quarta-feira, setembro 09, 2009

Ainda estão a pensar votar PS?

Como se previa, um dos maiores dislates da política de gestão(?) educativa do governo PS ainda em funções está já a produzir efeitos caricatos. No mais recente concurso para colocação de professores nos quadros, o Ministério permitiu que se apresentassem para efectivação no grupo de Espanhol professores com habilitação profissional para o ensino de Português e/ou Línguas Estrangeiras que não a língua de El Cordobés. Agora perspectivem um professor com estas habilitações que é colocado numa escola em que lhe é atribuído um horário com o Nível 5 e 6 de leccionação da língua de Castela. Como é óbvio, se esse professor para obter o DELE tiver apenas frequentado um curso intensivo de 60 e tal horas ou se se tiver apresentado a um exame no Instituto Cervantes, sem ter seguido nenhuma formação específica no idioma, todos os alunos que irá leccionar possuem mais anos de aprendizagem da língua espanhola do que ele.


Imagino o pânico deste docente ao antever-se a enfrentar turmas de adolescentes espertalhões com a escola toda, que depressa se aperceberão das limitações linguísticas do professor que lhes calhou na rifa, e o Director da escola às aranhas com o presente envenenado de Lurdes Rodrigues, Walter Lemos e sus muchachos e com imensa vontade de imitar o gesto taurino de AllPinho perante a sagessa deste Ministério, já não da (Des)Educação mas sobretudo do Disparate. Olé!


evva

Adenda: texto revisto às 14h15 para correcção de algumas gralhas.

15 comentários:

Rui disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rui disse...

Desta vez, cara amiga evva, tenho de comentar!
Começo por dizer quem não concordo com todas a medidas que este governo levou a cabo na área da educação, mas que assino por baixo na sua maioria.

Tal como o Dr. Paulo Rangel já admitiu, uma batalha muito grande foi conseguida no que aos Professores diz respeito. Hoje é plenamente aceite por todos (e também pelos professores) que a avaliação é um processo necessária e fundamental.

Não falo aqui de muitas medida positivas, que neste contexto não são relevantes.

Mas vamos ao assunto dos Professores de Espanhol.

Devo dizer-te que no tempo em que nós entrámos para a Universidade, como as vagas eram poucas, houve colegas de letras que foram fazer a prova de matemática e conseguiram entrar para engenharia...

Quero ainda lembrar-te que os colegas das ESES das antigas variantes Port/Fran, Port/Ing, Matemática/Ciências podem desde o tempo da ministra Ferreira Leite concorrer para quadro nas escolas do 1ºCiclo. Devo dizer-te ainda que tive a experiência de partilhar casa com um colega de Inglês que estava efectivo no primeiro ciclo (imaginas quem lhe ensinou a fazer contas de dividir com dois números:) ?)

Já agora, e porque estou a falar de educação, a Drª Ferreira Leite, que foi ministra da educação, teve aulas em casa até bem tarde....conhece portanto na perfeição a escola Portuguesa e a sua dinâmica.

Virar à direita nesta altura é seguir por atalhos!

Cuidado...

Respondendo à tua pergunta...SIM, vou votar PS.

Rui Pinto

Reverendo Bonifácio disse...

Olá a todos,

primeiro, o voto é livre, claro.

Agora justificar o absurdo por já ter existido outros absurdos é o mesmo que justificar salários baixos porque já os houve, e há, a corrupção porque também existia em outros governos, e só por isso.
Outros tempos houve em que se teve que se fazer o que se podia com o que havia, porque mais não se tinha. Actualmente fazem-se todos os tipos de disparates, neste caso, não porque não haja profissionais da área mas... sei lá... às tantas porque apetece a alguém em algum gabinete. Já se fizeram tantos disparates que muitos não ligam a mais um, ou justificam-no com situações como as apontadas pelo Sr. Pinto.

Finalmente, gostaria que alguém me explicasse como é que fomos parar aos EUA? Não somos uma colónia? Não? É que eles é que só têm DOIS partidos, parece-me que em Portugal há mais... mas pode ser alucinação minha.

Anabela disse...

Caro Rui

Mas pelo menos, nas situações que focou, as pessoas tiveram formação. Se não foi a adequada, o problema já é da universidade. Neste caso, além do facto de votar PS ou não (e nisso não meto o bedelho, pq é assunto que diz respeito apenas a cada um), o que está em causa é facto de professores menos capacitados poderem ir leccionar uma língua para a qual não possuem, na grande maioria deles, os requisitos mínimos. Ora imagine, se segundo diz, a universidade não prepara bem os alunos, então acha que um curso de 60h o fará melhor? Além disso, nesse curso são ministrados apenas conteúdos linguísticos e não culturais, imprescindíveis a uma boa leccionação da disciplina, tanto mais em níveis 5 e 6 como refere a Evva.

