quinta-feira, janeiro 31, 2008

Trouble is a man



Durante a representação do " Café" de Carlo Goldoni (1707-1793), entre histórias de amores, desamores e traições, tinha constantemente na cabeça  Carmen Macrae a cantar "Come in from da rain". Não encontrei na rede o que queria, mas aqui fica outra excelente canção pela mesma senhora e mais uma nota sobre a música da peça: é interpretada ao vivo, nada menos que por Vítor Rua! 
A ver, no Teatro S. João.

Sónia

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Segunda pessoa

Alguém diz tu. Alguém sem nome.

É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.

Alguém diz tu à imagem que se esgarça,

à certeza de uma longínqua razão.

Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.

Cego de insónia, nem lembrar te posso.

Nem mesmo em sonho saberia ver-te.

És só o pronome, tu, a ondular-te na boca,

norte magnético num desespero em surdina.

És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.

A história avança na cabra-cega sem rostos,

e eu vivo em ti o tu mais só da minha vida.

(Óscar Lopes)

Em 1985, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto editou o livro A Ilha dos Amores onde está publicado este poema de Óscar Lopes, que é o único que se conhece do autor. Descobri-o, contudo, num número especial da Gazeta Literária, comemorativo dos 125 anos da Associação: o quatro , de Outubro de 2007. Pena é que, já publicado em Outubro, só agora me veio parar às mãos.

Sónia


He's back!




andré

Hoje só me apetece almoçar



Encarregados de Educação.

Vejamos:

Uma grupo de alunos integra uma visita de estudo de duas horas ao Planetário (fica perto, vá lá). Regressando à escola cerca das 16h30, acham por bem indignar-se por a Directora de Turma os obrigar a assistir às restantes aulas da tarde. Numa dessas 'actividades de distracção e ocupação dos educandos' (parece-me ser o termo mais adequado para designar uma 'aula', tal a forma como adolescentes e respectivos Encarregados de Educação as entendem hoje em dia), uma esperteza saloia decide sacar da máquina fotográfica digital e, à socapa, toca a fotografar a aula. Directora de Turma finge que não vê (afinal são só 45 minutos e há que aproveitar a minoria interessada em aprender qualquer coisa), mas murmura com os seus botões "no final da aula conversamos".

Quando tocou, decido chamar a criatura que já me havia chateado a paciência no início da aula para me mostrar as fotos da Visita de Estudo e finjo-me interessada. Lá estão as fotos comprometedoras (ao menos poupou a professora). Dando cumprimento ao Regulamento Interno da Escola, apreendi a arma do crime, a qual só pode ser levantada pelo Encarregado de Educação. O passo seguinte foi exactamente contactá-lo. Atende-me o pai, escandalizadíssimo com o sucedido. «E olhe que já convoquei há duas semanas, via Caderneta Escolar, o Encarregado de Educação para tomar conhecimento de uma participação disciplinar de Matemática, e há mais recados na Caderneta por assinar». Como trabalha à noite e só podia dirigir-se à escola depois do Carnaval, acedo recebê-lo na Escola no dia seguinte, pela hora de jantar, essa refeiçãozinha inócua que os professores do Ensino Secundário não estão autorizados a disfrutar nos últimos tempos.

Corro para a reunião de grupo disciplinar que havia começado às 18h30, durante a qual sou alertada para os protestos de uma Encarregada de Educação que exige falar com a Directora de Turma da filha, «que está para ali no paleio há não sei quanto tempo [eram nove menos tal da noite] e nunca mais se decide a sair da escola». Tudo termina com uma cena rocambolesca com o Grupo de Francês em peso a proteger-se das agressões da mãezinha [afinal, que raio de gente no paleio dentro da escola até àquela hora!?], que queria ao fim da força tirar satisfações da Directora de Turma (ainda fui empurrada e puxada pela senhora não sei quantas vezes).

Hoje à noite há mais uma sessão de 'paleio' até às tantas. Espero que o Encarregado de Educação apareça. Ou a maquineta da filha ainda acaba no e-bay. Quando é que saem as grelhas para avaliarmos os Encarregados de Educação?

evva


Cenas dos próximos capítulos: a história do menino, da mesma turma, que se recusou a assistir às aulas que lhe restavam no horário após ter regressado da visita de estudo e ultrapassou o limite de faltas permitido por lei. Responde-me o pai, do outro lado da linha: «Está-me a dizer que ele vai chumbar por faltas? E também me vai dizer o que vou fazer com ele em casa?».

terça-feira, janeiro 29, 2008

The pipettes - ABC



Uma das minhas preferidas é "Your kisses are wasted on me", mas não encontrei nenhum clip que me agradasse.
Esta faz-me pensar em "I'd rather dance with you" dos Kings of Convenience.

