sábado, fevereiro 28, 2009

O "outro lado" de Baader-Meinhof

Dedicado ao último post, pela piada... 




(Mais informação aqui)


Sónia


A nova BMW

Arsonists Torch Berlin Porsches, BMWs on Economic Woe


When Berlin resident Simone Klostermann returned from vacation and couldn’t find her Mercedes SLK, she thought it had been towed. Police told her the 35,000- euro ($45,000) car had been torched.

“They’d squirted something flammable into the car’s engine block in the gap between the windshield and the hood,” said Klostermann. “The engine was completely destroyed.”

The 34-year-old’s experience isn’t unique in the German capital. At least 29 vehicles were destroyed in arson attacks this year, most of them luxury cars, according to police. The number is already about 30 percent of the total for 2008. The latest to go up in flames was a Porsche, on Feb. 14, two days after a Mercedes was set alight in a public car park.

While youths in Athens protest by throwing Molotov cocktails, in Paris by toppling barricades, and in Budapest by hurling eggs at politicians, protesters in Berlin rage at their economic plight by targeting the most expensive cars -- symbols of German wealth and power.

A group calling itself BMW -- the initials stand for Movement for Militant Resistance in German -- has claimed responsibility for several attacks in left-wing magazines and Web sites, police spokesman Bernhard Schodrowski said.

One-third of the incidents are classed as “political,” prompting officers to assign a special unit to investigate, Schodrowski said. No arrests have been made. Schodrowski attributed the arson to “a protest against the world economy and rising rents.”

‘Quick to Attack’

German unemployment began to rise last November after almost three years of declines. Deutsche Bank AG Chief Economist Norbert Walter predicts the German economy, Europe’s biggest, may shrink by more than 5 percent this year.

The worst recession since World War II is fueling anger among youths across Europe who “perceive their future as rather precarious,” said Margit Mayer, a politics professor at Berlin’s Free University.

“Whether you look at the Berlin events or these anarchist groups in other European cities and countries, they are all making reference to the deepening economic crisis and how the various governments are dealing with them,” said Mayer, a specialist in urban social and protest movements.

Some groups are “very quick to attack whoever they can make out as responsible for having robbed them of decent life prospects,” according to Mayer.

The Berlin car burnings have been concentrated in up-and- coming neighborhoods such as Prenzlauer Berg, where Klostermann’s car was destroyed in May.

‘Don’t Move in Here’

There, new housing and building redevelopments are pushing out the squatter scene that flourished after East and West Berlin were reunited in 1990, said Andrej Holm, a sociologist at Goethe University in Frankfurt who has studied the change.

Rents that were about half the city average 10 years ago are now about 40 percent above the average, and the car attacks are an attempt to drive wealthy newcomers away, Holm said.

“It means: ‘rich people, don’t move in here -- your cars will be trashed, we don’t want you here’,” he said.

Representatives from Porsche Automobil Holding SE, Daimler AG, the maker of Mercedes, and Bayerische Motoren Werke AG declined to comment on the attacks. Daimler spokeswoman Ute von Fellberg said the matter was about security in Berlin.

Berlin Matter

“This is not a matter for the producer, rather it’s a matter for the city of Berlin,” BMW spokesman Alexander Bilgeri said today in a phone interview.

While Prenzlauer Berg and other central neighborhoods such as Friedrichshain and Kreuzberg are thriving, at least in parts, Berlin as a whole remains Germany’s “subsidy capital” almost 20 years after the Berlin Wall fell, said Tobias Just, a real-estate economist with Deutsche Bank in Frankfurt. Unemployment, at 14.1 percent in February, is almost double the national average.

Oliver Kappelle, who moved with his wife and two children to Friedrichshain, is unfazed by the perceived threat.

One night last month, Kappelle came across a “heap of junk that used to be a Porsche the night before,” he said. “I was just relieved that he didn’t park in the empty space behind me.”

Baader-Meinhof

Berlin has a history of political protest, with anarchist demonstrators regularly clashing with police on the streets of Kreuzberg during May 1 marches. Kreuzberg, which abutted the Berlin Wall, is represented in parliament by the Green Party’s Hans-Christian Stroebele, a former lawyer who defended members of the Baader-Meinhof gang in court.

Likewise, arson attacks on cars are not new: a Web site, “Burning Cars,” was set up to track the incidents in May 2007, one month before a summit in the northern German resort of Heiligendamm of the Group of Eight industrialized nations. There have been 290 attacks on cars since then, among them 55 Mercedes and 29 BMWs damaged or destroyed by fire, the site records.

