terça-feira, novembro 10, 2009

Sejamos ingénuos (pela ultima vez)


(clip gravado na praia de Oostende no dia 29/08/2009)

Wouter

quarta-feira, outubro 28, 2009

segunda-feira, outubro 26, 2009

A propósito da presença de Nick Griffin no Question Time…

Para quem não sabe, Nick Griffin é o líder do British National Party (BNP), um partido inglês de extrema direita com posições xenófobas em relação a emigrantes e minorias étnicas, que apoia a posse de armas pelos cidadãos, e defende castigos corporais e a pena de morte.

No passado dia 22/Out/09 o líder do BNP esteve presente no programa da BBC, Question Time, onde teve a oportunidade de exprimir as posições do seu partido perante uma audiência e um painel de membros de outros partidos. De acordo com o Público de 24/Out/09, o referido programa teve um recorde de audiência – 1 em cada 7 ingleses viram o programa (Inglaterra tem 51 milhões de habitantes).

Recordes à parte, a presença de Nick Griffin no Question Time gerou uma enorme confusão lá pelas ilhas. Houve protestos à porta da BBC e diversas manifestações de indignação perante o convite de uma estação paga com o dinheiro de todos os contribuintes a uma pessoa que defende posições contra uma parte significativa desses mesmos contribuintes (5.30% da população inglesa emigrou do subcontinente Indiano, sobretudo da Índia e do Paquistão, e 2.30% é de raça negra, sobretudo das Caraíbas).

A existência de partidos xenófobos, racistas, ou belicistas é tão aceitável como a de qualquer outro movimento politico. Eu, e muitos outros como eu, fica contente pelo facto de os primeiros não conseguirem apoio suficiente para terem representação politica nos órgãos de soberania.
Contudo, em Inglaterra, Nick Griffin conseguiu ser eleito como deputado para o parlamento Europeu em 2009, garantindo a sua legitimidade enquanto representante eleito. Esta situação já aconteceu noutros países Europeus, sendo Jean Marie Le Pen talvez o caso mais conhecido. Mas há mais, pois em 2007 o Parlamento Europeu teve entre os seus grupo partidários, o Identidade, Tradição e Soberania onde estavam reunidos os representantes de partidos da extrema-direita. O movimento entretanto extingui-se.

A democracia dá de facto muito trabalho a manter. É preciso aceitar as posições de todos os que nela participam e a liderança daqueles que vencem eleições. Mas a democracia não funciona sem a oposição dos que perdem nem dos que protestam.
Assim sendo, perante a existência de partidos de extrema-direita, posso dizer que me oponho às suas posições e que no dia-a-dia me oponho a posições semelhantes. Contudo, acho muito bem que o meu dinheiro seja gasto para dar voz a pessoas que defendem posições como essas, caso tenham uma legitimidade semelhante à de Griffin. Fico triste e indignado, mas eles também têm direito.
Por fim, perante o aumento do apoio a partidos de extrema-direita, posso escrever neste blog e dizer a todos os que pensam como eu: Malta! Estamo-nos a baldar…

André

terça-feira, setembro 22, 2009

domingo, setembro 20, 2009

Já viste, mas não esqueças!



Este cartoon tem andado a circular pela net, pelo que não será uma novidade para a maioria. De qualquer forma, a novidade não se encontra num lugar muito importante da minha escala de critérios de apreciação das coisas. Nova ou não, a mensagem é pertinente e oportuna.

Sónia

terça-feira, setembro 15, 2009

O regresso

"A carga pronta metida nos contentores"


Revejo a minha situação de regresso às aulas naquela emblemática canção dos Xutos e Pontapés. Sou professora numa das muitas escolas que se encontrarão durante este ano num processo de obras iniciado demasiado tarde, mas que (para compensar?) iniciam o ano lectivo talvez demasiado cedo... Quando deixei a escola na sexta-feira à tarde, ainda não estavam montados todos os contentores de que precisamos para amanhã. Segundo uma amiga, hoje, nas notícias, tinham já mostrado o "andar modelo" dos contentores em que vou dar aulas e não lhe tinha parecido nada mal... São bem melhores, sem dúvida, que as outras salas que não mostraram e em que também vamos trabalhar até se iniciar a segunda fase de demolição...
Depois destas obras que vamos começar em vésperas de eleições e às quais se dá agora muita visibilidade fazendo grande alarde do montante investido, vamos certamente gozar de muito melhores condições, mas, na parte que me toca, não vou esquecer o muito tempo que tive que esperar por elas, pensando se não estariam a gozar comigo...sensação que, aliás, ainda não passou...

