domingo, abril 26, 2009

Excerto de Ode


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
(...)

Ricardo Reis

[evva]

5 comentários:

Carlos Pires disse...

Muito belo!
Mas, lendo o resto do poema e outros poemas de RR percebe-se que ele nega a existência de livre-arbitrário. E, no fundo, prega o conformismo. Apesar de filosoficamente o tema ser discutível, creio que a nossa vida será melhor se acreditarmos que não há destino nenhum mas sim livre-arbitrário.

Esplendor disse...

O que me interessava hoje era evocar RR e o seu epicurismo, daí reproduzir apenas a primeira estrofe do poema. Até mesmo no livre-arbítrio a contenção é necessária, se não indispensável. Mais do que o conformismo, RR escolhe a vivência contida do presente («Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,/ Pagãos inocentes da decadência.»), para exorcizar a dor e o cansaço do mundo.
As árvores, e as sombras, alheias podem ser enganadoras. Repare-se na árvore da foto, um tronco robusto, os ramos despidos.

evva

Sónia Duarte disse...

:)

Wouter disse...

Muito bonito, o poema e o teu comentário..
até breve
Wouter

Helena Ribeiro disse...

O alheio que incomoda a necessária solidão de quem gosta de tomar as suas decisões...
O alheio de um árvore de outras terras, que nos são alheias...

Esta duplicidade de sentidos foi um feliz acaso ou foi pensada?