Há dias, o convite para a próxima actividade da UNICEPE (Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto) vinha recheado com uma história que me tocou, a propósito de um poema de Sophia de Mello Breyner Andersen. O título do poema coincide com o deste post:
Esta Gente
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
Não resisto a partilhar o texto que o acompanhava e cuja autorização de divulgação fora do círculo a que se destina eu agradeço ao autor. Passo a transcrever:
Cara Associada:
Caro Associado:
No passado dia 2 fez 5 anos que morreu Sophia de Mello Breiner Andresen.
Em Outubro de 1969, o signatário cumpria o serviço militar obrigatório em Lisboa, na Escola Prática de Administração Militar. Éramos 39 no meu curso.
Devido às eleições que se aproximavam, apenas uma terça parte era autorizada a saír em cada noite. Entre os 26 obrigados a permanecer na caserna, as trocas de ideias eram acesas. Se, ao princípio, um ou outro ainda defendia a nossa guerra em África (para onde era previsível irmos), passados poucos serões já nenhum a defendia, rendidos aqueles poucos aos fortes argumentos dos politicamente mais conscientes.
Fora-nos dito que quem estava recenseado seria autorizado a ir votar à respectiva freguesia. Porém, na véspera, isso foi desdito e só os recenseados em Lisboa poderiam votar. Tal acresceu a tensão acumulada nas semanas de quase total permanência no quartel.
E, para grande surpresa, o dia das eleições, Domingo, 26, amanheceu com as largas dezenas de grandes ávores envoltas em enormes cartazes com o poema de Sophia que abaixo trancrevo (quase de cor, desde essa manhã).
É essa grande poeta que vamos homenagear na próxima Quarta-feira. Prepare alguns seus poemas e venha partilhá-los connosco. A entremear, teremos canções pelo nosso Associado Jorge Gomes da Silva. Divulgue.
Saudações cooperativistas,
Rui Vaz Pinto
Presidente da Direcção
Porque os tempos se aproximam perigosamente e os gestos passados ameaçam voltar a ser necessários no presente, eu divulgo! Tentarei participar.
Faleceu Adriano Teixeira de Sousa, dirigente do SPN e da FENPROF. Um bom colega, camarada e amigo! Vai continuar a fazer-nos falta; essa é uma forma de estar presente.
Vorrei essere libero, libero come un uomo. Vorrei essere libero come un uomo.
Come un uomo appena nato che ha di fronte solamente la natura e cammina dentro un bosco con la gioia di inseguire un’avventura, sempre libero e vitale, fa l’amore come fosse un animale, incosciente come un uomo compiaciuto della propria libertà.
La libertà non è star sopra un albero, non è neanche il volo di un moscone, la libertà non è uno spazio libero, libertà è partecipazione.
Vorrei essere libero, libero come un uomo. Come un uomo che ha bisogno di spaziare con la propria fantasia e che trova questo spazio solamente nella sua democrazia, che ha il diritto di votare e che passa la sua vita a delegare e nel farsi comandare ha trovato la sua nuova libertà.
La libertà non è star sopra un albero, non è neanche avere un’opinione, la libertà non è uno spazio libero, libertà è partecipazione.
La libertà non è star sopra un albero, non è neanche il volo di un moscone, la libertà non è uno spazio libero, libertà è partecipazione.
Vorrei essere libero, libero come un uomo. Come l’uomo più evoluto che si innalza con la propria intelligenza e che sfida la natura con la forza incontrastata della scienza, con addosso l’entusiasmo di spaziare senza limiti nel cosmo e convinto che la forza del pensiero sia la sola libertà.
La libertà non è star sopra un albero, non è neanche un gesto o un’invenzione, la libertà non è uno spazio libero, libertà è partecipazione.
La libertà non è star sopra un albero, non è neanche il volo di un moscone, la libertà non è uno spazio libero, libertà è partecipazione.