Sónia

domingo, setembro 13, 2009

Sobre o post anterior (em resposta ao Rui)

Num comentário ao post anterior (o do Rui) pedem-se sugestões de soluções para resolver a situação entretanto criada no grupo de Espanhol. Estas são, contudo, do conhecimento do Secretário de Estado da Educação (SEE). Quando, há pouco tempo, se aplicaram restrições ao funcionamento de cursos de Ensino Superior, impedindo de abrir os que apresentavam menos de 30 inscrições em 3 anos, a Associação Portuguesa de Professores de Espanhol Língua Estrangeira (APPELE) correu a pedir uma reunião ao Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) e, não tendo obtido sequer uma resposta, informou o MCTES e o Ministério da Educação (ME) sobre a sua posição relativamente ao que achava ser um erro: ignorar que não é o mesmo encerrar cursos de cuja existência se sabe literalmente há séculos (como por exemplo o de Direito) ou apenas há uma dúzia de anos (este é o caso do Espanhol) e em cuja divulgação nem o MCTES nem o ME não só não investiram como ainda intervieram negativamente com uma reforma curricular castradora da aprendizagem de línguas. Durante alguns anos , essa reforma obrigou os alunos a dar continuidade no Ensino Secundário a uma das duas línguas aprendidas no Ensino Básico, sendo do conhecimento geral e do ME em particular que a maioria das escolas básicas não oferecia o Espanhol, nem oferecia nem oferece o Alemão, língua a que tal situação também prejudicou. Tal situação mudou depois de muitos protestos, mas durou o tempo suficiente para reduzir o número de alunos a estudar a disciplina e, consequentemente, para fechar cursos de Espanhol no Ensino Superior, prejudicando gravemente a formação inicial de professores numa área carenciada, como é o Espanhol. Digo isto, para explicar que a solução não está só no que há a fazer, mas no que se podia não ter feito e para o qual, aliás, se foi bastante advertido.
Quando o ME começou a reduzir as habilitações exigidas para ensinar Espanhol, a APPELE manifestou-se contra e defendeu em alternativa o investimento na formação de professores com base em que a redução da certificação/formação científico didáctica exigida não facilita (antes pelo contrário...) as aprendizagens. Actualmente, a situação é muito mais grave do que alguma vez foi, pois, apesar de o discurso oficial alegar que houve precedente noutras situações de carência de docentes de outros grupos, esse precedente não alcançou o mesmo grau de facilitação de pré-requisitos para a docência. Nem sequer quando o Espanhol arrancou a título experimental podiam os docentes envolvidos estar na situação de apenas deter conhecimentos linguísticos do Espanhol, pois, na altura, o ME assegurou a sua formação específica juntamente com a Embaixada de Espanha.
A solução passa claramente por CONTRATAR os colegas com habilitação "mínima" assegurando o complemento da sua formação antes da entrada na carreira, com particular investimento na reciclagem de professores de grupos ditos "excedentários" (Francês, Alemão...) e por recurso prioritário aos professores certificados legalmente (com formação profissional na língua em questão). Em reunião com a APPELE, o SEE não contrariou a razão destas reivindicações; apenas manteve a insistência de que não havia certezas de haver professores profissionalizados que chegassem para as vagas (embora os números depois provassem que sim e já antes o indicassem), assumiu o compromisso de resolver com a Associação situações de injustiça na colocação de professores (compromisso que depois não cumpriu...) e não abriu qualquer possibilidade de negociação da medida que abriu a possibilidade de efectivação no grupo de Espanhol a professores efectivos de outras línguas (embora pensar nos horários zero de alguns desses professores e na rentabilização da mão de obra não se deva sobrepor à qualidade pedagógica...). Esta informação pode ser confirmada nas muitas declarações à imprensa na página web da APPELE.
Transitando para outro assunto e falando das opções políticas de cada um (que será talvez o tema mais interessante abordado no post anterior, mas sobre o qual não tenho a veleidade de ter tanto para dizer que interesse ao público em geral), só digo o seguinte: são de cada um, é certo, mas as de quem vota PS não são neste momento as da esquerda. É verdade que há no PS um eleitorado de esquerda fiel à história de resistência anti-fascista do Partido, mas é um voto na memória histórica. Dizer que a direita não tem melhores políticas educativas (como faz o Rui no seu comentário), é de acordo com a minha visão ideológica, um erro de raciocínio. O PS não está à esquerda dessa direita: está a fazer política à direita, e mais à direita que esta direita em algumas questões cruciais em termos de identidade ideológica, como a precariedade laboral, a desigualdade na distribuição da riqueza, no acesso à cultura, o deficit democrático ...
É curioso referir-se (no comentário do Rui) a actuação do PS no primeiro ciclo do Ensino Básico: o primeiro post que escrevi para este blog foi precisamente na sequência do fecho de um conjunto de escolas de primeiro ciclo, algumas das quais com provas dadas e prémios de qualidade educativa, para enfim... poupar verbas do orçamento de Estado. Cada um escolhe o que quer como projecto político e eu respeito isso, mas não respeito todas as razões apresentadas para as escolhas feitas.

