domingo, abril 30, 2006

The south african piano of Abdullah Ibrahim


Hoje à noite, a Casa da Música acolhe um concerto a solo do pianista de jazz Abdullah Ibrahim. Ouvi-o pela primeira vez em 22 de Abril de 2003, nesse espaço singular que é o Tapado, em volta de uma lareira acesa a degustar um tinto de eleição, música excelente e conversas intermináveis pela madrugada dentro.
O Tapado é um dos meus recantos preferidos e hoje à noite, pelas 22h, mais do que a música singularemente intimista e extraordinária de Abdullah Ibrahim que então gravei num cd e que toca em praticamente todos os jantares que se organizam cá em casa, naquele momento em que depois de repasto os corpos se afundam nos sofás a saborear um bom uísque (I hope...), vou celebrar esse lugar único e os que o construíram e habitam e me fazem sempre renascer a cada encontro.

evva

DEFINIÇÃO DA MOÇA



Como defini-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?

Como defini-la
quando está desnuda
se ela é viagem
como toda nuvem?

Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do quando nua?

como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?

Ferreira Gullar, Obra Poética, Edições Quasi, 2003, p. 496.

[evva]

Adenda: Oops, esqueci de agradecer a quem me deu a conhecer pela primeira vez o poeta excepcional que é Ferreira Gullar. Sorry, Dulce, não sei se vou conseguir devolver-te o livro...

sábado, abril 29, 2006

Do 25 de Abril

Ainda a propósito do 25 de Abril (é como o Natal, há datas que se comemoram sempre que o homem quiser...), vejam o que se passou no programa da manhã liderado pelo Sr. Manuel Luís Goucha neste 25 de Abril.
Sucedeu que as duas convidadas do dia (pertinentíssimas para a data!), Lili Caneças e Cinha Jardim, partilharam as suas ilustres opiniões sobre o dia da Liberdade. E já estou como o outro, todos gostam de dar as suas «opiniães», pois não pagam imposto nem exigem sabedoria de quem as profere. O caso que me ocorre, todavia, comentar, é a questão das palmas do estimado público convidado pelo programa: Lili Caneças dizia que se hoje ainda há pobreza em Portugal, antes do 25 de Abril o povo realmente passava sérias dificuldades e muitas misérias que obrigaram a uma emigração massiva, e que hoje há a liberdade para expor estas questões, coisa que não era permitida durante a ditadura. Ó tempora! Ó mores! De facto, os aliados podem por vezes encontrar-se junto das pessoas mais insuspeitas! Qual a reacção do público do programa? Nem uma única palma! Comentário da tia Cinha: o 25 de Abil foi responsável pela descolonização, pela miséria de muitos retornados (que aí exploravam os autóctones e as riquezas naturais..., comentário meu), pela morte de sua mãe(certamente de desgosto, pois as únicas mortes desta revolução poética foram causadas pelos PIDES, comentário meu), etc, etc. Reacção do público: estrondosas palmas!
Ah! Que não se diga não haver por aí muitos saudosos do antigamente, e não apenas entre aqueles que realmente saíram economicamente prejudicados pela mudança para a democracia! Entre a gente ignorante e pobre também se encontram muitos nostálgicos do 24 de Abril, permanecendo na ignorância em que o Salazarismo os quis (e parece ter conseguido) manter. Citarei a Bíbila, «Senhor, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!», ou Sophia, «Senhor, perdoai-lhes, porque sabem o que fazem?»

Cristina Costa Vieira

Vermelho é meu sangue e meu coração...

Não tenho sangue azul. Aliás, ninguém tem sangue azul...
Desde que há 33 anos a minha mãe ME DEU À LUZ,
todo o sangue que percorre meu corpo é vermelho.
E o sangue é que me faz viver, e a vida é que me faz sonhar,
e o sonho é que me faz crer que...
PARA O ANO A ÁGUIA HÁ-DE SER A RAINHA DOS CÉUS,
AFUGENTAR OS LEÕES NA TERRA,
E BICAR DOLOROSAMENTE OS DRAGÕES.
ESPEREM LÁ...
ESSE ANIMAL NEM SEQUER EXISTE

Com fair-play
(Este ano mereceram!)