Sou militante de um Partido e acho que, de uma forma geral (sem demérito das excepções), no actual contexto político, a intervenção dos cidadãos, consegue ser mais eficaz no espaço dos Partidos. Independentemente desta apreciação conjuntural e relativizada, espaços como os dos Partidos, em que as afinidades (não ler “identidades”) ideológicas permitem o crescimento, aprofundamento e evolução de cada um para benefício de um colectivo, são espaços em que me sinto confortável.
Não é contraditório com o que disse antes o facto de, como expressei noutro lugar, também pensar que "Não diria tão taxativamente que "sem partidos não há democracia." Tal afirmação é pertinente no contexto actual, mas, se considerarmos um horizonte político mais interessante (o de democracia directa numa sociedade sem Estado), os partidos podem mesmo ser perspectivados como estruturas limitadas, nas quais não se esgota nem elas esgotam o potencial de intervenção política dos cidadãos. Sem perder a noção da realidade (...), creio que não devemos também perder de vista um horizonte dinâmico (a utopia) em relação ao qual caminhar."
É porque parto destes pressupostos que me preocupam as notícias ontem divulgadas na TSF e no Público a respeito do tratamento/envolvimento de cidadãos ditos “independentes”. As aspas não pressupõem a desconfiança relativamente à sua independência, mas sim a descrença em que essa mesma condição (a de independente) dependa de estar ou não vinculado a um Partido. Creio que quando o porta-voz da comissão Nacional de Eleições, Godinho de Matos, admite que “o regime legal em vigor põe em causa o princípio de igualdade” entre forças partidárias e candidaturas “independentes”, há um deficit democrático grave que urge corrigir. Transcrevo seguidamente as palavras de Godinho de Matos:
«Para a CNE, a lei, tal qual como existe, positivamente, é boa. Agora confrontados com a reclamação do movimento de cidadãos que concorre às eleições autárquicas em Matosinhos, somos obrigados a constatar que existe uma diferença na lei de tratamento entre os partidos políticos e os grupos de cidadãos.»
A necessidade dessa correcção é tanto maior quanto maior a movimentação à margem das estruturas partidárias, como permite intuir o Manifesto recentemente tornado público por um conjunto de cidadãos “insatisfeitos com os conteúdos e a qualidade do debate político-partidário”.
Como militante de um Partido democrático, assumo como uma prioridade a criação de espaços de participação política dentro ou fora dos Partidos. Talvez no actual contexto, convenha sublinhar o lado de “dentro”... Com efeito, este é um momento em que, por um lado, alguns procuram estigmatizar essa forma de participação olhando para ela de forma generalizadamente desconfiada e distribuindo indiscriminadamente por todos o ónus do actual estado de descrença política; por outro lado, também é este um momento em que há quem tente isolar o estigma em determinados Partidos e determinadas ideologias e tente, em nome da democracia, silenciá-los através da declaração da sua anticonstitucionalidade, como acontece com Alberto João Jardim, que, sendo dos poucos a dizê-lo, temo que não seja dos únicos a pensá-lo.
Na verdade há muita coisa a propagar-se por aí tão ou mais perigosa que a gripe A...
A TSF divulga hoje que um estudo do Conselho de Prevenção da Corrupção vem denunciar que "o Estado está mal protegido contra a corrupção":
Mais de metade das 700 entidades públicas ouvidas no inquérito revelaram falhas. Segundo o estudo, um número significativo de organismos não negoceia formalmente os termos dos contratos, não escreve os textos nem as minutas ou anexos do acordo.
Além disso, segundo dados do inquérito, quando esta tarefa é atribuída a gabinetes externos, a tendência é para descansar, com as entidades públicas a não controlarem os trabalhos a mais feitos em obras, por exemplo.
O inquérito mostrou também que o preço e a qualidade dos bens ou serviços são avaliados à posteriori, que os conflitos de interesse não são manifestados por escrito e que não se diz de forma explicita aos funcionários que os casos de corrupção são intoleráveis.