Anónimo disse...

Parece-me também que, se um professor se candidata para um grupo de docência para o qual, efectivamente, não possui habilitações, então deve ter a coragem e a responsabilidade de enfrentar a turma que lhe calhe. Não conheço os cursos do cervantes, mas sei que os cursos de inglês do British Council tem um nível de inglês tão o mais elevado do que os das universidades... Obvimente que é bizarro que uma pessoa de inglês, franc~es ou russo possa dar espanhol... Mas se ela se candidata, repito, é porque se acha segura para o fazer. E eu acredito no investimento pessoal de cada um. Claro que há sempre maus professores, más pessoas, mau tempo... etc. E há responsáveis e irresponsáveis. Mas pensa, Elsa, tu candidatavas-te? Ok. Podes responder sim, se estivesse no desemprego e com boas perspectivas. Então, seria uma opção tua e um desafio que talvez uma efectiva e boa avaliação do desempenho viesse a condenar ou a premiar.
Acrescento, mas reconheço que com pouco conhecimento efectivo, que, pelo que ouço de colegas de diferentes facções políticas, os concursos dos professores não estão uma maravilha, mas já não parecem o descalabro de antanho.
E sim. Vou votar PS.
Isabel Correia

Sónia Duarte disse...

A questão não está em professores com outra formação que não o Espanhol poderem leccionar a língua. Isso já acontecia e, dado o panorama de escassez de professores de Espanhol, justifica-se.
A questão está em esses professores poderem efectivar em igualdade de circunstâncias com os colegas com habilitação legal e apropriada. Foi isso que aconteceu agora e não aconteceu antes, apesar de que a existência de precedente - como já aqui foi dito - não é grante de razão. Este Governo, abriu 200 vagas para efectivação no grupo de Espanhol, alegando que não havia professores profissionalizados no grupo em número suficiente para as reencher, em justificação das medidas que permitiram a estes professores sem formação didáctica específica no Espanhol acederem a essas vagas. Como provaram os resultados dos concursos, dando razão ás advertências da Associação de Professores de Espanhol Língua Estrangeira, concorreram professores professores profissionalizados em número superior ao das vagas, sendo que cerca de metade foram preteridos em favor de colegas sem habilitação adequada de acordo com a legislação em vigor.
Não se sabe se a qualidade científica e didáctica que podem assegurar os docentes sem habilitação legal é maior ou menor que a dos que a detêm. Trata-se de uma questão de certificação, é certo. Mas, em princípio, a certificação existe para garantir um perfil de competências determinado e a sua inexistência só pode assegurar a incerteza sobre o nível de desempenho nas mesmas.
E entre essas competências está mais do que a competência linguística (ou poderiam concorrer para efectivação todos os espanhóis). Com todo o respeito pelo diploma do Instituto Cervantes, este, no entanto, não tem pretensões de ser mais do que uma validação do uso comunicativo da língua e de um professor espera-se mais, quer do ponto de vista da consciência linguística, quer cultural, quer didáctica.

Esplendor disse...

Bravo, Reverendo, Anabela e Sónia! Preparava-me para responder ao comentário do Rui exactamente com os argumentos que utilizaram. Queria só acrescentar que, e respondendo especificamente à Isabel, quando escrevo aqui sobre questões educativas faço-o com pleno conhecimento de causa e a situação que descrevi como hipotética passa-se neste momento numa das nossas escolas secundárias com mais pergaminhos e o colega em questão está a pensar desistir da sua colocação. Por vezes não basta o esforço e investimento pessoal, quando o desafio ou, neste caso, a responsabilidade que nos impõem, é demasiado exigente.

evva

Esplendor disse...

Bravo, Reverendo, Anabela e Sónia! Preparava-me para responder ao comentário do Rui exactamente com os argumentos que utilizaram. Queria só acrescentar que, e respondendo especificamente à Isabel, quando escrevo aqui sobre questões educativas faço-o com pleno conhecimento de causa e a situação que descrevi como hipotética passa-se neste momento numa das nossas escolas secundárias com mais pergaminhos e o colega em questão está a pensar desistir da sua colocação. Por vezes não basta o esforço e investimento pessoal, quando o desafio ou, neste caso, a responsabilidade que nos impõem, é demasiado exigente.

evva

Esplendor disse...