Sónia

(texto revisto a 13/09/2009 pelas 17h43)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Ainda estão a pensar votar PS?

Como se previa, um dos maiores dislates da política de gestão(?) educativa do governo PS ainda em funções está já a produzir efeitos caricatos. No mais recente concurso para colocação de professores nos quadros, o Ministério permitiu que se apresentassem para efectivação no grupo de Espanhol professores com habilitação profissional para o ensino de Português e/ou Línguas Estrangeiras que não a língua de El Cordobés. Agora perspectivem um professor com estas habilitações que é colocado numa escola em que lhe é atribuído um horário com o Nível 5 e 6 de leccionação da língua de Castela. Como é óbvio, se esse professor para obter o DELE tiver apenas frequentado um curso intensivo de 60 e tal horas ou se se tiver apresentado a um exame no Instituto Cervantes, sem ter seguido nenhuma formação específica no idioma, todos os alunos que irá leccionar possuem mais anos de aprendizagem da língua espanhola do que ele.


Imagino o pânico deste docente ao antever-se a enfrentar turmas de adolescentes espertalhões com a escola toda, que depressa se aperceberão das limitações linguísticas do professor que lhes calhou na rifa, e o Director da escola às aranhas com o presente envenenado de Lurdes Rodrigues, Walter Lemos e sus muchachos e com imensa vontade de imitar o gesto taurino de AllPinho perante a sagessa deste Ministério, já não da (Des)Educação mas sobretudo do Disparate. Olé!


evva

Adenda: texto revisto às 14h15 para correcção de algumas gralhas.

Nos 170 anos do daguerreótipo

Balas de canhão no 'Valley of the Shadow of Death'
(Roger Fenton, 1855)



Dez fotografias que mudaram o mundo. Espreitem aqui.



evva

terça-feira, setembro 08, 2009

Das Terras de Miranda, um dos meus recantos preferidos*



Dois "lhaços" de Pauliteiros, o 25 (bintecinco) e o Assalto al Castielho),
no DVD ao vivo dos Galandum Galundaina, gravado no Teatro Municipal de Bragança

evva

*Título alternativo: 'Ah, meus amigos, a bela posta mirandesa e os homens de saias... nem sei que vos diga... adoro!'

domingo, setembro 06, 2009

De regresso ao trabalho

(John William Waterhouse, 1915,
«I'm half sick of shadows said the Lady of Shallot»)


no reino de Logres.


evva

domingo, agosto 23, 2009

Banksy vs the Bristol Museum



Uma exposição memorável!
Mais informações sobre o artista na wikipedia ou na sua página pessoal.

André

sábado, agosto 01, 2009

Orson Welles




Para lembrar que ninguém é inocente: ficar a ver não é inócuo e o silêncio também fala...

Sónia

quarta-feira, julho 29, 2009

segunda-feira, julho 27, 2009

Pessoa





Para um amigo, por o ser.
Para todos, porque vale a pena.

Sónia


Merce Cunningham (1919 - 2009)



Se eu tivesse visto isto quando era miudo, talvez hoje fosse bailarino…
Mais informação sobre este bailarino e coreografo norte-americado aqui.