“I wouldn’t advise someone to park their Porsche on the street” in Kreuzberg, Berlin police commissioner Dieter Glietsch told the Taz newspaper in June last year.

As the frequency of attacks increases, Klostermann, a company manager who has lived in Prenzlauer Berg for 12 years, remains unbowed.

“I would never want to be regarded as someone who can be driven out of a place where I enjoy living,” she said.




Devo dizer que nunca vi nenhum carro a arder por aqui... mas também no meu bairro não há Mercedes nem BMW...

Joana

Aliás....

Ainda a respeito do meu último post, não será mesmo uma forma de impunidade política sentenciar um Ministro do Governo à penhora de 10% do salário mínimo nacional (!!!)? Isto significa que um governante pode incumprir desde que tenha dinheiro para isso? O desrespeito pela lei, por parte de alguém que é eleito para fazer leis e as fazer cumprir, não seria matéria suficiente para a perda de mandato?
É sem sombra de dúvida matéria para indignação!!! 

Sónia

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

A justiça é cega... e lenta...

"O Tribunal obrigou Maria de Lurdes Rodrigues a pagar 10% do salário mínimo, por cada dia de incumprimento de uma sentença judicial. Em causa está um processo interposto por um professor."

(in Sol, 27/02/2009)


O que eu acho estranho é ser só um caso e a referência aplicada ser o salário mínimo... É que a penhora do salário não custa o mesmo a todos: dependendo do salário de cada um custa mais a uns e a outros menos. 10% do salário mínimo é muito mais para quem o ganha que para quem tem salário de Ministro. Note-se que igualdade e igualitarismo não é o mesmo...

Sónia

Médicos e professores

A avaliação dos médicos, que já existia, baseava-se num sistema de concursos. Agora passará a ser baseada nesta avaliação de desempenho, que classifica como relevante, adequada ou inadequada a prestação do profissional, mediante a confrontação dos objectivos fixados e dos resultados obtidos, diz o jornal.

Carlos Santos, do Sindicato Independente dos Médicos, adiantou ao “Diário de Notícias” que os concursos já existentes terão de continuar para garantir a progressão de carreira.

Por sua vez, Mário Jorge, da Federação Nacional de Médicos, defende que a avaliação de desempenho dos médicos é matéria de contratação colectiva e é isso que deveria estar a ser negociado, criticando o facto de esta proposta ser feita pelo Ministério da Saúde fora desse contexto.


Assuma-se de uma vez por todas que, em ambos os casos, o que está em causa não é a avaliação formativa, visando a melhoria do desempenho e dos processos, mas sim a criação de um filtro à progressão na carreira com o (alto)  risco de artificialização dos resultados em dois sectores fundamentais para a qualidade de vida dos cidadãos.
Sublinhe-se ainda, em ambos os casos,  a (também altamente) inquietante atitude impositiva do Governo, desrespeitadora dos processos negociais instituídos e essenciais na garantia da democraticidade governativa.

Sónia

terça-feira, fevereiro 24, 2009

É Carnaval!

(por Aldor, daqui)


E se nos disfarçarmos todos de gente que vive numa sociedade livre e democrática?


Sónia

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Hoje à noite, no Fantas



Noite belga!

Sónia

Outra sugestão


No Centro Português de Fotografia, até 15 de Março.

(Paulo Pimenta)

"Esta exposição de fotografias é um acervo de liberdade. Ela resulta da visão dos seus autores que, de forma absolutamente livre e independente, visitaram, durante três meses, o Hospital e fixaram, à luz dos seus valores, conceitos e preconceitos, momentos, pessoas, edifício e vida em pedaços imutáveis, mas interpretáveis, de papel e prata ..."



Sónia

Últimos dias


(mais informação aqui)

Não estou a falar de saldos: era o que me faltava... Trata-se da exposição de Juan Muñoz em Serralves. Termina esta semana, no dia 24. Depois de finalmente a ter conseguido ver, deixo aqui um apelo: professores de Espanhol de todo o mundo..., não a percam! Os miúdos (e os graúdos) adoram!

Sónia

domingo, fevereiro 22, 2009

Regresso...




...a um "café" muito especial de que já aqui se falou. O do texto de Carlo Goldoni, reinterpretado agora por Reiner Werner Fassbinder, no mesmo espaço que antes: o Teatro Nacional S. João. O formato era, no entanto, obviamente outro (mais informação aqui).
Valeu a pena a "overdose de cafeína"! Agradece-se a um amigo o desafio e a vários a companhia!

