sexta-feira, dezembro 01, 2006

A quem surpreendeu esta notícia?


Terão os clubes de futebol profissional coragem para acabar de vez com as claques organizadas e por si subsidiadas? Alguém duvida da marginalidade que grassa nestes grupos? Quando ouço a linguagem insultuosa com que enfeitam os jogos a que assistem pergunto-me por que é que ainda me dou ao trabalho de gostar de futebol.

evva

7 comentários:

Esplendor disse...

Dás-te ao trabalho de gostar de futebol da mesma forma que gostas de muitas obras de arte de artistas que não gostarias se conhecesses pessoalmente.
Vá lá. As claques estão para o futebol como as juventudes partidárias estão para os partidos. Quando um fenómeno se torna muito popular arrasta toda a gente, mesmo aqueles que não gostamos.
Sim senhor, critica as claques e a forma irresponsável como alguns clubes as encaram, mas no fim de semana, vai apoiar o teu clube, que te vais sentir melhor.

andré

Esplendor disse...

Não estarás a confundir alhos e bugalhos? Mas o que é que as claques têm a ver com as juventudes partidárias?! Vale a pena folhear a pseudo-biografia ou lá o que é daquele símeo dos super-dragões para ter uma verdadeira amostra do que são as claques do futebol. No tempo em que ainda ia ver jogos às Antas, recordo-me de ter ficado uma vez junto da claque principal num Porto-Benfica que ficou empatado a 3-3. Cinco minutos antes do jogo terminar, vejo um corropio de 'apoiantes' a correr dali para fora, rumo à saida. No topo sul, a mesma pressa. E o jogo empatado!... Perguntei atónita o que se passava. Pelos vistos, era normal combinarem um 'encontro amigável de pancadaria' em todos os jogos e a hora marcada aproximava-se...
Continuo a gostar muito de futebol, mas isso não me obriga a ter de encarar positivamente os palavrões e toda a violência que é hoje inerente à maior parte das claques.

evva

Esplendor disse...

I'm afraid your missing the point.
Os partidos estão organizados em torno da ordem e do poder, enquanto no futebol é em torno das paixões. Parece-me também que, quando ias ao jogos, te escapavam as "manifestações de apreço" que os simpatizantes fora das claques exibiam ao árbitro, à equipa contrária, ou até mesmo ao treinador da sua equipa. As claques são o exponente máximo de um comportamento que é tolerado, em menor dimensão, entre muitos dos apoiantes do futebol. Para além do mais, elas espelham o contexto social dos seus elementos. Daí que possa ser irresponsável o comportamento dos dirigentes dos clubes, mas não é incompreensível, pois os dirigentes sabem bem o tipo de comportamento que estão habituados a ver nas bancadas, muitas vezes de pessoas insuspeitas, que só naquele contexto se deixam libertar daquela forma. Tal como acontece com muitos elementos das claques, embora neste caso, de forma inadmissível.

andré

Esplendor disse...

Não me escapavam, não senhor, e é nomeadamente nessas 'manifestações de apreço' e do inadmissível e irresponsável comportamento de muitos dirigentes de que falo. Gostando de futebol, terei de tolerar isso? A sociedade portuguesa desculpabiliza demasiado esses comportamentos, entender não é aceitar, nem sequer apreciar.

evva

Esplendor disse...

Je sais ma cherie.
Mas então, em que ficamos. Queres acabar com as claques e depois educar os adeptos?
Não será melhor punir as claques quando elas fazem algo fora da lei, e tolerar determinadas (e não todas) formas de exibição das paixões e das emoções se elas estiverem dentro da lei e forem restritas a um contexto que possamos, ao mesmo tempo, controlar e assumir como socialmente aceitavel?
Ou será que queres domesticar toda a gente dentro do estádio. Olha que, quer aí, quer em França, quer na Alemanha, ou Inglaterra, há pessoas a passarem-se da cabeça dentro dos Estádios de Futebol.
É que o problema não está dentro do estádio, está fora. E se o quiseres erradicar dentro do estádio, ele vai-te aparecer noutro local.

andré

Esplendor disse...

O problema é que, sendo as claques avalizadas e subsidiadas pelos clubes, estes acabam por se tornar co-responsáveis pelos comportamentos que elas possam adoptar.
Se os meus alunos estão inseridos num determinado contexto social violento, terei de tolerar a violência nas minhas aulas?
Desculpando certos comportamentos, até mesmo em contextos específicos, estamos no fundo a concordar com eles.

evva

Anónimo disse...

Caro André,
A Evva tem toda a razão, até parece ser ela a pessoa com formação em desporto e tu, quiçá, em "defensor de arruaceiros e anormais". Não leves a mal, mas de facto a insubordinação, a violência, a ilegalidade, etc..., das "claques oficiais" suportadas e financiadas pelos clubes/SAD's já não é tolerável e admissível nos dias de hoje.

bj, maria josé carvalho