O estudo encontrou ainda falhas na atribuição de benefícios públicos. Em muitos casos não se fundamentam as decisões e não se estabelecem à partida as regras, violando assim a lei.
A surpresa não é grande. Mesmo assim, o estudo revela utilidade na medida em que aponta medidas para corrigir a situação e preveni-la futuramente, definindo ainda um prazo limite para o reajustamento em função das recomendações efectuadas.
O que falta aqui é a aferição de responsabilidades pelos actos passados. Perante a constatação de uma prática nefasta e de indicadores de prejuízo a situação é ultrapassada impunemente?
Só posso compreender o eventual embaraço da Dr.ª Ferreira Leite em relação às afirmações do seu camarada de partido se no seio da actual liderança do PSD ou entre as elites do partido houver uma vontade expressa ou uma posição consensual sobre a incompatibilidade entre comunismo e democracia. Para o Dr. João Jardim ter levantado a lebre…
Apesar disso, o argumento lançado pelo governante da Madeira é mais demagógico do que outra coisa. Ao contrário das suas congéneres fascistas, as organizações comunistas sempre conviveram bem em ambientes democráticos, quer através de uma representação parlamentar, quer através de uma forte presença no movimento sindical. Penso que só assim se compreende o respeito que, de uma forma geral, o povo lhes deu, apesar do reconhecimento das atrocidades que foram feitas em nome da ideologia que os comunistas defendem. Sobre as organizações fascistas não se pode dizer o mesmo. Apesar disso, nos últimos tempos, à boleia das mais recentes crises sociais, talvez tenham chegado à conclusão que mais vale obedecer às regras democráticas e existir, do que permanecer numa posição marginal e muitas vezes ridícula. Este facto, traz-me mais preocupação do que descanso, mas a democracia é mesmo assim, existe um constante esforço contra aqueles que a querem pôr em causa.
Ao contrário do fascismo, o comunismo foi no século XX um importante veículo de desenvolvimento social. Foi decisivo na definição do papel do Estado enquanto promotor de igualdade entre os cidadãos, e eu ponho-me a pensar se não terá sido o radicalismo deste movimento a permitir aos social democratas, enquanto alternativa mais moderada, a realização das suas políticas de apoio social. Depois há que considerar também toda a sustentação intelectual que o comunismo tinha. Não consegui encontrar ainda algo similar no movimento fascista.
E pronto, lá se gastaram mais umas linhas a custo do Dr. João Jardim, que assim como assim, lá vai conseguindo fazer com que ninguém o esqueça. O que até não é mau. Rir sempre fez bem à saúde e ao espírito.
Só um país a viver ainda no século XX admitiria uma coisa destas na sua Constituição.
Sempre na frente da batalha, Jardim antecipa-se ao programa eleitoral do PSD e obriga Manuela Ferreira Leite a tomar uma posição. Quanto ao 'vigilante oficial', vulgo Representante da República, deixem-no lá estar sossegadinho, já dizia um compadre meu 'não se pode dar muita corda a estes ilhéus, que Ferreira Leite não caia no mesmo erro de Sócrates'. Mas Alberto João vai vender caro os votos madeirenses no PSD. Espera-nos a melhor Silly Season de sempre.
«o bom leitor não é o que lê muitos livros, é o que chegou àquele estádio em que compra uma boa quantidade de livros que deveras lhe interessam deveras convencido que nunca os lerá. Dito de outro modo, o bom leitor é o que valoriza o livro que não leu, bem mais do que o livro conhecido: e valorizando-o, quer possuí-lo! (...) o bom leitor é aquele cujo desejo contribui para a proliferação dos livros ainda antes de contribuir para a sua própria elevação intelectual»
Abel Barros Baptista, 'A Ordem dos Críticos', Ler n.º 82, Julho 2009
Eu acrescentaria 'o bom leitor é aquele que contribui assiduamente para a proliferação da indústria das estantes'. Cá em casa é uma necessidade premente.