HENRIQUE

Splendour in the air


O meu maior sonho sempre foi ser bailarina. Uma homenagem aos que conseguiram galgar a montanha de obstáculos que uma tal escolha implica e, uma vez lá em cima, lançarem-se no ar. Só quem tem música e ritmo dentro de si entende a sensação absolutamente única que é mover-se assim.

evva

quarta-feira, abril 26, 2006


Il n'y a de réellement obscènes que les gens chastes.

Joris-Karl Huysmans


[evva]

terça-feira, abril 25, 2006

25/04/74

O 25 de Abril pode ser apenas uma data, tal como qualquer outra que se considera importante. Pode ser um motivo de amuo ou de frustração para muitos que gostariam que o futuro tivesse sido outro.
Infelizmente não é razão suficiente para o povo português vir para as ruas celebrar, tal como faz a propósito da vitória do seu clube na primeira liga.
Mas também digam-me lá, de entre as mais importantes para a memória histórica do país, quais as celebrações que o povo reconhece como suas?
Felizmente há uns quantos que sorriem pelo facto de poderem estar a escrever e a falar livremente, e pelo facto de haver ainda pessoas que ainda não entenderam por completo o facto de que a sua frustração não advém do que se passou a seguir mas sim do facto não saberem exactamente o que esse futuro lhes vai trazer. O drama da insegurança e do medo, tão bem retratado naquele desenho animado do filme “Bowling for Columbine” de Michael Moore.
Obrigado Isabel, obrigado Filipe.
Felizmente vamos poder continuar a sorrir. Sorrateiramente. Para não ofender.

andré

Desculpem, mas não resisto a citar...

«Trincheiras

Os meus amigos de direita estão sempre em desacordo com os meus amigos de esquerda. Ou melhor, os meus amigos de esquerda fazem questão de estar permanentemente em confronto com os meus amigos de direita.
A hostilidade vem sempre do lado onde o sentido de humor escasseia.»
(via A Origem das Espécies)


Ah, que falta faz O Acidental!
Eu adorava ter mais amigos de direita, a sério que gostava. O que não quer dizer que certos Amigos de esquerda (pelo menos aqueles a quem posso designar por tal) não deixem de ter algum sentido de humor.

evva

O que eu hoje vou realmente comemorar


A minha irmã chegou à idade de Cristo. Parabéns, Xaninha!

evva

25 de Abril de 1974

Sem recorrer a opiniões mais ou menos credíveis de mais ou menos sumidades (sumidas ou a sumir-se...) para mim, mesmo correndo o risco de cair no cliché, hoje comemora-se a liberdade. A liberdade que se conquistou pelas mãos de homens e mulheres que estavam cansados de não poder falar, de não poder fazerloucuras, mais ou menos sérias, de não poder exigir salários justos, de não poder, se lhes apetecesse, sair do país. Homens e mulhers cansados de serem perseguidos só porque o vinho e o pão não lhes era suficiente. Porque acreditavam e criam em algo melhor. Melhor do que a bacoquice dos três Fs! Porque não acreditavam em padrões!
O que se fez ou faz hoje dessa liberdade é discutível. E ainda bem! Foi isso o 25 de Abril!!!! O tornar possível posts como o anterior e os comentários que lhe estão adjacentes.
Para mim, que não o vivi, mas que o sinto e respeito como um dia pleno de significado, o 25 de Abril é sinónimo de sonho, de construção. Claro que todos os sonhos e construções são imperfeitos... Mas ser sonho é sinónimo de pensamento, coisa que antes desta data não deveria passar disso mesmo: de pensamento escondido.
Claro que a seguir houve perseguições. O ser humano é mesquinho... anseia, pela sua natureza primária, vingança. Mas por mais cruel e injustificada que a violência da esquerda fosse, o que se chama à bacoquice (sim, repito o termo de propósito) pseudotirana do regime?
E quanto a brilhantes gestores, economistas e outras coisas acabadas ou não em istas, creio que ainda hoje se podem encontrar uns quantos... talvez menos escol, mas mais gente. Gente que quis falar, sonhar, bem ou mal não importa, mas que se recusou a ficar entorpecida
Por isso, hoje, colho um cravo vermelho e com muito, muito, muito orgulho escuto a grândola de lágrima no olho pelo profundo respeito que esta data me inspira. Porque me permite isso: sair à rua, com um cravo vermelho. Porque sou livre para o fazer.
25 de Abril, sempre!
Isabel Sofia

