segunda-feira, maio 18, 2009

Sexo na escola

Achei que o título ia chamar a atenção dos leitores ;)... 

Vem este a propósito de uma notícia publicada pela Lusa sobre a aplicação a uma professora de "um processo disciplinar na sequência de alegadas alusões a orgias sexuais, durante uma aula". Estas coisas não deviam circular assim!!! Falar sobre o assunto não me parece nada mal - antes pelo contrário ;) , brejeirices à parte... Aliás, que eu saiba, de certa forma, até faz oficialmente parte do objecto de Formação Cívica, se não mesmo de todas as disciplinas (refiro-me à sexualidade)... A questão é como se aborda o assunto e nada disso é dito aqui. Sim é dito que a referida conversa foi gravada... O que isto me faz pensar é na Educação Sexual nas escolas e na importância que se dá às coisas consoante a visibilidade que têm. Com ou sem disciplina própria, a Educação Sexual existe; mas não é só dentro da escola que ela faz falta... assim como a educação (sem conotações moralistas) em geral...

Sónia

10 comentários:

João Sá disse...

Esta é uma questão delicada. Em primeiro lugar seria importante averiguar em que termos foram feitas as tais alusões a orgias sexuais e quem terá introduzido o assunto. Isso será determinante para a minha opinião.

João Sá disse...

Ouvi agora partes da gravação no jornal da SIC notícias. Não dou razão à professora. A actuação de um professor na sala de aula deve pautar-se por um conjunto de normas das quais o comportamento desta professora está longe.
Em todo o lado há bons e maus exemplos. Este é um mau exemplo.

Wouter disse...

Para gravações que são apresentados como 'prova' na comunicação social vale o mesmo que para imagens: cuidado com elas. Qual era o contexto em que as palavras foram proferidas? Alguém queria provocar alguém? E porque? Antes de ter resposta nestas perguntas, não se devia julgar.

Sónia Duarte disse...

É isso mesmo que eu acho! O contexto é neste caso tudo e só se noticiou o assunto (sexo) e o modo como se soube (difusão da gravação da aula na internet). Independentemente da situação particular que a gerou merecer ela própria uma análise, parece-me que bem mais grave que o que pensa e faz uma professora é o que pensa e faz a opinião pública e esta reagiu de forma moralista e hipócrita, porque não reagiu ao "como se falou" mas ao "falou-se disso" e sobretudo perguntava-se "alguém viu?"...

João Sá disse...

Nada disso.
As partes que mais me chocaram nem foram relacionadas com sexo. Foram essencialmente na forma como a professora tratou os alunos e a mãe de uma aluna. Ameaçou os alunos com o "poder que tem" na correcção dos testes, teceu várias considerações sobre a mãe de uma das alunas comparando-a com ela. Enfim, falar ou não de sexo, foi o menos.

Não podemos ter uma atitude corporativista quando a razão não está claramente do lado da professora.

Sónia Duarte disse...

"Nada disso." ;)

Quem é que está a ter uma atitude corporativista? Eu disse que estava a reagir à difusão da notícia e que ainda não tinha ouvido a gravação. Quando falei da opinião pública devia - é verdade- ter usado outro termo ("os fazedores de opinião"). Esses não estão a discutir o que tu apontas, João, e que, quando ouvi finalmente a coisa à noite, também foi o que mais me chocou: uma pessoa de quem se espera outra relação com o saber e com a comunidade educativa a esfregar na cara de outros os galões e a fazer contas de somar com o número de anos de escolaridade de uns e outros... Mas pensem mais uma vez: o título da notícia era "Professora e Espinho suspensa por alegada conversa sobre orgias sexuais na sala de aula." Não era, professora insulta encarregados de educação"...
A razão parece que não está neste caso em lado nenhum e é isso que me incomoda.

João Sá disse...

Pareceu-me que estavas a defendê-la só porque é professora. Peço desculpa se abusei na leitura.

É verdade que não se discute o essencial. Passa-se logo para a discussão sensacionalista.
Para além do que referes, há outra discussão importante que não está a ser tida neste momento. Aquela que já viste no meu blog, sobre o uso do telemóvel.

Sónia Duarte disse...

Acho bem que peças desculpa!!! :) Que a alguém que me conhece minimamente lhe pareça possível que eu defenda um professor só por ser professor é coisa que me incomoda. Mas a verdade é que se calhar a culpa é toda minha por dar sinais errados sobre aquilo que sou e penso. Se calhar eu é que tenho que pedir desculpa por induzir em erro...:) Que fique claro as coisas avaliam-se pelo que elas valem no contexto em que ocorrem e não pelas "rótulos" que se aplicam a quem está envolvido. Sobre o teu post recomendo a leitura:

http://equilibrios.wordpress.com/2009/05/20/a-escola-nao-ensina/

Sónia Duarte disse...

Estive a reler o que escrevi: "parece-me que bem mais grave que o que pensa e faz uma professora é o que pensa e faz a opinião pública". Reconheço que admite a tua leitura. Foi um erro de expressão. Na verdade até hesitei quanto a escrever "professora"... O que quero dizer é que o que pensa um (o profissional suspenso) não é tão importante como o que pensam muitos (os órgão de comunicação que reflectem o pensamento dominante).

Sónia Duarte disse...

Mas na verdade, relendo mais uma vez o que escrevi, a gravidade do que se pensa, diz e faz, não tem tanto a ver com os números (quantos são), mas com as ideias, discursos e acções em si. A questão está em que neste caso tanto uns como outros procederam mal.