André

domingo, julho 26, 2009

Duas notas musicais



Arvo Pärt: De Profundis




Steve Reich: Music for 18 musicians: Pulses and Section I


André

quinta-feira, julho 23, 2009

Honduras - comunicado DGLD contra censura biblitecária

COMUNICADO

Ante las declaraciones dadas por Mirna Castro (Secretaria de Cultura, Artes y Deportes del gobierno de facto) el día de ayer 20 de julio, mal informando a la población hondureña e internacional sobre el trabajo de editorial que se viene realizando en esa Secretaría de Estado y sobre el acervo bibliográfico existente en las 135 bibliotecas que integran la Red Nacional de Bibliotecas Públicas, argumentando que los libros publicados por la Editorial Cultura no son adecuados para la población porque su contenido es comunista, que las bibliotecas públicas han sido financiadas con fondos del ALBA y el acervo bibliográfico existente en las bibliotecas incita al socialismo y al comunismo, aclaramos lo siguiente:
1. Que el propósito de la Editorial Cultura es reproducir obras de nuestros autores/as nacionales clásicos y contemporáneos que han realizado aportes a la conformación de la literatura hondureña; así como libros de autoras/es extranjeros que aborden nuestra historia y cultura.
2. El rescate de literatura de autores/as nacionales clásicos representa uno de los grandes aportes que esta editorial se ha propuesto para fortalecer el acervo bibliográfico del país.
3. Durante el año 2007, 2008 se publicaron en cantidad de 1000 ejemplaresde 26 títulos hondureños.
4. Qué durante el año 2009 las 14 publicaciones que se presentarían en el mes de diciembre han sido interrumpidas por el golpe de Estado .
5. En cuanto a las 135 bibliotecas públicas de la Red Nacional de Bibliotecas aclaramos que estas no han sido financiadas con fondos del ALBA y no son foco de diseminación del pensamiento socialista o comunista.
6. Las bibliotecas son organizadas a través de convenio tripartita entre la Secretaría de Cultura, Artes y Deportes, la Alcaldía Municipal y el Comité Cultural, cada uno de estos actores adquiere compromisos asignados.
7. Las bibliotecas públicas en muchas comunidades son el único espacio cultural, por lo que el servicio brindado va desde de préstamo interno, préstamo a domicilio y promoción de la lectura, hasta actividades culturales y de recopilación de la memoria local.
8. En cuanto al acervo bibliográfico existente la Secretaría de Cultura, Artes y Deportes dota de colecciones básicas como: Referencia (diccionarios), literatura infantil, literatura universal y hondureña en todos sus géneros (teatro, poesía, narrativa, ensayo), textos educativos y material didáctico (láminas, mapas, globo terráqueo, entre otros) conjuntamente con las solicitudes realizadas por cada biblioteca, necesidades que se registran en un informe mensual enviado a la Coordinación de la Red. Este acervo solamente es una fuente de información y de consulta para estudiantes de escuela, colegios, universidad y la población en general.
9. Se han detenido las campañas de promoción a la lectura que se llevaban cabo a través del proyecto del Bibliobús. El Bibliobús funciona desde el año 2005 y es una contribución de la UNESCO, que atiende en giras a las comunidades más pobres de Honduras donde no hay acceso a la información y cuyos principales usuarios son niños y jóvenes.

10. CONSIDERAMOS QUE CUALQUIER ACTIVIDAD QUE SE LLEVE A CABO EN DETRIMENTO DE LAS BIBLIOTECAS PÚBLICAS Y LA PROMOCIÓN A LA LECTURA EN HONDURAS POR LA ACTUAL MINISTRA USURPADORA MIRNA CASTRO, ES UN ATENTADO A LOS DIVERSOS CONVENIOS Y DECLARACIONES EMANADAS DE LA ORGANIZACIÓN DE LAS NACIONES UNIDAS PARA LA EDUCACIÓN LA CIENCIA Y LA CULTURA-UNESCO.

RESISTENCIA SCAD- DIRECCIÓN GENERAL DEL LIBRO Y EL DOCUMENTO

(via grupo "Los Mártires" )


Sem comentários. Não é preciso...

Sónia

Honduras - a igreja e o golpe


Atitudes como a deste homem sublinham a necessidade de distinguir entre igreja e hierarquia religiosa, entre igreja e fé, ao mesmo tempo que aproximam que a tem e quem a não tem.

Sónia

terça-feira, julho 21, 2009

AEP defende que Estado deve pagar situações de quarentena

As empresas que vêm muitos dos seus colaboradores afectados pela gripe A, sobretudo aqueles que trabalham em «contacto com o público», têm custos decorrentes das ausências dos trabalhadores que, «na nossa opinião, devem ser custos públicos», disse Paulo Nunes de Almeida.

(TSF, 21/07/09)

Repare-se, contudo, que o foco está nos prejuízos das empresas e não nos dos trabalhadores, mas, por outro lado, não seria de esperar outra coisa da Associação Empresaria Portuguesa (AEP).

Sónia


segunda-feira, julho 20, 2009

Esta gente

Há dias, o convite para a próxima actividade da UNICEPE (Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto) vinha recheado com uma história que me tocou, a propósito de um poema de Sophia de Mello Breyner Andersen. O título do poema coincide com o deste post:

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Não resisto a partilhar o texto que o acompanhava e cuja autorização de divulgação fora do círculo a que se destina eu agradeço ao autor. Passo a transcrever:

Cara Associada:
Caro Associado:
No passado dia 2 fez 5 anos que morreu Sophia de Mello Breiner Andresen.
Em Outubro de 1969, o signatário cumpria o serviço militar obrigatório em Lisboa, na Escola Prática de Administração Militar. Éramos 39 no meu curso.
Devido às eleições que se aproximavam, apenas uma terça parte era autorizada a saír em cada noite. Entre os 26 obrigados a permanecer na caserna, as trocas de ideias eram acesas. Se, ao princípio, um ou outro ainda defendia a nossa guerra em África (para onde era previsível irmos), passados poucos serões já nenhum a defendia, rendidos aqueles poucos aos fortes argumentos dos politicamente mais conscientes.
Fora-nos dito que quem estava recenseado seria autorizado a ir votar à respectiva freguesia. Porém, na véspera, isso foi desdito e só os recenseados em Lisboa poderiam votar. Tal acresceu a tensão acumulada nas semanas de quase total permanência no quartel.
E, para grande surpresa, o dia das eleições, Domingo, 26, amanheceu com as largas dezenas de grandes ávores envoltas em enormes cartazes com o poema de Sophia que abaixo trancrevo (quase de cor, desde essa manhã).
É essa grande poeta que vamos homenagear na próxima Quarta-feira. Prepare alguns seus poemas e venha partilhá-los connosco. A entremear, teremos canções pelo nosso Associado Jorge Gomes da Silva. Divulgue.