A revista Ler, cuja nova série não me deslumbrou por aí além, recomenda-se. E ainda vou na página 10. Continuo a não gostar dos cartoons do Pedro Vieira, mas não se pode ter tudo. A assinar e coleccionar.
Já ontem tinha lido a notícia no Público, mas ouvi-la hoje a ver a cara séria da jornalista da TVI levou-me a um fartote de riso - não fosse o caso mais para chorar que para rir...
A Ministra da Educação disse mais que o que que quis dizer: se diz que , então também está a dizer que alunos e professores contam menos neste processo, está mesmo a dizer que os esforços das escolas e do próprio ME através do Plano Acção da Matemática têm menos poder que a comunicação social para o sucesso educativo, está ainda a fazer uma apreciação do papel da comunicação social que não só é ofensiva como muito grave no que respeita à independência da comunicação social.
Isto merece indignação generalizada, mas sobretudo uma valente reacção do sindicato dos jornalistas.
"Domingos Botelho casou com D. Rita Preciosa. Rita era uma formosura, que ainda aos cinquenta anos se podia prezar de o ser. E não tinha outro dote, se não é dote uma série de avoengos, uns bispos, outros generais, e entre estes o que morrera frigido em caldeirão de não sei que terra mourisma; glória, na verdade, um pouco ardente; mas de tal monta que os descendentes do general frito se assinaram Caldeirões."
In Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco. E o deleite ainda agora começou. André
Para mim o mais importante a dizer sobre caso Manuel Pinho é isto:
"Este gesto, a todos os títulos inaceitável, não pode contudo desviar as atenções do país sobre as matérias que estiveram em debate na Assembleia da República e da necessidade de interromper o penoso ciclo da política de direita que está na origem da crise, do desemprego, dos baixos salários, das injustiças e da corrupção que marcam a vida nacional."
O ministro da Economia, Manuel Pinho, pediu hoje desculpa pelo gesto que dirigiu ao líder parlamentar do PCP durante o debate do Estado da Nação, reconhecendo que se excedeu.
"Excedi-me, pedi desculpa", afirmou Manuel Pinho, quando questionado pelos jornalistas sobre o que tinha acontecido minutos antes no plenário da Assembleia da República.
Questionado se considera ter condições para continuar no Governo depois deste episódio, Manuel Pinho respondeu afirmativamente.
Quer dizer que, enquanto representante popular eleito, se eu depois pedir desculpa, posso faltar ao respeito aos outros representantes (e consequentemente a quem eles representam) e continuar impune?
Pela parte que me toca, não aceito o pedido de desculpas deste senhor!
As análises que por aí circulam sobre a responsabilidade de Michael Jackson na projecção e na morte da MTV (cuja óbito agora se anuncia, a coincidir com o desaparecimento de quem projectou e elevou à categoria de objecto artístico a matéria que a alimentava) e do domínio da imagem que promove e vende a música, com ela se confunde e a ultrapassa, pouco dizem sobre a nossa pequena realidade de pré-adolescentes na primeira metade da década de oitenta.
De facto, quem naquela época seguia a MTV? Muito poucos. A televisão por satélite chegava a alguns lares e bares, apenas. O pouco a que conseguíamos almejar era ao Top+ a cada sábado e a torcer para que no primeiro lugar da lista de vendas estivesse o tão desejado teledisco. Isto para dizer que, ao contrário dos adolescentes de hoje, a nossa formação pop não passava assim tanto pela imagem (enfim, tínhamos a Bravo e as outras revistas alemãs com as fotos e os posters, mas pouco mais) televisiva porque, na ausência de canais de televisão a passar música 24 horas por dia, restavam-nos os discos e esses sim, o ritmo contagiante que deles emanava, a música que idolatrávamos, as letras que tentávamos perceber ainda antes de sabermos soletrar uma palavra de inglês, os discos de vinil foram a base da nossa relação com a música pop, não os telediscos. Muito menos as rádios, alguns anos antes do boom da divina pirataria. Os concertos ao vivo eram raríssimos. Por isso me soam tão estranhas estas afirmações de que nós, sim nós, adolescentes e pré-adolescentes portugueses da época em que Thriller revolucionou a música pop, pertencíamos à geração MTV.
