terça-feira, janeiro 31, 2006

A propósito das coteries, literárias e outras

Ana Gomes a jurar a pés juntos que jamais insultaria Sampaio: «E muito menos me passaria pela cabeça insultar um Presidente que respeito, apesar de discordar de algumas das suas mais importantes decisões. Ainda por cima tratando-se de Jorge Sampaio, de quem o meu marido é muito amigo e foi Chefe da Casa Civil e de quem ainda sou amiga»

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A ler

Para que servem os professores?
Aqui.

evva

Pesadelo nocturno

O prédio onde moro, ao invés de muitos por aí, tem uma razoável impermeabilidade sonora. Pelo menos nunca ninguém se queixou do volume da música que se ouve aqui em casa, apesar de, sempre que me cruzo com vizinhos, inclinar-me em mil desculpas. Que não, não ouvem nada. Mas não há insonorização que resista ao chorrilho de palavrões com que a vizinha do 2º direito, do outro lado da parede, brinda o seu bébé de meses sempre que ele chora. Na próxima sexta-feira, há reunião de condomínio e tenho andado a ganhar coragem para dizer algo subtil sobre o assunto. Não vou ser capaz. Mas devia. Será crime público?

evva

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Assinatura paleográfica II







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Assinatura paleográfica I







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Novas da blogosfera

Vasco Pulido Valente. Aqui. Yes!

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Dor de cotovelo

Século XII. Fouques, prior da abadia de Deuil (mosteiro perto de Montmorency), consola Abelardo após a castração:
«Dotado de dons em excesso (...) julgavas-te superior a todos os outros, até aos sábios que antes de ti se haviam votado à obra do saber. (...) Tudo o que conseguias ganhar vendendo o teu saber, afundáva-lo num pélago, gastáva-lo a espalhar o amor.
(...) Falarei do carpir de todas as mulheres? Ao saberem a notícia, inundaram de lágrimas o rosto por causa do seu cavaleiro, de ti, que tinham perdido».

evva

domingo, janeiro 29, 2006

TEMPORA TEMPORE TEMPERA

[DICIONÁRIO POLÍTICO

Movimento de Cidadania - Grupo de pessoas que optaram pelo lado errado nas lutas internas de um partido político e que com esse erro de estratégia hipotecaram as possibilidades de por via daquele se verem compensadas com um emprego.

FMS]

N' O Quinto do Impérios

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Por que é que não neva aqui?...



E só branqueia por aqui...?

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Il n'est trésor que de vivre à son aise


Há 543 anos, em Janeiro de 1463, François Villon abandonava Paris. Tinha-lhe sido comutada em dez anos de exílio uma pena de morte por enforcamento (envolvera-se numa desordem de que saíra ferido um notário pontificial, depois de uma vida errante envolvida em rixas, roubos, bandos de malfeitores, vagabundagem). A partir dessa data, a história perde-lhe o rasto. ficam os versos (e oh que versos):

Ballade de bonne doctrine à ceux de mauvaise vie

"Car ou soies porteur de bulles,
Pipeur ou hasardeur de dés,
Tailleur de faux coins et te brûles
Comme ceux qui sont échaudés,
Traîtres parjurs, de foi vidés;
Soies larron, ravis ou pilles:
Où s'en va l'acquêt, que cuidez?
Tout aux tavernes et aux filles.

"Rime, raille, cymbale, luthes,
Comme fol feintif, éhontés;
Farce, brouille, joue des flûtes;
Fais, ès villes et ès cités,
Farces, jeux et moralités,
Gagne au berlan, au glic, aux quilles
Aussi bien va, or écoutez!
Tout aux tavernes et aux filles.

"De tels ordures te recules,
Laboure, fauche champs et prés,
Sers et panse chevaux et mules,
S'aucunement tu n'es lettrés;
Assez auras, se prends en grés.
Mais, se chanvre broyes ou tilles,
Ne tends ton labour qu'as ouvrés
Tout aux tavernes et aux filles?