Saudações cooperativistas,
Rui Vaz Pinto
Presidente da Direcção

Porque os tempos se aproximam perigosamente e os gestos passados ameaçam voltar a ser necessários no presente, eu divulgo! Tentarei participar.

Sónia





Adriano





Faleceu Adriano Teixeira de Sousa, dirigente do SPN e da FENPROF. Um bom colega, camarada e amigo! Vai continuar a fazer-nos falta; essa é uma forma de estar presente.

Sónia

sábado, julho 18, 2009

A proposito do post anterior




La libertà

Giorgio Gaber

(1972)

Vorrei essere libero, libero come un uomo.
Vorrei essere libero come un uomo.

Come un uomo appena nato che ha di fronte solamente la natura
e cammina dentro un bosco con la gioia di inseguire un’avventura,
sempre libero e vitale, fa l’amore come fosse un animale,
incosciente come un uomo compiaciuto della propria libertà.

La libertà non è star sopra un albero,
non è neanche il volo di un moscone,
la libertà non è uno spazio libero,
libertà è partecipazione.

Vorrei essere libero, libero come un uomo.
Come un uomo che ha bisogno di spaziare con la propria fantasia
e che trova questo spazio solamente nella sua democrazia,
che ha il diritto di votare e che passa la sua vita a delegare
e nel farsi comandare ha trovato la sua nuova libertà.

La libertà non è star sopra un albero,
non è neanche avere un’opinione,
la libertà non è uno spazio libero,
libertà è partecipazione.

La libertà non è star sopra un albero,
non è neanche il volo di un moscone,
la libertà non è uno spazio libero,
libertà è partecipazione.

Vorrei essere libero, libero come un uomo.
Come l’uomo più evoluto che si innalza con la propria intelligenza
e che sfida la natura con la forza incontrastata della scienza,
con addosso l’entusiasmo di spaziare senza limiti nel cosmo
e convinto che la forza del pensiero sia la sola libertà.

La libertà non è star sopra un albero,
non è neanche un gesto o un’invenzione,
la libertà non è uno spazio libero,
libertà è partecipazione.

La libertà non è star sopra un albero,
non è neanche il volo di un moscone,
la libertà non è uno spazio libero,
libertà è partecipazione.

Da "Dialogo tra un impegnato e un non so"

Partidocracia


Sou militante de um Partido e acho que, de uma forma geral (sem demérito das excepções), no actual contexto político, a intervenção dos cidadãos, consegue ser mais eficaz no espaço dos Partidos. Independentemente desta apreciação conjuntural e relativizada, espaços como os dos Partidos, em que as afinidades (não ler “identidades”) ideológicas permitem o crescimento, aprofundamento e evolução de cada um para benefício de um colectivo, são espaços em que me sinto confortável.
Não é contraditório com o que disse antes o facto de, como expressei noutro lugar, também pensar que "Não diria tão taxativamente que "sem partidos não há democracia." Tal afirmação é pertinente no contexto actual, mas, se considerarmos um horizonte político mais interessante (o de democracia directa numa sociedade sem Estado), os partidos podem mesmo ser perspectivados como estruturas limitadas, nas quais não se esgota nem elas esgotam o potencial de intervenção política dos cidadãos. Sem perder a noção da realidade (...), creio que não devemos também perder de vista um horizonte dinâmico (a utopia) em relação ao qual caminhar."
É porque parto destes pressupostos que me preocupam as notícias ontem divulgadas na TSF e no Público a respeito do tratamento/envolvimento de cidadãos ditos “independentes”. As aspas não pressupõem a desconfiança relativamente à sua independência, mas sim a descrença em que essa mesma condição (a de independente) dependa de estar ou não vinculado a um Partido. Creio que quando o porta-voz da comissão Nacional de Eleições, Godinho de Matos, admite que “o regime legal em vigor põe em causa o princípio de igualdade” entre forças partidárias e candidaturas “independentes”, há um deficit democrático grave que urge corrigir. Transcrevo seguidamente as palavras de Godinho de Matos:

«Para a CNE, a lei, tal qual como existe, positivamente, é boa. Agora confrontados com a reclamação do movimento de cidadãos que concorre às eleições autárquicas em Matosinhos, somos obrigados a constatar que existe uma diferença na lei de tratamento entre os partidos políticos e os grupos de cidadãos.»