Veio-me tudo isto hoje à memória ao ouvir, por caso, um tema dos Triffids (alguém um dia terá de escrever um tratado sobre o quanto as nossas emoções devem à pop dos antípodas, dos The Church aos Go-Betweens). Um dos versos desta canção, uns bons anos mais tarde, haveria de ser a frase que inaugurou o screensaver do meu primeiro PC. Ainda lá andou por algum tempo, até um vírus envenenar a memória do computador (e a minha). Os adolescentes de agora conseguirão assim tão facilmente libertar a imagem das palavras e da música e cristalizar todas as comoções da juventude numa simples frase?
The Triffids, Bury me deep in love (1987)
Bury me deep in love, Bury me deep in love Take me in, under your wing Bury me deep in love
There's a chapel deep in a valley For travelling strangers in distress It's nestled among the ghosts of the pines Under the shadow of a precipice
When a lonesome climbing figure Maybe slips, maybe loses grip Tumbles into a crevice To his icy mountain crypt
Buy him deep in love, bury him deep in love Take him in, under your wing Bury him deep in love
When the rock below is shaking The heart inside is quaking How long this cold dark night is taking Bury me deep in love
Bury me deep in love, bury me deep in love Take me in, under your skin Bury me deep in love
And the little congregation gathers, Prays for guidance from above They sing, "Hear our meditation, Lead us not into temptation But give us some kind of explanation Bury us deep in love"
You may lose me on the east face You may lose me on the west I may be covered over in the night Bury me deep in your love yes
Bury me deep in love. bury me deep in love Take me in, hide me under your skin Bury me deep in love
Bury me deep in love, darling bury me deep in your love Deeper and deeper. deeper and deeper Bury me deep in love
Não me interessa(m) a(s) cor(es) da pele. Eu cresci ao som e à imagem das músicas deste álbum e, para além de devorar livros, o meu passatempo preferido durante anos e anos foi coreografar os temas de Thriller. O resto não me interessa mesmo nada, eu adorava este homem.
(o vídeo de Beat it, a faixa de Thriller que eu mais gostava de dançar)
A história? Aqui está a Kimberley, 18 anos, cabeleireira em Kortrijk (Bélgica). Há poucos dias decidiu que queria uma tatuagem, pediu 3 estrelinhas acima do olho esquerdo, mas saiu com 56. Diz que adormeceu durante o trabalho e foi enganada, agora vai por queixa contra o artista, que aliás nega a versão dela, já que segundo ele é impossível dormir quando se espeta agulhas na cara.
Todos sabemos que o mundo é um teâtro, mas não é sempre tão obvio como ontem, quando Muammar Gaddafi aterrou em Roma.
A excellente série de fotografias de Alessandro Bianchi (Reuters) está aqui (inclusive uma imagem espectacular onde os líderes da Líbia e de Italia partilham um sorriso rugoso, acompanhado de um olhar céptico duma princesa do deserto..)
A fotografia é do meu irmão (o disparo...); a associação de ideias é de outro colega. Foi tirada na última manifestação de professores (30 de Maio de 2009) e vem, realmente, muito a propósito das eleições de amanhã...
(emprestado do Equilíbrios que o foi buscar emprestado a outro lado...)
Fomos cerca de 70 000! Fomos muitos. Mas mesmo que tivéssemos ido poucos. Íamos bem armados e bem animados pela força da nossa razão. Não foi a maior manifestação de professores, mas foi aquela de que mas gostei!
