sábado, setembro 23, 2006

Adeus Margarida













Ontem o dia amanheceu com o sol e com ele ficou até ao fim.
O frio já faz sentir a manga curta ao final da tarde.
Depois de uma entrada violenta, o Outono mostra porque dá o vermelho às plantas e a nostalgia aos sentidos.
Ontem a Margarida morreu. Era nossa amiga e nós gostávamos muito dela.

andré

sexta-feira, setembro 22, 2006

Isto de passar o dia inteiro a ouvir falar com sotaque de Gondomar... Não vos digo nem vos conto. Vá lá que é tudo gente simpática.

Eu até gosto muito do colorido dos sotaques, apesar do meu português indistinto, com raríssimas marcas de regionalismo, que faz com que os que me conhecem pela primeira vez duvidem, desconfiados, que eu seja do Porto, mas, enfim, há fonéticas e fonéticas...

evva

quinta-feira, setembro 21, 2006


Há um ano, nascia em Coimbra o cavaleiro desejado. Tem sido um privilégio vê-lo crescer e descobrir o mundo com aquele sorriso que tudo ilumina à sua volta.
Parabéns!

evva

terça-feira, setembro 19, 2006

Aleluia!

E hoje chegou finalmente o resultado da minha reclamação do concurso de colocação de professores. Pelos vistos, houve um erro técnico e vou ser recambiada para a escola do último colocado do QZP, já que aquela escola era a minha 18ª opção (fui parar à escola 92ª) e o colega da 18ª está 100 e tal lugares depois de mim na lista de graduação.
Já tive conhecimento de dezenas de reclamações (afinal, nem tudo correu bem, sr.ª ministra...), só espero que os outros colegas prejudicados pela tal 'falha técnica' vejam a sua situação regularizada quanto antes, sobretudo os contratados. Pois se eu pude constatar dezenas de atropelos no concurso para os QZPs, no concurso dos contratados é melhor nem falar. Boa sorte a todos.

evva

MEC e Israel


"A minha posição é muito simples: apoio Israel, aja mal ou aja bem e haja lá o que houver. Suponho que isto faça de mim, segundo a óptica da época, um fundamentalista, tão mau como os terroristas: não me importo. Cada um é livre de pensar o que quer. E é aqui que começa (e não acaba) o problema.
Se eu quiser interrogar a minha simplicidade, basta-me ler a imprensa israelita. Aí são expostas e ardentemente defendidas todas as posições possíveis. Se quiser ultrapassar à esquerda ou à fanática os mais ferozes anti-sionistas europeus e americanos (os portugueses, felizmente, são sempre desinteressantes) lá estão todos os extremismosque eu possa pretender.
Os israelitas têm, em comparação com aqueles com que guerreiam, algumas grandes vantagens. Não querem a destruição completa do povo a que pertence o exército adversário. Gostam da liberdade de expressão; da democracia liberal; dos direitos humanos. Pensam no que fazem; têm problemas de consciência; dúvidas que exprimem publicamente e debatem sem pudor. Votam e deixam votar. Enfim, Israel é como Portugal, como a Europa, como os Estados Unidos, como o Japão, como a Austrália e todos os países onde o indivíduo é livre de discordar, rebelar-se e ser do contra. Ou, no meu caso, de não se rebelar - nem sequer contra os que se rebelam.
Para mim, os adversários de Israel são os nossos. Por definição. São os que querem destruir um Estado e um povo democráticos. Mais: Israel somos nós. Não nos faz lembrar nada aquele país diminuto rodeado por inimigos, com um único aliado poderoso? Faz lembrar Portugal há muitos séculos atrás, quando a ideia de Portugal ainda não era aceite. Os israelitas têm os americanos como nós tínhamos os ingleses. E os restantes europeus, como sempre, vacilam em volta, confundindo a própria confusão.
Não é em Israel nem aqui que existe unanimidade ou se procura alcançá-la. Essa é a razão do meu apoio: poder concordar. Também é uma liberdade. É onde há unanimidade - e onde se procura impô-la - que está o que se deve temer e contrariar.
"

Miguel Esteves Cardoso, Nós também somos Israel, na Única do "Expresso" (no Blog da Atlântico).

Escusado será dizer que assino por baixo.

evva

segunda-feira, setembro 18, 2006

domingo, setembro 17, 2006

Vê, enfim, que ninguém ama o que deve, / Senão o que somente mal deseja.


Comecei a ler Pode um desejo imenso, de Frederico Lourenço, e juro que amanhã vou ler na íntegra, de um só fôlego, as Rimas e Os Lusíadas com olhos inquiridores. Mas só depois de oito horas de NEE e Apoios Pedagógicos Acrescidos*. Entretanto...

Pode um desejo imenso
Arder no peito tanto,
Que à branda e à viva alma o fogo intenso
Lhe gaste as nódoas do terreno manto,
E purifique em tanta alteza o espírito
Com olhos imortais,
Que faz que leia mais do que vê escrito.

