blog "Equilíbrios" sobre o facto deste tema merecer um tratamento sério e responsável. Isto sem menosprezo pelo trabalho de alguns humoristas que, muito séria e responsavelmente, denunciam o que deve ser denunciado, recuperando assim o papel dos bobos de Corte medievais que, noutros tempos, se valiam dessa condição para criticar o que a outros não era permitido. Desses tempos não tenho eu nenhumas saudades!

Sónia

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Maiorias

"José Sócrates não precisa de comprar a paz social, escorado na sua maioria absoluta de deputados cordatos, não da Nação, mas do Partido, à boa e velha moda estalinista. José Sócrates apenas precisa de comprar a paz com os banqueiros. A bem do futuro profissional de alguns dos seus ministros e de uma campanha eleitoral desafogada.

E tenta que os outros confundam isso com coragem, quando apenas se limita a ser forte com os fracos e fraco com os fortes.

O resto é aquilo que tecnicamente se designa, em Sociologia Avançada, por treta."

Paulo Guinote (fragmento retirado daqui)

Sónia

Professor do ano

«Professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia.
Professor do ano foi aquele que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.
Professor do ano foi aquela que leccionou a 200 km de casa e só viu os filhos e o marido de 15 em 15 dias.
Professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.
Professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque os alunos não podiam e a escola não dava.
Professor do ano foi aquele que lutou contra a corrente para dar um ensino de qualidade aos seus alunos e se envolveu em projectos para dinamizar a escola.
Professor do ano foi aquele que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.
Professor do ano foi aquele que acompanhou o aluno em risco e esteve presente quando a Segurança Social se omitiu e a família baqueou.
Professor do ano foi aquele que que leu, investigou, reflectiu e se expôs, partilhando o seu saber e os seus materiais com os colegas.
Professor do ano foi aquele que fez mestrado, suportando todos os custos e sacrificando os fins-de-semana com a família.
Professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte.
Professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para aconselhar um aluno ou tirar mais umas dúvidas.
Professor do ano foi aquele que organizou visitas de estudo, mesmo sabendo que Jorge Pedreira considerava que ele estava a faltar.
Professor do ano foi aquele que encontrou forças para motivar os alunos depois de ser insultado e indignamente tratado pelos seus superiores do ME.
Professor do ano foi aquele que se manifestou ao sábado, sacrificando um direito para preservar os seus alunos.
Professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão do ME e a escola a que quer bem e os colegas que estima e respeita.
Professores do ano, todo o ano, fomos nós, professores que o continuamos a ser, mesmo após uma divisão absurda.
Professor do ano... tanto professor do ano em cada escola, tanto milagre em cada aluno»

(recebido por mail)

evva

No sábado



Vamos a Proença?




evva

O DN não publicou...

"Cara Sra. jornalista Fernanda Câncio,
 
O seu artigo com o título "UM, DOIS, TRÊS, VAMOS CONTAR OUTRA VEZ", disponível em  http://dn.sapo.pt/2008/12/05/opiniao/um_dois_tres_vamos_contar_outra_vez.htmltem algumas coisas positivas. O tom de escrita é leve, fácil de ler, e, até certo ponto, original.
Apesar disso, fica-se por aqui no que de positivo tem. Tudo o resto revela uma postura tendenciosa e pouco (ou nada) aberta! O que, à partida, me parece inconsistente com uma imagem de jornalista moderna e, diria, quase radical que parece querer transmitir.
 
Concordei com uma frase sua: "Simplesmente, estou farta deste e não vejo o ponto da sua continuação.". Eu também estou. Infelizmente, vamos ter de continuar. A Razão assim o demanda.

Se, para si, abertura é arrogância. Se, para si, diálogo é autoritarismo (muito diferente de autoridade - e os professores sabem-no bem). Se, para si, democracia é governar para os números. Se, para si, democracia é afirmar "A" à segunda e "não A" à terça. Se, para si, democracia é ser dono da verdade. Se, para si, democracia é desrespeitar a lei. Se, para sim, democracia é dizer uma coisa e fazer outra. Se, para si, democracia é fazer tudo o que de anti-democrático este governo PS tem feito. Então, não sei o que é democracia.
 