Sónia



sábado, fevereiro 21, 2009

Fela Kuti (no seguimento do post anterior)






                                 (mais informação aqui)

Sónia

Tenham muito cuidado


                                       (mais informação aqui)

Moças e moços casadoiros, tenham muito cuidado, se forem ver este filme: com sírios destes, qualquer um quer arranjar um "monte de sarilhos"...
;-)

Sónia

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Porquê?



Acedendo ao Youtube, pode ler-se que a emissão deste anúncio foi censurada pela BBC e Sky. 

Sónia


Viva Fernando Pessoa

Foram encontrados textos de Fernando Pessoa onde faz referência à Holanda e à Bélgica (aqui a notícia no jornal Holandês Dagblad van het Noorden) .
O poeta chama aos Países Baixos 'uma nação inferior' e ao sítio onde permaneço 'uma pseudo-nação'. Os dois não contribuem, nem nunca contribuiram alguma coisa à civilização e como tal ninguém notava se desaparecessem.

Não fiquei ofendido. Antes pelo contrário. Onde está esta auto-confiança agora?
Viva Fernando Pessoa!

Wouter

Contraditório

"O cardeal D. José Saraiva Martins defendeu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo «não é normal» e não permite às crianças ter uma educação normal."

O celibato também não é normal ("conforme a norma; a regra", in Dicionário Houaiss) e não vejo a Igreja Católica a protestar... Também não serei eu a partir para essa luta: desde que se respeitem os outros, cada um deve fazer (ou não fazer) o que acha melhor.

"À semelhança de um aviso idêntico feito há um mês pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Saraiva Martins aconselha «muita cautela e prudência» neste ponto [casamento com muçulmanos],manifestando total acordo com D. José Policarpo."
(idem)

Por que razão restringir o aviso no que se refere aos muçulmanos? Em minha opinião seria melhor dizer "cuidado com quem se casam", "cuidado com as más companhias". E já agora, não seria mais coerente/justo alertar também os muçulmanos e muçulmanas que cá vivem, para os perigos que correm com, por exemplo (e apenas a título de exemplo...), a intolerância religiosa e a violência doméstica resultante do abuso do álcool? Na verdade, gente perigosa, mal formada, fanática ou com problemas há em todo o lado... Não é preciso ir muito longe.

Sónia



terça-feira, fevereiro 17, 2009

A morte da esquerda

A Sónia sugeriu que comentasse um discurso sobre a atidude esquizofrénica da esquerda face à guerra na Gaza. O texto foi escrito por Nadine Rosa-Rosso, a ex-sécretaria do PVDA (o único partido marxista-leninista na Bélgica, que como tal reclama o monopólio da 'verdadeira esquerda'). Ao combinar as qualidades (?) de Belga e jornalista, cabe à mim de réagir, segundo a Sonía. E quem sou eu para duvidar disso?

O texto ao mesmo tempo é problematico e interessante. Problematico porque deixa coincidir Hamas e 'a resistência Palestiniana' e deste modo simplifica o que é provavelemente o mais complexo conglomerado de grupos e formas de resistência, que alguma vez houve num conflito, ocultando também as divergências profundas entre Palestinianos 'minimalistas' (que basicamente querem paz e estabilidade num território que eles controlam) e os 'maximalistas' (que pretendem o fim do estado judaico).
A partir daí a argumentação dá alguns saltos por vezes difíceis a seguir - a esquerda não apoiou o Hamas porque é um movimento fortemente religioso, uma atitude que tem a sua origem no colonialismo e que discrimina neste caso o Islão, já que nos anos oitenta a esquerda não teve problemas em apoiar Helder Camara e outros bispos que na América Latina propagavam a teologia de libertação. Resumindo, Rosa-Rosso acusa a esquerda de discriminar os muçulmanos, tal como o resto do mundo já o faz.
Talvez aqui importe saber que ela em 2007 foi substituida na liderança do PVDA por causa de uma aliança eleitoral falhada com o AEL (Arabisch-Europese Liga). Esta organização, que une sobretudo filhos de imigrados oriundos de Marrocos e da Turquia luta contra o racismo a todos os níveis (também em orgãos e partidos ditos de esquerda) e ficou estigmatizada por que uns líderes foram acusados de instigar uns desacatos que houveram em Antuèrpia apòs o assasinio de um professor de islão. Depois do fracasso da colaboração entre do seu partido e a AEL Nadine Rosa-Rossa ficou convencido que a islamofobia está generalizada, uma tese que repetiu no texto sobre Gaza.