Sónia

Greguerías

"Era tan moralista que perseguía a las conjunciones copulativas."

Ramón Gómez de la Serna, Greguerías, (1910-1960)

Sónia

segunda-feira, janeiro 28, 2008

domingo, janeiro 27, 2008

Até os comemos...



Eu pecadora (e gosto de o ser...) me confesso. Peço desculpa, se alguém achou um abuso: não sou leviana, e reflecti antes de publicar o post que causou a polémica ("Num quiosque perto de si"). Não queria ser indelicada com quem me convidou nem vincular o blog com ideias/instituições que a repugnassem, mas (também sou frontal...) a verdade é que a reacção (nunca melhor dito...) vale para tudo o que eu tenho escrito aqui. Não me pareceu que a indicação da fonte (e a imagem é também isso, para além de uma preocupação gráfica) tornasse o conteúdo mais ou menos "esquerdoso" que o de outros posts, ou mesmo o de outros artigos recolhidos noutra imprensa "insuspeita" (o "Diário económico", por exemplo). Não sou isenta no que escrevo e no que escolho, como não o é ninguém, com ou sem opções partidárias, além de que a informação sobre uma publicação periódica (neste caso uma edição especial do "Avante") surge do facto de ter descoberto um conjunto de outras publicações, culturais, políticas e científicas on-line -nem menos, nem mais importantes - que achava bem divulgar aqui. Por último, quando fui convidada a participar, eu questionei precisamente isto: se o blog estaria aberto a tudo. O facto de sermos vários (e diferentes) a escrever confere-lhe pluralidade ( e nesse sentido, isenção). Se eu procurar ser mais "discreta" essa pluralidade, a meu ver, perde.
Quanto a ter medo... Já devem ter ouvido dizer que “os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço” e, se calhar, até deram crédito, mas não é a verdade: os "comunas", "anarcas" e a "esquerdalha" em geral são igualmente conhecidos por não descriminarem em função de sexo, religião, ideologia... ou idade!!!
Cá fica o que eu penso, ao abrigo do direito de resposta...

Sónia

Tenham MEDO, tenham MUITO MEDO


Sobretudo os que se atrevem a conspurcar este blog com propaganda da esquerdalha. E não pensem que se livram por arrastar por aí só pele e osso. Estão no topo da lista. Em caso de necessidade...

evva

Porque..

...sei de mais alguém que também gosta muito desta canção.

Grande filme também!!



Serge Gainsbourg (letra e música) e France Gall (interpretação),"Laisse tomber les filles" (1964) 
Quentin Tarantino, "Death proof" (2007)

Sónia

sábado, janeiro 26, 2008

Contratempo



Coisas que acontecem no contratempo
Não se sujeitam ao consenso
Ficam no fundo
Enquanto o resíduo perece

Sabedorias feitas na manga
Servem ao estado presente
Ficam distinto(s)
Enquanto a maioria embarga

Se a relação do contratempo
E do tempo presente
Assimilarem
Não se precisava de viagens cosmonáuticas
As teorias seriam atendidas
Mas a inteligência limita a autonomia humana

Lali Puna
EP Micronomic

andré

Avaliação de desempenho dos professores


Leiam a notícia transcrita abaixo e, apesar de o desrespeito pela classe ser prática corrente, mantenham a indignação acesa! É o sintoma de que nem nos habituámos a ele nem nos começámos a desrespeitar  a nós próprios...

Divulgadas fichas de avaliação de desempenho dos professores
O Ministério da Educação disponibilizou sexta-feira à noite as fichas de avaliação de desempenho dos professores no seu endereço electrónico.

Os dados foram divulgados cerca das 23:30 de sexta-feira, o dia anunciado pelo ministério para a divulgação das referidas fichas.

A Fenprof questiona o valor jurídico das fichas, que não vão ser publicadas em Diário da República mas apenas objecto de um despacho da ministra da Educação e já anunciou que recorrerá aos tribunais.