Já votei PS. Mas, PS, com este(s) sr.(s) onde a aparência é uma e a essência é o oposto, nunca mais. A Verdade (em toda a sua plenitude) e os Princípios ainda valem para os Professores. Os Professores, mesmo que zecos, são políticos com uma nobreza incomparavelmente superior à de qualquer dos seus democratas.
 
A propósito, e para que conste. Sou professor. Não sou militante de nenhum partido. Não sou sindicalizado. Nunca votei PCP.
Aconteceu assim. Poderia ter acontecido de outra forma. Mantinha-se igual tudo o que escrevi.
 
O único objectivo deste email é contribuir, mesmo que infinitesimamente, para que a sua essência se aproxime um pouco mais da aparência. Não foi isso que vi neste artigo. Não é isso que vejo neste governo. E é por isso que luto. Uma Escola, um País, e um Mundo, mais justos e mais verdadeiros. Não quero um mundo de ilusão."

João Sá


Sónia

terça-feira, dezembro 09, 2008

Avaliar ou não avaliar eis a questão...

"O presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia denunciou os métodos de avaliação dos agentes da PSP.
Paulo Rodrigues revelou que entre os critérios de avaliação estão o número de multas passadas e a quantidade de detenções efectuadas por cada agente.
 
 
Agora chegou a vez da PSP.
Estou curioso em relação à reacção do Governo.
Será que vai dar as mesmas explicações que deu relativamente à avaliação dos professores?
Será que vai argumentar que "é apenas um em muitos outros critérios" de avaliação?
Será que vai retorquir que os agentes da PSP "não querem ser avaliados"?
Será que vamos ouvir o Ministro da Administração Interna a dizer "Era só o que faltava - os polícias não serem avaliados pela quantidade de multas que passam!"?
 
Relativamente aos professores, os profissionais da polícia estão bem melhor porque ainda não lhes foi imposta uma avaliação centrada na diminuição das infracções, tal como acontece com os professores que têm de ser avaliados pela redução do abandono escolar...
 
Porque é que o Governo não é avaliado pela quantidade de manifestantes que se opõem à sua política?
Porque é que cada ministro não é avaliado (entre outros factores) pelos "servidores do estado" que tutela? Porque é que não é "simplesmente" avaliado?
Porque é que o Governo não gostou nada que Teixeira dos Santos tenha sido considerado, pelo Financial Times, como pior ministro das Finanças entre 19 outros homólogos seus na União Europeia? (http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1046061)
 
Não sabe bem chamar alguém de hipócrita mas, quando os hipócritas nos dão os factos necessários para lhes chamarmos hipócritas, já não sabe tão mal.
Então os resultados contam ou não contam?
 
Avaliar ou não avaliar, não é a questão. A questão é "como avaliar?".
Ninguém o sabe mas alguns, mesmo assim, querem fazê-lo.
Afinal, como diz o Primeiro Ministro, "não há modelos perfeitos".
 
Ainda vamos ter a polícia na rua, a gritar que querem outro modelo de avaliação.
Ainda vamos ter, novamente, o PS no governo e com maioria absoluta."

Paulo Duarte

Sónia

O estado a que chegámos...

Seguem os meus comentários a um texto que, como foi caracterizado por quem mo enviou, é  - ele sim - "lamentável"... e merece uma resposta no plano jurídico por difamar os professores e os seus representantes atentando contra o seu bom nome e dignidade profissional. Os comentários entre parênteses rectos e a negrito são da minha responsabilidade.

Estado do Sítio

É só fumaça


O espectáculo dado por professores, sindicatos e oposição é profundamente lamentável. Neste filme de terceira ou quarta categoria é lamentável que a discussão gire, mais uma vez, em torno dos professores. Nesta monumental encenação, em que até uma grande parte da Comunicação Social e dos que fazem opinião colaboram activamente, é lamentável que os utentes ou clientes [!!!] da escola pública sejam pura e simplesmente ignorados. 