O lado interessante do discurso é que ela provavelmente tem razão, infelizmente apresenta um exemplo errado ao apontar para 'a discriminação' do Hamas, que é, no mínimo, contestado como único represtante da resistência Palestiniana.
O problema em que ela toca é o da morte da esquerda, que se verifica em toda Europa. Porquê os grandes partidos sociais democratas estão moribundos, desde o PS em França ao SPD na Alemanha até os países mais pequenos, como o meu, onde a esquerda tradicional apenas representa 15% do eleitorado? Porque nenhum destes partidos conseguiu formular uma resposta ao problemas como o da imigração que os distinguissem da demagogia e do populismo que rende tanto à direita? E porquê a esquerda dita ortdoxa fica em grande parte fragmentada e não conseguer transmitir a sua mensagem ao eleitorado, apesar de os direitos de trabalhadores nos últimos anos têm sido assaltados cada vez mais desvergonhadamente?

Estas perguntas costumam ter como resposta variações sobre 'o fim das grandes idelogias' e 'o triunfo da sociedade consumista e individualista'. No entanto não creio que seja uma questão de oposições; o indivíduo contra a falta de colectivo, o mundo cristão contra o islão, o occidente contra a suas antigas colónias. Se a era Bush nos deixou acreditar que vivemos num mundo preto e branco, o que ela fez na verdade é massíficar as opinões, empurrá-las para um meio sem substância, onde toda gente pode gritar mas ninguém sera ouvido (a internet mostrou se o instrumento idéal para esta auto-ilusão). Esta massa amorfa é governado pelo centro - daí que uma esquerda fiel a si próprio não tem hipótese - , que abafa qualaquer confronto com o apelo à uma atitude 'razoável' e por isso funciona como um buraco negro que absorve todas as energias, sejam elas social-revolucionárias ou criativos.
Apesar do seu tamanho era sempre fácil de controlar, até agora. O sistema económico em que se baseou a grande 'razoabilidade' abalou, e a ira está de volta. Esta ira, ingénua, fresca, que serve como primeiro passo para revolucionar um modelo existente, como fonte de utopias ou de arte que vai além de mimesis poderá vir a ter uma nova oportunidade..

Wouter

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

;-)

Mais uma vez, coube-me a mim o post n.º 69... Abstenham-se de comentários brejeiros e infelizes: a inveja é um pecado capital... e, mais grave ainda, uma coisa muuuuuito feia!


;-)

Sónia

Na ponta da língua

Com a ressalva de que os deputados não são todos iguais e de que essa é uma ideia perigosa (pela capacidade de afastamento da gente honesta da política), aqui vos deixo uma carta de uma colega (leia-se com letras maiúsculas...), carta essa que me atrevo a publicar, dado que me chegou via correio electrónico, sendo já do conhecimento público.

 
C/ conhecimento:
 



Exmo. Sr. Presidente Da Assembleia da República

Grupos Parlamentares

Exmos. Srs. Deputados do P.S.

Ao longo dos últimos três/ quatro meses dirigi-vos várias "cartas", creio ser esta a quarta. Nunca obtive qualquer resposta da Vossa parte nem tão pouco a (pequena) delicadeza de acusar a sua recepção (tão só, de uma que fosse). É com profundo pesar que vos dirijo esta missiva.
Talvez a minha concepção de Política, baseada na Verdade e em Valores (para muitos subjectivos) de Consciência Ética - Cívica e Moral, esteja em desuso numa sociedade que faz vingar a mentira, a aparência e a dissimulação. Não me interessam os jogos político-partidários, que confesso abominar no contexto da política actual - sou apenas uma desconhecida mas cumpridora cidadã e profissional que sempre conduziu, e continua a procurar conduzir, a sua actuação por princípios de Verdade, Honestidade, Verticalidade, Integridade e Justiça.

Gostaria apenas de vos lembrar que os docentes portugueses são uma classe profissional com habilitações académicas/científicas que, no mínimo, se situam ao nível da Licenciatura para que, de ânimo leve, sejam continuadamente insultados, humilhados e rebaixados até e, nomeadamente, na sua capacidade de leitura, de interpretação e de avaliação das consequências/impactos (designadamente de enquadramentos jurídicos) como reiteradamente o tem feito o M.E.

A estratégia do Governo por Vós sustentado e apoiado assentou no desprestígio social / degradação da imagem pública do Professor, com suporte na Mentira, na desinformação da opinião pública, no medo e na intimidação, na divisão dos cidadãos deste país e dos próprios professores.

Como é possível vir apelar-se à união dos Portugueses em torno de um objectivo comum, quando aquilo que se fez foi virá-los uns contra os outros. E, que causa comum?:

-o combate às desigualdades sociais? – Não!;

-o combate ao fosso crescente entre os mais ricos e um número crescente de pobres? – Não!