"O ministério diz que sexta-feira há fichas e grelhas de avaliação no seu sítio para que as escolas consultem e nós queremos saber como é que isto acontece se essas fichas nem sequer foram negociadas com os sindicatos", afirmou no início da semana à agência Lusa Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof.

"E mais: para que é que serve uma comissão científica de avaliação [Conselho Cientifico para a Avaliação de Professores - CCAP] que segundo a lei deveria pronunciar-se sobre essas fichas e não vai analisá-las nem ser tida em conta porque não está sequer constituída?", acrescentou.

"Isso é um absoluto disparate. As fichas sairão num despacho da ministra da Educação que não carece de mais nenhuma validação. Esse despacho será publicado oportunamente, sendo desde já divulgadas as fichas", afirmou à Lusa o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, em resposta às denúncias da Fenprof.

Jorge Pedreira recordou ainda, por exemplo, que os despachos de nomeação de dirigentes são publicados depois de estes já estarem em funções, produzindo efeitos a partir de determinada data.

Garantindo que a avaliação de desempenho vai mesmo realizar-se, o secretário de Estado assegurou que os sindicatos foram ouvidos sobre as fichas de avaliação, não tendo apresentado nenhuma contra-proposta significativa, "apesar de terem sido desafiados a fazê-lo".

"Recebemos apenas uma contra-proposta muito substancial, de um dos 14 sindicatos, relativa à avaliação de professores da educação especial, que foi tida em conta nas fichas de avaliação desses docentes", acrescentou.

Sublinhando que a Comissão Científica não tem de se pronunciar sobre as fichas de avaliação, ao contrário do que afirma a Fenprof, Jorge Pedreira sublinhou que a avaliação de desempenho este ano "só terá expressão classificativa" para os docentes contratados e para os outros, a larga maioria, apenas no próximo ano lectivo.

Diário Digital / Lusa 

26-01-2008 9:12:58


Bom fim-de-semana (apesar de tudo...)
Sónia


sexta-feira, janeiro 25, 2008

Num quiosque perto de si


Face à anunciada decisão do Governo de proceder a alterações à legislação laboral que, ao que se conhece, vão todas no sentido de piorar as já gravosas disposições do Código de Trabalho, aprovado em 2003, o PCP decidiu lançar uma  acção nacional de denúncia destas intenções do Governo, que contrariam, aliás, os compromissos assumidos na altura pelo PS, e repetidos na campanha eleitoral de alterar os aspectos mais gravosos do Código.

Ao contrário, e escondido atrás da Comissão do Livro Branco, a quem encomendou a justificação técnica para as suas opções políticas, o Governo do PS prepara-se agora para introduzir alterações lesivas dos direitos laborais, desregulamentando, precarizando e fragilizando ainda mais a posição dos trabalhadores por conta de outrem.

Nesse quadro, o PCP publicou ontem uma edição especial do jornal Avante!, incluindo um suplemento sobre estas matérias. O jornal foi vendido nas ruas e nas fábricas, mas está ainda à venda nas bancas e pode também ser consultado em http://www.avante.pt/

nota de imprensa do PCP, adaptada por


Sónia

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Não me convenceu



Aqui, tal como em 'Sensibilidade e bom senso'
ou em 'Trigre e o dragão', Ang Lee parece-me
mais um realizador americano do que oriental.
Tudo muito estilizado, asseado, e previsivel.
E se nos filmes anteriores isso não me incomodou,
neste tirou-me grande parte do encanto. Até
porque estamos perante uma bonita história de amor.
De qualquer modo, a interpretação dos actores é notável!


andré

quarta-feira, janeiro 23, 2008

A pedido de várias famílias...

missed me

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister i might tell my sister
if i tell her mister she might tell my mother and my
mother, mister, just might tell my father and my father
mister he won't be too happy and he'll have his lawyer
come up from the city and arrest you mister 
so i wouldnt miss me if you get me, mister, see?

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister you must think im pretty 
if you think so mister you must want to fuck me 
if you fuck me mister it must mean you love me 
if you love me mister you would never leave me
it's as simple as can be!

missed me missed me now you've got to kiss me
if you miss me mister why do you keep leaving
if you trick me mister i will make you suffer
and they'll get you mister put you in the slammer and forget 
you mister then i think you'll miss me won't you miss me 
won't you miss me

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister take responsibility
i'm fragile mister just like any girl would be
and so misunderstood (so treat me delicately!)

missed me missed me now you've gone and done it
hope you're happy in the county penitentiary
it serves you right for kissing little girls but i will visit if you miss me
do you miss me? MISS ME??
how's the food they feed you??
do you miss me
will you kiss me through the window?
do you MISS ME? MISS ME??!!
will they ever let you go???
i miss my mister so!!!!