Uma colega fez um paralelismo - em jeito de trocadilho, em jeito de paródia - que achei muito pertinente! Lembrou-se, essa colega, das recordações de Fátima que muitos trazem de lá... É com SOLIDARIEDADE pelos que não puderam ir, é com COMPREENSÃO pelos que tiveram razões para não querer estar lá e com ESPERANÇA de mobilizar os que não foram e não tiveram essas razões que aqui deixo esse registo, ainda com a réstia de boa disposição que guardo de ontem.
Achei que o título ia chamar a atenção dos leitores ;)...
Vem este a propósito de uma notícia publicada pela Lusa sobre a aplicação a uma professora de "um processo disciplinar na sequência de alegadas alusões a orgias sexuais, durante uma aula".Estas coisas não deviam circular assim!!! Falar sobre o assunto não me parece nada mal - antes pelo contrário ;) , brejeirices à parte... Aliás, que eu saiba, de certa forma, até faz oficialmente parte do objecto de Formação Cívica, se não mesmo de todas as disciplinas (refiro-me à sexualidade)... A questão é como se aborda o assunto e nada disso é dito aqui. Sim é dito que a referida conversa foi gravada... O que isto me faz pensar é na Educação Sexual nas escolas e na importância que se dá às coisas consoante a visibilidade que têm. Com ou sem disciplina própria, a Educação Sexual existe; mas não é só dentro da escola que ela faz falta... assim como a educação (sem conotações moralistas) em geral...
Na Bélgica não são os professores que apanham. Se as imagens não são claras: ele põe o aluno (deficiente) num balde com cimento e depos de baixo da torneira (vá la que a ordem das acções demonstra alguma razoabilidade).
Um post no Equilíbrios levou-me a rever um desses filmes (outro seria "Educating Rita") que não me deixam esquecer o sentido da escola e de ser professor(a). Infelizmente, nos tempos que correm, ajudas destas vão sendo cada vez mais necessárias...
Independentemente de notícias como esta (ver aqui) terem ou não fundamento e sentido, discordo de uma exploração noticiosa insistente do lado menos importante desta história. A forma como nos temos habituado a rir facilmente do que é sério é perigosamente distractora.
Note-se que não é o potencial revolucionário do riso que eu critico e cujo papel ao longo da história merece a minha homenagem, com particular destaque para os bobos de corte medievais que, por debaixo das vestes de tontos, da chacota generalizada e dos sopapos que apanhavam, viviam de rir-se dos grandes, usando a cabeça para pôr estes a rir-se deles mesmos, numa altura em que aquela se perdia facilmente... O que eu critico são as "vistas curtas" de hoje que preferem expor o perigo da miopia que pode advir do uso destas máquinas, quando podiam (e deviam) denunciar a miopia que está na sua origem enquanto instrumento de propaganda do regime.
Um pouco cor-de-rosa, um pouco "clichê", mas fez-me bem à alma! Teria desfeito parte do "clichê" no final com uma menina muda ou com a continuação dos letreiros entre os dois rapazes, mas, sem dúvida mantinha o "felizes para sempre" !
La pendule fait tic tac tic tac Les oiseaux du lac font pic pic pic pic Glou glou glou font tous les dindons Et la jolie cloche ding din don Mais ...
Boum Quand notre coeur fait Boum Tout avec lui dit Boum Et c'est l'amour qui s'éveille. Boum Il chante "love in bloom" Au rythme de ce Boum Qui redit Boum à l'oreille
Tout a changé depuis hier Et la rue a des yeux qui regardent aux fenêtres Y a du lilas et y a des mains tendues Sur la mer le soleil va paraître
Boum L'astre du jour fait Boum Tout avec lui dit Boum Quand notre coeur fait Boum Boum
Le vent dans les bois fait hou hou hou La biche aux abois fait mê mê mê La vaisselle cassée fait cric crin crac Et les pieds mouillés font flic flic flac Mais...