-o combate ao empobrecimento da classe média com as consequências conhecidas ao nível da própria actividade económica? – Não!

-o combate à corrupção, aos clientelismos e à falta de transparência? - Não!;

-o combate ao desemprego e encerramento de pequenas e médias empresas que, de resto, não são apenas de agora? – Não!;

-o combate para serviços de saúde capazes de prestar assistência de qualidade, em tempo oportuno e em condições de dignidade aos portugueses? – Não!;

-o combate para uma Justiça eficaz, célere, acessível à generalidade dos cidadãos e consequentemente justa? – Não!

-o combate a tantas Imoralidades existentes neste país de escassa riqueza? – Não!

- …

O combate central da Política do Governo e, ao que parece, o problema fulcral da Nação é … a Avaliação dos Professores.

A vós, deputados da nação, representantes (por via da Constituição) de todos os cidadãos portugueses:

- NADA vos disse… as concentrações de cem/ cento e vinte mil professores;

- NADA vos disse… a profunda participação dos professores nas duas últimas greves;

- NADA vos disse… os constantes e frequentes problemas que ao longo dos tempos foram equacionados e publicamente divulgados, nomeadamente, por professores;

- NADA vos disse… as reiteradas posições de Escolas e Professores que argumentaram e muitos vos enviaram sucessivos documentos;

- NADA vos disse a mobilização de professores que criaram movimentos/ associações e outras formas de organização sem filiação política ou sindical;

- NADA vos disse… as posições que, por via da actuação dos professores ou seus representantes legais, foram tomadas pela Procuradoria / Provedoria da Justiça;

- Nada vos disse … a posição da Inspecção Geral da Educação no sentido de ser inexequível a sua participação no Processo de Avaliação tal como foi concebido;

- NADA vos disse … a posição do Conselho Científico da Avaliação dos Professores – CCAP (criado "na dependência directa do membro do Governo responsável pela área da educação") e o seu "não funcionamento";

- NADA vos disse … a posição do Conselho das Escolas, também criado pelo M.E.;

- NADA vos disse … as petições assinadas e entregues;

- NADA vos diz … as injustiças que têm sido equacionadas;

- NADA vos disse … as palavras com que, em quatro anos, foram "diabolizados" os sindicatos que em matéria laboral ainda são,
legalmente, o parceiro negocial do governo;

- NADA vos disse … as posições recentes de Conselhos Executivos, nomeadamente de "Escolas Públicas de Referência" a nível nacional;

-…

- NADA vos disse … Absolutamente NADA!

"A manutenção dos grandes privilégios da classe profissional", insustentável quando comparada com as outras, foi o argumento que vos satisfez. Pois bem, atrever-me-ia a sugerir-vos uma troca: que, durante um ano, viésseis beneficiar dos meus imensos privilégios e grandes benesses.

"Corporativismo e instrumentalização" foram as palavras que bastaram: a uns para se considerarem donos da razão e a outros para tudo sustentar.

A vós, pouca diferença farão as minhas palavras que continuareis, longe dos problemas e longe das pessoas, sentados nas cadeiras desse parlamento ou em outras a que tereis "direito": não por competência; não decorrente de qualquer sistema de avaliação; não por mérito especial; não pelo cumprimento dos vossos deveres, nomeadamente na fiscalização continuada, das garantias da legitimidade/ legalidade/ constitucionalidade no tratamento dos cidadãos; não por uma actuação de rigor, de isenção, de imparcialidade e de justiça na apreciação das questões que afligem ou lesam direitos; mas tão só decorrente de um
sistema político/parlamentar ultrapassado e distante dos eleitores.

Termino, senhores deputados, com palavras abruptas dirigidas a um órgão que deveria merecer todo o meu respeito: Não nos surpreendamos quando a Europa recuperar e nós (a população) continuarmos cada vez mais na sua cauda. Talvez, Portugal, esteja condenado (há muito/assim continuará e percebe-se porquê) à Mediocridade!

Respeitosamente,

.

Lisboa, 22 de Janeiro de 2009

Mª João Pires Fernandes

(Cidadã e contribuinte Portuguesa e Professora da Esc. Secundária de Sacavém)

Sónia

domingo, fevereiro 15, 2009

A dor é "democrata"

Recomendo a leitura do excelente texto de Robert Fisk publicado no Independent e difundido pelo "Todos por Gaza". A peça tem o seguinte cabeçalho, que eu aplaudo e que me recorda uma discussão a propósito de um post do "Equilíbrios":

Robert Fisk’s World

A fair point: Everyone is equal in their suffering during wartime


Sónia