A necessidade dessa correcção é tanto maior quanto maior a movimentação à margem das estruturas partidárias, como permite intuir o Manifesto recentemente tornado público por um conjunto de cidadãos “insatisfeitos com os conteúdos e a qualidade do debate político-partidário”.
Como militante de um Partido democrático, assumo como uma prioridade a criação de espaços de participação política dentro ou fora dos Partidos. Talvez no actual contexto, convenha sublinhar o lado de “dentro”... Com efeito, este é um momento em que, por um lado, alguns procuram estigmatizar essa forma de participação olhando para ela de forma generalizadamente desconfiada e distribuindo indiscriminadamente por todos o ónus do actual estado de descrença política; por outro lado, também é este um momento em que há quem tente isolar o estigma em determinados Partidos e determinadas ideologias e tente, em nome da democracia, silenciá-los através da declaração da sua anticonstitucionalidade, como acontece com Alberto João Jardim, que, sendo dos poucos a dizê-lo, temo que não seja dos únicos a pensá-lo.

Sónia

sexta-feira, julho 17, 2009

Aumentar as defesas...

Na verdade há muita coisa a propagar-se por aí tão ou mais perigosa que a gripe A...
A TSF divulga hoje que um estudo do Conselho de Prevenção da Corrupção vem denunciar que "o Estado está mal protegido contra a corrupção":

Mais de metade das 700 entidades públicas ouvidas no inquérito revelaram falhas. Segundo o estudo, um número significativo de organismos não negoceia formalmente os termos dos contratos, não escreve os textos nem as minutas ou anexos do acordo.

Além disso, segundo dados do inquérito, quando esta tarefa é atribuída a gabinetes externos, a tendência é para descansar, com as entidades públicas a não controlarem os trabalhos a mais feitos em obras, por exemplo.

O inquérito mostrou também que o preço e a qualidade dos bens ou serviços são avaliados à posteriori, que os conflitos de interesse não são manifestados por escrito e que não se diz de forma explicita aos funcionários que os casos de corrupção são intoleráveis.

O estudo encontrou ainda falhas na atribuição de benefícios públicos. Em muitos casos não se fundamentam as decisões e não se estabelecem à partida as regras, violando assim a lei.


A surpresa não é grande. Mesmo assim, o estudo revela utilidade na medida em que aponta medidas para corrigir a situação e preveni-la futuramente, definindo ainda um prazo limite para o reajustamento em função das recomendações efectuadas.
O que falta aqui é a aferição de responsabilidades pelos actos passados. Perante a constatação de uma prática nefasta e de indicadores de prejuízo a situação é ultrapassada impunemente?

Sónia

quinta-feira, julho 16, 2009

A propósito de comunismo e democracia…

Só posso compreender o eventual embaraço da Dr.ª Ferreira Leite em relação às afirmações do seu camarada de partido se no seio da actual liderança do PSD ou entre as elites do partido houver uma vontade expressa ou uma posição consensual sobre a incompatibilidade entre comunismo e democracia. Para o Dr. João Jardim ter levantado a lebre…

Apesar disso, o argumento lançado pelo governante da Madeira é mais demagógico do que outra coisa. Ao contrário das suas congéneres fascistas, as organizações comunistas sempre conviveram bem em ambientes democráticos, quer através de uma representação parlamentar, quer através de uma forte presença no movimento sindical. Penso que só assim se compreende o respeito que, de uma forma geral, o povo lhes deu, apesar do reconhecimento das atrocidades que foram feitas em nome da ideologia que os comunistas defendem.
Sobre as organizações fascistas não se pode dizer o mesmo. Apesar disso, nos últimos tempos, à boleia das mais recentes crises sociais, talvez tenham chegado à conclusão que mais vale obedecer às regras democráticas e existir, do que permanecer numa posição marginal e muitas vezes ridícula. Este facto, traz-me mais preocupação do que descanso, mas a democracia é mesmo assim, existe um constante esforço contra aqueles que a querem pôr em causa.

Ao contrário do fascismo, o comunismo foi no século XX um importante veículo de desenvolvimento social. Foi decisivo na definição do papel do Estado enquanto promotor de igualdade entre os cidadãos, e eu ponho-me a pensar se não terá sido o radicalismo deste movimento a permitir aos social democratas, enquanto alternativa mais moderada, a realização das suas políticas de apoio social.
Depois há que considerar também toda a sustentação intelectual que o comunismo tinha. Não consegui encontrar ainda algo similar no movimento fascista.

E pronto, lá se gastaram mais umas linhas a custo do Dr. João Jardim, que assim como assim, lá vai conseguindo fazer com que ninguém o esqueça. O que até não é mau. Rir sempre fez bem à saúde e ao espírito.