 The Dresden dolls

in: http://www.dresdendolls.com/downloads_n_lyrics/lyrics/missedme.htm 

Sónia


Dresden dolls

Alguém sabe pôr a bolinha vermelha no canto de um blog?






(espero que não...)


Sónia

terça-feira, janeiro 22, 2008



you say my love for you's not real
but you don't know how real it feels
all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

your sister says that I'm no good
I'd reassure her if I could
all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

friends fail every day
I want to hear you say
you're
love won't be leavingyour eyes aren't deceiving

fears will soon fade away
smile now, don't be afraid

all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

so let me whisper in your ear
don't you worry they can't hear
all I want to do is to spend some time with you
so I can hold you, hold you

This Mortal Coil

You and your sister
Álbum Blood

andré

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Mientras tú existas




Mientras tú existas,
mientras mi mirada te busque más allá de las colinas,
mientras nada
me llene el corazón,
si no es tu imagen, y haya
una remota posibilidad de que estés viva
en algún sitio, iluminada
por una luz cualquiera...

Mientras
yo presienta que eres y te llamas
así, con ese nombre tuyo
tan pequeño,
seguiré como ahora, amada
mía,
transido de distancia,
bajo ese amor que crece y no se muere,
bajo ese amor que sigue y nunca acaba.


Ángel González




Fue maestro nacional, licenciado en Derecho por la Universidad de Oviedo y periodista por la Escuela Oficial de Periodismo de Madrid. Enseñó Literatura Española Contemporánea en laUniversidad de Alburquerque, U.S.A., habiendo sido profesor visitante en las de Nuevo México, Utah, Maryland y Texas.Miembro de la Real Academia Española, fue galardonado, entre otros, con el Premio Antonio Machado en 1962, el Premio Príncipe de Asturias en 1985, el Reina Sofía de Poesía Iberoamericana en 1996 y el Primer Premio Internacional de Poesía Ciudad de Granada en el año 2004.De su obra se destacan los títulos: "Áspero mundo" 1955 , "Sin esperanza, con convencimiento"1961, "Grado elemental" 1961, "Tratado de urbanismo" 1967, "Breves acotaciones para unabiografía" 1971, "Prosemas o menos" 1983, "Deixis de un fantasma" 1992 y su último libro,"Otoño y otras luces" 2001.



[evva]

sábado, janeiro 19, 2008

Let´s look at a trailer

A ver hoje, às 22h30 no Canal AXN, o "remake" deste clássico por Gus van Sant.




Sónia

19 de Janeiro


Dia Nacional Nacional de luto contra o Estatuto da Carreira Docente imposto pelo M.E.


Outro luto, pessoal, doloroso e intransponível, é o das famílias das duas bebés que morreram por estes dias: uma, ontem,  às portas do hospital de Anadia, e a outra, de Carregal do Sal, na quinta-feira, ainda na ambulância. Em ambos os casos houve evidente falta de meios de prestação de cuidados.
Não é  aqui abuso nem instrumentalização misturar dois lutos diferentes. Apenas manifesta tristeza pelo mesmo estado de coisas na Saúde e na Educação deste país.

Sónia

Canto Curto



Campeonato Europeu de Hóquei de Sala, divisão B
Copenhaga, Dinamarca


andré

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Era uma vez...



Los lunes al Sol, Fernado León de Aranoa (2002)

Sónia

quinta-feira, janeiro 17, 2008

A armadilha

Transcrevo (abaixo)  um artigo que considero urgente e necessário.


A fascinante tese do ensino da ignorância 


A educação de massa, que prometia democratizar a cultura, antigamente reservada às classes privilegiadas, acabou por embrutecer os próprios privilegiados. 
C. Lasch. 


Em Dezembro, o estudo da OCDE afirmava: os alunos portugueses de 15 anos estão abaixo da média entre 57 países a Ciências, Matemática e Leitura. Este facto gerou mais um conceito "eduquês" de um secretário de Estado que disse à TV qualquer coisa do tipo "Os alunos são ignorantes porque são reprovados" já que os resultados se devem em larga medida às elevadas taxas de retenção. Tão irresponsável doutrina dá crédito a uma curiosa tese da qual se pincelam os traços principais abaixo. 