O que hoje se comemora

Subscrevo, mas não na íntegra (daí não linkar, mas apenas apresentar um excerto), este post de Karloos, no Small Brother:

«25 de Abril
Faz hoje trinta e dois anos que um grupo de soldados decidiu que não queria ir para uma guerra imbecil, e que a única forma de o evitar era acabar com um regime. O regime estava podre e sentia-se que ao primeiro abanão cairia. O regime caiu naquilo que se convencionou chamar a revolução da liberdade. Muitos pensaram que seria, efectivamente, a revolução da liberdade e da democracia, mas cedo se concluiu que aqueles que tomaram a revolução para si pouco sabiam de liberdade e não gostavam de democracia. A liberdade surgiu, sim, mas só para alguns.
Os anos que se seguiram à revolução foram de perseguições tão más ou piores do que aquelas que tinham sido feitas durante a ditadura. A revelação dos nomes dos informadores da PIDE provocou uma chacina em muitas zonas rurais e mesmo aqueles que mais tarde vieram a provar-se inocentes tiveram a sua vida arruinada. Os que de alguma forma tiveram sucesso antes de Abril foram perseguidos, chamados de fascistas, nem Amália Rodrigues escapou. Entre os empresários havia muitos que tinham enriquecido graças ao regime, mas muitos também pelo seu trabalho e parcimónia: todos acabaram expulsos do país, expurgados da sua riqueza. Nos meses seguintes à revolução o país viu sair os melhores gestores e técnicos, aqueles que podiam dar um rumo ao país, criar alternativas. O resultado foi que em 1976 o país estava muito mais pobre e a classe operária iria reparar que apesar de receberem muito mais, podiam comprar muito menos.
Quanto ao sentido de democracia de quem se apoderou da revolução, penso não haver grandes dúvidas. Em entrevista a Oriana Falacci, Álvaro Cunhal disse (entre outras coisas): “Nós, os comunistas, não aceitamos o jogo das eleições (...) Se pensa que o Partido Socialista com os seus 40 por cento de votos, o PPD, com os seus 27 por cento, constituem a maioria, comete um erro. Eles não têm a maioria (…) Estou a dizer que as eleições não têm nada, ou muito pouco, a ver com a dinâmica revolucionária (...) Se pensa que a Assembleia Constituinte vai transformar-se num Parlamento comete um erro ridículo. Não! A Constituinte não será, de certeza, um órgão legislativo. Isso prometo eu. Será uma Assembleia Constituinte, e já basta (...). Asseguro-lhe que em Portugal não haverá Parlamento (...) Nós, os comunistas, já tínhamos afirmado aos militares que o PPD não devia estar presente [nas eleições], que não se podia conduzir o país ao socialismo por meio de uma ampla coligação democrática. Mas eles quiseram juntar socialistas, comunistas, sociais-democratas e as diversas correntes do MFA... Tínha-mo-los avisado de que as eleições constituíam um perigo, que eram prematuras, que se não se tomassem precauções as perderíamos (…) Democracia para mim significa liquidar o capitalismo, os monopólios. E acrescento: não existe hoje em Portugal a menor possibilidade de uma democracia como as da Europa Ocidental”. Quando se apoderaram da revolução, os comunistas não queriam a democracia, queriam voltar o regime ao contrário e durante algum tempo conseguiram-no. O 25 de Abril não foi a revolução da liberdade nem da democracia. (...)»