André

Plenamente de acordo

Só um país a viver ainda no século XX admitiria uma coisa destas na sua Constituição.
Sempre na frente da batalha, Jardim antecipa-se ao programa eleitoral do PSD e obriga Manuela Ferreira Leite a tomar uma posição. Quanto ao 'vigilante oficial', vulgo Representante da República, deixem-no lá estar sossegadinho, já dizia um compadre meu 'não se pode dar muita corda a estes ilhéus, que Ferreira Leite não caia no mesmo erro de Sócrates'.
Mas Alberto João vai vender caro os votos madeirenses no PSD. Espera-nos a melhor Silly Season de sempre.

evva

Já estou mais descansada

«o bom leitor não é o que lê muitos livros, é o que chegou àquele estádio em que compra uma boa quantidade de livros que deveras lhe interessam deveras convencido que nunca os lerá. Dito de outro modo, o bom leitor é o que valoriza o livro que não leu, bem mais do que o livro conhecido: e valorizando-o, quer possuí-lo! (...) o bom leitor é aquele cujo desejo contribui para a proliferação dos livros ainda antes de contribuir para a sua própria elevação intelectual»


Abel Barros Baptista, 'A Ordem dos Críticos', Ler n.º 82, Julho 2009



Eu acrescentaria 'o bom leitor é aquele que contribui assiduamente para a proliferação da indústria das estantes'. Cá em casa é uma necessidade premente.
A revista Ler, cuja nova série não me deslumbrou por aí além, recomenda-se. E ainda vou na página 10. Continuo a não gostar dos cartoons do Pedro Vieira, mas não se pode ter tudo. A assinar e coleccionar.

evva

José Luis Peixoto

O ESCRITOR

ele disse não sei porque escrevo o teu nome.
eu olhei para ele. eu disse o meu nome não
é tudo o que podes escrever.

ele escrevia o meu nome num papel. ele sentava-se
numa cadeira e o luar era a luz de um candeeeiro
sobre as palavras escritas.

ele disse amo-te.

ele disse tenho medo que um dia deixe de poder
escrever o teu nome. eu disse o meu nome não
é tudo o que podes escrever.

ele escreveu o meu nome durante muitos anos.
e eu perguntei porque continuas a escrever
o meu nome? ele olhou para mim. e perguntou
quem és tu?

(
José Luís Peixoto in "A Casa, a Escuridão" / Temas e Debates)


O próximo convidado das "Quintas de Leitura" no Teatro do Campo Alegre

Sónia

quarta-feira, julho 15, 2009

Se eu ganhasse ao quilo

de papelada inútil que o Ministério da Educação exige a um professor do Ensino Secundário



estava rica. Muito rica.

evva

sábado, julho 11, 2009

A coisa pia mais fino...


O cidadão que está recenseado e nasceu em 1873 não precisa de ir à urna para votar. Precisa é de sair dela.

É de um grande snobismo apanhar a gripe A agora, quando um destes dias toda a gente vai ter. É só para ser notícia.

António Filipe (11/07/2009 via twitter)


Sónia

quarta-feira, julho 08, 2009

Mais umas lágrimas


De rir e chorar por menos...

Já ontem tinha lido a notícia no Público, mas ouvi-la hoje a ver a cara séria da jornalista da TVI levou-me a um fartote de riso - não fosse o caso mais para chorar que para rir...


A Ministra da Educação disse mais que o que que quis dizer: se diz que , então também está a dizer que alunos e professores contam menos neste processo, está mesmo a dizer que os esforços das escolas e do próprio ME através do Plano Acção da Matemática têm menos poder que a comunicação social para o sucesso educativo, está ainda a fazer uma apreciação do papel da comunicação social que não só é ofensiva como muito grave no que respeita à independência da comunicação social.
Isto merece indignação generalizada, mas sobretudo uma valente reacção do sindicato dos jornalistas.

Sónia

terça-feira, julho 07, 2009

De rir e chorar por mais

"Domingos Botelho casou com D. Rita Preciosa. Rita era uma formosura, que ainda aos cinquenta anos se podia prezar de o ser. E não tinha outro dote, se não é dote uma série de avoengos, uns bispos, outros generais, e entre estes o que morrera frigido em caldeirão de não sei que terra mourisma; glória, na verdade, um pouco ardente; mas de tal monta que os descendentes do general frito se assinaram Caldeirões."

In Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. E o deleite ainda agora começou.

André

sexta-feira, julho 03, 2009

Dão-se alvíssaras

a quem conseguir ler o que os beiços de Manuel Pinho diziam a Bernardino Soares momentos antes do grandioso gesto.
Aceitam-se sugestões.

evva

Não se distraiam!