Humanidade supra-numerária 
A correspondência entre "progresso da ignorância" e declínio da inteligência crítica é evidente, como o é a necessidade de competência linguística elementar para o exercício do juízo crítico. Isto assente, porque se aprofunda e tolera a i1iteracia que o quotidiano e estudos demonstram? 

Michéa atribui-a à implantação da Escola do Poder Transnacional assente em reformas perversamente justificadas pela "democratização do ensino" e "adaptação ao mundo moderno". 

Ilustra a teoria com reunião de "quinhentos homens políticos, líderes económicos e científicos de primeiro plano", em S. Francisco, que concluiu que "no século XXI, dois décimos da população activa serão suficientes para manter a actividade da economia mundial", pondo a questão: como manter a governabilidade dos oitenta por cento da humanidade supra-numerária? 

A solução mais razoável lá defendida é do conhecido Z. Brzezinsky: "criando 'cocktail' de diversão embrutecedora e alimentação suficiente que permita manter o humor dessa população". Este cínico objectivo implicaria reconfigurar o sistema educativo do modo que se passa a sintetizar e se vem assistindo. 


Excelência para pouco
Primeiro, há que manter um selectivo sector de excelência que forme as elites científicas e de gestão, enformado pelo modelo da escola clássica, criador de espírito crítico. 

No escalão seguinte, ensinam-se competências técnicas com semi-vida estimada de dez anos e ligadas a tecnologias efémeras. Competências descartáveis quando as tecnologias são superadas e cuja aprendizagem não exige autonomia, nem criatividade e, no limite, pode ser feita em casa, frente ao computador. Ajustada ao ensino multimédia à distância proporciona negócio às grandes firmas e torna dispensáveis milhares de professores, sonho economicista e político dos meios do poder. 


Ignorância para muitos 
Resta o escalão dos supra-numerários (com emprego precário e flexível) que, "jamais constituirão um mercado rentável" e a quem "a transmissão de saberes críticos e mesmo de comportamento cívicos e o encorajamento à rectidão e à honestidade" é indesejável. 

A esses se destina a escola dos grandes números, a escola que deve ensinar a ignorância coerente com Brzezinsky. É a escola que produz ignorantes diplomados, incapazes de compreender um texto, ou serem proficientes em matemática. O ensino da ignorância é objectivo ao qual os professores tradicionais, apesar de excepções, se ajustam mal o que implica a sua reeducação por neo-especialistas em ciências da educação. 

Estes peritos têm por missão impor condições de "dissolução da lógica" no Ensino, real revolução cultural porque, até recentemente, "toda a gente pensava com um mínimo de lógica, com a notável excepção dos cretinos e dos militantes" . Os professores tornar-se-ão animadores de actividades transversais e assistentes psicológicos. A escola será um espaço acrítico, um local de animação (Thanksgiving, Halloween ... ) confiada a associações de pais, aberto a todas as mercadorias tecnológicas ou culturais. 


Fascinante e preocupante! 
Difícil acreditar que haja esta estratégia capitalista específica, mas as mesmas consequências resultam de políticas incompetentes e do deslumbramento estrangeirado que assolam o país. E imperativo de cidadania reverter decisões e políticas que alicerçam um Ensino da Ignorância que converta 80% dos portugueses em supra numerários embrutecidos de uma UE, ela própria, ameaçada pelo mesmo mal. 


Manuel Gonçalves da Silva, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL e membro do painel Ciência e Sociedade 
in "Diário Económico" (http://www.diarioneconomico.com)

Sónia

Sobre "Tesoros"


Monty Python and the Holy Grail
Sónia

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Tesoros

Vejam só o que encontrei aqui na Complutense:

As trezentas e tal páginas estao (mas onde é que os espanhóis poem o til nestes teclados?) digitalizadas aqui.

evva

terça-feira, janeiro 15, 2008

A Guerra

Os que perderam, querem rever, ou não puderam ver os dois primeiros episódios do documentário de Joaquim Furtado, A Guerra, podem fazê-lo aqui.
Os restantes episódios podem ser encontrados, em partes divididas, no Google Video, usando como termo de pesquisa 'A Guerra' e acrescentado o número relativo ao episódio (ex. 3º).
O documentário é muito interessante e merece a pena ser visto.
É pena que, ao contrário de 'Portugal, um retrato social', esta série documental não esteja acessível no site da RTP.

andré

Boa Viagem (II)



Domenico Modugno - Nel blu di pinto di blu (Volare), 1958

Sónia

Barajas


Terminal 4
(in http://www.retratoiberico.com)


Sónia

Olé!