Sublinhados meus. Ando há anos a repetir o que acabo de citar, mas até os mais esclarecidos se recusam a ouvir.

evva

Play it again, Sam



A minha tem um cabo madrepérola e a lâmina sempre afiada. Para os que se atreverem a dizer que estamos perante os novos Joy division.

evva

Comoção


Extraordinária a surpresa que a RTP proporcionou esta noite, ao transmitir o último concerto de Zeca Afonso no Coliseu (1983). Apesar de alguns elementos da assistência merecerem estar presos (e uma certa irritação quase involuntária por pouco me fazia mudar de canal cada vez que os filmavam, de cravinho na mão), e sem querer deixar de realçar a já tradicional polidez indígena no adequado uso dos aplausos (então aquela 'malta' não sabe que não se interrompe um Fado de Coimbra com palmas?), que memórias desfilaram ao escutar a voz trémula e embargada de um José Afonso já claramente debilitado... O meu tio Adriano, de olhar azul maroto, a dedilhar e a cantar a Balada de Outono ("Águas das fontes calai/ Ó ribeiras chorai/ Que eu não volto a cantar"), as noites adormecidas ao som da Canção de Embalar e todas as músicas que integraram a banda sonora despolitizada da minha infância, mais preocupada em cantarolar os refrães do que inquirir do seu significado profundo.
Confesso que desliguei no final para não ouvir a irritante Grândola, mas o que me ficou deste concerto único foi nele entrever uma certa (certeira?) imagem do 25 de Abril hoje, velho, doente e anacrónico. Haverá ainda motivo para comemorações?

evva

domingo, abril 23, 2006

Questões de geografia


Não posso deixar de concordar com o coro de vozes que por aí grassa e indignar-me com a cobertura televisiva da vitória do Futebol Clube do Porto no campeonato. Se fosse um desses clubezecos que lutam (?) pelo segundo lugar, interrompiam-se emissões com directos vários, abriam-se telejornais e alongavam-se reportagens.
Acredito que a visibilidade que o fenómeno futebolístico tem nos media nacionais é um claro sinal do atraso do país, conto refugiar-me numa ilha durante o próximo campeonato do mundo, a aguardar que a 'selecção' tropece logo na primeira fase para nos livrarmos do estado catatónico e começarmos a pensar em coisas sérias e abomino visceralmente o discurso norte-sul incendiário do inconsequente Jorge N. Pinto da Costa (responsável, entre outros quejandos, pelo meu crescente desinteresse por futebol), mas é em situações como esta que por vezes não deixa de fazer sentido. Parafraseando um post blasfemo, CURVEM-SE PERANTE A GLÓRIA DO GRANDE DRAGÃO!

evva

O Livro

(O Livro e o Beijo; Dante e Virgílio no Inferno observando os dois amantes assolados pelo vento infernal)
Paolo e Francesca de Rimini, Dante Gabriel Rossetti

No Canto V d' O Inferno, justamente intitulado 'Os Luxuriosos', Dante classifica a lascívia como o menos grave dos pecados, colocando-o no círculo mais externo (por curiosidade, na visão do próprio Dante, é coincidentemente o mais grave dos pecados por si experimentados). O castigo condena o pecador a ser eternamente arrastado por uma espécie de furacão. É neste passo que Dante evoca os amores adúlteros e funestos de Francesca de Rimini, filha do Duque de Polenta, e Paolo Malatesta, transformado em eterno parceiro no turbilhão infernal, duplo do vento passional que os arrastou em vida.

Os amantes foram mortos no momento em que liam o episódio onde Lancelot, apaixonado por Genevra (consorte de Artur), é induzido a beijá-la por Galeote. Paolo e Francesca perdem-se também num beijo e são surpreendidos pelo marido e irmão traído, Gianciotto Malatesta. Corria o ano de 1289.

Na Comédia, Francesca narra o esforço de ambos para resistir ao pecado. A tudo resistiram, de facto, excepto à sedução despertada pela leitura:


Nessun maggior dolore
che ricordarsi del tempo felice
ne la miseria; e ciò sa 'l tuo dottore.

Ma s'a conoscer la prima radice
del nostro amor tu hai cotanto affetto,
dirò come colui che piange e dice.

Noi leggiavamo un giorno per diletto
di Lancialotto come amor lo strinse;
soli eravamo e sanza alcun sospetto.

Per più fiate li occhi ci sospinse
quella lettura, e scolorocci il viso;
ma solo un punto fu quel che ci vinse.

Quando leggemmo il disiato riso
esser basciato da cotanto amante,
questi, che mai da me non fia diviso,

la bocca mi basciò tutto tremante.
Galeotto fu 'l libro e chi lo scrisse:
quel giorno più non vi leggemmo avante.