Luís Vaz de Camões, Ode VI
[os versos lá em cima são d'Os Lusíadas, IX, 29, 1-2]

evva

*É impressão minha ou no Ensino Básico actual quase todos os alunos têm 'dificuldades de aprendizagem', 'currículos adaptados' e outros quejandos? No meu tempo chamávamos-lhe outra coisa, repetiam o ano e ninguém ficava traumatizado. Depois queixem-se. O ensino não pode descer totalmente ao nível dos alunos, tem de estar sempre um degrau ou dois acima para ajudá-los a subir a escada de cabeça erguida.

domingo, setembro 10, 2006

A recusa do esquecimento



















É provavelmente uma das imagens mais chocantes e perturbadoras do 11 de Setembro de 2001. Não há heróis, bandeiras, grupos de pessoas a sofrer, pó, aviões, ou bombeiros. Nem as torres a arder. Apenas uma visão, quase graciosa, de alguém que sabemos que vai morrer.
A censura a esta imagem esteve na origem de um documentário do Channel 4 emitido na 2: na noite de Sábado, 9/09, que procurou entender porque é que o fenómeno dos (denominados) Jumpers foi aparentemente silenciado e progressivamente esquecido pelos media dos EUA.
No dia seguinte, a SIC Notícias emitiu um outro documentário sobre o atentado, desta vez com imagens do que se passou nos andares de baixo das torres, e onde os bombeiros tiveram de mudar o local de evacuação devido à queda destroços… e de pessoas. Jumpers não foram dez… nem onze…

Voltemos então um pouco atrás.
Pouco tempo depois do 11/09, o director do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, falava numa conferência no Porto do paradoxo resultante da ausência de imagens das vítimas do atentado, devido a um acordo entre televisões e jornais que visava impedir a sua exploração mediática. O contraste com a exposição constante do sofrimento das vítimas dos bombardeamentos dos EUA no Afeganistão tornava possível que este último trágico e polémico acontecimento – com centenas de vítimas – fosse visto pela opinião pública de forma mais dramática do que o anterior – onde morreram vários milhares.
Parece ter havido aqui uma tentativa de conter a difusão de imagens que pudessem porventura alimentar entre a população a ideia de derrota, impotência ou invulnerabilidade. O país não podia parar, o seu desígnio não podia ser posto em causa. Fez-me lembrar o filme Dune: the spice must flow.
Mas isto não foi apenas uma orquestração. Na peça do Channel 4, alguns/as entrevistados/as indignam-se ou revoltam-se perante o suicídio e a sua difusão. Era desonra, uma morte amaldiçoada. O inferno que muitos viveram, com o fumo e o calor inimaginável, não seria razão suficiente para justificar tal decisão.

Curiosamente ou não, a falta de informação sobre o que de facto ocorreu naquele malfadado dia tem alimentado toda a espécie de teorias, a mais famosa das quais, disponível em video.google.com, coloca a administração Bush por detrás do que aconteceu. Parece haver algumas pontas soltas, a mais óbvia das quais será o ataque ao Pentágono por um avião… ou por um míssil. Mas passemos à frente.

A busca da identidade deste Jumper traz também relatos de pessoas que compreendem e aceitam que, naquela circunstância, o salto é não só o caminho para uma morte mais tranquila como também um derradeiro acto de coragem.
Parece emergir de algumas reportagens que agora aparecem uma necessidade de relembrar e repensar o que se passou. Cinco anos passados, depois do desastre no Iraque, dos ataques em Londres e em Madrid, talvez haja uma recusa do esquecimento, que confronta os EUA e os seus habitantes com a sua impotência. Mas mais ainda, que os torna iguais a todos os que aceitam a sua fraqueza e vivem com os seus fantasmas.
Talvez seja uma parte do caminho para a maturidade. Era bom que fosse.


andré

Não consigo deixar de ouvir!










It's a little device
It's a little device
Keeps you warm
Keeps you warm

It's a little surprise
Just a little surprise
To keep you calm
To keep you calm

Shadows and light
Shadows and light
I see your face on every single street

Got to get out of this place tonight
Got to get out of this way of life
Got to get out of this place tonight

It's a little device
It's a little device
Keeps you warm
Keeps you warm

Got to get out of this place tonight
Got to get out of this way of life

This life, Perry Blake, álbum California


andré

quarta-feira, setembro 06, 2006

CORAGEM!


evva

Pérolas FCT

«A descrição da metodologia podia estar descrita de forma mais explicita».

Assim mesmo, sem acento em 'explicita' e com a descrição da metodologia descrita ou por descrever, classificou o Júri FCT um projecto de Doutoramento numa área de investigação recente e cuja metodologia tem de ser criada de raiz, logo, não poderia a sua descrição ser descrita ou deixar de o ser, explícita ou explicitamente, até porque o próprio projecto inclui a construção dessa mesma metodologia.

Assim vai o Ensino Superior em Portugal.

evva

domingo, setembro 03, 2006

Imperdoável

Há já algum tempo que mo haviam recomendado. Apreciadora da escrita do autor, contava os dias que faltavam para uma amiga terminar a leitura e emprestar-mo. Ontem, finalmente, chegou-me às mãos. Li o texto da contracapa, a dedicatória, as epígrafes a recordarem-me inesquecíveis leituras. O narrador arranca com uma série de digressões aforísticas. Interessante a frase de abertura. Na segunda proposição, o sujeito 'a gente' sobressalta-me. De imediato o resto da frase cai pela escada definitivamente abaixo da minha consideração.
Se há expressão que não suporto é 'a gente' como sinónimo de 'nós'. 'A gente podia ir adorar o sol, em vez de estares aqui fechada a escrever baboseiras no computador', etc, etc. Estraga todo e qualquer discurso, qual Dão Tinto Reserva que se oferece com desvelo e que alguém coloca inopinadamente no frigorífico antes de servir.
Quando há anos trabalhei a sul, apercebi-me do uso abusivo da expressão, sobretudo aliada à forma plural do verbo. De facto, não é um sujeito que os falantes do norte utilizem com frequência. Ou utilizassem. Como em quase tudo na língua, os estranhos hábitos do sul contaminam a ancestral puridade minhota e duriense.

Fecho o livro. No Campo Alegre passa o Vera Drake. Bom filme. Terei sido a única a concordar com a sentença? Há actos que a ingenuidade ou o altruísmo desajustado não podem desculpar.

evva