Napoleon During the Surrender of Madrid, 4th December 1808
Antoine-Jean Gros


Algumas propostas:


1) Perto da Bilioteca Nacional ou menos perto, mas a articular com os horários de entrada/saída, há alguns lugares imperdíveis. Estão, por um lado, cafés emblemáticos como o do Círculo de Bellas Artes e o Cafe Museo Chicote, ali em direcção à Gran Vía, para tomar uma caña ou um cortado e desempoeirar dos manuscritos. Por outro lado, para alimentar corpo e alma, eu sugeria o chocolate con churros da Churrería San Ginés (na rua do mesmo nome, perto da Calle Mayor) ou os bocadillos do bar (rasca, sem deixar de ser um clássico) ali perto da estação de Atocha / museu Reina Sofía.


2) Para a noite, há outros "antros". Em estilo castiço, a zona de Lavapiés, onde podem comer numa tasca galega: o Café Melo's Bar (pedir de tudo: croquetas, zapatilla, morcilla de arroz, pimientos de padrón e regar com Ribeiro) e ir depois, um pouco abaixo, tomar café ou um gelado para sobremesa no clássico (mas abusivamente caro) Café Barbieri. Para prolongar a noite, sem ir mais longe, um licor de medronho (ou qualquer um dos milhentos) que podem encontrar na licorería que tem registada a patente do licor da cidade (o de medronho). Para terminar em ambiente popular, Candela um conhecidíssimo bar de flamenco. A minha zona mais habitual era, contudo, Malasaña, que, embora sendo predominantemente alternativa, oferece possibilidades para todos os gostos. Jantar na baratinha e suprema Pizaría Maravillas (Calle de la Palma) para depois digerir o jantar na Tetería de la abuela ali ao pé, na licorería em frente desta última ou nos muitos bares da zona. Os clássicos (pop/rock): La vaca austera e La vía láctea. Uma proposta mais clássica, levar-vos-ia à Plaza de Santa Ana, onde encontram o Café Central (Jazz), La taberna de Alicia (celta), e um de música clássica cujo nome não me lembro. Especiais são as Cuevas de Sésamo (piano bar), de tradição boémia e literária. Imperdoável não beber sangria! Se quiserem aligeirar o ritmo e acalmar, ali mesmo na praça, está o Teatro Español e um pouco abaixo a Filmoteca (Cine Doré).


Para os recuerdos, porque não comprar caramelos em Espanha é  "como ir a Roma e não ver o Papa" (algo que eu, ateia, penso nunca vir a fazer): Caramelos Paco (Metro: Toledo) é quase um museu do rebuçado! Os tradicionais de Madrid são os caramelos a la violeta, que parecem as mesmas flores cristalizadas. Também em qualquer boa perfumaria do centro, poderás encontrar os produtos Gal: sabonetes, coloretes e vaselinas em versão de museu. Outra aposta é a padaria saindo dos arcos da Plaza Mayor (como descendo para o Rastro) onde se pode comprar o melhor pão de cebola e pão de alho que já comi! Se tiverem coragem para vir cá depois da viagem, tragam este pãozinho e eu ofereço uma ceia ligeira e, já que me puseste à vontade, traz um a mais para eu guardar, que tenho saudades a matar destes sabores.


Não esquecendo ao que vão: Librería Visor (Metro: Moncloa). É uma livraria/editora especializada na área de Filologia. De facto, é a que trabalha com a Faculdade de Filologia da Complutense. E mesmo ao lado de Atocha, na "Cuesta... qualquer coisa" (Cuesta Moyano, creio), uma feira permanente (ou quase) do livro usado/antigo, onde se encontram verdadeiras raridades.


!Que lo pases bien!


Sónia

(imagem: evva)

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Boa viagem!


