sexta-feira, janeiro 30, 2009

Liberdade de expressão

Fala-se muito (e bem) dos perigos do controlo estatal dos órgãos de comunicação pessoal. Fala-se menos (infelizmente) do modo como os interesses financeiros dos grupos económicos limitam a liberdade de expressão/pensamento e o exercício de um jornalismo livre de constrangimentos. 
A petição "on-line"(ler/assinar aqui) pela continuidade do Jornal de Notícias (JN) "tal como o conhecemos" vem com toda a propriedade colocar esta questão precisamente no centro do problema. Saliento as seguintes passagens do texto:

"Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o “Jornal de Notícias” tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário. 

São cada vez mais nítidos os indícios de que o referido grupo económico está a usar a crise para levar a cabo uma reestruturação, longamente pensada, que, através da criação de sinergias, destruirá a identidade dos dois jornais centenários de que é proprietário: o JN e o “Diário de Notícias”. Se o processo não for travado, os dois jornais, mesmo que mantenham cabeçalhos diferenciados, serão apenas suportes de conteúdos sem alma. A ideia não é nova e, com a concentração dos media e com alterações legislativas feitas à medida, está em pleno curso. É agora prática corrente a figura do “enviado notícias”, jornalista de um dos dois títulos em serviço no estrangeiro, que vê a sua reportagem (ipsis verbis) publicada em ambos, ainda ontem concorrentes, mesmo que integrados no mesmo grupo. Foi agora criada, à custa do despedimento de fotojornalistas, uma agência fotográfica cujos membros integrantes trabalharão, indiscriminadamente, para os jornais “Diário de Notícias”, “24Horas” e “O Jogo” (o JN entrará logo depois nesse esquema, a primeira grande machadada nas matrizes identitárias das publicações). 

O resto virá a seguir. Os jornais do Grupo Controlinveste passarão a ser, não importa se sob uma ou várias marcas, veículos de um pensamento unificado. Pensando apenas em optimização de recursos, descaracterizam-se redacções e nada impedirá, como acabou de suceder no JN com a informação internacional, que secções sejam extintas, uma vez que, nesta visão redutora, um só jornalista chegará para alimentar quantos jornais e páginas da Internet for necessário. A prática que se adivinha está já em curso na informação desportiva, em que JN e “O Jogo” partilham trabalho jornalístico. "

A própria flexibilização e precarização dos postos de trabalho deve ser equacionada a esta luz. Os jornalistas que exercem a sua profissão sob um clima de maior dependência/risco face à entidade patronal no que concerne a conservação do seu posto de trabalho podem (sublinho "podem" no respeito pela deontologia profissional dos jornalistas) sentir-se pressionados a situação de maior "compromisso" com os interesses (económicos e ideológicos) dessa mesma entidade patronal que com o compromisso com a própria informação.
Pelo perigo que corre a liberdade de imprensa nos dias de hoje, saúdo esta iniciativa!

Sónia

2 comentários:

Defesa disse...

Disponível também para leitura e possível assinatura Manifesto em defesa do DN, em http://www.petitiononline.com/defesadn/petition.html

Agradecemos divulgação

Esplendor disse...

E eu o comentário.

Sónia