Neste forró de mentiras, é lamentável que os pais e os alunos não sejam os principais actores de uma história triste, recheada de insucessos, abandonos e falta de qualidade, características marcantes do ensino público nestes 34 anos de Democracia. [ Mas se o são!!! Eles são tão partícipes dessa história como os professores! Eles são a razão pela qual os professores saem à rua: para conseguir condições para trabalhar melhor! O slogan "Deixem-nos ser professores" diz tudo".] Ministério da Educação e a ministra da Educação têm razão. [Em quê e porquê, exactamente? ] E seria um verdadeiro desastre se José Sócrates repetisse na Educação o que fez há poucos meses na Saúde a troco de uns bons milhares de votos de professores e respectivas famílias [O que se defende não é que mude de política a troco de votos, mas a favor de todos nós].

Maria de Lurdes Rodrigues revelou-se uma excelente ministra. Com erros, obviamente. Mas mostrou que tem coragem [eu diria "teimosia"...] e, mais do que isso, procurou e procura pôr os interesses de pais e alunos à frente dos chamados direitos adquiridos dos professores ["Interesses" à frente de "direitos" ?!?! Que interesses? E os direitos dos alunos e dos seus encarregados de educação e famílias a um sistema de ensino de qualidade ficam onde? À frente, atrás ou no meio?!]. As manifestações, as greves, as vigílias, o folclore montado pelos sindicatos têm pouco a ver com a avaliação [Correcto! É prova de que não é dos nossos interesses que falamos]. A guerra prometida pela Fenprof tem a ver com o Estatuto da Carreira Docente, com a distinção entre professores titulares e não-titulares, com as aulas de substituição, com mais trabalho e mais horas dos professores nas escolas [Correcto! É prova de que se trata de uma crítica à política educativa em geral, a qual afecta, por sua vez, a generalidade da comunidade educativa. Quanto à referência a mais trabalho e mais horas dos professores na escola, agradece-se esse reconhecimento, mas é importante reconhecer também que esse trabalho e esse tempo que todos reconhecem ser útil ao sistema e aos alunos, não deve ser suprido com a sobrecarga dos professores que já o integram, mas, por exemplo, com recurso a mais professores e uma melhor distribuição da componente lectiva e não lectiva e do número de alunos/níveis de escolaridade/ turmas por professor. Fica à vista de todos que, quando a Ministra da Educação afirmou que a sua política educativa não implicaria necessidade de acréscimo de mais recursos humanos e que havia professores "a mais" cometeu, no mínimo, um erro de análise.] Depois vem a avaliação, o modelo e principalmente o facto de os resultados influenciarem a carreira dos docentes [Diz bem: "principalmente"... pois é principalmente essa medida que lança margem de suspeita  - que não é o mesmo que razões para suspeita - sobre a fiabilidade da avaliação das aprendizagens e a qualidade das mesmas.]

É tudo isto que está em causa, é tudo isto que os sindicatos e os professores não querem [É sim senhor!] Maria de Lurdes Rodrigues tenta pôr a escola pública ao serviço dos pais e dos alunos[!!!]. Os professores, sindicatos e uma oposição cada vez mais lamentável [Porquê, exactamente? E exactamente que professores, que sindicatos e que oposição? Não é tudo farinha do mesmo saco... !] querem  voltar a um passado recente em que os alunos apenas serviam para perturbar as masturbações pedagógicas[!!!] dos professores que transformaram a escola pública [A pública?!] em algo muito pouco recomendável.

É por isso que, neste sítio pobre, manhoso, hipócrita e cada vez mais mal frequentado [Desde que sítio nos fala este senhor?], uma mulher como Maria de Lurdes Rodrigues faz falta. Pelo exemplo, pela coragem e pela capacidade de fazer reformas indispensáveis contra uma corporação [Referir-se-à banca, às grandes finanças...?] ao longo de anos e anos se habituou a mandar no Ministério da 5 de Outubro e na escola pública.

António Ribeiro Ferreira, Jornalista


Sónia