"Chausses, pourpoints aiguilletés,
Robes, et toutes vos drapilles,
Ains que vous fassiez pis, portez
Tout aux tavernes et aux filles.

[BALADA DE BOA DOUTRINA AOS DE MÁ VIDA

"Pois portador sejas de bulas,
Vicies ou arrisques dados,
Moedas faças, fogo engulas
Como os que foram escaldados,
Tredos perjuros, desfiançados,
Sejas ladrão, roubes, persigas:
Vai onde o ganho, a que cuidades?
Tudo à taberna e às raparigas.

"Rima, ri, bate, tange, salta,
Finge esgares tontos depejados,
Mistura momos, toca flauta,
Pelas cidades, povoados,
Farsas e jogo, autos sagrados,
E ganha às cartas, já lobrigas
Que logo vai, ouvi meus brados!
Tudo à taberna e às raparigas.

"Dessa imundície atrás tu pulas?
Trabalha, ceifa campos, prados,
Serve cavalos, pensa mulas,
Nunca serás entre letrados.
Assaz vais ter, em teus agrados;
Mas se maceras só estrigas,
Vai, dos teus ganhos bem suados,
Tudo à taberna e às raparigas.

"Bragas, gibões bem pespontados,
Roupa e trapinhos que consigas,
Nunca pior, sejam levados:
Tudo à taberna e às raparigas.

Tradução De Vasvo Graça Moura, Os Testamentos de François Villon e algumas baladas, Campo das Letras, Porto, 1997]

evva

P.S. Nunca 2,5 euros foram tão bem gastos.

sábado, janeiro 28, 2006

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Novas do meu país

Com a serra da Lousã ao longe e com a certeza do Mondego já ali ao lado,o convite à dispersão é grande. Nos momentos raros em que o sorriso do meu filho Rafael não me absorve por completo, apetece divagar.
Tive há tempos o dissabor de ver Aníbal Cavaco Silva ser eleito presidente.Mas o dissabor maior foi ver as atitudes estapafúrdias da esquerda que caiu no rídiculo da falsa modéstia e até na falta de educação.
Fiquei triste ao ver Mário Soares a deixar-se decair entre afirmações vazias e criticazinhas sem interesse...
Mas houve algo que me alegrou: a certeza de que a esquerda plural em que acredito, existe! A candidatura de Alegre prova-o. E mostra também que há pessoas integras e com coragem para defender aquilo em que acreditam. Mesmo que ninguém pareça acreditar nelas. Pena é que haja tão poucos "Manueis" no nosso país. Mas que os vá havendo. Já é uma esperança que nos faz esquecer outras alarvidades como a demolição da casa de Garrett. Infelizmente o nosso Portugal continua coerente com aquele que ele tão brilhantemente pintou nas Viagens: pequeno.Só os edificios em bloco continuam a crescer e quase a tapar a beleza das margens do Mondego...
Isabel Sofia
Coimbra

A ler

João Pedro Georges em grande estilo no Esplanar sobre a querelle das cenas de sexo na literatura portuguesa, a partir da, já célebre, 'sopa de peixe' de José Rodrigues dos Santos.

ou

Podem os homens ter a certeza absoluta de que estão a dar prazer a uma mulher?

evva

«A esposa de um homem é o mais dócil instrumento da sua ruína»