Para mim o mais importante a dizer sobre caso Manuel Pinho é isto:

"Este gesto, a todos os títulos inaceitável, não pode contudo desviar as atenções do país sobre as matérias que estiveram em debate na Assembleia da República e da necessidade de interromper o penoso ciclo da política de direita que está na origem da crise, do desemprego, dos baixos salários, das injustiças e da corrupção que marcam a vida nacional."

Sónia

quinta-feira, julho 02, 2009

Deixa ver se percebi...



Lisboa, 02 Jul (Lusa) --

O ministro da Economia, Manuel Pinho, pediu hoje desculpa pelo gesto que dirigiu ao líder parlamentar do PCP durante o debate do Estado da Nação, reconhecendo que se excedeu.

"Excedi-me, pedi desculpa", afirmou Manuel Pinho, quando questionado pelos jornalistas sobre o que tinha acontecido minutos antes no plenário da Assembleia da República.

Questionado se considera ter condições para continuar no Governo depois deste episódio, Manuel Pinho respondeu afirmativamente.

(daqui)


Quer dizer que, enquanto representante popular eleito, se eu depois pedir desculpa, posso faltar ao respeito aos outros representantes (e consequentemente a quem eles representam) e continuar impune?

Pela parte que me toca, não aceito o pedido de desculpas deste senhor!

Sónia


sábado, junho 27, 2009

Bury me deep in words and music

As análises que por aí circulam sobre a responsabilidade de Michael Jackson na projecção e na morte da MTV (cuja óbito agora se anuncia, a coincidir com o desaparecimento de quem projectou e elevou à categoria de objecto artístico a matéria que a alimentava) e do domínio da imagem que promove e vende a música, com ela se confunde e a ultrapassa, pouco dizem sobre a nossa pequena realidade de pré-adolescentes na primeira metade da década de oitenta.

De facto, quem naquela época seguia a MTV? Muito poucos. A televisão por satélite chegava a alguns lares e bares, apenas. O pouco a que conseguíamos almejar era ao Top+ a cada sábado e a torcer para que no primeiro lugar da lista de vendas estivesse o tão desejado teledisco. Isto para dizer que, ao contrário dos adolescentes de hoje, a nossa formação pop não passava assim tanto pela imagem (enfim, tínhamos a Bravo e as outras revistas alemãs com as fotos e os posters, mas pouco mais) televisiva porque, na ausência de canais de televisão a passar música 24 horas por dia, restavam-nos os discos e esses sim, o ritmo contagiante que deles emanava, a música que idolatrávamos, as letras que tentávamos perceber ainda antes de sabermos soletrar uma palavra de inglês, os discos de vinil foram a base da nossa relação com a música pop, não os telediscos. Muito menos as rádios, alguns anos antes do boom da divina pirataria. Os concertos ao vivo eram raríssimos. Por isso me soam tão estranhas estas afirmações de que nós, sim nós, adolescentes e pré-adolescentes portugueses da época em que Thriller revolucionou a música pop, pertencíamos à geração MTV.

Veio-me tudo isto hoje à memória ao ouvir, por caso, um tema dos Triffids (alguém um dia terá de escrever um tratado sobre o quanto as nossas emoções devem à pop dos antípodas, dos The Church aos Go-Betweens). Um dos versos desta canção, uns bons anos mais tarde, haveria de ser a frase que inaugurou o screensaver do meu primeiro PC. Ainda lá andou por algum tempo, até um vírus envenenar a memória do computador (e a minha). Os adolescentes de agora conseguirão assim tão facilmente libertar a imagem das palavras e da música e cristalizar todas as comoções da juventude numa simples frase?

The Triffids, Bury me deep in love (1987)


Bury me deep in love,
Bury me deep in love
Take me in, under your wing
Bury me deep in love

There's a chapel deep in a valley
For travelling strangers in distress
It's nestled among the ghosts of the pines
Under the shadow of a precipice

When a lonesome climbing figure
Maybe slips, maybe loses grip
Tumbles into a crevice
To his icy mountain crypt

Buy him deep in love, bury him deep in love
Take him in, under your wing
Bury him deep in love

When the rock below is shaking
The heart inside is quaking
How long this cold dark night is taking
Bury me deep in love

Bury me deep in love, bury me deep in love
Take me in, under your skin
Bury me deep in love

And the little congregation gathers,
Prays for guidance from above
They sing, "Hear our meditation,
Lead us not into temptation
But give us some kind of explanation
Bury us deep in love"

You may lose me on the east face
You may lose me on the west
I may be covered over in the night
Bury me deep in your love yes

Bury me deep in love. bury me deep in love
Take me in, hide me under your skin
Bury me deep in love

Bury me deep in love, darling bury me deep in your love
Deeper and deeper. deeper and deeper
Bury me deep in love

[evva]