Christina Rosenvinge
(Christina y Los subterráneos, "Voy en un Coche")


Sónia

Vincent Delerm

o primeiro clip



(c) L'eolienne 2005


Sónia

domingo, janeiro 13, 2008

sotto le stelle del jazz



Paolo Conte ao vivo em Amsterdão 

Sónia

Retrato de uma princesa desconhecida


Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino

Sophia de Mello Breyner, 16/10/95


[evva]

Ángel González (1925-2008)



Para que yo me lIame Ángel González 

Para que yo me llame Ángel González, 
para que mi ser pese sobre el suelo, 
fue necesario un ancho espacio 
y un largo tiempo: 
hombres de todo mar y toda tierra,
fértiles vientres de mujer, y cuerpos 
y más cuerpos, fundiéndose incesantes 
en otro cuerpo nuevo. 
Solsticios y equinoccios alumbraron
con su cambiante luz, su vario cielo, 
el viaje milenario de mi carne
trepando por los siglos y los huesos.
De su pasaje lento y doloroso 
de su huida hasta el fin, sobreviviendo 
naufragios. aferrándose 
ai último suspiro de los muertos. 
ya no soy más que el resultado. el fruto,
lo que queda, podrido, entre los restos: 
esto que veis aquí. tan sólo esto: 
un escombro tenaz. que se resiste 
a su ruina, que lucha contra el viento,
que avanza por caminos que no llevan
a ningún sitio. EI éxito 
de todos los fracasos. La enloquecida
fuerza del desaliento ... 


(Áspero mundo, 1956


Texto: in Antonio Sáez Delgado (selecção introdução e notas), 20 Poetas Espanhóis do século XX, Castelo Branco,  Alma Azul, 2003.
Imagem: in www.cervantes virtual.com  (7 y 8 de noviembre de 1997. Homenaje al poeta celebrado en Oviedo. "Ángel González en la Generación del 50. Diálogo con los poetas de la experiencia").

Sónia

Bom Domingo!



Sónia e evva

sábado, janeiro 12, 2008

Once around the block



You quiver like a candle on fire
I'm putting you out
Maybe tonight we could be the shout
But i'm fascinated by your style
Your beauty will last for a while

You're feeling instead of being
The more that I live on the inside
There's nothing to give
I'm infatuated by your moves
I've got to search hard for your clues

I want to repair your desire
And call it a gift
That I stole from just wanting to live
Now I see the vision through your eyes
Your innocence no longer fuels surprise

Trying to outrun your fear
Running to lose
Heart on your sleeve and your sole in your shoes
Take a left,
A sharp left
And another left, meet me on the corner
And well start, again.

Badly Drawn Boy, do álbum 'The hour of Bewilderbeast'


andré

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Luiz Pacheco

[Procurei este texto no Domingo passado, quando acordei com a notícia, mas na confusão de livros e papéis cá de casa só hoje o encontrei. Pacheco detestaria o lugar comum, mas não há melhores palavras para descrever um escritor do que as suas. E que Escritor! Não se distraiam com o folclore do pedófilo, libertino e bissexual. LEIAM-NO!]

CARTA A FÁTIMA

Lembras-te Fátima? era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? quem se lembrará de mim? se nem tu já te lembras de mim agora, tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes...

Dizias: como dantes e não era já nisso que pensavas, e não era já para mim que falavas, eu era uma coisa para esquecer, para deitar fora, uma coisa que se abandona caída no chão e se perde sem pena. Dizias: «adeus» e saías da minha vida com um aperto de mão desembaraçado, quase cordial um gesto de boa camarada, como se nada tivesse havido antes, como se não tivéssemos sido tantas vezes na cama, um dentro do outro, um no outro, um-outro diferente, uma coisa sublime: Deus Criador, como os míseros humanos só ali o podem sentir e saber; um Outro que éramos nós ainda, mas tão transtornados, tão virados para fora de nós, tão esquecidos do mundo e de nós, tão eficazes, tão leais, nós boca com boca, corpo a corpo, um sexo torturando um sexo, mordendo-se devorando-se, numa febre de chegar ao fim depressa, ao esquecimento, ao repouso. Disseste: adeus e eu odiei-te logo nesse minuto, como te odeio agora, não por ti ou pelo teu corpo que já me esqueceu noutros que vieram depois, mas porque morri ali naquela palavra, -morri entendes? -, perdi-me numa grande confusão, esqueci-me de ser eu, fiquei roubado do meu passado.