Boum Quand notre coeur fait Boum Tout avec lui dit Boum L'oiseau dit Boum, c'est l'orage Boum L'éclair qui lui fait boum Et le bon Dieu dit Boum Dans son fauteuil de nuages.
Car mon amour est plus vif que l'éclair Plus léger qu'un oiseau qu'une abeille Et s'il fait Boum s'il se met en colère Il entraîne avec lui des merveilles.
Boum Le monde entier fait Boum Tout l'univers fait Boum Parc'que mon coeur fait Boum
Boum Boum Je n'entends que Boum Boum Ça fait toujours Boum Boum Boum Boum Boum...
João Gouveia Monteiro acaba de nos brindar com uma lição rara de história na televisão portuguesa (Câmara Clara, RTP2). Muito assertivamente, desmontou as Crónicas do Condestabre e de D. João I («Ai são textos apologéticos?», perguntou uma assombrada Paula Moura Pinheiro) e não deu qualquer hipótese a D. Carlos de Azevedo, que não conseguiu articular um raciocínio credível. Desconhecia a defesa do tiranocídio, que D. Nun'Álvares Pereira terá bebido em João de Salisbúria, e não esperava ver um Bispo Católico pregar a justeza da 'sugestão' que D. Nuno terá feito ao Mestre de Aviz (para os mais esquecidos ou menos familiarizados com a história pátria, atirar da janela abaixo o Conde de Andeiro). Com toda a sinceridade (a que pode conter a minha profunda fé católica e inabaláveis convicções monárquicas), esperava muito mais de D. Carlos de Azevedo, pelo menos que me fizesse partilhar dos argumentos de 'santidade' da vida do Condestável.
Um momento alto de televisão, a rever numa das próximas madrugadas ou no site da RTP.
evva
P.S.; Lembrei-me de ti, clarinda, quando Road to nowhere, dos Talking Heads, encerrou o programa. Nem de propósito.
O Tropfest, um dos festivais de referência de curtas metragens, começou há 17 anos em Sydney, na Austrália. Em 2008, foi criada uma extensão em Nova Iorque e o vencedor foi este filme de Jason van Genderen, totalmente filmado com um telemóvel em Sidney e NY. Orçamento: 40 dólares.
A ofensiva militar israelita na faixa de Gaza está a provocar um incontrolável surto de divórcios, infidelidades, arrufos conjugais e doenças músculo-esqueléticas em bloggers de esquerda. O Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão já confirmou a entrada de mais de 1500 bloggers de esquerda para Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Terapia da Fala e Assistência Social. Apesar do internamento compulsivo dos autores, os seus blogues têm mantido a sua actividade normal (150 posts por hora sobre a Palestina). “Contratei dezenas de ex-eufémios e ex-alunos dos cursos de desobediência civil para actualizar o meu blogue, o twitter, responder a mails, atender telefonemas, tratar das manifestações e para escrever a minha crónica no jornal. Eles têm sido impecáveis. Tratam dos miúdos, fazem companhia ao meu cônjuge, todos os dias mudam o incenso lá de casa e ainda regam a minha plantação de droga", afirmou um blogger de esquerda.»
No âmbito do Dia Internacional de Luta marcado para 1 de Abril, promovido pela Federação Sindical Mundial, sob o lema “ Pelos Direitos dos Trabalhadores, contra a Exploração” a CGTP-IN realiza em todo o país, de 2 a 8 de Abril, tribunas públicas sob o lema “Mudar de Rumo, Emprego com Direitos”. Esta foi no Porto, no dia 2 de Abril. Parece mentira..., mas a comunicação social não estava lá! Para compensar, aqui fica o registo, com uma homenagem especial à bandeirinha do Sindicato dos Professores do Norte e à presença galega.