[evva]

P.S.: Não tive oportunidade (nem tempo) de procurar o excerto que Paolo e Francesca liam. Fica para mais tarde.

Uma paixão

Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado

tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem

ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem

antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
vem

com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te

Al Berto

[evva]

AMADEO MODIGLIANI & JEANNE HÉBUTERNE

amadeo:
certo dia, quando pintava o retrato de soutine e a mão deixara de me seguir, soutine disse-me:
- bebes para te matares.
e eu perguntei-lhe:
- e tu, soutine, o que te levou à tentativa de te enforcares?
saímos, depois, em silêncio para a rua. vimos o sena latejar sob as pontes e engolir as estrelas da imensa noite de paris.

jeanne:
soutine tinha razão. os anos passaram, não muitos, e amadeo tentara arranjar coragem para deixar de beber. foi inútil, e às vezes era violento - apesar de saber que eu nunca o abandonaria.

amadeo:
jeanne pressentiu que eu não precisaria de muito tempo para realizar a minha obra. sempre vivi como um meteoro.

soutine:
a 25 de janeiro de 1920, jeanne soube da morte de amadeo. refugiou-se num quarto em casa dos pais, num quinto andar. abriu a janela e saltou para junto dele.

Al Berto

["Olhar esvaziado como uma lâmina de vidro, não é de cegueira que se trata, mas da representação abstracta de um olhar introspectivo que se vira para o interior", disse a historiadora Helena de Freitas de um outro “Retrato de Jeanne Hébuterne”, mas que se aplica quase exemplarmente a todos os retratos que Amedeo Modigliani pintou da sua última musa.
Modigliani realizou um "trabalho obsessivo sobre o corpo da mulher, a partir do conceito de idealidade e de decifração de um enigma feminino". Artista de paixões e (des)encontros, alimentou "o mito do pintor boémio". Mas "não se limitava a pintar os seus modelos" - as mulheres tornam-se "imagens de devoção e, mesmo nas representações mais abstractas, percebe-se a intensa relação do artista com a ideia de modelo." A historiadora chama-lhes "fetiches de felicidade ou de plenitude".

Modigliani "atinge um nível de caracterização extrema da figura - o rosto da mulher é o resultado dessa síntese, tentativa de seleccionar linhas puras, contornos certos". O espaço de representação é "restrito e magnetizado por campos de cor intensos". E mais não é do que o "cenário de um jogo entre quem pinta e quem se deixa pintar".
Essa tensão "quase hipnótica" passa "intensamente" pelo olhos - "neste olhar esvaziado como uma lâmina de vidro, não é de cegueira que se trata, mas da representação abstracta de um olhar introspectivo e dominado, que se vira para o interior". Escreveu o pintor: 'A beleza tem seus direitos dolorosos: cria, porém, os mais belos esforços da alma'.
Em 24 de janeiro de 1920, Modigliani morre no Charité de Paris, vítima de tuberculose. No dia seguinte, grávida de nove meses, Jeanne Hébuterne suicida-se. Uma grande multidão assiste ao funeral de ambos no cemitério de Père Lachaise.

A 11 de Maio de 2006 estreia o filme Modigliani , de Mike Davis, com Andy Garcia, Elsa Zylberstein e Omid Djalili.

evva]

sábado, abril 22, 2006

Pura poesia



Oh meu Porto onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal

Oh campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto

Quando alguém se atrever a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós

Oh campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto



evva

sexta-feira, abril 21, 2006

Hoje...


decidi abandonar por um dia os manuscritos e dedicar-me a livros impressos

evva

quinta-feira, abril 20, 2006

A Morte convida...


Filme de diálogos extraordinários e fotografia de uma beleza perturbadora, difícil de igualar, O Sétimo Selo (1956, Ingmar Bergman) passa hoje pelas 19,30 no Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no âmbito do ciclo A Idade Média no Cinema.

A projecção será seguida de um debate dinamizado pelos Professores José Carlos Miranda (Literatura Medieval) e Serge Abramovici (Literatura Francesa). Imprescindível a qualquer cinéfilo que se preze, este jogo de xadrez inquietante e magnífico.

evva