Hoje, encontrarias um outro homem; havia de rir-me do teu corpo, da sua entrega ou das suas traições, de tu me dizeres: «Vem» ou «Adeus...», ou «Não quero...». Hoje, saberias quem fizeste com uma só palavra, conhecerias um outro homem, que é obra tua, minha segunda mãe! Hoje, havia de rir ou chorar, era a máscara do momento; mas diria: tanto faz..., tanto me faz... Sabia-o!


[evva]

Abriu a caça


Qual Alcácer com vista para os mosquitos! Comprar casas ou terrenos é nos saldos da Ota. E sempre ficava mais perto, não é verdade?

evva

APONTAMENTO

[Há dias assim. Que felizmente passam.]

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

[evva]

quarta-feira, janeiro 09, 2008


evva

Appassionata

Se Lenine tivesse perdido mais tempo a ouvir Beethoven não teria andado por aí a fazer asneiras.



evva

terça-feira, janeiro 08, 2008

Foi você que pediu…

…sonata for a good man?



andré

PS: E para que não haja dúvidas, o "Gabriel" da entrevista não é o anjo da anunciação mas sim Gabriel Yared, o compositor da banda sonora original do filme onde é possível encontrar este tema.

domingo, janeiro 06, 2008

Necrológica




Sónia

Uma espécie de “playlist”


É mais “uma espécie de prendinha” dos Reis Magos, a pensar nos outros membros do “Esplendor” (uma para cada um; descubram qual...), mas aberta a todos. Ajuda também a combater os tops natalícios e a superar a ressaca de tanto “Jingle bells”...
Boas músicas e bom dia de Reis!


Rober Wyatt
 “At  last I am free” in “Nothing can stop us” (Ryko/WEA,1982)
http://www.lastfm.com.br/music/Robert+Wyatt/_/At+Last+I+Am+Free+%28Album+Version%29


Patty Smith
“Where dutty calls” in “Dream of Life” (Arista, 1996)
http://www.lastfm.com.br/music/Patti+Smith/_/Where+Duty+Calls+%28Digitally+Remastered%2C+1996%29


Electrelane
“Eights steps” in “Axes” (Too pure/Beggars, 2005)
http://www.lastfm.com.br/music/Electrelane/_/Eights+Steps


Vincent Delerm
“Les Filles De 1973 Ont Trente Ans” in “Kensington square” (tot Ou tard/WM France, 2004)
http://www.lastfm.com.br/music/Vincent+Delerm/_/Les+Filles+De+1973+Ont+Trente+Ans+%28Version+Album%29



Sónia

sábado, janeiro 05, 2008

"Chiclete..."

("... mastiga, deita fora")

 
"Já não há socialistas; há pragmáticos: a maravilha elástica que ministra intensas alegrias aos abjurantes do esquerdismo e aos comunistas contritos, alvoroçadamente convertidos aos prestígios do capitalismo."
                                                                                                                                         Baptista-Bastos , "Diário de Notícias", 02-01-2008


COM A DEVIDA HOMENAGEM AO AUTOR, AO AMIGO QUE ME DEU A CONHECER A FRASE E À CÉLEBRE CANÇÃO DOS TAXI


Sónia

TEMPO. . .


Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e
outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente...


(Carlos Drummond de Andrade)

 Um Bom Ano de 2008


Sónia


Hoje está um tempo verdadeiramente galego-português.


(Nevoeiro, de Rui Vale Sousa)


evva

terça-feira, janeiro 01, 2008

Regresso ao trabalho II



andré

New Year's Day

Por muitos anos que passem, este tema continua a ser para mim a melhor banda sonora deste dia. Aqui fica, com October como interlúdio. Acreditem, nothing changes on New Year's Day.




All is quiet on New Year's Day.

A world in white gets underway.

I want to be with you, be with you night and day.

Nothing changes on New Year's Day.

On New Year's Day.


I... will be with you again.

I... will be with you again.


Under a blood-red sky

A crowd has gathered in black and white

Arms entwined, the chosen few

The newspaper says, says

Say it's true, it's true...

And we can break through

Though torn in two

We can be one.


I... I will begin again

I... I will begin again.


Oh, oh. Oh, oh. Oh, oh.

Oh, maybe the time is right.

Oh, maybe tonight.


I will be with you again.

I will be with you again.

And so we are told this is the golden age

And gold is the reason for the wars we wage

Though I want to be with you

Be with you night and day

Nothing changes

On New Year's Day

On New Year's Day

On New Year's Day



[evva]