Bravo, Reverendo, Anabela e Sónia! Preparava-me para responder ao comentário do Rui exactamente com os argumentos que utilizaram. Queria só acrescentar que, e respondendo especificamente à Isabel, quando escrevo aqui sobre questões educativas faço-o com pleno conhecimento de causa e a situação que descrevi como hipotética passa-se neste momento numa das nossas escolas secundárias com mais pergaminhos e o colega em questão está a pensar desistir da sua colocação. Por vezes não basta o esforço e investimento pessoal, quando o desafio ou, neste caso, a responsabilidade que nos impõem, é demasiado exigente.

evva

Anabela disse...

Querida Evva - tentando aligeirar a coisa - não precisas de dizer 3 vezes a mesma coisa pq já toda a gente entendeu.

(Foi só brincadeirinha), lol

Esplendor disse...

A culpa é deste computador que endoideceu e está a passo de caracol, obrigando-me a clicar n vezes em cada tecla, de tão irritada que estou! Grrrr... ;)

Rui disse...

Aqui estou novamente.
Antes de mais fico contente por ter lido tantas e esclarecidas opiniões sobre o assunto. Folgo em saber que temos ideias para debater, e que temos pontos de vista distintos. Ainda bem que assim é, já que expor os nossos pontos de vista é uma forma de se exercer a cidadania.

Evva coloca a questão da educação, em particular a questão da colocação dos Professores de Espanhol, que segundo a própria deve fazer com que as pessoas pensem se ainda devem votar PS. Assim sendo, vi este post como verdadeira propaganda eleitoral (de direita) e não pude deixar de reagir.
Primeiro porque não concordo que a direita tenha melhores políticas educativas (aliás temos provas de que não têm) e depois porque se há áreas onde nos últimos 4 anos houve alterações muito positivas, a educação é uma delas. Naturalmente nem tudo correu bem, mas acho justo que se recordem das medidas no pré-escolar, das actividades de complemento do 1º ciclo, da colocação de Professores por 4 anos no básico e secundário…
Volto a recordar que neste momento a ideia de avaliação é consensual!

Quero dizer também que não sou dos que sustentam que opções erradas devem ser reeditadas com o argumento de que existem casos análogos. No caso em particular, caro reverendo, não é verdade que nessa altura “foi fazer o que se podia com o que havia” Pergunto há quanto tempo há professores do 1º ciclo no desemprego? E quero também deixar bem claro que entendo que o principal problema na educação está precisamente nas bases, no primeiro ciclo.

Neste caso do Espanhol a solução seria continuar a contratar as pessoas que asseguram o serviço até haver profissionalizados? E depois? Mandar para a rua estes que são descartáveis. Confesso que não percebi muito bem. Esclarece-me Sónia.

Há mais partidos em Portugal, claro que sim. Mas são opção? Veja-se por exemplo neste âmbito a resposta do convidado do PC no prós-e-contras à pergunta sobre o efeito da avaliação negativa….

Anabela disse...

Caro Rui

Reportando-me ao caso do espanhol, e porque estou à vontade para falar porque nunca defendi a entrega da leccionação da disciplina a quem não detivesse a respectiva licenciatura, relembro-te que há 2 ou 3 anos foi permitido aos estudantes universitários que tivessem feitas pelo menos 2 cadeiras anuais de espanhol a leccionação da disciplina. A meu ver, se faltam professores, que se transfiram os alunos para o estudo de uma outra língua. Podes perguntar a razão de não existirem mais professores de espanhol, mas isso será motivo para outro post, por ser assunto longo.
Neste caso - e era a isso que se referia a Sónia - não foi de todo justo que, sabendo-se que o espanhol é um grupo novo, consequentemente com a maioria dos professores com pouco tempo de serviço, se abrissem lugares de quadro para colegas que não detinham essa licenciatura e que apenas tinham feito um curso de 60 h, mas com muito mais tempo de serviço. O caricato é que havia de sobra professores licenciados em espanhol para ocupar todas as vagas disponibilizadas.

Wouter disse...

Voltando à questão do título.
Não vou votar PS, mas é só mesmo porque não posso.
Wouter (o belga recentemente emigrado para o país onde reina o Socrates e do qual gosta muito, tanto que acha que o dito senhor devia ter a oportunidade de levar ao fim algumas reformas importantes que iniciou, isso dando-lhe o conselho de, na próxima legislatura, honrar mais o seu prórpio nome, questionando sistematicamente as coisas que vê a sua volta, incluindo aquele que vê no espelho de manhã, tenho dito.)

Sopro leve disse...

http://soproleve.blogspot.com/2009/09/alguem-vai-voltar-acreditar.html