Em "As Damas do Séc. XII" (Teorema, s/d, edição original: Gallimard 1995), Georges Duby questiona a autenticidade das cartas de Heloísa a Abelardo, controvérsia que já vem do início do séc. XIX. Mesmo duvidando da sua veracidade, quem ficará indiferente ao ler o que esta mulher, cujas qualidades intelectuais conseguiam «ó prodígio, 'superar quase todos os homens'» (Pedro, o Venerável, abade de Cluny dixit), escreveu ao seu mutilado vir (esposo) e amicus (amante)?
À carta em que Abelardo proclama “Como o Senhor é justo e misericordioso! A odiosa traição de teu tio me fez crescer na virtude, quando me privou desta parte do meu corpo, que era a sede de minha libertinagem e a fonte única dos meus desejos”, Heloísa protesta: “Mas em mim esses aguilhões da carne se excitam mais pelos ardores de uma juventude ávida de prazeres e pela experiência que tive das mais inebriantes volúpias”.
Já antes tinha esclarecido que não desejara o casamento (realizado contra a sua vontade), preferia manter-se, sublinha Duby, «puta, a fim de preservar a gratuitidade do amor entre eles»: “Não esperava nem casamento nem vantagens materiais, não pensava nem em meu prazer nem nas minhas vontades; buscava apenas, bem o sabes, satisfazer os teus desejos. O nome de esposa parece mais sagrado e mais forte, entretanto o de amiga sempre me pareceu mais doce. Teria apreciado, permiti-me dizê-lo, o de concubina ou de mulher de vida fácil, tanto me parecia que, humilhando-me ainda mais, aumentaria meus títulos a teu reconhecimento e menos prejudicaria a glória de teu gênio.” (Correspondência de Abelardo e Heloísa. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 95.)
Após o casamento e acabando por aceitar tomar o hábito, Heloísa dirige-se a Abelardo, submissa. «A ele cabe agora cumprir o seu dever de marido. Até então, abandonara-a [...] no Paracleto [mosteiro com vocação pedagógica fundado por Abelardo]. É que ele nunca pensou senão no prazer. Já não pode fruir dela, por isso já não quer saber. Ela, pelo contrário, continua prisioneira do amor, do amor verdadeiro, do corpo e do coração. Tem necessidade dele. No passado, foi ele que a iniciou nos jogos da libertinagem. Que a ajude agora a aproximar-se de Deus.»
Na carta seguinte, a revolta:
«Já não se contém, já não se coíbe de acusar Deus. Porque é que Deus os castigou, e depois do casamento que no entanto repusera a ordem? Porquê só Abelardo? Por causa dela? Pois é bem verdade que se diz 'que a esposa de um homem é o mais dócil instrumento da sua ruína'. Eis o que faz com que o casamento seja mau e que ela tivesse razão em recusar. Impõe-se penitência, mas não é por Deus, é em reparação do que Abelardo sofreu. Foi ele que foi castrado, não ela. A mulher não pode sê-lo. Nem desse modo se liberta das mordeduras do desejo.».
evva

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A PERGUNTA QUE SE IMPÕE


Conseguirá este homem dormir descansado?

evva

MAU PERDER

Secretário-geral do PS igual a si próprio. Já ninguém duvidava do seu mau feitio insuportável, mas aquele indivíduo que arrogantemente nos governa acabou de descer ao mais baixo nível da ética política ao iniciar o seu discurso quando Manuel Alegre ainda mal começara o seu e a obrigar as rádios e televisões a cortar a palavra ao segundo candidato mais votado nas presidenciais 2006. Se já tinha mostrado aquilo que é e vale ao fomentar uma campanha difamatória contra a classe docente para esvaziá-la de qualquer poder de contra-argumentação, e se bem que este tipo de atitude ainda possa ser compreensível no âmbito da 'real politic', o que fez nesta noite eleitoral é inclassificável.

evva

domingo, janeiro 15, 2006

OS DIAS DA RÁDIO

Nos últimos tempos, por questões de saúde (ou falta dela), a rádio tem sido a melhor companhia de horas e horas forçadas entre lençóis. Ontem, em mais uma edição de Mais Europa (todos os sábados às 13h, na Antena 1, cada vez mais indispensável), José Cutileiro realçava a entrada fulgurante de Angela Merkel na diplomacia internacional e a vontade de marcar a diferença dos anos Schroeder. Na próxima semana, Merkel estará em Moscovo e já foi adiantando que o seu propósito não é estabelecer com Putin qualquer relação de amizade. Avizinham-se novos tempos para a Europa?

evva

quarta-feira, janeiro 11, 2006